Friday, January 09, 2009

Lágrimas

Havia dias que pensava em escrever sobre como faz tempo que não choro. Teve épocas que eu passava o dia esperando a noite para poder chorar em paz. Ou chorar para ter paz. Eu sinto raiva, eu choro. Eu sinto alegria, eu choro. Eu sinto tristeza, eu choro. Eu sinto saudade, eu choro. Eu sinto medo, eu choro...

E às vezes eu choro só pra ver se o constante nó na garganta passa. Ele passa, mas acaba voltando. Sempre volta. E eu gosto de chorar, alivia a alma. Se dá rugas, não sei, prefiro rugas à uma alma pesada. Ando, de fato, sem grandes nós no peito, embora tenho me preocupado muito com o meu futuro profissional. E fazia tempo que eu não chorava.

E faz tempo que não durmo direito, sem sono, pensando na morte da bezerra e me perdendo na conta dos carneirinhos (eu nunca fui boa com números). E desde criança tenho uma tendência notívaga. Gosto dos ruídos que só ouvimos no silêncio da noite.

Meu quarto é o mais da frente na minha casa, então escuto tudo que se passa na rua. Um sussurro vira um grito, o miado de um gato vira um uivo, um carro que passou a 40km/h se torna um carro que passou voando. Estranho o tamanho que as coisas tem nessa hora.

Durante a noite a gente sente o peso das coisas e, choramos. Ontem o nó na garganta foi pra cama comigo, às 2h 40 da manhã, sem o menor sinal de sono. Deitei e chorei. Chorei como a tempos não chorava, até as 4h da manhã, quando o nó na garganta começou a dar lugar ao sono.

Hoje acordei mais leve e com o motivo do choro na cabeça. Ele tem medo de estragar a amizade. E eu? Eu não vou mais escrever sobre o tempo que eu não choro. Escrevo sobre o nó na garganta que aperta o peito e molha os olhos, enquanto a escuridão da noite faz suas revelações.

1 comment:

Anonymous said...

amiga... eu choro frequentemente. Tem dias em que não quero chorar, em outros até alivia... mas não sei. O problema não é a lágrima, é o motivo.