Wednesday, December 15, 2010

SOS

Eu preciso me salvar. Preciso fazer algo para que eu continue. Eu tô quase desistindo. Eu preciso que me enterrem antes que eu me mate.

Ando nas ruas olhando para o alto, para os prédios, pensando qual a altura para ser fatal? Embora não reze mais para eu morrer, nem isso eu consigo.

Já não tenho mais metade das minhas coisas. Metade da metade eu dei a outra, eu coloquei no lixo. Minha mãe fica feliz que eu estou me desapegando, ela diz que a gente tem que tirar o lixo velho para entrar o lixo novo. Mãe, não vai mais ter lixo, eu prometo. Nem eu, também.

Ontem eu peguei a pinça e puxei um corinho em cima da unha do dedo indicador direito, o que eu mais uso, o que mais bate. Ficou um daqueles cortezinhos chatos, que doem a cada batida. Mas essa dorzinha não é suficiente. Então coloquei o dedo no álcool, doeu um pouco, depois amorteceu.

Eu dei minha cama hoje, para um senhor que estava passando na rua, parecia ser um pai de família e bem simples. Olhei pra ele e perguntei: “o senhor quer uma cama?”, ele pensou um pouco e disse que sim. Então pedi pra ele entrar e pegar. Ele pediu pra usar o telefone, pra pedir ajuda para levar a cama, eu falei que “tudo bem, não ajudo porque tenho que terminar a faxina.” Minutos depois, o sogro dele chegou com uma Brasília, levaram minha cama e uns ursinhos de pelúcia que sobraram da infância.

Meu pai tá preocupado, trouxe um colchão velho que tem na garagem pra mim dormir. Por mim, tanto faz, não vou mais dormir. Semana passada, eu roubei R$ 500,00 da conta bancária da minha mãe. Peguei um ônibus para o interior, depois um táxi e voltei, noutro ônibus. Estava me procurando. Não me achei. Eu não sou mais eu.

Quero ir embora para um convento, para um mosteiro, para o Rio, para São Paulo, para Macapá, para Tóquio, para a Islândia, para um SPA, para um circo, para um presídio, para uma comunidade que tome Santo Daime. Eu preciso me salvar.

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