Monday, October 25, 2010

Dos últimos dias...



Preciso escrever mais. Não fiquei sumida por não ter o que dizer, nossa, o que eu mais tenho é o que dizer, mas está tudo trancado.

Eu fiz tanta coisa nesse tempo de silêncio. Voei de asa-delta no Rio, foi lindo e incrível, uma das melhores sensações do último mês, cheio de altos e baixos. Apesar dos meus chiliques diários, os dias no Rio de Janeiro renderam boas risadas, acho que até pra Laudi...

Teve também o I Encontro de Danças Ruschel, semana passada em Esteio, um sucesso. Coisa boa dançar num palco, fazia tempo que não vivia o corre-corre da coxia e a bagunça de um camarim. E claro que antes disso, teve horas intermináveis de ensaios e dores pelo corpo.

Falando em dor, fiz mais uma tatuagem: uma lua cheia azul, linda. Está nas minhas costas, fazendo companhia para o meu sol. Teve também os livros que li e os filmes que vi e, na hora pensei que renderiam algum texto, mas deixava para depois e depois e o depois nunca era agora. Agora é.

No desfile do 20 de setembro, meu avô enfartou em cima do cavalo, que susto, que pânico, quase que eu enfartei junto. Meu pai, com sua incrível paciência, manteve a calma o tempo todo, quando perguntei como ele conseguiu, me respondeu: “se um dia tu ver o teu pai tendo um enfarto enquanto a tua filha surta com os policias que não fazem nada, tu vai tentar controlar a situação.” Tá bom pai, faz de conta que acredito.

Também teve o que não vivi, o casamento da Roberta, que eu não fui. O show do Fito, que eu aloprei e troquei o ingresso pelo dinheiro de volta. E o Abbey Road com a Fabi, que eu também não fui. E todas as jantinhas e festinhas e barzinhos que eu deixei de ir. Estava ocupada demais querendo não viver.

Voltei a tomar antidepressivo e a ir no psiquiatra. Calma, gente, tá tudo sobre controle. Mas a cada dia que passa, sei que de todas as infinitas possibilidades que tenho de acabar minha vida, duas são gritantes: ou acabo louca num hospício ou me mato. Sem sustos e dramas, isso é fato.

Aliás, no dia 11 de setembro eu acordei e tomei a decisão: iria me matar. Seria no final de novembro, depois do curso de dança em São Paulo. Iria dar um tiro na minha cabeça no banheiro do shopping. Ou iria tomar cianureto e ficar na rua até morrer. Não queria que meus pais achassem meu corpo. Comecei até a escrever uma carta que explicaria o motivo desse ato extremo, nem corajoso, nem covarde, apenas um ato extremo de quem não enxerga mais saída.

Mas os dias foram passando, eu não achei o cianureto e o cara que iria me vender a arma, queria a grana toda (e era muita grana) à vista. Fiquei com medo, vai que a arma não funcionasse? Acabou que pensei bem e vi que só iria transferir algumas dores que sinto para pessoas que amo muito e elas não merecem isso. Então, faço o sacrifício e fico aqui! Rindo e chorando, entre cervejas e antidepressivos, ora me achando uma covarde por não ter me matado e ora muito orgulhosa de escolher viver.

Durante esses dias mais quietos do que costume, várias vezes peguei os poucos mil que tinha guardado e calculei qual seria o lugar mais longe que poderia ir com aquele dinheiro? Cogitei em ir embora pra qualquer lugar, pra longe, pra sempre, pra fugir de tudo e de mim. Não fui, ainda, mas já paguei um curso na Espanha. Em março, me vou. Mas volto logo. Serão dois meses só. Mas serão dois meses numa cidade que tem as obras do Gaudí e Paris bem pertinho.

Viram? Ao menos essa loucura toda serviu pra alguma coisa. A vida segue né? E eu estou indo, nesse momento não importa como vou, apenas que vou. Isso já é o bastante quando tudo o que se quer é ficar.

Mas gente eu tô bem, não sinto raiva, ódio, inveja, nada desses sentimentos que ninguém se orgulha. Só sinto amor e saudade. E uma certa tristeza de não poder matar a saudade e viver o amor. Talvez eu ainda viva assim por muito tempo, mas penso, neste momento, isso já basta.

“Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.”
Caio Fernando Abreu

2 comments:

Anonymous said...

Estou chocado, moça!
Edu W.

Fabiana said...

Vem o medo, o silêncio misturado ao caos,
Nosso corpo, alma às vezes pede casulo para se aninhar e se desvencilhar dos medos, dores, angustias, enfim tudo que nos aflige e nos deixa triste.
Cisma nossa essa de ser alegria, riso num misto de saudade e tristeza que vem do nada ou do tudo que temos e que não podemos ou não sabemos expressar...

O corpo pede: voar e ir além, quando não cedido, padece e dai ficamos

Insones, lúgubres e magros!

Adoro seu modo de se libertar das amarras, contudo me deixas tristes por estar quase tão magra quanto eu...rsrsrsr