Sunday, March 14, 2010

Momento Caio F.

Ando num momento Caio Fernando Abreu, apaixonadíssima pelo escritor e me identificando com tudo que ele escreveu. Tenho uma amiga, a Fabi, que sempre leu e gostou do Caio. Eu não. Essa história é recente.

Acho que tem menos de um ano, li Morangos Mofados e Os Dragões não conhecem o Paraíso. Na feira do livro comprei, Para Sempre teu, Caio F, da Paula Dipp, que devorei na minha semana em Florianópolis. Agora tô lendo Onde Andará Dulce Veiga e pesquisando muita coisa na internet.

O melhor disso tudo é que os textos de Caio são bem bipolar, como o meu momento. Nunca fiz tanta festa como agora e o Caio sempre gostou de celebrar a vida. Porém, tô com uma dor de cotovelo danada, e ele sempre soube escrever com maestria sobre as coisas indigestas da vida. “A gente enfeita até a amargura”, disse certa vez. E é. Lendo o Caio não me sinto tão sozinha, sei que é possível alegrar minha tristeza.

Deixo algumas frases do Caio e claro, a sugestão de que lêem esse gaúcho lá de Santiago do Boqueirão, astrólogo, jornalista, homossexual, aidético, humano...

“Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada ‘impulso vital’. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo como ‘estou contente outra vez’".

"Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros."

“Não choro mais. Na verdade, nem sequer entendo porque digo mais, se não estou certo se alguma vez chorei. Acho que sim, um dia. Quando havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro, fora.”

“Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.”

“A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.”

“Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo...”

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