Saturday, July 26, 2008

25 de julho

Sexta-feira, dia 25 de julho, foi feriado em São Leopoldo e em algumas outras cidades da região, principalmente municípios com colonização alemã. Era Dia do Colono ou o Dia da Imigração Alemã, como prefiro. Quando eu era criança adora essa época! Por causa das férias de julho, porque meus primos de Florianópolis vinham passar alguns dias aqui e o principal motivo: a São Leopoldo Fest.

Nossa, amava! Tinha parque de diversões, shows de todos os tipos, muitos doces, barraquinhas enfeitadas pelas ruas do centro, bandinhas tocando músicas típicas, bandeiras com as cores da Alemanha... No colégio aprendíamos sobre a história da cidade, berço da colonização alemã no Estado. Foi em São Leopoldo que as primeiras famílias vindas da Alemanha desembarcaram no dia 25 de julho de 1824.

Depois, quando trabalhava na prefeitura, passei dois anos trabalhando na festa. Muito bom! Entrava e saia todos os dias sem pagar, tinha acesso a tudo, sabia de tudo que acontecia nos bastidores, ficava na festa até depois que todos já tinham ido embora e havia somente o pessoal que trabalhava, assistia todas as atrações, saia no meio do expediente só para pegar uma torta em alguma barraquinha da Independência. Uma farra!

E hoje? A festa cresceu, as atrações aumentaram... Só que tem alguns anos que trabalho em Porto Alegre, portanto, não faço esse feriado. Meus primos cresceram e trabalham, não existe mais “as férias de julho” e eu continuo gostando da São Leopoldo Fest, mas com uma certa distância e várias restrições. O quê, de fato, essa comemoração tem haver com aqueles alemães que chegaram aqui? Não sei... Concordo que seja uma data importante para a história da cidade, mas a impressão que tenho é que as pessoas vão lá apenas para ver os shows, já que isso é raro na cidade.

Tortas, pastéis, cachorros-quentes, uma infinidade de docinhos... Se encontram em qualquer padaria. As comidas, realmente típicas, são caras. Agora a questão que eu acho mais complicada: é cobrado para entrar na festa. Sei que é caro fazer esse evento, mas acho que essas festas populares não deveriam ser cobradas. Não importa se é a preço popular. Para uma família de quatro pessoas, contando ingresso e tudo que ela vá gastar nas atrações, se torna caro. E se a festa é da cidade, para comemorar a cidade, todos deveriam ter o direito de participar. Talvez isso soe utópico ou até socialista, mas acho absurdo ter que pagar para participar. Sei que tem a questão da segurança, só que não consigo concordar com isso. Cobraram dos primeiros imigrantes ingresso para entrar em São Leopoldo?

Não sei se vou aparecer na comemoração esse ano. Durante a semana, talvez não tenha tempo... Em final de semana é muito tumulto... Gosto das boas lembranças que tenho dessa fest, mas no fundo acho essas fests provincianas. Não gosto de crianças e não me considero saudosista, mas às vezes gostaria de ser criança, só pra curtir mais. Para encher a boca pra falar “minha cidade é berço da colonização alemã”, pra ter a impressão que estava acontecendo algo grandioso, que as pessoas realmente tinham algo para comemorar e se orgulhar.

Friday, July 18, 2008

Suave com a pronúncia de um D

Sempre falei pouco e quando era criança falava muito errado. Além de demorar para começar a dizer algumas palavras, minha vó tentou me ensinar alemão. O que resultou numa criança que não conseguia pronunciar o R nos meio das palavRas, nem o pl, pr, gr... Trocava o D pelo T, o V pelo F, o B pelo P... Só pronunciava o que era mais forte, isso tem um nome complicado que eu não me lembro qual é.

Quando minha vó morreu eu tinha só 6 anos, nunca mais tentei falar nada em alemão, já era a chacota preferida dos meus coleguinhas da 1ª série e o pior de tudo, isso estava começando a me atrapalhar. Eu pensava que nunca iria namorar, nem trabalhar, nem nada por causa disso. Lembro até hoje, que às vezes nem minha família entendia o que eu queria falar. Odiava ir no armazém, pois sempre pediam para eu repetir o que eu queria, não sei se era só por maldade ou porque realmente não entendiam.

Aprender a ler foi uma tarefa árdua, mas escrever foi pior ainda. Eu escrevia como falava, assim: em totas as minhas retações no coléxio eu tiafa notas paixas por causa dos erros de portuquês. Paa compensar tentafa capichar na históia. Imachina que popema!!! A minha melhor amica, a Chaque me achudava um monte e sempe me oufia, por pior que fosse oufir alquém falanto assim.

Perdi a conta de quantos anos fui em fonoaudiólogas. De quantas vezes lia em voz alta e gravava para comparar com a fala de outra pessoa. Quantos exercícios eu fiz que deixavam minhas bochechas doendo. Se eu falasse pa-lan-ta, um dia falaria planta... Quantas vezes me escondia no recreio só pra não ouvir ninguém em chamando de "língua enrolata". Quantas vezes rezei para não precisar apresentar o trabalho na frente da turma toda. O mais estranho é que eu sempre gostei de ler e escrever.

Com 8, 9 anos eu já tinha me acostumado com tudo isso e não imaginava que o pior ainda estava por vir. Na 6ª série troquei de colégio, estava com 11 anos, continuafa falanto tuto errato, mas ao menos tinha consciência disso e já não escrevia como falava. Me tornei uma excelente aluna em português! Só que com o colégio novo, veio um monte de colegas pré-adolescentes. Nossa que tortura, tudo de novo, só que em proporções maiores. Ainda bem que a Jaque tinha ido para o mesmo colégio que eu. No primeiro trabalho que tive que apresentar no novo colégio, pedi para ela avisar a professora do meu problema. Apresentei o trabalho e vi 30 e tantos coleguinhas passarem cinco intermináveis minutos vermelhos de tanto segurarem o riso.

Eu não lembro exatamente quando comecei a falar corretamente, mas lembro quando eu percebi isso. Eu tinha 14 anos, era sábado de tarde eu estava no pátio da minha casa e falei alguma coisa do meu tio Daniel para a minha mãe. E quando eu disse DANIEL, eu senti direitinho (como até hoje sinto!) aquele D foi tão suave, leve. Saia do céu da boca e não dos dentes como o T. DANIEL, DANI, DÃ... DÃ. Repeti várias vezes, baixinho e assim, suave!

Nessa época eu já tinha vontade de ser jornalista, embora achasse isso impossível. E seria no mínimo irônico eu escolher uma profissão onde tivesse que escrever, entrevistar, me expor... Foi morrendo de medo que marquei um X no jornalismo quando fiz a inscrição para o vestibular.

Sinceramente, não tenho raiva de ter falado assim, acho engraçado, rendeu boas lembranças e algumas confusões. Tá, meus pais gastaram horrores com fonos e psicólogos e ser a piada da turma não é legal (crianças e pré-adolescentes são cruéis quando querem ser!). Hoje, ainda sou a “alemoa batata” da família e entendo que é normal do ser humano excluir e rir do que é diferente. Mas esse saborzinho de vingança que eu sinto quando lembro dos meus coleguinhas rindo, é inevitável. Afinal eu tenho uma profissão que é a prova de uma superação e apesar de ser um ofício que eu amo, enfrentei alguns bons fantasmas para aceitar o desafio.

Eu não sei o que a maioria desses coleguinhas estão fazendo da vida. Sei que eu estou realizando um sonho e vingança pode ser uma palavra muito forte, até porque não há motivo para me vingar. Mas não encontro palavra melhor. E é uma vinganzinha que não faz mal a ninguém, é leve e suave como a pronúncia de um D.

Wednesday, July 16, 2008

Eu e a Rô



Essa loira que é a Robertinha do texto abaixo. Queria ter colocado a nossa foto, mas fazia muito tempo que não conseguia postar nenhuma foto! Não faço a menor idéia do motivo, não carregava nenhum tipo de imagem... Daí nunca mais tentei colocar foto no blog.

Só que depois de ler o comentário da Jac, tive a gloriosa idéia de tentar colocar a foto (certa de que não daria certo) e pediria ajuda pra ela, que tem muito mais experiência nesse negócio de blog que eu! Ainda bem que não foi preciso! E de qualquer maneira, obrigada Jac!

Saturday, July 12, 2008

Loirão

Tem muito tempo que quero escrever pra esse loirão!!! Loirona, melhor! Linda, alta, loiríssima, simpática, não nega ser chamada de Barbie e claro, adora rosa. Essa Barbie se chama Roberta. Gosta de ser chamada de Robertinha, mas acho ela tão ão, que chamo de Rô.

Ela escreve super bem. Foi por causa dos nossos textos que nos tornamos amigas. Fomos colegas na faculdade e infelizmente ela não vai se formar comigo. Acho que ela não deve se lembrar disso, mas no primeiro dia de aula de planejamento gráfico e editoração em jornalismo, eu sentei do lado dela. Apavorada, porque não sabia nada de pagemaker, o programa onde editamos as páginas de um jornal. Ela não me deu muito papo, falou que era pra mim ficar calma e que ela também não sabia. Não sentei mais do lado dela.

Só que sempre achei ela gente fina. Ela é quieta. Gosto de gente quieta. Por sorte alguns semestres depois, na mesma sala de planejamento gráfico, fizemos redação jornalística III. Não sentávamos juntas, mas nos descobrimos cúmplices, com algo em comum! Toda aula tínhamos que fazer uma redação, na outra aula, o professore lia as melhores. E, sem mentira nenhuma, em quase todas as aulas, nossos textos estavam entre os melhores e a gente se olhava, como se falasse uma para a outra: “Tu também escreve!”. Uma aula o professor falou que havia uns cinco alunos que escreviam bem, que tinham grande futuro nisso, nos sabíamos que estávamos entre esses cincos. A gente não se falava muito, mas já se lia!

Num outro semestre, na cadeira de Comunicação e Filosofia, cheguei toda torta no primeiro dia de aula e me sentei do lado dela. A Rô perguntou o que eu tinha, eu falei meio com vergonha, meio feliz, meio querendo aparecer, que tinha colocado silicone. Ela só sorriu e em todas as cadeiras que fizemos juntas depois disso, dividimos a classe, os trabalhos, o computador, os problemas, os textos...

O que mais gosto nesse loirão? Ela é doce, meiga e o melhor, nunca me julgou. Nunquinha, nem quando contei que passei anos ficando com um rapaz que tinha namorada. E quantos e-mails trocamos durante o serviço para terminar algum trabalho!? Quantas vezes ela me olhou e perguntou: “Sai agora pra ver o Peter ou fico na aula”!? Quantas vezes carregamos os trabalhos nas costas!? Quantas notas boas tiramos!?

Vou morrer de saudade desse loirão! Se Deus quiser, a gente ainda vai trabalhar muito junto! Quem sabe a gente até escreva um livro junto, montamos uma assessoria especializada em auditoria de imagem, dividimos a produção de algum documentário retrô... Tudo pode acontecer, até aquela moça quieta e loira de planejamento gráfico se tornar uma das minhas melhores amigas. Ah, esqueci de dizer que ela também fica vermelha!

Saturday, July 05, 2008

Assim, do nada

Sabe aquela história de que quando a gente tá no fundo do poço, só nos resta subir? É mais ou menos isso. E é bem assim, do nada. Um dia a gente percebe que temos que levantar, nem que seja porque as costas doem de ficar muito tempo deitado.

Surge uma vontade de fazer alguma coisa, mesmo que não tenhamos a certeza do quê. Mas é bom sentir vontade de algo, dá a impressão de que estamos vivos, que temos objetivos, que ainda há esperança. E passamos a sentir fome, sede, frio, calor, sono, mas um sono normal, saudável... Não aquele que nos faz companhia durante o dia e foge à noite. E assim, do nada passamos a ter noites de sono e até nos lembramos dos sonhos.

O melhor de tudo é perceber o sol. Ah, o sol! Tão grandão, como não percebi, não senti, não vi? O pior é perceber que o tempo passou, porque nos dá a sensação que paramos no tempo. E realmente perdemos um tempo precioso no nada, no vazio, num vácuo constante. Parece uma inércia total.

Eu não sei o que leva uma pessoa a ter depressão. Talvez a morte de alguém, um pé na bunda, o desemprego, genética, pré-disposição, sei lá... E não é assim, do nada que se sai dela. Dessa fase eu lembro poucas coisas, eu estava viva e não vivia. Eu tinha muita raiva, insônia, nem lê eu conseguia, perdi a fome e uns 10 quilos.

Porém, quando a gente começa a sair dela, ou a ter consciência da vida, surge um monte de sensações assim, do nada. Debaixo do chuveiro, temos a certeza de que não há nada melhor do que um banho. Olhando TV, a gente ri de um comercial, mas ri mesmo! Assim, do nada (re)começamos a planejar o final de semana e com o tempo, até o ano novo. Conseguimos terminar um livro e de repente, do nada, nos damos conta que já lemos cinco depois daquele e o melhor a nossa capacidade de concentração não foi abalada!

Assim, do nada, é quase nascer de novo. De concreto, mesmo, é que eu perdi um tempão e apesar do medo de ficar assim de novo, eu sei que o sol vai voltar. "O sol vai voltar" é uma baita clichê, mas a vida é cheia de clichês, principalmente esses assim, do nada.

Friday, June 27, 2008

Quadrinhos na parede

Eram quase meia noite de um dia de semana quando o louco do meu vizinho começou a usar uma furadeira. O barulho não precisou durar muito para eu ficar louca e reclamar, aí meu pai com sua paciência de monge budista disse com uma seriedade assustadora: “Quem sabe ele tá colocando quadrinhos na parede”.

Fiquei puta. Não por causa do barulho que ainda acontecia, até porque barulho de furadeira é uma ótima trilha sonora para uma pessoa que adora dar chilique como eu. Fiquei puta porque fiquei desconcertada. Quadrinhos na parede!? Com uma furadeira!? Só podia ser meu pai mesmo...

Tá, levando em consideração que meu vizinho tem uma filhinha de uns dois anos, isso não é tão improvável. Afinal não sei se a guriazinha que dorme na casa ao lado não aloprou que queria um quadro na parede de seu quarto. E como ela é filha única e como todo pai é pai, meu vizinho atendeu o pedido da filha.

Bem simples. Natural até. Absurdo é eu ser insensível e me incomodar com um pai atendendo o pedido da sua filhinha. Me senti mal, imaginando a falta que um quadro com algum desenho infantil... Não, infantil não. As crianças de hoje não são infantis.

Vejamos... Um quadro dos Rebeldes ou das Meninas Super-poderosas ou de algum personagem que está na moda e eu não sei, iria fazer no quarto com papel de parede rosa com florzinhas brancas que a guriazinha de cachinhos dourados da casa ao lado, dorme, sonha e descansa da sua agitada vida de quem recentemente aprendeu a caminhar e a falar.

Até então, não me lembrava de nenhum quadro importante que meu pai tenha pendurado pra mim. Será que isso causou algum trauma? Mas lembro dos negrinhos que meu pai, até hoje me trás e sim, eles me fazem falta quando não chegam. Será que isso é devido há algum trauma?

Mas eu tinha um quadro uma vez, bem grande que ganhei do meu tio. Tem até foto, na época o quadro era maior que eu. A imagem era de uma menina loirinha, com um chapeuzinho vermelho, levando uma cesta de doces para a vovozinha (sim, era a Chapeuzinho Vermelho) e carregando um negrinho em uma mão. Será que isso explica alguma coisa?

Não sei que fim levou o quadro, devo ter colado um pôster do Leonardo di Caprio por cima... O que importa é que me lembrei de como quadros na parede são importantes para uma criança. Não fiquei braba com meu vizinho, até porque lembro direitinho, quando ganhei meu quadro era de noite. Com certeza tive um chilique clássico de criança e fiz meu pai pendurar aquela hora da noite. E meu vizinho deve ter ficado incomodado com o barulho.

Ah, a vida. As voltas que o mundo dá. E como quadrinhos na parede são importantes! Nunca vou me esquecer que dormia olhando o negrinho na mão daquela menina. Me dava água na boca... Sim, eu acho que isso explica muita coisa. E tudo por causa de um quadrinho na parede!

Sunday, June 22, 2008

Centésimo post e um grande alívio

Não lembro bem quando fiz esse blog, mas lembro que sempre gostei de escrever. Esse é um dos motivos para eu fazer jornalismo e manter esse blog. Não sei se escrevo bem. Sei que às vezes tento ler textos antigos com total distanciamento e geralmente gosto. Agora quando leio já querendo achar defeito, bom... Quem procura, acha né?

O fato que esse é o centésimo post! Post, não textos, considerando que já postei algumas músicas. Com certeza, já escrevi muito mais que cem textos e com mais certeza ainda, escrevi pouco! Tem um texto, dos primeiros, que estava no meu perfil do orkut. Mas esse sim, foi a primeira pedrinha do mosaico.

Utopia é um dos textos que mais gosto. Devaneio, também. Você não gosta das minhas tatuagens, detesto. Ainda não, 3Q + COP me trazem lembranças. Quando não vale a pena, além de lembranças me faz rir. Uma janela amarela fiz pro meu irmão. Prezado jornalista pro meu primo. O 20 de setembro é daquele irmãozinho foi para o irmão que eu não conheci. E esse texto, minha querida amiga e excelente escritora, Roberta Lampert fez para mim!

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Mais importante que os meus textos, esse ano foi o meu trabalho de conclusão. “O amanhecer das rádios FMs destinadas aos jovens. Uma análise dos programas da Atlântida e da Cidade.” Nome bonito...

E ele deu muito trabalho para ser feito! Muito mesmo! E quinta-feira (19) depois de várias crises de pânico, encarei a banca. Sérgio Endler e Daniel Scola de avaliadores, dá pra ter medo, né? Quem sou eu, perto deles, para querer saber de rádio.

A nota foi um 9,5, que não é 10 para o meu grande ego leonino. Mas é o merecido para uma pessoa que não colocou um dos livros que mais usou nas referências. E como disse um amigo, “estou plenamente aliviado”. E é isso que importa. Por que qual diferença faria para a minha vida profissional um 7 ou um 10 no TCC? É apenas uma questão de ego!

E para terminar, antes de começar a escrever esse texto, fui dar uma olhada no blog do meu primo. E acabei chorando, tudo bem que estou na TPM, que passei por grandes emoções essa semana... Mas o motivo mesmo foi o que ele escreveu nos agradecimentos do TCC dele, que reproduzo aqui:

"Quero agradecer a minha prima Renata, que sempre me mostrou o jornalismo na sua melhor forma. Através de palavras. Ela será uma grande jornalista, não tenho dúvidas disso, mas desde já Rê, te agradeço pelos maravilhosos textos que tu faz."

O Jú faz jornalismo também, o que me enche de orgulho e me faz imaginar, nos meus devaneios, que aqui é o início de várias gerações da família que se dedicarão ao jornalismo ou ao menos, à humildes escritos.

Por enquanto, somos focas procurando emprego, mas quem sabe um dia, teremos uma baita biografia como Roberto Marinho, Nelson Rodrigues, Capote...

Thursday, June 12, 2008

Quem é ele? Esse tal de amor?

Uma modesta tentativa de responder um texto do meu primo.

Não sei, obviamente, o que é o amor. E muitas vezes, acho que nem acredito que ele exista. E daí penso que devo ser mais sensível e afinal se eu acredito que ET existem, Papai Noel foi uma invenção da Coca-Cola, que no fim do arco-íris tem um pote de ouro, por que não acreditar no amor? Mesmo com a pulguinha atrás da orelha... Um dia eu vou montar um circo de pulgas com elas! Sempre quis saber como se adestra pulgas para um circo, deve ser mais fácil do que amar.

Voltando ao assunto, que pela maneira como dei voltas, não sei responder o que me propus. E também acho muita pretensão minha, que com 22 anos, passou exatamente 22 Dias dos Namorados sozinha, saber o que é o amor. Ah, quanto as propagandas chatas que nos fazem ter vontade de se atirar na frente de um carro cada vez que passamos por um casalzinho, é tudo mentira. Estudamos comunicação, pra gente é bem mais fácil se desvencilhar dessas ciladas midiáticas.

Pra mim, amor é aceitação e é justamente por isso é que sofremos. Não sabemos aceitar o outro. Ninguém. Gostaríamos que nossos pais fossem diferentes, que nossos irmãos fossem mais educados, os amigos mais atenciosos e o que dizer das pessoas que nos relacionamos? Claro, a gente gosta, se apaixona, mas depois de um tempo queremos mudar a pessoa, mas por amor... Amor a quem?! Se quero mudar alguém é para me agradar, certo? E porque não aceitamos, só.

Sabe quem eu acho que foi a única pessoa que amou alguém de verdade? Cristo! E olha como ele acabou! Ele aceitou, só isso! E o mundo não o aceitou. Por isso duvido do amor, somos tão poucos evoluídos, que não sabemos nem aceitá-lo. Não sabemos aceitar nem um pé na bunda! Por isso, acho também, que amor combina com liberdade. A liberdade de ser e ser aceito com liberdade.

Tem uma frase, numa música da Ana Carolina assim: “O amor pode ser uma música que eu gostei e botei numa fita...” Adoro. É isso. Eu gostei de uma música, mesmo não sendo o tipo que eu gosto geralmente ou do meu cantor preferido ou sei-lá-mais-o-que. Eu gostei e guardei. Posso até ficar triste se um dia eu perder a fita, ela arrebentar, evaporar... Eu aceitei e é isso que importa! Aceitei com toda a simplicidade e complexidade que isso pode ter e principalmente, eu aceitei com todas as interferências possíveis.

Sunday, June 08, 2008

Das alegrias e lágrimas

O texto abaixo não é meu. Li há algum tempo no blog do Paulo Coelho. Como fala sobre uma etapa da vida que eu estou passando, postei aqui também!

Dez anos atrás eu estava almoçando num restaurante em Ribeirão Preto. Ao meu lado, dezenas de estudantes comemoravam a formatura no segundo grau; riam, brindavam, faziam troça uns com os outros.

Eram pessoas que haviam cumprido uma etapa em suas vidas, e estavam alegres por causa disto.

Uma hora depois, quando eu já estava na sobremesa, o clima dos estudantes havia mudado completamente. A mesa foi ficando cada vez mais silenciosa, e, logo em seguida, alguém chorou. Pouco a pouco, o choro foi se espalhando entre eles.

As pessoas se abraçavam, faziam promessas de jamais se afastarem, mas sabiam no fundo de seus corações que a partir dali os caminhos se separavam.

Eram pessoas que haviam cumprido uma etapa em suas vidas, e estavam tristes por causa disto.

Tuesday, June 03, 2008

Um limitado novo mundo

Assisti a palestra de abertura da Semana da Comunicação, que está sendo realizada até dia 06 de junho, na Unisinos. O tema, bastante presente na vida dos estudantes, foi "Internet: uma nova lógica para a comunicação", a palestrante tem know-how sobre o assunto, Silvia de Jesus, vice-presidente de Internet e Inovação do grupo RBS, trabalha com Internet desde 1996 e já foi diretora do Terra na América Latina. E o melhor de tudo: a palestra foi super bacana, isso que eu não são das mais chegadas em tecnologia.

Silvia mostrou inúmeros vídeos que caracterizam essa inserção de tecnologia nas nossas vidas, o que ela chamou de “um novo mundo”. O que todos os vídeos mostravam e ela ressaltou várias vezes, é que todo esse processo nos coloca como participantes efetivos de tudo o que a tecnologia nos oferece. Passamos a interagir com as mídias, a escolher os programas que queremos ver, ou rever, pela Internet, baixamos só nossas músicas preferidas e por aí vai...

Agora, uma coisa que me chamou bastante a atenção foi os dados que ela apresentou. Não lembro os números exatos, mas o Brasil é líder em participação em sites de relacionamentos (orkut, msn...), o número de internautas cresceu assustadoramente, inclusive na banda larga.

O curioso nisso tudo é que somos um país de terceiro mundo, subdesenvolvido. Se eu há cinco anos atrás, não tinha msn, olhem que absurdo! Ainda hoje há milhares de pessoas que nem sabem o que é isso. Se eu e a grande maioria das pessoas que assistiram a palestra, convivemos com celulares de última geração, MP3, MP4, MP5 e todos os MP que estão surgindo a cada dia, com os vídeos no You Tube e sim, fazemos parte desse novo mundo. Ainda somos poucos! Pouquíssimos!

Vejam o Eder Coimbra de 15 anos, o menino que ganhou a concurso “Soletrando”, do Caldeirão do Huck. Ele não faz parte desse mundo. Segundo o pai do garoto, sua família, de 6 pessoas, vivem com uma renda de R$ 200,00! Tem um outro garoto, o cearense Ricardo Oliveira da Silva, de 19 anos, que já ganhou duas medalhas de ouro nas Olimpíadas Brasileiras de Matemática das Escolas Públicas, que também não faz parte desse mundo.

Os dois garotos não têm acesso a Internet. São pobres, como a maioria dos brasileiros. Onde Ricardo mora, não tem nem sinal para Internet! Mas como são inteligentes e antenados, sabem da existência desse fantástico-mundo-novo-da-tecnologia-e-tudo-que-isso-pode-nos-proporcionar e ficam assistindo tudo de fora. Um dia, se Deus quiser, os criminosos deixarem e as necessidades permitirem esses meninos vão fazer parte desse mundo. Os números das pesquisas impressionam, mas esse novo mundo ainda é bem limitado.

Wednesday, May 28, 2008

O diabinho e o anjinho

Às vezes eu tenho certeza que eles são amigos íntimos e ficam rindo da minha cara o tempo todo. Tá, eles podem até não concordarem um com o outro, mas que tiram uma onda legal da minha cara, ah tiram! E eu sempre escuto as risadinhas no meu ouvido. O pior é que um deles, sempre tem razão.

Quando estava na pré-escola e chorava o tempo todo no portão da escolinha já ouvia eles. O anjinho: “Não chora, teu pai já vem te buscar.” E o diabinho: “Chora, chora muito, que tu chama a atenção e ainda faz a caridade de atrapalhar a aula dos outros.” “Não diz isso. Ela tá chorando porque se sente sozinha”. “Que nada, ela tá chorando porque foi chamada de língua enrolada. Ou melhor de líncua enrolata!” E assim a coisa seguia, eu chorava e eles, os coleguinhas e até os vizinhos da escolhinha, riam.

Mais tarde, em festas de famílias. O anjinho: “Fica mais um pouco, tu tá gostando.” E o diabinho: “Isso aqui é medíocre. Nunca se esqueça: você não gosta de coisas medíocres!” “Fica, se diverte. Teus pais tão gostando. Melhora essa carinha!” “Boa menina, já tá todo mundo perguntado o que você tem!” Assim eles seguiam e assim eu acabei com muitas festinhas de família.

Na adolescência. O anjinho: “Aceita o convite pra festa.” E o diabinho: “Lá vai ter um monte de gente e você não gosta de gente, de tumulto...” “Vamos, vai ser bom. Quem sabe você até beije na boca.” “Ótima piada! Ela beijar na boca, hahahahaha.” Assim eles seguiam, assim o tempo passou e não me lembro de muitas festas na adolescência, nem de muitos beijos.

Hoje em dia. O anjinho: “Pra quê tu vai fazer isso, se amanhã ele não vai nem olha na tua cara.” E o diabinho: “Porque ela gosta, porque sexo é bom”. “Não faz. Tu sabe que depois só fica o vazio”. “Que vazio?! Se tá vazio, dá de uma vez!” Depois, além do vazio, tenho que agüentar a discussão deles e a ânsia por um telefonema que eu sei, nunca vem.

Sempre é assim. Eles ficam fazendo cabo de guerra comigo! Na psicóloga é uma loucura, cada um fala mais que o outro e o que eu precisava dizer, sempre fica para a próxima sessão. De noite, eles falam, falam, falam, eu penso, choro, escuto, choro, penso, escuto, choro e choro, só não durmo. Acordo péssima e quando me olho no espelho, adivinha: mais vozes, mais discussão, mais opiniões contrárias.

Nesse momento eles estão em pé de guerra. O anjinho: “Tua mãe tem razão, tu escreve muito bem.” E o diabinho: “Ai, Teu Deus, escreve nada. Só se acha!” “Fica quieto, escreve sim, tem talento.” “Talento!? Adoro tuas piadas! Isso tá uma porcaria. Tu sabe né, guria? Para de escreve e me escuta!” “Isso, escreve, escreve e não dá bola...”

Assim eu vou escrevendo e escutando esses dois que saíram sei-lá-da-onde e vão me acompanhar até-não-sei-quando. Depois, daqui um tempo, a gente vai se abraçar, como velhos amigos, olhar para isso tudo e dar muita, mas muita risada. Teve um deles, não lembro qual, que falou: “Se não pode com o inimigo. Junte-se a ele.” É o que faço e assim, ora ouvindo um, ora ouvindo o outro, eu dou boas risadas. O máximo que pode acontecer é eu acabar louca, rindo sozinha.

Saturday, May 24, 2008

Oração

Nem sempre eu sou generosa e rezo pelos meus irmãos. Eu rezo é pelo meu umbigo e pelo o umbigo de meia dúzia de pessoas que eu gosto muito.

Rezo para entrar na calça justíssima que adoro usar. Rezo para Arroba nunca deixar de abanar o rabo quando me vê. Rezo pelo dinheiro das festas e para meus amigos entenderem quando eu surto e vou embora no melhor da festa.

Rezo para que no almoço de domingo, minha opção vegetariana não vire discussão na família. Rezo para que meu irmão vá pra casa da namorada o final de semana todo, assim a gente evita várias discussões desnecessárias. Rezo por uma carreira bem sucedida e alguns livros publicados.

Rezo para que os negrinhos que eu como nunca se transformem em quilos. Rezo para que meus amigos lembrem-se de mim e que não esqueçam de me convidar para qualquer programa, mesmo sabendo que posso até aceitar, mas antes vou fazer o maior drama. Rezo para que tenha sol no domingo e que a grana da Redenção esteja seca.

Até quando peço pelo outros, estão pensando em mim. Rezo para que as dores no joelho da minha mãe passem e que meu pai nunca perca a bondade que tem. Rezo para que meu chefe esteja de bom humor.

Rezo para ter tempo para terminar de ler o livro que quero. Rezo para acordar em algum país europeu o mais breve possível. Rezo para aquele idiota me enxergar como um ser humano e não apenas um corpo. Rezo por um prêmio da Mega-Sena. Rezo por mais feriadões. Rezo por um bronzeado que dure mais tempo.

Mas no final, antes de dizer “Amém”, eu peço para ele me perdoar pelo egoísmo e durmo tranqüila. Porque sei que estou perdoada.

Friday, May 16, 2008

Ali

O sol tava tão bom que eu só queria ficar ali. Era frio, mas o sol me esquentava e me dava uma impressão tão boa, acolhedora e ali, sentindo o sol, eu esqueci de tudo o que não gosto de lembrar. Eu não tinha me tornado a pessoa mais feliz do mundo, os problemas continuavam os mesmos, mas tinha o sol.

Aquele cheiro era tão bom. A aparência do macarrão tão apetitosa que eu daria a vida para comer a comida da minha avó mais uma vez. Eu era uma criança tímida e sem amigos, mas sempre tinha a casa da vô para me esconder e ao mesmo tempo, me libertar.

Aqueles shows eram tão bacanas e eu saia de lá tão leve, que às vezes penso que um show de punk rock é melhor que terapia. Qualquer calça rasgada servia! O all star, velho, nunca me incomodava e a roda punk era a libertação total. Sempre tinha um que gritava: “Duda, nos purifica!”. Era fácil se purificar naquela época.

Ele me abraçava sempre que me via. E abraçava apertado, um abraço de urso, para me mostrar que ele era tão forte quanto os heróis que via na TV. E eu me achava o máximo. Mas as crianças crescem, inclusive os afilhados. E eu adoro quando ele me chama de “dinda Rê”, porque eu volto a me sentir o máximo, mesmo sem abraço apertado.

A risada foi tão intensa que eu não sabia mais se chorava ou se ria. O corpo doía tanto, que parecia que tinha feito milhares de abdominais. Por um momento esqueci de toda a solidão e desejei a eternidade, de preferência com aquela dor na bochecha de que quem riu demais. Às vezes é tão fácil ser feliz.

Wednesday, May 14, 2008

Salve Anne

Eu tinha uns 9 anos e estava na casa da minha tia. Ela e minha mãe conversavam algo que não me interessava. Sozinha na sala, olhei para o livro na estante: “Contos do Esconderijo”. Hum... Peguei. Gostei da capa, do desenho de uma folha seca na contracapa. Abri. Lembro exatamente a primeira coisa que li: “Sempre gostei de ouvir conversas de adolescentes”. Hum mesmo. Pedi emprestado.

O livro era da Anne Frank. Na época, não sabia direito o que tinha sido o nazismo, o holocausto, a perseguição contra os judeus. E demorou para eu acreditar que essa tal Anne existiu. Que ficou escondida com sua família, durante anos, num porão. Que morreu num campo de concentração. Que escreveu o livro mais importante da minha vida.

Sim, não é o meu preferido, mas é o mais importante. Porque foi lendo “Contos do Esconderijo” da Anne Frank que descobri o que um livro pode ser. Mais, descobri um mundo novo. Percebi que lendo conheceria histórias incríveis de gente mais incrível ainda. Que os livros eram sim, um outro mundo! Porque foi lendo Anne Frank que comecei a questionar o mundo. E nunca mais fui a mesma.

No final de semana passado, olhando a exposição sobre a Anne, que estava na Usina do Gasômetro, pena de quem perdeu! Me lembrei desse dia na casa da minha tia. E de todos os livros que li graças a esse. Obrigada Anne, por tudo que teve que passar para mudar a minha vida, e a de tantas outras pessoas que também se comovem com a tua história.

Pode ser pretensão da minha parte. Mas sem dúvida, esse menina me tornou um ser humano melhor. Pelo exemplo de grandeza e humanidade, quando foi vítima da maior desumanidade da história... O livro? Eu nunca devolvi para a minha tia. E ainda busco as respostas para as perguntas que essa menina colocou na minha cabeça.

Saturday, May 10, 2008

Inconstância

Que inveja do Pequeno Príncipe. Sim, o do livro. Tudo que eu queria era um mundinho pra eu ficar olhando o pôr-do-sol, só que o meu mundinho teria alguns livros para quando aparecesse alguma nuvem na frente do sol...

Queria ser como essas mulheres que passam a semana pensando na balada de sábado. Que gastam uma nota comprando um vestido para a festa. Que não se importam com as filas, com o tumulto e o cheiro de cigarro. Dessas que acreditam que não há nada que uma boa balada não cure. Mas eu não sou!

Por mais que existam praias paradisíacas, todo o velho continente e alguma viagem que a sempre pode surgir. Às vezes eu desejo que aqueles verões que passava em Imbé com a família toda, não acabassem nunca.

Gosto de trabalhar, nunca gostei de gente que não faz nada. Mas tenho saudade do tempo que a minha vida se resumia em dormir até tarde, passar 4 horas na academia e ir para a faculdade duas horas antes da aula, só pra passar em todos os bares onde estariam meus amigos.

Pode ser o momento. Uma formatura eminente, o fim de uma etapa. Um monte dúvida e nenhuma certeza. O fato é que não é aqui que quero estar. É em algum lugar do passado ou em um do futuro! E as pessoas? Essas que estavam lá, anos atrás? E as que ainda vão fazer parte da minha vida? Por que não estão aqui, agora?

E esse buraco no estômago e o nó na garganta, que parecem as únicas coisas constantes que tenho na vida? Não sei se me perdi em algum momento ou se ainda nem me achei.

Thursday, May 08, 2008

Esse texto já está velho

Os meios, mais do que nunca, são a extensão do homem. Sim, Marshall McLuhan estava certo, e isso há alguns bons anos atrás. Imagine o que ele falaria hoje... Que estamos quase copulando! Homem e máquina. Máquina e homem. E ao invés de humanizarmos as máquinas, estamos cada vez mais mecânicos.

Estendemos a mão e temos o celular de última geração que nesse exato momento já ficou ultrapassado. Na outra, há o palm top. O notebook. A máquina digital. O MP4, MP5, daqui a pouca teremos o MP69. E haja mão para tudo isso! E haja cabeça para tanta informação, que na grande maioria das vezes, não sabemos nem de que lado veio. Um USB para baixar informação inútil seria bem útil. Será que já não existe e eu ultrapassada, não sei?

E tem que ter papo para tantos amigos no orkut... Todo mundo fala junto, todo mundo deixa um alô, um bom findi... Mas quem escuta? Isso é uma conversa ou um monólogo enfeitado com emotions? Deletamos as pessoas como deletamos as fotos que não gostamos. E tem tempo que eu não pego uma foto (de verdade) nas mãos.

É a lei do mais forte. Estamos sendo dominados pelas nossas próprias invenções. Não sabemos lidar com nossas crias, que só criamos para tentar ocupar a nossa vida e deixar de fato de viver. É uma falsa vida. Superficial, está tudo superficial. Eu, você, teu cachorro, teu vizinho, a sociedade.

Mas tudo passa na velocidade da luz, e cada vez mais rápido. E temos a impressão de que estamos sempre no vácuo. Vazio...

Wednesday, May 07, 2008

Mais uma musiquinha ou o refrão dela!

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa


Sábio Cazuza!

Monday, April 28, 2008

Um pouco mais de neura

Às vezes eu tenho certeza de que o mundo conspira contra mim. Esperei um dia propício para estrear minha sapatilha nova, linda e prateada. Tudo ótimo até o céu se encher de nuvens pretas e mundo resolver cair sobre nossas cabeças. Quase tive que trocar minha sapatilha nova, linda e prateada por um pé de pato.

Acordo uma hora mais cedo pra chegar na academia o mais rápido possível e ter uma esteira a minha disposição. Mas sempre que chego já tem umas velhas, digo mulheres da melhor idade, contando toda sua biografia e reclamando que os jovens de hoje em dia não tem disposição para se exercitar. Para me exercitar, eu tenho, não tenho para escutar lição de moral às 6h da manhã!

Encomendei dois livros sobre rádio, direto da editora. Eles não chegavam e eu ansiosa pelo cheiro de livro novo. Até que abri, sem querer, o e-mail que tinha solicitado a encomenda e não acreditei no que vi! Dei o endereço da minha casa errado! Passei uma semana procurando meus livrinhos de correio em correio, tendo que explicar que dei o número errado e que o número não existe. Até que achei minha encomenda perdida e sozinha na agência da cidade vizinha. Ninguém soube me explica como eles pararam lá, afinal eu errei só o número, não a cidade!

Odeio baratas. Sempre odiei. Outro dia meu chefe achou um ninho de barata dentro do teclado do computador dele! Horrível! E sobrou pra mim limpar o negócio, tirar teclinha por teclinha e encarar um monte de baratinhas... Eram todas filhotes, acho que os pais não cabiam dentro do teclado. Passei o resto do dia me coçando, vendo barata em todo o lugar e arrependida de não ter me atirado do décimo andar da Assembléia Legislativa. E criei o estranho hábito de ficar uns bons minutos olhando para o teclado do computador antes de colocar minhas mãos nele.

Mas não, eu não sou neurótica! Só às vezes acho que o mundo conspira contra mim e o tal de Murphy resolve pegar no pé.

Monday, April 21, 2008

Faz sentido

A gente passa a entender o sentido da palavra solidão, quando começa a ficar angustiado com a sensação de estar só. E isso passa a incomodar. Quando nem o riso ameniza o nó na garganta. Quando o riso é também uma maneira de chorar, a gente ri um monte e acaba chorando de tanto rir. Jura, a gente quer rir só pra poder chorar em paz depois.

Quando chorar passa a ser eminência. Quando a gente sente falta do boteco na frente da nossa casa que tocava pagode até de madrugada, porque afinal te fazia companhia e tu dava graças a Deus que não é como aquelas pessoas que ficam felizes com um pagode. Quando a gente começa a rezar para ser como aquelas pessoas e ficar feliz até com um pagodezinho.

Quando se vai no cinema sozinho e tudo que queria era alguém próximo pra comentar o erro de gravação que você percebeu. Quando ficar sábado a noite, em casa, de bermuda e meia, assistindo os filmes do Tim Burton é a melhor opção porque simplesmente não há outra opção.

Quando o doce tem sabor amargo. Quando os amigos parecem distantes. Quando lê já não te faz perder a noção do mundo. Quando dormir não é descansar, é uma opção de estar viva sem ter que viver de fato. Quando até brincar com o cachorro é triste. Quando a vida perde o sentido, a gente passa a entender o sentido da palavra solidão.

Tuesday, April 15, 2008

HEY HO LET'S GO

Joey, às vezes eu também gostaria de não crescer. De ficar sedado. De dar adios aos meus amigos. De ir para a Rússia num foguete. Morrer em Berlim. Curtir o sol da Califórnia. De perguntar "você quer dançar?", ou apenas dizer: "Querido, eu te amo". Assumir que apesar dos pesares somos uma família feliz. Será isso uma poção do coração? Ou apenas rock and roll colegial?

No dia 15 de abril de 2001, eu e alguns colegas estavámos tristes numa aula de educação física. Naquela aula, dispensamos os tênis apropriados para correr e usamos os velhos e bons all star. Como você.

Ah Joey, como eu gostaria de ir num show do Ramones e ver toda essa tua altura e teu jeito desengonçado de quem parece não ter saído do colegial. Quantos all star usei em tua homenagem. Quantos "he ho. Let´s go" gritados em shows de rock. Quanta calça jeans rasguei...

Hoje Joey,em cima de um salto fino. Sinto a mesma tristeza que a há 7 anos. É ruim a certeza que um showzinho só dos Ramones, nunca mais. Que tratamos com carinho os CD que ficaram, as lembranças embaladas por sua voz, na rapidez da música... One, two, three, four...

No fundo Joey it´s a wonderful world!!!

Gabba gabba hey.

He ho. Let´s go! Forever