Friday, August 22, 2008

Instantâneo

Acho que hoje eu não vou conseguir dormir (às vezes penso se é dormir ou durmir...). Sempre escrevo mais à noite. Tenho mais idéias ou apenas me escuto, não sei. Quantas vezes deitei na cama e comecei a escutar a voz, às vezes conseguia virar pro lado e pegar no sono, noutras levantava e escrevia.

Uma das poucas certezas que sempre tive na vida é que escrever pra mim é tão vital quanto respirar. Era criança e já imaginava que quando crescesse queria ser vegetariana (sempre achei bonito), teria tatuagens (nunca entendi porque não somos coloridos) e escrevia (eu tenho mil e um motivos pra isso).

Sempre andei com papel e caneta. Sempre escutei essa voz que só cala quando eu escrevo. Às vezes me pergunto se é vocação ou piração e tenho medo da resposta, seja qual for. Já me conformei que vou ter que escutá-la por toda minha vida.

Acho que é só pra escrever que fiz jornalismo. E a poucas horas da formatura penso nas histórias que ainda vou contar. Nas que ouvirei das fontes e nas que a voz vai me contar. E acho que foi a voz que me levou até esse momento. Claro que jornalismo não é só escrever, eu trabalho muito mais com projeto gráfico do que com redação. Mas é um ouvir histórias constantes.

É como eu gosto de ouvir histórias, por isso que falo pouco e escrevo muito. Tenho diário até hoje! Fora uns cadernos onde escrevo quando não tô a fim de digitar. Fora o que escrevo e toco fora. Fora a agenda e um monte de papel que tenho do lado do computador. Enfim, todos os caminhos me levaram a escrever. E a voz insistia...

Eu tô ansiosa com a formatura, escrevo (neste momento) pra me acalmar um pouco. Por isso instantâneo! A voz por mais incrível que pareça, tá queitinha, acho que ela tá com medo. Mas sei que vou deitar na cama e não vou dormir. Então escrever também serve pra passar o tempo. Contar pra várias pessoas o que não tenho ninguém pra contar. Eternizar pessoas. Extravasar.

Quando eu tinha uns 13, 14 anos achava que escrevendo eu iria me encontrar. Hoje eu sei que eu escrevo porque não quero me achar. Posso ser outras. Posse ser diferente. Me exponho sem quer. Me exponho com consciência. Exponho os outros sem querer e por querer. Sou a leonina com ascendente em escorpião, e aceito todo o ego e gênio difícil dessa combinação. Sou a doce canceriana que gostaria de ser, às vezes. Posso me perder, que a voz me guia.

Gosto de frases curtas. E-emendar-um-monte-de-palavras-assim. Porque faz a gente perder o fôlego. Eu gosto de perder o fôlego. Escrevo na primeira pessoa porque é mais fácil começar. Gosto de reticiências... E me pergunto qual a melhor hora de acabar?

O texto abaixo tá no livro “A Casa da Esquina”, que eu comprei com meu primeiro salário, fez eu me sentir mais normal e aceitar essa vocação ou piração.

“Pesco palavras entre tantas que invadem meu pensamento vindas de um lugar distante. Ouço frases inteiras como se um outro conversasse incansavelmente comigo contando segredos da minha personalidade. Sussurradas, às vezes parecem palavras de medo. Medo de que eu realmente saiba tudo e não me poupe de qualquer detalhe.

Não sei exatamente por que, mas cresci ouvindo esta voz que me acompanha onde quer que eu vá. Me acalma, me irrita, me entende. Na cama, posso escutá-la com mais clareza. Ás vezes me excita, às vezes canta, chora, ri.”

Duca Leindecker

Monday, August 18, 2008

Sem texto

Quarta-feira passada, dia 13, fui na caminhada dos jornalistas pela regulamentação da profissão. Já antes de ir estava pensado "tenho que escrever sobre isso no blog"... Hoje um amiga me perguntou por que não tinha escrito nada.

Porque pela primeira vez, fiquei com vergonha da minha profissão. Havia dezenas de pessoas, só dezenas! Esperava mais, muito mais! Que classe mais desunida! Os professores e profissionas presentes estavam falando que havia muita gente participando...

Enfim, fui, fiz minha parte, caminhei, vesti a camiseta, pintei a cara, entreguei panfleto e carreguei faixa, mas não gostei. Esperava mais!

Wednesday, August 13, 2008

Percepções

Exatamente um mês depois da minha formatura, uma grande amiga vai se casar. Apesar da amizade, ela não vai na minha formatura, nem eu vou no seu casamento. Fiquei tri feliz quando soube do casamento. E sei que ela também está tri feliz com a minha formatura.

Estudamos juntas desde a sexta série, ela foi a primeira amiga que fiz quando troquei de colégio. Tocávamos na banda do colégio. Éramos do grêmio estudantil. Vivíamos uma na casa da outra. Dividíamos segredos e claro, fizemos juras de amizade eterna.

O que aconteceu? O tempo passou, terminamos o colégio, pessoas foram surgindo, coisas nos surpreendendo, cada uma seguiu seu caminho. Ficou um monte de lembranças boas e um baita carinho, o que faz eu me referir a Paula como uma grande amiga. Claro que nos falamos pelo orkut, msn, mas não algo tão constante e presente como foi um dia. Sabemos que fazemos parte do passado.

Tenho uma grande amiga que foi morar em Curitiba. Nos conhecemos no meu primeiro emprego, onde eu fiz muitas coisas, menos trabalhar de fato. Já partilhamos muitas risadas, passamos o revéillon juntas, encaramos uma excursão onde tudo deu errado e quando eu fiquei mal, ela foi a única que me aturou.

Talvez a Ana volte, talvez não. O que sabemos é que nada vai mudar. Nós falamos quase todos os dias pelo msn, como era antes dela ir. Estou sem companhia para sair e para as eventuais caminhadas nas tardes de domingos! Mas ganho a possibilidade de conhecer Curitiba! Assim que der vou visitar a Ana.

Estranho como a percepção que temos das nossas amizades mudam com o tempo. Se a Paula me falasse que ia embora, mesmo se fosse para a cidade vizinha, meu mundo teria desabado. Com 12, 13 anos achamos que aquela pessoa que senta na classe do lado na aula, fará parte da nossa vida toda. Não admitimos a possibilidade de que surgirão outras pessoas.

Com o tempo isso vai passando. Conheci a Ana com 17 anos, já fazia jornalismo e ela já queria ser engenheira. Nunca sentaríamos uma do lado da outra na aula. Não nos veríamos todos os dias. Ela tem a turma dela e eu a minha. É mais fácil aceitar que as pessoas que, provavelmente, estarão com você por boa parte da vida, nem sempre estarão presentes o tempo todo.

Por isso o mundo não caiu quando a Ana disse que ia para Curitiba. Sabemos que nada vai mudar. Assim como a vida me afastou da Paula, que era tão parecida comigo! Me aproximou da Ana, que é tão diferente de mim! O bom é se dar conta dessas percepções, saber que a Paula está guardadinha num monte história bacana que tenho para contar e que a Ana vai me ajudar a escrever as páginas em branco.

Friday, August 08, 2008

Um medo que nem sei

Sempre tive uns medos de umas coisas loucas. Não esse medo que tenho de barata ou de altura ou de não conseguir emprego ou de pai e mãe morrer...

Tenho medo do que não existe, mas pode virá realidade. Medo das voltas que o mundo dá, eu acho. Medo por exemplo, de sair por aí num dia normal, achando que tá tudo normal e de repente tudo mudar. Eu esquecer quem eu sou, onde moro, onde estava indo...

De ir parar num hospício e pirar de vez. De me colocarem numa camisa de força, me darem remédio e não me explicarem o motivo, de tomar choque elétrico e ficar sem consciência e eu nunca mais conseguir me desvencilhar da loucura.

De acreditar e levar ao pé da letra tudo que eu leio. Calendário Maia, física quântica, tendências pós-modernas, xamanismo, receitas, simpatias, contos de fadas... Imaginem, eu lendo meu livrinho e de repente ser engolida pela história e eu sumir, tipo “Alice no país das Maravilhas.” Ou eu estar lendo meu livrinho e a história tomar conta de mim, me possuir mesmo. E eu não saber mais o que é real...

Medo de virar mendiga. Dessas que andam com as poucas coisas que tem. Como a velhinha que fica na frente do Teatro São Pedro, ela dorme na escadaria, mesmo com chuva... Passo por ela todo dia, a gente já se cumprimenta e eu morro de vontade de saber em que volta do mundo ela foi para ali. Mas toda vez que ultrapasso um oi, ela começa a não falar coisa com coisa. Eu tenho medo de não falar coisa com coisa (mas só de falar, porque escrever, eu já escrevo).

E se eu viajar para um lugar distante, tipo Etiópia e estourar uma guerra civil e eu ficar como refém em alguma cidadezinha? Se eu estiver caminhando na rua e ser acertada por uma pedra na cabeça e parar como indigente num hospital qualquer? Dá medo de pensar no que pode acontecer. Já pensou ser abduzido, conhecer outros mundos, seres, passar por uma louca experiência evolutiva e na volta ninguém acreditar?

Até pensar demais me dá medo. Imaginação pode ser um perigo, imaginar é o primeiro passo para a realidade! Também tenho medo de ficar tonta com as voltas que o mundo dá e viver cambaleando por aí, como essas pessoas que a gente vê às vezes, e pensa "ih, tá bêbado"... Eu fico me perguntando: será a bebida ou apenas o mundo?

Sunday, August 03, 2008

O poeta da tristeza exata

...seu grito acordaria, não só a sua casa, mas a vizinhança inteira...

Acabei de chegar do Teatro São Pedro, o que por si só, já é um evento. Fui ver Renato Russo – A Peça. É muito bom! Bruce Gomlevsky que interpreta Renato é perfeito, super parecido com o cantor e com a voz igual. A banda Arte Profana acompanha o ator nas 22 músicas, do Aborto Elétrico, da Legião Urbana, dos discos solos (incluindo o italiano) e alguns covers.

A peça começa quando Renato tem 15 anos e se descobre com uma doença chamada epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas por dois anos. Foi nesse período que a inquietação do compositor veio à tona. Descobriu o Sex Pistols, leu como nunca, passou a se dedicar mais ao violão e a se imaginar um grande cantor. Nascia o mito.

Daí segue o baile... Surge o Aborto Elétrico, farra, drogas, sexo, Brasília... Acaba a banda. Passa a tocar sozinho como “O trovador solitário”, nessa hora, o ator começa a falar sobre astrologia, diz que é ariano e que gosta de gente de leão. Perguntas quantas leoninas tem na platéia, que é um signo forte, de gente bonita, etc... Conta que tinha uma grande amiga leonina e fez uma música para ela, que dedicou a todas as leoninas ali presentes. A música: Eduardo e Mônica. ...Ela era de leão e ele tinha dezesseis... Isso não é o mais importante da história, mas eu como leonina, adorei!

Se cansou de trovar solitariamente e chama uns amigos para tocar com ele. Estava nascendo a maior banda de rock do Brasil. A Legião Urbana. Música, drogas, sexo, homens, mulheres, música, sucesso, shows, entrevistas... Renato se cansou muitas vezes, foi para Nova York, declarou seu amor para um americano, voltou na época do impeachment, amou muito o filho Giuliano. E morreu em 1996.

Todo mundo cantou tudo, Pais e Filhos foi emocionante. No final, com direito a frase clássica “Força sempre”, surge o Renato/Bruce cantando e entregando rosas vermelhas. Aplausos de pé das pessoas de todas as idades que lotaram o São Pedro. Foram duas horas do musical e monólogo, que vale a pena assistir. Pena que não deixavam fotografar!

Para alguém que tinha 11 anos quando Renato Russo, essa peça foi o máximo! Imagina o que seria um show da Legião? Meus tios foram num nos anos 80, no Gigantinho, até hoje falam desse show. Entre tantas frases incríveis ditas pelo cara, duas ficaram na cabeça: “Eu só escrevo porque não sei de nada” e “Eu só sinto um vazio”.

A conclusão do próprio Renato para o seu sucesso é que ele foi sincero, cantou e escreveu o que se passava com ele e, que no fundo, é igual a dor de todo mundo. ...Tua tristeza é tão exata. E hoje o dia é tão bonito...

Saturday, August 02, 2008

Um pouco de tudo e quase nada

Estou quase fazendo aniversário. Não gosto de fazer aniversário, mas esse ano, segundo os chineses, o dia 08/08/08 terá toda sua mística triplicada e eu espero que isso seja sorte. Eu não sou velha, só que se eu resolver fazer ginástica olímpica com 23 anos vou quebrar a cara.

Não sei como me imaginava com 23 anos. Sabia que teria tatuagens e seria vegetariana. Só. Eu queria já ter tido um namorado, só pra vê como é. Ter viajado mais. Queria escrever mais, ser como essas escritoras cults que surgem de vez em quando. Gostaria de ser mais baladeira e não ficar de porre no primeiro copo. Me imaginava morando sozinha, eu acho...

Só que nunca me passou que seria a morada de um buraco sem fim dentro do meu estômago que está sempre faminto. Eu tento, faço de tudo para saciá-lo e não consigo. O esforço parece quase nada. Ele sempre quer mais e fica urrando lá dentro “não põe a culpa em mim!” O safado inverte o jogo!

Quando eu tenho alguma sorte, começo a achar estranho a sensação de felicidade que às vezes me invade, esperança que aperta a minha mão e as noites que deito e durmo, sem chorar. Aí não resisto e vou procurar o meu vazio, vejo ele lá dormindo. Inconscientemente começo a falar alto, dar gargalhadas, ter idéias mirabolantes, escrever sobre o dito-cujo até ele acordar. Ele levanta com o mau humor típico de quem acordou antes da hora e diz na minha cara: “Viu como você não vive sem mim.”

Não era bem isso que eu imaginava para mim. Cultivar buracos internos! Será um carma? Eu só queria escrever e viver disso. Mas quem vai querer ler “as aventuras de um buraco vazio”? Nem a minha mãe. Eu não sei o que queria para mim. E continuo não sabendo.

Companhia para ir no cinema? Alguém para discutir o último livro que eu li? Dinheiro para comprar todos os livros que eu quero ler? Um namorado? Uma casa com cerquinha branca? Ser uma jornalista bem sucedida? Ser uma escritora porra louca e incompreendida? Sou vazia de respostas. E esse vazio todo só me enche de perguntas que não sei responder, aí me sinto burra.

Outro dia estava conversando com um colega da época do colégio no msn. Ele falou que eu tinha ficado muito gata! O buraco riu da minha cara, lembrando que se ele falasse isso na época do colégio eu teria amado, porque sempre achei o moço lindo. Eu achava que naquela época ninguém me enxergava. Às vezes, acho que foi por ali que catei um bichinho rejeitado e coloquei dentro de mim. Ele cresceu e se tornou o vazio que me habita. Quando eu escrevo ele se acalma um pouco e acentua a solidão. Afinal, porque eu prefiro passar as noites de sábado cultivando o vazio?

Saturday, July 26, 2008

25 de julho

Sexta-feira, dia 25 de julho, foi feriado em São Leopoldo e em algumas outras cidades da região, principalmente municípios com colonização alemã. Era Dia do Colono ou o Dia da Imigração Alemã, como prefiro. Quando eu era criança adora essa época! Por causa das férias de julho, porque meus primos de Florianópolis vinham passar alguns dias aqui e o principal motivo: a São Leopoldo Fest.

Nossa, amava! Tinha parque de diversões, shows de todos os tipos, muitos doces, barraquinhas enfeitadas pelas ruas do centro, bandinhas tocando músicas típicas, bandeiras com as cores da Alemanha... No colégio aprendíamos sobre a história da cidade, berço da colonização alemã no Estado. Foi em São Leopoldo que as primeiras famílias vindas da Alemanha desembarcaram no dia 25 de julho de 1824.

Depois, quando trabalhava na prefeitura, passei dois anos trabalhando na festa. Muito bom! Entrava e saia todos os dias sem pagar, tinha acesso a tudo, sabia de tudo que acontecia nos bastidores, ficava na festa até depois que todos já tinham ido embora e havia somente o pessoal que trabalhava, assistia todas as atrações, saia no meio do expediente só para pegar uma torta em alguma barraquinha da Independência. Uma farra!

E hoje? A festa cresceu, as atrações aumentaram... Só que tem alguns anos que trabalho em Porto Alegre, portanto, não faço esse feriado. Meus primos cresceram e trabalham, não existe mais “as férias de julho” e eu continuo gostando da São Leopoldo Fest, mas com uma certa distância e várias restrições. O quê, de fato, essa comemoração tem haver com aqueles alemães que chegaram aqui? Não sei... Concordo que seja uma data importante para a história da cidade, mas a impressão que tenho é que as pessoas vão lá apenas para ver os shows, já que isso é raro na cidade.

Tortas, pastéis, cachorros-quentes, uma infinidade de docinhos... Se encontram em qualquer padaria. As comidas, realmente típicas, são caras. Agora a questão que eu acho mais complicada: é cobrado para entrar na festa. Sei que é caro fazer esse evento, mas acho que essas festas populares não deveriam ser cobradas. Não importa se é a preço popular. Para uma família de quatro pessoas, contando ingresso e tudo que ela vá gastar nas atrações, se torna caro. E se a festa é da cidade, para comemorar a cidade, todos deveriam ter o direito de participar. Talvez isso soe utópico ou até socialista, mas acho absurdo ter que pagar para participar. Sei que tem a questão da segurança, só que não consigo concordar com isso. Cobraram dos primeiros imigrantes ingresso para entrar em São Leopoldo?

Não sei se vou aparecer na comemoração esse ano. Durante a semana, talvez não tenha tempo... Em final de semana é muito tumulto... Gosto das boas lembranças que tenho dessa fest, mas no fundo acho essas fests provincianas. Não gosto de crianças e não me considero saudosista, mas às vezes gostaria de ser criança, só pra curtir mais. Para encher a boca pra falar “minha cidade é berço da colonização alemã”, pra ter a impressão que estava acontecendo algo grandioso, que as pessoas realmente tinham algo para comemorar e se orgulhar.

Friday, July 18, 2008

Suave com a pronúncia de um D

Sempre falei pouco e quando era criança falava muito errado. Além de demorar para começar a dizer algumas palavras, minha vó tentou me ensinar alemão. O que resultou numa criança que não conseguia pronunciar o R nos meio das palavRas, nem o pl, pr, gr... Trocava o D pelo T, o V pelo F, o B pelo P... Só pronunciava o que era mais forte, isso tem um nome complicado que eu não me lembro qual é.

Quando minha vó morreu eu tinha só 6 anos, nunca mais tentei falar nada em alemão, já era a chacota preferida dos meus coleguinhas da 1ª série e o pior de tudo, isso estava começando a me atrapalhar. Eu pensava que nunca iria namorar, nem trabalhar, nem nada por causa disso. Lembro até hoje, que às vezes nem minha família entendia o que eu queria falar. Odiava ir no armazém, pois sempre pediam para eu repetir o que eu queria, não sei se era só por maldade ou porque realmente não entendiam.

Aprender a ler foi uma tarefa árdua, mas escrever foi pior ainda. Eu escrevia como falava, assim: em totas as minhas retações no coléxio eu tiafa notas paixas por causa dos erros de portuquês. Paa compensar tentafa capichar na históia. Imachina que popema!!! A minha melhor amica, a Chaque me achudava um monte e sempe me oufia, por pior que fosse oufir alquém falanto assim.

Perdi a conta de quantos anos fui em fonoaudiólogas. De quantas vezes lia em voz alta e gravava para comparar com a fala de outra pessoa. Quantos exercícios eu fiz que deixavam minhas bochechas doendo. Se eu falasse pa-lan-ta, um dia falaria planta... Quantas vezes me escondia no recreio só pra não ouvir ninguém em chamando de "língua enrolata". Quantas vezes rezei para não precisar apresentar o trabalho na frente da turma toda. O mais estranho é que eu sempre gostei de ler e escrever.

Com 8, 9 anos eu já tinha me acostumado com tudo isso e não imaginava que o pior ainda estava por vir. Na 6ª série troquei de colégio, estava com 11 anos, continuafa falanto tuto errato, mas ao menos tinha consciência disso e já não escrevia como falava. Me tornei uma excelente aluna em português! Só que com o colégio novo, veio um monte de colegas pré-adolescentes. Nossa que tortura, tudo de novo, só que em proporções maiores. Ainda bem que a Jaque tinha ido para o mesmo colégio que eu. No primeiro trabalho que tive que apresentar no novo colégio, pedi para ela avisar a professora do meu problema. Apresentei o trabalho e vi 30 e tantos coleguinhas passarem cinco intermináveis minutos vermelhos de tanto segurarem o riso.

Eu não lembro exatamente quando comecei a falar corretamente, mas lembro quando eu percebi isso. Eu tinha 14 anos, era sábado de tarde eu estava no pátio da minha casa e falei alguma coisa do meu tio Daniel para a minha mãe. E quando eu disse DANIEL, eu senti direitinho (como até hoje sinto!) aquele D foi tão suave, leve. Saia do céu da boca e não dos dentes como o T. DANIEL, DANI, DÃ... DÃ. Repeti várias vezes, baixinho e assim, suave!

Nessa época eu já tinha vontade de ser jornalista, embora achasse isso impossível. E seria no mínimo irônico eu escolher uma profissão onde tivesse que escrever, entrevistar, me expor... Foi morrendo de medo que marquei um X no jornalismo quando fiz a inscrição para o vestibular.

Sinceramente, não tenho raiva de ter falado assim, acho engraçado, rendeu boas lembranças e algumas confusões. Tá, meus pais gastaram horrores com fonos e psicólogos e ser a piada da turma não é legal (crianças e pré-adolescentes são cruéis quando querem ser!). Hoje, ainda sou a “alemoa batata” da família e entendo que é normal do ser humano excluir e rir do que é diferente. Mas esse saborzinho de vingança que eu sinto quando lembro dos meus coleguinhas rindo, é inevitável. Afinal eu tenho uma profissão que é a prova de uma superação e apesar de ser um ofício que eu amo, enfrentei alguns bons fantasmas para aceitar o desafio.

Eu não sei o que a maioria desses coleguinhas estão fazendo da vida. Sei que eu estou realizando um sonho e vingança pode ser uma palavra muito forte, até porque não há motivo para me vingar. Mas não encontro palavra melhor. E é uma vinganzinha que não faz mal a ninguém, é leve e suave como a pronúncia de um D.

Wednesday, July 16, 2008

Eu e a Rô



Essa loira que é a Robertinha do texto abaixo. Queria ter colocado a nossa foto, mas fazia muito tempo que não conseguia postar nenhuma foto! Não faço a menor idéia do motivo, não carregava nenhum tipo de imagem... Daí nunca mais tentei colocar foto no blog.

Só que depois de ler o comentário da Jac, tive a gloriosa idéia de tentar colocar a foto (certa de que não daria certo) e pediria ajuda pra ela, que tem muito mais experiência nesse negócio de blog que eu! Ainda bem que não foi preciso! E de qualquer maneira, obrigada Jac!

Saturday, July 12, 2008

Loirão

Tem muito tempo que quero escrever pra esse loirão!!! Loirona, melhor! Linda, alta, loiríssima, simpática, não nega ser chamada de Barbie e claro, adora rosa. Essa Barbie se chama Roberta. Gosta de ser chamada de Robertinha, mas acho ela tão ão, que chamo de Rô.

Ela escreve super bem. Foi por causa dos nossos textos que nos tornamos amigas. Fomos colegas na faculdade e infelizmente ela não vai se formar comigo. Acho que ela não deve se lembrar disso, mas no primeiro dia de aula de planejamento gráfico e editoração em jornalismo, eu sentei do lado dela. Apavorada, porque não sabia nada de pagemaker, o programa onde editamos as páginas de um jornal. Ela não me deu muito papo, falou que era pra mim ficar calma e que ela também não sabia. Não sentei mais do lado dela.

Só que sempre achei ela gente fina. Ela é quieta. Gosto de gente quieta. Por sorte alguns semestres depois, na mesma sala de planejamento gráfico, fizemos redação jornalística III. Não sentávamos juntas, mas nos descobrimos cúmplices, com algo em comum! Toda aula tínhamos que fazer uma redação, na outra aula, o professore lia as melhores. E, sem mentira nenhuma, em quase todas as aulas, nossos textos estavam entre os melhores e a gente se olhava, como se falasse uma para a outra: “Tu também escreve!”. Uma aula o professor falou que havia uns cinco alunos que escreviam bem, que tinham grande futuro nisso, nos sabíamos que estávamos entre esses cincos. A gente não se falava muito, mas já se lia!

Num outro semestre, na cadeira de Comunicação e Filosofia, cheguei toda torta no primeiro dia de aula e me sentei do lado dela. A Rô perguntou o que eu tinha, eu falei meio com vergonha, meio feliz, meio querendo aparecer, que tinha colocado silicone. Ela só sorriu e em todas as cadeiras que fizemos juntas depois disso, dividimos a classe, os trabalhos, o computador, os problemas, os textos...

O que mais gosto nesse loirão? Ela é doce, meiga e o melhor, nunca me julgou. Nunquinha, nem quando contei que passei anos ficando com um rapaz que tinha namorada. E quantos e-mails trocamos durante o serviço para terminar algum trabalho!? Quantas vezes ela me olhou e perguntou: “Sai agora pra ver o Peter ou fico na aula”!? Quantas vezes carregamos os trabalhos nas costas!? Quantas notas boas tiramos!?

Vou morrer de saudade desse loirão! Se Deus quiser, a gente ainda vai trabalhar muito junto! Quem sabe a gente até escreva um livro junto, montamos uma assessoria especializada em auditoria de imagem, dividimos a produção de algum documentário retrô... Tudo pode acontecer, até aquela moça quieta e loira de planejamento gráfico se tornar uma das minhas melhores amigas. Ah, esqueci de dizer que ela também fica vermelha!

Saturday, July 05, 2008

Assim, do nada

Sabe aquela história de que quando a gente tá no fundo do poço, só nos resta subir? É mais ou menos isso. E é bem assim, do nada. Um dia a gente percebe que temos que levantar, nem que seja porque as costas doem de ficar muito tempo deitado.

Surge uma vontade de fazer alguma coisa, mesmo que não tenhamos a certeza do quê. Mas é bom sentir vontade de algo, dá a impressão de que estamos vivos, que temos objetivos, que ainda há esperança. E passamos a sentir fome, sede, frio, calor, sono, mas um sono normal, saudável... Não aquele que nos faz companhia durante o dia e foge à noite. E assim, do nada passamos a ter noites de sono e até nos lembramos dos sonhos.

O melhor de tudo é perceber o sol. Ah, o sol! Tão grandão, como não percebi, não senti, não vi? O pior é perceber que o tempo passou, porque nos dá a sensação que paramos no tempo. E realmente perdemos um tempo precioso no nada, no vazio, num vácuo constante. Parece uma inércia total.

Eu não sei o que leva uma pessoa a ter depressão. Talvez a morte de alguém, um pé na bunda, o desemprego, genética, pré-disposição, sei lá... E não é assim, do nada que se sai dela. Dessa fase eu lembro poucas coisas, eu estava viva e não vivia. Eu tinha muita raiva, insônia, nem lê eu conseguia, perdi a fome e uns 10 quilos.

Porém, quando a gente começa a sair dela, ou a ter consciência da vida, surge um monte de sensações assim, do nada. Debaixo do chuveiro, temos a certeza de que não há nada melhor do que um banho. Olhando TV, a gente ri de um comercial, mas ri mesmo! Assim, do nada (re)começamos a planejar o final de semana e com o tempo, até o ano novo. Conseguimos terminar um livro e de repente, do nada, nos damos conta que já lemos cinco depois daquele e o melhor a nossa capacidade de concentração não foi abalada!

Assim, do nada, é quase nascer de novo. De concreto, mesmo, é que eu perdi um tempão e apesar do medo de ficar assim de novo, eu sei que o sol vai voltar. "O sol vai voltar" é uma baita clichê, mas a vida é cheia de clichês, principalmente esses assim, do nada.

Friday, June 27, 2008

Quadrinhos na parede

Eram quase meia noite de um dia de semana quando o louco do meu vizinho começou a usar uma furadeira. O barulho não precisou durar muito para eu ficar louca e reclamar, aí meu pai com sua paciência de monge budista disse com uma seriedade assustadora: “Quem sabe ele tá colocando quadrinhos na parede”.

Fiquei puta. Não por causa do barulho que ainda acontecia, até porque barulho de furadeira é uma ótima trilha sonora para uma pessoa que adora dar chilique como eu. Fiquei puta porque fiquei desconcertada. Quadrinhos na parede!? Com uma furadeira!? Só podia ser meu pai mesmo...

Tá, levando em consideração que meu vizinho tem uma filhinha de uns dois anos, isso não é tão improvável. Afinal não sei se a guriazinha que dorme na casa ao lado não aloprou que queria um quadro na parede de seu quarto. E como ela é filha única e como todo pai é pai, meu vizinho atendeu o pedido da filha.

Bem simples. Natural até. Absurdo é eu ser insensível e me incomodar com um pai atendendo o pedido da sua filhinha. Me senti mal, imaginando a falta que um quadro com algum desenho infantil... Não, infantil não. As crianças de hoje não são infantis.

Vejamos... Um quadro dos Rebeldes ou das Meninas Super-poderosas ou de algum personagem que está na moda e eu não sei, iria fazer no quarto com papel de parede rosa com florzinhas brancas que a guriazinha de cachinhos dourados da casa ao lado, dorme, sonha e descansa da sua agitada vida de quem recentemente aprendeu a caminhar e a falar.

Até então, não me lembrava de nenhum quadro importante que meu pai tenha pendurado pra mim. Será que isso causou algum trauma? Mas lembro dos negrinhos que meu pai, até hoje me trás e sim, eles me fazem falta quando não chegam. Será que isso é devido há algum trauma?

Mas eu tinha um quadro uma vez, bem grande que ganhei do meu tio. Tem até foto, na época o quadro era maior que eu. A imagem era de uma menina loirinha, com um chapeuzinho vermelho, levando uma cesta de doces para a vovozinha (sim, era a Chapeuzinho Vermelho) e carregando um negrinho em uma mão. Será que isso explica alguma coisa?

Não sei que fim levou o quadro, devo ter colado um pôster do Leonardo di Caprio por cima... O que importa é que me lembrei de como quadros na parede são importantes para uma criança. Não fiquei braba com meu vizinho, até porque lembro direitinho, quando ganhei meu quadro era de noite. Com certeza tive um chilique clássico de criança e fiz meu pai pendurar aquela hora da noite. E meu vizinho deve ter ficado incomodado com o barulho.

Ah, a vida. As voltas que o mundo dá. E como quadrinhos na parede são importantes! Nunca vou me esquecer que dormia olhando o negrinho na mão daquela menina. Me dava água na boca... Sim, eu acho que isso explica muita coisa. E tudo por causa de um quadrinho na parede!

Sunday, June 22, 2008

Centésimo post e um grande alívio

Não lembro bem quando fiz esse blog, mas lembro que sempre gostei de escrever. Esse é um dos motivos para eu fazer jornalismo e manter esse blog. Não sei se escrevo bem. Sei que às vezes tento ler textos antigos com total distanciamento e geralmente gosto. Agora quando leio já querendo achar defeito, bom... Quem procura, acha né?

O fato que esse é o centésimo post! Post, não textos, considerando que já postei algumas músicas. Com certeza, já escrevi muito mais que cem textos e com mais certeza ainda, escrevi pouco! Tem um texto, dos primeiros, que estava no meu perfil do orkut. Mas esse sim, foi a primeira pedrinha do mosaico.

Utopia é um dos textos que mais gosto. Devaneio, também. Você não gosta das minhas tatuagens, detesto. Ainda não, 3Q + COP me trazem lembranças. Quando não vale a pena, além de lembranças me faz rir. Uma janela amarela fiz pro meu irmão. Prezado jornalista pro meu primo. O 20 de setembro é daquele irmãozinho foi para o irmão que eu não conheci. E esse texto, minha querida amiga e excelente escritora, Roberta Lampert fez para mim!

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Mais importante que os meus textos, esse ano foi o meu trabalho de conclusão. “O amanhecer das rádios FMs destinadas aos jovens. Uma análise dos programas da Atlântida e da Cidade.” Nome bonito...

E ele deu muito trabalho para ser feito! Muito mesmo! E quinta-feira (19) depois de várias crises de pânico, encarei a banca. Sérgio Endler e Daniel Scola de avaliadores, dá pra ter medo, né? Quem sou eu, perto deles, para querer saber de rádio.

A nota foi um 9,5, que não é 10 para o meu grande ego leonino. Mas é o merecido para uma pessoa que não colocou um dos livros que mais usou nas referências. E como disse um amigo, “estou plenamente aliviado”. E é isso que importa. Por que qual diferença faria para a minha vida profissional um 7 ou um 10 no TCC? É apenas uma questão de ego!

E para terminar, antes de começar a escrever esse texto, fui dar uma olhada no blog do meu primo. E acabei chorando, tudo bem que estou na TPM, que passei por grandes emoções essa semana... Mas o motivo mesmo foi o que ele escreveu nos agradecimentos do TCC dele, que reproduzo aqui:

"Quero agradecer a minha prima Renata, que sempre me mostrou o jornalismo na sua melhor forma. Através de palavras. Ela será uma grande jornalista, não tenho dúvidas disso, mas desde já Rê, te agradeço pelos maravilhosos textos que tu faz."

O Jú faz jornalismo também, o que me enche de orgulho e me faz imaginar, nos meus devaneios, que aqui é o início de várias gerações da família que se dedicarão ao jornalismo ou ao menos, à humildes escritos.

Por enquanto, somos focas procurando emprego, mas quem sabe um dia, teremos uma baita biografia como Roberto Marinho, Nelson Rodrigues, Capote...

Thursday, June 12, 2008

Quem é ele? Esse tal de amor?

Uma modesta tentativa de responder um texto do meu primo.

Não sei, obviamente, o que é o amor. E muitas vezes, acho que nem acredito que ele exista. E daí penso que devo ser mais sensível e afinal se eu acredito que ET existem, Papai Noel foi uma invenção da Coca-Cola, que no fim do arco-íris tem um pote de ouro, por que não acreditar no amor? Mesmo com a pulguinha atrás da orelha... Um dia eu vou montar um circo de pulgas com elas! Sempre quis saber como se adestra pulgas para um circo, deve ser mais fácil do que amar.

Voltando ao assunto, que pela maneira como dei voltas, não sei responder o que me propus. E também acho muita pretensão minha, que com 22 anos, passou exatamente 22 Dias dos Namorados sozinha, saber o que é o amor. Ah, quanto as propagandas chatas que nos fazem ter vontade de se atirar na frente de um carro cada vez que passamos por um casalzinho, é tudo mentira. Estudamos comunicação, pra gente é bem mais fácil se desvencilhar dessas ciladas midiáticas.

Pra mim, amor é aceitação e é justamente por isso é que sofremos. Não sabemos aceitar o outro. Ninguém. Gostaríamos que nossos pais fossem diferentes, que nossos irmãos fossem mais educados, os amigos mais atenciosos e o que dizer das pessoas que nos relacionamos? Claro, a gente gosta, se apaixona, mas depois de um tempo queremos mudar a pessoa, mas por amor... Amor a quem?! Se quero mudar alguém é para me agradar, certo? E porque não aceitamos, só.

Sabe quem eu acho que foi a única pessoa que amou alguém de verdade? Cristo! E olha como ele acabou! Ele aceitou, só isso! E o mundo não o aceitou. Por isso duvido do amor, somos tão poucos evoluídos, que não sabemos nem aceitá-lo. Não sabemos aceitar nem um pé na bunda! Por isso, acho também, que amor combina com liberdade. A liberdade de ser e ser aceito com liberdade.

Tem uma frase, numa música da Ana Carolina assim: “O amor pode ser uma música que eu gostei e botei numa fita...” Adoro. É isso. Eu gostei de uma música, mesmo não sendo o tipo que eu gosto geralmente ou do meu cantor preferido ou sei-lá-mais-o-que. Eu gostei e guardei. Posso até ficar triste se um dia eu perder a fita, ela arrebentar, evaporar... Eu aceitei e é isso que importa! Aceitei com toda a simplicidade e complexidade que isso pode ter e principalmente, eu aceitei com todas as interferências possíveis.

Sunday, June 08, 2008

Das alegrias e lágrimas

O texto abaixo não é meu. Li há algum tempo no blog do Paulo Coelho. Como fala sobre uma etapa da vida que eu estou passando, postei aqui também!

Dez anos atrás eu estava almoçando num restaurante em Ribeirão Preto. Ao meu lado, dezenas de estudantes comemoravam a formatura no segundo grau; riam, brindavam, faziam troça uns com os outros.

Eram pessoas que haviam cumprido uma etapa em suas vidas, e estavam alegres por causa disto.

Uma hora depois, quando eu já estava na sobremesa, o clima dos estudantes havia mudado completamente. A mesa foi ficando cada vez mais silenciosa, e, logo em seguida, alguém chorou. Pouco a pouco, o choro foi se espalhando entre eles.

As pessoas se abraçavam, faziam promessas de jamais se afastarem, mas sabiam no fundo de seus corações que a partir dali os caminhos se separavam.

Eram pessoas que haviam cumprido uma etapa em suas vidas, e estavam tristes por causa disto.

Tuesday, June 03, 2008

Um limitado novo mundo

Assisti a palestra de abertura da Semana da Comunicação, que está sendo realizada até dia 06 de junho, na Unisinos. O tema, bastante presente na vida dos estudantes, foi "Internet: uma nova lógica para a comunicação", a palestrante tem know-how sobre o assunto, Silvia de Jesus, vice-presidente de Internet e Inovação do grupo RBS, trabalha com Internet desde 1996 e já foi diretora do Terra na América Latina. E o melhor de tudo: a palestra foi super bacana, isso que eu não são das mais chegadas em tecnologia.

Silvia mostrou inúmeros vídeos que caracterizam essa inserção de tecnologia nas nossas vidas, o que ela chamou de “um novo mundo”. O que todos os vídeos mostravam e ela ressaltou várias vezes, é que todo esse processo nos coloca como participantes efetivos de tudo o que a tecnologia nos oferece. Passamos a interagir com as mídias, a escolher os programas que queremos ver, ou rever, pela Internet, baixamos só nossas músicas preferidas e por aí vai...

Agora, uma coisa que me chamou bastante a atenção foi os dados que ela apresentou. Não lembro os números exatos, mas o Brasil é líder em participação em sites de relacionamentos (orkut, msn...), o número de internautas cresceu assustadoramente, inclusive na banda larga.

O curioso nisso tudo é que somos um país de terceiro mundo, subdesenvolvido. Se eu há cinco anos atrás, não tinha msn, olhem que absurdo! Ainda hoje há milhares de pessoas que nem sabem o que é isso. Se eu e a grande maioria das pessoas que assistiram a palestra, convivemos com celulares de última geração, MP3, MP4, MP5 e todos os MP que estão surgindo a cada dia, com os vídeos no You Tube e sim, fazemos parte desse novo mundo. Ainda somos poucos! Pouquíssimos!

Vejam o Eder Coimbra de 15 anos, o menino que ganhou a concurso “Soletrando”, do Caldeirão do Huck. Ele não faz parte desse mundo. Segundo o pai do garoto, sua família, de 6 pessoas, vivem com uma renda de R$ 200,00! Tem um outro garoto, o cearense Ricardo Oliveira da Silva, de 19 anos, que já ganhou duas medalhas de ouro nas Olimpíadas Brasileiras de Matemática das Escolas Públicas, que também não faz parte desse mundo.

Os dois garotos não têm acesso a Internet. São pobres, como a maioria dos brasileiros. Onde Ricardo mora, não tem nem sinal para Internet! Mas como são inteligentes e antenados, sabem da existência desse fantástico-mundo-novo-da-tecnologia-e-tudo-que-isso-pode-nos-proporcionar e ficam assistindo tudo de fora. Um dia, se Deus quiser, os criminosos deixarem e as necessidades permitirem esses meninos vão fazer parte desse mundo. Os números das pesquisas impressionam, mas esse novo mundo ainda é bem limitado.

Wednesday, May 28, 2008

O diabinho e o anjinho

Às vezes eu tenho certeza que eles são amigos íntimos e ficam rindo da minha cara o tempo todo. Tá, eles podem até não concordarem um com o outro, mas que tiram uma onda legal da minha cara, ah tiram! E eu sempre escuto as risadinhas no meu ouvido. O pior é que um deles, sempre tem razão.

Quando estava na pré-escola e chorava o tempo todo no portão da escolinha já ouvia eles. O anjinho: “Não chora, teu pai já vem te buscar.” E o diabinho: “Chora, chora muito, que tu chama a atenção e ainda faz a caridade de atrapalhar a aula dos outros.” “Não diz isso. Ela tá chorando porque se sente sozinha”. “Que nada, ela tá chorando porque foi chamada de língua enrolada. Ou melhor de líncua enrolata!” E assim a coisa seguia, eu chorava e eles, os coleguinhas e até os vizinhos da escolhinha, riam.

Mais tarde, em festas de famílias. O anjinho: “Fica mais um pouco, tu tá gostando.” E o diabinho: “Isso aqui é medíocre. Nunca se esqueça: você não gosta de coisas medíocres!” “Fica, se diverte. Teus pais tão gostando. Melhora essa carinha!” “Boa menina, já tá todo mundo perguntado o que você tem!” Assim eles seguiam e assim eu acabei com muitas festinhas de família.

Na adolescência. O anjinho: “Aceita o convite pra festa.” E o diabinho: “Lá vai ter um monte de gente e você não gosta de gente, de tumulto...” “Vamos, vai ser bom. Quem sabe você até beije na boca.” “Ótima piada! Ela beijar na boca, hahahahaha.” Assim eles seguiam, assim o tempo passou e não me lembro de muitas festas na adolescência, nem de muitos beijos.

Hoje em dia. O anjinho: “Pra quê tu vai fazer isso, se amanhã ele não vai nem olha na tua cara.” E o diabinho: “Porque ela gosta, porque sexo é bom”. “Não faz. Tu sabe que depois só fica o vazio”. “Que vazio?! Se tá vazio, dá de uma vez!” Depois, além do vazio, tenho que agüentar a discussão deles e a ânsia por um telefonema que eu sei, nunca vem.

Sempre é assim. Eles ficam fazendo cabo de guerra comigo! Na psicóloga é uma loucura, cada um fala mais que o outro e o que eu precisava dizer, sempre fica para a próxima sessão. De noite, eles falam, falam, falam, eu penso, choro, escuto, choro, penso, escuto, choro e choro, só não durmo. Acordo péssima e quando me olho no espelho, adivinha: mais vozes, mais discussão, mais opiniões contrárias.

Nesse momento eles estão em pé de guerra. O anjinho: “Tua mãe tem razão, tu escreve muito bem.” E o diabinho: “Ai, Teu Deus, escreve nada. Só se acha!” “Fica quieto, escreve sim, tem talento.” “Talento!? Adoro tuas piadas! Isso tá uma porcaria. Tu sabe né, guria? Para de escreve e me escuta!” “Isso, escreve, escreve e não dá bola...”

Assim eu vou escrevendo e escutando esses dois que saíram sei-lá-da-onde e vão me acompanhar até-não-sei-quando. Depois, daqui um tempo, a gente vai se abraçar, como velhos amigos, olhar para isso tudo e dar muita, mas muita risada. Teve um deles, não lembro qual, que falou: “Se não pode com o inimigo. Junte-se a ele.” É o que faço e assim, ora ouvindo um, ora ouvindo o outro, eu dou boas risadas. O máximo que pode acontecer é eu acabar louca, rindo sozinha.

Saturday, May 24, 2008

Oração

Nem sempre eu sou generosa e rezo pelos meus irmãos. Eu rezo é pelo meu umbigo e pelo o umbigo de meia dúzia de pessoas que eu gosto muito.

Rezo para entrar na calça justíssima que adoro usar. Rezo para Arroba nunca deixar de abanar o rabo quando me vê. Rezo pelo dinheiro das festas e para meus amigos entenderem quando eu surto e vou embora no melhor da festa.

Rezo para que no almoço de domingo, minha opção vegetariana não vire discussão na família. Rezo para que meu irmão vá pra casa da namorada o final de semana todo, assim a gente evita várias discussões desnecessárias. Rezo por uma carreira bem sucedida e alguns livros publicados.

Rezo para que os negrinhos que eu como nunca se transformem em quilos. Rezo para que meus amigos lembrem-se de mim e que não esqueçam de me convidar para qualquer programa, mesmo sabendo que posso até aceitar, mas antes vou fazer o maior drama. Rezo para que tenha sol no domingo e que a grana da Redenção esteja seca.

Até quando peço pelo outros, estão pensando em mim. Rezo para que as dores no joelho da minha mãe passem e que meu pai nunca perca a bondade que tem. Rezo para que meu chefe esteja de bom humor.

Rezo para ter tempo para terminar de ler o livro que quero. Rezo para acordar em algum país europeu o mais breve possível. Rezo para aquele idiota me enxergar como um ser humano e não apenas um corpo. Rezo por um prêmio da Mega-Sena. Rezo por mais feriadões. Rezo por um bronzeado que dure mais tempo.

Mas no final, antes de dizer “Amém”, eu peço para ele me perdoar pelo egoísmo e durmo tranqüila. Porque sei que estou perdoada.

Friday, May 16, 2008

Ali

O sol tava tão bom que eu só queria ficar ali. Era frio, mas o sol me esquentava e me dava uma impressão tão boa, acolhedora e ali, sentindo o sol, eu esqueci de tudo o que não gosto de lembrar. Eu não tinha me tornado a pessoa mais feliz do mundo, os problemas continuavam os mesmos, mas tinha o sol.

Aquele cheiro era tão bom. A aparência do macarrão tão apetitosa que eu daria a vida para comer a comida da minha avó mais uma vez. Eu era uma criança tímida e sem amigos, mas sempre tinha a casa da vô para me esconder e ao mesmo tempo, me libertar.

Aqueles shows eram tão bacanas e eu saia de lá tão leve, que às vezes penso que um show de punk rock é melhor que terapia. Qualquer calça rasgada servia! O all star, velho, nunca me incomodava e a roda punk era a libertação total. Sempre tinha um que gritava: “Duda, nos purifica!”. Era fácil se purificar naquela época.

Ele me abraçava sempre que me via. E abraçava apertado, um abraço de urso, para me mostrar que ele era tão forte quanto os heróis que via na TV. E eu me achava o máximo. Mas as crianças crescem, inclusive os afilhados. E eu adoro quando ele me chama de “dinda Rê”, porque eu volto a me sentir o máximo, mesmo sem abraço apertado.

A risada foi tão intensa que eu não sabia mais se chorava ou se ria. O corpo doía tanto, que parecia que tinha feito milhares de abdominais. Por um momento esqueci de toda a solidão e desejei a eternidade, de preferência com aquela dor na bochecha de que quem riu demais. Às vezes é tão fácil ser feliz.

Wednesday, May 14, 2008

Salve Anne

Eu tinha uns 9 anos e estava na casa da minha tia. Ela e minha mãe conversavam algo que não me interessava. Sozinha na sala, olhei para o livro na estante: “Contos do Esconderijo”. Hum... Peguei. Gostei da capa, do desenho de uma folha seca na contracapa. Abri. Lembro exatamente a primeira coisa que li: “Sempre gostei de ouvir conversas de adolescentes”. Hum mesmo. Pedi emprestado.

O livro era da Anne Frank. Na época, não sabia direito o que tinha sido o nazismo, o holocausto, a perseguição contra os judeus. E demorou para eu acreditar que essa tal Anne existiu. Que ficou escondida com sua família, durante anos, num porão. Que morreu num campo de concentração. Que escreveu o livro mais importante da minha vida.

Sim, não é o meu preferido, mas é o mais importante. Porque foi lendo “Contos do Esconderijo” da Anne Frank que descobri o que um livro pode ser. Mais, descobri um mundo novo. Percebi que lendo conheceria histórias incríveis de gente mais incrível ainda. Que os livros eram sim, um outro mundo! Porque foi lendo Anne Frank que comecei a questionar o mundo. E nunca mais fui a mesma.

No final de semana passado, olhando a exposição sobre a Anne, que estava na Usina do Gasômetro, pena de quem perdeu! Me lembrei desse dia na casa da minha tia. E de todos os livros que li graças a esse. Obrigada Anne, por tudo que teve que passar para mudar a minha vida, e a de tantas outras pessoas que também se comovem com a tua história.

Pode ser pretensão da minha parte. Mas sem dúvida, esse menina me tornou um ser humano melhor. Pelo exemplo de grandeza e humanidade, quando foi vítima da maior desumanidade da história... O livro? Eu nunca devolvi para a minha tia. E ainda busco as respostas para as perguntas que essa menina colocou na minha cabeça.

Saturday, May 10, 2008

Inconstância

Que inveja do Pequeno Príncipe. Sim, o do livro. Tudo que eu queria era um mundinho pra eu ficar olhando o pôr-do-sol, só que o meu mundinho teria alguns livros para quando aparecesse alguma nuvem na frente do sol...

Queria ser como essas mulheres que passam a semana pensando na balada de sábado. Que gastam uma nota comprando um vestido para a festa. Que não se importam com as filas, com o tumulto e o cheiro de cigarro. Dessas que acreditam que não há nada que uma boa balada não cure. Mas eu não sou!

Por mais que existam praias paradisíacas, todo o velho continente e alguma viagem que a sempre pode surgir. Às vezes eu desejo que aqueles verões que passava em Imbé com a família toda, não acabassem nunca.

Gosto de trabalhar, nunca gostei de gente que não faz nada. Mas tenho saudade do tempo que a minha vida se resumia em dormir até tarde, passar 4 horas na academia e ir para a faculdade duas horas antes da aula, só pra passar em todos os bares onde estariam meus amigos.

Pode ser o momento. Uma formatura eminente, o fim de uma etapa. Um monte dúvida e nenhuma certeza. O fato é que não é aqui que quero estar. É em algum lugar do passado ou em um do futuro! E as pessoas? Essas que estavam lá, anos atrás? E as que ainda vão fazer parte da minha vida? Por que não estão aqui, agora?

E esse buraco no estômago e o nó na garganta, que parecem as únicas coisas constantes que tenho na vida? Não sei se me perdi em algum momento ou se ainda nem me achei.

Thursday, May 08, 2008

Esse texto já está velho

Os meios, mais do que nunca, são a extensão do homem. Sim, Marshall McLuhan estava certo, e isso há alguns bons anos atrás. Imagine o que ele falaria hoje... Que estamos quase copulando! Homem e máquina. Máquina e homem. E ao invés de humanizarmos as máquinas, estamos cada vez mais mecânicos.

Estendemos a mão e temos o celular de última geração que nesse exato momento já ficou ultrapassado. Na outra, há o palm top. O notebook. A máquina digital. O MP4, MP5, daqui a pouca teremos o MP69. E haja mão para tudo isso! E haja cabeça para tanta informação, que na grande maioria das vezes, não sabemos nem de que lado veio. Um USB para baixar informação inútil seria bem útil. Será que já não existe e eu ultrapassada, não sei?

E tem que ter papo para tantos amigos no orkut... Todo mundo fala junto, todo mundo deixa um alô, um bom findi... Mas quem escuta? Isso é uma conversa ou um monólogo enfeitado com emotions? Deletamos as pessoas como deletamos as fotos que não gostamos. E tem tempo que eu não pego uma foto (de verdade) nas mãos.

É a lei do mais forte. Estamos sendo dominados pelas nossas próprias invenções. Não sabemos lidar com nossas crias, que só criamos para tentar ocupar a nossa vida e deixar de fato de viver. É uma falsa vida. Superficial, está tudo superficial. Eu, você, teu cachorro, teu vizinho, a sociedade.

Mas tudo passa na velocidade da luz, e cada vez mais rápido. E temos a impressão de que estamos sempre no vácuo. Vazio...

Wednesday, May 07, 2008

Mais uma musiquinha ou o refrão dela!

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa


Sábio Cazuza!

Monday, April 28, 2008

Um pouco mais de neura

Às vezes eu tenho certeza de que o mundo conspira contra mim. Esperei um dia propício para estrear minha sapatilha nova, linda e prateada. Tudo ótimo até o céu se encher de nuvens pretas e mundo resolver cair sobre nossas cabeças. Quase tive que trocar minha sapatilha nova, linda e prateada por um pé de pato.

Acordo uma hora mais cedo pra chegar na academia o mais rápido possível e ter uma esteira a minha disposição. Mas sempre que chego já tem umas velhas, digo mulheres da melhor idade, contando toda sua biografia e reclamando que os jovens de hoje em dia não tem disposição para se exercitar. Para me exercitar, eu tenho, não tenho para escutar lição de moral às 6h da manhã!

Encomendei dois livros sobre rádio, direto da editora. Eles não chegavam e eu ansiosa pelo cheiro de livro novo. Até que abri, sem querer, o e-mail que tinha solicitado a encomenda e não acreditei no que vi! Dei o endereço da minha casa errado! Passei uma semana procurando meus livrinhos de correio em correio, tendo que explicar que dei o número errado e que o número não existe. Até que achei minha encomenda perdida e sozinha na agência da cidade vizinha. Ninguém soube me explica como eles pararam lá, afinal eu errei só o número, não a cidade!

Odeio baratas. Sempre odiei. Outro dia meu chefe achou um ninho de barata dentro do teclado do computador dele! Horrível! E sobrou pra mim limpar o negócio, tirar teclinha por teclinha e encarar um monte de baratinhas... Eram todas filhotes, acho que os pais não cabiam dentro do teclado. Passei o resto do dia me coçando, vendo barata em todo o lugar e arrependida de não ter me atirado do décimo andar da Assembléia Legislativa. E criei o estranho hábito de ficar uns bons minutos olhando para o teclado do computador antes de colocar minhas mãos nele.

Mas não, eu não sou neurótica! Só às vezes acho que o mundo conspira contra mim e o tal de Murphy resolve pegar no pé.

Monday, April 21, 2008

Faz sentido

A gente passa a entender o sentido da palavra solidão, quando começa a ficar angustiado com a sensação de estar só. E isso passa a incomodar. Quando nem o riso ameniza o nó na garganta. Quando o riso é também uma maneira de chorar, a gente ri um monte e acaba chorando de tanto rir. Jura, a gente quer rir só pra poder chorar em paz depois.

Quando chorar passa a ser eminência. Quando a gente sente falta do boteco na frente da nossa casa que tocava pagode até de madrugada, porque afinal te fazia companhia e tu dava graças a Deus que não é como aquelas pessoas que ficam felizes com um pagode. Quando a gente começa a rezar para ser como aquelas pessoas e ficar feliz até com um pagodezinho.

Quando se vai no cinema sozinho e tudo que queria era alguém próximo pra comentar o erro de gravação que você percebeu. Quando ficar sábado a noite, em casa, de bermuda e meia, assistindo os filmes do Tim Burton é a melhor opção porque simplesmente não há outra opção.

Quando o doce tem sabor amargo. Quando os amigos parecem distantes. Quando lê já não te faz perder a noção do mundo. Quando dormir não é descansar, é uma opção de estar viva sem ter que viver de fato. Quando até brincar com o cachorro é triste. Quando a vida perde o sentido, a gente passa a entender o sentido da palavra solidão.

Tuesday, April 15, 2008

HEY HO LET'S GO

Joey, às vezes eu também gostaria de não crescer. De ficar sedado. De dar adios aos meus amigos. De ir para a Rússia num foguete. Morrer em Berlim. Curtir o sol da Califórnia. De perguntar "você quer dançar?", ou apenas dizer: "Querido, eu te amo". Assumir que apesar dos pesares somos uma família feliz. Será isso uma poção do coração? Ou apenas rock and roll colegial?

No dia 15 de abril de 2001, eu e alguns colegas estavámos tristes numa aula de educação física. Naquela aula, dispensamos os tênis apropriados para correr e usamos os velhos e bons all star. Como você.

Ah Joey, como eu gostaria de ir num show do Ramones e ver toda essa tua altura e teu jeito desengonçado de quem parece não ter saído do colegial. Quantos all star usei em tua homenagem. Quantos "he ho. Let´s go" gritados em shows de rock. Quanta calça jeans rasguei...

Hoje Joey,em cima de um salto fino. Sinto a mesma tristeza que a há 7 anos. É ruim a certeza que um showzinho só dos Ramones, nunca mais. Que tratamos com carinho os CD que ficaram, as lembranças embaladas por sua voz, na rapidez da música... One, two, three, four...

No fundo Joey it´s a wonderful world!!!

Gabba gabba hey.

He ho. Let´s go! Forever

Sunday, April 13, 2008

Coisas de pele

Adoro marcas, cicatrizes, tatuagens e outras coisas de pele. Acho que diz muito sobre as pessoas.

Eu carrego cicatrizes no meu seio, que não gosto, pois revelam que eles não são naturais. Minha franja é torta do lado direito, culpa de um redemoinho! Carrego cicatrizes que mostram que tive uma infância normal, cheia de tombos, esconderijos fantásticos e brincadeiras incríveis. Minhas unhas do dedão do pé são tortas, e não adianta a pedicure arrumar, elas duram até a próxima aula de dança. Por causa da meia ponta e da postura necessária em alguns passos. Por causa da tal meia ponta (como de bailarinas), tenho calos e bolhas em baixo do pé. Mas deles eu gosto, mostram que eu sou uma mulher que dança. A minha sobrancelha direita é menor que a esquerda, não, não é um problema genético, é por causa da cicatriz de um piercing que tinha ali e foi acidentalmente arrancado. Fora as minhas tatuagens, que indicam que gosto de carregar outros mundos na minha pele, que não me conformo com o tom monocromático dos seres humanos.

Uma vez eu estava num ônibus, do outro lado havia um senhor, bem senhor mesmo, de cabelo branco e pele toda enrugada. Ele estava com uma camisa de manga curta. E seus braços revelavam inúmeras tatuagens. E isso já tem muito tempo e eu nunca me esqueci dos desenhos que saltavam daqueles braços enrugados. Tinha um bonequinho, desses que qualquer um desenha, de palitinho, só que o bonequinho dele usava um boné. Talvez para um neto... Tinha um clássico tubarão e o que mais me chamou atenção: uma bandeira com uma caveira dentro e um X por cima, como se ele tivesse se arrependido da bandeira com a caveira e simplesmente colocou um X em cima. Não era necessário apagar tudo, apenas sinalizar que a bandeira com a caveira já não era tão importante como fora um dia... Ou não... Vai saber...

Talvez nossas marcas sabem mais de nos, do que nós delas.

Sunday, April 06, 2008

Nada que um bom soco na cara não resolva

Como toda pessoa egoísta, acho que a coisa mais linda do mundo é o meu umbigo! Mas o meu umbigo não tem anda haver com o soco na cara que gostaria de dar em algumas pessoas. Ou talvez tenha. Não sei. Assim como sei o que escrever. Só sei que tenho que escrever, afinal é isso que quero fazer pelo resto da minha vida. E se falta a inspiração, apelo para a transpiração. Abre parênteses - adoro essas palavras que terminam com piração – fecha parênteses.

Odeio os sinais de ocupado e ausente do msn, porque nunca sei se é verdade ou não. E tenho vontade de dar um soco na cara dessas pessoas, mesmo sendo amigas. Vai que meu umbigo se sinta sozinho ou simplesmente queira incomodar alguém, e eu incomode justamente um amigo que está ocupado de verdade. Posso me sentir mal. Ou não. Pessoas egoístas não costumam perceber quando incomodam os outros. Se bem que sempre me achei um egoísta bem consciente.

Até Deus, ou seja lá quem criou tudo, merece um soquinho. Tem uma formiga subindo na minha perna, deixo, até gosto de formigas. Mas só até lembrar que elas carregam baratas! Argh! Odeio baratas e passo a odiar formigas e, consequentemente quem as criou.

Tenho vontade de dar o tal soco quando vejo pessoas felizes. Não que não goste da felicidade alheia, mas acho um abuso ela ser alheia e não minha. E fico com raiva e quero dar um soco na cara dessa gente que fica feliz por qualquer coisa. Ao menos eu não me deslumbro fácil. E uma pessoa muito feliz se torna meio alheia e com o tempo fica bem alienada.

Então me deixem com um pouco de tristeza, minha inteligência, meus textos sem nexos, minha felicidade passageira e minha vontade de dar uns socos na cara de algumas pessoas.

Sunday, March 30, 2008

A graça do drama

A vida é um drama. Mas um drama bem engraçado, como escreveu a Tati Bernardi. Andar de trem todo dia é um drama. Ler meu livrinho e rir de alguma cena dentro do trem cheio é engraçado. As pessoas me olham com cada cara e eu tenho mais vontade de rir e me dou conta do drama que é não ter privacidade para rir do meu livrinho dentro do tem lotado. Se eu chorasse será que iriam gostar?

Comecei fazer a lista das coisas que eu vou levar quando sair da casa dos meus pais e ir para os arredores da Redenção. Estava tudo ótimo, até meu irmão pegar a lista e me perguntar quando isso ia acontecer, eu falei que ainda não sei, mas, pela primeira vez na vida não quero deixar tudo para última hora, vai que eu esqueça alguma coisa. Fazer uma lista dessas é até engraçado. O drama foi do meu irmão, que achou absurdo as fadas que eu tenho penduras no meu quarto serem o primeiro item da lista.

Viro madrugadas escrevendo meu trabalho de conclusão. Mas sempre páro, porque uma voz misteriosa me manda escrever outras coisas, como esse texto, por exemplo. Aí na mesma madrugada escrevo alguns textos, falo com um e outro no msn, choro, dou risada, tomo um vinhozinho... Pareço uma louca, deve ser engraçado. O drama é eu não escrever nada do meu tcc.

Vou para a cama às 2h da manhã. Às 4h30 meus olhos abrem e eu me dou conta que não vou mais dormir. Repito o mantra: “Dorme criatura, tu tem que levantar às 6h”. Que graça, não durmo de jeito nenhum, fico tentando identificar qual é o cachorro da rua que late agora, conto as estrelas que tenho na parede, olho em baixo da cama (a insônia nos faz lembrar até do bicho-papão). 5h50 meus olhos começam a ficar pesados e sono vem gostoso. 6h o relógio desperta. Ô drama!

Fui fazer meu passaporte. O único dia disponível é em junho! Liguei para a Polícia Federal e falei do absurdo, argumentei que vou viajar loguinho e preciso do meu passaporte para ontem! Eu não vou viajar loguinho, mas tenho que estar preparada. Tive um piti, um chilique, apelei para o meu ego leonino. Falei sério também, que até junho posso ter morrido, mas prometi que se morrer sem meu passaporte, vou enlouquecer essa tal de Raquel que me atendeu! Ela disse que nunca viu tanto drama por causa de um passaporte, eu chamei ela de louca, pois ela não estava vendo nada, apenas escutando. Até que dita cuja desligou o telefone! E eu não achei a graça nenhuma nessa história.

Tuesday, March 25, 2008

Presente de aniversário

- O que é isso?
- Teu presente! Eu... Ou o melhor de mim... Tá, eu sei que você não gosta muito dessas coisas, mas o que eu faço de melhor é escrever.
- Isso eu sei.
- Na verdade queria te dar um livro, mas estava em dúvida entre o “Pequeno Príncipe” e o “Kama Sutra”. Então achei melhor eu mesmo escrever essa história. Que eu conheço bem, diga-se de passagem.
- Uma vez tu meu deu um texto... Num blog que tu tinha...
- Aham. Foi de 27 anos, se eu não me engano. Quando o escrevi, pensei que quando tu fizesse 40 escrevia um livro para você. Se tu já era charmoso com 27, com certeza seria um quarentão ainda mais. E seu eu desse o mesmo nome daquele texto e lançasse no dia 25 de março, você não teria dúvidas que é para você.
- E sobre o que é? Fala de algo que aconteceu...
- Da gente, se é isso que você quer saber. Da faculdade, da atração toda, do sexo, do sentimento, dos e-mails imensos, dos chiliques, das escadas, de todas as coisas que eu nunca entendi... Mas algumas eu enfeitei, outras encurtei.
- E como termina?
- Como deveria, cada um tocando sua vida, mas tendo suas recaídas. Sabe, sempre que imaginava escrever sobre nós, achava que no fim tu ia se apaixonar por mim. Mas não consegui... Não seria a nossa história se tu tivesse se apaixonado por mim.
- Mas ao menos nos sempre fomos amigos. E tu sabe que eu me preocupo com você. Você nunca foi uma qualquer pra mim.
- Que belo consolo. No fundo, sempre tive a impressão que você gostava do fato de eu gostar de ti...
- Hehehehe, quem sabe. Só o tempo vai dizer... Tenho que ir. A fila tá grande.
- Quem diria né? Fila de autógrafos do meu livro!
- Parabéns! Você conseguiu, é uma escritora conhecida.
- Nem tudo eu consegui... Vai, que com certeza deve ter uma loira-aguada-e-sem-sal te esperando em algum lugar.
- Ai meu Deus...
- Posso só te dá um abraço, aquele que eu queria ter te dado quando estudávamos juntos... De amiga!
- Pode. Mas não me provoca!
- Ah, tá! Até parece que você é um santo e nunca me provocou.
- Eu!? Imagina. E o abraço?
- Então tu quer um abraço. É você que deveria me abraçar, eu que estou lançando um livro...
- Mas é eu que estou de aniversário!
- Feliz aniversário!

“O amor é o amor, mas pode também ser um simples ardor, uma cócega profunda no homem ou na mulher. Se o prazer é superficial, enjoativo como todas as coisas apenas superficiais, só depois é que se vai saber ou comprovar ou entender. Quem é capaz, portanto, de dizer que não houve prazer, que o calor não esteve ali o todo tempo, nele e nela, naquele frio orgástico que eriça as peles?” Flávio Tavares.

Sunday, March 23, 2008

Dá pra tia!

Eu não pretendo ter filhos, me acho egoísta demais para isso e não gosto de crianças. Já meu irmão adooooooooooora e está louco para ser pai! A namorada dele já tem um filho de 7 anos e desde o Natal as atenções aqui em casa são todas dele. Meu pai e minha mãe adoram ter uma criança para se encantar com o pinheiro de Natal, para procurar chocolate...

Concordo com eles que uma criança dá mais vida para uma casa. Até porque elas fazem barulho e não colocam nada no lugar. A gente passa o tempo todo em função das crias que não sentimos o tempo passar. Definitivamente, não terei filhos. Mas sobrinhos devem ser legais. Encheu o saco? Vai com a mamãe e o papai, que a titia aqui tem mais o que fazer... E resolvido o problema.

O filho da namorada do meu irmão sabe muito bem quem é seu pai. E deve intuir que eu não sou muito chegada em criança, ainda mais olhando desenho animado enquanto eu quero assistir o telejornal. O fato é que ele me chama de tia!

Nesta Páscoa, o sobrinho estava aqui em casa, sendo o único e exclusivo foco de atenção. E ganhou um monte de chocolate. Três ovos com brinquedo dentro. Enquanto ele abria os seus chocolates, todo mundo estava envolta para ver qual era a surpresa da vez. O primeiro ovo trazia um peixinho de pelúcia, que eu adorei! O segundo foi um relógio e o terceiro, o mesmo peixinho do primeiro. Foi uma tristeza geral! Que azar, saiu igual...

- Dá pra tia, então! Falei.
Ele oscilou por um momento, mas me deu o peixinho amarelo com azul. Yes! E quer saber, que venham meus sobrinhos, porque quando eu era criança, não tinha ovo de chocolate com brinquedo dentro.

Thursday, March 20, 2008

Ele chegou e eu nem percebi

O outono chegou e eu nem me dei conta. Só no serviço, ao folhear a Zero Hora, li a palavra "outono" em alguma manchete e me passou pela cabeça que daqui alguns dias o inverno chegaria. Que a minha estação preferida está acabando. Depois, fui ler toda a matéria e vi que o verão já tinha acabado. Durante a noite, enquanto eu rolava na cama e lutava conta a insônia, o verão me dava tchau.

O texto assinado por Cátia Valente é poético, começa assim: “Hoje acordamos com ares novos, ares de outono. Ele chegou às 2h48min. Nesse exato momento, os hemisférios Norte e Sul receberam a mesma quantidade de energia vinda do Sol. A noite e o dia tinham o mesmo tamanho...” E segue falando das folhas caídas, dos dias bonitos, da inconstância das temperaturas...

Mas o estranho é eu não ter me dado conta. Quando eu era criança sabia as horas e os dias, exatos, que as estações entravam. E fica ansiosa o dia todo, afinal, era uma mudança que estava acontecendo! Mudança de estação, de paisagem, de roupa, de humor. Uma mudança mágica que acontecia assim, do nada, a gente vai para a cama com o Inverno e acordamos nos braços da Primavera. Devo estar com outras coisas na cabeça, emprego, formatura, dinheiro (ou a falta de), trabalhos da faculdade... Coisas que tiraram meu sono, talvez, até de propósito...

No meio da manhã, com o jornal nas mãos, olhei pela janela do 10º andar da Assembléia Legislativa e vi o sol, e nuvens escuras também. Alguém entrou na sala reclamando de calor, outro apareceu de casaco, perguntaram que hora a chuva chegaria... Era o outono instalando suas mudanças.

Sunday, March 16, 2008

Devaneio

Eu nunca paro na frente do computador e me pergunto o que escrever. Eu sempre sei, sempre tenho inspiração e piração, na medida certa. Cazuza já dizia que “entre o certo e o errado há o resto todo”. Acho que é neste resto que se esconde a inspiração. A piração seria o errado. O resultado de tudo, tentar ganhar a vida escrevendo, é certo.

Eu sou um mar de tranqüilidade. Calma, serena... Nada me faz perder minha posse de Esfinge e meu ar blasé. Nem trem lotado, nem chefe mal-humorado, nem professor recalcado, nem criança mal-educada. Eu nem escrevo palavrão nos meus textos. Meu estômago não dói, ele é pleno. Cheio dessa felicidade medíocre que faz as pessoas se conformarem.

Eu quero ter uma carreira bem sucedida como repórter da Caras ou da Quem. Imagina se eu vou preferir passar dias sem tomar banho só para cobrir uma guerra em algum país remoto. É bem mais fácil, escrever sobre o papel higiênico que as pessoas que aparecem na TV usam. Mas se não der certo, minha segunda opção é ser apresentadora de programa, desses do meio da tarde, que exploram a desgraça humana e tentam fazer caridade. Afinal, já que é impossível resolver os problemas do mundo, ao menos eu consolo os cornos, as candidatas a celebridades, as mães de filhos rebeldes, a mulher reprimida, a abandonada na porta da igreja, o endividado...

Eu quero me casar na igreja-de-véu-e-grinalda, com um homem que além de pau duro, terá coração mole e nunca vai questionar como vai o meu cartão de crédito, que obviamente, ele pagará. Irei morar numa casa com jardim, terei três filhos lindos que serão o orgulho da mamãe. E serei feliz para sempre com essa vidinha medíocre que faz as pessoas se conformarem.

Eu não quero grandes viagens para países distantes. Nem mestrado e doutorado. Nem ter tempo para ir na academia todo dia e ler toda a Comédia Humana. Questionar? Nem pensar. Deixar as coisas como estão, já está ótimo. Que eu nunca perca a gloriosa qualidade de ser prática, de não criar problemas e nem aumentá-los.

Eu quero que meus devaneios durem apenas o tempo de digitar um texto, quando eu parar na frente do computador e não saber o que escrever. E que ao constatar que todos os parágrafos começaram na primeira pessoa, eu tenha a grandeza de acreditar em coincidência, até porque eu não tenho o ego-orgulhoso-e-egoísta-dos-leoninos. Até porque, o que não é inspiração e piração, é devaneio.

Friday, March 07, 2008

Cansaço

Tô cansada de dizer que está tudo bem, acreditar nisso, e ouvir a voz do meu buraco negro perguntando: o que está tudo bem?

Não está nada bem! Nunca esteve, a diferença é que às vezes, a vontade de morrer aumenta. Sim, vontade de morrer! Não é o que vai acontecer com todo mundo, mais cedo ou mais tarde? Eu só quero que comigo seja o mais cedo possível.

Tá. Eu sei que tenho tudo, inclusive um buraco onde cabe toda a insatisfação do mundo. Eu gosto do que eu estudo, do meu trabalho, da minha família e toda essa lenga-lenga, que também me cansa. Gosto até da pessoa que me tornei. Mas imagine, eu poderia não gostar de nada disso, aí sim eu seria insuportável.

Eu vou para a academia, para a faculdade, ando de trem todo dia e sempre com o buraco enorme apertando minha garganta e me obrigando a fazer força para não começar a chorar. Quando olho pela a janela do 10º andar da Assembléia, vejo aquela vista linda, o Guaíba, o céu, as copas das árvores... Por um instante eu gosto de estar viva. Mas a tristeza vem com força me deixando com vergonha da vontade de morrer, apesar da paisagem.

Para a psicóloga, isso é depressão. Para os meus pais, um pecado. Para meu irmão, é manha e para a grande maioria das pessoas, apenas uma moça calada. E por que eu falaria? Outro dia, uma colega me contou que esta grávida, eu perguntei se ela ia tirar. Pela cara que ela me olhou, era melhor ter ficado quieta. E eu prefiro, apesar da fama de chata, metida, arrogante.

Então eu não falo. Falo só com o buraco. É uma briga de vozes interior, incrível. E rezo, todo dia, para isso acabar logo. Se não a vida, ao menos meu cansaço. Cansei de pedir socorro também. Ninguém escuta! E de tanto dizer que está tudo bem, eu já me tornei uma excelente atriz.

Também tô cansada de escrever para tornar tudo mais suportável! Ah, parecia que eu era uma aspirante a escritora-intelectualóide? Bobagem! Sou uma aspirante a porra nenhuma. Afinal, de que adiante, faculdade, formatura, sexo, trabalho, família, compromissos, obrigações... se vamos morrer mesmo?

Saturday, March 01, 2008

3Q + COP e a saudade

Começou mais um semestre na faculdade, para mim, o último! E começou corrido, todas as disciplinas práticas, com aulas até o último minuto e a correria do trabalho de conclusão.

E me lembro, como se fosse ontem, do meu primeiro dia na Unisinos. Uma quinta-feira de manhã, calor, nublado, sala 3D 107, introdução ao jornalismo. A Tayza, a primeira colega com quem conversei, hoje faz administração. E nessas quintas feiras que aprendi a receita para fazer notícia, o essencial para um lead. 3Q + COP (Que, Quem, Quando, Como, Onde e Porque), teoricamente, uma boa notícia tem que responder a essas perguntas.

E nesses anos todos tive muitas descobertas, notas baixas, notas altas, já cheguei atrasada, matei aula, fiquei de bobeira no DCE, me perdi, não achei algum livro na biblioteca, tive medo de apresentar um trabalho, tive certeza que daria certo, fiquei na fila do DCE pra comprar quentão, assisti aos shows da calourada, participei de protesto contra o aumento da mensalidade, esqueci de pegar o texto no xérox, passei frio nos estúdios da TV, fui no laguinho, gravei uma rádio novela, almocei no restaurante universitário, perdi o último ônibus porque tava tomando cerveja no Rapach, entrei na sala errada, fugi dos quero-queros, me deparei com o lagarto, comi panqueca do Alemão, gravei um documentário, fui numa festa no matinho, comecei um curso no Unilínguas, paguei multa na biblioteca, fiquei presa no elevador, pensei em mudar de curso, pensei em largar tudo. E me dei conta que nem sempre o 3Q + COP é a única opção, às vezes é melhor se aprofundar no assunto.

Hoje, no último semestre, caminho nos corredores e conheço a maioria das pessoas. Não me perco mais. A Unisinos continua grande, mas seu tamanho não me assusta. Os professores, tão inteligentes, se tornaram colegas, nos lembram o tempo todo que “somos jornalistas”.

Ontem, numa sexta-feira, saindo apressada porque o professor liberou mais tarde, passei por uma sala vazia, onde estava escrito no quadro: 3Q + COP. Olhei para o lado e vi o espaço vazio que sobrou de um DCE incendiado. Me deu um nó na garganta e eu senti saudade. Antecipada. O que vem depois da temida banca e da esperada formatura? Ainda não sei, mas quando souber vou escrever uma matéria de primeira página, com um lead respondendo o 3Q + COP.

Saturday, February 23, 2008

Música linda!!!!!!!!!!!!!!!

De todas as canções que falam de amor, essa é para mim, a melhor de todas. É do Jacques Brel. No Brasil, a cantora Maysa foi uma das primeira a cantar. Em 2001, ficou conhecida na minissérie Presença de Anita, da Rede Globo.

Porque eu acho a melhor? Quem gostaria de cavar a terra para cobrir o corpo de um amor já morto? Quem acharia melhor se tornar a sombra de um cachorro a ser abandonada por um amor? Sem mais delongas, a música é linda porque é da mesma grandeza do amor.

Ne me quitte pas


Ne me quitte pas- Não me deixe
Il faut oublier- Devemos esquecer
Tout peut s'oublier- Tudo pode ser esquecido
Qui s'enfuit déjà- Que já tenha passado
Oublier le temps- Esquecer os tempos
Des malentendus- Dos mal-entendidos
Et le temps perdu- E os tempos perdidos
A savoir comment- Tentando saber como
Oublier ces heures- Esquecer as horas
Qui tuaient parfois- Que as vezes mataram
A coups de pourquoi- Com sopros de porque
Le coeur du bonheure- O coração de felicidade

Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe

Moi je t'offrirai- Eu vou te oferecer
Des perles et des pluie- Pérolas de chuva
Venues de pays- Que vêm dos países
Où il ne pleut pas- Onde não chove
Je creuserai la terre- Eu vou cavar a terra
Jusqu'après ma mort- Até a minha morte
Pour couvrir ton corps- Para cobrir teu corpo
D'or et de lumière- De ouro e luzes
Je ferai un domaine- Eu farei uma terra
Où l'amour sera roi- Onde o amor será rei
Où l'amour sera loi- Onde o amor será lei
Où tu seras reine- Onde tu serás rainha

Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe

Ne me quitte pas- Não me deixe
Je t'inventerai- Eu inventarei
Des mots insensés- Palavras sem sentido
Que tu comprendras- Que tu compreenderás
Je te parlerai- Eu te falarei
De ces amants-là- Sobre os amantes
Qui ont vu deux fois- Que viram duplamente
Leurs coeurs s'embraser- Seus corações incendiarem-se
Je te racontrai- Eu te contarei
L'histoire de ce roi- A história deste rei
Mort de n'avoir pas- Morto por não poder
Pu te rencontrer- Te reencontrar

Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe

On a vu souvent- Nós freqüentemente vemos
Rejaillir le feu- Renascer o fogo
De l'ancien volcan- Do vulcão antigo
Qu'on croyait trop vieux- Que pensamos estar velho demais
Il est paraît-il- Nos é mostrado
Des terres brûlées- Em terras que foram queimadas
Donnant plus de blé- Nascendo mais trigo
Qu'un meilleur avril- Do que no melhor abril
Et quand vient le soir- E quando vem a noite
Pour qu'un ciel flamboie- Com um céu flamejante
Le rouge et le noir- O vermelho e o negro
Ne s'épousent-ils pas- Não se casam

Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe

Ne me quitte pas- Não me deixe
Je ne vais plus pleurer- Eu não vou mais chorar
Je ne vais plus parler- Eu não vou mais falar
Je me cacherai là- Eu me esconderei lá
A te regarder- Para te contemplar
Danser et sourire- A dançar e sorrir
Et à t'écouter- E para te ouvir
Chanter et puis rire- Cantar e então rir
Laisse-moi devenir- Deixa que eu me torne
L'ombre de ton ombre- A sombra da tua sombra
L'ombre de ta main- A sombra da tua mão
L'ombre de ton chien- A sombra do teu cachorro
Ne me quitte pas- Não me deixe

Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe

Thursday, February 14, 2008

Mais três pedidos

- Alguns livros na lista dos mais vendidos, uma carreira bem sucedida e mais três pedidos;
- Um amor que eu acredite, uma casa numa praia deserta e mais três pedidos;
- Uma noite com o Brad Pitt, um caso com o Wagner Moura e mais três pedidos;
- Um beijo apaixonado, um abraço apertado e mais três pedidos;
- Uma bunda sem celulite, chocolate que não engorda e mais três pedidos;
- Sorvete com negrinho e açaí na tigela para todos, colesterol baixo e mais três pedidos;
- Uma máquina de sorvete na minha casa, tempo de sobra para fazer o que eu quiser e mais três pedidos;
- Saltar de pára-quedas, ir até Ushuaia de moto e mais três pedidos
- Um coração sem mágoas e culpas, uma costa sem dor e mais três pedidos;
- Uma família com jeito de comercial de margarina, uma casa com uma árvore centenária no meio e mais três pedidos;
- Dançar nos Emirados Árabes, fazer boneco na neve e mais três pedidos;
- Seis meses no barco do Greenpeace, correr a São Silvestre e mais três pedidos;
- Uma viagem no espaço, um parque de diversões no jardim e mais três pedidos;
- Algodão doce vermelho, que salto alto não doa os pés e mais três pedidos;
- Um safári na África, um carro para rodar a Europa e mais três pedidos;
- Um retiro na Índia, desfilar numa escola de samba carioca e mais três pedidos;
- Praias sem poluição, rios limpos e mais três pedidos;
- Líderes com coração, políticos honestos e mais três pedidos;
- Crianças sem fome, adultos com emprego e a capacidade de reconhecer a felicidade.

Se um dia eu encontrar algum gênio da lâmpada, é isso que vou pedir!

Saturday, February 09, 2008

O que eu tô fazendo aqui?

Eu não sei. Eu nunca soube responder a essa pergunta. Uma vez li que a gente tem que viver as perguntas e, se um dia conseguir, viver as respostas. Essa resposta, acho que não vou viver, porque simplesmente não entendo o que eu tô fazendo aqui!

O trabalho está fervendo, tudo normal, a correria de sempre (ou o marasmo de sempre), notícia para mandar para os jornais do interior, foto para selecionar, entrevistas para marcar... E de repente me pergunto o que eu tô fazendo ali!? Sim, trabalhando. Mas, o que mais?

Na academia, entre um exercício e outro. Tentando enrolar o professor para malhar mais pernas do que braço. Conversando com e um e com outro. Às vezes na posição mais imprópria e desconfortável do mundo, me pergunto o que eu faço ali!? Estaria ali apenas para ter uma bunda mais dura e uma barriga menor?

Tentando me concentrar na aula, sem ficar escrevendo nas últimas folhas do caderno, sem olhar todo minuto para o relógio, sem conversar demais... Ou simplesmente, concentrada numa aula, me vem a dúvida cruel: o que estou fazendo ali!? Não, eu não queria estar numa aula de fisiologia ou matemática avançada IV ou história do direito no antigo Egito. Estou onde queria estar. Mas o que, exatamente, faço ali?

Em festas é batata. Estou lá, entre uma música e outra, me dividindo entre o bar, a fila do banheiro e a pista de dança, mas já fico a espera desse momento. Porque esse pânico de “o que estou fazendo aqui” sempre surge nas festas. Eu não gosto muito de festas e nunca sei o que estou fazendo quando vou em alguma...

Até escrevendo. É sábado de noite, quase domingo, vou virar a madruga digitando algo que espero valer a leitura de alguém. Estou fazendo uma das coisas que eu mais gosto, ouvindo Nando Reis, um dos cantores que mais gosto, falando com uma amiga que amo no msn, pensando na próxima frase, torcendo para ela sair do jeito que eu gosto. Mas e daí? O que eu estou fazendo aqui? Escrevendo, mas e além disso?

Thursday, February 07, 2008

Chance

Eu tinha 5 anos, estava na pré-escola, falava errado e chorava todo dia que meu pai parava com o carro na frente da escolinha. Ele se chamava Gustavo, estava no jardim, tinha uma cor dourada, um sorriso lindo, uma roupa do Batman... Foi a primeira vez que prestei atenção no sexo oposto. Mas o Gustavo gostava da Bárbara, minha melhor amiga do pré. Ela fazia balé, pintava os desenhos sem borrar, era filha única e não chorava. Sempre antes de começar a aula, o Gustavo pedia para eu trocar de lugar com ele, assim ficava do lado da Bárbara. E mesmo gostando dele, eu trocava.

Na segunda série eu gostava do Bruno, continuava falando errado e mal abria a boca para responder a chamada. Ele era meu vizinho, jogava futebol tão bem que participava de campeonatos, era filho de militar e carioca. Mas o Bruno gostava da Lidiane, que era a dona do título de “Garota da Escola”, jogava vôlei, queria ser modelo e não era gordinha como eu. Um dia, o pai dele foi transferido e o Bruno foi a minha casa se despedir e pedir para eu entregar uma carta dele para a Lidi. Mesmo gostando dele, eu entreguei.

O Rafael já tinha 11 anos na quarta série, era sobrinho da diretora do colégio e usava calças jeans. O Rafa gostava da Jéssica, da quinta série, que usava calça de cintura baixa e salto alto, só que a Jéssica estava praticamente rodada em português. Enquanto eu tinha 10 em português, apesar de ainda falar errado e ser a minha mãe que ainda escolhia minhas roupas. Um dia teve um concurso de redação para o jornalzinho da escola e para ajudar a Jéssica, ele pediu para eu escrever uma redação para ela. Mesmo gostando dele, eu escrevi. E perdi o meu primeiro prêmio jornalístico.

Eu não falava mais errado, mas me sentia uma aberração por nunca ter beijado na boca com 14 anos. O colégio inteiro sabia que eu gostava do Guilherme, da oitava série. Ele era fera em matemática, não precisava ir nas educações físicas porque já jogava no time do colégio. Mas o Gui gostava da Michele, que tinha seios e sabia rebolar e dançar as músicas do É o Tchan. Um dia, na festinha de São João, ele veio falar comigo. Até hoje lembro da sensação do meu coração quase saindo pela boca. O Gui veio pedi para eu marcar um encontro entre ele e a Michele. E mesmo gostando dele, eu marquei.

Tuesday, February 05, 2008

Gosto

De Ramones e Bob Marley. De Bonde do Rolê e Fito Paez. De Beatles e Cássia Eller. Da Magali e da Fiona. De negrinho com sorvete e banana com bolacha Maria. De pão de queijo e feijão velhos. De sábado e domingo. De Nick Carter e Leonardo DiCaprio. De bolinhas de sabão e malabáris. De algodão doce e churros. De açaí sem granola e cachorro-quente sem salsicha. De ler e escrever. De novelas das 21h e Fantástico. De Sartre e Jostein Gaarder. De Simone de Beauvoir e Claúdia Tajes. De “O Dia do Curinga” e “Feliz Ano Velho”. De balas vermelhas e roupas azuis. De sorvete de chocolate e flocos. De site de fofoca e de literatura. De borboletas e fadas. De estrelas e lua. De café amargo e leite frio. De banho quente e toalha seca. De ler jornal e revista. De tatuagens e piercings. De praia e trilha. De “Uma Linda Mulher” e “Quase Famosos”. De bolsas e sapatos. De artesanato e bijuterias. De poesias e crônicas. De dormir tarde e acordar tarde. De histórias de amor e crimes passionais. De piadas e senso de humor inteligente. De caminhar e de correr. De dançar e de malhar. De dormir só de calcinha no frio e com edredom até no calor. De botas de plataforma e sandálias de salto fino. De mini-saia e batas. De shampoo e condicionador. De trabalho e férias. De feriado e cinema. De chuva e vento. De andar de meia e pé no chão...

Fazer o quê? Gosto não se discute...

Sunday, February 03, 2008

Tudo bem

Porque a gente lembra de certas coisas?
E de certas pessoas?
Saco! Na verdade, verdadeira. Lá bem no fundinho. Eu dispensava uma carreira bem sucedida, uma gorda conta bancária, um amor que valesse a pena, etc...
Eu só queria esquecer!!!!!!!!!!!!

Tudo bem - Lulu Santos e Nelson Motta

Já não tenho dedos pra contar
De quantos barrancos despenquei
E quantas pedras me atiraram
Ou quantas atirei
Tanta farpa tanta mentira
Tanta falta do que dizer
Nem sempre é "so easy" se viver

Hoje eu não consigo mais me lembrar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão
Eu já deixei
Tantos bons quanto maus motivos
Tantas vezes desilusão
E quase
Quase nunca a vida é um balão

Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
É encostar no seu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem
tudo bem

Já não tenho dedos pra contar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão
Eu já deixei
Tantos bons quanto maus motivos
Tantas vezes desilusão
E quase
Quase nunca a vida é um balão

Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
É encostar no seu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem
Tudo bem, tudo bem

Wednesday, January 30, 2008

O que eu vou ser quando eu crescer

Desde criança quero ser jornalista. Mas sempre tive outras opções, veterinária, professora, aeromoça, artesã, socióloga, médica, escritora... Agora que sou jornalista (ainda não me formei, mas como trabalho com isso, já me considero), sei que o jornalismo é cruel.

Ainda é meu sonho, mas agora real. E a realidade de fazer reportagens, ouvir fontes, diagramar, fazer realeses, mandar realises, fazer clipagem, editar... Cansa e se torna banal, comum. Perdeu a fantasia do sonho, ganhou a dureza da realidade.

Então eu penso, se um dia tiver que escolher outra profissão? Lembro das opções que tinha quando criança. Veterinária: não. Desisti da idéia quando me dei conta que os bicinhos chegariam até mim com problemas e não sadios, como eu gosto de vê-los.

Professora: só se for na faculdade. É lindo, divino ensinar crianças e adolescentes, mas não é para mim. Aeromoça: não tenho mais tempo para seguir carreira e nem altura para começar. Nem sempre somos do tamanho dos nossos desejos. Artesã: não levo jeito, atividades manuais não são pra mim, embora já tenha tentado muitas vezes. Prefiro fazer artes com as letras.

Socióloga: acho muito bacana. Queria trabalhar na ONU, até me dar conta que a ONU é uma entidade manipulada e com seus ideais falidos. Médica: só se fosse para trabalhar nos Médicos sem Fronteiras. Mas é muito difícil passar no vestibular e se não entendi os tais de logaritmos, parábolas, elementos orgânicos e inorgânicos até agora, não entendo mais...

Não me sobrou muitas opções... Então, quando eu crescer vou ser escritora, assim posso escrever sobre todas as coisas que eu gostaria de ser. Até lá eu vou brincando.

Tuesday, January 29, 2008

Quando não vale a pena

A história é simples. Num final de semana na Guarda do Embaú, eu e meus primos resolvemos conhecer o “famoso” Vale da Utopia. Famoso porque muita gente falava de lá, de como era lindo, tranqüilo, sossegado, astral, que o pessoal acampava, etc...

Fomos. Sobe morro, desce morro... Na maior expectativa pelo Vale, que a essas alturas, já chamávamos de Encantado. Caminhamos e caminhamos... Passamos por uma prainha pequena, com o mar mexido demais para banho, muita pedras. Sem sinal de gente por lá. Nada demais, apenas mais uma prainha. Seguimos.

Nos perdemos. Fomos sair na Praia de Cima, na Pinheira. Erramos o caminho em algum lugar, em algum morro... Nessas alturas, cansados, com sede, depois de horas de caminhada, tínhamos certeza de estávamos em busca de um Vale Perdido.

Como quem tem boca vai a Roma. Perguntamos para um, para outro. Caminhamos mais um pouco, subimos mais um morro e achamos o tal Vale. Que para a nossa surpresa, ou decepção, era aquela prainha pequena, com mar mexido. Nada demais.

Rimos com a certeza de que, na verdade, aquilo era o Vale das Ilusões. Não ficamos quinze minutos ali. Ao menos tinha uma fonte com água. E resignados, voltamos. Sobe morro, desce morro... Estávamos cansados, mas pior que o cansaço era a incomoda impressão de que não tinha valido a pena. Que o esforço foi em vão.

Passado alguns dias, mas ainda com dores nas pernas, fico pensando no nome do Vale, que só fui saber quando voltei de lá. Utopia. Não conheço alguém que não tenha gostado daquele lugar, só nos. Deve ter mais, com certeza. Mas gosto da Utopia. Porque na verdade, o que tornam as coisas utópicas, não é a realidade que vivemos e encontramos nas andanças pelo mundo. A utopia se esconde nas expectativas que criamos.

Sunday, January 20, 2008

LINDO!!!!!!!!!!

Lindo esse e-mail que recebi de uma amiga... Desses amores todos, o que sempre tenho é a esperança. O que, infelizmente, tenho é o orgulho. E a única vez que me apaixonei, acabei odiando e doente... Mas com muito sacrifício, estou tentando renunciar a esse ódio. Então hoje, além de trabalhar muito, eu sigo filosofando uma razão para essa loucura que é a vida.

Vida - É o amor existencial.
Razão - É o amor que pondera.
Estudo - É o amor que analisa.
Ciência - É o amor que investiga.
Filosofia - É o amor que pensa.
Religião - É o amor que busca a Deus.
Verdade - É o amor que eterniza.
Ideal - É o amor que se eleva.
Fé - É o amor que transcende.
Esperança - É o amor que sonha.
Caridade - É o amor que auxilia.
Fraternidade - É o amor que se expande.
Sacrifício - É o amor que se esforça.
Renúncia - É o amor que depura.
Simpatia - É o amor que sorri.
Trabalho - É o amor que constrói.
Indiferença - É o amor que se esconde.
Desespero - É o amor que se desgoverna.
Paixão - É o amor que se desequilibra.
Ciúme - É o amor que se desvaira.
Orgulho - É o amor que enlouquece.
Sensualismo - É o amor que se envenena.
Finalmente, o ódio, que julgas ser a antítese do amor, não é senão o próprio amor que adoeceu gravemente.

Thursday, January 17, 2008

Mudanças

Eu como carne, às vezes, mas como e ano Frango Xadrez. Eu detesto academia. Não gosto de crianças e não quero me casar. Eu sou dura como uma porta e não sei dançar nada. Espanhol não me interessa. Gosto de dormir até o meio da tarde. Eu não acredito em Deus.

A pessoa do parágrafo a cima, sou eu. Ou era, uma Renata de 10 anos atrás, talvez mais, talvez menos...

Eu sou vegetariana, não me lembro mais o gosto de um Frango Xadrez. Adoro lasanha de berinjela. Vou para a academia todos os dias, quando isso não acontece, me sinto culpada por abandonar meus pesinhos. Acho crianças interessantes e quero me casar e construir uma vida ao lado de alguém. Faço dança do ventre e me dei conta que dançar é só questão de treino. Preciso hablar spañol e a Espanha anda povoando meus sonhos. Prefiro acordar cedo para aproveitar bem o dia. Eu acredito em Deus e o temo, pois sou a prova que ele existe.

A pessoa desse parágrafo também sou eu. Agora. A Renata de hoje. Falta de personalidade, de coerência? Não. Normal, com todas as pessoas desse mundo que se pegam fazendo coisas que nunca imaginaram.

Nem tudo mudou, ainda leio gibi, como negrinho, flocos é o meu sorvete preferido... E talvez isso nem seja mudança. Seja apenas uma adaptação. Adaptação à vida. Sim, dá para viver sem carne, eu consigo dançar e vou aprender espanhol.

Posso descobrir que minha alegria se esconde numa pousada perdida no cantinho mais ao sul da Bahia. Quem sabe vire esquimó. Posso voltar a fazer cursinho e tentar passar em medicina na UFRGS. Morar na Colina do Sol e passar o resto da vida sem roupa. Me case com um sheik árabe e me tornar uma perua que usa calça de pele de boi, bolsa de cobra, sapato de jacaré...

Sim, tudo pode acontecer. O que não pode acontecer é o nada. É pararmos no tempo ou não assimila que o tempo passa e certas mudanças são necessárias. Outras acontecem tão naturalmente que nem nos damos conta. Quando percebemos estamos fazendo o que julgávamos ser impossível. E não é. É real, é natural, é mutável, é humano.

"Sábias são as pessoas que sabem viver. Tolo é aquele que, tendo defendido tese sobre barcos e mapas, não sonha com horizontes, não planeja viagens, não imagina portos. Anda sempre em terra firme por medo de naufrágio."
Rubem Alves

Wednesday, January 16, 2008

A louca do cobertor e outras espécies...

Excursão. Um friozinho suportável dentro do ônibus, por causa do ar. Nada que um casaquinho não resolvesse. Até que acordo com um grito de um ser que, por azar, sentava perto de mim.
- Se não desligar o ar, eu desço agora!
Como ela era uma louca e com loucos é melhor concordar, o ar foi desligado. O resultado: mais de trinta pessoas passam calor por causa da louca do cobertor.
Depois de tudo isso, ainda levaram um cobertor para a louca. Nessas noites frias que vem fazendo...

Trem quase lotado. Lá pelas 15 horas. Um menina, de no máximo 7 anos, brinca no corrimão do trem, bem no meio vagão. Brinca? Não. Literalmente, se esfrega. Roda de um lado para o outro, se mexe de um lado para o outro, rebola, sobe, desce... Dá um show no meio do vagão. Enquanto a mãe dela conversa animadamente e não se dá conta do futuro promissor da filha...

O homem entra no táxi e grita:
- Segue aquele carro!!!
O motorista se sente num filme americano que está passando na tela quente e segue o primeiro carro que vê. Roda a cidade inteira. O tal carro pára, o táxi pára. O passageiro sai, paga a passagem e agradece. O motorista fica sem entender o enredo do filme...

Início de uma madrugada. A mulher está se preparando para ir para a cama, quando se depara com uma barata. Sua primeira reação é gritar. Depois de partir para o ataque se esgoelando, vença a batalha. Claro que a essas alturas, o marido já acordou...
Batem na porta. É o vizinho.
- Seu Zé, lembra aquela extensão que você me pediu emprestado...? Está tudo bem?