François é um tipo raro e inesquecível. Conheci numa noite dessas em algum boteco da Cidade Baixa. Ele, o rei da República e da João Alfredo e da Lima e da João Pessoa... Uma amiga apareceu com o tipo a tira colo. Estão se pegando, os dois.
François, com esse nome, parece francês né? Mas não é, embora se apresente assim: “François, francê”. Nasceu na Restinga o moço, filho da Grace Kelly e do Michel Jackson, irmão mais velho de Ian Nick (outro tipo bastante peculiar)... Como vocês podem perceber, uma família de exemplares ímpares.
Nasceu com a democracia e influenciado por referências culturais estadunidenses. Contemporâneo do Plano Real, dos Mamonas Assassinas e do É o Tchan. Chorou muito até ganhar do Papai Noel um Atari e acordava cedo para ver a Xuxa descer da nave espacial cor de rosa. No começo, tinha medo de computadores, mas viu o advento da internet, da globalização, dos emails, dos chats, das conversas instantâneas e hoje é dependente de toda e qualquer rede social que existe.
Mas, quando François era aluno de uma escola pública da zona oeste da capital, não havia bullying, nem crianças hiperativas e disléxicas. Apenas garotos problemas. E antes de tocar terror na Cidade Baixa e arredores, François tocou terror na Restinga e nos colégios por onde passou.
Ele não era assim, um aluno exemplar, mas sempre possuiu uma inteligência apurada e um comportamento diferenciado, capaz de marcar todas as jovens professorinhas que passaram por ele. Muito prestativo, sempre se candidatava a ajudante do dia, assim tinha acesso fácil à sala dos professores, e as bolsas das mesmas. Sim, ele “roubava” dinheiro delas.
Porém a vida escolar de François se divide em antes e depois da maior cagada de sua vida infantil. Inteligente o suficiente para conquistar a simpatia dos professores, sempre tinha defensores. Até o dia que percebendo o sistema de merda que é a sociedade, ele resolveu realizar um protesto solitário e ousado. Durante vários dias, ele cagou em cima das mesas das professorinhas. Foi uma decepção para elas, quando o mistério escatológico foi resolvido, mas nesse momento morria o garoto problema e nascia o mito.
E o mito, eu garanto para vocês, é gente boa, faz o estilo sujinho de all star, cavanhaque e dreads nos cabelos. Nunca concluiu uma faculdade, mas se formou na escola da vida. Nada mal para quem poderia estar roubando, estar matando ou ainda pior, pedindo voto.
Wednesday, June 29, 2011
Tuesday, June 28, 2011
Escrevinhadora
Quando era criança, queria ser escritora quando crescesse. Primeiro veio a necessidade de ter uma profissão que me possibilitasse escrever, para depois escolher pelo jornalismo. Na escola e no cursinho pré vestibular ganhei alguns concursos de contos e afins... No início da adolescência, sempre presenteava as amigas com histórias e minha primeira fonte de renda foi a venda de redações para os colegas durante os três anos do ensino médio.
Provavelmente uma das melhores ofertas de emprego que tive, eu recusei porque não escreveria com a freqüência que gostaria. Logo depois de formada, trabalhei como free lancer num jornal conhecido da região metropolitana. Após um tempo, fizeram a proposta de me contratar como diagramadora. Apenas diagramadora. O salário, na época, era o dobro do que ganho hoje e, eu recusei. Por mais que goste de montar quebra cabeças em páginas de jornal, tenho certeza que se aceitasse, logo me transformaria numa profissional insatisfeita e com inveja dos colegas que escreviam.
Resumindo, ainda quero ser escritora quando eu crescer. Tá, já cresci, eu sei. Além disso, dizem que os livros estão com os dias contados e que são raras as editoras que topam lançar novos nomes num mercado cada vez mais tecnológico. Pior que isso, o Brasil tem um dos menores índices de leitura do mundo.
Apesar de tudo, o mais estranho é que de todos os meus sonhos, desejos e plano esse é o único que não tenho nenhuma pressa de realizá-lo, isso se um dia realizá-lo. E eu não sei explicar o motivo. Essa é a única questão em que “deixo a vida me levar”. Claro, que nenhum editor irá bater na minha porta pedindo para eu publicar algo.
Às vezes justifico esse meu “marasmo” com o fato de quase sempre escrevo na primeira pessoa e isso gera algumas confusões, mas também é um baita recurso de proximidade com qualquer leitor. Quem lê, também lê na primeira pessoa. E muitas vezes, o nosso umbigo reflete o umbigo alheio.
Volta e meia alguém me pergunta sobre um possível livro e isso me deixa lisonjeada, embora eu nunca saiba ao certo o que responder. Talvez me falte fôlego para escrever uma história coerente, ou vontade, ou disciplina... Provavelmente, um dia não irá bastar escrever notícias no trabalho, reflexos no blog, frases curtas no twitter e loucuras no meu diário (sim, eu tenho diário). Mas com certeza, vou ser escritora quando eu crescer!
“Queria tanto que alguém me amasse por alguma coisa que eu escrevi.” Caio Fernando Abreu
Provavelmente uma das melhores ofertas de emprego que tive, eu recusei porque não escreveria com a freqüência que gostaria. Logo depois de formada, trabalhei como free lancer num jornal conhecido da região metropolitana. Após um tempo, fizeram a proposta de me contratar como diagramadora. Apenas diagramadora. O salário, na época, era o dobro do que ganho hoje e, eu recusei. Por mais que goste de montar quebra cabeças em páginas de jornal, tenho certeza que se aceitasse, logo me transformaria numa profissional insatisfeita e com inveja dos colegas que escreviam.
Resumindo, ainda quero ser escritora quando eu crescer. Tá, já cresci, eu sei. Além disso, dizem que os livros estão com os dias contados e que são raras as editoras que topam lançar novos nomes num mercado cada vez mais tecnológico. Pior que isso, o Brasil tem um dos menores índices de leitura do mundo.
Apesar de tudo, o mais estranho é que de todos os meus sonhos, desejos e plano esse é o único que não tenho nenhuma pressa de realizá-lo, isso se um dia realizá-lo. E eu não sei explicar o motivo. Essa é a única questão em que “deixo a vida me levar”. Claro, que nenhum editor irá bater na minha porta pedindo para eu publicar algo.
Às vezes justifico esse meu “marasmo” com o fato de quase sempre escrevo na primeira pessoa e isso gera algumas confusões, mas também é um baita recurso de proximidade com qualquer leitor. Quem lê, também lê na primeira pessoa. E muitas vezes, o nosso umbigo reflete o umbigo alheio.
Volta e meia alguém me pergunta sobre um possível livro e isso me deixa lisonjeada, embora eu nunca saiba ao certo o que responder. Talvez me falte fôlego para escrever uma história coerente, ou vontade, ou disciplina... Provavelmente, um dia não irá bastar escrever notícias no trabalho, reflexos no blog, frases curtas no twitter e loucuras no meu diário (sim, eu tenho diário). Mas com certeza, vou ser escritora quando eu crescer!
“Queria tanto que alguém me amasse por alguma coisa que eu escrevi.” Caio Fernando Abreu
Sunday, June 26, 2011
Bola pra frente
O blog está quase criando mofo, não por falta de vontade, há muito que falar, mas às vezes nossos maiores silêncios são justamente, fruto de grandes gritarias internas. Eu gosto muito de escrever, penso que essa é a maneira que melhor me expresso e tenho textos prontos, porém não consigo postá-los. Não sem antes, colocar as palavras que estão há dias tentando sair. Parece uma traição se eu postar algo que não sinta no momento.
Eu estou melhor, muito melhor, porém isso não significa que estou feliz ou infeliz. O último ano foi muito intenso, principalmente de emoções. Conheci uma das pessoas mais importantes da minha vida e tive que aprender a viver sem ela. Muitas vezes, desejei egoistamente, que ele tivesse morrido, assim seria mais fácil de aceitar.Também estive muito perto de me matar por não querer continuar sem ter a chance de viver o que eu sentia.
Ironicamente, foi no meio disso tudo que eu fui viajar. Conhecer a Europa sempre foi um sonho. E ter realizado um sonho quando o que eu mais queria era morrer, me ensinou muitas coisas. Hoje eu penso que eu só não me matei porque eu tinha essa viagem pra fazer, mesmo tendo entrado no avião torcendo para que ele caísse.
Abre parênteses: eu não tenho problema nenhum em falar de suicídio. Não foi a primeira vez que pensei nisso e pelo meu histórico, sei que provavelmente vou ter essas crises outras vezes ao longo da vida. Talvez um dia eu consiga me matar ou talvez eu sempre supere essas crises. Fecha parênteses.
Voltando ao o que eu quero dizer e está tão difícil. Eu estou visualizando uma vida daqui pra frente, mesmo sem ele, mesmo correndo o risco de me tornar uma mulher amarga. Eu quero comprar meu apartamento ano que vem, já estou louca pra viajar de novo, vou voltar a estudar espanhol, voltei a levar a sério a dança do ventre e ando pensando num mestrado no exterior, mas num lugar próximo para eu não morrer de saudade. Estou com dois empregos bacanas que me ocupam o suficiente para eu chegar em casa podre de cansada.
Eu não estou feliz, como disse antes, apenas estou vivendo! Continuo amando esse homem, chorando de saudade, enxergando ele em todos os lugares, sentindo o seu perfume, vendo o filho dele em todas as crianças que cruzam por mim na rua. Ainda guardo um livro que trouxe para ele de Barcelona, cuido da sua camiseta como quem cuida do maior tesouro do mundo. E tenho certeza absoluta que o dia mais feliz da minha vida, foi quando recebi um email dele. Sim, eu trocaria qualquer apartament no meu nome, mestrado noo exterior e viagens para poder dormir e acordar do lado dele.
Agora são quase 21h, estou escrevendo esse texto desde às 18h30, acho que vou estar mais leve quando terminá-lo. Tanto esforço, físico e mental, para dizer que no momento, quero viver, que não deixei de amar esse homem, mas talvez seja justamente vivendo, que um dia ele volte, mais maduro e pleno ou eu me torne merecedora de viver o que sinto.
Tenho consciência de que a vida foi muito boa comigo, eu sempre tive dois sonhos: ser jornalista e viajar. Já realizei os dois. Sei que não preciso ser rica para viajar e minha timidez nunca foi empecilho para a minha profissão. Nesses meus 20 e poucos anos já tive algumas boas surpresas e amar esse homem foi sem dúvida, a maior e melhor de todas.
Aquele filme “Show Bar”, de uma moça que sonha em ser cantora e vai para cidade dançar em cima das mesas de um bar, enquanto batalha a gravação de um CD, termina com uma pergunta: “o que se faz quando os sonhos se realizam?” Sempre que assistia esse filme eu respondia: “Começa a sonhar sonhos novos!” É isso, e agora está claro, eu voltei a sonhar.
“Você me pergunta “sairei do buraco?”. Sairá, sim. Sairá brilhantemente. As coisas agora vão começar a acontecer, é meio tipo ímã, uma coisinha vai magnetizando outra e outra e outra, você vai ver.” Caio Fernando Abreu
Eu estou melhor, muito melhor, porém isso não significa que estou feliz ou infeliz. O último ano foi muito intenso, principalmente de emoções. Conheci uma das pessoas mais importantes da minha vida e tive que aprender a viver sem ela. Muitas vezes, desejei egoistamente, que ele tivesse morrido, assim seria mais fácil de aceitar.Também estive muito perto de me matar por não querer continuar sem ter a chance de viver o que eu sentia.
Ironicamente, foi no meio disso tudo que eu fui viajar. Conhecer a Europa sempre foi um sonho. E ter realizado um sonho quando o que eu mais queria era morrer, me ensinou muitas coisas. Hoje eu penso que eu só não me matei porque eu tinha essa viagem pra fazer, mesmo tendo entrado no avião torcendo para que ele caísse.
Abre parênteses: eu não tenho problema nenhum em falar de suicídio. Não foi a primeira vez que pensei nisso e pelo meu histórico, sei que provavelmente vou ter essas crises outras vezes ao longo da vida. Talvez um dia eu consiga me matar ou talvez eu sempre supere essas crises. Fecha parênteses.
Voltando ao o que eu quero dizer e está tão difícil. Eu estou visualizando uma vida daqui pra frente, mesmo sem ele, mesmo correndo o risco de me tornar uma mulher amarga. Eu quero comprar meu apartamento ano que vem, já estou louca pra viajar de novo, vou voltar a estudar espanhol, voltei a levar a sério a dança do ventre e ando pensando num mestrado no exterior, mas num lugar próximo para eu não morrer de saudade. Estou com dois empregos bacanas que me ocupam o suficiente para eu chegar em casa podre de cansada.
Eu não estou feliz, como disse antes, apenas estou vivendo! Continuo amando esse homem, chorando de saudade, enxergando ele em todos os lugares, sentindo o seu perfume, vendo o filho dele em todas as crianças que cruzam por mim na rua. Ainda guardo um livro que trouxe para ele de Barcelona, cuido da sua camiseta como quem cuida do maior tesouro do mundo. E tenho certeza absoluta que o dia mais feliz da minha vida, foi quando recebi um email dele. Sim, eu trocaria qualquer apartament no meu nome, mestrado noo exterior e viagens para poder dormir e acordar do lado dele.
Agora são quase 21h, estou escrevendo esse texto desde às 18h30, acho que vou estar mais leve quando terminá-lo. Tanto esforço, físico e mental, para dizer que no momento, quero viver, que não deixei de amar esse homem, mas talvez seja justamente vivendo, que um dia ele volte, mais maduro e pleno ou eu me torne merecedora de viver o que sinto.
Tenho consciência de que a vida foi muito boa comigo, eu sempre tive dois sonhos: ser jornalista e viajar. Já realizei os dois. Sei que não preciso ser rica para viajar e minha timidez nunca foi empecilho para a minha profissão. Nesses meus 20 e poucos anos já tive algumas boas surpresas e amar esse homem foi sem dúvida, a maior e melhor de todas.
Aquele filme “Show Bar”, de uma moça que sonha em ser cantora e vai para cidade dançar em cima das mesas de um bar, enquanto batalha a gravação de um CD, termina com uma pergunta: “o que se faz quando os sonhos se realizam?” Sempre que assistia esse filme eu respondia: “Começa a sonhar sonhos novos!” É isso, e agora está claro, eu voltei a sonhar.
“Você me pergunta “sairei do buraco?”. Sairá, sim. Sairá brilhantemente. As coisas agora vão começar a acontecer, é meio tipo ímã, uma coisinha vai magnetizando outra e outra e outra, você vai ver.” Caio Fernando Abreu
Sunday, June 12, 2011
Só por hoje...
Só por hoje eu não vou chorar.
Só por hoje eu não vou acordar pensando em você.
Só por hoje eu não vou imaginar como seria viver com você para a viagem de trem passar mais rápido.
Só por hoje eu vou me concentrar no trabalho e fazer tudo direitinho.
Só por hoje eu não vou deixar que a saudade vire estupidez e eu brigue com alguém.
Só por hoje eu vou sair com as minhas amigas e vou falar amenidades, sem me dar conta de como eu queria que você estivesse ali.
Só por hoje eu vou vestir a roupa que eu quiser sem pensar se você iria gostar.
Só por hoje eu vou caminhar pelas ruas sem desejar dar de cara com você numa esquina qualquer.
Só por hoje eu não vou imaginar como vai ser se um dia eu te encontrar, só para meu coração acelerar e me sentir viva.
Só por hoje eu não vou desejar sonhar com você.
Só por hoje eu não vou entrar no teu Orkut. Nem no site do IGP. Nem no de Santa Maria.
Só por hoje eu não vou te ligar só pra escutar você dizer “alô”.
Só por hoje eu não vou falar de você para as minhas amigas.
Só por hoje eu não vou lamentar que passei um dia sem notícias suas cada vez que deitar na cama.
Só por hoje eu não vou beber até me sentir anestesiada.
Só por hoje eu vou conseguir olhar para o lado e enxergar um exemplar do sexo oposto e vou achar esse ser bonito.
Só por hoje eu não vou tomar remédio pra dormir.
Só por hoje eu não vou falar mal de Deus, nem do Diabo.
Só por hoje eu vou acreditar em qualquer coisa que me faça bem.
Só por hoje eu não vou ficar olhando tua foto.
Só por hoje eu não vou correr cada vez que meu celular tocar, torcendo pra ser você.
Só por hoje eu não vou pensar no que você estará fazendo cada vez que olhar no relógio.
Só por hoje eu não vou lembrar do teu filho cada vez que eu vê uma criança na rua.
Só por hoje eu não vou entrar no meu email a cada cinco minutos só para ver se você mandou algum email.
Só por hoje eu não vou pensar em me matar.
Só por hoje eu vou fingir que tá tudo bem.
Só por hoje eu não vou acordar pensando em você.
Só por hoje eu não vou imaginar como seria viver com você para a viagem de trem passar mais rápido.
Só por hoje eu vou me concentrar no trabalho e fazer tudo direitinho.
Só por hoje eu não vou deixar que a saudade vire estupidez e eu brigue com alguém.
Só por hoje eu vou sair com as minhas amigas e vou falar amenidades, sem me dar conta de como eu queria que você estivesse ali.
Só por hoje eu vou vestir a roupa que eu quiser sem pensar se você iria gostar.
Só por hoje eu vou caminhar pelas ruas sem desejar dar de cara com você numa esquina qualquer.
Só por hoje eu não vou imaginar como vai ser se um dia eu te encontrar, só para meu coração acelerar e me sentir viva.
Só por hoje eu não vou desejar sonhar com você.
Só por hoje eu não vou entrar no teu Orkut. Nem no site do IGP. Nem no de Santa Maria.
Só por hoje eu não vou te ligar só pra escutar você dizer “alô”.
Só por hoje eu não vou falar de você para as minhas amigas.
Só por hoje eu não vou lamentar que passei um dia sem notícias suas cada vez que deitar na cama.
Só por hoje eu não vou beber até me sentir anestesiada.
Só por hoje eu vou conseguir olhar para o lado e enxergar um exemplar do sexo oposto e vou achar esse ser bonito.
Só por hoje eu não vou tomar remédio pra dormir.
Só por hoje eu não vou falar mal de Deus, nem do Diabo.
Só por hoje eu vou acreditar em qualquer coisa que me faça bem.
Só por hoje eu não vou ficar olhando tua foto.
Só por hoje eu não vou correr cada vez que meu celular tocar, torcendo pra ser você.
Só por hoje eu não vou pensar no que você estará fazendo cada vez que olhar no relógio.
Só por hoje eu não vou lembrar do teu filho cada vez que eu vê uma criança na rua.
Só por hoje eu não vou entrar no meu email a cada cinco minutos só para ver se você mandou algum email.
Só por hoje eu não vou pensar em me matar.
Só por hoje eu vou fingir que tá tudo bem.
Wednesday, June 08, 2011
Carta Anônima
"Os sobreviventes" é o conto do Caio Fernando Abreu que mais gosto. O segundo é esse, "Carta Anônima". Reproduzo o texto abaixo, porque hoje o li inúmeras vezes, acho de uma beleza tão singela. Amo a capacidade que o Caio tinha de descrever situação tão banais com uma riqueza de detalhes e uma percepção única. Segue a carta:
Carta Anônima
"Tenho trabalhado tanto, mas penso sempre em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assentada aos poucos e com mais força enquanto a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos. Tão transparentes que até parecem de vidro, vidro tão fino que, quando penso mais forte, parece que vai ficar assim clack! e quebrar em cacos, o pensamento que penso de você. Se não dormisse cedo nem estivesse quase sempre cansado, acho que esses pensamentos quase doeriam e fariam clack! de madrugada e eu me veria catando cacos de vidro entre os lençóis. Brilham, na palma da minha mão. Num deles, tem uma borboleta de asa rasgada. Noutro, um barco confundido com a linha do horizonte, onde também tem uma ilha. Não, não: acho que a ilha mora num caquinho só dela. Noutro, um punhal de jade. Coisas assim, algumas ferem, mesmo essas que são bonitas. Parecem filme, livro, quadro. Não doem porque não ameaçam. Nada que eu penso de você ameaça. Durmo cedo, nunca quebra.
Daí penso coisas bobas quando, sentado na janela do ônibus, depois de trabalhar o dia inteiro, encosto a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr, e penso demais em você. Quando não encontro lugar para sentar, o que é mais freqüente, e me deixava irritado, descobri um jeito engraçado de, mesmo assim, continuar pensando em você. Me seguro naquela barra de ferro, olho através das janelas que, nessa posição, só deixam ver metade do corpo das pessoas pelas calçadas, e procuro nos pés daquelas aqueles que poderiam ser os seus. (A teus pés, lembro.). E fico tão embalado que chego a me curvar, certo que são mesmo os seus pés parados em alguma parada, alguma esquina. Nunca vejo você - seria, seriam? Boas e bobas, são as coisas todas que penso quando penso em você. Assim: de repente ao dobrar uma esquina dou de cara com você que me prega um susto de mentirinha como aqueles que as crianças pregam umas nas outras. Finjo que me assusto, você me abraça e vamos tomar um sorvete, suco de abacaxi com hortelã ou comer salada de frutas em qualquer lugar. Assim: estou pensando em você e o telefone toca e corta o meu pensamento e do outro lado do fio você me diz: estou pensando tanto em você. Digo eu também, mas não sei o que falamos em seguida porque ficamos meio encabulados, a gente tem muito pudor de parecer ridículos melosos piegas bregas românticos pueris banais. Mas no que eu penso, penso também que somos meio tudo isso, não tem jeito, é tudo que vamos dizendo, quando falamos no meu pensamento, é frágil como a voz de Olívia Byington cantando Villa-Lobos, mais perto de Mozart que de Wagner, mais Chagal que Van Gogh, mais Jarmush que Win Wenders, mais Cecília Meireles que Nelson Rodrigues.
Tenho trabalhado tanto, por isso mesmo talvez ando pensando assim em você. Brotam espaços azuis quando penso. No meu pensamento, você nunca me critica por eu ser um pouco tolo, meio melodramático, e penso então tule nuvem castelo seda perfume brisa turquesa vime. E deito a cabeça no seu colo ou você deita a cabeça no meu, tanto faz, e ficamos tanto tempo assim que a terra treme e vulcões explodem e pestes se alastram e nós nem percebemos, no umbigo do universo. Você toca minha mão, eu toco na sua.
Demora tanto que só depois de passarem três mil dias consigo olhar bem dentro dos seus olhos e é então feito mergulhar numas águas verdes tão cristalinas que têm algas na superfície ressaltadas contra a areia branca do fundo. Aqualouco, encontro pérolas. Sei que é meio idiota, mas gosto de pensar desse jeito, e se estou em pé no ônibus solto um pouco as mãos daquela barra de ferro para meu corpo balançar como se estivesse a bordo de um navio ou de você. Fecho os olhos, faz tanto bem, você não sabe. Suspiro tanto quando penso em você, chorar só choro às vezes, e é tão freqüente. Caminho mais devagar, certo que na próxima esquina, quem sabe. Não tenho tido muito tempo ultimamente, mas penso tanto em você que na hora de dormir vezemquando até sorrio e fico passando a ponta do meu dedo no lóbulo da sua orelha e repito repito em voz baixa te amo tanto dorme com os anjos. Mas depois sou eu quem dorme e sonha, sonho com os anjos. Nuvens, espaços azuis, pérolas no fundo do mar. Clack! como se fosse verdade, um beijo."
Caio Fernando Abreu
Carta Anônima
"Tenho trabalhado tanto, mas penso sempre em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assentada aos poucos e com mais força enquanto a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos. Tão transparentes que até parecem de vidro, vidro tão fino que, quando penso mais forte, parece que vai ficar assim clack! e quebrar em cacos, o pensamento que penso de você. Se não dormisse cedo nem estivesse quase sempre cansado, acho que esses pensamentos quase doeriam e fariam clack! de madrugada e eu me veria catando cacos de vidro entre os lençóis. Brilham, na palma da minha mão. Num deles, tem uma borboleta de asa rasgada. Noutro, um barco confundido com a linha do horizonte, onde também tem uma ilha. Não, não: acho que a ilha mora num caquinho só dela. Noutro, um punhal de jade. Coisas assim, algumas ferem, mesmo essas que são bonitas. Parecem filme, livro, quadro. Não doem porque não ameaçam. Nada que eu penso de você ameaça. Durmo cedo, nunca quebra.
Daí penso coisas bobas quando, sentado na janela do ônibus, depois de trabalhar o dia inteiro, encosto a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr, e penso demais em você. Quando não encontro lugar para sentar, o que é mais freqüente, e me deixava irritado, descobri um jeito engraçado de, mesmo assim, continuar pensando em você. Me seguro naquela barra de ferro, olho através das janelas que, nessa posição, só deixam ver metade do corpo das pessoas pelas calçadas, e procuro nos pés daquelas aqueles que poderiam ser os seus. (A teus pés, lembro.). E fico tão embalado que chego a me curvar, certo que são mesmo os seus pés parados em alguma parada, alguma esquina. Nunca vejo você - seria, seriam? Boas e bobas, são as coisas todas que penso quando penso em você. Assim: de repente ao dobrar uma esquina dou de cara com você que me prega um susto de mentirinha como aqueles que as crianças pregam umas nas outras. Finjo que me assusto, você me abraça e vamos tomar um sorvete, suco de abacaxi com hortelã ou comer salada de frutas em qualquer lugar. Assim: estou pensando em você e o telefone toca e corta o meu pensamento e do outro lado do fio você me diz: estou pensando tanto em você. Digo eu também, mas não sei o que falamos em seguida porque ficamos meio encabulados, a gente tem muito pudor de parecer ridículos melosos piegas bregas românticos pueris banais. Mas no que eu penso, penso também que somos meio tudo isso, não tem jeito, é tudo que vamos dizendo, quando falamos no meu pensamento, é frágil como a voz de Olívia Byington cantando Villa-Lobos, mais perto de Mozart que de Wagner, mais Chagal que Van Gogh, mais Jarmush que Win Wenders, mais Cecília Meireles que Nelson Rodrigues.
Tenho trabalhado tanto, por isso mesmo talvez ando pensando assim em você. Brotam espaços azuis quando penso. No meu pensamento, você nunca me critica por eu ser um pouco tolo, meio melodramático, e penso então tule nuvem castelo seda perfume brisa turquesa vime. E deito a cabeça no seu colo ou você deita a cabeça no meu, tanto faz, e ficamos tanto tempo assim que a terra treme e vulcões explodem e pestes se alastram e nós nem percebemos, no umbigo do universo. Você toca minha mão, eu toco na sua.
Demora tanto que só depois de passarem três mil dias consigo olhar bem dentro dos seus olhos e é então feito mergulhar numas águas verdes tão cristalinas que têm algas na superfície ressaltadas contra a areia branca do fundo. Aqualouco, encontro pérolas. Sei que é meio idiota, mas gosto de pensar desse jeito, e se estou em pé no ônibus solto um pouco as mãos daquela barra de ferro para meu corpo balançar como se estivesse a bordo de um navio ou de você. Fecho os olhos, faz tanto bem, você não sabe. Suspiro tanto quando penso em você, chorar só choro às vezes, e é tão freqüente. Caminho mais devagar, certo que na próxima esquina, quem sabe. Não tenho tido muito tempo ultimamente, mas penso tanto em você que na hora de dormir vezemquando até sorrio e fico passando a ponta do meu dedo no lóbulo da sua orelha e repito repito em voz baixa te amo tanto dorme com os anjos. Mas depois sou eu quem dorme e sonha, sonho com os anjos. Nuvens, espaços azuis, pérolas no fundo do mar. Clack! como se fosse verdade, um beijo."
Caio Fernando Abreu
Sunday, June 05, 2011
A elegância do ouriço
Nas longas horas que eu passei no aeroporto de Madrid, quando voltava ao Brasil, comprei alguns livros e nunca uma obra me foi tão recomendada quanto “La elegancia del erizo”, de Muriel Barbery. O livro já foi traduzido para o português, mas eu nunca tinha ouvido falar.
Comprei por pura curiosidade, simplesmente, todas as pessoas que estavam na loja falaram bem do livro! Bom, a história se passa em um edifício luxuoso de Paris e é contada por Paloma, uma menina de 12 anos e por Renée, a zeladora do prédio.
Penso que esse livro é a prova que o que sustenta uma história é suas personagens. Paloma e Renée vivem em universos diferentes. A menina é a caçula de uma família rica, filha de político. A zeladora é quarentona, viúva e solitária.
Mas ambas são inteligentíssimas e dividem uma visão ímpar do mundo, ora terna, ora ácida, e há também, o amor pelas artes, filosofia e as letras. Enfim, são personagens complexas e ricas e como todas as pessoas que se sentem a margem da realidade que vivem, elas tentam ao máximo passar sem serem notadas. Renée é de pouquíssimas palavras e acha que a vida nunca vai surpreendê-la. Paloma está decidida a se suicidar, já que pensa que na vida não há sentido.
São essas duas mulheres que contam uma história, de vida, delas mesmas. Separadas e entrelaçadas, as observações, as idéias, o vazio e a riqueza interior de ambas encantam e machucam. Se o leitor já percebe as semelhanças entre elas logo, as personagens passam a conviver de fato, quando o japonês bem-humorado Kakuro Ozu, se muda para o edifício.
Eu li o livro em espanhol e essa semana quero ver se o encontro em português. Vale a pena e eu recomendo, são poucos os livros que é necessário um tempo para assimilar o que se leu e esses, são justamente os melhores.
Ah sim, o título do livro é por causa do ouriço, o animal mesmo, porque lá pelas tantas, Paloma compara Renée com o bicho e explica: por baixo da aparência dura e estranha, os ouriços são um dos animais mais dóceis e inteligentes do mundo.
“'A vida tem um sentido que os adultos conhecem' é a mentira universal que todos crêem por obrigação. Quando nos tornamos adultos, compreendemos que isso não é verdade e já é muito tarde. O mistério da vida permanece intacto, porém faz tempo que gastamos toda a nossa energia em atividades estúpidas. Já não resta mais nada, a não ser nos anestesiarmos perante a vida e fazer de conta que tudo tem um sentido, enganando assim, nossos próprios filhos e os outros para tentar convencer a nos mesmos.” Muriel Barbery
Comprei por pura curiosidade, simplesmente, todas as pessoas que estavam na loja falaram bem do livro! Bom, a história se passa em um edifício luxuoso de Paris e é contada por Paloma, uma menina de 12 anos e por Renée, a zeladora do prédio.
Penso que esse livro é a prova que o que sustenta uma história é suas personagens. Paloma e Renée vivem em universos diferentes. A menina é a caçula de uma família rica, filha de político. A zeladora é quarentona, viúva e solitária.
Mas ambas são inteligentíssimas e dividem uma visão ímpar do mundo, ora terna, ora ácida, e há também, o amor pelas artes, filosofia e as letras. Enfim, são personagens complexas e ricas e como todas as pessoas que se sentem a margem da realidade que vivem, elas tentam ao máximo passar sem serem notadas. Renée é de pouquíssimas palavras e acha que a vida nunca vai surpreendê-la. Paloma está decidida a se suicidar, já que pensa que na vida não há sentido.
São essas duas mulheres que contam uma história, de vida, delas mesmas. Separadas e entrelaçadas, as observações, as idéias, o vazio e a riqueza interior de ambas encantam e machucam. Se o leitor já percebe as semelhanças entre elas logo, as personagens passam a conviver de fato, quando o japonês bem-humorado Kakuro Ozu, se muda para o edifício.
Eu li o livro em espanhol e essa semana quero ver se o encontro em português. Vale a pena e eu recomendo, são poucos os livros que é necessário um tempo para assimilar o que se leu e esses, são justamente os melhores.
Ah sim, o título do livro é por causa do ouriço, o animal mesmo, porque lá pelas tantas, Paloma compara Renée com o bicho e explica: por baixo da aparência dura e estranha, os ouriços são um dos animais mais dóceis e inteligentes do mundo.
“'A vida tem um sentido que os adultos conhecem' é a mentira universal que todos crêem por obrigação. Quando nos tornamos adultos, compreendemos que isso não é verdade e já é muito tarde. O mistério da vida permanece intacto, porém faz tempo que gastamos toda a nossa energia em atividades estúpidas. Já não resta mais nada, a não ser nos anestesiarmos perante a vida e fazer de conta que tudo tem um sentido, enganando assim, nossos próprios filhos e os outros para tentar convencer a nos mesmos.” Muriel Barbery
O grito
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
Deu. Às vezes eu preciso dar um grito pra aliviar um pouco a saudade.
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
Deu. Às vezes eu preciso dar um grito pra aliviar um pouco a saudade.
Tuesday, May 31, 2011
Dose
Tenho tentado, juro. Saído, me divertido, estudado, bebido, finjindo que está tudo bem.
Hoje até cantei, a tarde toda no serviço. Escutava música, cantava e chorava. Ninguém reclamou, não sei se por medo ou pena. Logo eu né? Que não cantava nunca. Quer dizer, sussurrava “Menino do Rio” no seu ouvido. Você sorria, me beijava e essa era a melhor maneira de falar que eu não canto nada.
Mas tenho tentado, de verdade. Fiz um curso de diagramação em In Design e logo quero fazer um de Photoshop. Viu? Tenho ocupado minha cabeça. Arrumei mais um emprego, numa ONG com centenas de crianças e pasme, estou a-do-ran-do, queria todas para mim. Elas me lembram o teu filho.
Mudei? É uma tentativa. Podem ser doses muito pequenas de vida sem você, onde a sua falta é a única coisa que sobra, mas é melhor assim do que sucumbir. Acho que antes eu era melhor, porém morrer é fundamental para continuar vivendo.
Antes eu não bebia todos os dias. Eu não sentia tanta preguiça. Antes eu não comia um xis e uma hora depois uma porção de polenta, nem pizza três vezes na semana. Antes eu não pedia cigarro para minhas amigas. Antes eu não perdia a paciência por tão pouco. Antes eu não era tão distraída. Antes eu não chegava atrasada.
Realmente, antes eu era uma pessoa melhor, mas não sabia abrir uma garrafa de vinho.
Hoje até cantei, a tarde toda no serviço. Escutava música, cantava e chorava. Ninguém reclamou, não sei se por medo ou pena. Logo eu né? Que não cantava nunca. Quer dizer, sussurrava “Menino do Rio” no seu ouvido. Você sorria, me beijava e essa era a melhor maneira de falar que eu não canto nada.
Mas tenho tentado, de verdade. Fiz um curso de diagramação em In Design e logo quero fazer um de Photoshop. Viu? Tenho ocupado minha cabeça. Arrumei mais um emprego, numa ONG com centenas de crianças e pasme, estou a-do-ran-do, queria todas para mim. Elas me lembram o teu filho.
Mudei? É uma tentativa. Podem ser doses muito pequenas de vida sem você, onde a sua falta é a única coisa que sobra, mas é melhor assim do que sucumbir. Acho que antes eu era melhor, porém morrer é fundamental para continuar vivendo.
Antes eu não bebia todos os dias. Eu não sentia tanta preguiça. Antes eu não comia um xis e uma hora depois uma porção de polenta, nem pizza três vezes na semana. Antes eu não pedia cigarro para minhas amigas. Antes eu não perdia a paciência por tão pouco. Antes eu não era tão distraída. Antes eu não chegava atrasada.
Realmente, antes eu era uma pessoa melhor, mas não sabia abrir uma garrafa de vinho.
Sunday, May 29, 2011
Alquimia
Cozinhar é uma das maiores alquimias possíveis na face da terra. Desde criança, penso que a junção de vários ingredientes que se transformam em algo totalmente novo e fundamental para a nossa existência, é um verdadeiro passe de mágica.
Ontem à noite eu agi como uma perfeita alquimista, transformando arroz em champignon no delicioso “Arroz Marquezin.” Como cobaias, a família, é claro. Confesso que já tinha cozinhado antes, mas coisas prosaicas e rápidas como omelete, miojo com requeijão (até então a minha especialidade). Nunca havia feito comida para outras pessoas.
E eu gostei. Não só porque minhas cobaias aprovaram, mas porque a simbologia de cozinhar sempre me atraiu. Além de, para mim, ser a representação do poder de transformação da natureza e do poder da intenção do ser humano, quer seja para agradar ou para atazanar uma pessoa.
Vejam por exemplo a palavra “comemorar”, que significa celebração de coisas boas, é muito difícil comemorarmos algo, sem ter alguma coisa para comer. A própria palavra ínsita essa ação nas suas duas primeiras sílabas.
Penso que tanto comer como comemorar, pedem mais pessoas para dividir esse momento e o alimento conosco. E talvez seja esse o segredo de uma boa receita.
Arroz Marquezin
Ingredientes:
½ cebola
Margarina
Arroz arbóreo
Vinho branco
Nata
Queijo ralado
Champignon (ou tomate seco, ervilha, brócolis...)
Caldo de galinho ou carne (opcional)
Modo de fazer:
Frite a cebola na margarina, coloque uma taça de vinho e deixe secar. Frite o arroz, vá colocando aos poucos água (com caldo de galinha), sempre mexendo. Quando tiver cozido, coloque o champignon, as duas colheres de nata e queijo ralado.
Ontem à noite eu agi como uma perfeita alquimista, transformando arroz em champignon no delicioso “Arroz Marquezin.” Como cobaias, a família, é claro. Confesso que já tinha cozinhado antes, mas coisas prosaicas e rápidas como omelete, miojo com requeijão (até então a minha especialidade). Nunca havia feito comida para outras pessoas.
E eu gostei. Não só porque minhas cobaias aprovaram, mas porque a simbologia de cozinhar sempre me atraiu. Além de, para mim, ser a representação do poder de transformação da natureza e do poder da intenção do ser humano, quer seja para agradar ou para atazanar uma pessoa.
Vejam por exemplo a palavra “comemorar”, que significa celebração de coisas boas, é muito difícil comemorarmos algo, sem ter alguma coisa para comer. A própria palavra ínsita essa ação nas suas duas primeiras sílabas.
Penso que tanto comer como comemorar, pedem mais pessoas para dividir esse momento e o alimento conosco. E talvez seja esse o segredo de uma boa receita.
Arroz Marquezin
Ingredientes:
½ cebola
Margarina
Arroz arbóreo
Vinho branco
Nata
Queijo ralado
Champignon (ou tomate seco, ervilha, brócolis...)
Caldo de galinho ou carne (opcional)
Modo de fazer:
Frite a cebola na margarina, coloque uma taça de vinho e deixe secar. Frite o arroz, vá colocando aos poucos água (com caldo de galinha), sempre mexendo. Quando tiver cozido, coloque o champignon, as duas colheres de nata e queijo ralado.
Sunday, May 22, 2011
Perdição
“O que tem de ser, tem muita força. Ninguém precisa se assustar com a distância, os afastamentos que acontecem. Tudo volta! E voltam mais bonitas, mais maduras, voltam quando tem de voltar, voltam quando é pra ser. Acontece que entre o ainda-não-é-hora e nossa-hora-chegou, muita gente se perde.” Caio Fernando Abreu
Sou uma louca por acreditar que eu ainda vou casar com você? E que vamos passar a nossa lua de mel nas Ilhas Canárias? E que um dia eu vou dar uma irmãzinha linda para o teu filho? Que você ainda vai me agradecer por não ter desistido?
Ou sou uma louca por que tenho medo da mulher amarga e recalcada que posso me tornar se deixar de acreditar no que eu sinto? Posso me tornar uma workaholic ambiciosa que só pensa em dinheiro ou uma intelectualóide que ninguém entende e todos sentem pena?
Não acho que vou me cansar de esperar você, mas tenho tanto medo de me perder no meio do caminho, já é tão difícil tocar o barco em frente. Às vezes eu sinto tanta falta de você e tanta impotência diante da vida, que tenho vontade de bater com a minha cabeça na parede, só para doer mesmo, para eu sentir outro tipo de dor que não seja a falta de você.
E se eu me perder, como vai ser? Vou acabar num hospício, como aquelas velhas loucas que passam o dia sentadas, olhando para o nada e esperando alguém voltar, alguém que todos acham que não existe? Eu sei que essas pessoas não são loucas, apenas se perderam... Por favor, vem logo, antes que eu me perca.
Sou uma louca por acreditar que eu ainda vou casar com você? E que vamos passar a nossa lua de mel nas Ilhas Canárias? E que um dia eu vou dar uma irmãzinha linda para o teu filho? Que você ainda vai me agradecer por não ter desistido?
Ou sou uma louca por que tenho medo da mulher amarga e recalcada que posso me tornar se deixar de acreditar no que eu sinto? Posso me tornar uma workaholic ambiciosa que só pensa em dinheiro ou uma intelectualóide que ninguém entende e todos sentem pena?
Não acho que vou me cansar de esperar você, mas tenho tanto medo de me perder no meio do caminho, já é tão difícil tocar o barco em frente. Às vezes eu sinto tanta falta de você e tanta impotência diante da vida, que tenho vontade de bater com a minha cabeça na parede, só para doer mesmo, para eu sentir outro tipo de dor que não seja a falta de você.
E se eu me perder, como vai ser? Vou acabar num hospício, como aquelas velhas loucas que passam o dia sentadas, olhando para o nada e esperando alguém voltar, alguém que todos acham que não existe? Eu sei que essas pessoas não são loucas, apenas se perderam... Por favor, vem logo, antes que eu me perca.
Saturday, May 21, 2011
Dedicatória
Ei, você, desculpa qualquer coisa, mas tenho que te dizer: eu não escrevo para você. Eu escrevo para mim. Para alimentar o vazio que me acompanha desde sempre. Para saciar meu ego. Para conter a vontade de dar um tiro na cabeça. Para me aliviar. Não é uma exposição. Escrevo, justamente, para me proteger. Meus textos são a minha defesa do mundo.
Nem pra ELE eu escrevo, embora ELE seja constantemente citado nas minhas palavras, que são sobre o que eu sinto por ELE. Quando escrevo para ELE, envio para ELE lê. ELE é o meu leitor preferido e a minha melhor inspiração. Agora, se nem para ELE eu dedico algo, você acha que escrevo para você?
Não. Mas não é nada pessoal. Apenas não gosto dessa mania que você tem de julgar. A maior herança que a família de malucos, que eu tenho, vai me deixar é a aceitar e não me meter na vida alheia.
Grande parte dos meus familiares usam drogas e eles nunca deixaram de ser bons pais, mães, filhos, tios, tias... Meu irmão não é um marginal por ser punk. Eu não sou uma alcoólotra porque gosto de ficar bêbada. Você não tem o direito de se meter na minha vida porque me lê.
Tampouco me importo se você gosta ou não dos meus textos. Minha excelentíssima mãe, não gosta e nunca me escondeu isso. Se ela ler esse post, vai ter certeza que é para ela, assim como você teve estar pensando, né?
Mas hoje vou abrir uma exceção, excepcionalmente a última frase deste texto, é dedicada a você. Um verso de uma letra de uma canção da nossa grande Música Popular Brasileira. Confesso que não a incluo nas minhas preferências, mas considero esse trecho uma verdadeira obra prima, um apelo de respeito em tempos de tamanha exposição e opinião alheia. Para você: “ado, ado, ado. Cada um no seu quadrado.”
Nem pra ELE eu escrevo, embora ELE seja constantemente citado nas minhas palavras, que são sobre o que eu sinto por ELE. Quando escrevo para ELE, envio para ELE lê. ELE é o meu leitor preferido e a minha melhor inspiração. Agora, se nem para ELE eu dedico algo, você acha que escrevo para você?
Não. Mas não é nada pessoal. Apenas não gosto dessa mania que você tem de julgar. A maior herança que a família de malucos, que eu tenho, vai me deixar é a aceitar e não me meter na vida alheia.
Grande parte dos meus familiares usam drogas e eles nunca deixaram de ser bons pais, mães, filhos, tios, tias... Meu irmão não é um marginal por ser punk. Eu não sou uma alcoólotra porque gosto de ficar bêbada. Você não tem o direito de se meter na minha vida porque me lê.
Tampouco me importo se você gosta ou não dos meus textos. Minha excelentíssima mãe, não gosta e nunca me escondeu isso. Se ela ler esse post, vai ter certeza que é para ela, assim como você teve estar pensando, né?
Mas hoje vou abrir uma exceção, excepcionalmente a última frase deste texto, é dedicada a você. Um verso de uma letra de uma canção da nossa grande Música Popular Brasileira. Confesso que não a incluo nas minhas preferências, mas considero esse trecho uma verdadeira obra prima, um apelo de respeito em tempos de tamanha exposição e opinião alheia. Para você: “ado, ado, ado. Cada um no seu quadrado.”
Friday, May 20, 2011
Meio ano
Seis meses. Há exatos 182 dias eu estava morrendo. Morri durante a madrugada, confortável, deitada numa cama, de banho tomado, coberta com edredons e abraçada no homem que eu amo. Fiz muitas coisas nesses meses. E tudo não mudou o nada e o vazio que tomaram conta da minha vida.
Chorei. Rezei. Implorei. Me humilhei. Estudei. Viajei. Voltei. Me alegrei. Me decepcionei. Bebi. Fumei. Cherei. Li. Prometi. Menti. Não cumpri. Escrevi. Esperei. Me perdi. Perdi a fé. Mas nunca mais me enchi.
Pensei em ir embora, em nunca mais voltar, em sair por aí, em sair sem dar tchau. Pensei em ir para um convento, para um hospício, para um monastério, para um bordel, para um presídio. Eu quis me matar. Queria me enterrar.
Foi sendo levada sem sentir que cheguei até aqui. O corpo dói. Anestesia até. Respirar é difícil. Suspirei muito. Meu reflexo são frases pequenas e soltas. Fragmentos. Pedaços que lembro e junto os caquinhos para recordar a nossa história. Sem contexto. Sem sentido. Sem valor. Nada.
Não conto os dias da tua ausência, o que conto são os dias da minha sobrevivência. Há 182 dias, eu me tornava uma viva morta, sou um nada que respira.
Chorei. Rezei. Implorei. Me humilhei. Estudei. Viajei. Voltei. Me alegrei. Me decepcionei. Bebi. Fumei. Cherei. Li. Prometi. Menti. Não cumpri. Escrevi. Esperei. Me perdi. Perdi a fé. Mas nunca mais me enchi.
Pensei em ir embora, em nunca mais voltar, em sair por aí, em sair sem dar tchau. Pensei em ir para um convento, para um hospício, para um monastério, para um bordel, para um presídio. Eu quis me matar. Queria me enterrar.
Foi sendo levada sem sentir que cheguei até aqui. O corpo dói. Anestesia até. Respirar é difícil. Suspirei muito. Meu reflexo são frases pequenas e soltas. Fragmentos. Pedaços que lembro e junto os caquinhos para recordar a nossa história. Sem contexto. Sem sentido. Sem valor. Nada.
Não conto os dias da tua ausência, o que conto são os dias da minha sobrevivência. Há 182 dias, eu me tornava uma viva morta, sou um nada que respira.
Friday, May 13, 2011
Curta e grossa
Por que essa saudade dilacerante que eu sinto não me mata de uma vez, ao invés de ficar me torturando?
Sunday, May 08, 2011
Tormenta
Hoje é dia das mães e eu queria tanto escrever algo bonitinho, tipo uma homenagem. Mas discuti tanto hoje com a “mamuska” que perdi a vontade. Então pensei em escrever sobre como minha relação com a maternidade mudou, que um dia quero ser, como ando sensível em relações as crianças e como esses pequenos seres são as únicas coisas que conseguem me comover.
Como eu mudei né? “Nada é fácil de entender” diz o Renato Russo no rádio... Hoje também faz um ano que capotei de carro e perdi metade do meu cabelo. Aliás, a briga com a mãe foi sobre isso. Ela chegou em casa e eu estava um pouco alegre e disse “mãe hoje tu estaria na minha missa de um ano de morte.” Ela me olhou com cara feia e eu, na minha melhor intenção de bêbada, emendei. “E eu ia tá fazendo careta atrás do padre.”
Depois disso, discutimos e discutimos. Eu disse que não iria mais escrever para ela. Ela disse que tudo bem, porque acha meu blog muito triste. Também pensei em escrever sobre o acidente e a vida nesse tempo todo, mas tanta coisa aconteceu, e tanta coisa que me machucou que acho um tremendo azar aquele carro não ter capotado mais uma vez.
Tem dias que estou com uma ideia na cabeça, escrever sobre um cantor de bar, mas nunca consigo. Também seria ótimo se eu mexesse no tal “livro”, que há semanas, não ganha uma linha. Tantas coisas podem ganhar letras e virar história, mas não hoje. Hoje eu tô atormentada demais, vou deitar e chorar.
Como eu mudei né? “Nada é fácil de entender” diz o Renato Russo no rádio... Hoje também faz um ano que capotei de carro e perdi metade do meu cabelo. Aliás, a briga com a mãe foi sobre isso. Ela chegou em casa e eu estava um pouco alegre e disse “mãe hoje tu estaria na minha missa de um ano de morte.” Ela me olhou com cara feia e eu, na minha melhor intenção de bêbada, emendei. “E eu ia tá fazendo careta atrás do padre.”
Depois disso, discutimos e discutimos. Eu disse que não iria mais escrever para ela. Ela disse que tudo bem, porque acha meu blog muito triste. Também pensei em escrever sobre o acidente e a vida nesse tempo todo, mas tanta coisa aconteceu, e tanta coisa que me machucou que acho um tremendo azar aquele carro não ter capotado mais uma vez.
Tem dias que estou com uma ideia na cabeça, escrever sobre um cantor de bar, mas nunca consigo. Também seria ótimo se eu mexesse no tal “livro”, que há semanas, não ganha uma linha. Tantas coisas podem ganhar letras e virar história, mas não hoje. Hoje eu tô atormentada demais, vou deitar e chorar.
Happy hour

Nestas duas semanas que estou em casa, poucas coisas me deixam mais feliz do que sentar num boteco e tomar cerveja com os amigos. Sexta-feira fui no boteco do Natalício com a Juliana e a Giovanna e sempre que as vejo, entendo porque me matriculei numa pós-graduação no último dia de inscrição.
Aliás, cada vez me convenço mais que a única coisa que faz a vida valer a pena são as pessoas que encontramos pelo caminho. A Jú e a Gi são formadas em história, e penso que essa é uma das poucas semelhanças que elas têm, até porque nós três somos totalmente diferentes.
Sempre que nos encontramos, prometemos que isso será mais frequente (tômara), mas ainda bem, somos mulheres independentes e bastante ocupadas. Eu adoro os sermões que a Jú me dá, me lembra a minha mãe, hehehehe. Mas na última sexta quem deu show no sermão foi a Gi, hehehehe.
Tirando o fato das poucas opções de comida que tem no boteco, sempre é muito bom ir lá com as gurias e com as colegas de trabalho da Jú, que sempre me receberam muito bem quando eu vou lá ou quando vou tomar cerveja com elas.
Esses momentos são de grande importância pra mim, pela companhia, pela conversa, pelas risadas e principalmente porque dá uma amenizada nas dores da alma. Não diminui nada, não cura nada também, mas é o mais doce dos remédios.
Thursday, May 05, 2011
Nocaute
“Já tentei três vezes. Mas eu era muito jovem e faz muito tempo. Achava muito chique se suicidar aos 20 anos. Mas chique é sobreviver”. Caio Fernando Abreu
A instabilidade da vida me assusta, realmente, não sei como ainda respiro. Não sei o que fazer. Acho que nunca soube. O vazio e o nó na garganta voltaram. Mas agora não é um vazio sem sentido, ele tem sentido, eu sei o motivo da minha dor e isso a torna, infinitamente mais forte.
Eu já fiz planos, mas assim como as coisas que eu já acreditei, não passaram de desculpas esfarrapadas para continuar. Realizei muito dos meus planos e perdi pelo caminho minhas crenças.
Até alguns dias atrás, pensava que tinha o melhor de todos os motivos para viver, acreditar no amor. Mas o tal do Deus ou do Diabo, ou sei lá quem é que brinca de marionete com os seres humanos, tirou o chão dos meus pés.
Mais uma vez, desabei. Não agüento mais ser nocauteada pela vida, não há motivos para insistir e resistir. E eu nunca gostei de coisas chiques.
A instabilidade da vida me assusta, realmente, não sei como ainda respiro. Não sei o que fazer. Acho que nunca soube. O vazio e o nó na garganta voltaram. Mas agora não é um vazio sem sentido, ele tem sentido, eu sei o motivo da minha dor e isso a torna, infinitamente mais forte.
Eu já fiz planos, mas assim como as coisas que eu já acreditei, não passaram de desculpas esfarrapadas para continuar. Realizei muito dos meus planos e perdi pelo caminho minhas crenças.
Até alguns dias atrás, pensava que tinha o melhor de todos os motivos para viver, acreditar no amor. Mas o tal do Deus ou do Diabo, ou sei lá quem é que brinca de marionete com os seres humanos, tirou o chão dos meus pés.
Mais uma vez, desabei. Não agüento mais ser nocauteada pela vida, não há motivos para insistir e resistir. E eu nunca gostei de coisas chiques.
Monday, May 02, 2011
Hábito
Será que um dia eu vou me acostumar com a dor de não te ter? Será que um dia essa saudade vai ser tão normal que a dor que ela me provoca não me machucará tanto? Esse final de semana sai com algumas amigas, me diverti como há tempos não acontecia, mas em nenhum momento você deixou de me doer. E eu me pergunto se isso não é “se acostumar”?
A noite foi quase perfeita. Eu sai com as gurias e, depois de dois meses sozinha, isso teve um valor e um sabor, inexplicáveis. Tomamos champanhe boa parte da noite. Fomos nos arrumar na casa de uma das amigas, bem coisa de mulherzinha, bem coisa que mulher adora fazer. Se vestir de alvo, se vestir para ser o alvo, ir para a guerra...
Depois dancei a noite toda, vi aquelas cenas impagáveis que toda festa proporciona a percepção de uma bêbada. Um careca cabeludo se aproximando da nossa mesa, um senhor com idade para ser meu avô insistindo para tomar uma cerveja comigo. E o de sempre, uma amiga chorar, outra brigar com o ficante, outra ficar, outra não desgrudar do celular...
Eu levei uns pirulitos de maconha que trouxe de Amsterdam e foi o maior sucesso, virou pirulito comunitário e tinha até fila. Até quem nunca tinha colocado essas “porcarias” na boca, experimentou. Foi divertido e inesquecível. Foi uma noite e uma festa tão boas, só não foram perfeitas porque você não estava lá.
Olhava para a mesa e imaginava onde você estaria sentado, o que estaria vestindo... Eu seria a mulher mais feliz do mundo se pudesse dançar com você, tomar cerveja, te beijar entre um gole e outro e curtir a ressaca do outro dia nos teus braços.
Até quando vou conseguir sorrir e falar que está tudo bem, quando minhas amigas me perguntarem o por quê estou tão quieta? Será que um dia eu vou estar numa festa e não vou precisar me esconder no banheiro e chorar para me esvaziar de você?
A noite foi quase perfeita. Eu sai com as gurias e, depois de dois meses sozinha, isso teve um valor e um sabor, inexplicáveis. Tomamos champanhe boa parte da noite. Fomos nos arrumar na casa de uma das amigas, bem coisa de mulherzinha, bem coisa que mulher adora fazer. Se vestir de alvo, se vestir para ser o alvo, ir para a guerra...
Depois dancei a noite toda, vi aquelas cenas impagáveis que toda festa proporciona a percepção de uma bêbada. Um careca cabeludo se aproximando da nossa mesa, um senhor com idade para ser meu avô insistindo para tomar uma cerveja comigo. E o de sempre, uma amiga chorar, outra brigar com o ficante, outra ficar, outra não desgrudar do celular...
Eu levei uns pirulitos de maconha que trouxe de Amsterdam e foi o maior sucesso, virou pirulito comunitário e tinha até fila. Até quem nunca tinha colocado essas “porcarias” na boca, experimentou. Foi divertido e inesquecível. Foi uma noite e uma festa tão boas, só não foram perfeitas porque você não estava lá.
Olhava para a mesa e imaginava onde você estaria sentado, o que estaria vestindo... Eu seria a mulher mais feliz do mundo se pudesse dançar com você, tomar cerveja, te beijar entre um gole e outro e curtir a ressaca do outro dia nos teus braços.
Até quando vou conseguir sorrir e falar que está tudo bem, quando minhas amigas me perguntarem o por quê estou tão quieta? Será que um dia eu vou estar numa festa e não vou precisar me esconder no banheiro e chorar para me esvaziar de você?
Wednesday, April 27, 2011
E o pensamento lá em você...
Estou no aeroporto de Madrid agora, esperando meu vôo para o Brasil, são quatro horas de espera, mas eu já não me importo, pois é um tempo que eu tenho para pensar em você. Seja lembrar dos momentos que estávamos juntos, imaginar o que você estará fazendo ou projetar um futuro.
As imagens são frágeis como asas de borboletas, mas igualmente belas. Tem vezes que elas se fortalecem tanto que parece que você vai se personificar na minha frente, pois por momentos sinto o teu cheiro, o teu calor e chego a sorrir com a certeza de que posso te tocar.
Mas aí, a realidade puxa o tapete voador que eu estou, seja com o barulho do aspirador que limpa aeroporto, seja com a voz do alto falante, algo que cai, alguém que passa apressado para não perder o vôo, me fez perder você. E eu sinto raiva.
Já quando estou muito otimista, penso que tudo é um sinal positivo, o avião que risca o céu, uma pessoa estranha que me sorri, a música que começa a tocar em uma das lojas (uma música romântica!)
É um sinal sim. Até o fato de eu continuar respirando é um sinal de que viver por você vai valer a pena. A realidade começa sempre na nossa imaginação, no nosso pensamento. Um dia essas imagens serão tão reais que eu vou achar banal.
Inclusive você já foi imaginação. Tuas tatuagens, teu anéis cor de prata (como os meus), teus gostos, teus gestos, teus carinhos, teu corpo, tua história... Isso explica porque sempre me senti muito a vontade contigo, porque já te conhecia dos meus sonhos.
As imagens são frágeis como asas de borboletas, mas igualmente belas. Tem vezes que elas se fortalecem tanto que parece que você vai se personificar na minha frente, pois por momentos sinto o teu cheiro, o teu calor e chego a sorrir com a certeza de que posso te tocar.
Mas aí, a realidade puxa o tapete voador que eu estou, seja com o barulho do aspirador que limpa aeroporto, seja com a voz do alto falante, algo que cai, alguém que passa apressado para não perder o vôo, me fez perder você. E eu sinto raiva.
Já quando estou muito otimista, penso que tudo é um sinal positivo, o avião que risca o céu, uma pessoa estranha que me sorri, a música que começa a tocar em uma das lojas (uma música romântica!)
É um sinal sim. Até o fato de eu continuar respirando é um sinal de que viver por você vai valer a pena. A realidade começa sempre na nossa imaginação, no nosso pensamento. Um dia essas imagens serão tão reais que eu vou achar banal.
Inclusive você já foi imaginação. Tuas tatuagens, teu anéis cor de prata (como os meus), teus gostos, teus gestos, teus carinhos, teu corpo, tua história... Isso explica porque sempre me senti muito a vontade contigo, porque já te conhecia dos meus sonhos.
Saturday, April 23, 2011
Trilha sonoa
Sempre gostei dessa música, mas ela nunca fez tanto sentido para mim, como agora...
Por Enquanto
Legião Urbana
Mudaram as estações
E nada mudou
Mas eu sei
Que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente...
Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era prá sempre
Sem saber
Que o pra sempre
Sempre acaba...
Mas nada vai
Conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí então estamos bem...
Mesmo com tantos motivos
Prá deixar tudo como está
E nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta prá casa...
Por Enquanto
Legião Urbana
Mudaram as estações
E nada mudou
Mas eu sei
Que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente...
Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era prá sempre
Sem saber
Que o pra sempre
Sempre acaba...
Mas nada vai
Conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí então estamos bem...
Mesmo com tantos motivos
Prá deixar tudo como está
E nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta prá casa...
Finaleira
É meu último dia da minha viagem é acho que já posso fazer um balanço da experiência. Sem dúvida, o mundo é muito lindo e viajar é muito bom. Não sei se volto melhor ou pior, mas volto diferente. Almoçar bolacha com banana sentada numa praça, me pareceu um banquete em Amsterdam e um omelete foi a comida mais sem gosto que já comi na vida, mesmo em Paris, a beira do rio Sena.
Poderia ter aproveitado melhor Barcelona. Caiu a ficha e eu passei a me dar conta do que estava vivendo depois do email do homem que amo. Aliás, percebi o quanto as pessoas são de fato, importante para mim. Teve dias, que eu daria minha vida para enxergar um rosto conhecido.
A aventura que é ter três minutos para trocar de trem, cheia de malas, numa cidadezinha no interior da Alemanha, poderia ser muito engraçada se eu tivesse alguém compartilhando a viagem comigo. Mas eu não tive e fui obrigada a me aturar, principalmente, o meu silêncio.
Não lembro a última vez que conversei com alguém, mas isso já não me incomoda. No começo incomodava, sim. Depois vem a raiva de ter se metido nisso sozinha e por fim, a resignação. O silêncio não incomoda mais, a gente começa a conversar com estranhos como velhos conhecidos.
Penso que depois desses dois meses dou mais valor para as pessoas que convivem comigo, pois, senti muito a falta delas, mas sobrevivi à saudade e a distância. Portanto, por mais que ame todos vocês, dá para viver longe.
Também penso que estou menos desconfiada. Viajando sozinha, passei por situações que fui obrigada a confiar em estranhos. Seja nas pessoas que pedia informação na rua ou nas estações de trem, quando deixava toda a minha bagagem sozinha e ia no banheiro.
Tem coisas que aprendi e serviram de lição, outras vou fazer diferente e algumas, espero nunca ter que repetir. Estou louca pra voltar para casa sim, para minha cama, colocar roupas limpas, sair sem mapa e não me perder com tanto freqüência. Também estou louca para sentar num bar com minhas amigas, abrir uma cerveja e conversar e conversar e conversar.
Volto com esperança de dias melhores. Aconteceram coisas muito boas enquanto estive aqui e elas, podem não estar, ainda, do jeito que eu sonho, mas me dão esperança e vontade de viver, considerando que eu sou uma pessoa que tem muita vontade de morrer, ter vontade de viver é algo para se comemorar.
Então, posso dizer que estou voltando com vontade de viver, com esperança, com alguns quilos para engordar sem encanar, com histórias para contar e já pensando nas próximas férias.
Poderia ter aproveitado melhor Barcelona. Caiu a ficha e eu passei a me dar conta do que estava vivendo depois do email do homem que amo. Aliás, percebi o quanto as pessoas são de fato, importante para mim. Teve dias, que eu daria minha vida para enxergar um rosto conhecido.
A aventura que é ter três minutos para trocar de trem, cheia de malas, numa cidadezinha no interior da Alemanha, poderia ser muito engraçada se eu tivesse alguém compartilhando a viagem comigo. Mas eu não tive e fui obrigada a me aturar, principalmente, o meu silêncio.
Não lembro a última vez que conversei com alguém, mas isso já não me incomoda. No começo incomodava, sim. Depois vem a raiva de ter se metido nisso sozinha e por fim, a resignação. O silêncio não incomoda mais, a gente começa a conversar com estranhos como velhos conhecidos.
Penso que depois desses dois meses dou mais valor para as pessoas que convivem comigo, pois, senti muito a falta delas, mas sobrevivi à saudade e a distância. Portanto, por mais que ame todos vocês, dá para viver longe.
Também penso que estou menos desconfiada. Viajando sozinha, passei por situações que fui obrigada a confiar em estranhos. Seja nas pessoas que pedia informação na rua ou nas estações de trem, quando deixava toda a minha bagagem sozinha e ia no banheiro.
Tem coisas que aprendi e serviram de lição, outras vou fazer diferente e algumas, espero nunca ter que repetir. Estou louca pra voltar para casa sim, para minha cama, colocar roupas limpas, sair sem mapa e não me perder com tanto freqüência. Também estou louca para sentar num bar com minhas amigas, abrir uma cerveja e conversar e conversar e conversar.
Volto com esperança de dias melhores. Aconteceram coisas muito boas enquanto estive aqui e elas, podem não estar, ainda, do jeito que eu sonho, mas me dão esperança e vontade de viver, considerando que eu sou uma pessoa que tem muita vontade de morrer, ter vontade de viver é algo para se comemorar.
Então, posso dizer que estou voltando com vontade de viver, com esperança, com alguns quilos para engordar sem encanar, com histórias para contar e já pensando nas próximas férias.
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