Wednesday, July 02, 2014

Expectadora


 “Filhos servem de marcadores de tempo escancarados, impossíveis de ignorar, indicando a marcha incessante da vida que de outro modo pareceria um infinito mar de minutos, horas, dias e anos.” - John Grogan, em Marley & Eu


Acredito que uma das coisas mais bacanas de estar vivo é ser expectadora da vida de quem se gosta. O meu primo Júnior é pai. Se tornou pai esses dias. Eu que assisti o Júnior criança, adolescente, estudante, namorado, filho, membro de uma família muitas vezes problemática, agora vou acompanhar, o pai.


Ele é como se fosse meu irmão e se, de fato fosse, poderíamos ser gêmeos, já que apenas três semanas separaram o nascimento de ambos. Sou mais próxima dele do que dos primos que moram na minha rua, talvez o fato de morarmos em estados diferentes seja um dos motivos para nos darmos bem. A distância geográfica trás todo um encanto, ainda mais quando se é criança, férias para mim era sinônimo da visita dos tios e do Júnior.


Então a gente tinha que aproveitar e brincar muito, tudo o que não fazíamos no restante do ano. E sempre tínhamos muitas novidades e assuntos sérios, que iam de como enrolar o Fi e o Marcello ao como desenterrar o cachorro enterrado no quintal. Lembro da gente com uns 7 anos, pensando na área lá de casa, que se o Rio de Janeiro ficava logo depois dos morros que avistávamos (conforme ele afirmava, porque no Rio também tinha morros), por quê a viagem de ônibus era tão longa?


Contava pra todo mundo na escola que meu primo morava onde sempre era verão e tinha artistas como vizinhos. Demorei para entender que o nome dele é Miguel, achava que Júnior era o primeiro nome. Depois na adolescência, quando a vida escancara a realidade na cara da gente, nos divertíamos nas praias e nos Planetas Atlântidas e sabíamos onde o calo da realidade apertava. Perceber os indivíduos da nossa família poderia ter sido uma experiência solitária e dura, mas penso que conseguimos lidar com isso de uma maneira mais leve. Sempre falamos como se fosse uma grande comédia, sem dramas, por mais que eles tenham existido.


Quando ele começou a namorar a pessoa que hoje é a mãe do filho dele, fiquei muito preocupada com a possibilidade de não gostar dela ou ela de mim, porque seria um problema perder o parceiro. Mas isso durou até eu encontrar eles lá na Guarda do Embaú, ela estava com um sorrisão no rosto, aquele sorriso de gente verdadeira e desarmada. Eu tinha acabado de ganhar uma prima, a versão feminina do Jú.


E nestes últimos anos, foi muito bom acompanhar a vida dos dois, faculdade, perrengue com empregos, estada na Irlanda, procura de apartamento, casamento... É bom ver quem se gosta VIVENDO! Não nos distanciamos como acontece com muitos primos, na maioria das famílias. E agora que somos adultos (!) é mais fácil se ver, além de ter as redes sociais, que facilita muito o acompanhar a vida dos outros. E pensar que eu e o Júnior trocávamos cartas! De papel e enviadas pelo Correio!


O melhor é que ainda enxergo nele o meu primo querido que vinha passar as férias em São Leopoldo. Acho possível a gente ter 50 anos e terminar alguma frase dizendo “não conta para a minha mãe.” Uma coisa ótima que essa relação de primos permite é ser sempre meio criança, por mais que o tempo passe. Vamos envelhecer comendo negrinho, planejando férias e rindo dos mais velhos.


E agora tem o San. Lindo, cheio de personalidade, todo durinho, coisa mais amada. Dá um orgulho bobo desses dois, que agora são três, e é impossível não pensar na vida e no tempo... Estive com eles no último feriado e dá para ver que serão uns paizões, que bela família nasceu. Para vocês, meus primos queridos, desejo muita serenidade para aceitar todo o aprendizado e responsabilidade dessa nova etapa da vida.


Para o San, desejo todas as potencialidades presentes no mundo, recheadas de doces, banhos de mar, gargalhadas e a inocência de quem vê o mundo pela primeira vez. Respeito e gratidão pelos pais que ele tem para que nunca deixe de identificar o heroísmo nos seres humanos que o colocaram no mundo. E uma cabeça aberta para aceitar todas as lembranças da árvore genealógica de que ele é herdeiro.


No chá de fralda dele, teve um momento que o meu primo veio com o prato cheio de doces, sentou do meu lado e disse “que loucura, né?” e saiu para resolver alguma coisa de pai e de marido. E o bom de fazer parte dessas vidas é compartilhar a certeza de que essa loucura que é a vida é tão óbvia quanto o fato do Rio de Janeiro ser ali, logo depois dos morros que avisto da minha casa.

Wednesday, June 18, 2014

De Gaya a Galileu


“Todo gato é um pequeno leão”



Quando eu era criança, uma gata já adulta apareceu lá em casa e foi ficando, demos o nome de Xuxa e aconteceu de tudo com ela. Não tinha dentes por causa de uma pedrada, se metia em brigas, sumia por dias, foi atropelada... Enfim, usou e abusou das suas setes vidas até morrer definitivamente. E essa foi minha única experiência com felinos. Até agora.

Sempre preferi cachorros, pois são mais solar, brincalhões e engraçados... Mas de um tempo para cá passei a considerar a ideia de ter um gato e isso amadureceu. Feitas todas as considerações em relações à cachorra Saira, decidi que tinha que ser um gato, macho e todo preto, já tinha até nome: Monet.

Foram alguns meses de procura, até que a gata Meg da amiga Graciela pariu meu futuro pet. Logo veio a informação: é fêmea. Depois de muito pensar num nome, escolhi Gaya. Junção de Gaia, pelo significado, e com Y por causa do Goya (queria nome de algum pensador, artista, político que goste). E principalmente pela sonoridade: gata Gaya! Lindo. Comprei brinquedos, cama, ração, areia, erva do gato... Tudo pronto para a mítica gata Gaya.

Primeira impressão

Quando ela tava com 50 dias, aproveitei um sábado e “viajei” até a zona sul de Porto Alegre para me tornar dona de gato. Nos primeiros minutos da nossa relação, ela conseguiu escapar e se esconder embaixo do banco do carro, miava loucamente. Em plena avenida Wenceslau Escobar, eu estava de bunda pra cima, com o carro mal estacionado, tentando resgatar o bichano.

Nos dois primeiros dias de casa e família nova, ela desbravou lugares nunca antes habitados, como qualquer fresta entre os móveis que ela encontrou pelo caminho. Arrisco que a única que conhece todos os cantos da casa é a gata Gaya.

Logo as pessoas começaram a comentar que a gata deveria ser mansa e calma, não elétrica, curiosa, brava e agitada como eu relatava. Sim, ela não para quieta.

Galileu

Com duas semanas de convivência veio uma descoberta e a explicação para o bicho ser tão ativo, a gata Gaya é na verdade, um macho. Depois da surpresa, de ter essa confirmação de três pessoas diferentes e das fotos de genitália de gato/gata que procurei no Google-sabe-tudo, recolhi meus butiás do bolso e dei muita risada.

A essa altura, sabia que aquele ser não podia ser Monet, não combinava. Pensei em Goya, mas só Goya também não combinava. Gata Gaya era tão sonoro! Até que alguém em casa falou: Galileu, já que ele é doido como o Galileu Galilei. Pronto, a Gaya virou Galileu.


Hoje, faz um mês que temos um gatinho em casa e ainda bem, ele e a Saira convivem de maneira bastante harmoniosa entre mordidas, corridas e brincadeiras. Já tivemos muitas DRs devido o seu comportamento temperamental e hiperatividade. Também já me acostumei com o seu ronronar e com peso em cima das minhas cobertas. E principalmente, percebi que gatos não são domesticáveis.

Thursday, May 08, 2014

Hiatos

Períodos de silêncio e de interiorização são fundamentais na vida de qualquer um, e muitas vezes, necessários para gente assimilar o que a vida nos apresenta. Esses hiatos se apresentam de inúmeras maneiras, algumas vezes são planejados, em outras se tornam a única saída.  


Tinha decido me dedicar mais à escrita e escrevi muito desde janeiro. Aconteceram coisas que me fizeram transbordar e as palavras me ajudaram a passar por isso, não vou dizer que sai ilesa da turbulência, mas me tornei mais forte, penso que amadureci, pois me conheço mais. E o processo é doloroso.



Porém, escrevi muito no meu diário - ainda tenho diário. E pesei o fato de não querer me expor, não querer maximizar o que não precisa e por as pessoas e as situações no seu devido lugar. Uma parte da minha vida, uma etapa, um ciclo que se fechou.


Sempre tão passional eu não tive outra saída, a não ser racionalizar. E parece que até raciocinei melhor com isso. Percebo que meu luto está chegando ao fim e quero sim, ir publicando o que escrevi neste período. Quem sabe mudando algumas coisas, dando ares de ficção para a realidade. E no futuro, quando o meu olhar se voltar sobe o hoje, ter a certeza de que foi sofrido, mas foi o melhor que poderia ter acontecido.


Que venham os ciclos e as histórias novas. E publicáveis.

Tuesday, April 01, 2014

TAG: 50 coisas sobre mim


Tem tempo que vejo essa TAG rolando por aí, em diversos blogs, uns meses atrás rolou algo parecido no facebook e três pessoas me indicaram para responder. Como penso que é muita exposição nas redes sociais, respondo pelo Mosaico que o número de leitores é restrito, hehe...

1 – Escrever é uma das coisas que mais gosto de fazer.

2 – Tenho um diário.

3 – Jasmins são as flores que mais gosto.

4 – Tenho várias tatuagens.

5 – Tenho dois piercings.

6 – Faço terapia desde a adolescência.

7 – Tirei a CNH com 18 anos, mas tenho pavor de dirigir.

8 - Sou colorada. 

9 – Tenho pânico, PÂNICO de barata.

10 – Meu sonho é voar de balão.

11 – Já saltei de asa delta e foi uma das melhores coisas que fiz na vida.

12 – Amo viajar.

13 – Fico vermelha por qualquer coisa.

14 – Sou vegetariana há 11 anos.

15 – Tenho uma égua.

16 – Faço dança do ventre há 10 anos.

17 – Adoro astrologia.

18 – Curto tarô, I ching, runas... Todas essas coisas esotéricas.

19 – Sou espírita.

20 – Adoraria morar no meio do mato.

21 – Adoro filme lado B.

22 – Como brigadeiro todos os dias.

23 – Não como coco, de jeito nenhum.

24 – Tive sarna (de cachorro) quando era criança.

25 – Cresci ouvindo que eu era um milagre, porque a mãe teve um AVC quando estava grávida de mim e isso complicou as coisas.

26 – Considero o meu pai a pessoa mais generosa e bondosa que eu conheço.

27 – Adoro andar com os pés descalços.

28 – Fui em fonoaudiólogas até meus 13 anos, pois falava muito, muito errado.

29 – Por causa do item de cima, eu tenho um baita orgulho de ter feito uma faculdade que tem “comunicação” no nome.

30 – Ganhei vários concursos de redação no colégio.

31 – Tive uma trombose com 28 anos, por causa do uso da pílula anticoncepcional.

32 - Sou muito ansiosa, do tipo que sofre por antecipação.

33 – Meu primeiro beijo foi com 16 anos. Sim, 16!

34 – A primeira vez foi com 20, na escadaria de um prédio.

35 – Já fui num show do Back Street Boys.

36 – Gosto de Laura Pausini e Fábio Jr. (podem rir da confissão brega).

37 - A minha avó (mãe da mãe) morreu quando eu tinha 6 anos, mas até hoje a lembrança dela é muito viva e presente.

38 – Só tem doido na minha família (irmão punk, primo caretão, primo galinha, prima metida a burguesa, tio riponga, tio convertido, tio metido, gente chata para caramba e gente do bem para caramba).

39 – Sou tri família, mesmo com o item acima.

40 – Só tive um namorado sério até hoje.

41 – Já fui traída.

42 – Passei dois meses viajando sozinha pela Europa.

43 – Fiz uma tatuagem em Cuba.

44 – Sempre ouvi que sou muito responsável e velha para a minha idade.

45 – Por outro lado, sempre ouvi que não aparento a idade que tenho. Que pareço ter bem menos.

46 – Não me considero consumista, sou até pão dura.

47 – É difícil alguém me ver sem esmalte ou com as unhas por fazer.

48 – Tenho uma dificuldade imensa para falar sobre o que sinto, mas sou tri sensível.

49 – Tento lidar com a solidão da melhor maneira possível.

50 – Achei que seria muito difícil escrever 50 coisas sobre mim. Não foi.

Tuesday, March 11, 2014

A dor do não saber


Saber o motivo das coisas dói menos. Acredita que antes de saber, eu até te defendia? Ele está confuso, quer pensar, quer ter certeza do que quer... E cheguei a pensar que isso poderia ser bom, afinal, demonstrava maturidade e cuidado comigo e com todas as mudanças que estávamos propondo para as nossas vidas.
A dor do não saber é angustiante e abstrata, pois ainda há esperanças e expectativas. A dor da certeza é concreta e bem definida, onde não cabem esperanças. Passamos a enxergar o óbvio e a entender principalmente, que vai doer e sim e devemos deixar, para não haver feridas mal cicatrizadas.
Claro que traição dói, a rejeição de quem se ama é dilacerante. “Ser trocada” afeta com a estima de qualquer um. Outro dia eu disse que “levei um pé na bunda” e acharam estranho uma mulher falar isso assim, direto, sem se sentir constrangida, como se não doesse nada, falaram que isso não era comum.
Penso que para superar as coisas não dá para maquiar a realidade. Foi isso, foi um pé na bunda e falar assim, faz doer menos. Não preciso lembrar, recordar (com a cabeça e com coração), formular rápido uma explicação do tipo “acabou porque não deu certo... não estávamos no mesmo momento”, essas coisas que se fala para não se expor.
Escancarar os motivos assim não me envergonha, ao contrário, me protege. Os outros se calam. Saber o real motivo me poupa da dor da incerteza. Choro pelo fim de algo e não por um futuro que talvez acontecesse. Saber é libertador.

Saturday, January 04, 2014

Intenções


Brincando, brincando, já estamos em 2014. Ainda dá pra falar sobre 2013 e fazer planos? Sobre o ano passado, a coisa mais bizarra na minha opinião, foi aquele tradutor de linguagem dos sinais no funeral do Nelson Mandela. Sério, achei inacreditável, o fato e as entrevistas do cidadão... Sem mais.
E sobre 2014. Não vou me alongar com wish lists. Além de saúde (para todos) e grana para  poder viajar, quero escrever. Escrever e ler, na verdade, porque essas  coisas tornam a vida mais fácil pra mim. O que eu não quero de jeito nenhum: me deparar com algum coágulo em algum local do meu corpo. Valeu a experiência em 2013 e agora passo a vez.

De resto, penso que o ano de Júpiter promete. Júpiter é um ótimo planeta, de expansão, de colheita, de progresso. Portanto, ótimos caminhos para todos nós!

Mosaico
O pacote “escrever mais” engloba escrever no trabalho e aqui no blog J. Prometo que vou aparecer mais vezes, que vou me organizar e disciplinar para manter o Mosaico cheio de reflexos. E isso é por mim, porque escrever me faz muito bem.

Tanto que mudei o layout e ainda pode ter mais alguns ajustes por esses dias, até ficar do jeito que eu quero. Espero que gostem!

Feliz 2014!

Saturday, December 14, 2013

Sequelas


Essa semana foi de recomeços. O coágulo já se dissolveu e o médico me deu alta total, estou liberada para trabalhar e me exercitar, também não preciso mais usar anticoagulante. Segunda voltei para o serviço, porém dança e pilates, deixei para o mês que vem, por puro receio. Às vezes, a perna ainda incha... Durante esse tempo, entre dor, hospital, alta, repouso e retorno, foram pouco mais de 40 dias e algumas coisas me chamaram atenção:
Oração

É normal ouvirmos em algumas situações que as pessoas torceram pela gente, em época de vestibular, de arrumar emprego, de se acertar com o namorado, ter filhos, alguma mudança, essas coisas da vida... Mas quando a situação tem relação com saúde, o buraco é mais embaixo, a proporção amplia e o "torcer" é mais intenso, se torna "orar."
Acho que nunca tantas pessoas oraram por mim. De verdade, ouvi muito isso de familiares, amigos, colegas de trabalho, vizinhos...  De gente que nunca imaginei. A gente torce, vibra, deseja o bem para as pessoas, mas dificilmente fala.

É bom, claro que é, mas ao mesmo tempo isso tem um peso danado. Que honra e responsabilidade estar na oração e na intenção dessa gente toda. Isso foi uma coisa que me surpreendeu e ouvir isso, conforta mesmo e a gente percebe que não está sozinho. Orar não deixa de ser uma maneira de estar junto e como disse, isso tem um peso danado.
Medo
Descobri também que sou uma medrosa. Sempre pensei que se tivesse algum problema para ter que ficar em hospital, não suportaria. Mas o hospital em si, foi tranquilo, eles são bem diferentes do que eu imaginava. E sei também, que os 10 dias de internação não são nada perto de pessoas que ficam meses em hospitais e em situações bem piores que a minha.

Mas era a doença que me dava medo e acho que se fosse qualquer outra coisa, teria medo igual. Tremia muito na primeira consulta com o médico depois que tive alta, de nervosismo, ansiedade, sei lá... Também estava uma pilha de nervos antes da ecografia... E chorei litros quando o médico disse que teria que ficar internada. E cada vez que a perna doía, que apreensão!

Enfim, foram várias as situações que até podem ser engraçadas e dá para rir. Mas era muito medo. E tenho medo de ter trombose de novo.

Calmaria

E o melhor de tudo, foi o estado calmo que me encontrei durante esse período. Estou orgulhosa de mim! Tudo poderia ter sido pior se a Trombose tivesse aparecido em outra época, eu não teria lidado bem com a situação.

Estranho e ótimo, foi ter me dado conta de que eu não gostaria de morrer. E se percebi isso por que volta e meia penso em suicídio? (Sim, sei que o assunto é sério e lido com ele seriamente, me tratando e tentando ser forte quando a barra pesa, até agora tenho conseguido).Bom, mas isso é um assunto pra outro post com várias laudas.

O fato é que estou feliz, inclusive por ter me dado conta disso, não sei as respostas, mas tenho me questionado muito sobre o assunto. E penso que se essa história toda servir para me tornar uma pessoa mais ligada à vida, eu sai ganhando.

Thursday, December 05, 2013

A minha saudade não definhou


“Uma saudade que definhou pela indiferença...”- Fabrício Carpinejar

 Linda a crônica “Saudade a dois”, do Fabrício Carpinejar, na Zero Hora de terça-feira, dia 03. Fiquei especialmente com essa frase martelando na cabeça: “uma saudade que definhou pela indiferença...” Esse é o fim mais triste que uma saudade pode ter. Há muita saudade boa e saudável. Mas o que pode ser mais triste que uma saudade que definha? E pela indiferença? E pior do que saber que o outro está morto e enterrado.
Eu já senti muita saudade e desse tipo. Talvez por isso essa frase tenha me tocado tanto. Minha saudade e eu quase definhamos. Quase. Milagres acontecem e por isso não morri de saudade. Acho que foi o próprio Carpinejar que escreveu que “todo amor é um milagre”. O meu, certamente é.

Tenho consciência disso e é bom ter essa consciência. Fico com dois pés fincados na lucidez quando estou com ele, isso aumenta a noção do presente e faz com que eu aproveite muito mais.

E agora, até curto a saudade, é boa e sempre tem data para acabar. E o melhor, é correspondida! Um dia, isso tudo pode acabar, mas ao menos eu vou saber que minha saudade teve uma segunda chance. Ela não definhou pela indiferença.

Friday, November 29, 2013

O bom e velho New Journalism



A melhor coisa dessas férias forçadas é ter tempo para ler. Ando lendo, em média, três livros por semana e ontem terminei a leitura de Fama e Anonimato, do Gay Talese.
Talese, junto Truman Capote e Tom Wolfe é um dos grandes nomes do New Journalism, gênero que surgiu na década de 60, nos Estados Unidos. No Brasil, foi chamado de Jornalismo Literário e a extinta revista Cruzeiro é referência até hoje neste gênero.

Sabem aquelas reportagens amplas, descritivas, com diversas abordagens sobre o tema, onde é possível imaginar cada detalhe do que está sendo noticiado, que muitas vezes parecem histórias de ficção? Isso é Jornalismo Literário, não e à toa que há inúmeros livros desse gênero como A Sangue Frio (Truman Capote), A fogueira das vaidades (Tom Wolfe), Os Machões não Dançam (Norman Mailer) e os brasileiros A milésima segunda noite na avenida paulista (Joel Silveira) e 1968 – O ano que não terminou (Zuenir Ventura), só para citar alguns.
A obra de Talese explora os habitantes de Nova York da década de 60, anônimos e famosos. Os operários que trabalharam na construção da ponte Verrazzano-Narrows, o escritor dos obituários do New York Times, o resfriado do Frank Sinatra, a vida solitária do ex-jogador de beisebol Joe DiMaggio, após a morte de Marilyn Monroe, com quem fora casado e até a existência de uma segunda Estátua da Liberdade... Está tudo lá.

Ao ler as histórias tão corriqueiras e ao mesmo tempo únicas, é impossível não admirar o espírito de observação aguçado de Talese, tão lembrado nas universidades de jornalismo e cada vez mais esquecido.
Gostaria muito de ter sido do tempo em que era possível trabalhar semanas em uma mesma reportagem, estudar o assunto, procurar fontes adequadas... As fontes de hoje, muitas vezes, não agências de notícias, pesquisas são feitas em redes sociais e sites de busca.

A gente sempre escuta que lugar de jornalista e na rua (procurando uma boa história para contar), só que cada vez vamos menos para a rua. Com isso, se economiza sola de sapato, mas se perde o faro, essencial para captar histórias únicas.

Monday, November 25, 2013

TAG: uma palavra só


Então, está rolando a TAG: uma palavra só nos blogs da vida. Resolvi responder, sempre é divertido. E não comentei nada, apenas uma palavra mesmo. Segue as perguntas e as respostas.

1) Onde está seu celular? Aqui
2) Seu parceiro? Interior
3) Seu cabelo? Grosso
4) Sua mãe? Forte
5) Seu pai? Generoso
6) Seu objeto preferido? Livro
7) Seu sonho da noite passada? Esqueci
8) Sua bebida predileta? Vinho
9) O carro dos seus sonhos? Nenhum
10) O quarto onde você está nesse momento? Sala
11) Seu ex? Passado
12) Seu medo? Perder
13) O que você deseja ser em 10 anos? Melhor
14) Com quem você passou a noite passada? Sozinha
15) O que você não é? Gremista
16) O que você fez por último? Pensei
17) O que você está usando? Roupa
18) Livro predileto? Vários
19) A última coisa que você comeu? Almoço
20) Sua vida? Surpreendente   
21) Seu humor? Instável
22) Seus amigos? Fundamentais
23) Em que você está pensando nesse momento? Nisso
24) O que você esta fazendo nesse momento? Escrevendo
25) Seu verão? Bom
26) O que está passando na sua TV? Desligada
27) Quando você sorriu pela última vez? Agora
28) Quando você chorou pela última vez? Hospital
29) Escola? Acabou
30) O que você está escutando nesse momento? Música
31) Atividade predileta dos finais de semana? Dormir
32) Profissão dos seus sonhos? Jornalista
33) Seu computador? Necessário
34) Do lado de fora da sua janela? Sol
35) Cerveja? Sim
36) Comida mexicana? Pouco
37) Inverno? Detesto
38) Religião? Espírita
39) Férias? Viagem
40) Em cima da sua cama? Bagunça
41) Amor? Fé

Sunday, November 24, 2013

Pílula, nada mágica



Eu era uma defensora da pílula anticoncepcional. Comecei usar com 19 anos e durante todo esse tempo até os 28, fiz poucos intervalos, apenas quando necessário. E nunca tive problemas com ganho ou perca de peso, varizes, cólicas... Até ter a trombose.

Me julguem, mas nunca confiei apenas em camisinha. Sempre pensava que eu tinha que fazer alguma coisa por mim e por isso, defendia o anticoncepcional. Teve meses, principalmente no verão que emendava o uso, apenas para não ficar menstruada naquele mês e perder a praia. Também já tomei pílula do dia seguinte, quando esquecia o anticoncepcional e transava no período fértil.

Ambas atitudes são um veneno, pois aumentam muito a quantidade de hormônios ingeridos. Esses comportamentos misturados com outros fatores como cigarro e vida sedentária ou simplesmente azar, aumentam a incidência de tromboses venosas, isquemias cerebrais, infartos, entre outras doenças graves. Eu só fui saber disso no hospital, quando me tornei mais uma nas estatísticas.

No começo, eu não quis saber nada sobre a TVP, não queria me assustar, não queria me influenciar, me contentava com o que o médico dizia. Mas comecei ouvir outros casos, pessoas me falavam que conheciam alguém-amiga-da-fulana-sei-lá-de-quem que teve também. Então, um dia digitei lá no google “trombose e anticoncepcional” e veio muita coisa. Divulgam que a incidência é de 10 casos para 10 mil mulheres, mas parece ser muito mais.

Em países da Europa, o uso da pílula está sendo proibido, há inúmeros processos judiciais contra os fabricantes dos anticoncepcionais movidos por mulheres que se sentiram lesadas e enganadas (e sim, a gente se sente), fora os casos de mulheres que morrem precocemente por embolia, AVCs... Nem sabem o motivo e os familiares lamentam a fatalidade.

Só que isso faz a gente se dar conta que o buraco é bem mais embaixo. Há toda uma indústria farmacêutica que lucra milhões com a venda dos anticoncepcionais, há ginecologistas que também se beneficiam disso (afinal é bem mais fácil orientar uma mulher, lhe dar uma receita e deixar tudo por conta dela). Há ainda a mídia que além de abafar tudo isso, vende a pílula como a “lei Áurea” da vida sexual das mulheres.

Tenho uma amiga que diz que tomamos remédio para concertar uma coisa e estragar duas. Talvez seja real, embora triste. Ainda acho a pílula um método anticoncepcional eficiente, mesmo que nunca mais vá tomar uma, o que lamento profundamente é a falta de informação. A falta de opção que os ginecologistas nos dão, pois entre a nossa escolha e a indústria farmacêutica, há a nossa vida e com isso não dá para arrumar uma coisa e estragar duas.

Tuesday, November 19, 2013

Inesperado



Tive uma Trombose Venosa Profunda recentemente. Sim, com 28 anos. Foram 10 dias hospitalizada, dos quais quatro passei sem poder sair da cama. Tive alta no começo de novembro. Embora eu pense que estou lidando muito bem com tudo isso, não sei o impacto que tudo isso teve para mim.

Sim, não foi nada grave e não precisei de nenhum procedimento cirúrgico porque descobri bem no começo. Também, sei que é clichê falar que pensei muito na vida neste período. É natural que se reflita sobre isso num hospital.

Eu faço parte daqueles abençoados que amam o que fazem, então me afastar do trabalho tem sido bem difícil. Mas pior do que isso, são os compromissos agendados que não compareci, o computador que tem que arrumar, a conta que venceu, a roupa que estava na costureira, a apresentação da dança... Essas pequenas coisas que muitas vezes, fazemos no piloto automático, mas que preenchem os dias e a vida.

Pela frente, tenho um tratamento de seis meses com anticoagulante e a promessa de uma vida normal. No momento, a certeza que tenho que lidar com isso da melhor maneira possível, sem surtar, sem dramas. E acho até que estou indo bem.

Estou lendo bastante nesses dias de repouso e escrevendo mais. Acho que uma das coisas boas que essa pausa inesperada pode ocasionar é voltar a me dedicar ao meu blog, mesmo que ninguém mais leia blogs em época de Facebook. Se antes eu nunca tinha tempo para escrever e achava que não tinha nada de novo para contar, agora eu tenho os dois.

Ler e escrever, sem dúvida vão me ajudar a transformar esse limão numa limonada. Ah sim, o motivo da Trombose precoce: uso de anticoncepcional.

Friday, March 15, 2013

Maturar



Algumas relações de leitores com escritores, ou até mesmo determinados livros, são como frutas e precisam serem maturadas.

Em 2011, ganhei de aniversário “Clarice - uma vida que se conta”, da Nádia Battella Gotlib. Segunda a crítica uma das melhores biografias da Clarice Lispector. Estava louca para ler.

 Porém, durante esses quase dois anos, as 700 páginas repousaram no meu quarto, sem eu sequer abri-lás.

Essa semana comecei a devorar o livro, sem culpa, sem remorso. Antes poderia não estar pronta para uma vida tão densa e intensa.

Acho natural esse período que certas histórias levam para nos tocar. Foi assim com meu escritor preferido, Caio Fernando Abreu, não foi paixão de cara, não. Levou um certo tempo.

Nós, humanos deficientes que somos, precisamos amadurecer antes de abrir certos livros. 

Thursday, February 14, 2013

Loading


Minha mente tinha que ter um cabo USB que descarregasse tudo que eu pensasse. Me pouparia o trabalho de escrever e a autocensura, mesmo sabendo que muitos sairiam correndo sem uma edição prévia da minha cabeça. 

O problema é que eu não tenho para onde fugir, tenho que aguentar, meus anjos, meus demônios e todos os ecos que causam dentro de mim. Gostaria de correr na velocidade do meu pensamento, para ver se passa, se alivia tudo isso.

Deixa escrever sobre o subjetivo. Tudo e nada são subjetivos e tudo é uma coisa só, não tem como fugir, não tem como escapar e não deveria precisar de ninguém que esfregasse isso na nossa cara.

É tão caro, tão raro e tão óbvio e não percebemos. Enxergar bem custa caro e não sei se faz um bem danado, nos isola e isso pode ser enlouquecedor. Isolados somos obrigados a viver com as nossas multidões.

Deveria ser mais fácil, mais nítido e menos dolorido. Mas não é, é dilacerante e temos que ir e ir e seguir em frente, dilacerados... O que é bom, pois só com dor descobrimos o sabor, notamos as sutilezas, as certezas e a essência.

Viver dói, VIVER MESMO, com todas as letras garrafais, com contas para pagar e opiniões alheias não é fácil, mas é possível e é saimos ilesos.

Wednesday, February 13, 2013

Presente e inevitável


Tenho lido muita coisa sobre solidão, não por querer, mas ultimamente tem caído nas minhas mãos artigos e matérias sobre o assunto. E ler tanta gente defendendo que a solidão faz parte da vida e o que nos resta e fazermos as pazes com ela para tentar viver da melhor maneira possível, me faz ter a certeza de que é inevitável se sentir sozinho, mesmo quando está tudo bem.


Está tudo bem comigo. Nunca fui do tipo que vira as costas para a solidão, pelo contrário, acho que dou as mãos e a levo para passear. Tem vezes que ela é mal criada e me machuca, tem vezes que ninguém acredita que me sinto sozinha. Assim como não acredito que uma porção de gente que conheça deve se sentir sozinha. Coisas da vida...


Alguns disfarçam bem a solidão, fantasiam e nascem os bem resolvidos com tudo. Duvido de gente bem resolvida, cadê o charme da incerteza, da dúvida? A força da fragilidade e do desconhecido? Cadê, principalmente, a surpresa no final? Ninguém é bem resolvido com sua solidão, porque ela assusta, nos coloca de cara com um espelho e não é para fazer posses.


Estar tudo bem comigo significa que a minha solidão está sob controle. Ela está ali cumprindo a função vital que deve ter para nos tornar mais humanos, mais sociáveis e menos egoístas. Acredito que é fundamental a gente se bastar, se conhecer, viver bem consigo e sozinho, mas é essencial sair em busca do outro quando a gente transbordar em si mesmo.

 

 

Monday, January 28, 2013

Sobre a solidão que viaja com a gente


O tempo, voraz como sempre, passou e eu já voltei de Cuba. Tirando todas as surpresas e constatações da conjuntura política e econômica da Ilha, o que mais me marcou foi a sensação de solidão. Apesar do grupo, apesar de todos os dias ter gente bacana em volta de mim para trocar ideias e impressões da viagem, apesar de todo mundo ter se dado bem, me sentia sozinha.

 Foi uma baita experiência viajar em grupo e um grande teste de paciência também, mas a maioria das pessoas não se conheciam. Talvez isso tenha contribuído para deixar as coisas na ordem da superficialidade. Por mais que todo mundo, depois de alguns dias, já estivesse bastante íntimo, éramos desconhecidos. Éramos acompanhantes de viagem uns dos outros, algumas vezes, parceiros e muito raro, companheiros.

Isso deve ser o que o Bauman chamou de relacionamentos líquidos, moldados pelas necessidades das circunstâncias. É estranha essa solidão acompanhada, também penso que os fatores: estar em terra estrangeira, ser estrangeiro, estar fora do ninho conhecido, da zona de conforto da rotina, colaborem muito para ressaltar a nossa solidão.

Talvez essa solidão seja inerente à gente e o afeto que nutrimos pelas pessoas com as quais convivemos no dia a dia, à camufle. Voltamos de Cuba e cada um voltou para a sua cidade, seu estado. Quem era amigo antes de ir, tem uma bela história para recordar com os amigos. Quem não era, não será. Nos lembraremos claro, um dos outros, podemos trovar emails, manter contatos por redes sociais e quem sabe, até nos encontrar em algum outro momento, mas só.

Provavelmente, os outros também se sentiram sozinhos. Pois bem, voltamos todos para a velha e confortável solidão que conhecemos. Tão íntimas que nem percebemos sua presença.

Monday, December 24, 2012

Cuba


Daqui alguns dias vou para Cuba e só uma coisa me preocupa. Não são os taxis velhos, a ilha socialista, a possível falta de chocolate que vou sentir, a personalidade um tanto duvidosa do Fidel... Vou viajar com um grupo de mais de 10 pessoas e nem todas, conheço.

O máximo que já viajei foi com quatro pessoas. Estar fora de casa e com outros, é campo minado para se estressar, pois estamos em território desconhecido, tudo é novo e naturalmente, ficamos mais alertas. Não, nunca me estressei nas minhas viagens, ao menos, eu acho. Mas também, nunca foram 20 dias com viajeiros semi desconhecidos.

Quando fui para Europa, fui sozinha e solidão é complicado. Tinha dias que sentia falta de ouvir a minha voz e sinto uma pontinha de tristeza quando lembro que não há ninguém para compartilhar as lembranças do velho continente. Mas fazia o que queria, na hora que bem entendesse.

Claro, que ninguém é obrigada a ficar junto com todos. Porém, mais dias e mais gente, mais chances de rolar algum estress. Por outro lado, sei que vai ser uma baita experiência para mim, viajar em grupo. Com exceção de uma amiga, é a primeira vez em Cuba de todos. Vai ser, no mínimo, interessante observar as pessoas lá. Será um exercício sociológico.

Por mais que me preocupe e que tenha medo de me estressar ou que role muito estress no grupo, estou louca que chegue dia 28, para embarcar. A primeira vez que todos se encontrarão será dia 29 em Varadero, o destino mais caribenho de Cuba e onde passaremos a virada do ano.   

Lembro de um réveillon que passei na Ilha do Mel com uns amigos, anos atrás, apesar da indiada para voltar dia 1º pela BR 101, aqueles dias renderam muitas histórias boas. Imagina no Caribe? Preocupações a parte e qualquer possível dor de cabeça, sei que voltarei de Cuba feliz e como em toda viagem, um pouco mais pobre, mas muito mais rica.

Friday, November 23, 2012

Música, presente


“A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa”
(É o que me interessa, Lenine)

Ontem, dia do músico, assisti ao show do Lenine. E foi um baita show num Araújo Viana lotado.

Meu “dream team” da música é composto por Fito Páez, Nando Reis, Lenine e Teatro Mágico, pois  eles são cidadãos e dão o seu  recado seja vendendo apenas na internet ou na trilha sonora da novela.

Todos são grandes compositores, mas vão além da poesia pura, sabem brincar com a linguagem, com a fonética das palavras e criam arranjos musicais surpreendentes.

Ontem, no dia do músico, eu me dei um baita presente.

Vivo, Lenine


Al lado del camino, Fito Páez


Dentro do mesmo time, Nando Reis


 Pena, Teatro Mágico

Sunday, October 28, 2012

Pele

De todas as coisas que a tua ausência causa, a falta que sinto da tua pele é a mais perturbadora, o que me desatina. Se eu não pudesse beijar, abraçar, transar, só te tocar me salvaria. Contornar as tuas asas e sentir a tua morenice carioca me acalma.

Essa distância faz tudo parecer tão sofrido, mas se torna tão insignificante quando você me toca, deixando minha pele toda arrepiada. Ou quando estou nos teus braços e não consigo pensar em nada, nem mesmo em pedir, inutilmente, para o tempo parar, porque ele vai passar e na maior parte, não tenho você ao alcance da minha retina e das minhas mãos.

Gosto de olhar nos teus olhos mesmo quando está de óculos. Assim como gosto de contar os fios brancos que nascem na tua barba, embora sempre me perca e tenho que recomeçar. Geralmente é isso que eu fico fazendo enquanto você está entretido, assistindo algum filme de algum super herói que eu desconheço a existência.

Às vezes eu pego no sono e é tão bom dormir sentindo teu calor.  Tem vezes que acordo assustada, vai que dormisse mesmo e sonhasse que estava em outro lugar e não ali, com você? Então você me olha e sorri esse sorriso de menino que tens. Eu olho para tevê, faço de conta que estava assistindo o filme, mas logo volto a me perder na tua pele.