Monday, November 29, 2010

Mais sobre a fé ou a falta de...

Pior do que perder a fé nas coisas, sejam elas abstratas e espirituais, é perder a fé em si, nas coisas práticas e diárias. Não ver sentido em levantar da cama todas as manhãs. Não acreditar nem que exista um amanhã e que as coisas podem melhorar.

Eu não consigo mais planejar nada. Outro dia comentei sobre fazer mestrado com um colega do serviço, eu sempre pensei em continuar estudando, mas me pareceu tão estranho. Fazer mestrado pra quê? Para contribuir com as pesquisas acadêmicas? Ninguém liga pra isso. Pra satisfazer uma vontade minha? É só pra manter minha cabeça doentia ocupada.

Eu não entendo porque uma pessoa que de repente, se tornou tão vazia como eu, ainda respira. Inspirar, encher os pulmões de ar, expirar... Pra quê? Por quê? Qual é o sentido dessa porra toda?

Ainda hoje uma amiga me disse que é a esperança, a fé (seja lá no que), que nos faz levantar da cama e ir em frente, de cabeça erguida. A única coisa que me impulsiona é que todas as manhãs eu penso que é um dia menos desta tortura toda. Um dia isso tudo vai acabar.

Sunday, November 28, 2010

Sem fé

“...não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais destrutiva que insistir sem fé nenhuma?”Caio Fernando Abreu.

Eu sempre fui uma pessoa crente e sempre achei importante crer em algo. Mas alguma coisa mudou e me faz questionar tudo, de Deus ao vegetarianismo. Eu me sinto vazia de fé. As coisas perderam o sentido.

Astrologia, Feng Shui, I – Ching, trânsitos planetários, cartomantes, Pais de Santos... Não acredito mais nisso. E podem ser coisas superficiais, mas que me faziam bem. Meu quarto foi planejado com o Feng Shui, sabia de cor em qual signo a lua se encontrava e como os planetas estavam no dia. Eram coisas que me davam um sentido.

Conspiração do universo, energia positiva, pensamento premonitório... Faziam eu pensar em coisas boas. Só. Agora não me pegam mais. Nada mais me pega. Eu que sempre andei com a cabeça na lua, cai na terra de cabeça.

Anjos, mentores espirituais, Kardecismo, Deus... Sinceramente? Não sei. Tudo não passa de um grande ponto de interrogação dentro de mim. Tem uma semana que eu não oro mais, eu tentei, mas não consegui, foi quando percebi algo estranho. Desde o dia que morri não consigo mais orar, não creio mais no poder da oração.

Eu não queria que isso tivesse acontecido, é triste não encontrar um sentido nas coisas. Talvez eu vire uma adepta do racionalismo. Não iria estranhar, quando a gente perde a fé, a gente perde também, a capacidade de se surpreender com a vida. Não vou estranhar nem se me der vontade de comer uma boa e sangrenta carne assada.

Twittando

Agora eu tenho um twitter (@re_remachado). E daí né? Mais uma inutilidade pessoal numa era de inutilidades coletivas. Não basta ter amigos, temos que ter seguidores!

Foi a Fabi e o Cris que me convenceram a fazer um, isso há duas semanas. No dia, perguntei: “mas o que eu vou twittar?” Mesmo com essa dúvida, eles me convenceram e eu prometi. Demorei, mas cumpri.

Não sei mexer direito naquilo e continuo sem saber o que escrever lá, ainda mais com tão poucos caracteres... Ando tão de saco cheio da vida. Não preciso twittar isso e, nem as pessoas merecem, ficarem lendo minhas chatices, já basta aqui.

Sei lá, tô no twitter agora, até quando não sei...

Saturday, November 27, 2010

Missa de 7º dia

Eu morri há sete dias. Isso aqui é uma celebração, como uma missa de 7º dia. Nunca entendi o motivo do 7º dia após a morte, nem agora... Bom, eu que acreditava que o corpo morria e o espírito continuava vivinho da silva, estou perdida e sem entender.

Como assim, a alma morreu e o corpo continua? Meu corpo está tentando manter as aparências, tanto que ainda fico em pé! Ainda trabalho, como, converso, leio, escrevo... Deve ser como aquela sensação que pessoas mutiladas têm quando sentem dor nas partes do corpo que não existem mais...

Há exatos sete dias eu estava morrendo. Porque na verdade eu não morri assim, de uma hora para outra. Eu fui morrendo, lentamente, lá em Santa Maria. Dizem que as pessoas pressentem quando vão morrer e de fato, é verdade, quando eu embarquei no ônibus sabia que seria uma viagem sem volta.

Eu estava feliz, não uma felicidade eufórica (que sentia no sábado de manhã, último dia da minha vida). Mas uma felicidade branda, que se contenta com pouco, de quem sabe que tentou até o último minuto.

Morri durante a madrugada, confortável, deitada numa cama, de banho tomado, coberta com edredons, com ar condicionado ligado e abraçada no homem que eu amo. Eu chorei, peguei no sono e não acordei mais.

Meu corpo levantou, foi colocado num taxi, entrou num ônibus para Porto Alegre e chorou os quase 300 quilômetros. Chorei a minha própria morte, o amor que me deu sentido, a saudade que quase me enlouqueceu e a minha alma que estava morta e tinha ficado para trás.

Eu morri há sete dias, num apartamento em Santa Maria. Foi numa noite agradável, estrelada e de lua linda e cheia no céu. Eu morri feliz.

Tuesday, November 23, 2010

Trilha do meu momento

Vale de Lágrimas
Lulu Santos


Deixa eu lhe dizer
O que eu passei
Desde que você
Se desapegou de mim

Eu zanzei pelas ruas,
um molambo
Sonâmbulo,
insone e insano
Queria me atirar no mar
Só para me afogar
Que ainda é melhor
Que ser um devedor
Nas contas do amor
Preferia um deserto atravessar
Sob o sol e as noites sem luar
Do que dar meu braço a torcer
Que você não está
Que você não vem
Faça-me um favor
Volta para mim

É o que sei dizer,
nada mais
Senão me repetir

Que zanzei pelas ruas,
um molambo
Sonâmbulo,
insone e insano
Queria me atirar no mar
Só pra me afogar
Que ainda é melhor
Que ser um desertor
Dos campos do amor
Preferia um deserto atravessar
Sob o sol e as noites sem luar
Do que dar meu braço a torcer
Que você não está
Que você não vem
Faça-me um favor
Volta para mim

É o que sei dizer,
nada mais
Senão me repetir
Outra vez

Preferia um deserto atravessar
Sob o sol e as noites sem luar
Do que dar meu braço a torcer
Que você não está
Que você não vem
Faça-me um favor
Volta para mim

Thursday, November 18, 2010

Pedaços

Eu ando em pedaços. Às vezes eu tenho que correr atrás de algum pedaço que avança pelo caminho. Em outras, que tenho que parar e esperar os pedaços que ficaram para trás.

Estar em pedaços cansa. Pois tenho que fazer um esforço sobre humano para parecer inteira. É quase uma mentira e, uma mentira que deforma a alma. Dói muito, dói tudo. Até sorrir machuca.

Por hora, estou conseguindo manter alguns pedacinhos juntos e em pé, eles desmoronam sim e várias vezes ao dia. Em inúmeros momentos eu penso: “deu, agora eu vou desmoronar!”

Mas sempre tem uma ou outra parte que resiste. É uma tortura, um esforço físico e mental. Eu tenho que manter a ordem do caos. Eu tenho que viver, morta por dentro.

Monday, November 15, 2010

A Feira





Acho que todos os anos eu escrevo alguma coisa sobre a Feira do Livro. Esse ano, para não perder o hábito, não será diferente, embora tenha sido bastante diferente. Eu tinha pensando em passar longe da praça da Alfândega, contenção de gastos total por causa da viagem. Só que comprei três livros e meio, mais um guia de viagem de Barcelona, ou seja, gastei mais do que queira...

Os livros: Marilyn últimas sessões, de Michel Schneider, que foi o maior achado da feira, a biografia da Marilyn Monroe por R$ 13,00! Olhares Cruzados, que tem vários artigos de intelectuais europeus e latino-americanos sobre a questão da identidade nesses dois continentes. O extraordinário Poder da Intenção, livro de auto-ajuda que trouxe pra mãe, mas não nego, talvez dê uma olhada, estou apelando para tudo...

O meio livro: Clarice na cabeceira, vários contos da Clarice Lispector apresentados por diversas pessoas (Adriana Falcão, Lya Luft, Malu Mader, Mônica Waldvogel, entre outros). É meio livro, porque rachei com Fabi, vimos na banca, nos olhamos e levamos. Eu vou ler primeiro, mas realmente, comprar meio livro é engraçado, hehehe. Com quem ele vai ficar depois?

Falando na Fabi, foi com ela e com o Cristian (que eu conheci hoje), que fui na feira. Bom, a Fabi: só ela pra me aturar, pra me tirar de casa e me fazer rir. O Cris: gente fina, elegante e sincera. Libriano com ascendente em gêmeos.

O melhor de tudo é que tomamos umas cervejas e fizemos planos. Eu até consegui rir, embora não tenha esquecido. Uma hora vi um livro lindo (e caríssimo) sobre fotografia, bah, que vontade meu deu de comprar pra dar pra ele...

Vamos aos planos de ordem prática e real. Vou sair da Era Paleolítica que vivo e vou fazer um twitter, essa semana, escrevo sobre isso aqui no blog quando der esse passo gigantesco para mim, mas mínimo para a nossa modernidade atual, hahahaha.

Agora o melhor de tudo, lá por junho, julho de 2011, eu, Fabi, Cris e quem mais for parceiro, vamos passar uns dias em Buenos Aires. Coisa boa né? Melhor ainda é alguém com a mente suicida que eu tenho, fazer planos, às vezes isso é tão difícil...

No final das contas, foi um bom dia. Não me fez esquecer de nada, não amenizou a saudade, mas consegui respirar ares diferentes... Adorei a tarde, as minhas aquisições e a companhia.

Wednesday, November 10, 2010

Que seja doce




Essa frase “que seja doce” virou quase um mantra pra mim, porque é singela e densa ao mesmo tempo. Está num verso do Caio Fernando Abreu, ele que sempre foi tão bom em descrever sentimentos e coisas abstratas, merecia estar na minha pele.

Dizem que por trás de cada tatuagem, de cada desenho no corpo, tem uma marca na alma. E na minha tem o desejo de que as coisas sejam doces. Que a vida seja doce. E também, é para não esquecer que muita coisa na minha vida já foi doce, por isso essa tatuagem está num lugar que eu possa enxergar sempre.

Essa é a quarta frase que tenho tatuada. Eu gosto de frases, porque gosto de livros e histórias. Assim como gosto de mantras e letras de música. Como gosto, principalmente, de tudo que contêm esses sinais gráficos que chamamos de letras, é através delas que me comunico melhor, que tento me salvar.

Espero que cada pessoa que ler meu braço fique com essa frase na cabeça, que seja doce, que seja doce, como um pedido lançado ao universo ou uma pequena prece em meio há tantos devaneios que passam pela nossa cabeça. Não importa o que, importa sim, é nos darmos conta da doçura das coisas. Mais do que nunca, eu preciso que seja doce!


“Que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”
Caio Fernando Abreu

Monday, November 08, 2010

Futuro bom

Queria beijar você para o resto da minha vida e eu não iria enjoar. Queria também, ver teus cabelos ficarem brancos e notar que você está engordando e, mesmo se eu reclamasse, pode ter certeza que ainda te acharia o homem mais lindo do mundo. E toda vez que te visse de óculos e gola alta, falaria que você está muito sexy.

Eu te daria colo, ombro, ouvidos e todo o resto, do corpo e da alma. Cuidaria de você com gripe, dor de cabeça, tosse e até mau humor crônico, e seria a mulher mais feliz do mundo por isso. Agradeceria todo dia, ter o privilégio de viver com o homem que amo.

Não, não há nem um pouco de exagero nisso, há sim, muita lucidez. Tem a consciência branda de quem percebeu o porquê se nasceu, os caminhos que percorreu, de quem, de uma hora para outra ou lentamente, se deu conta do sentido de tudo. Você chegou e me explicou muita coisa, me deu um sentido.

Por mais que eu pense em me atirar na frente de um caminhão para acabar com a saudade infinita que sinto de você, é justamente, a necessidade de matar essa saudade que me faz continuar, que me levanta da cama, todos os dias.

Porque eu amo tanto você, que um dia a gente vai se encontrar, a tal força que move o universo e faz as coisas darem certo me levarão até você. Às vezes, dá medo de nunca mais te ver, mas eu penso que nem o diabo seria tão desumano assim.

Até porque ele já deve se divertir bastante com essa situação, um dia ela vai cansar e me largar de mão. Nesse dia algo vai acontecer. Nesse dia eu vou ter a certeza que valeu a pena acreditar em todo o amor que eu sinto.

Preciso tanto aproveitar você
Beijar teus olhos, olhar tua boca
Ouvir palavras de um futuro bom

(Palavras de um futuro bom - Jota Quest)

Saturday, November 06, 2010

Comer, Rezar, Amar

Já tem tempinho que fui assistir ao filme Comer, Rezar, Amar, inspirado no livro da americana Elizabeth Gilbert. E prefiro o livro que li enquanto estava em Florianópolis, em fevereiro de 2009. O filme é maçante e monótono.

Se no livro sobra emoção, no filme, falta. E faltou também o amigo que tocava violão que ela conheceu em um dos países que visitou, não lembro qual (esse personagem não mudaria a história, mas simpatizei com ele...). E não precisava aquela cena que o brasileiro Felipe dá um selinho no filho, que justifica isso como um comportamento natural do caloroso povo brasileiro.

Claro que alguma coisa no filme iria faltar, já é extenso, com quase duas horas de duração e nunca consegue colocar todo um livro no cinema. O filme não conseguiu mostrar que a grande viagem aconteceu, de fato, no interior da personagem. Já o livro trás passagens interessantes sobre o que Liz pensa sobre o amor, a depressão, a felicidade...

É um trecho que fala sobre a felicidade que reproduzo aqui. Um belo trecho, pois se ser feliz fosse tarefa fácil, só nascer já bastaria e viver seria secundário. Mas não, é necessário viver e sempre alerta e atento, prestando atenção em tudo pra perceber onde está, de fato, a nossa felicidade. Ou o que nos move em direção a ela.


“...as pessoas tendem a pensar universalmente que a felicidade é um golpe de sorte, algo que talvez lhe aconteça se você tiver sorte suficiente, como o tempo bom. Mas não é assim que a felicidade funciona. A felicidade é conseqüência de um esforço pessoal. Você luta por ela, fez força para obtê-la, insiste nela, e algumas vezes viaja o mundo à sua procura. Você precisa participar o tempo todo das manifestações de suas próprias bênçãos. E, uma vez alcançado um estado de felicidade, nunca deve relaxar em sua manutenção, deve fazer um esforço sobre-humano para continuar para sempre nadando contra a corrente rumo a essa felicidade, para permanecer flutuando em cima dela. Se não fizer isso, seu contentamento interno irá se esvair. É muito fácil rezar quando se está passando por um momento difícil, mas continuar a rezar mesmo quando a sua crise já passou é como um processo de selamento, que ajuda sua alma a se aferrar às coisas boas que conquistou.” Elizabeth Gilbert - Do Livro Comer, Rezar, Amar.

Wednesday, November 03, 2010

Saudade mata

Eu sinto tanta saudade, mas tanta saudade que falta o ar, dói a cabeça, o peito, o estômago e dá nó na garganta. Às vezes dá calafrios, noutras tonturas e quase sempre, fica a certeza que eu vou morrer de tanta saudade.

Se eu enfartar, ter uma parada cardiorrespiratória, cair de tontura e arrebentar minha cabeça, morrer de gastrite, de câncer, de pancreatite, com um AVC, se eu acabar esquizofrênica, bipolar ou me atirar pela janela, a causa será só uma: saudade.

Saudade mata a gente, sim, de uma maneira cruel e lenta. Porque as horas se arrastam e o tempo não passa, mas quando percebemos passou muito tempo e a gente se pergunta como conseguimos viver assim? E percebemos que não foi vida, foi meia vida, porque boa parte de nos já morreu.

Ela vai matando aos poucos, sem muito alarde. Mata o sono, com isso a vontade de levantar da cama de manhã também vai embora. Saudade acaba com a atenção, o rendimento no trabalho cai, vozes de pessoas ao nosso lado parecem ruídos que vem de longe, as pessoas se tornam cada vez mais distantes, paisagens ficam desfocadas e as cores ficam com tons de cinza.

As risadas ficam escassas e os sorrisos, tristes. Os olhos se perdem fácil e a visão não absorve o que realmente enxerga. A firmeza das pernas escapam entre os músculos firmes e bambeiam, porque saudade mata a gente e com muita dor.

Por fim, as vontades somem. Nenhuma fica, vão todas embora, uma a uma, algumas resistem mais tempo que as outras, mas a saudade leva todas elas pela mão... A gente assiste tudo e morre mais um pouquinho cada vez que uma vontade se vai.

Quando só fica o vazio, a saudade mata porque começa a roer e a corroer a falta, o nada... Saudade mata a gente, sim, porque quanto mais pensamos numa maneira de acabar com ela, mais forte ela se torna, mais presente fica. O alimento da saudade é a dor que ela mesma causa.

A saudade nos mata, mas deixa o nosso corpo zanzando por aí, aos pedaços, murcho e oco, a gente só não voa, porque a saudade é pesada. Tem o peso do amor que nos falta.

Saturday, October 30, 2010

Dando explicações

“As pessoas falam coisas, e por trás do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem, há o que são e nem sempre se mostra…” Caio Fernando Abreu

Estranho a impressão que passamos para as pessoas. O último texto deu a maior confusão. Um monte de gente me ligando e mandando email pra saber se era verdade ou não. Até um tio desnaturado ligou falando que tinha me criado como filha (!) e estava muito triste de ler aquilo...

Foi engraçado ouvir opiniões tão divergentes, que iam do tipo "pode ser só um texto, mas vindo de ti sei que são devaneios bens reais", até "como tu escreve bem, porque lia e pensava, a Rê que eu conheço nunca faria isso". Então, se eu faria isso realmente, tenho minhas dúvidas. Se eu tenho vontade, disso, não tenho nenhuma.

O fato é que eu não escreveria sobre isso se as coisas não estivessem, por hora, superadas. Acho que só brincamos com o que lidamos bem. Acredito que o único problema seja que as pessoas que leem o Mosaico, me conhecem. Algumas conhecem bem demais e sabem separar o que é real o que não é... Outros não. Mas todas não sabem, de fato, o que se passa na minha cabeça.

Às vezes penso que felicidade é vocação e eu não tenho essa vocação. Sim, sou saudável, tenho uma família incrível, amigos sensacionais, uma profissão que amo, um emprego fixo, colegas bacanas, faço coisas que gosto, não sou uma pessoa ociosa, tenho tudo pra ser feliz. E o pior, eu tenho consciência disso tudo. O Caio Fernando Abreu (sempre ele!) tem uma frase que diz que "loucura é um estado extremo de lucidez.”

Eu concordo. Essa consciência, essa lucidez das coisas só podem nos enlouquecer. A dureza da realidade enlouquece, tortura, machuca... Ouço muito, de diversas pessoas, que sou corajosa. Pra mim, a coragem ou a covardia, são só falta de opção. Um primo deixou um recado no meu orkut, no meu aniversário, falando que eu era uma inspiração pra ele, fiquei feliz. Mas penso nessas pessoas que me acham bem resolvida, independente, corajosa, batalhadora, etc e etc e me pergunto como elas não percebem que viver me dói tanto?

Monday, October 25, 2010

Dos últimos dias...



Preciso escrever mais. Não fiquei sumida por não ter o que dizer, nossa, o que eu mais tenho é o que dizer, mas está tudo trancado.

Eu fiz tanta coisa nesse tempo de silêncio. Voei de asa-delta no Rio, foi lindo e incrível, uma das melhores sensações do último mês, cheio de altos e baixos. Apesar dos meus chiliques diários, os dias no Rio de Janeiro renderam boas risadas, acho que até pra Laudi...

Teve também o I Encontro de Danças Ruschel, semana passada em Esteio, um sucesso. Coisa boa dançar num palco, fazia tempo que não vivia o corre-corre da coxia e a bagunça de um camarim. E claro que antes disso, teve horas intermináveis de ensaios e dores pelo corpo.

Falando em dor, fiz mais uma tatuagem: uma lua cheia azul, linda. Está nas minhas costas, fazendo companhia para o meu sol. Teve também os livros que li e os filmes que vi e, na hora pensei que renderiam algum texto, mas deixava para depois e depois e o depois nunca era agora. Agora é.

No desfile do 20 de setembro, meu avô enfartou em cima do cavalo, que susto, que pânico, quase que eu enfartei junto. Meu pai, com sua incrível paciência, manteve a calma o tempo todo, quando perguntei como ele conseguiu, me respondeu: “se um dia tu ver o teu pai tendo um enfarto enquanto a tua filha surta com os policias que não fazem nada, tu vai tentar controlar a situação.” Tá bom pai, faz de conta que acredito.

Também teve o que não vivi, o casamento da Roberta, que eu não fui. O show do Fito, que eu aloprei e troquei o ingresso pelo dinheiro de volta. E o Abbey Road com a Fabi, que eu também não fui. E todas as jantinhas e festinhas e barzinhos que eu deixei de ir. Estava ocupada demais querendo não viver.

Voltei a tomar antidepressivo e a ir no psiquiatra. Calma, gente, tá tudo sobre controle. Mas a cada dia que passa, sei que de todas as infinitas possibilidades que tenho de acabar minha vida, duas são gritantes: ou acabo louca num hospício ou me mato. Sem sustos e dramas, isso é fato.

Aliás, no dia 11 de setembro eu acordei e tomei a decisão: iria me matar. Seria no final de novembro, depois do curso de dança em São Paulo. Iria dar um tiro na minha cabeça no banheiro do shopping. Ou iria tomar cianureto e ficar na rua até morrer. Não queria que meus pais achassem meu corpo. Comecei até a escrever uma carta que explicaria o motivo desse ato extremo, nem corajoso, nem covarde, apenas um ato extremo de quem não enxerga mais saída.

Mas os dias foram passando, eu não achei o cianureto e o cara que iria me vender a arma, queria a grana toda (e era muita grana) à vista. Fiquei com medo, vai que a arma não funcionasse? Acabou que pensei bem e vi que só iria transferir algumas dores que sinto para pessoas que amo muito e elas não merecem isso. Então, faço o sacrifício e fico aqui! Rindo e chorando, entre cervejas e antidepressivos, ora me achando uma covarde por não ter me matado e ora muito orgulhosa de escolher viver.

Durante esses dias mais quietos do que costume, várias vezes peguei os poucos mil que tinha guardado e calculei qual seria o lugar mais longe que poderia ir com aquele dinheiro? Cogitei em ir embora pra qualquer lugar, pra longe, pra sempre, pra fugir de tudo e de mim. Não fui, ainda, mas já paguei um curso na Espanha. Em março, me vou. Mas volto logo. Serão dois meses só. Mas serão dois meses numa cidade que tem as obras do Gaudí e Paris bem pertinho.

Viram? Ao menos essa loucura toda serviu pra alguma coisa. A vida segue né? E eu estou indo, nesse momento não importa como vou, apenas que vou. Isso já é o bastante quando tudo o que se quer é ficar.

Mas gente eu tô bem, não sinto raiva, ódio, inveja, nada desses sentimentos que ninguém se orgulha. Só sinto amor e saudade. E uma certa tristeza de não poder matar a saudade e viver o amor. Talvez eu ainda viva assim por muito tempo, mas penso, neste momento, isso já basta.

“Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.”
Caio Fernando Abreu

Thursday, September 23, 2010

Mantra

Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!

Friday, September 03, 2010

Próxima parada

Eu estou indo pra o Rio de Janeiro daqui algumas horas. Espero me divertir lá. Nas últimas duas horas eu chorei metros cúblicos, até os homens que estão pintando as paredes de onde eu trabalho vieram me consolar...

Coisas da vida, problemas, empecilhos de última hora. Ele iria vir me ver esse mês, mas não vai mais. Ele é carioca, mas não mora mais no Rio. A cidade maravilhosa se tornou ainda mais maravilhosa pra mim quando soube que o ele é um menino do Rio.

Eu sinto uma saudade imensa, que não cabe em mim. Espero que lá no Rio, isso se amenize. Quem sabe andando nas mesmas ruas que ele andava? Quem sabe só de estar lá e no meio de uma caminhada olhar para o Cristo, como ele deveria fazer e como qualquer carioca faz, eu me sinta mais próxima e isso não doa tanto.

Quem sabe lá, na terra dele, se eu fizer um acordo com Deus, ele não vem?

Wednesday, September 01, 2010

Pseudo bem resolvida

“Es contigo mi vida com quien puedo sentir que merece la pena vivir”
(El presente – Julieta Venegas)


Eu lidava bem com a minha solidão. Lidava. Algo mudou dentro de mim. Ando me sentindo desconfortável sozinha. Eu estava sentada hoje na praça de alimentação de um shopping, sozinha, e me sentia um ET por isso. Eu não era assim.

Estou amando e acredito seja por isso que minha solidão, sempre tão companheira, não esteja me bastando. Depois de um pé na bunda homérico, há seis anos, decretei: viva a liberdade! Desde então, adotei o discurso, vesti a camiseta, carreguei a bandeira e encenei a personagem.

Só que pela segunda vez na minha vida, eu penso que seria o máximo ter um namorado. E pela primeira vez, eu penso que passar a minha vida inteira do lado de alguém não irá me aprisionar, nem me fazer infeliz. Muito pelo contrário, ver os cabelos de quem se ama branquearem com o passar do tempo deve ser uma dádiva.

Nunca fui uma mulher de muitos amores e casos. Talvez, justamente por isso, eu tenha uma consciência torturante do que eu sinto. E eu nem sei se um dia vou poder viver tudo isso. No momento não é possível, por inúmeras complicações e ironias da vida.

Talvez ele tenha entrado na minha vida para não deixar pedra sobre pedra, para fazer eu revisar meus conceitos, para esconder o texto da personagem, para levar embora aquele ar, insuportável, de moça-bem-resolvida-com-a-solidão que eu tinha. Nunca me doeu tanto ser sozinha.

Thursday, August 26, 2010

Vênus em câncer

- Olá, prazer.
- Oi, tudo bom?
- Tudo bem. Me falaram que você fez o seu mapa astral hoje.
- Aham é bem legal. Entendi algumas coisas.
- Que coisas?
- Porque eu sou uma babaca para as coisas do coração, por exemplo.
- Ah é. E por quê?
- Porque eu tenho Vênus em câncer.
- Ah, eu sou canceriano...
- Hum. A maneira que eu lido com os sentimentos é totalmente canceriana.
- Ah, e isso é ruim?
- Dizem que se uma pessoa levar um pé na bunda pode sofrer por semanas, mas se essa pessoa for de câncer, sofre por meses...
- Bem isso mesmo e eu também não sei lidar com o fim das coisas.
- Nem eu.

Dias depois
- Viu como a gente combina.
- Eu nunca disse que não combinávamos.
- Falou sim. Que você, leonina, não teria paciência comigo.
- Pois é, mas eu tenho Vênus em câncer.
- Adoro esse Vênus em câncer.
- E eu adoro você.

Meses depois
- Eu não quero te machucar.
- Você não vai me machucar. Eu sempre soube que você iria voltar pra sua cidade.
- Mas vou ficar mal se você ficar mal.
- Eu não vou ficar. Prometo.

Dias depois dos meses depois
- Você tem que ficar bem. Você tem que voltar feliz e forte pra tocar a tua vida.
- E você?
- Eu vou tocar a minha.
- Se a vida não fosse tão complicada a gente ficaria junto.
- Eu sei.

Mais de um mês depois
- Que bom que você veio. Que saudade eu sinto de você.
- Eu também sinto falta de você. Desse teu olho que parece o mar de Angra.
...
- Nossa nem acredito que tu tá aqui comigo!
- Mas eu tô! E amando cada segundo.
...
- Acho que não vou agüentar sem dormir. Preciso descansar...
- Também tô cansada. Mas não queria dormir, quando acordar você vai embora.

Meses depois
- Em 84 dias, essa é a segunda vez que você vem.
- Oitenta e quatro?
- Sim, eu conto quantos dias eu tenho sobrevivido com toda a saudade que eu sinto.
- Eu sei. Também tenho saudades. Mas estou pegando muitos plantões...
- Eu sei.

Um ano depois
- Se a vida não fosse tão complicada a gente ficaria junto.
- E eu tenho Vênus em câncer.

Wednesday, August 25, 2010

Da arte de falar

De todos os defeitos que eu tenho, o pior de todos (pra mim) é não falar. Eu não falo. Eu não sei falar. Nunca soube. E isso, às vezes, me mata.

Apresentação de trabalho na escola, na faculdade, sempre foi um caos! Na aula de inglês, de espanhol, de italiano... Sempre é ruim, sempre me sinto desconfortável. Cansei de chegar na psicóloga, sentar na frente dela e falar “eu não gosto de falar”, e passar a sessão toda olhando pra ela, gastando meu dinheiro, meu tempo e com a cabeça e o coração explodindo.

É horrível. Muitas vezes penso que o nó na garganta que sinto é das coisas que deveriam sair e não saem. Talvez até o peso nos ombros sejam o peso das palavras...

E falar sobre o que eu sinto então? Hahahahahaha, não consigo, não sai. O problema é que eu fico me torturando, me travando, numa ansiedade louca. Não dizem que não verbalizar os sentimentos acaba em câncer? Então, eu já sei até o que vai estar escrito no meu atestado de óbito.

A psicóloga sempre diz que eu tenho que falar, que se eu falasse metade dos meus problemas desapareceriam, que as coisas que eu sinto não são apenas “problemas meus”, que as pessoas tem que saber. Mas aí eu respondo que eu gosto de escrever. Ajuda, mas não compensa, eu sei.

É hoje, com tudo o que eu tô sentindo, com todas as coisas que estão acontecendo, eu queria tanto conseguir falar!

Thursday, August 19, 2010

Gaarder, pós... Realidade



Coisas acontecem. Coisas inimagináveis e felizes, apesar da saudade imensa que sinto de alguém e de uma certa tristeza que anda me fazendo companhia... Entrevistei o Jostein Gaarder terça-feira e hoje acabei minha pós graduação.

Há uns 10 anos, eu li o famoso O Mundo de Sofia, que está na sua 35ª edição (!), escrito pelo norueguês Jostein Gaarder. Eu li boa parte desse livro no recreio do colégio, enquanto minhas amigas se preocupavam em ficar com algum guri, eu lia filosofia. Naquela época, essa era a única opção que eu tinha pra não passar o recreio sozinha, meninas que gostam de ler não chamavam muito a atenção.

Há 10 anos, eu ainda via minha timidez como um empecilho para ser jornalista. Nesse tempo todo, sabe-se lá como, meus pais conseguiram pagar uma faculdade pra mim e eu me tornei jornalista, apesar de quieta e tímida. E depois do Mundo de Sofia, eu li tudo do Gaarder que me caia nas mãos. O Dia do Coringa é o meu livro preferido, ele é o meu escritor preferido.

Sempre que pensava nas pessoas que gostaria de entrevistar um dia, sempre pensava no Gaarder. Mas claro que isso era distante demais, assim como me formar e fazer uma pós graduação.

Por isso essa semana foi muito feliz. Depois de um ano e meio, terminei minha especialização em Sociologia, com o orgulho de ter pago toda a pós. E terça participei de uma coletiva com ele, o Jostein Gaarder, que estava em Porto Alegre, participando do Fronteiras da Educação, um evento que discute educação (óbvio) com professores. Um dia antes, liguei para UFRGS e me credenciei para cobrir o evento, se ele topasse, falaria com a imprensa antes da palestra. Foi assim, fácil.

E ele topou e é tri gente fina, fala rápido e se empolga facilmente. Eu fiquei tão atarantada que esqueci dos meus livros pra ele autografar dentro da bolsa... Também não levei o gravador, mas consegui dar parabéns pra ele (ele também nasceu no cabalístico 8/8). Fotos não podiam ser tiradas durante e entrevista, só tirei uma, dele sentadinho esperando ser chamado pra subir no palco. Nessa hora, pensei em pedir os autográfos, mas isso era tão pequeno perto do sonho que estava realizando, que nem fiz questão... Sei que ainda o encontrarei.

Não assisti toda a palestra, tinha que trabalhar e também não precisava, já tinha visto que o Gaarder parece um ser humano normal. Parece, mas não é. Nem um senhor com tamanha inteligência e entusiasmo pode ser normal num mundo tão apático. Ele é daquelas pulgas que ficam nas pontas dos pelos dos cachorros para verem o mundo.

E hoje, sai do trabalho e fui apresentar minha monografia, sobre a manipulação da mídia. Em nada lembrou a minha banca do TCC da faculdade, nem mesmo estava nervosa. E adivinhem? Tirei 10!

Neste momento, estou cansada e feliz, com o passar do tempo o impossível vai se tornando fácil, parte da vida, por mais incrível que isso pareça. A jornalista, especializada em sociologia, que entrevistou o Jostein Gaarder é a mesma menina que lia no recreio por falta de companhia. Hoje sei, que eu estava muito bem acompanhada, pois eu sonhava.

Friday, August 06, 2010

Um quarto de século

Não tem jeito, todo ano a gente faz aniversário. O meu é neste domingo, dia oito. Acho bonito: 8/8, se fosse três anos mais nova, minha data de nascimento seria: 8/8/88. Vou fazer 25 anos, um quarto de século!

Todo ano eu penso em fazer algo, curtir. Esse ano não foi diferente, queria comemorar. Uhuuuuuuuuu é meu niver. Vamos comer e beber. Meu, tipo assim, vamos festejar!!!! Tô de aniversário!! Uhu! Queria, só queria, mas não dá. Essa vontade sempre passa, pelo simples fato de eu detestar fazer aniversário. DETESTO. É pior que Natal.

Quando era criança, tinhas festinhas homéricas. Em salão de festas ou na garagem da casa da minha vó com muito balão, brigadeiro, pizza, refri, chapeuzinhos e línguas de sogra... Meus tios do Rio de Janeiro vinham, o Roni saia mais cedo do Brique, minha madrinha me dava presentes caros. Os bolos eram sempre temáticos, teve o bolo com cara de sol, o de palhaço, o castelo da princesa, o coelho com dentes de Plets (fez tanto sucesso que foi reeditado nos meus 8 anos). Na hora do Parabéns era a prima Léli de um lado e o primo Júnior de outro. Música da Xuxa. Muitos presentes. Comida farta e bebida a vontade, sempre tinha um tio que terminava bêbado e atrapalhando a brincadeira das crianças... Meus pais felizes. Todo mundo feliz, inclusive eu!

Fotos memoráveis renderam esses meus aniversários, quando olho e me vejo feliz da vida, me pergunto em que momento eu passei a não gostar? Juro que não sei! Nos meus 19 anos, que também caíram no Dia dos Pais, um dos meus presentes foi ser comida por um cretino que eu achava que namorava. Sim, meu presente foi dar, pela primeira vez. Fiz isso no sábado de tarde, num apartamento da Cristóvão Colombo e eu não senti nada além de dor. Foi um presente inesquecível, apesar de não ter sido bom.

No domingo, eu passei o dia todo com o celular na mão, esperando ele ligar. Muitas pessoas ligaram e mandaram mensagens, menos ele. Naquele ano, se só ele lembrasse, teria sido o melhor aniversário da minha vida. Mas ele não lembrou. De noite, me mandou uma mensagem dizendo que não iria mais me ver, que a nossa história acabava ali. E acabou. Ele nunca atendeu meus telefonemas, nem me explicou o motivo de tudo isso. E se eu não tivesse sofrido tanto, iria pensar que ele nunca existiu.

Quando me perguntam por que não gosto de fazer aniversário, conto essa história. Já não curtia antes, mas depois disso, piorou. E afinal, é uma desculpa, embora penso que isso não é motivo, não justifica a tristeza e o mau humor que me assola nos dias 8 de agosto.

Outro dia, ouvi num programa de rádio que não gostar e ficar pra baixo no nosso aniversário era uma falta de respeito com as pessoas que gostavam da gente e que nos parabenizavam. E de uma certa forma, é mesmo. Portanto, desculpem a falta de educação, mas eu não consigo disfarçar. Não gosto mesmo e peço todo ano que eu mude e melhore a cara para o próximo ano.

Mas gente, não se preocupem, podem me desejar felicidades e afins, que boas energias são sempre bem vindas. E graças a Deus, aniversário é uma vez só no ano, ainda me sobram 364 dias pra ser feliz.