Thursday, June 24, 2010

Distinção

A Fabi e eu passeando por Brasília, durante a I Conferência Nacional de Comunicação

No meio de uma semana que passo entre dúvidas, medos, saudades, ansiedades e preocupações, tive na tarde de hoje uma grande alegria. Uma amiga muito querida foi aprovada com distinção na banca do trabalho de conclusão da faculdade.

A Fabi é uma das poucas amigas que sobraram dos meus anos de Unisinos. Queria ter assistido a banca dela, mas como tô correndo para resolver uns probleminhas de saúde, não cheguei a tempo de entrar. Fiquei do lado de fora da sala, tentando escutar alguma coisa e me lembrando que há dois anos era eu passando por isso.

Desde que me formei, fui poucas vezes na Unisinos, mas todas foram pra falar com a Fabi, pegar um livro dela emprestado, emprestar um livro pra ela, tomar cerveja no Alemão ou comer panqueca, como fizemos hoje.

Eu não tirei distinção no meu trabalho por causa de um erro de formatação, por um ponto eu fiquei no aprovado plenamente. Não lembro de alguém me perguntar como passei no TCC depois de formada e confesso, isso não faz a menor diferença... Mas como eu queria ter tirado um pontinho a mais.

Acompanhei toda a correria da minha amiga com o TCC e hoje ouvi ela falando do vazio que vai sentir quando tudo acabar, depois da formatura. Eu também senti e não sei como preenchi. Esse vazio pós formatura é bem típica da vida, é um fim de uma etapa, começo de outra. É quase um nascer, depois de anos sendo gerado.

Enquanto tentava ouvir o que os professores falavam pra ela, eu chorava de saudade, de ansiedade, de orgulho, de raiva de não ter chegado a tempo. Mas eu fiquei toda orgulhosa da minha amiga e apesar dela não ter visto, eu bati palmas pra ela junto com a Ana, o Pedro, o Jahn e a Luíza.

Wednesday, June 23, 2010

Recomeço...

Depois de quase três anos, recomecei a terapia hoje. Com uma nova psicóloga, a que eu ia foi embora para Roraima. E lá fui eu, contar tudo de novo. Nascimento, infância, adolescência, namorados, empregos, amigos, decepções, traumas, medos, alegrias, saudades, problemas reais e imaginários, neuras e mais neuras...

Hoje eu mais chorei do que falei. Nossa, ela ainda não sabe de nada. Só sabe do agora. Foi bom. Eu precisava falar e falar para alguém que não está envolvido, alguém que não vai me julgar, apesar de me olhar assustada.

Eu sei que a próxima sessão vai ser muito diferente. A minha vida terá mudado muito, ou não. Pra terapia, eu não sei o que seria mais rico, mais interessante. Pra mim, eu sei menos ainda...

Eu não estou pensando nisso. Não estou sentindo nada também. Eu choro e nem percebo, a temperatura oscila e eu não sinto frio ou calor. Comer ou não comer, tanto faz. Mas eu estou aqui, isso basta. Tô aqui!

Tuesday, June 22, 2010

Indo...

Incrível como as coisas mudam o tempo todo. Há um ano, jamais pensaria que hoje minha vida estaria do jeito que tá. Nem precisamos pensar muito longe, há meses atrás tudo era tão diferente. Claro, nem tudo mudou, mas muita coisa mudou. E eu mudei muito!

Conheci pessoas, vieram surpresas, aconteceram situações que sempre considerei inimagináveis, mas que me fizeram pensar e mudar conceitos. Mas é uma mudança muito interna. Pra dentro, apesar de estar numa fase totalmente “pra fora” da minha vida.

Mas essas fases são bem normais. Às vezes a vida vem toda colorida, que nem bloco de carnaval, e nos leva junto. Noutras, fica preto e branco e nos deixa de lado, na arquibancada, vendo a folia dos outros.

Eu tô bem na minha, matutando com os meus botões. Vivendo pra dentro, às vezes é difícil assimilar a grandeza que é viver. Estou dentro do casulo, percebendo a vida lá fora. Daqui um pouco eu saio, mas saio borboleta!

Tuesday, June 15, 2010

19 dias

Estranha a relação que estou estabelecendo com o tempo, principalmente nos últimos 19 dias, que foi quando o ar começou a faltar e o vazio aumentar.

Geralmente a gente olha pra trás e se surpreende de como o tempo está passando rápido. Coisas que aconteceram aparentemente ontem, percebemos que já faz tempo, meses, anos, até décadas...

Nesses 19 dias, eu conto um por um dos dias e sempre penso que há recém passou 19 dias. Essa sensação de “parece que foi ontem e já tem tanto tempo” não existe. É estranho. É demorado. É arrastado, sofrido, dolorido. Pois parece que tem um tempão e não tem nem vinte dias.

19 dias é pouco? Não virei nenhuma folhinha do calendário. Os ciclos da lua não se completaram. As contas não venceram... É pouco, sim. Mas às vezes parece ser tanto. Esses 19 dias não são de espera, há não ser que minha espera dure pra sempre. Se isso acontecer, será que vai demorar muito pra passar? Não quero contar os dias pra sempre. Pior, esses 19 dias podem ser o começo de um nunca mais.

Essa lucidez espantosa sobre o tempo tem me matado, tão lentamente quanto a atual velocidade do tempo. Dá medo. Certas coisas é melhor não sentir, não notar, não perceber. Queria que passasse rápido, até o dia que eu me lembrasse do hoje como um pretérito mais que perfeito, mas distante o suficiente pra não me fazer chorar.

Monday, June 14, 2010

Catarse

Às vezes eu estou tri bem. Às vezes eu estou tri mal. Ando bipolar elevado ao cubo. Bom, o fato é que volta e meia, entre um compromisso e outro, preciso correr pra me esconder pra poder chorar em paz.

Passa logo e minutos depois já estou leve e dando risada, mas na hora parece bastante desesperador. Hoje isso aconteceu duas vezes. No restaurante, antes de almoçar, fiquei uns 10 minutos chorando compulsivamente no banheiro.

E depois foi na rua, em Esteio, indo para o pilates no meio da tarde. Esteio é a segunda menor cidade do Rio Grande do Sul em território. Três vezes por semana eu praticamente atravesso Esteio para fazer pilates. Nesse caminho, de poucas quadras, tem uma igreja (que eu não sei qual), com uma placa escrito “Deus é Amor”.

Em alguns dias, tem um pastor falando alto num microfone, por várias quadras é possível ouvir. Nunca vi muitas pessoas lá dentro, apesar do rapaz que fica na porta, convidando todo mundo que passa na rua para entrar.

Hoje, ele não me convidou. Eu própria entrei em disparada, tava na rua e deu uma vontade louca de chorar, só que Esteio não tem shopping ou praças que dá pra gente se esconder... Só tinha aquela porta aberta que me dizia que Deus é amor.

Entrei e chorei, chorei, chorei. O tal pastor parou de pregar a palavra do Senhor e ficou me olhando de boca aberta. Não tinha mais ninguém na igreja. Depois de alguns minutos chorando loucamente, sequei minhas lágrimas, pedi desculpas e fui, seguir o meu caminho.

O pastor perguntou se eu estava bem. Eu disse que sim. Ele me falou que o diabo tinha acabado de sair do meu corpo. Que poderia voltar sempre ali e que nunca mais choraria porque Deus é amor.

Mal sabe ele, que o diabo está aqui, apertando a minha garganta e me fazendo chorar de novo. Deus é amor sim, mas é a saudade o que é? O caminho do meio, o purgatório?

Sunday, June 13, 2010

Em pé

Dói. Parece que arrancaram um pedaço de mim. Choro metros cúbicos quase que diariamente. Em qualquer lugar e fazendo qualquer coisa. Durante o serviço, na rua, no ônibus, no banho, pagando uma conta, lendo, num bar com os amigos...

Dá aquele nó na garganta e os olhos se enchem de lágrimas. Dá uma saudade, uma vontade de estar junto. E um medo danado de nunca mais estar. Então eu choro, ou disfarço, mas sempre me surpreendo: como, apesar de tudo isso, ainda continuo em pé?

Eu sigo, me arrastando, aos trancos e barracos, mas tô firme e em pé. Não sei se as pessoas percebem apenas “mais uma pessoa em pé”, ou se elas notam que falta algo, “uma pessoa pela metade, que apesar do buraco permanece em pé”.

Eu vou, me arrastando, mas vou. Tem coisas pra fazer, textos para escrever, livros para ler e uma agenda lotada para não ter tempo de lembrar, apesar de que eu nunca consigo esquecer, nem por segundos. Nem no meio de risada, quando eu me acho quase feliz de novo. Quase.

Quase. Mas tem o vazio, a saudade, o nó, o choro, o medo e o nunca mais rindo o tempo todo da minha cara. E tem eu, em pé, pensando que nunca mais não existe. Nem o sempre. Mas não me importo, porque queria mesmo é agora.

Acho que vou no médico pedir um remédio pra dor. Vai que um dia eu caia de vez... Ou num psiquiatra para ele me distrair do vazio... Eu sei que viver, às vezes, dói. Mas não precisava ser sempre tão sofrido.

“Te quero muito. Ficar junto e respirar...”
Nando Reis

Tuesday, June 08, 2010

Nó

Tem tanta coisa acontecendo na minha vida que minha cabeça está dando um nó. E isso causa uma angústia chata e um nó na garganta desgraçado. Com tanto nó assim, o estômago só podia ficar embrulhado.

Brincadeiras a parte, tá tudo complicado. Eu queria escrever sobre o passeio no templo Budista, em Três Coroas e a praia no final de semana, com o Xande e o Flávio, que estava muito divertida. Mas os nós não permitiram.

Às vezes a gente se mete em cada situação... Ando numa fase de muitos questionamentos e ansiedades. Tudo pode mudar em um minuto. Estou na eminência de uma baita mudança, é só isso, já causa medo.

Muita coisa aconteceu que me deixaram tonta e tanta coisa ainda pode acontecer que a tontura pode virar queda livre. Ainda não posso falar e isso é uma coisa que me sufoca.

E o tempo que não passa? E o meu pensamento que não sustenta um raciocínio lógico para que eu entenda como é possível? E o medo que tá me assombrando? E as enes dúvidas que pairam sobre mim? E a saudade que só aumenta? E os nós que damos na vida, como desatamos?

Ao universo – A/C Deus

Sim. Eu sei que não é a primeira vez que te escrevo. Isso já aconteceu antes, alguns anos atrás. Começou no dia que fiz 19 anos e levei um fora do cara por quem era apaixonada e tinha tirado minha virgindade no dia anterior. Depois desse episódio, passei muito tempo escrevendo para o Senhor. E guardei por muito tempo essas cartas. Afinal qual é o endereço de Deus? Sempre acreditei na força das palavras e que Deus é tudo, então escrevia e acreditava que as palavras iam para o universo e mais cedo ou mais tarde, o Senhor ouviria. Anos depois disso, já recupera da depressão, coloquei as cartas fora, li algumas e entendi porque você nunca me respondeu. E como eu sofri. Havia tanta mágoa, tanto ódio, tanta frustração, tanto rancor, tanto apego que ao reler me dei conta que eu não era apaixonada por ele e sim, por uma situação. Foi preciso anos para eu me dar conta que o Senhor tinha planejado coisa muito melhor pra mim. Muito obrigada. Obrigada, principalmente, por eu ter me tornado uma pessoa mais leve.

Agora, estou aqui, um pouquinho mais madura e ainda escrevendo pra Deus. Só que agora deixo postado aqui no blog, se alguém rir já tô no lucro. E quanto mais gente lê, mais as palavras vão para o universo e se cada um fizer pensamento positivo, fica melhor ainda. Eu quero que o Senhor, o universo, os anjos da guarda e toda a tua turma poderosa conspire a favor e me traga de volta ele. O homem perfeito, que para o resto do mundo é mais um cara comum. Mas para mim é PERFEITO. Por favor meu Deus, me permita isso. Eu não gostaria de passar o resto da minha vida procurando ele em outros homens, até porque não vou achar. Acredito que para cada pessoa, existe apenas uma perfeita, uma que nos traz uma paz de espírito tão grande que a gente não consegue explicar, uma que nos faz pensar que o abraço é o melhor lugar do mundo, uma que nos faz se sentir perfeita. Tá, eu sei, eu sou muito sortuda por ter encontrado essa pessoa e ter vivido esses meses com ele. E pode acreditar, que já sou muito grata por isso. Mas é que a saudade tá doendo, sufocando. Estranho é que não tô apaixonada, tô desconfiada que é amor. Será Deus? Caso seja muito difícil fazer a minha vida cruzar na dele agora, me dê serenidade e calma para esperar o momento certo, quando a vida não tiver tão complicada, quando nos dois estivermos prontos. Essa história não acabou, não pode ter acabado. E dessa vez, esse pedido é tão puro, tão de coração que sei que o universo conspira a favor. Dessa vez, não tem raiva, não tem ódio, não tem rancor, não tem mágoa. Só tem amor.

Monday, May 31, 2010

Rainbow

Eu vi um arco-íris hoje, estava vindo do serviço pra casa. A pé depois de 40 minutos no trem. Havia muitas nuvens escuras no céu e no meio delas, apareceram aquelas cores fraquinhas.

Fiz um pedido. De todas as coisas do mundo, arco-íris é o que eu considero mais inexplicável. Nunca ouvi uma explicação convincente do que seria um arco-íris. Talvez por falta de uma explicação mesmo ou por ignorância...

As cores ficaram mais fortes. Refiz meu pedido. Quase fui atropelada de tão concentrada que eu tava. Quantas pessoas viram o arco-íris? Quantas fizeram um pedido?

As cores foram sumindo. As nuvens ficaram mais escuras e começou a cair uma garoa fria e grossa. Eu corri. No rádio começou o tocar “Somewhere over the rainbow”. Acho que foi um sinal. Um bom sinal.


Somewhere over the rainbow
Israel Kamakawiwo'ole


Somewhere over the rainbow
Way up high
And the dreams that you dream of
Once in a lullaby

Somewhere over the rainbow
Blue birds fly
And the dreams that you dream of
Dreams really do come true

Someday I'll wish upon a star
Wake up where the clouds are far behind me
Where trouble melts like lemon drops
High above the chimney top thats where you'll find me
Oh somewhere over the rainbow blue birds fly
And the dreams that you dare to, oh why, oh why can't I?

Well I see trees of green and
Red roses too,
I'll watch them bloom for me and you
And I think to myself
What a wonderful world

Well I see skies of blue and I see clouds of white
And the brightness of day
I like the dark and I think to myself
What a wonderful world

The colors of the rainbow so pretty in the sky
Are also on the faces of people passing by
I see friends shaking hands
Saying, "How do you do?"
They're really saying, I... I love you

I hear babies cry and I watch them grow,
They'll learn much more than
We'll know
And I think to myself
What a wonderful world

Someday I'll wish upon a star,
Wake up where the clouds are far behind me
Where trouble melts like lemon drops
High above the chimney top thats where you'll find me.
Somewhere over the rainbow way up high
and the dreams that you dare to, why, oh why can't I?

Saturday, May 29, 2010

Saudade

Saudade: lembrança, suave e triste ao mesmo tempo, de um bem do qual se está privado; pesar; mágoa que nos causa a ausência de uma pessoa querida; nostalgia.

Essa é a definição de saudade no dicionário. Eu acho que depois de tanta festa e farra, está iniciando um período nostálgico na minha vida. De análise do que fiz, do que falta fazer... De ocupar a cabeça pra tentar não sentir tanta saudade e de chorar de noite, antes de dormir.

Ele foi embora. Ele que apareceu na minha vida de uma maneira tão calma e serena. Ele que eu tinha certeza que seria uma válvula de escape e aos poucos foi se desvendando tão igual a mim. Tão perfeito pra mim. Sim, ele existe. E ele me fez até acreditar no que sempre considerei inacreditável: o homem perfeito também me acha perfeita.

Mas a vida é complicada e ele teve que ir. Tá, ele não foi para muito longe, está no mesmo estado, apenas quatro horas de ônibus. Mas chega a doer a saudade que eu já sinto e existem outros fatores, complicados demais, que dificultam muito a possibilidade da gente se ver e ficar junto, pelo menos por enquanto.

Eu não sei se esse é o pior tipo de saudade. Ou se é a de quem morre. A circunstância toda que consegui me meter, me faz lembrar muito da minha avó. Como eu precisava dela aqui, comigo, agora. Às vezes penso tanto nela, mas não sei se é saudade, estranho pensar que uma pessoa que conviveu só seis anos comigo, faz tanta falta. Fico imaginando como seria a vida se ela não tivesse morrido tão cedo, as coisas seriam tão diferentes.

Neste momento, a saudade dele dói mais. Mas não tem mágoa, nem tristeza. Tem uma ausência e um respeito pela história que ele tem que viver. Tem esperança também, que a situação vai melhorar, que a gente não vai sentir o tempo passar e logo vamos estar juntos.

E tem também aquele último consolo pra saudade, que Deus sabe o que faz.

Monday, May 24, 2010

Toque de caixa

A vida tá a mil. Muitos planos. Curtos e longos prazos. Um ou outro nó na garganta. Uma e outra paranóia, porque nem eu acredito que nem lembro mais o que é dor no estômago, aftas, choros contínuos...

Estou curtindo a vida adoidado e isso é bem melhor que ficar em casa olhando a sessão da tarde. É tanta coisa que não dá tempo, mas não quero perder nada. Vou vivendo e absorvo o que dá.

Amanhã: show do Nei Van Soria. Quinta: happy hour com a Gi e a Jú. Sexta: jantinha com a Aline e a Jaque. Sábado: Ocidente. Feriadão: praia com os amigos. Dia dos namorados: II Encontraço dos Solteiros. E tem a festa junina da Janja e a festa do Cachorro Louco em agosto.

E tem Montevidéu em julho. E apresentações de dança do ventre em junho, julho e outubro. E a Feira do Haren. E a entrega da monografia da pós. E a formatura da Fabi. E o casamento da Rô. O chá de panela da Jú. O mestrado da UFRGS. E o final de semana em Gramado. E mais o que vier, o inesperado. O combinado de última hora.

Tá tudo assim a toque de caixa. Diz um amigo meu que “a vida é dinâmica”, e eu concordo com ele. A Ana diz que não me conhece mais, de tão festeira que eu tô. A vida é feita de fases, como tudo que é dinâmico, e eu queria muito que a minha amiga querida estivesse mais perto de mim (geograficamente) nesta fase atual.

É tanta coisa me tirando o fôlego que nem vou ter tempo de sentir falta. Eu não quero sentir. E vou vivendo, o tempo vai passando e quando eu perceber ele vai ser uma gostosa lembrança, daquelas que fazem a gente sorrir. Sempre que eu ouvir aquela música linda do Teatro Mágico que diz “só enquanto eu respirar, vou lembrar de você”, vou pensar nele.

E lembrar que as coisas são como tem que ser. Talvez a minha vida esteja tão a toque de caixa, e tão boa, justamente para eu não sofrer. Sempre soube que seria assim, que ele iria embora um dia. Confesso que esse dia chegou cedo demais... Mas eu vou tá sempre tão cansada que vou deitar e não vou chorar, só vou sonhar.

Friday, May 21, 2010

Caiu como uma luva

Achei o texto abaixo na internet (salve internet), não sei de quem é. Mas curti muito, tanto que coloquei até no perfil do Orkut. “A felicidade como meta” não é um texto cheio de clichês ou receitas fúteis para a gente ser feliz.

Em vez de pregar o “abra seu coração”, o autor sugere que pratiquemos o desapego. E eu estou numa fase tão boa na minha vida, tão feliz, tão leve, tão desapega, que esse texto caiu como uma luva. Perfeito para eu perceber que sou feliz.

Daqui uma semana, provavelmente estarei triste, pois uma pessoa muito especial está indo embora e as ironias da vida não permitem que a gente permaneça juntos. Eu tenho a consciência de que vou ficar um pouco para baixo, mas já sabia que seria assim... Então, só me resta praticar o desapego, não em relação à pessoa, mas a situação.

Por agora, garanto que estou feliz! Que vocês curtam o texto, tanto quanto eu.

A felicidade como meta

Felicidade não é o gozo ou o prazer, nem a sua ausência. É o estado permanente de quem encontrou a si mesmo, isto é, a sua essência verdadeira.

Felicidade é o sentimento de desapego perante qualquer coisa de concreto ou abstrato que se lhe apresente. Esta é a felicidade verdadeira, incondicional, desligada de todo e qualquer fator material; é o viver em harmonia com a Realidade espiritual, ou, se preferir, com aquele nível que transcende o que se vê de imediato. É a Harmonia Universal. A Consciência Cósmica.

A sensação de prazer subordinada a um fator material e dele dependente, mesmo em se tratando de relacionamentos, não é felicidade, é alegria, porquanto passageira, isto é, dura até que referido fator também perdure, até que a função circense chegue ao fim.

Sendo assim, esqueça raça, cultura ou credo. Não importa seja o seu consulente rico ou pobre, velho ou novo, doente ou sadio, bonito ou feio, gordo ou magro, famoso ou desconhecido.

O caminho do desapego é o exercício regular de um sentimento de indiferença para com os acontecimentos de qualquer natureza. Não se trata de repulsa, pois se você despreza o próximo não o está amando como a si mesmo. Igualmente é impossível viver sem atender às demandas da vida no físico.

Indiferença, aqui, significa que você, por ter plena fé no ordenamento cósmico, não sofre, não se lamenta, não exulta, nem se ufana, apenas constata o fato e, se for o caso, faz o que precisa ser feito, sem se ligar emocionalmente; e, mesmo quando há emoção você não se liga nela. Em sendo caminho, a felicidade já se encontra no próprio caminhar.

Ordenamento cósmico pode ser entendido como o "quid" que faz com que o Universo, com seus elementos astronômicos, venha funcionando corretamente há tanto "tempo". Pode chamá-lo também de Deus, Infinito, Eternidade ou como queira.

Este sentimento de indiferença é alcançado ao negar-se sistematicamente a reconhecer realidade ao fenômeno e assim você deixará de fazer juízos de valor, isto é, avaliações, portanto, recusando-se a dar conhecimento ao fato e perdendo o hábito de julgar coisas, atos e pessoas, os episódios se mostrarão o que realmente são: apenas aparências e deixam de ter importância.

Este modo sistemático de agir demonstra fé prática e não apenas teórica.

Autor desconhecido

Wednesday, May 12, 2010

Quase morri

Quase passo desta pra uma melhor (ou pior) no final de semana. Sexta de madrugada, estava voltando de Porto Alegre, com mais duas amigas, quando batemos o carro e ele capotou. Não, não estávamos bêbadas. Eu estava atrás e sem o cinto de segurança.

Só pensei em duas coisas: “Vou me quebrar toda porque estou sem o cinto”, quando o carro começou a virar e “vou passar o resto da minha vida fazendo plástica pra arrumar o estrago no meu rosto”, quando ele parou de capotar, eu abri os olhos e vi a quantidade de vidro que tinha caído em mim.

Mas por milagre, não me quebrei e nem a casquinha do único arranhão que tive no nariz existe mais. Sim, só tive um arranhão no rosto. E claro, alguns hematomas pelo corpo. Nem a minha cabeça dói mais. No sábado doía até para piscar.

As gurias que estavam comigo também não se machucaram, nadinha. Todos que viram o acidente falaram que era um milagre estarmos vivas. Meu tio disse que não conhecia uma pessoa que tivesse sobrevivido à capotagem de carro. Agora ele conhece três.

Óbvio que tenho consciência de tudo de ruim que poderia ter acontecido e do milagre que aconteceu... Mas a minha vida não vai se dividir em antes e depois do acidente. Eu já ando reclamando dessa chuva que não para, da minha permanente falta de grana, da falta de tempo, das viagens que ainda não fiz... Tudo como sempre foi.

Mas não sou uma ingrata, muito pelo contrário. Posso continuar reclamando de tudo, porque sou humana e com toda a mediocridade que essa condição contém. O que ficou foi a certeza de que a gente tem que viver o melhor possível, fazer tudo o que tiver vontade e não ter medo de ser feliz. É clichê? É. Mas uma das melhores coisas da vida são clichês.

Ter um blog, escrever que devemos fazer tudo que temos vontade é um baita clichê. Eu não vou fazer tudo o que tenho vontade. Algumas coisas requerem a grana que eu não tenho, outras são malucas demais e as piores, dependem unicamente da minha coragem. Eu quase morri, mas infelizmente, continuo covarde. Esse acidente não me matou, mas me trouxe uma torturante consciência que às vezes eu deixo de viver.

Monday, April 26, 2010

Das coisas que vão morrer com a gente...

Li uma frase hoje, num livro que não lembro o nome, passei num sebo no centro de Porto Alegre, peguei um livro, abri e li uma frase mais ou menos assim: “certos tipos de traições vão morrer com a gente, como tantas outras coisas...” Fiquei com isso na cabeça. Passei o resto do dia pensando nas coisas que fiz e vão morrer comigo. E são muitas coisas.

E acredito que seja assim com todo mundo. Inúmeros segredos vão morrer comigo, um deles: foi eu que quebrei a cabeça da Barbie, novinha, da minha prima Amanda, quando era criança. E jurei que não tinha sido eu. Menti.

E mentiras também vão morrer comigo e com todo mundo. Mentiras nos fazem morrer um pouco, porque tira de nós mesmos a verdade. Todas elas, até um automático “tudo bom”, quando não tá nada bom. Ou um “não vi teu namorado lá”, quando na verdade é “claro que vi e estava no maior amasso com a fulana”. Também "a aula estava boa", e a verdade seria "estava no motel, numa orgia com três colegas."

Traições também. Ainda não trai nenhum homem com quem me relacionei. Mas já fiquei com homens comprometidos e, confesso, sempre quis ser amante. Certos desejos e opiniões também vão morrer comigo. Que me desculpem as comprometidas, mas acredito muito mais em lealdade, do que fidelidade. Fidelidade é quase uma obrigação, lealdade é liberdade de escolha, é consciência. Boa parte das nossas fantasias também vão morrer com a gente, das mais banais até as totalmente esdrúxulas.

O chicle colado no banco da igreja, a inveja da coleguinha da escola, o ciúme da amiga, a raiva do pai ou da mãe, o nojo do irmão, o tesão pelo vizinho, os orgasmo fingidos, a má-fé de furar a fila, os porres homéricos, o suicídio que esteve por um triz, as drogas usadas, as palavras que saíram sem pensar e as que nunca saíram... Tantas coisas vão morrer com a gente.

Penso que quem morre são dois. O eu que morre para os outros e o eu que vai morrer comigo.

Friday, April 23, 2010

Let it be

Estou numa fase let it be total. Queria estar na I’m so happy, mas não... Não que eu não esteja feliz, porque estou sim, mas mais do que nunca, estou let it be. É quase uma questão de sobrevivência.

Ando pensando em voltar a fazer terapia. Ando tão bipolar. Não sei o que fazer depois que a pós acabar. Não sei o que fazer quando ele for embora. Não sei o que fazer, por isso let it be.

Ontem tive uma ideia ótima para escrever e desenvolver uma história, mas ainda não coloquei nada no papel. Tenho uma pilha de livros pra ler, uma monografia pra terminar, o edital do mestrado pra analisar e uma vontade louca de estudar astrologia.

Às vezes acho que vou acabar numa camisa de força... Tenho vontade de tocar fora vários planos e começar tantos outros. Precisava telefonar pra minha madrinha, conversar coisas de mulher, contar do drama (ou comédia) que é minha vida sentimental.

E o meu telefone que não toca? E o MSN que não pisca? Não combinamos só curtir, sem se apaixonar? Eu não me apaixono, você não se apaixona e a gente finge ter controle sobre isso. Você iria para o Canadá comigo?

Tem dias que não almoço e não durmo direito, mas está tudo sob controle. Só acho que estou apaixonada. Preciso ensaiar minha coreografia, voltar a fazer pilates três vezes na semana e comprar um espartilho branco e usar para ele, só para ele tirar, antes que tudo acabe.

Mas não sei. Não sei se iria para o Canadá com você, Turquia, sim, Canadá não sei. Acho que astrólogas ganham mais que jornalistas. Se eu não passar no mestrado vou ficar chateada. Prefiro espartilho preto. Minha terapeuta foi embora pra Roraima e agora tô com preguiça de contar tudo de novo. Vou sentir saudades até do cheiro do cigarro...

Let it be... Não está nada sob controle!

Tuesday, April 20, 2010

Jogo da velha

Entrei no trem hoje, quase quatro horas da tarde, comendo meu almoço que se resumia a uma barrinha de cereal com Toddynho, na minha frente três senhoras. Uma bem feliz, gordinha, de blusa floriada, chapéu de crochê e de mãos dados com o marido, também gordo e feliz.

A outra bem distinta, de calça social, camisa branca de seda, unhas bem vermelhas e com muitas bijuterias douradas, sentada do lado da gorda e lendo a Veja. A terceira senhora era bem humilde, de chinelos Havaianas, com um casaco e calças de moletom, com uma regata cinza por baixo, que denunciavam a ausência do sutiã, carregava duas sacolas plásticas com latinhas amassadas.

Essa última ficou de pé por um momento, na minha frente, me fulminando porque não dei meu lugar pra ela, até que o moço do lado da senhora distinta levantou e ela se sentou. Ficaram as três me olhando. E eu, olhando para as três.

Elas pareciam ter a mesma idade, mas nada mais em comum. Uma parecia viver numa eterna lua de mel, falava com o marido o tempo todo, sorrindo muito. A outra parecia atrasa e ocupada demais para prestar atenção no que se passava, mas era visível que sentia e se incomodava com a presença da velha com as latinhas do seu lado, que pouco se mexia e tinha um olhar vazio, parado no ar.

Fiquei pensando em qual tipo de velha irei me tornar. Se eu desencalhar muito tarde, posso me deslumbrar, casar e acabar como a primeira. Se continuar só pensando no meu umbigo, provavelmente fico como a do meio. E se eu não voltar para terapia corro sério risco de ficar como a terceira.

Porque a gente não sabe o que nos espera ali na frente, na curva da estrada, na esquina, no final da escada rolante... Assim como não sei que tipo de jovens aquelas senhoras foram. Parece que casar sempre foi o sonho da primeira, que ser bem sucedida era tudo o que a segunda queria, embora ela não parecesse muito feliz e catar latinhas, com certeza, não estava nos planos da terceira.

Mas o que será que aconteceriam com elas? O tal marido podia ser na verdade um amante, por isso aquela alegria exagera. A sisudez da segunda poderia ser fruto de um câncer recém descoberto, de uma viuvez precoce, da perda de um filho e não de um conhecimento exagerado que torna as pessoas difíceis. E a terceira pode ter ganhado na mega-sena no sorteio desta noite.

Os sobreviventes

Adoro o conto que reproduzo abaixo, é Os sobreviventes, que está no livro Morangos Mofados, do Caio Fernando Abreu. Adoro a história e o tom rápido e veloz, tudo junto e sem vírgula porque a vida não tem vírgula. Li num polígrafo da faculdade, no primeiro semestre de jornalismo e foi meu primeiro contado com o Caio, escritor que hoje me ajuda a sobreviver. E coloco aqui no Mosaico porque acredito que todo mundo já tentou de tudo e volta e meia se pergunta o que fazer, além de sobreviver?


Sri Lanka, quem sabe? Ela me pergunta, morena e ferina, e eu respondo por que não? Mas inabalável ela continua: você pode pelo menos mandar cartões-postais de lá, para que as pessoas pensem nossa, como é que em foi parar em Sri Lanka, que cara louco esse, hein, e morram de saudade, não é isso que te importa? Uma certa saudade e você em Sri Lanka, bancando o Rimbaud, que nem foi tão longe, para que todos lamentem ai como ele era bonzinho e nós não lhe demos a dose suficiente de atenção para que ficasse aqui entre nós, palmeiras e abacaxis. Sem parar, abana-se com a capa do disco da Ângela enquanto fuma sem parar e bebe sem parar sua vodca nacional sem gelo nem limão. Quanto a mim, a voz tão rouca, fico por aqui mesmo comparecendo a atos públicos, pichando muros contra usinas nucleares, em plena ressaca, um dia de monja, um dia de puta, um dia de Joplin, um dia de Teresa de Calcutá, um dia de merda enquanto seguro aquele maldito emprego de oito horas diárias para poder pagar essa poltrona de couro autêntico onde neste exato momento vossa reverendíssima assenta sua preciosa bunda e essa exótica mesinha de centro em junco indiano que apóia nossos fatigados pés descalços ao fim de mais outra semana de batalhas inúteis, fantasias escapistas, maus orgasmos e crediários atrasados.

Eu peço um cigarro e ela me atira o maço na cara como quem joga um tijolo, ando angustiada demais, meu amigo, palavrinha antiga essa, a velha angst, saco, mas ando, ando, mais de duas décadas de convívio cotidiano, tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, ah não me venha com essas histórias de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, eu nunca tive porra de ideal nenhum, eu só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista elitista capitalista, eu só queria era ser feliz, cara, gorda, burra, alienada e completamente feliz.

Ai que gracinha nossos livrinhos de Marx, depois Marcuse, depois Reich, depois Castañeda, depois Laing embaixo do braço, aqueles sonhos tolos colonizados nas cabecinhas idiotas, bolsas na Sorbonne, chás com Simone e Jean Paul nos 50 em Paris, 60 em Londres ouvindo here comes the Sun here comes the Sun little Darling, 70 em Nova York dançando disco-music no Studio 54, 80 a gente aqui mastigando esta coisa porca sem conseguir engolir nem cuspir fora nem esquecer esse azedo na boca. Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação Cooper astrologia patins marxismo candomblé boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora faço o quê?

Caio Fernando Abreu

Monday, April 12, 2010

Last news

Meu Deus, eu ando relapsa com meu blog e o tempo tá voando ainda mais. Tanta coisa pra escrever, tanta coisa pra contar, tanta coisa acontecendo na cabeça, no serviço, no coração, na vida, no mundo. Eu tenho que respirar fundo!

Precisava escrever sobre o feriadão de páscoa, mas isso já parece tão distante. Já se passou uma semana desde que voltei! Mas tava muito perfeito, nada melhor do que passar uns dias com pessoas queridas, do bem!

Ficamos em Ponta das Canas, a minha segunda praia preferida em Floripa (a primeira é Daniela), eu, Xande, Flávio e Vanessa. O Xande levou a Narguilé, fumamos loucamente e, preciso de uma Narguilé. Fomos parados pela polícia na ida para os Ingleses devido ao megafone. E tivemos que descer todos do carro! Quase meia hora dando explicação para a polícia.

No sábado pela manhã madrugamos e fomos para o Costão do Santinho fazer a trilha até a praia de Moçambique. Foram quase duas horas de caminhada num sobe e desce morro danado. Depois do merecido banho de mar, mais 40 minutos para voltar, pelas dunas. Foi, sem dúvida, a trilha mais doida que fiz, eu preocupada com a minha bacia, o Xan vendo uma cobra a cada 5 metros, o Flávio com problema no escapamento e a Vanessa perdendo os chinelos.

À noite, passamos no Doca, pegamos o Marcello e giramos muito na Concorde, a única balada que faço questão de ir, sempre. Arrasamos até às 4h da manhã, hora de levantar acampamento, até Ponta são cerca de 30 quilômetros. No domingo, não sei como, levantamos cedão e começamos a volta. Foram quase 12 horas de viagem, chuvaradas, engarrafamentos e restaurantes caros...

Foram quatro dias incríveis, que rederam ótimas fotos e recordações! Quero tudo de novo! Agora tô aqui escrevendo bem resumidamente uma história que merecia ser contada com uma imensa riqueza de detalhes, mas o turbilhão que tá minha vida não me deixa... Preciso respirar...

Sunday, March 21, 2010

Bons caminhos no meu mapa

Na última quarta-feira, fiz meu mapa astral com o conhecidíssima Amanda Costa, astróloga da Zero Hora, do Terra, professora, formada em Letras e amiga do Caio Fernando Abreu. Paguei uma nota, sim, mas valeu a pena, como mostrou meu mapa, o autoconhecimento é importante pra mim.

O mapa astral é o retrato do universo no instante que a gente nasceu (no meu caso, às 10h05 do dia 08 de agosto de 1985, em São Leopoldo). Eu sou leonina, com ascendente em Libra, Lua em Touro, Vênus em Câncer, Mercúrio em Leão, Júpiter e Saturno em Escorpião, Urano em Aquário...

E tudo isso traduz muito bem a pessoa que eu sou. Fechada e reservada por causa dos planetas que tenho em Escorpião. Idealista e sem vontede de ter filhos devido Urano em Aquário. Gosto de artes, de livros, de cultura graças ao Mercúrio em Leão. Essa coisa ruim de guardar as coisas, não expressar o que sente é por causa de Vênus, o planeta do amor, em Câncer.

Meu lado ciumento e possessivo veio da Lua em Touro. Espiritismo, autoconhecimento e a curiosidade por tudo que é esotérico é por causa de toda essa junção de planetas em Escorpião e Leão. E todo o tempo que eu fico pensando, pensando e pensando antes de tomar qualquer decisão, pensando em tudo que pode acontecer se eu escolher A ou B, me faz uma bela libriana. Mais indecisa, impossível.

Agora sabe o que é melhor disso tudo. Toda essa conjunção de planetas e signos mostrou que era impossível eu não trabalhar com comunicação. Que tem muitas viagens no meu mapa, longas e curtas, a trabalho e a passeio.Oba!

Agora o melhor: é que eu só não vou ser escritora se eu não quiser. Que isso é o mais claro no meu mapa e no meu caminho, a importância dos livros e das letras na minha vida. Que tem uma grande chance de eu seguir a vida acadêmica, dar aulas e me realizar muito com isso... Adorei!!!

Mas nem tudo eu gostei. Segundo a Amanda, eu vou passar a vida toda priorizando o lado profissional e vai chegar um momento da minha vida que isso vai me incomodar... Vamos ver, espero que isso demore.

Depois de três horas de conversa, sai de lá com um livro do Caio Fernando Abreu, que não achava em lugar nenhum, “Cartas”, uma amiga nova e a certeza de que a minha estrela é muito forte e ainda vai brilhar muito.

Wednesday, March 17, 2010

Guns n' Roses - o show

Gostar de Guns n’ Roses é praticamente tradição da minha família. Cresci ouvindo essa banda por causa das minhas primas, adolescentes no inicio da década de 90, auge da banda. Eu, uma criança de 6, 7 anos sabia cantarolar versos de Patience e November Rain... Sabia quem era Slash e aquele cantor loiro que corria de um lado para outro do palco, com shorts de lycra e bandana na cabeça.

As paredes da casa da minha avó continham várias inscrições com as letras AXL e eu sabia o motivo. Meus tios sempre foram fã do Guns. Na minha fase MTV, não perdia um especial deles. Lembro do Axl no último Rock in Rio, dele gordo e desengonçado e da minha tia Cristina, berrando na frente da TV, que tinha visto ele, lindo, em 1992. E outro dia meu afilhado de 10 anos foi lá em casa me pedi o cd do Guns. É tradição de família!

Por isso, era óbvio que eu iria no show do Guns n' Roses, que rolou na terça de madrugada, no estacionamento da Fiergs, em Porto Alegre. Enquanto as longas quatro horas de atraso se arrastavam, eu e os milhares que estavam lá, já estávamos crucificando o Axl, o Guns, a organização, a chuva no Rio, que causou todo o atraso aqui, pois tiveram que reconstruir boa parte do palco.

E eu pensava em escrever sobre a falta de respeito com os fãs, a demora, a forma física do Axl, a péssima organização, a fila quilometrica, o preço absurdo da água (R$ 8,00!), a cancelamento do show da Tequila Baby e a apresentação medíocre da Rosa Tatuada.

Eu cheguei lá por volta das 16h, a abertura dos portões que seria às 18h, aconteceu às 20h. E surpresa: havia um batalhão terminando de montar o palco, pois vários equipamentos não inham chegado por causa da chuva no Rio, que derrubou o palco e de um acidente com o caminhão que trazia a estrutura, em São Paulo.

E o tempo passava, 20h, 21h, 22h e nada. O povo reclamando, com dor, cansados... Muita gente veio de longe, falei com pessoal de Santa Maria, Passo Fundo, Pelotas, Florianópolis e Uruguai. Pouco antes da meia noite, a banda gaúcha Rosa Tatuada entrou no palco, informou que o seu guitarrista e a Tequila Baby já tinha ido embora, que cantariam três músicas para honrar o rock gaúcho.

Nos 30 minutos desta quarta-feira, estava subindo no palco o Sebastian Bach, ex-vocalista do Skid Row, que fez um baita show. Aliás, ele continua igual, em ótimo forma física, foi super simpático. Foi engraçado o seu esforço para falar em português (sempre se desculpando pelo atraso) e o tombo que caiu...

Depois de uma hora de Sebastian, às 1h50, o Guns entrou no palco. E naquele momento eu percebi meu texto seria outro, as dores sumiram, o mau humor das pessoas deu lugar a uma empolgação que fez todo mundo pular até às 4h15 da manhã de uma terça-feira.

Quando o Axl subiu no palco eu percebi que a longa espera valeria a pena. Ele não é mais o mesmo, anda só com a camisa fechada, não usa mais shorts de lycra e sim, parece um senhor cinquentão. Mas era o AXL que eu estava vendo e ouvindo. Aquela voz rasgada estave bem próxima, ele ainda faz a sua típica dancinha, embora esteja um pouco duro, ainda corre, embora se canse mais rapidamente.

Esse senhor é a Axl da minha infância, das minhas primas, dos cds, dos discos, das histórias que eu ouvi da família toda. Eu entendi porque eu encarei sozinha uma indiada dessas, com direito a todas as arguras que uma fã passa. Fila enorme e no sol, horas em pé, com fome, com sede, com vontade ir no banheiro, empurra-empurra no show, segurar máquina-bolsa-celular-binoculos-ainda-pular-e-cantar tudo junto e feliz da vida...

Sim, queria que o Slash estive ainda no Guns, e o Duffy também. Mas essa noite de março foi histórica, eu vi uma banda que pensei que nunca veria. Eu vi minha infância. Uma trilha sonora da adolescência. Eu vi um mito.

Eu vi gerações diferentes chorarem quando ele tocou e cantou November Rain. Eu vi 30 mil pessoas explodirem com Welcome to the jungle. Eu vi o cansaço dar lugar a empolgação. Eu vi pessoas arrepiadas com os riffs de Sweet Child O´mine.

Eu vi pessoas com a certeza de que aquilo era um momento único. Era uma vez só na vida. Eu vi o show da minha vida. As horas de atraso não eram nada para quem esperou anos por esse show!