Monday, April 12, 2010

Last news

Meu Deus, eu ando relapsa com meu blog e o tempo tá voando ainda mais. Tanta coisa pra escrever, tanta coisa pra contar, tanta coisa acontecendo na cabeça, no serviço, no coração, na vida, no mundo. Eu tenho que respirar fundo!

Precisava escrever sobre o feriadão de páscoa, mas isso já parece tão distante. Já se passou uma semana desde que voltei! Mas tava muito perfeito, nada melhor do que passar uns dias com pessoas queridas, do bem!

Ficamos em Ponta das Canas, a minha segunda praia preferida em Floripa (a primeira é Daniela), eu, Xande, Flávio e Vanessa. O Xande levou a Narguilé, fumamos loucamente e, preciso de uma Narguilé. Fomos parados pela polícia na ida para os Ingleses devido ao megafone. E tivemos que descer todos do carro! Quase meia hora dando explicação para a polícia.

No sábado pela manhã madrugamos e fomos para o Costão do Santinho fazer a trilha até a praia de Moçambique. Foram quase duas horas de caminhada num sobe e desce morro danado. Depois do merecido banho de mar, mais 40 minutos para voltar, pelas dunas. Foi, sem dúvida, a trilha mais doida que fiz, eu preocupada com a minha bacia, o Xan vendo uma cobra a cada 5 metros, o Flávio com problema no escapamento e a Vanessa perdendo os chinelos.

À noite, passamos no Doca, pegamos o Marcello e giramos muito na Concorde, a única balada que faço questão de ir, sempre. Arrasamos até às 4h da manhã, hora de levantar acampamento, até Ponta são cerca de 30 quilômetros. No domingo, não sei como, levantamos cedão e começamos a volta. Foram quase 12 horas de viagem, chuvaradas, engarrafamentos e restaurantes caros...

Foram quatro dias incríveis, que rederam ótimas fotos e recordações! Quero tudo de novo! Agora tô aqui escrevendo bem resumidamente uma história que merecia ser contada com uma imensa riqueza de detalhes, mas o turbilhão que tá minha vida não me deixa... Preciso respirar...

Sunday, March 21, 2010

Bons caminhos no meu mapa

Na última quarta-feira, fiz meu mapa astral com o conhecidíssima Amanda Costa, astróloga da Zero Hora, do Terra, professora, formada em Letras e amiga do Caio Fernando Abreu. Paguei uma nota, sim, mas valeu a pena, como mostrou meu mapa, o autoconhecimento é importante pra mim.

O mapa astral é o retrato do universo no instante que a gente nasceu (no meu caso, às 10h05 do dia 08 de agosto de 1985, em São Leopoldo). Eu sou leonina, com ascendente em Libra, Lua em Touro, Vênus em Câncer, Mercúrio em Leão, Júpiter e Saturno em Escorpião, Urano em Aquário...

E tudo isso traduz muito bem a pessoa que eu sou. Fechada e reservada por causa dos planetas que tenho em Escorpião. Idealista e sem vontede de ter filhos devido Urano em Aquário. Gosto de artes, de livros, de cultura graças ao Mercúrio em Leão. Essa coisa ruim de guardar as coisas, não expressar o que sente é por causa de Vênus, o planeta do amor, em Câncer.

Meu lado ciumento e possessivo veio da Lua em Touro. Espiritismo, autoconhecimento e a curiosidade por tudo que é esotérico é por causa de toda essa junção de planetas em Escorpião e Leão. E todo o tempo que eu fico pensando, pensando e pensando antes de tomar qualquer decisão, pensando em tudo que pode acontecer se eu escolher A ou B, me faz uma bela libriana. Mais indecisa, impossível.

Agora sabe o que é melhor disso tudo. Toda essa conjunção de planetas e signos mostrou que era impossível eu não trabalhar com comunicação. Que tem muitas viagens no meu mapa, longas e curtas, a trabalho e a passeio.Oba!

Agora o melhor: é que eu só não vou ser escritora se eu não quiser. Que isso é o mais claro no meu mapa e no meu caminho, a importância dos livros e das letras na minha vida. Que tem uma grande chance de eu seguir a vida acadêmica, dar aulas e me realizar muito com isso... Adorei!!!

Mas nem tudo eu gostei. Segundo a Amanda, eu vou passar a vida toda priorizando o lado profissional e vai chegar um momento da minha vida que isso vai me incomodar... Vamos ver, espero que isso demore.

Depois de três horas de conversa, sai de lá com um livro do Caio Fernando Abreu, que não achava em lugar nenhum, “Cartas”, uma amiga nova e a certeza de que a minha estrela é muito forte e ainda vai brilhar muito.

Wednesday, March 17, 2010

Guns n' Roses - o show

Gostar de Guns n’ Roses é praticamente tradição da minha família. Cresci ouvindo essa banda por causa das minhas primas, adolescentes no inicio da década de 90, auge da banda. Eu, uma criança de 6, 7 anos sabia cantarolar versos de Patience e November Rain... Sabia quem era Slash e aquele cantor loiro que corria de um lado para outro do palco, com shorts de lycra e bandana na cabeça.

As paredes da casa da minha avó continham várias inscrições com as letras AXL e eu sabia o motivo. Meus tios sempre foram fã do Guns. Na minha fase MTV, não perdia um especial deles. Lembro do Axl no último Rock in Rio, dele gordo e desengonçado e da minha tia Cristina, berrando na frente da TV, que tinha visto ele, lindo, em 1992. E outro dia meu afilhado de 10 anos foi lá em casa me pedi o cd do Guns. É tradição de família!

Por isso, era óbvio que eu iria no show do Guns n' Roses, que rolou na terça de madrugada, no estacionamento da Fiergs, em Porto Alegre. Enquanto as longas quatro horas de atraso se arrastavam, eu e os milhares que estavam lá, já estávamos crucificando o Axl, o Guns, a organização, a chuva no Rio, que causou todo o atraso aqui, pois tiveram que reconstruir boa parte do palco.

E eu pensava em escrever sobre a falta de respeito com os fãs, a demora, a forma física do Axl, a péssima organização, a fila quilometrica, o preço absurdo da água (R$ 8,00!), a cancelamento do show da Tequila Baby e a apresentação medíocre da Rosa Tatuada.

Eu cheguei lá por volta das 16h, a abertura dos portões que seria às 18h, aconteceu às 20h. E surpresa: havia um batalhão terminando de montar o palco, pois vários equipamentos não inham chegado por causa da chuva no Rio, que derrubou o palco e de um acidente com o caminhão que trazia a estrutura, em São Paulo.

E o tempo passava, 20h, 21h, 22h e nada. O povo reclamando, com dor, cansados... Muita gente veio de longe, falei com pessoal de Santa Maria, Passo Fundo, Pelotas, Florianópolis e Uruguai. Pouco antes da meia noite, a banda gaúcha Rosa Tatuada entrou no palco, informou que o seu guitarrista e a Tequila Baby já tinha ido embora, que cantariam três músicas para honrar o rock gaúcho.

Nos 30 minutos desta quarta-feira, estava subindo no palco o Sebastian Bach, ex-vocalista do Skid Row, que fez um baita show. Aliás, ele continua igual, em ótimo forma física, foi super simpático. Foi engraçado o seu esforço para falar em português (sempre se desculpando pelo atraso) e o tombo que caiu...

Depois de uma hora de Sebastian, às 1h50, o Guns entrou no palco. E naquele momento eu percebi meu texto seria outro, as dores sumiram, o mau humor das pessoas deu lugar a uma empolgação que fez todo mundo pular até às 4h15 da manhã de uma terça-feira.

Quando o Axl subiu no palco eu percebi que a longa espera valeria a pena. Ele não é mais o mesmo, anda só com a camisa fechada, não usa mais shorts de lycra e sim, parece um senhor cinquentão. Mas era o AXL que eu estava vendo e ouvindo. Aquela voz rasgada estave bem próxima, ele ainda faz a sua típica dancinha, embora esteja um pouco duro, ainda corre, embora se canse mais rapidamente.

Esse senhor é a Axl da minha infância, das minhas primas, dos cds, dos discos, das histórias que eu ouvi da família toda. Eu entendi porque eu encarei sozinha uma indiada dessas, com direito a todas as arguras que uma fã passa. Fila enorme e no sol, horas em pé, com fome, com sede, com vontade ir no banheiro, empurra-empurra no show, segurar máquina-bolsa-celular-binoculos-ainda-pular-e-cantar tudo junto e feliz da vida...

Sim, queria que o Slash estive ainda no Guns, e o Duffy também. Mas essa noite de março foi histórica, eu vi uma banda que pensei que nunca veria. Eu vi minha infância. Uma trilha sonora da adolescência. Eu vi um mito.

Eu vi gerações diferentes chorarem quando ele tocou e cantou November Rain. Eu vi 30 mil pessoas explodirem com Welcome to the jungle. Eu vi o cansaço dar lugar a empolgação. Eu vi pessoas arrepiadas com os riffs de Sweet Child O´mine.

Eu vi pessoas com a certeza de que aquilo era um momento único. Era uma vez só na vida. Eu vi o show da minha vida. As horas de atraso não eram nada para quem esperou anos por esse show!

Sunday, March 14, 2010

Momento Caio F.

Ando num momento Caio Fernando Abreu, apaixonadíssima pelo escritor e me identificando com tudo que ele escreveu. Tenho uma amiga, a Fabi, que sempre leu e gostou do Caio. Eu não. Essa história é recente.

Acho que tem menos de um ano, li Morangos Mofados e Os Dragões não conhecem o Paraíso. Na feira do livro comprei, Para Sempre teu, Caio F, da Paula Dipp, que devorei na minha semana em Florianópolis. Agora tô lendo Onde Andará Dulce Veiga e pesquisando muita coisa na internet.

O melhor disso tudo é que os textos de Caio são bem bipolar, como o meu momento. Nunca fiz tanta festa como agora e o Caio sempre gostou de celebrar a vida. Porém, tô com uma dor de cotovelo danada, e ele sempre soube escrever com maestria sobre as coisas indigestas da vida. “A gente enfeita até a amargura”, disse certa vez. E é. Lendo o Caio não me sinto tão sozinha, sei que é possível alegrar minha tristeza.

Deixo algumas frases do Caio e claro, a sugestão de que lêem esse gaúcho lá de Santiago do Boqueirão, astrólogo, jornalista, homossexual, aidético, humano...

“Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada ‘impulso vital’. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo como ‘estou contente outra vez’".

"Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros."

“Não choro mais. Na verdade, nem sequer entendo porque digo mais, se não estou certo se alguma vez chorei. Acho que sim, um dia. Quando havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro, fora.”

“Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.”

“A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.”

“Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo...”

Monday, March 08, 2010

Um Olhar do Paraíso


Há duas semanas fui assistir ao excelente filme, Um Olhar do Paraíso. Depois de chorar, praticamente a sessão toda, pensei que tinha que fazer um texto sobre o filme. Mas cheguei em casa com o nó na garganta e não sabia o que escrever. Ainda não sei, mas vi o post no blog do meu primo e decidi tentar.

Tinha tempo que um filme não mexia comigo assim. O cartaz do filme é lindo, mas foi o slogan que me ganhou: “a história de uma vida e tudo que veio depois”. A gente não sabe o que vem depois da vida... Bom, deste janeiro, eu estava contado os dias para que o filme estreasse.

Um Olhar do Paraíso, de Peter Jackson, com Saoirse Ronan, Mark Wahlberg (sempre lindo), Rachel Weisz e Susan Sarandon, conta em pouco mais de duas horas a história que veio depois que uma menina de 14 anos morreu estrupada pelo vizinho.

Já na primeira cena do filme, percebi que iria adorar. A menina Susie Salmon, já morta, conta uma de suas lembranças de infância, quando ela mal alcançava na mesa. Assim, ela vai nos contando sua vida, sua morte, o depois, a reação dos pais, a sua reação com as coisas que não viveu. Como o beijo que ela nunca deu, os filmes fotográficos que ela nunca revelou, a vida que ela sonhava e não viveu...

Susie demorou muito para chegar ao paraíso, estava na linha que divide a Terra desse Paraíso. Enquanto assistia, pensava para onde tinha ido minha avó e a minha prima. Enquanto o nó na garganta apertava, dentro do cinema, eu deseja viver e não morrer sem coisas que eu gostaria de fazer (se é que isso é possível).

Eu fiquei pensando nas pessoas que morrem cedo ou nas que saem da nossa vida e morrem para nós, nos levando inúmeras possibilidades... Eu desejei que meu paraíso fosse um pouco como o dela, colorido. Mas eu espero que Deus me permita ler lá e comer a massa da minha vó. No final tem aquela certeza de que a vida segue, sempre segue. Que o universo acaba sempre trazendo o que procuramos, de uma maneira ou de outra...

Assistem ao filme, como recomendou meu primo. E tenham uma vida longa e feliz, como desejou Susie Salmon.

Friday, March 05, 2010

Constatação




Nessas férias, em Florianópolis, eu fui pra balada. Eu não sou baladeira, mas eu estava precisando desopilar e dançar a noite toda. E eu fui pra noite com o meu primo Marcello. Ele tem 18 anos, espinhas na cara, uma matrícula para o primeiro semestre da faculdade de Biblioteconomia, muitas dúvidas na cabeça e um divertido mau humor (típico dos capricornianos).

Nunca me imaginei indo pra balada com o Marcello. Até uns dias atrás, era um menino gordinho que quando vinha nas ondas de Mariluz, em cima de uma pranchinha de isopor pintado, a gente falava “lá vem o leitãozinho”. Algumas pessoas conseguem ser ão e inho ao mesmo tempo.

Hoje, ele é só ão, embora a gente ainda o chame de Marcellinho, mas isso é porque o Marcello é o irmão mais novo do Júnior. Eu lembro quando ele nasceu, porque ele é carioca e naquele dia apareceu na TV que tinha dado uma chuvarada no Rio, inundado toda a cidade. E eu fiquei preocupada se meu tio tinha conseguido chegar no hospital. Vai entender o que se passa na cabeça de uma criança...

Nesses dias que fiquei na casa dele, lá pelas tantas, me disse que se lembrava de um verão, a gente na praia e ele me falando que estava com medo de ir para a 7ª série. Eu não lembro disso, não lembro mesmo. Talvez essa conversa não tenha sido tão importante pra mim, como foi pra um menino prestes a encarar a sétima...

Mas eu não vou esquecer do moço que dançou a noite toda, enlouquecidamente, em cima de um queijinho, numa boate gay. Só fomos embora porque foi aí que eu cai e quase me quebrei. E eu desejei que ele morasse mais perto, só pra gente se acabar de dançar, quando desse vontade.

O Marcello cresceu. O tempo passa cada vez mais rápido e eu preciso pensar com que roupa eu vou na formatura dele, daqui quatro anos, um piscar de olhos. Ainda bem que ele se tornou um homem com uma cabeça boa, de personalidade. Melhor ainda é que ele me disse que raramente entra no meu blog.

Ao som de Nando Reis

Saturday, February 27, 2010

Por que hoje valeu a pena?

Um tempo atrás li um texto, onde falava que todo dia a gente tinha que listar as coisas que fizeram o dia valer a pena. Gostei do texto, que não achei na internet, li ele numa revista que estava no chão do trem... Coisas da vida.

Desde então fiquei com o texto na cabeça. Ele terminava propondo que listássemos o que tinha valido a pena nos últimos sete dias. Tenta também. Aí vai:

Domingo – Vi o Dani, a Tati e o Wesley. O dia foi muito divertido. Encontrei a Aline e o Epi no ônibus, na volta de Florianópolis.
Segunda – Cheguei a tempo e não me atrasei para o serviço. Dormi na minha cama.
Terça – O médico me deu a certeza de que não quebrei nada. Marquei minha tatuagem.
Quarta – Terminei minha pesquisa para a monografia da pós, no Museu de Comunicação.
Quinta – Consegui fazer pilates e não me esqueci de tomar os remédios.
Sexta – Fiz minha tatuagem nova. Fui na pizzaria com os amigos (Nessa, Dani, Xan, Flávio e Marcos).
Hoje – Dormi a tarde toda. Fui ao cinema. Já não dói tanto quando eu caminho.

Tuesday, February 23, 2010

Depois da queda, a consulta

Para o médico que me atendeu e matou a barata.

- Renata Valquíria.
O médico já começou ruim, me chamando de Valquíria.
- Licença. Meu Deus! Tem uma barata na janela!
- Ah, às vezes elas aparecem por causa do calor. Senta.
- Vou ficar em pé para sair correndo quando esse bicho voar na minha direção.
- Daqui um pouco ela sai. O que houve?
- Eu cai um tombo e desde então tô com muita dor.
- Quando e como foi?
- Sábado de noite. Escorreguei numa escada e cai sentada.
- Sábado? E tu só veio no médico hoje, na terça...
- E que hoje é o dia que mais tá doendo e na hora não pensei que fosse grave. Mata esse bicho, por favor!!!!
- Onde dói?
- O corpo todo, principalmente o lado direito e na cintura. E dói pra tudo: sentar, caminhar, dormir... Mata a barata, por favor, antes que eu enfarte.
- Deixa o bichinho, quando ela sai pra rua eu fecho a janela. E enjôos, tu tá tendo?
- Ontem eu tive um pouco. Mas no domingo não...
- Ficou algum hematoma?
- Sim.
Levanto o vestido e o médico faz uma cara de espanto.
- Nossa, tá muito feio isso aí! Coloca uma perna em cima da cadeira. Agora a outra.
- Pra quê?
- Aparentemente tu não quebrou o cóccix, mas vamos ter que fazer um raio X. Pode ter saído algum órgão fora do lugar, por isso os enjôos. Deita na maca, de bruços, faz favor.
A maca ficava do lado da janela.
- Nem pensar, com esse bicho aí não dá.
- Ai meu Deus. Espera que vou colocar ela pra rua.
Nisso a barata sumiu.
- Ela foi embora, pode deitar.
- Não. Ela vai voltar. Não tem outra sala?
- Meu Deus. Vamos tirar o raio X primeiro, então.

Na sala do raio X:
- Tira o piercing e abaixa um pouco a calcinha?
- Não consigo tirar o piercing, nunca tirei.
- Tem que tirar. Enquanto isso me conta exatamente como tu caiu pra ficar desse jeito.
- Eu tava numa festa sábado de noite, quando fui no banheiro, escorreguei numa escada que tinha dois degraus.
- Tava na Factory?
- Não, estava em Florianópolis.
- Tu tava sozinha?
- Com meu primo.
- Onde ele tava quando tu caiu? Ele viu?
- Não, ele tava dançando no queijinho.
- E o que tu fez depois?
- Levantei toda torta, fui fazer xixi e depois fui dançar. Doeu só um pouquinho...
- Tu tinha bebido?
- Não.
- E usado drogas?
- Não.
- E o que tu fez no domingo?
- Passei o dia na piscina, esse roxo não tava tão feio. Consegui tirar o piercing.
- Ótimo! Tu veio de lá de ônibus?
- Sim, sentei lá e só levantei aqui em São Leopoldo, não conseguia nem me mexer de tanta dor.
- Imagino. Quantos anos tu tem?
- 24. Demora para o raio X ficar pronto?
- Uns minutos. Tu tá na idade de sair, beber todas, usar saltos altíssimos e pagar mico no banheiro da balada.
- Eu não bebi nada, tava de plataforma baixa e não paguei mico, o chão tava molhado e muita gente caiu.
- Nossa então tem mais coisa por trás desse hematoma? Agora deita na maca.
Ele mede meu roxo, aperta, olha com uma lanterninha...
- E que parece que tinha estourado um cano no banheiro. E outras pessoas caíram comigo.
- Dói na frente também?
- Sim, o corpo todo. Até para rir.
- Impossível acreditar que tu fez isso sóbria... E ontem? Tu foi trabalhar? Fez tudo normal?
- Sim, só que cai de novo.
- De novo???
- Tava lendo na rede e ela arrebentou, cai de bunda, de novo. Acho que é por isso que hoje é o dia que mais tá doendo.
- Com certeza. Vamos lá pra minha sala, conversar.
- Lá tem a barata, não dá pra ficar aqui?
- Ai, tá pode ser. Seguinte, tu lecionou o tecido da bacia. Não quebrou nada, mas tá muito machucado internamente. Vai ficar com essa dor mais uma semana. O roxo vai demorar semanas, até meses para sair, porque tu deveria ter feito alguma coisa logo depois do tombo. Agora não tem o que fazer. Vou te receitar um gel relaxante e um remédio pra dor e enjôo. Ah, os enjôos são normais, porque a queda foi muito forte.
- Eu faço dança e pilates, posso continuar normalmente?
- O pilates sim, mas tem que ser um treino muito, muito leve. E qual dança que tu faz?
- Do ventre.
- Nem pensar! Enquanto estiver com dor, sem dança.
- Ah, sério?
- Sim, pois pode lecionar ainda mais.
- Que saco. Que tombo ridículo e que vai me dar dor de cabeça... Meu Deus, a barata tá vindo. Ai é muito azar, toda quebrada e perseguida por uma barata.
- Hahahahahahaha, vou matar a barata, já que tu não pode correr.
- Mata por favor! Não posso correr mesmo?
- Não. Não pode correr, nem usar salto muito alto, nem carregar muito peso na bolsa e se transar, nada de posições mirabolantes. Mas só por umas duas, três semanas. A barata tá morta.
- Ela tá se mexendo. Mata melhor, até sair a melequinha.
- Isso é um hospital, temos que ter o mínimo de higiene.
- Hahahahahaha, ter baratas vivas num hospital já é totalmente anti-higiênico. Me ajuda a colocar o piercing.
- Olha o que tu me faz fazer...
- Eu que o diga, vou até escrever.
- Escrever? Vê se o piercing tá direito.
- Tá. Vou escrever isso para o meu blog. Quero escrever sobre o tombo.
- Tu tem blog? Que legal. Escreve de mim?
- Vamos ver...
- Qual o endereço?
- mosaico de reflexos ponto blogspot ponto com
Ele anota o endereço do blog.
- Vou entrar depois. Dedica o texto para mim.
- Não sei se tu merece.
- Claro que mereço, até matei uma barata.
- Tá bom... É isso?
- É. Guria te cuida, cuida pra não cair. E não bebe.
- Mais eu não dava bêbada.
- Sei...
- Tchau.
- Tchau.
- Ah, qual teu nome? Pra eu colocar no texto.
- Tem na receita.
- Tá.

Eu esqueci a receita na farmácia e não li o nome do médico.

Monday, February 22, 2010

Para um morto

Bem feito para mim né? Quem mandou perder meu glorioso e escasso tempo com uma criança? Quem mandou eu me deslumbrar com uns cachinhos estrategicamente desarrumados e uma barba planejada para estar sempre por fazer? Agora tô aqui, escrevendo para um morto que está bem vivo e gosta de meninas “bem meninas”, só para se sentir mais homem.

Sabe que não te culpo? Nenhum pouco. Era óbvio que seria trocada por uma criança, tu não capacidade de ter uma mulher do teu lado. Pelo simples motivo que você não sabe cultivar nada além dos seus neurônios. E a prova disso é que nem amigos você tem. Confesso que admiro seus neurônios, só que homens também são feitos de hormônios e testosterona, ah confiança e pau duro também estão no pacote do que toda a mulher deseja.

Sei que no fundo foi melhor assim. Já estava de saco cheio de bancar a adulta madura e compreensiva que tem que entender o pós adolescente mimado, egocêntrico e prepotente que está ficando. Tua barba me arranhava e eu ficava puta cada vem que encostava a mão nos teus cabelos e você resmungava “não bagunça meu cabelo, que eu demorei tanto pra arrumar”, bem gay. Ah, várias pessoas acham que você é gay. Vai saber né...

Desejo que você passe a eternidade toda fazendo o que mais gosta, estudar e estudar, para ser doutor antes dos 30. Sei que você vai conseguir. Sei, também, que dificilmente eu estarei no doutorado antes dos 30, mas tu pode ter certeza que serei feliz. Essa é principal diferença entre eu e você.

Você quer ser doutor, eu me contento em ser feliz. Ser doutor deve ser bem bacana, mas ser feliz é mais, pode acreditar. E do fundo do meu coração que você levante os olhos dos livros, às vezes, e se permita viver. Pois eu ficaria chateada de encontrar você daqui uns anos e me deparar com um doutor digno de pena.


“Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem”
Cazuza

Friday, February 12, 2010

Recado do ego

É necessário que fique bem. Que tente sempre se sentir bem, se divertir. Que perceba que isso vai passar, você sabe que sempre passa. Que virão outros momentos, outros ciclos, outras pessoas, novas oportunidades e certezas.

Nem sempre as pessoas são filhas da puta, embora todo mundo seja um filha da puta em algum momento da vida. Se acha que será bom voltar a fazer análise, volte. Talvez não precise voltar para um psiquiatra, quem sabe basta um psicólogo.

Agora não é hora de recusar convites, seja para trabalho, para tomar cerveja, para praia, para conversar, seja lá o que for, vá. Já perdeu tempo demais vivendo só para dentro. Agora é hora de viver para fora.

Se a história se repetiu, vire a página e escreva algo diferente. Mude a tática. Não deixe a tristeza ser maior do que o necessário, permita que ela venha na dose certa, o suficiente pra gente dar valor ao que tem de bom na vida e quem tem ao seu lado.

Não precisa ficar lembrando do que passou, o passado foi do jeito que deveria ser para te tornar a pessoa que és hoje. Pense no futuro, mas planeje grandes coisas para um futuro (bem) próximo e faça acontecer. Se permita. E brinde sempre o que virá.

Tuesday, February 09, 2010

Assim, assim

Hoje eu tô assim, assim... Assim: meio triste, meio feliz. Assim: um pouco decepcionada e nem um pouco surpresa. Alguns dias atrás eu estava só assim, muito feliz. Agora eu tô assim, assim, sem saber direito como. Num estado intermediário entre coisas que me sufocam.

Tenho uma amiga que fala que as pessoas só se apaixonam por quem permite isso. Logo, acho que a gente só se decepciona, se nós mesmos deixarmos que tal coisa aconteça. Mas será que sabemos? Será que tem como saber?

Eu não sei... Hoje eu tô assim, cheia de reticências... Pois há tantas respostas para as minhas dúvidas que os pontos de interrogação perdem a importância. Fica um monte de reticências pairando no ar, dentro e fora da gente.

Mas não essas que nos oferecem oportunidade para imaginar o mundo. Às vezes, quando eu tô assim, só sopra essas reticências vazias, de quem perdeu oportunidades, o timing, a chance, a hora, o ônibus, o primeiro tempo.

Fica uma tristeza trancada, um nó na garganta, uma melancolia, uma saudade do que não se fez, do que não falou. Do que poderia ter sido. Uma dorzinha (se é que dor, pode ser “inha”) que não vai me impedir de viver, mas que vai me deixa assim. Sem saber, sem entender, com um monte de reticências vazias...

Monday, February 01, 2010

Jamais visto




Sabe quando as coisas acontecem sem nenhuma pretensão e acabam se tornando uma das melhores coisas que a gente já fez? Ou quando a gente quer fazer uma coisa, mas pensa em desistir mesmo não querendo? E quando a gente fica feliz só por estar num parque de diversão com pessoas bacanas e sabemos que teremos lembranças incríveis desse dia?

Então, no final de semana anterior eu fui para o Beto Carrero e tudo que descrevi acima aconteceu nessa trip. Primeiro porque a ideia nasceu do nada, sem pretensão nenhuma, numa janta com amigos. Segundo porque estava atolada de trabalho devido ao Fórum Social Mundial e no dia da viagem pensei mil vezes em não ir. Terceiro porque tudo foi incrível, uma sintonia jamais vista.

Éramos seis: três meninos e três meninas ou um menino, dois gays e três meninas, ou dois morenos e quatro loiros ou ainda uma jornalista, um professor de inglês, dois engenheiros químicos, uma estudante de educação física e um estudante, também pode ser cinco de 20 e poucos anos e um adolescente... Como quiserem, mas todos parceiros (SOPA*!).

Fomos de excursão (era indiana, né?!), sentamos bem no fundão, pois o restante do ônibus era dominado por famílias levando a prole para o maior parque temático da América Latina. Claro que fizemos a maior zoeira, apesar da cerveja e da champanhe ficarem esquentando no bagageiro. Por isso, só nos restou atacar a mochila do Flávio e devorar os amendoins.

No parque, farra total, ninguém se estressou com ninguém, para a surpresa de todos. É difícil seis pessoas, que pouco se conhecem, viajarem e passarem o tempo todo juntos. Fire whip? Sopa. Elevador? Sopa. Big Tower? Sopa. Tchibum? Sopa. Até o fato de passarmos o dia todo encharcados virou piada. E uma hora e meia na fila do trem-fantasma? Ninguém perdeu o senso de humor.

Claro que no final do dia estávamos exaustos. No hotel: decide quem dorme com quem e deixa o quarto no andar mais baixo pra quem tem pânico de elevador. E põe as bebidas pra gelar. E tem gente que tem pique pra balada. E vamos tomar a champanhe quente mesmo. E grita na sacada e brinda e grita na sacada e derruba champanhe e brinda. Os guris se foram. Às 5h da manhã acordei pensando “será que os guris chegaram e eu não ouvi?”. Uma hora depois eles chegam. E contam tudo, a balada, o sushi man, quem pegou quem... Até que um ficou mudo. Capotou.

No outro dia, só dá tempo de passar na farmácia antes de entrar no ônibus e encarar a volta. Escondemos as cervejas no frigobar. Dormimos, comemos, dormimos, comemos... Cadê nossas cervejas? Chama o Kelvin (o guia que parece ser o namorado perfeito e já foi mais de 100 vezes para o Beto Carrero). Depois de muita conversa, mudamos a impressão que o guia tinha da turma do fundão.

Na noite de domingo chegávamos em Porto Alegre com a certeza de que a indiada foi perfeita, que a galera é parceira e Buenos Aires nos espera. Ah sim, os pais que estavam na excursão nunca mais vão achar que ir para o Beto Carrero é um programa família, afinal nunca se sabe quem vai sentar no fundão do ônibus.

Eu cheguei em casa podre, mas certa de que entre uma semana e outra de trabalho intenso, esse final de semana era a melhor coisa que poderia ter acontecido. As cervejas acabaram com o pai da Vanessa. Tirando a tosse do Xan e a gripe da Dani, ninguém teve maiores problemas com as roupas molhadas.

A única dúvida que eu tenho é aonde foram parar os saquinhos de Trink? A última vez que vi foi em cima da cama, no hotel. Ah, outra dúvida que me ocorre agora: será que dona Rosa (a entidade espiritual, mentora da viagem) já voltou de Miami?

*SOPA = Sou parceiro (a)

Thursday, January 14, 2010

Transbordando

Nossa é tanta coisa acontecendo, que eu sinto tudo transbordando e não sei se vou conseguir conter tudo isso. E o tempo cada vez mais escasso e as coisas de fora que não me deixam prestar a atenção nas coisas que estão acontecendo aqui dentro.

É essa coisa às vezes boa, às vezes sufocante, que eu ando sentindo e é principalmente o não saber o que fazer com isso. Eu não costumo saber muito bem até onde ir com as pessoas e agora então, isso piorou. Tenho medo de me decepcionar, e mais medo ainda de não permitir me surpreender.

E nunca me lidei tão bem com esse não saber de tanta coisa que tenho pra fazer. A vida tá cheia e isso é bom. Não sei se ela sempre foi assim e antes era eu que não percebia... Só sei que tenho deitado e caído no sono direto. Acho que domestiquei o monstro que habita meu estômago.

É tanta coisa passando na minha cabeça que eu nem sei onde fixar o pensamento. Planos a longo prazo, atitudes com reações imediatas, providências chatas e burocráticas que tenho que tomar, pesquisas que preciso realizar, sentimentos que quero entender... Tá tudo junto, aqui e agora.

Monday, January 11, 2010

Irmãozinho

Hoje meu irmão está de aniversário, fazendo 22 anos. E isso me assusta porque através do meu irmão percebo, claramente e cruelmente, como o tempo passa. Uma vez li que os irmãos mais novos são os relógios dos irmãos mais velhos. E é verdade.

Quem é o mais velho, cresce com a responsabilidade de cuidar e dar exemplos para o irmãozinho. Só que os irmãozinhos crescem e é um soco no estômago quando percebemos isso. Porque eles não precisam mais da gente, porque escolhem os exemplos que querem seguir, porque vão viver suas vidas sem pedir a nossa opinião e a gente passa de ator coadjuvante a mero espectador.

A lembrança mais antiga que tenho é da minha mãe chegando do hospital com meu irmão no colo, quando ele nasceu. Lembro direitinho, até já escrevi sobre isso numa aula de redação na faculdade e foi um texto tri elogiado.

E a sensação de que o tempo passa, talvez uma das primeiras e mais fortes que tive, também foi por causa do meu irmão. Já faz alguns anos, 5, 6, 7 talvez, não sei... Eu estava em casa e ao passar pela porta do quarto do meu irmão, que estava um pouco aberta, vi um homem deitado, mas eu só via as suas pernas. Peludas, grossas, pernas de homem.

Não conheci. Fiquei com medo, pensei que fosse um ladrão, afinal, o único homem da casa era o meu pai. Mas pé por pé abri a porta, acreditava que era um ladrão, embora ladrão nenhum iria dormir no meio de um assalto. Mas era o meu irmão. E foi assim, numa tarde de um ano qualquer que percebi como o tempo passa e transforma em adultos aqueles que nasceram para serem irmãozinhos.

Monday, January 04, 2010

Ela e ele

Ela nunca pensou em namorar, quer dizer, até pensou, mas se decepcionou. E decretou “ninguém presta!” Apesar da mágoa, foi definindo suas prioridades, que não incluíam nada nem ninguém, além do seu umbigo.

Foi estudando e trabalhando para ganhar dinheiro e viajar, ser independente. Enquanto chorava todas as noites, foi aprendendo a transar só pra suprir uma necessidade física. Aprendeu, também, a sentir prazer só pra não ser comida pelo vazio do depois.

Conheceu gente, perdeu o medo de se divertir, aprendeu a beber. Quando aparecia alguém legal, trabalhador e livre ela tratava de acabar tudo logo, antes que se envolvesse. Se ninguém presta, pra quê perder tempo?

Além do que, era mais seguro ficar com quem tinha namorada, se apaixonar por gays, querer namorar quem estava com uma viagem marcada para fazer o mestrado do outro lado do mundo. Era seguro. Amores impossíveis sempre são mais seguros do que os possíveis.

Um dia ela se surpreendeu pensando que não deveria ser tão ruim assim se apaixonar e nem impossível alguém se apaixonar por ela. Com 6 bilhões de pessoas no mundo, alguém deveria prestar. E a mágoa já não doía tanto, a decepção era só uma lembrança, cada vez mais distante...

Até que ele apareceu e ele presta. Só que ele também nunca pensou em namorar, diz que já se decepcionou muito, que quer estudar e trabalhar para ganhar dinheiro. E que nos seus planos não cabe nada nem ninguém, além do seu umbigo.

Ele é perfeito para ela. Ela é perfeita para ele. Eles sabem disso. Mas ela tá com medo, ele é inseguro. A coisa mais importante da vida dela é o trabalho, a carreira que tá construindo. A coisa mais importante da vida dele é a carreira que tá construindo, o trabalho. Ela ama ler, ele não vive sem seus livros. Ela escreve, ele ensina. Ela adora o senso de humor dele. Ele adora as tatuagens que ela tem. Ela acha incrível o autocontrole dele. Ele se diverte com o descontrole dela.

Ela é de leão, ele é de libra. Os astros conspiram a favor, mas quando ela tem certeza, ele está em dúvida. Quando ele toma uma decisão, ela foge. Eles discutem uma relação inexistente. Ele tá ocupado demais bancando o intelectual precoce. Ele diz que gosta daquela jornalista que adora viajar e está sempre rodeada de gente, mas ele não sabe o que fazer, afinal ele nunca pensou em namorar.

Ela já tá cansada de bancar a intelectualóide bem resolvida. Queria namorar. Queria namorar aquele menino de cabelos cacheados, moreno, baixinho e quase gordo. Bem longe de ser o loiro-alto-magro que ela desejava. Mas ela não sabe namorar, afinal isso não estava nos seus planos.

...

E todo dia, em algum lugar, dois anjos da guarda se encontram e se divertem, principalmente quando ela e ele oram, pedindo ajuda para aprender a lidar com as coisas que não estavam nos seus planos. Os anjos riem e batem suas asas e aqui na terra, ela e ele sentem pequenas asas dentro do estômago e não sabem o que fazer...

Friday, January 01, 2010

0 1º do ano

Passei uns dias na praia e com a pane que deu no blogger, fui obrigada ficar, também, uns dias sem postar nada no Mosaico. Isso que tava com o texto da Confecom pronto e queria colocar alguma coisa sobre o ano novo...

Só que hoje, 1º de janeiro, estou de ressaca. Venho bebendo desde o dia 19, quando houve a confraternização lá no serviço, depois era happy hour e barzinho com os amigos, natal, aniversário do vô, praia e réveillon. Ou seja, chutei o balde legal. Aliás, em 2009 eu chutei o balde várias vezes e foi um dos melhores anos da minha vida.

Que venha 2010! Que eu só tenho que agradecer, porque sei que vai ser muito bom! Eu aprendi que ser feliz é possível quando a gente se permite. Espero chutar o balde mais vezes. Que você também chute o balde, enfie o pé na jaca, saia do armário, se solte, se liberte, livre-se das amarras, se permita viver!!!

Fica um texto que recebi por email da minha amada amiga Roberta, que sei também terá um 2010 inesquecível. Se a autoria é realmente desta Luciana von Borries, não sei, mas o texto vale. Feliz 2010!

GRATIDÃO BRANCA
Luciana von Borries

Dois mil e nove se foi. Passou mais rápido do que uma estrela cadente, daquelas que nem nos dão tempo de pensar num pedido. Porque será que chega uma hora na vida em que a gente se sente engolido pelo tempo? Será que vou passar o resto dos meus dias achando que só os verões da minha adolescência foram longos o suficiente pra se viver intensamente? Pois é, os cientistas dizem que é assim mesmo. Em fases de descobertas, como a infância e a juventude, a vida passa mais devagar mesmo. Absorvemos cada novo aprendizado tão profundamente que o tempo dura mais. Quando nos tornamos adultos, a rotina dá essa cara monótona para as páginas da nossa história. E a vida passa na nossa frente como uma paisagem de estrada que já conhecemos há anos. E aí, quando nos damos conta, chegamos ao destino cada vez mais rápido.

Este ano foi um pouco assim. Quando pisquei, já era setembro. E quando setembro chega, você começa a correr para terminar os projetos que ainda estão inacabados. E quando percebe, o shopping da sua cidade já inaugurou a decoração de Natal. O ano chegou ao final, e você à conclusão de que não fez tudo que estava na sua lista de promessas de Ano Novo: você emagreceu 4 quilos, mas engordou 6 porque o inverno foi um horror. Leu um livro inteiro pra ver se conseguia largar o cigarro, mas ele não te largou. Jurou nunca mais brigar com seu namorado, mas as TPMs estão mais fortes que você.

É por essas e outras que há alguns anos parei de fazer promessas de Ano Novo. Chega! A vida já tem frustrações demais. Então resolvi que todo dezembro, no lugar de uma lista irreal de metas e objetivos, faço uma "lista da gratidão". Ou seja, escrevo numa folha de papel tudo de bom que me aconteceu no ano que passou e que ficou em minha vida. Os itens vão de saúde a trabalho, passando por conquistas materiais ou espirituais, amigos que ganhei, momentos de alegria, enfim, o negócio é puxar pela memória e ir escrevendo. No começo, parece que você não vai chegar a 5 linhas, mas é impressionante como a coisa começa a render mais que feijoada. Quando percebe, encheu uma folha inteira, e a sensação é ótima. No final, é só agradecer tudo isso a Deus, a Alá, a um Poder Superior, à Mãe Natureza, ao Destino, ou seja lá pra quem você acredite também ter responsabilidade nisto tudo.

Uma coisa é certa: depois de fazer uma "lista da gratidão", você vai passar a virada do ano com o coração bem mais leve. Sabe por quê? Porque a gratidão dá uma paz poderosa, muito mais do que todas as roupas e calcinhas brancas do mundo. Pode acreditar: a gratidão é mágica. Segundo Melody Beattie:

"A gratidão desbloqueia a abundância da vida. Torna o que temos suficiente. Ela pode transformar uma refeição em um banquete, uma casa em um lar, um estranho em um amigo. A gratidão dá sentido ao nosso passado, traz paz para o hoje, e cria uma visão para o amanhã.”

Monday, December 21, 2009

Mais uma cartinha. De uma criança que ainda tem esperança

Caro Papai Noel confesso que não gosto de Natal. Na verdade detesto toda essa orgia capitalista que tem em você um símbolo máximo. Sim, né? O capitalismo precisa de figuras simbólicas tanto quanto o cristianismo.

Mas não custa lhe escrever, mesmo sabendo que nenhuma alma caridosa vai adotar a minha cartinha e na semana do Natal o correio não vai entregar meu presente num bonito e amassado embrulho. O que quero não é empacotado. Quero coisas subjetivas, como reticências em final de frase...

Na verdade nem quero nada. Pela primeira vez na minha vida, estou feliz. E a felicidade trás satisfação. Uma satisfação consciente, de que faltam coisas ainda, sim, mas que ainda não chegou a hora. Além disso, felicidade também gera textos.

Talvez eu quisesse não ficar triste no Natal. Sinto saudades. De quem tá longe, de quem tá perto e distante ao mesmo tempo, da minha vó. Quando ela era viva, os Natais eram legais e eu gostava. Da casa cheia, do amigo secreto, do pinheirinho, do presépio e até de você, papai Noel. Mas, as tais coisas da vida fazem a gente mudar né, bom velhinho?

Tá aí uma coisa que eu gostaria, de entender porque você é chamado de bom velhinho? Você poderia me responder né? Aí quem sabe eu volte acreditar no senhor. É isso, eu quero que você me responda. Me prove que você existe, que vive viajando o mundo num trenó puxado por renas mágicas, que você não sente calor aqui nos trópicos, se a roupa é vermelha por causa da Coca-Cola...?

Tudo bem, eu sei que essa época é corrida para o Senhor. Se ficar difícil de me escrever, mandar email, postar um comentário no blog, não tem problema, como toda boa menina, eu vou entender... Faz assim, me manda aquele rapaz lindo, inteligente, engraçado, com cabelos cacheados e barba por fazer, que eu volto acreditar em você, na magia do Natal, em bicho papão, em coelhinho da Páscoa, no ET de Varginha, em fada madrinha...

Saudações cordiais,

aguardo resposta.

Sunday, December 13, 2009

Noite feliz

No sábado à noite, eu ia no show do Nenhum de Nós cantando Beatles, no Teatro São Pedro. Ia, já tava com o ingresso na mão há semanas, mas acabei não indo. A chuvarada que caiu sábado, a loucura da última semana com a entrega do projeto da monografia da pós e a loucura que a semana que chega com a viagem para Brasília (assunto para outro texto), me fizeram ficar em casa.

E ainda bem que eu não fui, porque vivi uma das melhores noites da minha vida. Meu pai resolveu estrear a churrasqueira nova da minha avó e chamou vários primos. A princípio eu não ia no churrasco, apesar de ser do lado da minha casa. Mas acabei indo e que bom que eu fui.

Para variar, no segundo copo já estava bêbada. Meus primos que ficaram até mais tarde ficaram bêbados. Nunca tinha bebido com eles. O André, o Dionata, o Tiago e a namorada dele, a Grazi e o Fi, meu irmão que não gosta de beber porque fica tonto!!! O André foi embora cedo porque é casado e como estávamos fazendo muito barulho, acabamos a noite na garagem de casa, bebendo, bebendo e bebendo. E contando histórias também e o melhor, lembrando de histórias.

Da família, de quando éramos crianças e víamos nossos pais e tios bêbados. E riamos, e riamos. Fiquei feliz de saber que o Dionata lembra que o primeiro show de rock que ele foi na vida, quem levou fui eu! E dos campeonatos de bicicleta que nos íamos, alugávamos uma Topic, levavámos um monte de bolachinha recheada e íamos, bem faceiros. Só que as coisas mudam...

Hoje, o Dio adora rave e skates, o Tiago tá pensando em casar, gosta de funk e hip-hop e o Fi é punk. E eu sou a mais distante de todos, como o Dio disse. Combinamos de marcar outras bebedeiras pra gente rir das lembranças e das diferenças.

Eu já tava com o violão achando que toco alguma coisa, o Fi não parava em pé, o Dio caiu dentro de um buraco e eu não sei como ele conseguiu chegar em casa de moto, o Tiago e a Grazi, só riam, ela queria ir num baile funk!

Uma das histórias que a gente mais se divertiu, foi lembrando que quando meu irmão era criança, em qualquer aniversário que a gente ia, ele comia muito, bebia muito (refri), depois passava mal e vomitava. Sempre! Ontem de noite ele comeu muito, bebeu muito (cerveja) e depois que todos foram embora, ele passou a noite toda vomitando. Porque nem tudo muda.

Friday, December 04, 2009

O vice

No próximo domingo termina o Campeonato Brasileiro de Futebol e meu time será o vice-campeão. O Flamengo será o campeão. Para meu time ganhar, tem que vencer do Santo André, o que irá acontecer. Porém o Flamengo tem que perder, para o Grêmio, o que NÃO irá acontecer.

Não é porque eu seja colorada. São fatos. O time da azenha fez uma péssima campanha nos jogos fora de casa, porque agora no último seria diferente? Para eles não será difícil “entregar o jogo”, como a torcida pediu. E isso não será só para nós não ganharmos mais esse título. O Grêmio não irá ganhar do Flamengo porque não tem competência. Se tivesse, ganharia e isso não seria benevolência.

As manchetes dos jornais durante a semana falavam sobre os “dois corações” dos colorados que estavam torcendo pelo Grêmio. Isso nem me passou pela cabeça. Aliás, eu nunca fui tão flamenguista em toda a minha vida. Salve o Flamengo e salve o vice-campeão do Brasileirão 2009.

Agora se eu fosse gremista, queria que o Internacional fosse o grande vitorioso. Só pra jogar na cara que no ano do centenário o time do gigante do Beira Rio, só venceu com a ajuda deles, digo, nossa. Se eu fosse gremista, torceria fervorosamente para o meu time no domingo e daria o título para o povinho que se diz campeão de tudo.

Thursday, November 26, 2009

De perto

Fui assistir ao documentário Herbert de Perto, que conta um pouco da vida do músico Herbert Vianna, vocalista do Paralamas do Sucesso. Adorei o filme, já que sou fã da banda e principalmente do Herbert. Só lamento que todos os shows que fui deles, foram depois do acidente.

O legal do filme é que mostraram inúmeras imagens do Herbert, da carreira e de momentos pessoais, para ele. O filme começa com o próprio cantor, na sua cadeira de rodas, assistindo um Herbert Vianna com seus vinte e poucos anos, que falava que conseguiria tudo o que quisesse na vida. Um pouco envergonhado, o coroa Herbert ri e diz que aquele moleque não sabia nada da vida. Como se o moleque não fosse ele.

O olhar do Herbert de hoje para aquele do passado é de uma certa saudade sim, mas também de pena. Fiquei me perguntando se nos somos os mesmos ao longo da vida e acho que não. Mudamos e como mudamos! Agora, acho que não nos damos conta dessas mudanças.

Deveríamos nos ver de perto, apenas uma distância temporal. Ver como éramos na infância, nossa índole, nossas manias... Certamente imaginávamos o adulto que seríamos, mas provavelmente não sabíamos em que adulto a vida nos tornaria.

Herbert queria ser piloto de avião, mas tinha miopia, por causa disso usava óculos e gravou o primeiro grande sucesso do Paralamas, “Óculos”, com sua música ganhou dinheiro para comprar um avião e pilotar só por lazer e foi num acidente de avião, que ele pilotava, que sua mulher morreu e ele ficou tetraplégico.

Obviamente amadurecemos com o tempo, mas nem sempre perdemos a petulância de quem acha que tem a vida nas mãos. O Herbert pareceu perder essa petulância e parecia até envergonhado da pessoa que foi um dia e conformado com o que se tornou... Só sei que sai do cinema com a impressão que deveríamos nos ver mais de perto.