Não me sinto mais vazia. O monstro que corroia meu estômago e minha paz está domesticado. E pela primeira vez na vida eu estou gostando sem sofrer. Não que eu esteja sendo correspondida, porque tô bem confusa quanto a isso... Malditos librianos!
Mas gostar e não sofrer me deixa bem feliz. E conviver com você e com a vontade louca que eu tenho de te agarrar e te encher de beijo, tudo isso de uma maneira bem civilizada também me deixa bem feliz.
Eu nunca escrevi tanto a palavra feliz com um real motivo (feliz) como agora. Não foi fácil domesticar o bicho, mas conviver com ele durante o tempo que eu perdia a vontade de tudo, foi fundamental pra mim ser o que eu sou hoje. Uma pessoa feliz, com consciência disso, o que é muito melhor. Até porque nunca fui uma retardada que achou que o mundo era a Disneylândia e vida cor-de-rosa.
Simplesmente me dei conta que a gente continua, que depressão passa, que doenças se curam, que o mundo gira e coisas incríveis acontecem mesmo quando a gente tá olhando tudo de canto. Então o melhor a fazer é entrar na dança, participar, se jogar, sair do armário, cair de boca, chutar o balde...
Eu não entendia o vazio que carregava. Não entendo essa sensação de que tá tudo bem. Sei que ainda não rola o mestrado na Europa, mas é só eu trabalhar, juntar grana, estudar que um dia rola. E eu não preciso surtar com isso desde agora. Sim, o tempo dá um jeito nas coisas, pelo menos na gente, nos trazendo pessoas e coisas que preenchem o vazio.
Nunca tive num momento tão “deixo a vida me levar”, mas confesso que todos os dias que rezo para que ela me leve até aquele homem lindo, inteligente, com ares de menino e a responsabilidade de ser mestre. O fato de eu não estar sofrendo por causa disso, não significa que eu esteja entendendo o que se passa aqui dentro.
“Não sei mais o que eu tenho que fazer pra você admitir que você me adora, que me acha foda. Não espere eu ir embora pra perceber que você me adora”
Me adora - Pitty
Monday, October 26, 2009
Thursday, October 22, 2009
O achado do dia
Olhem que tudo essa frase do Caio Fernando Abreu:
“Sabe, para mim a vida é um punhado de lantejoulas e purpurina que o vento sopra. Daqui a pouco tudo vai ser passado mesmo – deixa o vento soprar, let it be, fique pelo menos com o gostinho de ter brilhado um pouco”
Caio Fernando Abreu
Achei no meio do livro “Abismos e Vertigens”, da Carol Teixeira. Um livro de crônicas, bem leve. Essa frase tava lá, no meio de um texto sobre o Cazuza. Adorei, a frase e o texto.
Li poucas coisas sobre o Caio Fernando Abreu e não sei o motivo. Tenho uma amiga que ama e sempre me fala dos livros dele. Bom, essa frase me inspirou e eu já tô pensando que assim que acabar o livro da Carol e o do Mário Prata que também estou lendo, vou para uma fase Caio Fernando Abreu.
“Sabe, para mim a vida é um punhado de lantejoulas e purpurina que o vento sopra. Daqui a pouco tudo vai ser passado mesmo – deixa o vento soprar, let it be, fique pelo menos com o gostinho de ter brilhado um pouco”
Caio Fernando Abreu
Achei no meio do livro “Abismos e Vertigens”, da Carol Teixeira. Um livro de crônicas, bem leve. Essa frase tava lá, no meio de um texto sobre o Cazuza. Adorei, a frase e o texto.
Li poucas coisas sobre o Caio Fernando Abreu e não sei o motivo. Tenho uma amiga que ama e sempre me fala dos livros dele. Bom, essa frase me inspirou e eu já tô pensando que assim que acabar o livro da Carol e o do Mário Prata que também estou lendo, vou para uma fase Caio Fernando Abreu.
Friday, October 16, 2009
Matei uma barata
De verdade, eu matei uma barata. Eu sei que tem gente que leu esse título e achou que era total ficção. Mas não. Matei mesmo!
Foi hoje este fato extraordinário. Cheguei em casa e não tinha ninguém. Quando abri a janela do meu quarto senti o vento do vôo rasante de um animal marrom não identificado.
Mas logo o bicho aterrissou no chão do meu quarto e eu reconheci o barulho inconfundível que as baratas fazem. Meus Deus! E agora? Grito? Pulo a janela? Choro? Chamo os bombeiros? O veneno tava na área, na rua, se fosse pegar daria chance para o inseto desprezível se esconder e vim me aterrorizar durante a noite. Não dava.
Estava presa no meu próprio quarto, com aquele bicho trancando a saída. Foi então que num ato de extrema coragem me vi pegando um sapato do chão (salve as Havaianas), cheguei perto (mas não muito, claro) e deu uma chinelada! E acertei.
Dei várias chineladas no bicho, com todo o meu ódio. Até sair aquela melequinha amarela e nojenta que é a certeza de que a barata não irá ressuscitar. Pronto. Matei uma barata. Apesar de tremendo, fiquei orgulhosa de mim mesma!
Lembrei de uma psicóloga que ia, quando contei do meu pânico de baratas, ela afirmou que isso estava totalmente ligado com a minha depressão. Que o pavor de barata era o mesmo pânico e medo pela vida e suas coisas banais que essa doença gera. Não sei se isso é verdade, sei que pensei mais uma vez, que sim, estou curada.
Sai do quarto, fechei a porta (pra garantir não ser surpreendida) e liguei para o meu pai, pra ele vim logo e tirar o defunto do meu quarto. Enquanto ele não chegava, eu andava pela casa, afinal eu matei uma barata e a ali jazia todas as baratas que tanto me aterrorizaram.
Foi hoje este fato extraordinário. Cheguei em casa e não tinha ninguém. Quando abri a janela do meu quarto senti o vento do vôo rasante de um animal marrom não identificado.
Mas logo o bicho aterrissou no chão do meu quarto e eu reconheci o barulho inconfundível que as baratas fazem. Meus Deus! E agora? Grito? Pulo a janela? Choro? Chamo os bombeiros? O veneno tava na área, na rua, se fosse pegar daria chance para o inseto desprezível se esconder e vim me aterrorizar durante a noite. Não dava.
Estava presa no meu próprio quarto, com aquele bicho trancando a saída. Foi então que num ato de extrema coragem me vi pegando um sapato do chão (salve as Havaianas), cheguei perto (mas não muito, claro) e deu uma chinelada! E acertei.
Dei várias chineladas no bicho, com todo o meu ódio. Até sair aquela melequinha amarela e nojenta que é a certeza de que a barata não irá ressuscitar. Pronto. Matei uma barata. Apesar de tremendo, fiquei orgulhosa de mim mesma!
Lembrei de uma psicóloga que ia, quando contei do meu pânico de baratas, ela afirmou que isso estava totalmente ligado com a minha depressão. Que o pavor de barata era o mesmo pânico e medo pela vida e suas coisas banais que essa doença gera. Não sei se isso é verdade, sei que pensei mais uma vez, que sim, estou curada.
Sai do quarto, fechei a porta (pra garantir não ser surpreendida) e liguei para o meu pai, pra ele vim logo e tirar o defunto do meu quarto. Enquanto ele não chegava, eu andava pela casa, afinal eu matei uma barata e a ali jazia todas as baratas que tanto me aterrorizaram.
Monday, October 12, 2009
Eu queria te fazer carinho
Depois de alguns minutos olhando para a tela do computador, mais especificamente, para a janela aberta do MSN, me perguntando “escrevo ou não escrevo?”... Maldita indecisão... Digitei lá “eu queria te fazer carinho”.
Agora era só esperar a resposta. O pior eu tinha feito. Tinha falado diretamente! Bem claro. Pelo menos disso, dessa vez, você não poderia me culpar nessa nossa história maluca e cheia de mal-entendidos, de coisas não ditas, de mensagens dúbias. Se não respondesse porque gostou, iria responder porque estava gripado e isso deixa as pessoas carentes.
Mas você não respondeu. Nem me deu tchau. Apenas de uma hora para outra, apareceu off line. Maldita decisão. Antes eu continuasse perdida entre o querer e o fazer. E eu duvido que a conexão tenha caído. Que ódio de você, moço. Tá fazendo isso pra aparecer né? Deve estar se achando a última bolacha recheada do pacote. Pra seu governo, tem anos que não como bolacha recheada. E não é agora que vou comer!
Respirei fundo, você não vai acabar com meu humor. Ninguém mandou eu falar demais, no caso, escrever. E isso é muito bom para que eu aprenda a não falar das minhas vontades e sentimentos com pessoas que simplesmente não tem a capacidade de compreendê-los.
Estou muito mudada e diria até, madura. Se fosse uns anos atrás, na hora eu teria te ligado e te xingado. Agora não, pra quê? Eu queria te fazer carinho, ah, como eu queria. Mas você preferiu aparecer e não me deu a mínima. Então eu pego o meu orgulho de leonina ferido, abro um documento no word e escrevo sobre isso, com a certeza de que um dia vou ganhar dinheiro contado histórias sobre o babaca que você foi.
Agora era só esperar a resposta. O pior eu tinha feito. Tinha falado diretamente! Bem claro. Pelo menos disso, dessa vez, você não poderia me culpar nessa nossa história maluca e cheia de mal-entendidos, de coisas não ditas, de mensagens dúbias. Se não respondesse porque gostou, iria responder porque estava gripado e isso deixa as pessoas carentes.
Mas você não respondeu. Nem me deu tchau. Apenas de uma hora para outra, apareceu off line. Maldita decisão. Antes eu continuasse perdida entre o querer e o fazer. E eu duvido que a conexão tenha caído. Que ódio de você, moço. Tá fazendo isso pra aparecer né? Deve estar se achando a última bolacha recheada do pacote. Pra seu governo, tem anos que não como bolacha recheada. E não é agora que vou comer!
Respirei fundo, você não vai acabar com meu humor. Ninguém mandou eu falar demais, no caso, escrever. E isso é muito bom para que eu aprenda a não falar das minhas vontades e sentimentos com pessoas que simplesmente não tem a capacidade de compreendê-los.
Estou muito mudada e diria até, madura. Se fosse uns anos atrás, na hora eu teria te ligado e te xingado. Agora não, pra quê? Eu queria te fazer carinho, ah, como eu queria. Mas você preferiu aparecer e não me deu a mínima. Então eu pego o meu orgulho de leonina ferido, abro um documento no word e escrevo sobre isso, com a certeza de que um dia vou ganhar dinheiro contado histórias sobre o babaca que você foi.
Sunday, October 11, 2009
Uma união
Ontem à noite fui no casamento de um casal de amigos. Os dois têm 24 anos. Eles namoraram 10 anos antes de casar. E eu lembro da minha amiga com seus 16, 17 anos falando como seria seu casamento. Ontem no casamento, eu chorei.
Não que chore em casamento, aliás, de todos os ritos de passagem, essa cerimônia talvez seja a que menos aprecie. Mas foi impossível não ficar emocionada. Eles são tão jovens e já estão há tanto tempo juntos.
E acompanhei essa história. Eles estudando para provas do colégio, eles prestando vestibular, as conversas na faculdade, as indecisões sobre o que fazer, as aulas na auto-escola, as tardes no shopping... Vi esse casal crescer, porque cresci junto com eles.
E chorei também porque por mais cética e descrente que seja em relação aos sentimentos, sei que ali existe muito amor. Já existia quando eles eram apenas adolescentes e ainda existe no homem e na mulher que se tornaram. E sei que continuará existindo na família que irão construir.
E que cerimônia linda, simples, intimista, feliz. Que pessoas felizes, alegres e abençoadas que estavam lá. E que festa! Como eu dancei, como todos dançaram e se divertiram e celebraram uma união.
Aos noivos que estão curtindo a lua de mel no Rio de Janeiro, eu desejo toda a felicidade do mundo e ainda, mais amor. E que eles continuam fazer pessoas como eu chorarem ao se dar conta que o amor é muito mais simples e presente do que suponho.
Não que chore em casamento, aliás, de todos os ritos de passagem, essa cerimônia talvez seja a que menos aprecie. Mas foi impossível não ficar emocionada. Eles são tão jovens e já estão há tanto tempo juntos.
E acompanhei essa história. Eles estudando para provas do colégio, eles prestando vestibular, as conversas na faculdade, as indecisões sobre o que fazer, as aulas na auto-escola, as tardes no shopping... Vi esse casal crescer, porque cresci junto com eles.
E chorei também porque por mais cética e descrente que seja em relação aos sentimentos, sei que ali existe muito amor. Já existia quando eles eram apenas adolescentes e ainda existe no homem e na mulher que se tornaram. E sei que continuará existindo na família que irão construir.
E que cerimônia linda, simples, intimista, feliz. Que pessoas felizes, alegres e abençoadas que estavam lá. E que festa! Como eu dancei, como todos dançaram e se divertiram e celebraram uma união.
Aos noivos que estão curtindo a lua de mel no Rio de Janeiro, eu desejo toda a felicidade do mundo e ainda, mais amor. E que eles continuam fazer pessoas como eu chorarem ao se dar conta que o amor é muito mais simples e presente do que suponho.
Tuesday, October 06, 2009
E daí?
- Ela é tão livre que um dia será presa.
- Presa por quê?
- Por excesso de liberdade.
- Mas essa liberdade é inocente?
- É. Até mesmo ingênua.
- Então por que a prisão?
- Porque a liberdade ofende.
Clarice Lispector
Eu tenho piercing no mamilo. E daí?
Eu tenho mais de 10 tatuagens. E daí?
Eu gosto de beber. E daí?
Eu sou vegetariana. E daí?
Eu já fiquei com alguém que tinha namorada. E daí?
Eu tomo porres homéricos. E daí?
Eu faço dança do ventre. E daí?
Eu já tomei Ecstasy. E daí?
Eu já dei no primeiro encontro. E daí?
Eu pinto meu cabelo. E daí?
Eu tenho silicone. E daí?
Eu invento desculpas esfarrapadas. E daí?
Eu leio Paulo Coelho. E daí?
Eu me masturbo. E daí?
Eu danço funk. E daí?
Eu me faço de vítima. E daí?
Eu mato aula. E daí?
Eu agüento as conseqüências.
- Presa por quê?
- Por excesso de liberdade.
- Mas essa liberdade é inocente?
- É. Até mesmo ingênua.
- Então por que a prisão?
- Porque a liberdade ofende.
Clarice Lispector
Eu tenho piercing no mamilo. E daí?
Eu tenho mais de 10 tatuagens. E daí?
Eu gosto de beber. E daí?
Eu sou vegetariana. E daí?
Eu já fiquei com alguém que tinha namorada. E daí?
Eu tomo porres homéricos. E daí?
Eu faço dança do ventre. E daí?
Eu já tomei Ecstasy. E daí?
Eu já dei no primeiro encontro. E daí?
Eu pinto meu cabelo. E daí?
Eu tenho silicone. E daí?
Eu invento desculpas esfarrapadas. E daí?
Eu leio Paulo Coelho. E daí?
Eu me masturbo. E daí?
Eu danço funk. E daí?
Eu me faço de vítima. E daí?
Eu mato aula. E daí?
Eu agüento as conseqüências.
Sunday, September 27, 2009
Orgulho de ter orgulho
Domingo passado foi 20 de setembro e eu desfilei, pela primeira vez, em comemoração a Revolução Farroupilha. Guerra que durou 10 anos e nos, gaúchos perdemos. Mas como somos um povo muito valoroso, aguerrido e bravo, todo ano, comemoramos. E viva o 20 de setembro.
Como todo gaúcho que se preza, viramos historiadores no mês de setembro. E foi em cima de um cavalo, durante o desfile que perguntei para o meu avô, que nunca estudou e mal sabe assinar o nome, mas entende muito de história, por que comemoramos uma guerra que perdemos. A reposta: “Porque perdemos de cabeça erguida. Lutamos durante 10 anos e nunca baixamos a cabeça, honramos nosso orgulho de gaúcho. E temos que honrar sempre.” Entendido.
Ontem, foi o churrasco de um ano de formatura. Na verdade um ano e um mês, não conseguimos reunir o povo antes. E que jornalistas são sempre muito ocupados. Bom, um terço da turma estava presente, os de fé, que foram em todas as festas e encontros pré-formatura.
Como ficou o churrasco eu não sei, mais o pão com alho estava perfeito, valeu Diego! Entre uma discussão e outra sobre a não obrigatoriedade do diploma e outras mazelas da nossa honrada profissão, tomamos cerca de 60 garrafas de cervejas. Cheguei em casa, às 15h de um sábado, bêbada.
Tirando isso, todos os que foram no grande evento estão trabalhando e ganhando uma mixaria, a grande maioria continuou estudando, fazendo especiliazação, mestrado ou até mesmo outra graduação. Um dos colegas presentes fez um curso em São Paulo, teve oportunidade de trabalhar numa revista da Abril, mas voltou pra cá, afinal como ele encheu a boca pra dizer: “eu sou gaúcho”.
Aí começou a discussão que levou mais tempo, sobre o nosso orgulho. Gaúcho é um povo orgulhoso e arrogante. Jornalistas são orgulhosos e arrogantes. Ficamos horas defendendo a nossa terra e a nossa profissão, chegamos a conclusão que ter nascido aqui é uma dádiva e que ser jornalista, uma benção. Sobre ser gaúcho e jornalista, só confirmamos nossas certezas, os melhores jornalistas do país saem daqui.
Quando o churrasco ficou frio, o pão acabou e já estávamos quase em coma alcoólico, fomos embora, sonhando com uma nova revolução que separe o nosso Estado do resto do Brasil. Nesse país os jornalistas serão obrigados a cursarem um curso superior, terão salários dignos e feriados. Fizemos quase toda uma Constituição para um novo país. Só esquecemos de marcar um novo encontro.
Como todo gaúcho que se preza, viramos historiadores no mês de setembro. E foi em cima de um cavalo, durante o desfile que perguntei para o meu avô, que nunca estudou e mal sabe assinar o nome, mas entende muito de história, por que comemoramos uma guerra que perdemos. A reposta: “Porque perdemos de cabeça erguida. Lutamos durante 10 anos e nunca baixamos a cabeça, honramos nosso orgulho de gaúcho. E temos que honrar sempre.” Entendido.
Ontem, foi o churrasco de um ano de formatura. Na verdade um ano e um mês, não conseguimos reunir o povo antes. E que jornalistas são sempre muito ocupados. Bom, um terço da turma estava presente, os de fé, que foram em todas as festas e encontros pré-formatura.
Como ficou o churrasco eu não sei, mais o pão com alho estava perfeito, valeu Diego! Entre uma discussão e outra sobre a não obrigatoriedade do diploma e outras mazelas da nossa honrada profissão, tomamos cerca de 60 garrafas de cervejas. Cheguei em casa, às 15h de um sábado, bêbada.
Tirando isso, todos os que foram no grande evento estão trabalhando e ganhando uma mixaria, a grande maioria continuou estudando, fazendo especiliazação, mestrado ou até mesmo outra graduação. Um dos colegas presentes fez um curso em São Paulo, teve oportunidade de trabalhar numa revista da Abril, mas voltou pra cá, afinal como ele encheu a boca pra dizer: “eu sou gaúcho”.
Aí começou a discussão que levou mais tempo, sobre o nosso orgulho. Gaúcho é um povo orgulhoso e arrogante. Jornalistas são orgulhosos e arrogantes. Ficamos horas defendendo a nossa terra e a nossa profissão, chegamos a conclusão que ter nascido aqui é uma dádiva e que ser jornalista, uma benção. Sobre ser gaúcho e jornalista, só confirmamos nossas certezas, os melhores jornalistas do país saem daqui.
Quando o churrasco ficou frio, o pão acabou e já estávamos quase em coma alcoólico, fomos embora, sonhando com uma nova revolução que separe o nosso Estado do resto do Brasil. Nesse país os jornalistas serão obrigados a cursarem um curso superior, terão salários dignos e feriados. Fizemos quase toda uma Constituição para um novo país. Só esquecemos de marcar um novo encontro.
Thursday, September 17, 2009
Na noite passada eu ia chorar
A noite passada eu precisava chorar. Porque eu tava cansada. Porque me dá medo do que vem pela frente. Porque eu não gostei do jeito que você me tratou. Porque eu não sei bem o que tá acontecendo aqui dentro.
Eu precisava chorar. Tem tempo que eu não choro. E é bom, às vezes, colocar pra fora. Acordar o bicho que habita meu estômago e pelo visto, tá fazendo um retiro espiritual. Eu nunca mais chorei antes de pegar no sono.
Me programei para chorar assim que me deitasse na cama, no quarto escuro, com o rádio ligado num volume bem baixinho. Comecei a pensar na vida. Tá tudo tão bom, mas será que era assim que imaginei? Não sei. Não sei... O que planejo, vai rolar mesmo? Sei lá. Sei lá...
Eu tinha certeza que ia chorar na noite passada. Li e escrevi antes de me deitar, xeretei teu Orkut, fiz um passeio pelas lembranças e selecionei as que me fariam chorar. Mas eu tava tão cansada de tudo, que deitei e peguei no sono.
Eu precisava chorar. Tem tempo que eu não choro. E é bom, às vezes, colocar pra fora. Acordar o bicho que habita meu estômago e pelo visto, tá fazendo um retiro espiritual. Eu nunca mais chorei antes de pegar no sono.
Me programei para chorar assim que me deitasse na cama, no quarto escuro, com o rádio ligado num volume bem baixinho. Comecei a pensar na vida. Tá tudo tão bom, mas será que era assim que imaginei? Não sei. Não sei... O que planejo, vai rolar mesmo? Sei lá. Sei lá...
Eu tinha certeza que ia chorar na noite passada. Li e escrevi antes de me deitar, xeretei teu Orkut, fiz um passeio pelas lembranças e selecionei as que me fariam chorar. Mas eu tava tão cansada de tudo, que deitei e peguei no sono.
Saturday, September 12, 2009
Tempo, chuva, lembranças...
Estava dentro do trem hoje de tarde, pensando que tinha que escrever para o blog sobre a chuva. Aí passei pela Expointer e vi o parque de diversões sendo desmontado e lembrei que não escrevi o texto sobre domingo passado para o blog. Falta de tempo total. O tempo, tão bendito e tão maldito.
Domingo passado levei meu afilhado na Expointer, exclusivamente para ir ao parque de diversões. E foi de cabeça pra baixo no Kamikaze, quando a gente anda pela terceira vez e já consegue conversar enquanto o brinquedo dá as suas voltas que o Rockson, com toda a sabedoria dos seus 10 anos me olhou e falou: “Daqui uns anos é eu que vou trazer alguém no Kamikaze”.
Com certeza. Daqui uns anos ele não vai precisar da dinda pra nada. Daqui uns anos ele vai rir quando for num parque de diversões e ver um Kamikaze. Daqui uns anos, ele vai se dar conta da velocidade que o tempo passa por nós. E passa sem que percebemos, porque estamos ocupados.
Há uma semana eu queria escrever esse texto, que se fosse escrito domingo passado seria diferente, eu ainda estaria eufórica com o domingo no parque. Mas uma semana se passou, o trabalho continuou no seu ritmo frenético, a Assembleia Legislativa acatou o pedido de impeachment da governadora, surgiu mais trabalho nas aulas da pós, almocei com um amigo, tomei um porre, dormi fora de casa, marquei hora pra fazer uma tatuagem... E o texto mudou porque o tempo passou.
Sobre a chuva eu estava lembrando as coisas bacanas que fiz enquanto chovia loucamente lá fora. Foi debaixo de um dilúvio que eu fui sozinha num show da Tequila Baby, uns 10 anos atrás. Choveu forte antes de começar o show da Madonna. No meu primeiro dia de aula na Unisinos, cheguei encharcada. Caiu o mundo quando voltamos de Brusque nesse verão. E a primeira vez que eu andei no Kamikaze foi na Expointer, com a irmã mais velha do meu afilhado e estava chovendo.
Domingo passado levei meu afilhado na Expointer, exclusivamente para ir ao parque de diversões. E foi de cabeça pra baixo no Kamikaze, quando a gente anda pela terceira vez e já consegue conversar enquanto o brinquedo dá as suas voltas que o Rockson, com toda a sabedoria dos seus 10 anos me olhou e falou: “Daqui uns anos é eu que vou trazer alguém no Kamikaze”.
Com certeza. Daqui uns anos ele não vai precisar da dinda pra nada. Daqui uns anos ele vai rir quando for num parque de diversões e ver um Kamikaze. Daqui uns anos, ele vai se dar conta da velocidade que o tempo passa por nós. E passa sem que percebemos, porque estamos ocupados.
Há uma semana eu queria escrever esse texto, que se fosse escrito domingo passado seria diferente, eu ainda estaria eufórica com o domingo no parque. Mas uma semana se passou, o trabalho continuou no seu ritmo frenético, a Assembleia Legislativa acatou o pedido de impeachment da governadora, surgiu mais trabalho nas aulas da pós, almocei com um amigo, tomei um porre, dormi fora de casa, marquei hora pra fazer uma tatuagem... E o texto mudou porque o tempo passou.
Sobre a chuva eu estava lembrando as coisas bacanas que fiz enquanto chovia loucamente lá fora. Foi debaixo de um dilúvio que eu fui sozinha num show da Tequila Baby, uns 10 anos atrás. Choveu forte antes de começar o show da Madonna. No meu primeiro dia de aula na Unisinos, cheguei encharcada. Caiu o mundo quando voltamos de Brusque nesse verão. E a primeira vez que eu andei no Kamikaze foi na Expointer, com a irmã mais velha do meu afilhado e estava chovendo.
Saturday, September 05, 2009
Não era bem assim...
Eu ando meio perdida. E não sei onde foi que me perdi. Meu coração parece em paz, embora eu chore quando escute Nando Reis. Porque tu também gosta de Nando Reis, mas não sei se gosta de mim.
E eu sinto uma saudade de conversar contigo, das tuas piadas inteligentes e das sem graça. Ah, esses homens que nos fazem rir. Eu adoro e me apaixono e me perco e me arrependo. Se bem que do jeito que eu sou, ia me arrepender de qualquer jeito. Se fosse assim ou não.
Eu sei o que quero, só não sei como agir. Eu sei que sou ciumenta, possessiva, neurótica e insegura, mas saber é o primeiro passo pra mudança. Você só precisa colaborar com o bom comportamento.
E pensar que você não o tipo que eu gosto, não é loiro, não tem olhos azuis. É baixinho, moreno, quase gordinho e meio infantil. Só que é inteligente, divertido, ambicioso, disciplinado, tem objetivo, gosta de ler, sabe cozinhar, era perfeito. Era.
Não era bem assim que eu pensei que fosse ser. Não era pra ter dado tanto papo. Não era pra estar gostando. Não era pra pensar tanto. Não era pra ficar tão ansiosa. Não era pra chorar ouvindo Nando Reis. Não era nem pra tá escrevendo pra você.
E eu sinto uma saudade de conversar contigo, das tuas piadas inteligentes e das sem graça. Ah, esses homens que nos fazem rir. Eu adoro e me apaixono e me perco e me arrependo. Se bem que do jeito que eu sou, ia me arrepender de qualquer jeito. Se fosse assim ou não.
Eu sei o que quero, só não sei como agir. Eu sei que sou ciumenta, possessiva, neurótica e insegura, mas saber é o primeiro passo pra mudança. Você só precisa colaborar com o bom comportamento.
E pensar que você não o tipo que eu gosto, não é loiro, não tem olhos azuis. É baixinho, moreno, quase gordinho e meio infantil. Só que é inteligente, divertido, ambicioso, disciplinado, tem objetivo, gosta de ler, sabe cozinhar, era perfeito. Era.
Não era bem assim que eu pensei que fosse ser. Não era pra ter dado tanto papo. Não era pra estar gostando. Não era pra pensar tanto. Não era pra ficar tão ansiosa. Não era pra chorar ouvindo Nando Reis. Não era nem pra tá escrevendo pra você.
Sunday, August 30, 2009
O show acabou
Sexta-feira foi minha última aula de dança na Arte e Equilíbrio, escola onde dancei por quatro anos. A escola vai fechar, todas as turmas, exceto as de dança de salão, já encerraram as atividades. Dificuldade com grana, falta de alunos, falta de profissionais, incompatibilidade de horários, falta de incentivo para tudo que envolva a cultura e outras coisas levaram a isso.
Uma pena. Mais do que a escola onde dancei, foi ali que descobri que era capaz de dançar. Lembro a primeira vez que entrei lá, dos quadros na parede, do incenso que tava queimando, da moça que me atendeu, lembro principalmente, que gostei de estar lá. Lugar alto astral. Sai com a certeza que voltaria no sábado para uma aula experimental de dança do ventre.
E tinha certeza que não passaria daquela aula. Afinal, sempre fui dura como uma porta. A certeza continuou quando na primeira aula não consegui fazer a batida lateral (passo básico da dança do ventre), mas algo me fez voltar no outro sábado e me matricular. E já se passaram quatro anos.
Nesse tempo conheci pessoas que amam a dança, aprendi a mexer o corpo, passei a usar expressões típicas de bailarinas, comprei várias sapatilhas, passei a ter calos nos meus pés, dores musculares e me orgulhar disso, aprendi a escutar música árabe, estudar tempos musicais, perdi o medo do palco, fiz várias passagens de palco, me apresentei em vários lugares e percebi que eu não só sei dançar, como amo muito isso. E isso foi fundamental pra mim sair da depressão que me encontrava quando entrei lá pela primeira vez.
Agora vai ficar as lembranças das apresentações de finais de ano, que eram incríveis. Ah, o camarim, a bagunça que eram aqueles camarins, o gelo seco, as luzes, os aplausos, os amigos que eu fiz, a ansiedade da espera na coxia... Eu vou continuar dançando, claro, agora na academia da minha professora de dança do ventre e me apresentado em festivais de dança árabe, como fiz domingo passado.
Eu deixo de ser uma aluna da Arte e Equilíbrio e passo a ser uma dançarina do ventre. Só. Não tenho mais a responsabilidade de representar uma escola, nem a proteção de pertencer a uma. Fica uma saudade, a certeza de que quando eu contar pra alguém como eu comecei a dançar, a escola vai voltar a existir, porque faz parte da minha história.
Em qualquer festival, festa, jantar, evento que eu me apresentar, estará ali, uma aluna da Arte e Equilíbrio. E já que o show acabou, vamos estourar os balões e festejar, porque era isso que acontecia quando as cortinas fechavam e terminava o espetáculo para os expectadores. Para nós, dançarinos, ficava o sabor do dever cumprido, a maquiagem pra tirar e a purpurina que grudava no corpo e nos acompanhava durante dias.
"Você precisa amar a dança para aderir a ela. Ela não lhe dá nada de volta, nada além daquele único momento fugaz quando você se sente vivo" Merce Cunningham
Uma pena. Mais do que a escola onde dancei, foi ali que descobri que era capaz de dançar. Lembro a primeira vez que entrei lá, dos quadros na parede, do incenso que tava queimando, da moça que me atendeu, lembro principalmente, que gostei de estar lá. Lugar alto astral. Sai com a certeza que voltaria no sábado para uma aula experimental de dança do ventre.
E tinha certeza que não passaria daquela aula. Afinal, sempre fui dura como uma porta. A certeza continuou quando na primeira aula não consegui fazer a batida lateral (passo básico da dança do ventre), mas algo me fez voltar no outro sábado e me matricular. E já se passaram quatro anos.
Nesse tempo conheci pessoas que amam a dança, aprendi a mexer o corpo, passei a usar expressões típicas de bailarinas, comprei várias sapatilhas, passei a ter calos nos meus pés, dores musculares e me orgulhar disso, aprendi a escutar música árabe, estudar tempos musicais, perdi o medo do palco, fiz várias passagens de palco, me apresentei em vários lugares e percebi que eu não só sei dançar, como amo muito isso. E isso foi fundamental pra mim sair da depressão que me encontrava quando entrei lá pela primeira vez.
Agora vai ficar as lembranças das apresentações de finais de ano, que eram incríveis. Ah, o camarim, a bagunça que eram aqueles camarins, o gelo seco, as luzes, os aplausos, os amigos que eu fiz, a ansiedade da espera na coxia... Eu vou continuar dançando, claro, agora na academia da minha professora de dança do ventre e me apresentado em festivais de dança árabe, como fiz domingo passado.
Eu deixo de ser uma aluna da Arte e Equilíbrio e passo a ser uma dançarina do ventre. Só. Não tenho mais a responsabilidade de representar uma escola, nem a proteção de pertencer a uma. Fica uma saudade, a certeza de que quando eu contar pra alguém como eu comecei a dançar, a escola vai voltar a existir, porque faz parte da minha história.
Em qualquer festival, festa, jantar, evento que eu me apresentar, estará ali, uma aluna da Arte e Equilíbrio. E já que o show acabou, vamos estourar os balões e festejar, porque era isso que acontecia quando as cortinas fechavam e terminava o espetáculo para os expectadores. Para nós, dançarinos, ficava o sabor do dever cumprido, a maquiagem pra tirar e a purpurina que grudava no corpo e nos acompanhava durante dias.
"Você precisa amar a dança para aderir a ela. Ela não lhe dá nada de volta, nada além daquele único momento fugaz quando você se sente vivo" Merce Cunningham
Friday, August 21, 2009
Antes e depois
“Por que escrevo? Porque é a minha vingança contra todas as palavras e sensações que morrem todos os dias mostrando pra gente que nada vale de nada. Toma esse texto, o único lugar seguro e eterno pra gente.” Tati Bernardi
Eu estava tri bem. Com o meu emprego que eu adoro, minha pós em sociologia, minha dança do ventre, meu balé, o Pilates, a casa espírita, pintando meu cabelo regularmente todos os meses, fazendo minhas unhas toda a semana, indo no cinema, no Margs, na Redenção, saindo com as minhas amigas, indo fazer festa com as gurias de Buenos Aires, escrevendo, cantando alto as músicas do Nando Reis... Estava vivendo e feliz.
Nem sei te dizer quando foi que eu reparei. Eu sei que um dia você me olhou e eu senti um frio na barriga. E fazia tanto tempo que eu não sentia isso, que até gostei. Me peguei acordando 10 minutos mais cedo, só pra dar tempo de passar base, lápis e rímel. Percebi, também, que leio o teu signo antes do meu. E já me pesquisei na internet se leão combina com libra e, graças a Deus, os astros conspiram a favor.
Eu te achei tão diferente, tão surpreendente, tão diferente daquela primeira impressão. Conversei tanto, isso que sou de poucas conversas. E agora eu tô aqui com milhares de borboletas no meu estômago, sem saber o que fazer. Sem saber no que vai dá. Com medo de errar de novo, de possibilitar o erro. Tô aqui pensando se chorar, vai aliviar; se escrever, você vai ler; se insistir, vai dar certo; se não fugir, vou conseguir; se desistir, me arrepender...
Eu não sei o que vai acontecer. Não sei o que sinto, além do nó na garganta e de uma certa ansiedade. Antes, eu tava bem, agora já não sei, mas aprendi (cedo demais), que o durante sempre acaba, isso sempre passa. E depois que acabar, minha vida vai seguir exatamente como era antes, sem você.
Eu estava tri bem. Com o meu emprego que eu adoro, minha pós em sociologia, minha dança do ventre, meu balé, o Pilates, a casa espírita, pintando meu cabelo regularmente todos os meses, fazendo minhas unhas toda a semana, indo no cinema, no Margs, na Redenção, saindo com as minhas amigas, indo fazer festa com as gurias de Buenos Aires, escrevendo, cantando alto as músicas do Nando Reis... Estava vivendo e feliz.
Nem sei te dizer quando foi que eu reparei. Eu sei que um dia você me olhou e eu senti um frio na barriga. E fazia tanto tempo que eu não sentia isso, que até gostei. Me peguei acordando 10 minutos mais cedo, só pra dar tempo de passar base, lápis e rímel. Percebi, também, que leio o teu signo antes do meu. E já me pesquisei na internet se leão combina com libra e, graças a Deus, os astros conspiram a favor.
Eu te achei tão diferente, tão surpreendente, tão diferente daquela primeira impressão. Conversei tanto, isso que sou de poucas conversas. E agora eu tô aqui com milhares de borboletas no meu estômago, sem saber o que fazer. Sem saber no que vai dá. Com medo de errar de novo, de possibilitar o erro. Tô aqui pensando se chorar, vai aliviar; se escrever, você vai ler; se insistir, vai dar certo; se não fugir, vou conseguir; se desistir, me arrepender...
Eu não sei o que vai acontecer. Não sei o que sinto, além do nó na garganta e de uma certa ansiedade. Antes, eu tava bem, agora já não sei, mas aprendi (cedo demais), que o durante sempre acaba, isso sempre passa. E depois que acabar, minha vida vai seguir exatamente como era antes, sem você.
Saturday, August 08, 2009
Mais um ano
Hoje é meu primeiro dia de idade nova. Eu nunca fui muito de aniversário. E essa história de envelhecer, de ver o tempo passar não me agrada muito. Só que eu tô bem, tô feliz, tô curtindo a vida adoidado. Então resolvi não reclamar tanto hoje, não lembrar de coisas e pessoas que de fato, não merecem serem lembradas. E entrar no clima.
Prefiro me concentrar no ano limpinho que tenho pela frente. E sinceramente, só quero que meu estado de espírito continue assim como tá. Livre, leve, solto e feliz. Só! De verdade! Tem muita coisa pra eu realizar, mas estou no caminho. Meu mantra atual é: o melhor está por vir!
Então é isso: felicidades pra mim! E pra você: tudo em dobro!
Prefiro me concentrar no ano limpinho que tenho pela frente. E sinceramente, só quero que meu estado de espírito continue assim como tá. Livre, leve, solto e feliz. Só! De verdade! Tem muita coisa pra eu realizar, mas estou no caminho. Meu mantra atual é: o melhor está por vir!
Então é isso: felicidades pra mim! E pra você: tudo em dobro!
Monday, August 03, 2009
Passado
O Marcello, meu primo de Florianópolis, me mandou um e-mail pedindo ajuda pra fazer a árvore genealógica da família, pegar os dados do povo daqui. Como gosto dessas coisas, adorei a idéia. E pensei que seria divertido e trabalhoso. Só que tá sendo bizarro... e trabalhoso!
Minha mãe não tem certeza do nome do avô dela! Fora os tios, os primos que ninguém sabe “que fim levou”. Está sendo engraçado ouvir as histórias. Tenho um bisavô que vivia preso durante a segunda guerra porque quando bebia demais, falava bem do Hitler.
Tem um irmão da minha avó que teve o armazém mais conhecido de Esteio. Só que as pessoas não lembram o nome do cidadão. E meu avô tem vários irmãos de criação, só que a maioria morreu e ele tá fazendo confusão de quem é irmão legítimo, quem é de criação. Fora que quando eu ligo para os meus tios avós (cruzes!), eles começam com histórias e mais histórias, mas as informações que eu preciso, não lembram.
Tirando o divertimento momentâneo, me dá medo. Fico me perguntando em que momento as pessoas se perdem? Não só famílias, tios, primos. Amigos também. Por que algumas pessoas são extremamente importantes em algumas fases? Por que com o passar do tempo as pessoas vão ficando pra trás?
Parece que não conseguimos administrar tudo que a vida nos trás. Emprego, faculdade, amigos, namoros... fora as mudanças que acontecem. Dá a impressão que não cabe todo mundo numa vida só. Ou analisando de uma maneira bem prática, não temos tempo pra conviver com todo mundo, aí conforme as coisas vão acontecendo, as prioridades e as pessoas vão mudando.
Mas é estranho pensar que daqui alguns anos as pessoas que fazem parte da minha vida hoje, podem estar só na lembrança. E vão estar. Como a minha amiga Gabi está. E isso era impensável há uns três anos atrás. Às vezes eu me pergunto como a ela está. Daqui uns anos vou me lembrar dela e pensar “que fim levou a Gabi?”
E nós? Que fins irão nos levar?
Minha mãe não tem certeza do nome do avô dela! Fora os tios, os primos que ninguém sabe “que fim levou”. Está sendo engraçado ouvir as histórias. Tenho um bisavô que vivia preso durante a segunda guerra porque quando bebia demais, falava bem do Hitler.
Tem um irmão da minha avó que teve o armazém mais conhecido de Esteio. Só que as pessoas não lembram o nome do cidadão. E meu avô tem vários irmãos de criação, só que a maioria morreu e ele tá fazendo confusão de quem é irmão legítimo, quem é de criação. Fora que quando eu ligo para os meus tios avós (cruzes!), eles começam com histórias e mais histórias, mas as informações que eu preciso, não lembram.
Tirando o divertimento momentâneo, me dá medo. Fico me perguntando em que momento as pessoas se perdem? Não só famílias, tios, primos. Amigos também. Por que algumas pessoas são extremamente importantes em algumas fases? Por que com o passar do tempo as pessoas vão ficando pra trás?
Parece que não conseguimos administrar tudo que a vida nos trás. Emprego, faculdade, amigos, namoros... fora as mudanças que acontecem. Dá a impressão que não cabe todo mundo numa vida só. Ou analisando de uma maneira bem prática, não temos tempo pra conviver com todo mundo, aí conforme as coisas vão acontecendo, as prioridades e as pessoas vão mudando.
Mas é estranho pensar que daqui alguns anos as pessoas que fazem parte da minha vida hoje, podem estar só na lembrança. E vão estar. Como a minha amiga Gabi está. E isso era impensável há uns três anos atrás. Às vezes eu me pergunto como a ela está. Daqui uns anos vou me lembrar dela e pensar “que fim levou a Gabi?”
E nós? Que fins irão nos levar?
Sunday, July 26, 2009
Tô Puta Mesmo
Eu tenho TPM, não que eu me orgulhe disso, mas tenho. É fato. Quando falo isso tem pessoas que torcem a cara, como se falassem “é manha”, tem algumas que falam “mas tu é tão novinha”... Eu nem respondo, apenas conto até 10, 24, 38, 57, depende da vez e do meu nível de irritação.
Mas que me dá uma vontade esganar um, ah dá! Qualquer um, do meu irmão ao cidadão que passa na minha frente na rua. Que ódio. Por que essa gente me olha? Não posso ficar em paz, quieta no meu canto. Eu irritada? Impressão. Eu estressada? Não sei aonde. Eu com TPM? Capaz. Capaz que vou dar o braço a torcer.
Sempre fui assim, caso o mundo não percebeu. E claro que o mundo não percebeu, esse bando de gente lerda e limitada. Ai que ódio!!! Hoje eu mato um. Ah, como eu queria cravar minhas unhas no pescoço de alguém e ficar lá segurando, até alcançar o nirvana. Falando em nirvana, hoje só quero rock no volume mais alto possível, que é pra eu poder gritar em paz.
Paz. Que paz é essa? Como ficar em paz com meus hormônios se rebelando em algum lugar dentro de mim? Com espinhas na cara e toda inchada? Que vontade quebrar uma balança. Tô com barriga e me sentido uma orca. E não posso nem olhar pra minhas pernas porque tô cheia de pontinhos roxos, maldita hora que resolvi tirar as varizes. Nem dá pra alguém eu posso com as pernas cheia de pontinhos roxos. Que ódio!
E esse nó na garganta!? Já não basta o inchaço, a irritação, as espinhas, a gula incontrolável, a auto-estima que já ultrapassou o chão e tá avistando a crosta terrestre. Ainda dá vontade de chorar. Aiiiiiiiiiiiiiiiiii que triste é o mundo, ao menos o nó na garganta vai passar... Não eu não vou chorar, não tenho motivo pra chorar. Merda, eu já to chorando. Ai, que ódio...
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 42, 43, 44, 45, 46, 47, 48, 49, 50, 51, 52, 53, 54, 55, 56, 57, 58, 59, 60, 61, 62, 63, 64, 65, 66, 67, 68, 69, 70, 71, 72
Mas que me dá uma vontade esganar um, ah dá! Qualquer um, do meu irmão ao cidadão que passa na minha frente na rua. Que ódio. Por que essa gente me olha? Não posso ficar em paz, quieta no meu canto. Eu irritada? Impressão. Eu estressada? Não sei aonde. Eu com TPM? Capaz. Capaz que vou dar o braço a torcer.
Sempre fui assim, caso o mundo não percebeu. E claro que o mundo não percebeu, esse bando de gente lerda e limitada. Ai que ódio!!! Hoje eu mato um. Ah, como eu queria cravar minhas unhas no pescoço de alguém e ficar lá segurando, até alcançar o nirvana. Falando em nirvana, hoje só quero rock no volume mais alto possível, que é pra eu poder gritar em paz.
Paz. Que paz é essa? Como ficar em paz com meus hormônios se rebelando em algum lugar dentro de mim? Com espinhas na cara e toda inchada? Que vontade quebrar uma balança. Tô com barriga e me sentido uma orca. E não posso nem olhar pra minhas pernas porque tô cheia de pontinhos roxos, maldita hora que resolvi tirar as varizes. Nem dá pra alguém eu posso com as pernas cheia de pontinhos roxos. Que ódio!
E esse nó na garganta!? Já não basta o inchaço, a irritação, as espinhas, a gula incontrolável, a auto-estima que já ultrapassou o chão e tá avistando a crosta terrestre. Ainda dá vontade de chorar. Aiiiiiiiiiiiiiiiiii que triste é o mundo, ao menos o nó na garganta vai passar... Não eu não vou chorar, não tenho motivo pra chorar. Merda, eu já to chorando. Ai, que ódio...
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Sunday, July 19, 2009
E se acontecer de novo?
Sempre ouvi que uma pessoa com depressão tem que se tratar a vida toda, ou boa parte dela. E sempre tive medo disso. Não gostaria de passar boa parte da minha vida tomando remédio pra sentir alegria e muito menos fazendo análise.
Eu ando tri bem. Feliz mesmo. Gosto da minha vida do jeito que tá, embora ainda tenha muita coisa pra fazer. Estou mais consciente. Curtindo, realmente, as pequenas coisas da vida. Por mais piegas que isso possa parecer.
Faço planos, consigo me imaginar com 30, 40, 55, 70 anos e sinceramente, acho que viver é bem legal. Muito legal! Tem um tempão que não choro. E nem tô me estressando tanto com as coisas, por mais incrível que isso possa parecer. Tô tri bem mesmo!
Pois é esse o problema. Às vezes no meio de uma gargalhada eu penso: “e se eu voltar a ser como era?”. Ou no ônibus, no meio de algum evento que eu esteja cobrindo, no cinema, caminhando no sol, andando de bicicleta, dançando, lendo... Do nada eu me pergunto: “e se acontecer de novo?”
Eu não sei em que momento da minha vida eu me perdi, então posso me perder de novo. E me dá medo. E eu penso será por isso a vigília constante e eterna das pessoas que tiveram depressão? A gente acaba pagando um preço caro por viver com consciência de que se é feliz.
Eu ando tri bem. Feliz mesmo. Gosto da minha vida do jeito que tá, embora ainda tenha muita coisa pra fazer. Estou mais consciente. Curtindo, realmente, as pequenas coisas da vida. Por mais piegas que isso possa parecer.
Faço planos, consigo me imaginar com 30, 40, 55, 70 anos e sinceramente, acho que viver é bem legal. Muito legal! Tem um tempão que não choro. E nem tô me estressando tanto com as coisas, por mais incrível que isso possa parecer. Tô tri bem mesmo!
Pois é esse o problema. Às vezes no meio de uma gargalhada eu penso: “e se eu voltar a ser como era?”. Ou no ônibus, no meio de algum evento que eu esteja cobrindo, no cinema, caminhando no sol, andando de bicicleta, dançando, lendo... Do nada eu me pergunto: “e se acontecer de novo?”
Eu não sei em que momento da minha vida eu me perdi, então posso me perder de novo. E me dá medo. E eu penso será por isso a vigília constante e eterna das pessoas que tiveram depressão? A gente acaba pagando um preço caro por viver com consciência de que se é feliz.
Thursday, July 09, 2009
Simplesmente feliz
Assisti ao filme Simplesmente Feliz, do diretor Mike Leigh, o mesmo de Segredos e Mentiras. O filme é uma comédia sobre diversão, procura de amores e aproveitar a vida, que mostra a rotina de Poppy, interpretado pela Sally Hawkins, que é uma jovem professora de escola primária, e uma otimista incorrigível que dificilmente se chateia.
Poppy tem o dom de aproveitar ao máximo a vida e a vida dela não tem nada de extraordinário. Ela mora com uma amiga, tem duas irmãs mais novas, vai ser tia, planeja as aulas que dará para as crianças da escola, às vezes sai pra balada com as amigas, faz aulas na auto-escola, sai para beber com as colegas depois do serviço, faz ginástica numa cama elástica, começa um curso de flamenco, procura de um namorado e como todo mundo, tem problemas.
Mas ela está sempre rindo, sempre feliz. Sempre! E o filme mostra exatamente essa rotina de gente-normal-com-um-talento-nato-de-ser-feliz. Sem dúvida, o filme é monótono, porque não há nem um grande acontecimento. Quando a personagem arruma o tal namorado é natural, nada de encontros inesquecíveis, de grandes pretensões, histórias surreais, ele é só mais um personagem do filme e da vida da Poppy.
Simplesmente Feliz mostra a vida de uma pessoa normal e feliz. A vida é monótona sim, pode parecer sem grandes acontecimentos, não imaginamos o que as pessoas podem vir a se tornar quando surgem na nossa vida, trabalhar é cansativo, aprender a dirigir nem sempre é fácil, a irmã mais nova dá problemas, o cheque não tem fundo, a ressaca é horrível, mas é exatamente assim que a gente é feliz.
Poppy tem o dom de aproveitar ao máximo a vida e a vida dela não tem nada de extraordinário. Ela mora com uma amiga, tem duas irmãs mais novas, vai ser tia, planeja as aulas que dará para as crianças da escola, às vezes sai pra balada com as amigas, faz aulas na auto-escola, sai para beber com as colegas depois do serviço, faz ginástica numa cama elástica, começa um curso de flamenco, procura de um namorado e como todo mundo, tem problemas.
Mas ela está sempre rindo, sempre feliz. Sempre! E o filme mostra exatamente essa rotina de gente-normal-com-um-talento-nato-de-ser-feliz. Sem dúvida, o filme é monótono, porque não há nem um grande acontecimento. Quando a personagem arruma o tal namorado é natural, nada de encontros inesquecíveis, de grandes pretensões, histórias surreais, ele é só mais um personagem do filme e da vida da Poppy.
Simplesmente Feliz mostra a vida de uma pessoa normal e feliz. A vida é monótona sim, pode parecer sem grandes acontecimentos, não imaginamos o que as pessoas podem vir a se tornar quando surgem na nossa vida, trabalhar é cansativo, aprender a dirigir nem sempre é fácil, a irmã mais nova dá problemas, o cheque não tem fundo, a ressaca é horrível, mas é exatamente assim que a gente é feliz.
Wednesday, July 01, 2009
Salve a arte

No último final de semana participei da 9ª Feira Harem de Danças Árabes, realizada nos dias 26, 27 e 28 de junho, na Sociedade Libanesa em Porto Alegre.
No evento anual, promovido pela Escola Harem, acontecem shows e workshops. Nessa edição, a grande atração foi a dançarina do ventre russa Nour, considerada a maior estrela de dança do ventre do Egito e o cantor e dançarino egípcio Yasser Alswery.
Durante dois dias, fiz workshops de dança do ventre, dança folclórica árabe – o Dabke – e dança Beduína. Havia em torno de 100 participantes nos cursos e um clima muito bom, de celebração. Todas ali celebravam a arte.
Danças como o Dabke e a Beduína exige que os professores ensinem muito mais que coreografias ou passos ritmados, tem que ter todo um conhecimento da cultura, um entendimento dos significados dos passos.
Já em casa, assistindo o Fantástico, a matéria sobre os robôs que fazem serviços de humanos, me chamou atenção por causa do comentário da minha mãe, que um dia os robôs iriam dominar o mundo. Mas não vão, não. Tenho certeza disso depois desse final de semana.
Por mais cômodo que parece ser robôs que fazem funções básicas para nos, humanos. Sempre haverá a arte para nos lembrar que certas atividades são imprescindíveis para nos manter vivos. Nenhum robô poderá dançar por nos, nem fazer malabarismos e escrever poesias, bordar, interpretar, tocar flauta ou derbak ou guitarra...
Em épocas de grande avanço tecnológico sempre é bom lembrar que a arte é uma atividade essencialmente humana. Por mais cansativo que seja e por mais disciplina que possa exigir, é na arte que a gente extrapola o mundo, é dançando, cantando, fotografando que a gente celebra o ser humano.
Wednesday, June 24, 2009
E viva São João
Noite de São João
Kleiton e Kledir
Era noite de São João
E eu saia com meu irmão
De bigode de rolha
E chapéu novo em folha
Brim Coringa e alpargata
Toda noite de São João
Eu sonhava em pegar da mão
De uma prenda bonita
De vestido de chita
E Maria Chiquinha
Soltando foguete (tchê)
Pulando fogueira (há)
Era noite de São João
Toda noite de São João
A quermesse era um festão
Bandeirinhas no arame
De papel celofane
Pau de sebo e de fita
Era noite de São João
E depois de comer pinhão
Vinha pé-de-moleque
Puxa-puxa e um pileque
De caninha ou de quentão
Soltando foguete (tchê)
Pulando fogueira (há)
Era noite de São João
Era noite de São João
Cordeona com violão
Esquentavam as moça
E eu nesse bate-coxa
Não podia me segurar
Toda noite de São João
Eu voava que nem balão
Namorava as estrelas
Que são primas terceiras
E afilhadas de São João
Soltando foguete (tchê)
Pulando fogueira (há)
Era noite de São João
Kleiton e Kledir
Era noite de São João
E eu saia com meu irmão
De bigode de rolha
E chapéu novo em folha
Brim Coringa e alpargata
Toda noite de São João
Eu sonhava em pegar da mão
De uma prenda bonita
De vestido de chita
E Maria Chiquinha
Soltando foguete (tchê)
Pulando fogueira (há)
Era noite de São João
Toda noite de São João
A quermesse era um festão
Bandeirinhas no arame
De papel celofane
Pau de sebo e de fita
Era noite de São João
E depois de comer pinhão
Vinha pé-de-moleque
Puxa-puxa e um pileque
De caninha ou de quentão
Soltando foguete (tchê)
Pulando fogueira (há)
Era noite de São João
Era noite de São João
Cordeona com violão
Esquentavam as moça
E eu nesse bate-coxa
Não podia me segurar
Toda noite de São João
Eu voava que nem balão
Namorava as estrelas
Que são primas terceiras
E afilhadas de São João
Soltando foguete (tchê)
Pulando fogueira (há)
Era noite de São João
Wednesday, June 17, 2009
Não tem explicação
Hoje, o Supremo Tribunal Federal, STF, julgou a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. Após ser adiado por duas vezes, o Recurso Extraordinário 511961 voltou à pauta da sessão plenária. O julgamento se dividiu entre as posições do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo, o Ministério Público Federal (MPF) e a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) com o apoio da Advocacia Geral da União.
O que aconteceu no país que mais parece uma pizzaria? Não é mais necessário ter diploma para exercer a profissão de jornalista. Uma profissão que lida diretamente com a sociedade, de tal importância, que é chamada de “o quarto poder.” Grosso modo, qualquer pessoa pode atuar como jornalista. O resultado foi 8x1 para eles. Há apenas um ministro de bom senso e coragem no STF.
Defender a necessidade do diploma de Jornalismo no exercício da profissão está longe de ser uma questão corporativa. Esse ataque à profissão jornalística é um atentado a liberdade e o fim da exigência da formação fere toda a sociedade em seu direito de ter informação qualificada. Hoje, retrocedemos muitos anos na história.
O procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza, que defendeu o MPF e o Gilmar Mendes, afirmou que a exigência do diploma é um "obstáculo à livre manifestação de pensamento, garantida pela Constituição.” Ora, há espaços de opiniões em todos os veículos de comunicação. Qualquer cidadão pode e deve dar sua opinião e se quiser, torná-la pública. Existe espaço para isso.
Agora, notícia é coisa para jornalista. É óbvio que um médico tem mais conhecimento sobre saúde do que um jornalista, um advogado entende mais da legislação do que o jornalista e assim por diante. Isso é senso comum, não se discute. Agora o que um médico, um advogado, um dentista, um engenheiro entendem de lead, de critérios de noticiabilidade, de mídia tranning, de clipagem e taxação?...
Perceberam? Perceberam a burrada que a turma do Ministério cometeu? Os jornalistas sairão perdendo, claro. Mas pior será para a sociedade que poderá perder a certeza de receber uma informação qualificada feita por profissionais competentes. Além de essa atitude abrir vários precedentes, o relator do projeto, Gilmar Mendes, disse que regulamentações de outras profissões também serão revistas. Aonde vamos parar?
A democracia não tem explicação
Outro ponto importantíssimo nessa história absurda é que se a cassação do diploma é para endossar a “democracia”? Por que não se levou esse debate para a sociedade? Por que o MPF não foi para as ruas fazer a campanha contra o diploma e nós, a favor? Por que não se ouviu falar isso nos telejornais da Rede Globo? Por que não realizaram um plebiscito e deixarem a escolha nas mãos da sociedade?
Mas é a democracia, gente. Democracia, vivemos numa democracia, onde oito representantes de uma minoria, considerada a elite do judiciário brasileiro, resolve que a Nação não tem direito de receber informação decente, nem o de ter uma imprensa livre e autônima, feita por profissionais.
O que farão os milhares jornalistas registrados no Ministério do Trabalho? E as centenas de cursos de jornalismo que temos em atividade no país? E os professores universitários de comunicação? E os estudantes? Como debater salários justos para uma profissão que nem se quer é regulamentada? O que será do futuro de um povo que tem uma imprensa movida por interesses, incapaz de atuar na construção de uma sociedade plural e justa?
O que aconteceu no país que mais parece uma pizzaria? Não é mais necessário ter diploma para exercer a profissão de jornalista. Uma profissão que lida diretamente com a sociedade, de tal importância, que é chamada de “o quarto poder.” Grosso modo, qualquer pessoa pode atuar como jornalista. O resultado foi 8x1 para eles. Há apenas um ministro de bom senso e coragem no STF.
Defender a necessidade do diploma de Jornalismo no exercício da profissão está longe de ser uma questão corporativa. Esse ataque à profissão jornalística é um atentado a liberdade e o fim da exigência da formação fere toda a sociedade em seu direito de ter informação qualificada. Hoje, retrocedemos muitos anos na história.
O procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza, que defendeu o MPF e o Gilmar Mendes, afirmou que a exigência do diploma é um "obstáculo à livre manifestação de pensamento, garantida pela Constituição.” Ora, há espaços de opiniões em todos os veículos de comunicação. Qualquer cidadão pode e deve dar sua opinião e se quiser, torná-la pública. Existe espaço para isso.
Agora, notícia é coisa para jornalista. É óbvio que um médico tem mais conhecimento sobre saúde do que um jornalista, um advogado entende mais da legislação do que o jornalista e assim por diante. Isso é senso comum, não se discute. Agora o que um médico, um advogado, um dentista, um engenheiro entendem de lead, de critérios de noticiabilidade, de mídia tranning, de clipagem e taxação?...
Perceberam? Perceberam a burrada que a turma do Ministério cometeu? Os jornalistas sairão perdendo, claro. Mas pior será para a sociedade que poderá perder a certeza de receber uma informação qualificada feita por profissionais competentes. Além de essa atitude abrir vários precedentes, o relator do projeto, Gilmar Mendes, disse que regulamentações de outras profissões também serão revistas. Aonde vamos parar?
A democracia não tem explicação
Outro ponto importantíssimo nessa história absurda é que se a cassação do diploma é para endossar a “democracia”? Por que não se levou esse debate para a sociedade? Por que o MPF não foi para as ruas fazer a campanha contra o diploma e nós, a favor? Por que não se ouviu falar isso nos telejornais da Rede Globo? Por que não realizaram um plebiscito e deixarem a escolha nas mãos da sociedade?
Mas é a democracia, gente. Democracia, vivemos numa democracia, onde oito representantes de uma minoria, considerada a elite do judiciário brasileiro, resolve que a Nação não tem direito de receber informação decente, nem o de ter uma imprensa livre e autônima, feita por profissionais.
O que farão os milhares jornalistas registrados no Ministério do Trabalho? E as centenas de cursos de jornalismo que temos em atividade no país? E os professores universitários de comunicação? E os estudantes? Como debater salários justos para uma profissão que nem se quer é regulamentada? O que será do futuro de um povo que tem uma imprensa movida por interesses, incapaz de atuar na construção de uma sociedade plural e justa?
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