Noite de São João
Kleiton e Kledir
Era noite de São João
E eu saia com meu irmão
De bigode de rolha
E chapéu novo em folha
Brim Coringa e alpargata
Toda noite de São João
Eu sonhava em pegar da mão
De uma prenda bonita
De vestido de chita
E Maria Chiquinha
Soltando foguete (tchê)
Pulando fogueira (há)
Era noite de São João
Toda noite de São João
A quermesse era um festão
Bandeirinhas no arame
De papel celofane
Pau de sebo e de fita
Era noite de São João
E depois de comer pinhão
Vinha pé-de-moleque
Puxa-puxa e um pileque
De caninha ou de quentão
Soltando foguete (tchê)
Pulando fogueira (há)
Era noite de São João
Era noite de São João
Cordeona com violão
Esquentavam as moça
E eu nesse bate-coxa
Não podia me segurar
Toda noite de São João
Eu voava que nem balão
Namorava as estrelas
Que são primas terceiras
E afilhadas de São João
Soltando foguete (tchê)
Pulando fogueira (há)
Era noite de São João
Wednesday, June 24, 2009
Wednesday, June 17, 2009
Não tem explicação
Hoje, o Supremo Tribunal Federal, STF, julgou a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. Após ser adiado por duas vezes, o Recurso Extraordinário 511961 voltou à pauta da sessão plenária. O julgamento se dividiu entre as posições do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo, o Ministério Público Federal (MPF) e a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) com o apoio da Advocacia Geral da União.
O que aconteceu no país que mais parece uma pizzaria? Não é mais necessário ter diploma para exercer a profissão de jornalista. Uma profissão que lida diretamente com a sociedade, de tal importância, que é chamada de “o quarto poder.” Grosso modo, qualquer pessoa pode atuar como jornalista. O resultado foi 8x1 para eles. Há apenas um ministro de bom senso e coragem no STF.
Defender a necessidade do diploma de Jornalismo no exercício da profissão está longe de ser uma questão corporativa. Esse ataque à profissão jornalística é um atentado a liberdade e o fim da exigência da formação fere toda a sociedade em seu direito de ter informação qualificada. Hoje, retrocedemos muitos anos na história.
O procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza, que defendeu o MPF e o Gilmar Mendes, afirmou que a exigência do diploma é um "obstáculo à livre manifestação de pensamento, garantida pela Constituição.” Ora, há espaços de opiniões em todos os veículos de comunicação. Qualquer cidadão pode e deve dar sua opinião e se quiser, torná-la pública. Existe espaço para isso.
Agora, notícia é coisa para jornalista. É óbvio que um médico tem mais conhecimento sobre saúde do que um jornalista, um advogado entende mais da legislação do que o jornalista e assim por diante. Isso é senso comum, não se discute. Agora o que um médico, um advogado, um dentista, um engenheiro entendem de lead, de critérios de noticiabilidade, de mídia tranning, de clipagem e taxação?...
Perceberam? Perceberam a burrada que a turma do Ministério cometeu? Os jornalistas sairão perdendo, claro. Mas pior será para a sociedade que poderá perder a certeza de receber uma informação qualificada feita por profissionais competentes. Além de essa atitude abrir vários precedentes, o relator do projeto, Gilmar Mendes, disse que regulamentações de outras profissões também serão revistas. Aonde vamos parar?
A democracia não tem explicação
Outro ponto importantíssimo nessa história absurda é que se a cassação do diploma é para endossar a “democracia”? Por que não se levou esse debate para a sociedade? Por que o MPF não foi para as ruas fazer a campanha contra o diploma e nós, a favor? Por que não se ouviu falar isso nos telejornais da Rede Globo? Por que não realizaram um plebiscito e deixarem a escolha nas mãos da sociedade?
Mas é a democracia, gente. Democracia, vivemos numa democracia, onde oito representantes de uma minoria, considerada a elite do judiciário brasileiro, resolve que a Nação não tem direito de receber informação decente, nem o de ter uma imprensa livre e autônima, feita por profissionais.
O que farão os milhares jornalistas registrados no Ministério do Trabalho? E as centenas de cursos de jornalismo que temos em atividade no país? E os professores universitários de comunicação? E os estudantes? Como debater salários justos para uma profissão que nem se quer é regulamentada? O que será do futuro de um povo que tem uma imprensa movida por interesses, incapaz de atuar na construção de uma sociedade plural e justa?
O que aconteceu no país que mais parece uma pizzaria? Não é mais necessário ter diploma para exercer a profissão de jornalista. Uma profissão que lida diretamente com a sociedade, de tal importância, que é chamada de “o quarto poder.” Grosso modo, qualquer pessoa pode atuar como jornalista. O resultado foi 8x1 para eles. Há apenas um ministro de bom senso e coragem no STF.
Defender a necessidade do diploma de Jornalismo no exercício da profissão está longe de ser uma questão corporativa. Esse ataque à profissão jornalística é um atentado a liberdade e o fim da exigência da formação fere toda a sociedade em seu direito de ter informação qualificada. Hoje, retrocedemos muitos anos na história.
O procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza, que defendeu o MPF e o Gilmar Mendes, afirmou que a exigência do diploma é um "obstáculo à livre manifestação de pensamento, garantida pela Constituição.” Ora, há espaços de opiniões em todos os veículos de comunicação. Qualquer cidadão pode e deve dar sua opinião e se quiser, torná-la pública. Existe espaço para isso.
Agora, notícia é coisa para jornalista. É óbvio que um médico tem mais conhecimento sobre saúde do que um jornalista, um advogado entende mais da legislação do que o jornalista e assim por diante. Isso é senso comum, não se discute. Agora o que um médico, um advogado, um dentista, um engenheiro entendem de lead, de critérios de noticiabilidade, de mídia tranning, de clipagem e taxação?...
Perceberam? Perceberam a burrada que a turma do Ministério cometeu? Os jornalistas sairão perdendo, claro. Mas pior será para a sociedade que poderá perder a certeza de receber uma informação qualificada feita por profissionais competentes. Além de essa atitude abrir vários precedentes, o relator do projeto, Gilmar Mendes, disse que regulamentações de outras profissões também serão revistas. Aonde vamos parar?
A democracia não tem explicação
Outro ponto importantíssimo nessa história absurda é que se a cassação do diploma é para endossar a “democracia”? Por que não se levou esse debate para a sociedade? Por que o MPF não foi para as ruas fazer a campanha contra o diploma e nós, a favor? Por que não se ouviu falar isso nos telejornais da Rede Globo? Por que não realizaram um plebiscito e deixarem a escolha nas mãos da sociedade?
Mas é a democracia, gente. Democracia, vivemos numa democracia, onde oito representantes de uma minoria, considerada a elite do judiciário brasileiro, resolve que a Nação não tem direito de receber informação decente, nem o de ter uma imprensa livre e autônima, feita por profissionais.
O que farão os milhares jornalistas registrados no Ministério do Trabalho? E as centenas de cursos de jornalismo que temos em atividade no país? E os professores universitários de comunicação? E os estudantes? Como debater salários justos para uma profissão que nem se quer é regulamentada? O que será do futuro de um povo que tem uma imprensa movida por interesses, incapaz de atuar na construção de uma sociedade plural e justa?
Friday, June 12, 2009
Dia dos Namorados
Meu príncipe encantado deve ter caído do cavalo, batido a cabeça, perdido a memória... Por isso não me encontra!
Wednesday, June 10, 2009
A arrogância e os gaúchos
Polêmica a declaração do ministro Nelson Jobim que "já criei a arrogância dos gaúchos"? Acho que não. Depois dessa declaração, dezenas de enquetes foram feitas e, a grande maioria dos gaúchos, acha que nós somos, de fato, arrogantes.
Eu concordo. Penso que a nossa arrogância vem do orgulho que ostentamos. Pode ser o maior roqueiro do mundo, mas se é gaúcho, sabe cantar os versos de "Querência Amada". Pode detestar política, mas enche a boca para falar do Getúlio Vargas, considerado por muitos, um dos melhores presidentes que o Brasil já teve. Não gosta de futebol, mas tem orgulho do Ronaldinho Gaúcho, do Pato, do Sobis, do Dunga, do Taffarel, do Falcão... E as mulheres? De Ieda Maria Vargas à Gisele Bündchem, o país e o mundo sabem de onde elas vieram.
A nossa arrogância vem disso. Da nossa história, dos heróis que cultivamos. Da grandeza de celebrar uma guerra (a dos Farrapos) onde nos perdemos. De cultivar hábitos que vem dos nossos avós. De vestir a melhor bombacha e ir passear na Redenção. De ser antiqualquer coisa, porque para todo gaúcho é 8 ou 80, não há meio termo. De defender nossas crenças e nossos custumes. De cantar o hino riograndense com a mão no peito e com a certeza que se nossas façanhas servisem de modelo a toda terra, teríamos outra sociedade.
Não achei a declaração do Jobim polêmica, seria se fosse dita por uma pessoa que não fosse gaúcha. Mas o ministro é daqui, de Santa Maria. Tão gaúcho quanto o gaúcho de Alegrete, gaúcho de Passo Fundo, gaúcho de Bagé, gaúcho de Porto Alegre, tão peculiares e tão iguais. Ele não criou a arrogância, já nasceu com ela, é quase inerente, nasceu no Rio Grande do Sul é um arrogante. Que sejamos todos arrogantes, pois reconhecer os nossos defeitos é típico de um povo cheio de virtudes.
Eu concordo. Penso que a nossa arrogância vem do orgulho que ostentamos. Pode ser o maior roqueiro do mundo, mas se é gaúcho, sabe cantar os versos de "Querência Amada". Pode detestar política, mas enche a boca para falar do Getúlio Vargas, considerado por muitos, um dos melhores presidentes que o Brasil já teve. Não gosta de futebol, mas tem orgulho do Ronaldinho Gaúcho, do Pato, do Sobis, do Dunga, do Taffarel, do Falcão... E as mulheres? De Ieda Maria Vargas à Gisele Bündchem, o país e o mundo sabem de onde elas vieram.
A nossa arrogância vem disso. Da nossa história, dos heróis que cultivamos. Da grandeza de celebrar uma guerra (a dos Farrapos) onde nos perdemos. De cultivar hábitos que vem dos nossos avós. De vestir a melhor bombacha e ir passear na Redenção. De ser antiqualquer coisa, porque para todo gaúcho é 8 ou 80, não há meio termo. De defender nossas crenças e nossos custumes. De cantar o hino riograndense com a mão no peito e com a certeza que se nossas façanhas servisem de modelo a toda terra, teríamos outra sociedade.
Não achei a declaração do Jobim polêmica, seria se fosse dita por uma pessoa que não fosse gaúcha. Mas o ministro é daqui, de Santa Maria. Tão gaúcho quanto o gaúcho de Alegrete, gaúcho de Passo Fundo, gaúcho de Bagé, gaúcho de Porto Alegre, tão peculiares e tão iguais. Ele não criou a arrogância, já nasceu com ela, é quase inerente, nasceu no Rio Grande do Sul é um arrogante. Que sejamos todos arrogantes, pois reconhecer os nossos defeitos é típico de um povo cheio de virtudes.
Sunday, June 07, 2009
As mulheres e o futebol
Estava escutando o Pijama Show outro dia, e o Everton Cunha perguntava o que faz as mulheres gostarem tanto de futebol, atualmente? Fiquei pensando nisso, porque eu me incluo nesse time. Agora, será que gosto de fato de futebol?
Eu não perco minhas tardes de domingo olhando futebol, a não ser se meu time está jogando. Eu não coleciono camisas das mais diversas equipes, só tenho camisas do meu time. Eu não sei o calendário do campeonato brasileiro, só sei quando tem jogo do meu time. Sequer sei onde o Ronaldinho Gaúcho está jogando. Só sei quem está jogando no meu time.
Acho que antes de gostar de futebol, gosto do meu time! Penso que para nós, mulheres, o gostar de futebol, passa necessariamente pelo time que torcemos. Ao contrário dos homens. Lembro dos meus tios que assistiam jogos do Cruzeiro X Botafogo, do São Paulo X Vitória... Coisa que eu não faço e acho que a grande maioria do sexo feminino, também não.
A gente gosta sim de futebol e entendemos do esporte também, tão bem quanto eles. Mas para mim, o nosso lado emotivo e passional vem à tona também no quesito futebolístico. Eu gosto de futebol porque tenho um time para torcer, incentivar, vibrar junto... Não o esporte em si, e sim algo que mexe com os nossos sentimentos, que atende por um nome, no meu caso, Internacional, mas que poderia ser Botafogo, Palmeiras, Coritiba...
Eu não perco minhas tardes de domingo olhando futebol, a não ser se meu time está jogando. Eu não coleciono camisas das mais diversas equipes, só tenho camisas do meu time. Eu não sei o calendário do campeonato brasileiro, só sei quando tem jogo do meu time. Sequer sei onde o Ronaldinho Gaúcho está jogando. Só sei quem está jogando no meu time.
Acho que antes de gostar de futebol, gosto do meu time! Penso que para nós, mulheres, o gostar de futebol, passa necessariamente pelo time que torcemos. Ao contrário dos homens. Lembro dos meus tios que assistiam jogos do Cruzeiro X Botafogo, do São Paulo X Vitória... Coisa que eu não faço e acho que a grande maioria do sexo feminino, também não.
A gente gosta sim de futebol e entendemos do esporte também, tão bem quanto eles. Mas para mim, o nosso lado emotivo e passional vem à tona também no quesito futebolístico. Eu gosto de futebol porque tenho um time para torcer, incentivar, vibrar junto... Não o esporte em si, e sim algo que mexe com os nossos sentimentos, que atende por um nome, no meu caso, Internacional, mas que poderia ser Botafogo, Palmeiras, Coritiba...
Thursday, May 28, 2009
Os livros que sou
Tava com um texto prontinho pra colocar no blog, sobre mulheres e futebol. Mas antes de postar fui olhar o blog da Jac. Tinha um post superlegal, com o resultado de um teste que ela fez. Lia o resultado e pensava “ela é assim mesmo”.
Resolvi fazer o tal teste também, chamado “que livro você é?” Capaz que eu não ia fazer. E como nada se cria, tudo se copia, também coloquei o meu resultado no blog.
E eu empatei no final, seria dois livros! Não que eu seja uma pessoa que vive em cima do muro, aliás, se tenho uma coisa que não sou é indecisa, mas sim, há uma infinidade de possibilidades e isso me encanta, me intriga, me assusta...
Bom, nada de devaneios agora. Não li nem um dos dois, mas obviamente já estão na minha lista. Para ser bem sincera, nunca tinha ouvido falar de nenhum desses livros. Confesso que não gostei de tudo que li, mas segundo minha mãe, o resultado bateu direitinho e no meu “eu mais interior”, lia o resultado e pensava “pior é que sou bem assim!”
Segue os livros que eu seria e o link do teste tá no blog da Jac.
"A paixão segundo GH", de Clarice Lispector
Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender.
Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.
"O vampiro de Curitiba", de Dalton Trevisan
Descolado, objetivo e realista. Cult. Você deve se sentir mais à vontade longe de shoppings, da TV e de qualquer coisa que grite “cultura de massa”. Nada de meias palavras: a elas, você prefere o silêncio. Você não vê o mundo através de lentes cor-de-rosa, muito pelo contrário. Procura ver o mundo como ele é, entendê-lo, senti-lo. Às vezes, bate até aquele sentimento de exclusão, ou de solidão. Mas é o preço que se paga por ser um pouco "marginal". Não se preocupe, pois você atrai a admiração de pessoas como você: modernas no melhor sentido da palavra.
Em "O vampiro de Curitiba" (1965), Nelsinho protagoniza uma variedade de contos, nos quais ele busca satisfazer sua obsessão sexual vagando pelas ruas de Curitiba - paralelamente, esta cidade de contrastes se revela ao leitor. A temática e a forma já denunciam: este não é um livro para qualquer um. Tem que ter cabeça aberta para enfrentar a linguagem nua e crua de Trevisan, que é reverenciado pelo leitor capaz de driblar velhos ranços burgueses.
Resolvi fazer o tal teste também, chamado “que livro você é?” Capaz que eu não ia fazer. E como nada se cria, tudo se copia, também coloquei o meu resultado no blog.
E eu empatei no final, seria dois livros! Não que eu seja uma pessoa que vive em cima do muro, aliás, se tenho uma coisa que não sou é indecisa, mas sim, há uma infinidade de possibilidades e isso me encanta, me intriga, me assusta...
Bom, nada de devaneios agora. Não li nem um dos dois, mas obviamente já estão na minha lista. Para ser bem sincera, nunca tinha ouvido falar de nenhum desses livros. Confesso que não gostei de tudo que li, mas segundo minha mãe, o resultado bateu direitinho e no meu “eu mais interior”, lia o resultado e pensava “pior é que sou bem assim!”
Segue os livros que eu seria e o link do teste tá no blog da Jac.
"A paixão segundo GH", de Clarice Lispector
Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender.
Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.
"O vampiro de Curitiba", de Dalton Trevisan
Descolado, objetivo e realista. Cult. Você deve se sentir mais à vontade longe de shoppings, da TV e de qualquer coisa que grite “cultura de massa”. Nada de meias palavras: a elas, você prefere o silêncio. Você não vê o mundo através de lentes cor-de-rosa, muito pelo contrário. Procura ver o mundo como ele é, entendê-lo, senti-lo. Às vezes, bate até aquele sentimento de exclusão, ou de solidão. Mas é o preço que se paga por ser um pouco "marginal". Não se preocupe, pois você atrai a admiração de pessoas como você: modernas no melhor sentido da palavra.
Em "O vampiro de Curitiba" (1965), Nelsinho protagoniza uma variedade de contos, nos quais ele busca satisfazer sua obsessão sexual vagando pelas ruas de Curitiba - paralelamente, esta cidade de contrastes se revela ao leitor. A temática e a forma já denunciam: este não é um livro para qualquer um. Tem que ter cabeça aberta para enfrentar a linguagem nua e crua de Trevisan, que é reverenciado pelo leitor capaz de driblar velhos ranços burgueses.
Thursday, May 21, 2009
O castelo do príncipe sapo
O norueguês Jostein Gaarder é o meu escritor preferido. Formado em filosofia, ele escreve sobre isso, mas para crianças e jovens, O mundo de Sofia e O dia do coringa são dele. Aproveitando, O dia do coringa é um dos meus livros favoritos.
Entre as coisas que leio porque gosto e as leituras obrigatórias para a pós, os livros do Jostein são um alento. Nas últimas semanas tive que ler muita coisa sobre Karl Marx, Max Weber e Émile Durkheim, leitura técnicas e densas, até que peguei infantil O castelo do príncipe sapo, para ler.
Em dois dias, vivi uma incrível aventura num castelo em que os guardas eram salamandras, uma rainha que sempre se esquecia de colocar a parte de cima da roupa, um duende muito sábio, um camareiro que era um lorde e sapos enormes loucos para virarem príncipes.
Tudo ciceroneado pelo príncipe Gregório Pegório, um menino de 7 anos que acabou de perder o avô e depois de uma amostra de "vida real", ele precisava de mergulhar num “faz-de-conta”.
Não foi o melhor livro que li do Jostein, mas como sempre é incrível. A partir de uma fantasia, ela fala da vida. Sempre é assim. Não sei como um “senhor” de quase 60 anos consegue bolar essas histórias dignas da imaginação do meu afilhado.
Uma das passagens mais legais do livro é quando Gregório se dá conta que o avô dele sempre vai estar vivo no mundo dos sonhos, porque é lá que mora o impossível. A outra parte que faz muito adulto pensar, é quando o duende fala para o menino se guiar sempre pelas ideias que nascem do coração porque os pensamentos maus nascem da cabeça.
Legal né? Fica a dica. Ah, e o livro com desenhos...
Entre as coisas que leio porque gosto e as leituras obrigatórias para a pós, os livros do Jostein são um alento. Nas últimas semanas tive que ler muita coisa sobre Karl Marx, Max Weber e Émile Durkheim, leitura técnicas e densas, até que peguei infantil O castelo do príncipe sapo, para ler.
Em dois dias, vivi uma incrível aventura num castelo em que os guardas eram salamandras, uma rainha que sempre se esquecia de colocar a parte de cima da roupa, um duende muito sábio, um camareiro que era um lorde e sapos enormes loucos para virarem príncipes.
Tudo ciceroneado pelo príncipe Gregório Pegório, um menino de 7 anos que acabou de perder o avô e depois de uma amostra de "vida real", ele precisava de mergulhar num “faz-de-conta”.
Não foi o melhor livro que li do Jostein, mas como sempre é incrível. A partir de uma fantasia, ela fala da vida. Sempre é assim. Não sei como um “senhor” de quase 60 anos consegue bolar essas histórias dignas da imaginação do meu afilhado.
Uma das passagens mais legais do livro é quando Gregório se dá conta que o avô dele sempre vai estar vivo no mundo dos sonhos, porque é lá que mora o impossível. A outra parte que faz muito adulto pensar, é quando o duende fala para o menino se guiar sempre pelas ideias que nascem do coração porque os pensamentos maus nascem da cabeça.
Legal né? Fica a dica. Ah, e o livro com desenhos...
Wednesday, May 13, 2009
A merda da incoerência
Tirando os problemas estruturais que o mundo enfrenta como fome, miséria, pobreza, falta de condições dignas de se viver... Fora isso, o maior problema do mundo é a incoerência. Tanto individual, como coletiva.
Sempre admirei pessoas coerentes, não digo com os outros, com as tais regras impostas pela sociedade, me refiro aquela coerência quase íntima, aquela pessoal, de agirmos conforme pensamos. De viver de acordo com aquilo que achamos certo, ou não. Honrar na prática o discurso que proferimos, geralmente, com a boca cheia.
Cada vez menos encontro esse tipo de pessoa. Existem, conheço algumas, mas são poucas. E é dessa falta de coerência de cada indivíduo consigo mesmo que nasce esse moralismo vazio que a gente vê por aí, e desde sempre. É normal pais darem sermões para que os filhos não fumem com cigarro na mão, por exemplo...
E o que acontece numa sociedade cheia de indivíduos incoerentes? Se torna assim também. As instituições, que querendo ou não, formam muitas opiniões, acabam com um discurso teórico e uma prática contraditória. Aí crescemos com a impressão de que se contradizer é normal, que não dá nada falar uma coisa e fazer outra. Ou acreditar em algo e pregar o oposto.
Acredito que o dia que as pessoas deixarem de pensar tanto no que os outros vão pensar, teremos familiares, amigos, vizinhos coerentes, mais verdadeiros e consequentemente uma sociedade melhor, mais leve. Pode soar muito egoísta, mas acho fundamental ser coerente comigo, antes de qualquer coisa. Às vezes pensando no nosso próprio umbigo a gente está, no fundo, se libertando.
Sempre admirei pessoas coerentes, não digo com os outros, com as tais regras impostas pela sociedade, me refiro aquela coerência quase íntima, aquela pessoal, de agirmos conforme pensamos. De viver de acordo com aquilo que achamos certo, ou não. Honrar na prática o discurso que proferimos, geralmente, com a boca cheia.
Cada vez menos encontro esse tipo de pessoa. Existem, conheço algumas, mas são poucas. E é dessa falta de coerência de cada indivíduo consigo mesmo que nasce esse moralismo vazio que a gente vê por aí, e desde sempre. É normal pais darem sermões para que os filhos não fumem com cigarro na mão, por exemplo...
E o que acontece numa sociedade cheia de indivíduos incoerentes? Se torna assim também. As instituições, que querendo ou não, formam muitas opiniões, acabam com um discurso teórico e uma prática contraditória. Aí crescemos com a impressão de que se contradizer é normal, que não dá nada falar uma coisa e fazer outra. Ou acreditar em algo e pregar o oposto.
Acredito que o dia que as pessoas deixarem de pensar tanto no que os outros vão pensar, teremos familiares, amigos, vizinhos coerentes, mais verdadeiros e consequentemente uma sociedade melhor, mais leve. Pode soar muito egoísta, mas acho fundamental ser coerente comigo, antes de qualquer coisa. Às vezes pensando no nosso próprio umbigo a gente está, no fundo, se libertando.
Monday, May 04, 2009
Aproveite o dia
Uma vez me falaram que um dia eu teria prazer em acordar cedo e aproveitar o dia. Não lembro do que respondi, até porque lembro pouco dessa época, nem mesmo lembro quem me disse isso. Acho que foi uma colega do trabalho...
Nessa época meu programa preferido era dormir. De dia, de preferência. Calculava diretinho: se saísse da cama às 14h, até me arrumar, dar um jeito no quarto, só sairia para a rua uma hora depois. Seriam poucas horas de tortura se por volta das 19h eu me escondesse atrás de um livro e lá ficasse até todos irem dormir. Aí sim, eu teria “paz” e poderia chorar.
Não fazia nada. Não tinha nada para fazer. Pior, não havia vontade. E até as correrias, trabalho, faculdade era só com o objetivo de passar logo, acabar o dia, o outro, mais um, a semana... Passar tudo rápido, no piloto automático pra eu não sentir nada. Não havia o que senti. Metade dos anos que passei na Unisinos não me lembro, não curti, não aproveitei, só passei.
Até que me peguei com alguma expectativa no dia seguinte, no outro e no depois. Voltei a planejar coisas. Até que toquei fora os antidepressivos, perdi a conta de quantos dias não choro e pasmem, estou satisfeita com a minha vida. Claro que gostaria de estar escrevendo esse texto num hotel cinco estrelas na França. Mas um dia estarei, e, escrevendo coisa bem melhor. É só uma questão de tempo.
A correria é a mesma, trabalho e faculdade, mas agora eu sinto, eu tenho vontades. Eu estou lá de fato, não só de corpo presente. Tenho consciência das coisas que estou vivendo. Ontem foi domingo e meu relógio despertou às 8h porque eu tinha um monte de coisas pra fazer. Andar a cavalo, ler, estudar pra prova, comemorar o aniversário de uma amiga, ler o jornal, fazer negrinho, comer pizza, dormir no sofá sem ser uma fuga...
Preciso honrar a frase que carrego no pé. Carpe Diem.
Nessa época meu programa preferido era dormir. De dia, de preferência. Calculava diretinho: se saísse da cama às 14h, até me arrumar, dar um jeito no quarto, só sairia para a rua uma hora depois. Seriam poucas horas de tortura se por volta das 19h eu me escondesse atrás de um livro e lá ficasse até todos irem dormir. Aí sim, eu teria “paz” e poderia chorar.
Não fazia nada. Não tinha nada para fazer. Pior, não havia vontade. E até as correrias, trabalho, faculdade era só com o objetivo de passar logo, acabar o dia, o outro, mais um, a semana... Passar tudo rápido, no piloto automático pra eu não sentir nada. Não havia o que senti. Metade dos anos que passei na Unisinos não me lembro, não curti, não aproveitei, só passei.
Até que me peguei com alguma expectativa no dia seguinte, no outro e no depois. Voltei a planejar coisas. Até que toquei fora os antidepressivos, perdi a conta de quantos dias não choro e pasmem, estou satisfeita com a minha vida. Claro que gostaria de estar escrevendo esse texto num hotel cinco estrelas na França. Mas um dia estarei, e, escrevendo coisa bem melhor. É só uma questão de tempo.
A correria é a mesma, trabalho e faculdade, mas agora eu sinto, eu tenho vontades. Eu estou lá de fato, não só de corpo presente. Tenho consciência das coisas que estou vivendo. Ontem foi domingo e meu relógio despertou às 8h porque eu tinha um monte de coisas pra fazer. Andar a cavalo, ler, estudar pra prova, comemorar o aniversário de uma amiga, ler o jornal, fazer negrinho, comer pizza, dormir no sofá sem ser uma fuga...
Preciso honrar a frase que carrego no pé. Carpe Diem.
Monday, April 27, 2009
Pela regulamentação da profissão de jornalista
De todos os textos que eu já li em defesa da regulamentação da profissão de jornalista, sem dúvida o que achei mais bonito é esse que reproduzo abaixo. O texto O acerto no erro, da jornalista Susana Vernieri, foi publicado no site do Sindicato dos Jornalistas do RS, no dia 16 de abril.
Faço das palavras da minha experiente colega, as minhas.
O acerto no erro
Susana Vernieri*
O prédio era destinado a ser um almoxarifado e foi transformado a fórceps em Faculdade. A sala de redação era recheada com máquinas de escrever antigas. As câmeras de TV eram pesadas e velhas. A ilha de edição, quase que analógica. O laboratório fotográfico, uma peneira. A biblioteca desatualizada. Nada parecia convidar a entrada naquela casa.
O atrativo era o erro. A liberdade de exercitar a falha. Não é teoria, técnica, arte que a Universidade de Jornalismo ensina, mas a possibilidade de se acreditar ser um humano. É esta sua justificativa maior. Dentro dela encontramos a geléia real da vida. O professor bom ensaia o espelho do futuro chefe exemplar. O ruim, nos alerta para os perigos do futuro. O coleguismo é amostra do que se poderá contar no ombro a ombro da jornada. Como norte de toda esta experiência está a tão desgastada palavra Ética.
O diploma serve para que se ateste perante a nós mesmos e aos outros, que empreendemos uma aventura ao centro da questão e estamos aptos a seguir viagem. Ele é documento imprescindível, passaporte para um mundo onde há menos tolerância para o erro. O espaço do profissionalismo não perdoa os fracos. A sociedade, muito em breve, irá cobrar do Supremo a decisão de acabar com a exigência do diploma para o exercício legal da profissão de jornalista caso isso venha acontecer. Toda população, em seu íntimo, quer uma Imprensa forte, pois sem palavra forte, o povo é escravo.
* Doutora pela Ufrgs, ex-professora de Jornalismo da Famecos, Fabico e Unisinos, trabalhou dez anos em Zero Hora
Faço das palavras da minha experiente colega, as minhas.
O acerto no erro
Susana Vernieri*
O prédio era destinado a ser um almoxarifado e foi transformado a fórceps em Faculdade. A sala de redação era recheada com máquinas de escrever antigas. As câmeras de TV eram pesadas e velhas. A ilha de edição, quase que analógica. O laboratório fotográfico, uma peneira. A biblioteca desatualizada. Nada parecia convidar a entrada naquela casa.
O atrativo era o erro. A liberdade de exercitar a falha. Não é teoria, técnica, arte que a Universidade de Jornalismo ensina, mas a possibilidade de se acreditar ser um humano. É esta sua justificativa maior. Dentro dela encontramos a geléia real da vida. O professor bom ensaia o espelho do futuro chefe exemplar. O ruim, nos alerta para os perigos do futuro. O coleguismo é amostra do que se poderá contar no ombro a ombro da jornada. Como norte de toda esta experiência está a tão desgastada palavra Ética.
O diploma serve para que se ateste perante a nós mesmos e aos outros, que empreendemos uma aventura ao centro da questão e estamos aptos a seguir viagem. Ele é documento imprescindível, passaporte para um mundo onde há menos tolerância para o erro. O espaço do profissionalismo não perdoa os fracos. A sociedade, muito em breve, irá cobrar do Supremo a decisão de acabar com a exigência do diploma para o exercício legal da profissão de jornalista caso isso venha acontecer. Toda população, em seu íntimo, quer uma Imprensa forte, pois sem palavra forte, o povo é escravo.
* Doutora pela Ufrgs, ex-professora de Jornalismo da Famecos, Fabico e Unisinos, trabalhou dez anos em Zero Hora
Tuesday, April 21, 2009
De porre
E esse tal de chop em litros não acaba mais. Já estamos no segundo canecão de 6 litros... Já devo estar, no mínimo, bem alegrinha, não paro de rir. Penso na minha amiga que foi embora pra Curitiba e sempre falou que queria me ver de porre. O momento chegou e ela não aqui. Me dá saudade. Sinto vontade de chorar...
Me recomponho a tempo, bêbada sentimental e chorona não dá. O namorado grisalho da minha amiga de 19 anos vai pagar mais seis litros de chop! Nós estamos em cinco, quantos litros será que dá pra cada uma? Ainda bem que a Tati é enfermeira...
A Lú vem com um copo cheio pra mim, dizendo “bebe porque a Clara tá tomando todas e tá dirigindo...” Cadê o cara que eu tava conversando? Como é mesmo o nome dele? Marcelo, Márcio, Mauro, Ma-alguma-coisa-que-já-me-esqueci. Ele tava de vermelho parece... Mas porque beijei o cara de camisa verde?
Saco! Preciso fazer xixi, onde é o banheiro? Espero que seja bem perto e que eu consiga ir até lá em linha reta! Por que cerveja engorda tanto se a gente toma um pouquinho e faz um monte de xixi? Claro que tem fila no banheiro. Preciso me escorar na parede. Minha vez. Sentei. Tá tudo girando! Coloco uns chicles na boca... Lavo o rosto. Acho que tô melhor.
Volto pra mesa. A Lú tá pra lá de Bagdá! Pior que eu! Já tá dando cerveja pra Clara, falando que a Tati tem que dirigir depois. Que dor nos pés, vou me sentar um pouquinho. Acho que o pior da bebedeira tá passando. Começa a tocar “Sandra Rosa Madalena”, eu levanto da cadeira num pulo e danço loucamente. Pego uma flor do enfeite da mesa e ponho na boca, bato um pé e as mãos. Tô mais bêbada que nunca.
O comedor velho da minha amiga tá com fome e é o único que não tá bebendo. Esperto ele, deve tá rindo da nossa cara. Bom, ele resolve pedir batatas fritas. Que bom, também vou comer alguma coisa e voltar pro meu estado normal. Não tem chocolate aqui pra vender. Dizem que chocolate é bom pra curar bebedeira. Vai uma Coca-cola mesmo.
Achei o Ma-alguma-coisa-que-já-me-esqueci, ele tá num camarote. Vou lá me sentar um pouco e tentar manter uma conversa de gente sóbria e inteligente. Ele diz que eu e minhas amigas já estamos no quinto canecão de 6 litros. Eu não acredito. Ele me diz que se ficar comigo é capaz de entrar em coma alcoólico. Palhaço! Levanto e vou dançar com as minhas amigas.
A Clara tem a gloriosa idéia de ir até o DJ pedir que ele toque alguma música da Madonna, já que todas nós nos conhecemos no show dela. O DJ toca “Like a Virgin” e diz que é em nossa homenagem. A gente agradece, caprichamos na dança e nos gritinhos de “uh” do refrão. “Like virgin, uh!”
Vou ver se acho o cara da camisa verde que fiquei. A Lú já tá desmaiada em cima de uma mesa. A Clara parece a mais sóbria de todas, mesmo sendo a que mais bebeu. O velho chato que come minha amiga começou a incomodar para ir embora, pois no outro dia tem que acordar cedo pra assistir a Fórmula 1. A Tati foi pra pista dance pegar um galeto. Eu não achei o cara da camisa verde e acabei no bar pedindo uma Smirnoff. O que é 500 ml de Smirnoff pra quem tomou litros e litros de chop?
Acabou? Cadê a música? Ih... Parou por quê? Por que parou? Fim de festa, game over. Mas recém é 5h30 da madrugada de domingo, se a noite é uma criança, o dia é um recém nascido. Como vou embora? Durmo na casa da Lú, que tá no banheiro vomitando ou encaro o trem às 6h da manhã? Que saco morar no interior!!!
Na saída o namorado mais velho e gente fina da minha amiga vem nos apresentar um amigo da terceira idade, é o gerente! Grande tiozão, além de bancar litros e litros de chop, é amigo do gerente! Grande gerente, o tio Pedrinho, nos deu um baita de desconto. Te procurar da próxima vez que a gente não pega fila? Claro, pode deixar. Vai ver ele pensou que a bebedeira iria nos deixar desmemoriadas... Coitado, não imagina o prejuízo que vai ter.
Me recomponho a tempo, bêbada sentimental e chorona não dá. O namorado grisalho da minha amiga de 19 anos vai pagar mais seis litros de chop! Nós estamos em cinco, quantos litros será que dá pra cada uma? Ainda bem que a Tati é enfermeira...
A Lú vem com um copo cheio pra mim, dizendo “bebe porque a Clara tá tomando todas e tá dirigindo...” Cadê o cara que eu tava conversando? Como é mesmo o nome dele? Marcelo, Márcio, Mauro, Ma-alguma-coisa-que-já-me-esqueci. Ele tava de vermelho parece... Mas porque beijei o cara de camisa verde?
Saco! Preciso fazer xixi, onde é o banheiro? Espero que seja bem perto e que eu consiga ir até lá em linha reta! Por que cerveja engorda tanto se a gente toma um pouquinho e faz um monte de xixi? Claro que tem fila no banheiro. Preciso me escorar na parede. Minha vez. Sentei. Tá tudo girando! Coloco uns chicles na boca... Lavo o rosto. Acho que tô melhor.
Volto pra mesa. A Lú tá pra lá de Bagdá! Pior que eu! Já tá dando cerveja pra Clara, falando que a Tati tem que dirigir depois. Que dor nos pés, vou me sentar um pouquinho. Acho que o pior da bebedeira tá passando. Começa a tocar “Sandra Rosa Madalena”, eu levanto da cadeira num pulo e danço loucamente. Pego uma flor do enfeite da mesa e ponho na boca, bato um pé e as mãos. Tô mais bêbada que nunca.
O comedor velho da minha amiga tá com fome e é o único que não tá bebendo. Esperto ele, deve tá rindo da nossa cara. Bom, ele resolve pedir batatas fritas. Que bom, também vou comer alguma coisa e voltar pro meu estado normal. Não tem chocolate aqui pra vender. Dizem que chocolate é bom pra curar bebedeira. Vai uma Coca-cola mesmo.
Achei o Ma-alguma-coisa-que-já-me-esqueci, ele tá num camarote. Vou lá me sentar um pouco e tentar manter uma conversa de gente sóbria e inteligente. Ele diz que eu e minhas amigas já estamos no quinto canecão de 6 litros. Eu não acredito. Ele me diz que se ficar comigo é capaz de entrar em coma alcoólico. Palhaço! Levanto e vou dançar com as minhas amigas.
A Clara tem a gloriosa idéia de ir até o DJ pedir que ele toque alguma música da Madonna, já que todas nós nos conhecemos no show dela. O DJ toca “Like a Virgin” e diz que é em nossa homenagem. A gente agradece, caprichamos na dança e nos gritinhos de “uh” do refrão. “Like virgin, uh!”
Vou ver se acho o cara da camisa verde que fiquei. A Lú já tá desmaiada em cima de uma mesa. A Clara parece a mais sóbria de todas, mesmo sendo a que mais bebeu. O velho chato que come minha amiga começou a incomodar para ir embora, pois no outro dia tem que acordar cedo pra assistir a Fórmula 1. A Tati foi pra pista dance pegar um galeto. Eu não achei o cara da camisa verde e acabei no bar pedindo uma Smirnoff. O que é 500 ml de Smirnoff pra quem tomou litros e litros de chop?
Acabou? Cadê a música? Ih... Parou por quê? Por que parou? Fim de festa, game over. Mas recém é 5h30 da madrugada de domingo, se a noite é uma criança, o dia é um recém nascido. Como vou embora? Durmo na casa da Lú, que tá no banheiro vomitando ou encaro o trem às 6h da manhã? Que saco morar no interior!!!
Na saída o namorado mais velho e gente fina da minha amiga vem nos apresentar um amigo da terceira idade, é o gerente! Grande tiozão, além de bancar litros e litros de chop, é amigo do gerente! Grande gerente, o tio Pedrinho, nos deu um baita de desconto. Te procurar da próxima vez que a gente não pega fila? Claro, pode deixar. Vai ver ele pensou que a bebedeira iria nos deixar desmemoriadas... Coitado, não imagina o prejuízo que vai ter.
Tuesday, April 14, 2009
Loopings
É incrível como as coisas mudam em tão pouco tempo. Tem um livro do Paulo Coelho, que não me lembro bem qual é, talvez Veronika Decide Morrer ou O Demônio e a Srta Prym... que diz que as mudanças que ocorrem na nossa vida não precisam de mais de 7 dias para se concretizarem.
Há uma semana atrás eu encontrei um ex-professor da faculdade e falei da minha vontade de estudar Ciências sociais, que achava que tinha tudo haver com jornalismo, com a área que trabalho e que estava pensando em encarar o vestibular da UFRGS em 2010...
Ele me parabenizou pelo "projeto" e perguntou porque eu não fazia uma especialização, que não levaria tanto tempo... Viajando na Internet de noite fui ver as pós-graduações em Sociologia. Achei uma perfeita na PUC, que estava com inscrições abertas!
E adivinha: me inscrevi, passei na seleção e minhas aulas já começaram, semana passada mesmo. Me inscrevi no último dia! Nos 45 do segundo tempo! Agora, voltei a ser estudante, tô preocupada com a quantidade de textos (nada faceis) que tenho que ler e com a monografia que deve ser entregue até novembro do ano que vem. Que loucura.
Meu emprego foi a mesma coisa. Passei uns dias em Florianópolis, cheguei numa segunda de manhã, à tarde me ligaram pra fazer entevista. Na outra segunda já estava trabalhando. E já se passou um mês!
No fundo eu gosto das coisas assim, desses acontecimentos rápidos, eles nos tiram da inércia, da acomodação. Não dizem que a vida é feito uma montanha-russa? Então é desses loopings que eu gosto. A gente, ou a vida, até pode ficar de cabeça pra baixo, mas deixa aquela adrenalina tão boa...
Há uma semana atrás eu encontrei um ex-professor da faculdade e falei da minha vontade de estudar Ciências sociais, que achava que tinha tudo haver com jornalismo, com a área que trabalho e que estava pensando em encarar o vestibular da UFRGS em 2010...
Ele me parabenizou pelo "projeto" e perguntou porque eu não fazia uma especialização, que não levaria tanto tempo... Viajando na Internet de noite fui ver as pós-graduações em Sociologia. Achei uma perfeita na PUC, que estava com inscrições abertas!
E adivinha: me inscrevi, passei na seleção e minhas aulas já começaram, semana passada mesmo. Me inscrevi no último dia! Nos 45 do segundo tempo! Agora, voltei a ser estudante, tô preocupada com a quantidade de textos (nada faceis) que tenho que ler e com a monografia que deve ser entregue até novembro do ano que vem. Que loucura.
Meu emprego foi a mesma coisa. Passei uns dias em Florianópolis, cheguei numa segunda de manhã, à tarde me ligaram pra fazer entevista. Na outra segunda já estava trabalhando. E já se passou um mês!
No fundo eu gosto das coisas assim, desses acontecimentos rápidos, eles nos tiram da inércia, da acomodação. Não dizem que a vida é feito uma montanha-russa? Então é desses loopings que eu gosto. A gente, ou a vida, até pode ficar de cabeça pra baixo, mas deixa aquela adrenalina tão boa...
Saturday, April 11, 2009
Águas paradas
Outro dia ouvi uma história bastante interessante sobre mágoa. Um senhor me explicou que a palavra mágoa vem da expressão "má água". E que as más águas são as que ficam paradas, não são renovadas e acabam apodrecendo. As nossas mágoas aconteceriam porque não renovamos nossas energias, ficamos remoendo sentimentos e como as águas paradas, acabam apodrecendo e nos fazendo mal.
Gostei da metáfora. O problema é que nem sempre conseguimos fazer as águas seguirem seu curso com uma certa rapidez. E digo mais, não é difícil essas águas formarem redemoinhos, que fazem nossos pensamentos ficarem rodando, rodando, rodando, a gente não sai do lugar e quando percebemos, perdemos um tempo danado e é aí que nos damos conta que a mágoa tá nos prejudicando.
Depois disso a gente começa a fazer questão de renovar as energias. E renovamos. E as águas retomam seu curso, mas a gente não esquece. Na Páscoa eu sempre acabo lembrando as águas paradas que já cultivei. É inevitável. E daí sempre acho que a mágoa tá lá, mais amena, mais serena (se é que isso é possível), mas tá lá!
Contraditório? Hum, acho que não. Fiz um esforço danado pra renovar as tais águas paradas, só que o aquário onde guardei os teus olhos azuis, eu escondi tão bem que não acho pra trocar a água.
Gostei da metáfora. O problema é que nem sempre conseguimos fazer as águas seguirem seu curso com uma certa rapidez. E digo mais, não é difícil essas águas formarem redemoinhos, que fazem nossos pensamentos ficarem rodando, rodando, rodando, a gente não sai do lugar e quando percebemos, perdemos um tempo danado e é aí que nos damos conta que a mágoa tá nos prejudicando.
Depois disso a gente começa a fazer questão de renovar as energias. E renovamos. E as águas retomam seu curso, mas a gente não esquece. Na Páscoa eu sempre acabo lembrando as águas paradas que já cultivei. É inevitável. E daí sempre acho que a mágoa tá lá, mais amena, mais serena (se é que isso é possível), mas tá lá!
Contraditório? Hum, acho que não. Fiz um esforço danado pra renovar as tais águas paradas, só que o aquário onde guardei os teus olhos azuis, eu escondi tão bem que não acho pra trocar a água.
Monday, April 06, 2009
Bioenergética
Correria nesses últimos dias e ressaca da gloriosa festa do glorioso centenário do meu glorioso Internacional (a redundância foi intencional).
Sábado, após a Marcha do Inter, fui no Namastê, um Centro de Terapias e Meditações, que fica na Rua da República, em Porto Alegre. Gastei um pouco no brechó, comi empadas indianas, fiz Reiki, troquei ideias com gente bacana e de cabeça aberta e fiz uma sessão de terapia bioenergética em grupo. Muito bom! A bioenergética é como uma sessão de análise com psicólogo, só que em vez de falar, a gente também faz exercícios, alongamentos, respiração adequada pra cada momento, dança, entre outras coisas
A filosofia da bioenergética é trabalhar com as nossas couraças musculares, tudo aquilo que nosso corpo vai somatizando e com o tempo, interfere na nossa energia. A terapia busca um melhor entendimento de si mesmo através de exercícios que troquem e renovem nossas energias e para isso, precisamos conhecer nosso corpo, para usá-lo a nosso favor.
Há sessões individuais e em grupo. Nas de grupo, o objetivo é a troca de energia entre os participantes. No final, depois dos exercícios e meditação, acabamos todos dançando e nos tocando. É estranho tocar um desconhecido, abraçar, encarar, pegar a mão, tocar nas pernas, fazer massagens nos pés... Estranho também é permitir um desconhecido faça isso sem nenhum constrangimento... Começa com todo mundo desconfiado e termina com todo mundo à vontade.
Não sei se foi a bioenergética, a caminhada pelo meu time, a gripe que me encontrava no sábado ou a junção de todo isso, mas no outro dia, o corpo todo doía. Mas era uma dor boa, um cansaço gostoso, uma satisfação estranha e uma leveza mansa que me deixava alerta a tudo que se passava ao redor. Eu estava com energia para encarar outra caminhada quilométrica e as correrias do dia-a-dia.
Sábado, após a Marcha do Inter, fui no Namastê, um Centro de Terapias e Meditações, que fica na Rua da República, em Porto Alegre. Gastei um pouco no brechó, comi empadas indianas, fiz Reiki, troquei ideias com gente bacana e de cabeça aberta e fiz uma sessão de terapia bioenergética em grupo. Muito bom! A bioenergética é como uma sessão de análise com psicólogo, só que em vez de falar, a gente também faz exercícios, alongamentos, respiração adequada pra cada momento, dança, entre outras coisas
A filosofia da bioenergética é trabalhar com as nossas couraças musculares, tudo aquilo que nosso corpo vai somatizando e com o tempo, interfere na nossa energia. A terapia busca um melhor entendimento de si mesmo através de exercícios que troquem e renovem nossas energias e para isso, precisamos conhecer nosso corpo, para usá-lo a nosso favor.
Há sessões individuais e em grupo. Nas de grupo, o objetivo é a troca de energia entre os participantes. No final, depois dos exercícios e meditação, acabamos todos dançando e nos tocando. É estranho tocar um desconhecido, abraçar, encarar, pegar a mão, tocar nas pernas, fazer massagens nos pés... Estranho também é permitir um desconhecido faça isso sem nenhum constrangimento... Começa com todo mundo desconfiado e termina com todo mundo à vontade.
Não sei se foi a bioenergética, a caminhada pelo meu time, a gripe que me encontrava no sábado ou a junção de todo isso, mas no outro dia, o corpo todo doía. Mas era uma dor boa, um cansaço gostoso, uma satisfação estranha e uma leveza mansa que me deixava alerta a tudo que se passava ao redor. Eu estava com energia para encarar outra caminhada quilométrica e as correrias do dia-a-dia.
Monday, March 30, 2009
Na minha imaginação
Na minha imaginação eu tenho dinheiro para fazer um mestrado em Londres, aliás, mês que vem estou embarcando. Na minha imaginação eu estou fazendo ciências sociais na UFRGS e tenho algum cargo no DCE da federal (mais idealista e socialista, impossível). Na minha imaginação eu não tenho um furinho de celulite na minha bunda. Eu nasci assim: com o cabelo preto e com esses seios que nunca irão sentir a lei da gravidade.
Na minha imaginação eu tenho tempo de ler todos os livros que gostaria. Ontem mesmo terminei o interminável “O Capital”, do Karl Marx. Na minha imaginação eu vou me casar com o príncipe Andrea de Mônaco, vou morar naquele país chiquérrimo, ser uma princesa de verdade e ter um ou dois amantes, que deverão ser o Leonardo Di Caprio e o Nelsinho Piquet.
Na minha imaginação eu falo seis línguas, incluindo esperanto. Já fui a primeira dançarina do Bellydance Ballet. E todo ano sou convidada para dançar no Emirados Árabes. Passei seis meses incríveis viajando como ativista do Greenpeace. Já escrevi alguns livros. Sou amicíssima do Jorge Furtado, Zeca Camargo, Nando Reis e da Xuxa. Na minha imaginação ele sempre volta...
O quê? Tô viajando demais? Então vamos para as coisas mais acessíveis...
Na minha imaginação eu sempre tenho algum troco na carteira. Minha internet nunca cai e eu sempre acordo de bom humor e bem disposta. Na minha imaginação eu estou estudando para entrar na UFRGS. Voltei a fazer italiano e consegui terminar de ler “on the Road”. Na minha imaginação eu vou ir no show do Oasis e não acho caro pagar R$ 40,00 para ver a exposição do corpo humano com cadáveres de verdade. Na minha imaginação eu sempre tenho inspiração, não sinto nenhuma dor nas aulas de balé e arraso na dança do ventre. Na minha imaginação ele sempre volta...
Mas é só na imaginação mesmo...
Na minha imaginação eu tenho tempo de ler todos os livros que gostaria. Ontem mesmo terminei o interminável “O Capital”, do Karl Marx. Na minha imaginação eu vou me casar com o príncipe Andrea de Mônaco, vou morar naquele país chiquérrimo, ser uma princesa de verdade e ter um ou dois amantes, que deverão ser o Leonardo Di Caprio e o Nelsinho Piquet.
Na minha imaginação eu falo seis línguas, incluindo esperanto. Já fui a primeira dançarina do Bellydance Ballet. E todo ano sou convidada para dançar no Emirados Árabes. Passei seis meses incríveis viajando como ativista do Greenpeace. Já escrevi alguns livros. Sou amicíssima do Jorge Furtado, Zeca Camargo, Nando Reis e da Xuxa. Na minha imaginação ele sempre volta...
O quê? Tô viajando demais? Então vamos para as coisas mais acessíveis...
Na minha imaginação eu sempre tenho algum troco na carteira. Minha internet nunca cai e eu sempre acordo de bom humor e bem disposta. Na minha imaginação eu estou estudando para entrar na UFRGS. Voltei a fazer italiano e consegui terminar de ler “on the Road”. Na minha imaginação eu vou ir no show do Oasis e não acho caro pagar R$ 40,00 para ver a exposição do corpo humano com cadáveres de verdade. Na minha imaginação eu sempre tenho inspiração, não sinto nenhuma dor nas aulas de balé e arraso na dança do ventre. Na minha imaginação ele sempre volta...
Mas é só na imaginação mesmo...
Monday, March 23, 2009
A evolução da espécie
Cerca de um mês atrás:
- Tem cinco anos que eu não dirijo, então tenha paciência e não grita!
- Tá, nunca vi, tirou a carteira e tem medo de dirigir. Liga o carro e pode ir.
- Meu Deus!
- Vira, vira a direção! O que tu tá fazendo! Vai devagar!
- Ai, eu não lembro direito! Não grita! Ai meu Deus.
- Meu Deus digo eu! Olha o que tu fez?!
- Ah, deixei o carro apagar...
- Claro pisou no freio com o pé esquerdo! Nunca vi disso!
- Eu disse que não lembrava, porra!
- Ah, tu vai voltar pra auto-escola!
Duas semanas atrás:
- Pisa devagar e larga a embreagem.
- Tá. Ai meu Deus!
- Isso. Agora freia. Arranca. Põe uma segunda. Freia. Arranca. Freia...
- Que saco isso!
- Tu tem que aprender... Então anda mais um pouco e põe uma terceira... Freia. Arranca. Não deixa o carro apag...
- Ih apagou!
- Tá vamos de novo. Tu vai subir a lomba.
- Que lomba? Não vou não!
- Sobe!!!!!!!!!!
- Ai meu Deus!!!!!!!!!!!!
- Agora tu tem que parar na esquina!
- Qual esquina?
- A que tu acabou de passar!
- Ih nem vi!
- Tem que andar mais devagar! Nunca vi, não sabe dirigir, mas sabe correr! Agora vira a aqui... Devagar, olha a árvore! Vira, vira!
- Ufa!
- Olha o cara de bicicleta!
- Ele que vá pra calçada!
Semana passada:
- Vamos no mercado. Pela avenida e na volta passamos pelos bombeiros.
- Pô são 19h! Não dá pra ir por onde não tem movimento? Tem muito carro nas ruas.
- Não. Tu não tem que ter medo dos outros carros. Tu já tá dirigindo bem, até...
- Sim, mas só ando onde não tem movimento e eu quase bati na árvore e atropelei os guris que estavam na rua ontem e tu sempre fala que corro demais...
- Mas tu já colocou o carro na garagem direitinho!
- E tu queria que eu voltasse pra auto-escola! E só tu não gritar...
- Eu não grito, é tu que fica histérica. Vamos lá...
- Fecha o vidro que eu não quero ouvir ninguém me xingando.
- Quem vai te xingar?
- Todo mundo que vê que eu estou em pânico.
- Procura um lugar pra estacionar. Veio bem, estacionou direitinho!
- Nossa, tô suando!
Ontem:
- Já tá dirigindo bem melhor!
- Será que até o final do ano, tô andando sozinha?
- Claro! É só tu não correr.
- Mas eu não corro...
- Amanhã a gente vai para algum lugar distante, deserto.
- Pra quê?
- Pra ti dar uns cavalinhos de pau!
- Ah é pai...
- Vai sim, não quis voltar pra auto-escola...
- Tem cinco anos que eu não dirijo, então tenha paciência e não grita!
- Tá, nunca vi, tirou a carteira e tem medo de dirigir. Liga o carro e pode ir.
- Meu Deus!
- Vira, vira a direção! O que tu tá fazendo! Vai devagar!
- Ai, eu não lembro direito! Não grita! Ai meu Deus.
- Meu Deus digo eu! Olha o que tu fez?!
- Ah, deixei o carro apagar...
- Claro pisou no freio com o pé esquerdo! Nunca vi disso!
- Eu disse que não lembrava, porra!
- Ah, tu vai voltar pra auto-escola!
Duas semanas atrás:
- Pisa devagar e larga a embreagem.
- Tá. Ai meu Deus!
- Isso. Agora freia. Arranca. Põe uma segunda. Freia. Arranca. Freia...
- Que saco isso!
- Tu tem que aprender... Então anda mais um pouco e põe uma terceira... Freia. Arranca. Não deixa o carro apag...
- Ih apagou!
- Tá vamos de novo. Tu vai subir a lomba.
- Que lomba? Não vou não!
- Sobe!!!!!!!!!!
- Ai meu Deus!!!!!!!!!!!!
- Agora tu tem que parar na esquina!
- Qual esquina?
- A que tu acabou de passar!
- Ih nem vi!
- Tem que andar mais devagar! Nunca vi, não sabe dirigir, mas sabe correr! Agora vira a aqui... Devagar, olha a árvore! Vira, vira!
- Ufa!
- Olha o cara de bicicleta!
- Ele que vá pra calçada!
Semana passada:
- Vamos no mercado. Pela avenida e na volta passamos pelos bombeiros.
- Pô são 19h! Não dá pra ir por onde não tem movimento? Tem muito carro nas ruas.
- Não. Tu não tem que ter medo dos outros carros. Tu já tá dirigindo bem, até...
- Sim, mas só ando onde não tem movimento e eu quase bati na árvore e atropelei os guris que estavam na rua ontem e tu sempre fala que corro demais...
- Mas tu já colocou o carro na garagem direitinho!
- E tu queria que eu voltasse pra auto-escola! E só tu não gritar...
- Eu não grito, é tu que fica histérica. Vamos lá...
- Fecha o vidro que eu não quero ouvir ninguém me xingando.
- Quem vai te xingar?
- Todo mundo que vê que eu estou em pânico.
- Procura um lugar pra estacionar. Veio bem, estacionou direitinho!
- Nossa, tô suando!
Ontem:
- Já tá dirigindo bem melhor!
- Será que até o final do ano, tô andando sozinha?
- Claro! É só tu não correr.
- Mas eu não corro...
- Amanhã a gente vai para algum lugar distante, deserto.
- Pra quê?
- Pra ti dar uns cavalinhos de pau!
- Ah é pai...
- Vai sim, não quis voltar pra auto-escola...
Wednesday, March 18, 2009
Elaboração
No dicionário, elaborar é “preparar gradualmente e com trabalho. Formar, organizar. Tornar assimilável”. De uns tempos pra cá tenho pensado muito que pra ser feliz ou ao menos tentar, é fundamental aprender a elaborar as coisas que acontecem na nossa vida.
Ano passado produzi um documentário sobre a ditadura militar. Entrevistei três gaúchos, ex-exilados políticos: Flávia Schilling, Flávio Tavares e o Flavio Koutzii. Eles passaram anos sem poder entrar no Brasil e sofreram os mais diversos tipos de torturas. As sequelas existem, mas ao serem perguntados como conseguiram depois de tudo, tocar a vida? Os três falaram em elaborar.
Os planos podem ter mudado, a vida seguiu e sabe-se lá como acontecia a tal elaboração (o que imagino ser um processo lento e de longo prazo). Os três são pessoas bem resolvidas, inteligentes e felizes. Um deles falou que é necessário elaborar até um não recebido do pai quando se é criança.
Acabei de ler um texto sobre dor de amor e lá pelas tantas estava escrito: “é necessário tempo para poder elaborar o que aconteceu e aí estar pronto para viver novamente.” Hum... Então elaborar está extremamente ligado com virar a página... Aquela história de que temos que se lembrar do nosso passado, sem ficar preso a ele.
Tento, mas não sei se tenho conseguido elaborar minha vida. Às vezes acho que sim, noutras, não. Isso que nunca fui torturada, nunca enfrentei grandes tragédias, não tenho traumas... Tenho um vazio, a falta de alguma coisa que não sei o que é... E não sei até que ponto uma coisa interfere na outra.
Ano passado produzi um documentário sobre a ditadura militar. Entrevistei três gaúchos, ex-exilados políticos: Flávia Schilling, Flávio Tavares e o Flavio Koutzii. Eles passaram anos sem poder entrar no Brasil e sofreram os mais diversos tipos de torturas. As sequelas existem, mas ao serem perguntados como conseguiram depois de tudo, tocar a vida? Os três falaram em elaborar.
Os planos podem ter mudado, a vida seguiu e sabe-se lá como acontecia a tal elaboração (o que imagino ser um processo lento e de longo prazo). Os três são pessoas bem resolvidas, inteligentes e felizes. Um deles falou que é necessário elaborar até um não recebido do pai quando se é criança.
Acabei de ler um texto sobre dor de amor e lá pelas tantas estava escrito: “é necessário tempo para poder elaborar o que aconteceu e aí estar pronto para viver novamente.” Hum... Então elaborar está extremamente ligado com virar a página... Aquela história de que temos que se lembrar do nosso passado, sem ficar preso a ele.
Tento, mas não sei se tenho conseguido elaborar minha vida. Às vezes acho que sim, noutras, não. Isso que nunca fui torturada, nunca enfrentei grandes tragédias, não tenho traumas... Tenho um vazio, a falta de alguma coisa que não sei o que é... E não sei até que ponto uma coisa interfere na outra.
Friday, March 13, 2009
Quinta-feira
Trecho do livro "Comer, rezar, amar", de Elizabeth Gilbert:
... o patrono das crianças nascidas em quintas-feiras é Shiva, o Destruidor, e o dia tem dois espíritos-guias animais: o leão e o tigre. A árvore oficial das crianças nascidas em quintas-feiras é a figueira-de-bengala. Seu pássaro oficial é o pavão. Quem nasceu em uma quinta-feira é sempre o primeiro a falar, sempre interrompe todos os outros, pode ser um pouco agressivo, tende a ser bonito ("um homem-objeto ou uma mulher-objeto"), mas, de forma geral, tem um caráter decente, com uma memória excelente e um desejo de ajudar os outros.
Hum... Será verdade? Eu nasci numa quinta-feira.
... o patrono das crianças nascidas em quintas-feiras é Shiva, o Destruidor, e o dia tem dois espíritos-guias animais: o leão e o tigre. A árvore oficial das crianças nascidas em quintas-feiras é a figueira-de-bengala. Seu pássaro oficial é o pavão. Quem nasceu em uma quinta-feira é sempre o primeiro a falar, sempre interrompe todos os outros, pode ser um pouco agressivo, tende a ser bonito ("um homem-objeto ou uma mulher-objeto"), mas, de forma geral, tem um caráter decente, com uma memória excelente e um desejo de ajudar os outros.
Hum... Será verdade? Eu nasci numa quinta-feira.
Friday, March 06, 2009
Primeiro dia de aula
Ontem foi meu primeiro dia de aula de balé, na turma de balé para adultos iniciantes. Sim, eu resolvi aprender balé clássico com 23 anos. Ou seja, com uns 15, 18 anos de atraso. O que segundo a professora, se eu não quiser ser a 1ª bailarina do Bolschoi, não é problema.
Eu e meus colegas (uma moça e um rapaz) estávamos tensos e nervosos, como em qualquer primeiro dia de alguma coisa nova. A professora falou inúmeras vezes: relaxem, relaxem, relaxem... Depois de exercícios básicos de balé, ficamos um bom tempo fazendo alongamento para relaxarmos.
No final, tinha adorado a aula. Engraçado é que essa dança nunca me atraiu, nem quando criança, não achava bonito e tinha certeza de que não era pra mim. Só que de uns anos pra cá, por causa da dança do ventre, comecei a me interessar.
Com o balé, me tornaria uma dançarina do ventre melhor. A postura, os giros e a ponta de pé (dança do ventre também é feita na ponta do pé, só que descalço) melhorariam. Ontem, apesar do objetivo bem específico na minha cabeça, estava tensa. Balé assusta pela disciplina, rigidez e dedicação que exige em seu aprendizado.
Não pretendo ser a 1ª bailarina do Bolschoi, aliás, acho que nunca vou me apresentar dançando balé, mas e se eu não me adaptar com essa postura tão rígida, diferente da dança que já estudo quatro anos? Bom se eu não me adaptar eu paro e a postura, os giros e a ponta de pé na dança do ventre ficam como estão.
Hoje eu acordei com dor no corpo todo (a professora disse que isso aconteceria). Dói os ombros, os braços, a barriga, as pernas, a bunda, até meu dedão do pé direito está doendo! Parece que fiz uma aula de musculação e excedi no peso. E pensar que foi o balé, essa dança (aparentemente) tão leve e delicada, que me deixou assim. Mas pior é pensar que foi só a primeira aula!
Agora preciso comprar uma sapatilha mais resistente, ensaiar umas posições de ponta de pé (tivemos tema de casa), dar uma pesquisada na história dessa dança, tomar relaxantes musculares,torcer para (um dia) ficar com um corpo de bailarina e aceitar que com 23 anos na cara me rendi ao balé.
Eu e meus colegas (uma moça e um rapaz) estávamos tensos e nervosos, como em qualquer primeiro dia de alguma coisa nova. A professora falou inúmeras vezes: relaxem, relaxem, relaxem... Depois de exercícios básicos de balé, ficamos um bom tempo fazendo alongamento para relaxarmos.
No final, tinha adorado a aula. Engraçado é que essa dança nunca me atraiu, nem quando criança, não achava bonito e tinha certeza de que não era pra mim. Só que de uns anos pra cá, por causa da dança do ventre, comecei a me interessar.
Com o balé, me tornaria uma dançarina do ventre melhor. A postura, os giros e a ponta de pé (dança do ventre também é feita na ponta do pé, só que descalço) melhorariam. Ontem, apesar do objetivo bem específico na minha cabeça, estava tensa. Balé assusta pela disciplina, rigidez e dedicação que exige em seu aprendizado.
Não pretendo ser a 1ª bailarina do Bolschoi, aliás, acho que nunca vou me apresentar dançando balé, mas e se eu não me adaptar com essa postura tão rígida, diferente da dança que já estudo quatro anos? Bom se eu não me adaptar eu paro e a postura, os giros e a ponta de pé na dança do ventre ficam como estão.
Hoje eu acordei com dor no corpo todo (a professora disse que isso aconteceria). Dói os ombros, os braços, a barriga, as pernas, a bunda, até meu dedão do pé direito está doendo! Parece que fiz uma aula de musculação e excedi no peso. E pensar que foi o balé, essa dança (aparentemente) tão leve e delicada, que me deixou assim. Mas pior é pensar que foi só a primeira aula!
Agora preciso comprar uma sapatilha mais resistente, ensaiar umas posições de ponta de pé (tivemos tema de casa), dar uma pesquisada na história dessa dança, tomar relaxantes musculares,torcer para (um dia) ficar com um corpo de bailarina e aceitar que com 23 anos na cara me rendi ao balé.
Wednesday, March 04, 2009
Guri
Deus do céu, me senti uma corruptora de menores. Apesar dele não ser, exatamente, menor de idade. Mas a recém entrou na faculdade “estou no primeiro período”. E curte música sertaneja! Esse sertanejo novo, tal de universitário. Na balada começou a tocar Deep Purple, eu estava cantarolando e ele me pergunta “que música é essa?”!
Ele é novinho, com o tempo vai ficar no ponto, pensava o tempo todo. Logo eu, que gosto de homens mais velhos... Antes de entrar no carro dele, quer dizer, da mãe dele, me certifico se o moço sabe dirigir. “A carteira é provisória, mas claro que sei”. Um guri com carteira provisória, carro da mãe, CDs de sertanejo e lindo de morrer me levando sei-lá-pra-onde numa madrugada de sábado em uma cidade que eu não conheço. Que perdição!
Ah! Vamos num baile de carnaval no clube da cidade... Ele quer me exibir para os amigos tão piás quanto ele. Que situação. Ele é novinho, ele é novinho, ele é novinho (virou mantra). Pena que não vou ver ele “virar homem”, ter o orgulho dos 20, a certeza dos 30 e o charme dos 40...
Uma vez ouvi minha tia falar que uma mulher tem que ficar com homens mais velhos, mas em alguns momentos, abrir exceções e se entregar aos mais novos, porque só eles nos olham com encantamento, nos acham mulherões e não tem medo de demonstrar uma certa insegurança... Me senti uma corruptora de menores, mas antes de qualquer coisa, eu era a turista querendo diversão com um nativo.
Ele é novinho, com o tempo vai ficar no ponto, pensava o tempo todo. Logo eu, que gosto de homens mais velhos... Antes de entrar no carro dele, quer dizer, da mãe dele, me certifico se o moço sabe dirigir. “A carteira é provisória, mas claro que sei”. Um guri com carteira provisória, carro da mãe, CDs de sertanejo e lindo de morrer me levando sei-lá-pra-onde numa madrugada de sábado em uma cidade que eu não conheço. Que perdição!
Ah! Vamos num baile de carnaval no clube da cidade... Ele quer me exibir para os amigos tão piás quanto ele. Que situação. Ele é novinho, ele é novinho, ele é novinho (virou mantra). Pena que não vou ver ele “virar homem”, ter o orgulho dos 20, a certeza dos 30 e o charme dos 40...
Uma vez ouvi minha tia falar que uma mulher tem que ficar com homens mais velhos, mas em alguns momentos, abrir exceções e se entregar aos mais novos, porque só eles nos olham com encantamento, nos acham mulherões e não tem medo de demonstrar uma certa insegurança... Me senti uma corruptora de menores, mas antes de qualquer coisa, eu era a turista querendo diversão com um nativo.
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