2008 foi inesquecível. Será sempre lembrado como o ano da minha formatura. Ainda tá fresquinho, dia 23 de agosto. Espero nunca me esquecer dessa data, nem do que senti nesse dia. Em outros aspectos, também tenho bons motivos para me lembrar com carinho do ano que está indo embora.
Sai do país, pela primeira vez. Fui pra Buenos Aires ver o show da Madonna, fiquei lá quatro dias e conheci pessoas e lugares incríveis. Além de ter visto um puta show, foi algo do tipo como-uma-virgem-celebrando-a-música-como-uma-oração.
Fui a vários shows legais! Mas Fito Paez tá na liderança dos melhores, como sempre. Li excelentes livros. As apresentações da dança foram bem bacanas. Minha roupa azul (que passei meio ano planejando) ficou linda. Tatuei um sol nas minhas costas.
Fui pra Guarda e até que enfim conheci o tal do Vale, que em minha opinião, não valeu o esforço. Meu primo mais distante e, ao mesmo tempo, mais próximo, passou um tempão aqui e curtimos um monte! De acampamento Farroupilha a uma cobertura investigativa no Fórum de Porto Alegre.
Apesar de ter me formado e saído do meu estágio tive experiências bem bacanas com os frelas que peguei. A cobertura da 13ª Marcha dos Sem foi memorável, nunca vou esquecer o que vi naquele 16 de outubro. Nem das pessoas que conheci na CUT.
Fiquei mais próxima da minha família. Acordei mais cedo em boa parte do ano. Ganhei um cavalo e aprendi a montar. Fui pra Ilha do Mel com os amigos. Tirei dois sisos e perdi boa parte do juízo. As poucas festas que fui, valeram a pena. Engordei, emagreci e larguei de mão a academia...
Não foram só boas lembranças não. Mas as ruins decidi não escrever. Um presente pra mim. Depois de anos fazendo terapia e tomando antidepressivos, me libertei. Sim, estou mais leve. As lembranças ruins estão aqui sim, mas não vou supervalorizá-las. Que venha 2009!
Tuesday, December 30, 2008
Sunday, December 28, 2008
Wish list/2009
- Arrumar um emprego de carteira assinada;
- Desfrutar de todos os direitos de um emprego (que eu como estagiária, nunca tive, e agora como free lancer, não tenho);
- Voltar a estudar italiano;
- Começar um curso de espanhol;
- Fazer balé (pra melhorar minha postura na dança do ventre);
- Participar de mais apresentações de dança;
- Começar o pilates;
- Andar mais de bicicleta;
- Desfilar com meu avô (e a Cléopatra) no dia 20 de setembro;
- Deixar o medo e a preguiça de lado e começar, de fato, a dirigir;
- Aprender a fazer tricô;
- Viajar;
- Ir a lugares que nunca estive antes;
- Ir a vários shows legais;
- Deixar minha franja crescer;
- Juntar grana pra fazer um curso no exterior;
- Manter meu quarto mais organizado;
- Dormir menos...
- Desfrutar de todos os direitos de um emprego (que eu como estagiária, nunca tive, e agora como free lancer, não tenho);
- Voltar a estudar italiano;
- Começar um curso de espanhol;
- Fazer balé (pra melhorar minha postura na dança do ventre);
- Participar de mais apresentações de dança;
- Começar o pilates;
- Andar mais de bicicleta;
- Desfilar com meu avô (e a Cléopatra) no dia 20 de setembro;
- Deixar o medo e a preguiça de lado e começar, de fato, a dirigir;
- Aprender a fazer tricô;
- Viajar;
- Ir a lugares que nunca estive antes;
- Ir a vários shows legais;
- Deixar minha franja crescer;
- Juntar grana pra fazer um curso no exterior;
- Manter meu quarto mais organizado;
- Dormir menos...
Monday, December 22, 2008
Então é Natal
Não gosto de Natal. Acho que nunca gostei, embora lembre com carinho dos natais da minha infância, nas casas das minhas avós. Só que o tempo passa, algumas pessoas vão embora, a gente cresce e as coisas mudam. Não vejo mais graça no Natal. Acho triste.
Passo a noite de Natal com um baita nó na garganta. E meus pais nem ligam mais se, do nada, começo a chorar. Fico mal mesmo. Não queria, queria entrar na onda, nem que fosse na do consumismo desenfreado, mas também não consigo. Claro que compro presentes. São as regras do jogo e também não tenho o direito de acabar com o Natal dos outros.
Vou falar o quê para o meu afilhado? “Olha Rockson, a dinda não gosta de Natal e não concorda com esse consumismo, então tu não vai ganhar presente nenhum, até porque Papai Noel não existe é só uma baita invenção desse mundo capitalista...” Não dá né?
E para os meus pais? “Pai, mãe vocês sempre me dão tudo que eu quero, assumem minhas dívidas quando minha grana acaba. Mas como vocês sabem, detesto Natal. Ah tá, eu sei que vocês aturam o meu mau-humor natalino e todos os meus chiliques nos outros 364 dias do ano, mas fazer o quê? Vocês são meus pais e Natal, dizem que é uma data familiar, então vocês tem que me aturar, sem nenhuma lembrancinha.” Também não dá...
Então é Natal. Desejo a todos que me aturam virtualmente um feliz Natal! Sinceramente gente, podem acreditar! Até porque escrever, às vezes, é mais fácil que viver, mas nem por isso deixa de ser verdade. Ah, mas ano novo eu gosto! Só que isso é assunto pra outro post!
Passo a noite de Natal com um baita nó na garganta. E meus pais nem ligam mais se, do nada, começo a chorar. Fico mal mesmo. Não queria, queria entrar na onda, nem que fosse na do consumismo desenfreado, mas também não consigo. Claro que compro presentes. São as regras do jogo e também não tenho o direito de acabar com o Natal dos outros.
Vou falar o quê para o meu afilhado? “Olha Rockson, a dinda não gosta de Natal e não concorda com esse consumismo, então tu não vai ganhar presente nenhum, até porque Papai Noel não existe é só uma baita invenção desse mundo capitalista...” Não dá né?
E para os meus pais? “Pai, mãe vocês sempre me dão tudo que eu quero, assumem minhas dívidas quando minha grana acaba. Mas como vocês sabem, detesto Natal. Ah tá, eu sei que vocês aturam o meu mau-humor natalino e todos os meus chiliques nos outros 364 dias do ano, mas fazer o quê? Vocês são meus pais e Natal, dizem que é uma data familiar, então vocês tem que me aturar, sem nenhuma lembrancinha.” Também não dá...
Então é Natal. Desejo a todos que me aturam virtualmente um feliz Natal! Sinceramente gente, podem acreditar! Até porque escrever, às vezes, é mais fácil que viver, mas nem por isso deixa de ser verdade. Ah, mas ano novo eu gosto! Só que isso é assunto pra outro post!
Thursday, December 18, 2008
O bom das biografias
Este ano, apesar do TCC que me obrigou a ler livros específicos sobre rádio, li bastantes biografias. Teve uma época que não gostava de biografias, achava enfadonho, tive sorte com as que li esse ano e em todas eu aprendi coisas que adorei saber. E acho que isso é o melhor das biografias, sempre nos ensinam algo, seja da pessoa biografada ou de uma época.
A vida e principalmente o relacionamento aberto de Sartre e Simone de Beauvoir estão em Tête-à-tête, de Hazel Rowley. Pasmem, a libertária Simone era uma ciumenta de plantão e o Sartre tinha um complexo de feiúra que as 12 anos o fez prometer a si mesmo que teria todas as mulheres que quisesse. E teve.
A biografia de Nelson Rodrigues, O Anjo Pornográfico, escrita pelo Ruy Castro foi, sem dúvida, a que mais me surpreendeu. Nunca li nenhum livro de Nelson Rodrigues, mas virei sua fã, o cara passou por inúmeras tragédias familiares (o assassinato do irmão, a morte do pai logo em seguida), teve várias tuberculoses, passou fome... Toda a sua família era ligada ao jornalismo, seu irmão Mário Filho foi um dos maiores cronistas esportivos do país, sendo o grande responsável pela construção do Maracanã e criando o que hoje é o Campeonato Brasileiro de Futebol. Bom, o Nelson nunca escreveu um palavrão em nenhuma de suas obras e foi um homem cheio de pudores.
Logo depois do Nelson, engatei a leitura de Chatô: o rei do Brasil, de Fernando Moraes, biografia do Assis Chateaubriand. O homem que criou e dirigiu a maior cadeia de imprensa do Brasil aprendeu a ler apenas aos 12 anos, se formou em direito e era um baita visionário, entre os seus negócios estavam dois laboratórios de medicamentos. Um deles é a Bayer, que existe até hoje. Ah, era dele a revista O Cruzeiro que revolucionou a imprensa brasileira.
Um dos livros que ganhei de formatura foi O Mago, a biografia do Paulo Coelho, de Fernando Moraes. Ali narra sua trajetória em busca do seu grande sonho: ser um escritor conhecido no mundo todo (exatamente o que é hoje). Paulo também atuou como ator e diretor de teatro e empresário de uma gravadora de discos. O melhor de tudo foi saber como ele conheceu o Raul Seixas. O maluco beleza era advogado e largou tudo para virar cantor “seguindo seu verdadeiro dom”, o que deixou Paulo muito impressionado. Em seu diário, Paulo escreveu que Raul foi a primeira pessoa que ele conheceu que não teve medo de viver seu sonho.
Recentemente li, por um acaso, Os sonhos não envelhecem: Histórias do Clube da Esquina, de Márcio Borges e foi um achado. Sabia pouquíssima coisa do Clube da Esquina, e que turma mais talentosa, são amigos até hoje! Logo quando o Milton Nascimento saiu de Minas Gerais para morar no Rio Janeiro, jurava que durante a noite o Cristo Redentor fazia caretas para ele. Muito tempo depois, seus amigos descobriram que era durante a noite que ele usava drogas...
E depois de muito tempo querendo ler o começo da auto-biografia Simone de Beauvoir, em Memórias de uma moça bem-comportada, consegui. Ali a grande pensadora conta sua vida até os vinte e poucos anos. Opiniões sobre seus pais opressores, sobre sua irmã mais nova, a amiga Sasa, o primo Jacques e Sartre. Aliás, a primeira vez que Sartre convidou Simone para sair, ela não foi, mandou sua irmã no lugar.
Por fim, a biografia que mais aprendi foi a da última rainha do Egito. Li As memórias de Cleópatra, de Margaret George, composto por três volumes: As filhas de Isís, Sob o signo de Afrodite e O beijo da serpente. Nossa, a história dela e do Egito é fascinante. Descobri que o mês de julho assim se chama por causa do imperador Julio César e agosto, devido ao imperador Augusto. Cleópatra entre outras coisas, perdeu sua mãe ainda criança, mandou matar sua irmã por ciúmes, casou-se com seu irmão, teve filhos com Julio César e Marco Antônio, tomava banho de leite, amava cavalos, tinha um jardim só com plantas venenosas, construiu seu próprio mausoléu, tinha pavor de cobras e escolheu morrer picada, justamente, por uma por considerar uma morte rápida e que não mudaria sua beleza. A parte mais bonita da história, mas que nunca foi de fato comprovada, é que ela entrou escondida, enrolada num tapete, no quarto de Julio César.
... não é a toa que essas pessoas viveram histórias dignas de serem biografadas.
A vida e principalmente o relacionamento aberto de Sartre e Simone de Beauvoir estão em Tête-à-tête, de Hazel Rowley. Pasmem, a libertária Simone era uma ciumenta de plantão e o Sartre tinha um complexo de feiúra que as 12 anos o fez prometer a si mesmo que teria todas as mulheres que quisesse. E teve.
A biografia de Nelson Rodrigues, O Anjo Pornográfico, escrita pelo Ruy Castro foi, sem dúvida, a que mais me surpreendeu. Nunca li nenhum livro de Nelson Rodrigues, mas virei sua fã, o cara passou por inúmeras tragédias familiares (o assassinato do irmão, a morte do pai logo em seguida), teve várias tuberculoses, passou fome... Toda a sua família era ligada ao jornalismo, seu irmão Mário Filho foi um dos maiores cronistas esportivos do país, sendo o grande responsável pela construção do Maracanã e criando o que hoje é o Campeonato Brasileiro de Futebol. Bom, o Nelson nunca escreveu um palavrão em nenhuma de suas obras e foi um homem cheio de pudores.
Logo depois do Nelson, engatei a leitura de Chatô: o rei do Brasil, de Fernando Moraes, biografia do Assis Chateaubriand. O homem que criou e dirigiu a maior cadeia de imprensa do Brasil aprendeu a ler apenas aos 12 anos, se formou em direito e era um baita visionário, entre os seus negócios estavam dois laboratórios de medicamentos. Um deles é a Bayer, que existe até hoje. Ah, era dele a revista O Cruzeiro que revolucionou a imprensa brasileira.
Um dos livros que ganhei de formatura foi O Mago, a biografia do Paulo Coelho, de Fernando Moraes. Ali narra sua trajetória em busca do seu grande sonho: ser um escritor conhecido no mundo todo (exatamente o que é hoje). Paulo também atuou como ator e diretor de teatro e empresário de uma gravadora de discos. O melhor de tudo foi saber como ele conheceu o Raul Seixas. O maluco beleza era advogado e largou tudo para virar cantor “seguindo seu verdadeiro dom”, o que deixou Paulo muito impressionado. Em seu diário, Paulo escreveu que Raul foi a primeira pessoa que ele conheceu que não teve medo de viver seu sonho.
Recentemente li, por um acaso, Os sonhos não envelhecem: Histórias do Clube da Esquina, de Márcio Borges e foi um achado. Sabia pouquíssima coisa do Clube da Esquina, e que turma mais talentosa, são amigos até hoje! Logo quando o Milton Nascimento saiu de Minas Gerais para morar no Rio Janeiro, jurava que durante a noite o Cristo Redentor fazia caretas para ele. Muito tempo depois, seus amigos descobriram que era durante a noite que ele usava drogas...
E depois de muito tempo querendo ler o começo da auto-biografia Simone de Beauvoir, em Memórias de uma moça bem-comportada, consegui. Ali a grande pensadora conta sua vida até os vinte e poucos anos. Opiniões sobre seus pais opressores, sobre sua irmã mais nova, a amiga Sasa, o primo Jacques e Sartre. Aliás, a primeira vez que Sartre convidou Simone para sair, ela não foi, mandou sua irmã no lugar.
Por fim, a biografia que mais aprendi foi a da última rainha do Egito. Li As memórias de Cleópatra, de Margaret George, composto por três volumes: As filhas de Isís, Sob o signo de Afrodite e O beijo da serpente. Nossa, a história dela e do Egito é fascinante. Descobri que o mês de julho assim se chama por causa do imperador Julio César e agosto, devido ao imperador Augusto. Cleópatra entre outras coisas, perdeu sua mãe ainda criança, mandou matar sua irmã por ciúmes, casou-se com seu irmão, teve filhos com Julio César e Marco Antônio, tomava banho de leite, amava cavalos, tinha um jardim só com plantas venenosas, construiu seu próprio mausoléu, tinha pavor de cobras e escolheu morrer picada, justamente, por uma por considerar uma morte rápida e que não mudaria sua beleza. A parte mais bonita da história, mas que nunca foi de fato comprovada, é que ela entrou escondida, enrolada num tapete, no quarto de Julio César.
... não é a toa que essas pessoas viveram histórias dignas de serem biografadas.
Sunday, December 14, 2008
O encosto
Já se passaram bons anos, mas é incrível como tem épocas que lembro direto de você. Deve ser os espíritos de dezembro ou porque você entrou na minha vida em janeiro, “como um presente de natal atrasado”, se definiu, certa vez.
É. Eu era bem bobinha. Bem fácil de enrolar. Achava que um homem (!) de 21 anos nunca olharia para uma menina de 18. Ainda mais um homem (!) como você. Mas olhou e encarou, e eu nunca mais esqueci do azul do teu olho. Denso, profundo, escuro...
Você me tornou uma pessoa mais dura, mais desconfiada e um pouco triste, até. Aquele ódio que tinha por reprimir tudo o que sentia, passou. Só ficou uma magoazinha de quem nunca conversou para resolver a situação. Aquela magoazinha que tá lá no canto dela e só quando a gente cutuca a ferida, vem à tona, dando até nó na garganta.
Por que ainda lembro tanto de ti? Não te culpo. Se alguém errou, foi eu, que criei expectativas demais. Hoje eu compreendo e aceito que as pessoas não mandam nos seus sentimentos e, nem sempre o que elas dizem sentir são verdade.
Estou tão bem, que os 15 quilos que tu levou de mim, já voltaram. O tamanho da minha circunferência abdominal voltou a me preocupar. E ainda assim você continua na minha cabeça, depois de tanto tempo. Às vezes na rua, parece que te enxergo em todos os lugares. Até com outros homens eu penso em você. No que você está fazendo agora...?
Será que você se lembra de mim. Acho que não... Mas gostaria que você lembrasse. Só por ego. Sabe que eu não sinto saudade. Isso não é saudade. É um incomodo. Apesar da dureza, estou melhor agora. Queria até que você visse... Será que você me reconheceria?
Às vezes eu sonho contigo (ainda), acordo de noite e me pergunto se o teu telefone ainda tem o mesmo número...
É. Eu era bem bobinha. Bem fácil de enrolar. Achava que um homem (!) de 21 anos nunca olharia para uma menina de 18. Ainda mais um homem (!) como você. Mas olhou e encarou, e eu nunca mais esqueci do azul do teu olho. Denso, profundo, escuro...
Você me tornou uma pessoa mais dura, mais desconfiada e um pouco triste, até. Aquele ódio que tinha por reprimir tudo o que sentia, passou. Só ficou uma magoazinha de quem nunca conversou para resolver a situação. Aquela magoazinha que tá lá no canto dela e só quando a gente cutuca a ferida, vem à tona, dando até nó na garganta.
Por que ainda lembro tanto de ti? Não te culpo. Se alguém errou, foi eu, que criei expectativas demais. Hoje eu compreendo e aceito que as pessoas não mandam nos seus sentimentos e, nem sempre o que elas dizem sentir são verdade.
Estou tão bem, que os 15 quilos que tu levou de mim, já voltaram. O tamanho da minha circunferência abdominal voltou a me preocupar. E ainda assim você continua na minha cabeça, depois de tanto tempo. Às vezes na rua, parece que te enxergo em todos os lugares. Até com outros homens eu penso em você. No que você está fazendo agora...?
Será que você se lembra de mim. Acho que não... Mas gostaria que você lembrasse. Só por ego. Sabe que eu não sinto saudade. Isso não é saudade. É um incomodo. Apesar da dureza, estou melhor agora. Queria até que você visse... Será que você me reconheceria?
Às vezes eu sonho contigo (ainda), acordo de noite e me pergunto se o teu telefone ainda tem o mesmo número...
Wednesday, December 10, 2008
Stick and Sweet
Assiti ao último show da turnê da Madonna - Stick and Sweet – em Buenos Aires, que irá virar um DVD. Não sou fã incondicional dela, mas sempre falei que antes de morrer, teria que ir num show da Madonna. Depois que o show acabou, entendi o motivo. Certas coisas, a gente só vê uma vez na vida!
O show dessa turnê é um espetáculo! Falar que é um show, é pouco. É um grande show! Antes do espetáculo começar, há apenas uma caixa no palco. Depois que começa, tudo muda! A tal caixa, se transforma em imensos telões que mudam de lugar toda hora.
As coisas aparecem e somem do palco num piscar de olhos. Os dançarinos (que dão um show extra), um ringue de boxe, um carro, uma esteira, um piano, uma cabine de DJ e a própria Madonna, que não pára um só minuto. Não dava pra entende aquele show, como as coisas aconteciam naquele palco, com tamanha velocidade...
Depois de cada performance de deixar o público de queixo caído, ela tem fôlego para mais. Pula corda, dança o tempo todo, toca guitarra, troca de roupa, rebola e surpreende, sempre surpreende. A mulher é um arraso!
A música, ali, é secundária. Não é um show de música, é um show da Madonna. Sim, ela faz playback em algumas músicas e não é ela que toca a guitarra daquele jeito. Mas depois do profissionalismo, da exatidão de cada passo de dança, da respiração ofegante (mas não pesada), das surpresas a todo instante, ela está perdoada.
Um show grandioso, um espetáculo inesquecível, uma turnê arrasa quarteirão de um ícone do pop... Durante duas horas eu fui transportada para um mundo mágico, onde tudo é possível, e quando acordei desse sonho, entendi porque tinha que ir ao show da Madonna.
O show dessa turnê é um espetáculo! Falar que é um show, é pouco. É um grande show! Antes do espetáculo começar, há apenas uma caixa no palco. Depois que começa, tudo muda! A tal caixa, se transforma em imensos telões que mudam de lugar toda hora.
As coisas aparecem e somem do palco num piscar de olhos. Os dançarinos (que dão um show extra), um ringue de boxe, um carro, uma esteira, um piano, uma cabine de DJ e a própria Madonna, que não pára um só minuto. Não dava pra entende aquele show, como as coisas aconteciam naquele palco, com tamanha velocidade...
Depois de cada performance de deixar o público de queixo caído, ela tem fôlego para mais. Pula corda, dança o tempo todo, toca guitarra, troca de roupa, rebola e surpreende, sempre surpreende. A mulher é um arraso!
A música, ali, é secundária. Não é um show de música, é um show da Madonna. Sim, ela faz playback em algumas músicas e não é ela que toca a guitarra daquele jeito. Mas depois do profissionalismo, da exatidão de cada passo de dança, da respiração ofegante (mas não pesada), das surpresas a todo instante, ela está perdoada.
Um show grandioso, um espetáculo inesquecível, uma turnê arrasa quarteirão de um ícone do pop... Durante duas horas eu fui transportada para um mundo mágico, onde tudo é possível, e quando acordei desse sonho, entendi porque tinha que ir ao show da Madonna.
Sunday, November 30, 2008
Festa dos Continentes
Foi hoje a apresentação do espetáculo de final de ano da escola de dança Arte e Equilíbrio, da qual faço parte. O tema desse ano foi Festa dos Continentes, 23 coreografias foram apresentadas, sendo cinco de dança do ventre, cerca de 50 pessoas integraram o espetáculo, entre elenco, professores e apoio técnico.
Pela primeira vez, o evento aconteceu no Teatro Municipal de São Leopoldo, restaurado e reinaugurado esse ano. O local tem uma grande estrutura de back stage. São quatro camarins e uma grande coxia – pela primeira vez, não nos esprememos junto com homens e crianças em um só camarim. O palco é excelente, grande, permitindo movimentos de locomoção sem que os bailarinos fiquem se batendo. A iluminação e a acústica também me surpreenderam pela qualidade.
Mas o melhor de tudo é a confraternização e união de todos os dançarinos. Não são os familiares na platéia que mais vibram. Somos nós! Que ficamos escondidos na coxia, espiando as apresentações enquanto não chega nossa vez de pisar no palco. As meninas do balé, o pessoal do street, os guris do hip hop, a turma da dança de salão, as odaliscas...
Todo mundo se ajuda! A trocar de roupa entre uma música e outra, cuidar do tempo, acalmar o colega, olhar o ensaio que acontece rapidinho no corredor atrás do palco, a lembrar da marcação, contar a música e principalmente, aplaudir. Ninguém ali é profissional. Alguns dançam muito bem, outros nem tanto, mas todos sobem no palco dando o melhor de si. Somos nós que mais nos aplaudimos. Aplaudimos o amor pela dança, a iniciativa, a coragem de subir no palco, a arte.
Clap, clap. Clap, clap. Clap, clap...
Pela primeira vez, o evento aconteceu no Teatro Municipal de São Leopoldo, restaurado e reinaugurado esse ano. O local tem uma grande estrutura de back stage. São quatro camarins e uma grande coxia – pela primeira vez, não nos esprememos junto com homens e crianças em um só camarim. O palco é excelente, grande, permitindo movimentos de locomoção sem que os bailarinos fiquem se batendo. A iluminação e a acústica também me surpreenderam pela qualidade.
Mas o melhor de tudo é a confraternização e união de todos os dançarinos. Não são os familiares na platéia que mais vibram. Somos nós! Que ficamos escondidos na coxia, espiando as apresentações enquanto não chega nossa vez de pisar no palco. As meninas do balé, o pessoal do street, os guris do hip hop, a turma da dança de salão, as odaliscas...
Todo mundo se ajuda! A trocar de roupa entre uma música e outra, cuidar do tempo, acalmar o colega, olhar o ensaio que acontece rapidinho no corredor atrás do palco, a lembrar da marcação, contar a música e principalmente, aplaudir. Ninguém ali é profissional. Alguns dançam muito bem, outros nem tanto, mas todos sobem no palco dando o melhor de si. Somos nós que mais nos aplaudimos. Aplaudimos o amor pela dança, a iniciativa, a coragem de subir no palco, a arte.
Clap, clap. Clap, clap. Clap, clap...
Thursday, November 20, 2008
O gato comeu
- Cadê?
- Cadê o quê?
- Tudo...
- Tudo o quê?
- Nada!
- Tu é louca né?
- ...
- O que tu tá procurando na janela?
- Tudo!
- Mas tudo o quê!?
- Ai. A poesia, ora...
- A poesia!? Que poesia!?
- Toda a poesia...
- Tu tá lendo Mário Quintana ou Cecília Meireles e esqueceu o livro em algum lugar? Tu acha que tu perdeu o livro aqui? Num quarto de motel?
- Ai não é dessa poesia que tô falando?
- Mas tu é louca! Do que é então?
- ...
- Fala!
- É a poesia da vida...
- O quê!?
- A poesia da vida, das coisas banais... Cadê?
- Meu Deus! Sei lá, o gato comeu!
- Que gato!? Você nem é tão gato assim. E eu quero a poesia...
- Mas tu mesmo, está sempre falando que sexo não tem nada a ver com amor!
- Eu sei!
- Então, vem, sai da janela.
- Cadê?
- A tal poesia?
- Não, a minha calcinha.
- Cadê o quê?
- Tudo...
- Tudo o quê?
- Nada!
- Tu é louca né?
- ...
- O que tu tá procurando na janela?
- Tudo!
- Mas tudo o quê!?
- Ai. A poesia, ora...
- A poesia!? Que poesia!?
- Toda a poesia...
- Tu tá lendo Mário Quintana ou Cecília Meireles e esqueceu o livro em algum lugar? Tu acha que tu perdeu o livro aqui? Num quarto de motel?
- Ai não é dessa poesia que tô falando?
- Mas tu é louca! Do que é então?
- ...
- Fala!
- É a poesia da vida...
- O quê!?
- A poesia da vida, das coisas banais... Cadê?
- Meu Deus! Sei lá, o gato comeu!
- Que gato!? Você nem é tão gato assim. E eu quero a poesia...
- Mas tu mesmo, está sempre falando que sexo não tem nada a ver com amor!
- Eu sei!
- Então, vem, sai da janela.
- Cadê?
- A tal poesia?
- Não, a minha calcinha.
Thursday, November 13, 2008
As perguntas de Galeano
Ruy Carlos Ostermann e Eduardo GaleanoO escritor uruguaio, Eduardo Galeano foi a grande atração da 54ª Feira do Livro desta quinta-feira (13). Ele participou do talk-show Encontros com o Professor, apresentado por Ruy Carlos Ostermann, no teatro Dante Barone da Assembléia Legislativa e depois autografou seu livro “Espelhos – Uma história quase universal.”
No bate-papo de uma hora, o intelectual falou de sua vida, de seus livros e das perguntas que carrega consigo. Tirou do bolso um minúsculo caderno que faz anotações quando está na rua. Contou que aos 22 anos já era diretor de um jornal em Montevidéu, onde fazia de tudo, inclusive o horóscopo. “Adorava fazer o horóscopo, me divertia e sempre induzia as pessoas aos pecados”, declarou aos risos. Galeano lembrou que antigamente os jornalistas tinham entusiasmo com a profissão, coisa que não se vê hoje em dia.
Um observador nato que se definiu como “um averiguador das coisas pequenas escondidas na grandeza.” Falou da importância de ter olhos e ouvidos atentos ao mundo, de questionar, de raciocinar, de educar, de ler de tudo, até as paredes. Ele que sempre se interessou muito por grafismos e grafites, encontrou numa parede a frase: “toda virgem passa por diversos Natais, mas nunca tem uma noite boa”.
Com um grande senso de humor, o escritor falou de sua desconfiança com as máquinas: “sempre achei que elas bebem e fazem festa durante a noite. De dia, quando precisamos, não funcionam direito, pois estão de ressaca.” Tem pouco tempo que passou a utilizar o computador, acredita que o prazer de escrever a mão é insubstituível.
Autor do clássico “As veias abertas da América Latina”, o senhor que nasceu em 1940 e ostenta cabelos totalmente brancos, não tem vergonha de falar das dúvidas mais infantis que carrega consigo - e que todos temos - por mais absurdas que elas sejam. Em certo momento questionou: "a humanidade seria uma obra-prima de Deus ou uma piada do Diabo?"
Inteligentíssimo, Galeano tem uma das qualidades que mais admiro nas pessoas, é um contestador. De suas perguntas, faz livros. Da história esquecida, arte. Se Galeano fosse uma pulga, seria dessas que vivem nas pontas dos pêlos, para não perder nada que acontece ao seu redor, como diria Jostein Gaarder.
Depois de rir das sacadas inteligentes, de ouvir histórias e de ficar quase uma hora na fila, sai de lá feliz da vida, com o meu livro autografado, um elogio: “belos olhos” e com a certeza de que o escritor pode ser tão surpreendente quanto seus escritos.
Saturday, November 08, 2008
Vontade de sei lá o que...
Caminho pela casa, abro a geladeira, olho... Caminho mais um pouco, pego um livro, dou uma lida... Vou pra rua, volto, passo pelo quarto do meu irmão, tento um contato imediato com o ser de moicano que está deitado na cama. “Sai fora”, ele me diz. Eu saio.
Às vezes dá uma inquietação. Uma vontade de alguma coisa que não sei o que é. Sair correndo, talvez. Correndo e gritando. Ou ficar parada. Parada e observando. Ficar vendo a vida passar embaixo de uma sombra. Não! Viver. Correr embaixo de sol de 40ºC.
Dá uma tristeza de saber que quando eu morrer, não terei lido um monte de livros que gostaria. Dá uma alegria em ver o céu azul, o sol brilhando e eu ter mandado arrumar minha bicicleta. Dá uma preguiça pedalar na subida da lomba.
Vou comer algodão doce e me irrito ao perceber que o vendedor está tão bêbado que não consegue pegar o algodão cor de rosa (que está bem em cima) e, sou obrigada a conhecer o sabor do algodão verde. Não é ruim, mas eu queria o rosa!
Rir e chorar. Tudo ao mesmo tempo e agora, porque eu sou exagerada e imediatista. Não quero saber. Nem lembrar. E esquecer também não. Vou deixar “a vida me levar”. Mas só por um instante porque prefiro pensar que planejo alguma coisa. Ah, quer saber? Vou escrever.
Às vezes dá uma inquietação. Uma vontade de alguma coisa que não sei o que é. Sair correndo, talvez. Correndo e gritando. Ou ficar parada. Parada e observando. Ficar vendo a vida passar embaixo de uma sombra. Não! Viver. Correr embaixo de sol de 40ºC.
Dá uma tristeza de saber que quando eu morrer, não terei lido um monte de livros que gostaria. Dá uma alegria em ver o céu azul, o sol brilhando e eu ter mandado arrumar minha bicicleta. Dá uma preguiça pedalar na subida da lomba.
Vou comer algodão doce e me irrito ao perceber que o vendedor está tão bêbado que não consegue pegar o algodão cor de rosa (que está bem em cima) e, sou obrigada a conhecer o sabor do algodão verde. Não é ruim, mas eu queria o rosa!
Rir e chorar. Tudo ao mesmo tempo e agora, porque eu sou exagerada e imediatista. Não quero saber. Nem lembrar. E esquecer também não. Vou deixar “a vida me levar”. Mas só por um instante porque prefiro pensar que planejo alguma coisa. Ah, quer saber? Vou escrever.
Wednesday, November 05, 2008
God bless you
Ainda bem que estou viva e presenciei essas eleições americanas. Ainda bem que o Obama venceu! Como a grande maioria do mundo, eu torci por ele. Pois é um visionário, qualidade que acho fundamental em qualquer pessoa que se propõe a ser um líder e que, infelizmente, falta em muitos políticos.
Gosto do sorriso largo e da austeridade para tratar de assuntos sérios. Principalmente da mente aberta para tratar de assuntos que são tabus numa sociedade moralista. De preferir negociações à guerra, de se preocupar com políticas de preservação ambiental, de achar que impostos não podem ser iguais para todos...
E sim, gosto de sua história. Um homem que não teve uma família convencional, mas soube manter uma referência familiar, que foi alfabetizado na Indonésia, cresceu no Hawaí, viajou para o Quênia para conhecer suas raízes, optou por advogar pelas famílias pobres, foi professor universitário, construiu uma família e aos 47 anos chegou a presidência dos Estados Unidos da América, só pode ser um idealista.
Idealistas acreditam. Acho que essas eleições mostraram que o mundo ainda está repleto de idealistas. Ou no mínimo, de pessoas esperançosas. Penso que o Barack Obama é a cara do novo mundo, desse futuro tão falado, dessa nova era, a era de Aquarius...
É estranho o presidente dos Estados Unidos ter Hussein no nome. Mas é um novo mundo batendo na nossa porta, saindo das telas de TV e mostrando que podemos ser mais tolerantes. Ao menino que cresceu na paz do Hawaí, ao homem idealista e ao primeiro presidente negro dos EUA, eu desejo apenas uma coisa:
God bless you!
Gosto do sorriso largo e da austeridade para tratar de assuntos sérios. Principalmente da mente aberta para tratar de assuntos que são tabus numa sociedade moralista. De preferir negociações à guerra, de se preocupar com políticas de preservação ambiental, de achar que impostos não podem ser iguais para todos...
E sim, gosto de sua história. Um homem que não teve uma família convencional, mas soube manter uma referência familiar, que foi alfabetizado na Indonésia, cresceu no Hawaí, viajou para o Quênia para conhecer suas raízes, optou por advogar pelas famílias pobres, foi professor universitário, construiu uma família e aos 47 anos chegou a presidência dos Estados Unidos da América, só pode ser um idealista.
Idealistas acreditam. Acho que essas eleições mostraram que o mundo ainda está repleto de idealistas. Ou no mínimo, de pessoas esperançosas. Penso que o Barack Obama é a cara do novo mundo, desse futuro tão falado, dessa nova era, a era de Aquarius...
É estranho o presidente dos Estados Unidos ter Hussein no nome. Mas é um novo mundo batendo na nossa porta, saindo das telas de TV e mostrando que podemos ser mais tolerantes. Ao menino que cresceu na paz do Hawaí, ao homem idealista e ao primeiro presidente negro dos EUA, eu desejo apenas uma coisa:
God bless you!
Tuesday, November 04, 2008
Quatro anos
Foi há quatro anos que tudo começou. Estava no show do The Calling, em Novo Hamburgo, era a terceira ou quarta música, quando senti uma dor no estômago, a vista nublou e eu senti um medo inexplicável. Pânico. Pavor. Paralisei. Não lembro como cheguei no banheiro, mas lembro da mão de uma moça tocando água no meu rosto... Liguei para o meu pai ir me buscar, eu não podia ficar ali porque estava com muito medo!
Naquela noite não dormi, nem nas que se seguiram. Foi a primeira crise de pânico. Tempo depois, estava saindo da Unisinos, era final de semestre, só tinha ido pegar a nota e esperava o ônibus. O ônibus não vinha e não vinha e eu comecei a ficar com um medo danado. De novo não... O medo, o tremor no corpo todo, o pânico, a certeza que algo muito ruim vai acontecer. Não lembro como cheguei em casa, mas lembro da cara do meus pais.
Nesse meio tempo eu levei um pé na bunda de quem acreditava ser o primeiro homem que gostava de mim. Uma prima da minha idade morreu e eu percebi como a vida pode ser cruel. Sai do meu primeiro estágio, de dois anos e, me deparei com dias ociosos. Não sei o motivo, se foi um desses fatos isolados ou a soma de tudo... Mas passei a não sair da cama, não havia nenhum motivo para sair da cama, além do medo que eu sentia.
Matava aula direto, meus pais não me deixavam sozinha, perdi 15 quilos e muito tempo. Não sei o que fiz nos meses que fiquei assim... Depressão? Tratamento psicológico? Remédio? Bem capaz, afinal eu não era louca. Depois de muita conversa, aceitei que tinha algo de errado acontecendo e comecei a tomar remédio, fazer análise... Me esforçar pra voltar a ser o que era. Ou ao menos, sentir algo parecido com felicidade, que certamente, eu já havia sentido.
Com o tempo, as crises de pânico pararam, voltei a comer, arrumei um emprego, comecei a me ocupar, a não ter medo, larguei o remédio, ganhei alguns quilos, voltei a dar gargalhadas, chorei muito, fiz inúmeras perguntas, diminui o número da terapia, percebi várias coisas e a tristeza foi indo embora... Mas eu ainda tinha um receio. E se voltar acontecer? E se sentir medo de novo? E se... E se...
Mas agora, depois de quatro anos, acho que voltei a sentir algo bom, que eu tô achando que é felicidade. Nesse tempo todo, eu quase não sai, só ia a shows, morrendo de medo, mas ia. Baladas, se já não gostava antes, aboli por completo... Festinhas de amigos, reuniões familiares, raríssimas. Não sei quando comecei a sair de novo, foi esse ano... Acho que a formatura influenciou e ajudou.
O fato é que hoje sinto vontades. De sair, de ir no cinema, de ir pra praia, de gastar horrores de feira do livro, de visitar minha tia, de beijar na boca, de caminhar, de conhecer gente, de viajar, de conversar... Hoje fui na psicóloga, por um único motivo, lhe dar um abraço de aniversário!
Naquela noite não dormi, nem nas que se seguiram. Foi a primeira crise de pânico. Tempo depois, estava saindo da Unisinos, era final de semestre, só tinha ido pegar a nota e esperava o ônibus. O ônibus não vinha e não vinha e eu comecei a ficar com um medo danado. De novo não... O medo, o tremor no corpo todo, o pânico, a certeza que algo muito ruim vai acontecer. Não lembro como cheguei em casa, mas lembro da cara do meus pais.
Nesse meio tempo eu levei um pé na bunda de quem acreditava ser o primeiro homem que gostava de mim. Uma prima da minha idade morreu e eu percebi como a vida pode ser cruel. Sai do meu primeiro estágio, de dois anos e, me deparei com dias ociosos. Não sei o motivo, se foi um desses fatos isolados ou a soma de tudo... Mas passei a não sair da cama, não havia nenhum motivo para sair da cama, além do medo que eu sentia.
Matava aula direto, meus pais não me deixavam sozinha, perdi 15 quilos e muito tempo. Não sei o que fiz nos meses que fiquei assim... Depressão? Tratamento psicológico? Remédio? Bem capaz, afinal eu não era louca. Depois de muita conversa, aceitei que tinha algo de errado acontecendo e comecei a tomar remédio, fazer análise... Me esforçar pra voltar a ser o que era. Ou ao menos, sentir algo parecido com felicidade, que certamente, eu já havia sentido.
Com o tempo, as crises de pânico pararam, voltei a comer, arrumei um emprego, comecei a me ocupar, a não ter medo, larguei o remédio, ganhei alguns quilos, voltei a dar gargalhadas, chorei muito, fiz inúmeras perguntas, diminui o número da terapia, percebi várias coisas e a tristeza foi indo embora... Mas eu ainda tinha um receio. E se voltar acontecer? E se sentir medo de novo? E se... E se...
Mas agora, depois de quatro anos, acho que voltei a sentir algo bom, que eu tô achando que é felicidade. Nesse tempo todo, eu quase não sai, só ia a shows, morrendo de medo, mas ia. Baladas, se já não gostava antes, aboli por completo... Festinhas de amigos, reuniões familiares, raríssimas. Não sei quando comecei a sair de novo, foi esse ano... Acho que a formatura influenciou e ajudou.
O fato é que hoje sinto vontades. De sair, de ir no cinema, de ir pra praia, de gastar horrores de feira do livro, de visitar minha tia, de beijar na boca, de caminhar, de conhecer gente, de viajar, de conversar... Hoje fui na psicóloga, por um único motivo, lhe dar um abraço de aniversário!
Saturday, October 25, 2008
Seqüelas
Li a carta que a atriz Fernanda Torres escreveu para o seu pai, o ator Fernando Torres que morreu recentemente, e está postada no blog da Martha Medeiros. Fernanda conta que seu pai passou os últimos 20 anos com a saúde abalada por causa de um derrame cerebral que o atingiu em 1986, só que não foi diagnosticado. Ele esqueceu o texto no meio de uma peça, acharam que era apenas a memória. Mas era um AVC e Fernanda conta como isso prejudicou a vida de um homem muito ativo.
Minha mãe teve um derrame, nem um pouco leve, em 1985. Como disse Fernanda, numa época que a neurologia engatinhava. Foi numa quarta-feira de cinzas, depois de ter pulado o melhor carnaval da sua vida, como ela mesmo define. Eu estava lá, embora não lembre... Minha mãe estava grávida de mim, de três meses.
Por isso passou praticamente toda a gravidez no hospital, entrou em coma, o caso era de risco para ela e para mim. Uma das primeiras cirurgias computadorizadas do Brasil (numa época que começavam a falar em computadores), foi realizada na cabeça dela. Foram feitas várias transfusões de sangue quando a AIDS assustava mais que a inflação.
Meu pai vendeu o carro, a casa e o pequeno comércio que tinha para conseguir pagar todo o tratamento que durou anos. Dessa época, vieram os cabelos brancos dele, eu escuto as lembranças de toda a família, vejo as fotos de mulher me segurando no colo com os cabelos raspados, uma enorme cicatriz na cabeça e um grande sorriso.
A mãe que conheço, sim, ficou seqüelas, mas é muito ativa. Reclama da vida e gostaria de poder usar salto alto. Tem senso de humor e volta e meia fala: “meu Deus, ninguém espera que eu fosse tá viva depois de tanto tempo. Então eu tô no lucro.” Aliás, um senso de humor que eu herdei e que segundo ela, ficou mais manso e leve depois de tudo o que aconteceu.
Eu não sei o que causou um derrame cerebral numa moça de 26 anos, grávida do seu primeiro filho. Nem num ator consagrado, em cima de um palco. Só sei que minha mãe teve sorte e eu, mais ainda.
Minha mãe teve um derrame, nem um pouco leve, em 1985. Como disse Fernanda, numa época que a neurologia engatinhava. Foi numa quarta-feira de cinzas, depois de ter pulado o melhor carnaval da sua vida, como ela mesmo define. Eu estava lá, embora não lembre... Minha mãe estava grávida de mim, de três meses.
Por isso passou praticamente toda a gravidez no hospital, entrou em coma, o caso era de risco para ela e para mim. Uma das primeiras cirurgias computadorizadas do Brasil (numa época que começavam a falar em computadores), foi realizada na cabeça dela. Foram feitas várias transfusões de sangue quando a AIDS assustava mais que a inflação.
Meu pai vendeu o carro, a casa e o pequeno comércio que tinha para conseguir pagar todo o tratamento que durou anos. Dessa época, vieram os cabelos brancos dele, eu escuto as lembranças de toda a família, vejo as fotos de mulher me segurando no colo com os cabelos raspados, uma enorme cicatriz na cabeça e um grande sorriso.
A mãe que conheço, sim, ficou seqüelas, mas é muito ativa. Reclama da vida e gostaria de poder usar salto alto. Tem senso de humor e volta e meia fala: “meu Deus, ninguém espera que eu fosse tá viva depois de tanto tempo. Então eu tô no lucro.” Aliás, um senso de humor que eu herdei e que segundo ela, ficou mais manso e leve depois de tudo o que aconteceu.
Eu não sei o que causou um derrame cerebral numa moça de 26 anos, grávida do seu primeiro filho. Nem num ator consagrado, em cima de um palco. Só sei que minha mãe teve sorte e eu, mais ainda.
Friday, October 17, 2008
As imagens falam por si




Essas são algumas imagens que eu registrei ontem, durante o ato de encerramento da 13ª Marcha dos Sem, na praça da Matriz, centro de Porto Alegre.
Durante a violência, sem explicação, da Brigada Militar, três bombas de efeito moral foram explodidas e tiros com balas de borracha feriram 17 trabalhadores.
Tuesday, October 14, 2008
Diário
Hoje, debaixo de chuva, me abalei até o distante bairro Intercap, em Porto Alegre, para pegar as fotos da minha formatura. Um baita programa de índio, mas eu tava com a Ana, minha amiga e ex-colega da faculdade, foi divertido. Muito divertido, nos duas, meia hora esperando o ônibus com guarda-chuvas que não continham a água e preocupadas para não molhar as fotos.
Chegamos no centro de Porto Alegre, enxargadas. Depois de uma passada básica nas Americanas fomos para o Rua da Praia Shopping encontrar duas amigas, que também chegaram brigando com seus guarda-chuvas. Almoçamos por ali mesmo. Tava com saudade das gurias, no último semestre, eu, a Ana Paula, a Aline, a Rê Tissot e a Cris (que não conseguiu folga no serviço hoje), fizemos todos os trabalhos juntas.
Nos quarentas minutos deu para colocar um pouco da conversa em dia. O caixa do restaurante não tinha troco pra me dá, então comprei quatro Batons (o chocolate) e dei um pra cada uma. Dai a Aline me olhou e perguntou: "tu vai escrever no teu blog que tu deu chocolate pra tuas amigas?"
Fiquei sem ação. É estranho saber que as pessoas vão ler o que eu escrevo. Acho que fiquei vermelha, mas elas não falaram nada ou não perceberam. E ela falou, assim, tão naturalmente... Mas é claro que eu tinha que escrever que hoje eu dei uma Batom pra minhas amigas. Aliás, é só por isso que estou escrevendo esse texto.
Depois tive que deixar o almoço e o sorvete no Mc Donalds para ir trabalhar. Tô gostando do serviço, tômara que fique mais do que o mês de férias da Daiani! Dia agitado, preparativos pra a Marcha dos Sem. Amanhã, trabalho o dia inteiro. Tranqüilo, tô adorando.
Cheguei em casa e fui para a esteira. Me lembrei que meu avô está de aniversário hoje, nem falei com ele. Me deu saudade da minha avó, que era casada com ele. Ela morreu quando eu tinha 6 anos. Praticamente, toda a minha vida foi, é e será sem a presença dela. Às vezes acho incrível eu lembrar tanto dela. Dá saudade. Da vó, do que as pessoas eram, de como as coisas eram...
Depois olhei a novela e fui para a internet, olhar os e-mail, conversar no msn, perder tempo no orkut, ler os blogs que curto, ouvir música... Acabei escrevendo esse texto...
Agora eu vou dormir, tô com um nó estranho na garganta, de saudade, de pensar como as coisas poderiam ter sido... Não sei se estou alegre ou triste, passei grande parte do dia alegre, até que a tristeza veio dá as caras... Mas o que importa mesmo é que hoje eu dei chocolate para as minhas amigas.
Wednesday, October 08, 2008
As grandes coisas
O que você fez hoje? Eu estou lendo “Quase memória”, do Carlos Heitor Cony. Nesse livro, ele conta as lembranças que tem do seu pai. Lá pelas tantas, o escritor afirma: “era o sujeito que todo dia, ao dormir, pensava consigo mesmo: ‘Amanhã farei grandes coisas!’”
Hoje, ao ler essas linhas, dentro de um trem lotado, dobrei o canto da página. Quantas pessoas naquele vagão tinham feito grandes coisas nesse dia. Dividindo o transporte comigo, estavam duas irmãs gêmeas vestidas com o uniforme do Inter, uma senhora que lia a Bíblia, uma moça que chorava silenciosamente, três guris com skates e fones no ouvido, um senhor que não parava de mexer na gravata... Qual a grande coisa realizada por eles hoje?
E o que será uma grande coisa? Essa crise na economia mundial é uma grande coisa para quem? Para alguns, grande coisa é não perder a esperança de ir para o exterior com a alta do dólar. É ler um bom livro e marcar algumas passagens, assistir boas peças de teatro, achar um filme bem lado B em cartaz no centro da cidade, não usar cartão de crédito e pagar à vista, encontrar um amigo, se surpreender com um conhecido, cozinhar, levar os filhos para a escola, viajar, namorar, trabalhar, colocar uma roupa nova, brincar com o cachorro...
Tanta coisa! As grandes coisas não estão longe. São próximas de pessoas comuns. É aquela pedra no caminho que nos faz tropeçar e nos impulsiona, nos acorda. É o barulho chato do mosquito no ouvido, nos lembrando de prestar mais atenção... Pairam no ar e na primeira oportunidade, caem no nosso colo.
Uma grande coisa que fiz hoje foi um cartaz no trabalho. Tive que fazer um cartaz para um evento, assim, rapidinho. No computador não tinha Pagemaker, só Corel e eu não sei mexer no Corel. Mas tinha que fazer o cartaz. E fiz. No Corel mesmo... Abri o programa, respirei fundo e fiz!
Provavelmente, daqui um tempo nem vou me lembrar mais desse cartaz e do sufoco momentâneo. Vou esquecer e reclamar, sem me dar conta que as grandes coisas cabem direitinho nas nossas limitações.
Hoje, ao ler essas linhas, dentro de um trem lotado, dobrei o canto da página. Quantas pessoas naquele vagão tinham feito grandes coisas nesse dia. Dividindo o transporte comigo, estavam duas irmãs gêmeas vestidas com o uniforme do Inter, uma senhora que lia a Bíblia, uma moça que chorava silenciosamente, três guris com skates e fones no ouvido, um senhor que não parava de mexer na gravata... Qual a grande coisa realizada por eles hoje?
E o que será uma grande coisa? Essa crise na economia mundial é uma grande coisa para quem? Para alguns, grande coisa é não perder a esperança de ir para o exterior com a alta do dólar. É ler um bom livro e marcar algumas passagens, assistir boas peças de teatro, achar um filme bem lado B em cartaz no centro da cidade, não usar cartão de crédito e pagar à vista, encontrar um amigo, se surpreender com um conhecido, cozinhar, levar os filhos para a escola, viajar, namorar, trabalhar, colocar uma roupa nova, brincar com o cachorro...
Tanta coisa! As grandes coisas não estão longe. São próximas de pessoas comuns. É aquela pedra no caminho que nos faz tropeçar e nos impulsiona, nos acorda. É o barulho chato do mosquito no ouvido, nos lembrando de prestar mais atenção... Pairam no ar e na primeira oportunidade, caem no nosso colo.
Uma grande coisa que fiz hoje foi um cartaz no trabalho. Tive que fazer um cartaz para um evento, assim, rapidinho. No computador não tinha Pagemaker, só Corel e eu não sei mexer no Corel. Mas tinha que fazer o cartaz. E fiz. No Corel mesmo... Abri o programa, respirei fundo e fiz!
Provavelmente, daqui um tempo nem vou me lembrar mais desse cartaz e do sufoco momentâneo. Vou esquecer e reclamar, sem me dar conta que as grandes coisas cabem direitinho nas nossas limitações.
Friday, October 03, 2008
Recadinho do Bertold
O Analfabeto Político
"O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
Bertold Brecht
"O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
Bertold Brecht
Friday, September 26, 2008
Os dois cavalheiros de Verona

Hoje assisti a peça “Os dois cavalheiros de Verona”, adaptação do clássico do Shakespeare e encenado pelo grupo carioca Nós do Morro, que já está completando 22 anos. Ver teatro sempre é bom, histórias de Shakespeare, melhor ainda.
E essa releitura ficou tri bacana, bem brasileira, com música de todos os ritmos. A peça é ágil, há uma intensa movimentação dos atores, que em nenhum momento saem do palco, se arrumando ali mesmo e quando não estão participando da cena, ficam sentados ou segurando o cenário, formado só por tecidos soltos. Apesar dos diálogos modernos, é fácil perceber o texto do Shakespeare.
Agora, o melhor é que foi aqui, na minha cidade, que a peça estava em cartaz. No Teatro Municipal de São Leopoldo. O município ficou quase dez anos sem esse espaço, que fica ao lado da biblioteca. Foi em abril desse ano que o teatro voltou a receber o público. E a reforma ficou ótima, o ambiente é claro, bem iluminado e tem um hall bem grande onde, seguidamente, ocorrem exposições. Confesso que achei a distância das poltronas muito pequena, é apertado. Mas nada que empeça a gente de ir assistir alguma atração.
O teatro estava lotado. Muitas vezes falei que o povo daqui não gosta de cultura. Tive que calar minha boca, rapidinho. Acho que só faltava um lugar. E sempre tem alguma coisa bacana rolando lá e com um preço acessível.
Em novembro terá apresentação do espetáculo da Escola de Dança Arte e Equilíbrio, do qual eu faço parte do elenco e já estou há um bom tempo ensaiando. Então em novembro, eu conto como é estar no palco do Teatro Municipal de São Leopoldo.
Thursday, September 25, 2008
Sobre lógicas e aparências
Não sou simpática com todo mundo. E daí? Tenho personalidade, ora. Daí, que eu bem queria bancar a simpática com todo mundo. Seria mais fácil do que explicar o motivo da cara fechada, quando o mais provável é que não fui com a cara tua cara. Antipatia genuína. Antipática assumida.
Estou dando um tempo da academia, afinal sou uma mulher desencanada. Depois de anos me exercitando disciplinadamente e religiosamente, meus músculos merecem férias. Eu perdi o tesão que tinha por puxar ferros. Enquanto meu tesão não volta, penso que seria bem bom ser uma mulher desencanada.
Escrevi “bem bom” e parei para pensar. Eu gosto da combinação de bem bom. Fala: bem bom. É legal, sonoro e isso basta. Bem bom seria se eu entendesse mais de gramática. Só porque escrevo, tem gente que acha que eu sei quando se usa corretamente mim e eu, crases, vírgulas... Sei pouco. Bem pouco. Passava as aulas de português escrevendo redações para vender, me achavam inteligente. Era, no máximo, esperta.
Hoje, nem esperta eu sou. Restou pouca coisa da época do colégio, apenas textos incompletos e poesias onde deveria haver fórmulas matemáticas. Outro dia vi esse símbolo: √, não sabia o que era. Só no outro dia que me lembrei da tal raiz quadrada. Eu passava as aulas de matemáticas lendo. Um dia perguntei para o professor se ele não se importava, ele falou que se eu conseguia entender Galeano, que não tinha lógica, entenderia a matéria. Que era lógica pura.
“O caminho estava muito cheio de gente. Todos iam para o país dos sonhos, e faziam muita confusão e muito ruído ensaiando os sonhos que iam sonhar, e por isso Pepa (a cachorrinha) ia resmungando, porque não a deixavam concentrar-se como se deve.”
Teve uma época que lia direto Eduardo Galeano, isso aí de cima é dele. Não parece, mas Galeano é um conceituado escritor e jornalista uruguaio. Não parece, mas não me imagino mais numa academia suando e disputando um lugar no espelho. Não parece, mas não gosto de gramática. Só me sobrou a antipatia e o gosto por coisas que não tem lógica.
Estou dando um tempo da academia, afinal sou uma mulher desencanada. Depois de anos me exercitando disciplinadamente e religiosamente, meus músculos merecem férias. Eu perdi o tesão que tinha por puxar ferros. Enquanto meu tesão não volta, penso que seria bem bom ser uma mulher desencanada.
Escrevi “bem bom” e parei para pensar. Eu gosto da combinação de bem bom. Fala: bem bom. É legal, sonoro e isso basta. Bem bom seria se eu entendesse mais de gramática. Só porque escrevo, tem gente que acha que eu sei quando se usa corretamente mim e eu, crases, vírgulas... Sei pouco. Bem pouco. Passava as aulas de português escrevendo redações para vender, me achavam inteligente. Era, no máximo, esperta.
Hoje, nem esperta eu sou. Restou pouca coisa da época do colégio, apenas textos incompletos e poesias onde deveria haver fórmulas matemáticas. Outro dia vi esse símbolo: √, não sabia o que era. Só no outro dia que me lembrei da tal raiz quadrada. Eu passava as aulas de matemáticas lendo. Um dia perguntei para o professor se ele não se importava, ele falou que se eu conseguia entender Galeano, que não tinha lógica, entenderia a matéria. Que era lógica pura.
“O caminho estava muito cheio de gente. Todos iam para o país dos sonhos, e faziam muita confusão e muito ruído ensaiando os sonhos que iam sonhar, e por isso Pepa (a cachorrinha) ia resmungando, porque não a deixavam concentrar-se como se deve.”
Teve uma época que lia direto Eduardo Galeano, isso aí de cima é dele. Não parece, mas Galeano é um conceituado escritor e jornalista uruguaio. Não parece, mas não me imagino mais numa academia suando e disputando um lugar no espelho. Não parece, mas não gosto de gramática. Só me sobrou a antipatia e o gosto por coisas que não tem lógica.
Saturday, September 20, 2008
20 de setembro
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