Foi hoje a apresentação do espetáculo de final de ano da escola de dança Arte e Equilíbrio, da qual faço parte. O tema desse ano foi Festa dos Continentes, 23 coreografias foram apresentadas, sendo cinco de dança do ventre, cerca de 50 pessoas integraram o espetáculo, entre elenco, professores e apoio técnico.
Pela primeira vez, o evento aconteceu no Teatro Municipal de São Leopoldo, restaurado e reinaugurado esse ano. O local tem uma grande estrutura de back stage. São quatro camarins e uma grande coxia – pela primeira vez, não nos esprememos junto com homens e crianças em um só camarim. O palco é excelente, grande, permitindo movimentos de locomoção sem que os bailarinos fiquem se batendo. A iluminação e a acústica também me surpreenderam pela qualidade.
Mas o melhor de tudo é a confraternização e união de todos os dançarinos. Não são os familiares na platéia que mais vibram. Somos nós! Que ficamos escondidos na coxia, espiando as apresentações enquanto não chega nossa vez de pisar no palco. As meninas do balé, o pessoal do street, os guris do hip hop, a turma da dança de salão, as odaliscas...
Todo mundo se ajuda! A trocar de roupa entre uma música e outra, cuidar do tempo, acalmar o colega, olhar o ensaio que acontece rapidinho no corredor atrás do palco, a lembrar da marcação, contar a música e principalmente, aplaudir. Ninguém ali é profissional. Alguns dançam muito bem, outros nem tanto, mas todos sobem no palco dando o melhor de si. Somos nós que mais nos aplaudimos. Aplaudimos o amor pela dança, a iniciativa, a coragem de subir no palco, a arte.
Clap, clap. Clap, clap. Clap, clap...
Sunday, November 30, 2008
Thursday, November 20, 2008
O gato comeu
- Cadê?
- Cadê o quê?
- Tudo...
- Tudo o quê?
- Nada!
- Tu é louca né?
- ...
- O que tu tá procurando na janela?
- Tudo!
- Mas tudo o quê!?
- Ai. A poesia, ora...
- A poesia!? Que poesia!?
- Toda a poesia...
- Tu tá lendo Mário Quintana ou Cecília Meireles e esqueceu o livro em algum lugar? Tu acha que tu perdeu o livro aqui? Num quarto de motel?
- Ai não é dessa poesia que tô falando?
- Mas tu é louca! Do que é então?
- ...
- Fala!
- É a poesia da vida...
- O quê!?
- A poesia da vida, das coisas banais... Cadê?
- Meu Deus! Sei lá, o gato comeu!
- Que gato!? Você nem é tão gato assim. E eu quero a poesia...
- Mas tu mesmo, está sempre falando que sexo não tem nada a ver com amor!
- Eu sei!
- Então, vem, sai da janela.
- Cadê?
- A tal poesia?
- Não, a minha calcinha.
- Cadê o quê?
- Tudo...
- Tudo o quê?
- Nada!
- Tu é louca né?
- ...
- O que tu tá procurando na janela?
- Tudo!
- Mas tudo o quê!?
- Ai. A poesia, ora...
- A poesia!? Que poesia!?
- Toda a poesia...
- Tu tá lendo Mário Quintana ou Cecília Meireles e esqueceu o livro em algum lugar? Tu acha que tu perdeu o livro aqui? Num quarto de motel?
- Ai não é dessa poesia que tô falando?
- Mas tu é louca! Do que é então?
- ...
- Fala!
- É a poesia da vida...
- O quê!?
- A poesia da vida, das coisas banais... Cadê?
- Meu Deus! Sei lá, o gato comeu!
- Que gato!? Você nem é tão gato assim. E eu quero a poesia...
- Mas tu mesmo, está sempre falando que sexo não tem nada a ver com amor!
- Eu sei!
- Então, vem, sai da janela.
- Cadê?
- A tal poesia?
- Não, a minha calcinha.
Thursday, November 13, 2008
As perguntas de Galeano
Ruy Carlos Ostermann e Eduardo GaleanoO escritor uruguaio, Eduardo Galeano foi a grande atração da 54ª Feira do Livro desta quinta-feira (13). Ele participou do talk-show Encontros com o Professor, apresentado por Ruy Carlos Ostermann, no teatro Dante Barone da Assembléia Legislativa e depois autografou seu livro “Espelhos – Uma história quase universal.”
No bate-papo de uma hora, o intelectual falou de sua vida, de seus livros e das perguntas que carrega consigo. Tirou do bolso um minúsculo caderno que faz anotações quando está na rua. Contou que aos 22 anos já era diretor de um jornal em Montevidéu, onde fazia de tudo, inclusive o horóscopo. “Adorava fazer o horóscopo, me divertia e sempre induzia as pessoas aos pecados”, declarou aos risos. Galeano lembrou que antigamente os jornalistas tinham entusiasmo com a profissão, coisa que não se vê hoje em dia.
Um observador nato que se definiu como “um averiguador das coisas pequenas escondidas na grandeza.” Falou da importância de ter olhos e ouvidos atentos ao mundo, de questionar, de raciocinar, de educar, de ler de tudo, até as paredes. Ele que sempre se interessou muito por grafismos e grafites, encontrou numa parede a frase: “toda virgem passa por diversos Natais, mas nunca tem uma noite boa”.
Com um grande senso de humor, o escritor falou de sua desconfiança com as máquinas: “sempre achei que elas bebem e fazem festa durante a noite. De dia, quando precisamos, não funcionam direito, pois estão de ressaca.” Tem pouco tempo que passou a utilizar o computador, acredita que o prazer de escrever a mão é insubstituível.
Autor do clássico “As veias abertas da América Latina”, o senhor que nasceu em 1940 e ostenta cabelos totalmente brancos, não tem vergonha de falar das dúvidas mais infantis que carrega consigo - e que todos temos - por mais absurdas que elas sejam. Em certo momento questionou: "a humanidade seria uma obra-prima de Deus ou uma piada do Diabo?"
Inteligentíssimo, Galeano tem uma das qualidades que mais admiro nas pessoas, é um contestador. De suas perguntas, faz livros. Da história esquecida, arte. Se Galeano fosse uma pulga, seria dessas que vivem nas pontas dos pêlos, para não perder nada que acontece ao seu redor, como diria Jostein Gaarder.
Depois de rir das sacadas inteligentes, de ouvir histórias e de ficar quase uma hora na fila, sai de lá feliz da vida, com o meu livro autografado, um elogio: “belos olhos” e com a certeza de que o escritor pode ser tão surpreendente quanto seus escritos.
Saturday, November 08, 2008
Vontade de sei lá o que...
Caminho pela casa, abro a geladeira, olho... Caminho mais um pouco, pego um livro, dou uma lida... Vou pra rua, volto, passo pelo quarto do meu irmão, tento um contato imediato com o ser de moicano que está deitado na cama. “Sai fora”, ele me diz. Eu saio.
Às vezes dá uma inquietação. Uma vontade de alguma coisa que não sei o que é. Sair correndo, talvez. Correndo e gritando. Ou ficar parada. Parada e observando. Ficar vendo a vida passar embaixo de uma sombra. Não! Viver. Correr embaixo de sol de 40ºC.
Dá uma tristeza de saber que quando eu morrer, não terei lido um monte de livros que gostaria. Dá uma alegria em ver o céu azul, o sol brilhando e eu ter mandado arrumar minha bicicleta. Dá uma preguiça pedalar na subida da lomba.
Vou comer algodão doce e me irrito ao perceber que o vendedor está tão bêbado que não consegue pegar o algodão cor de rosa (que está bem em cima) e, sou obrigada a conhecer o sabor do algodão verde. Não é ruim, mas eu queria o rosa!
Rir e chorar. Tudo ao mesmo tempo e agora, porque eu sou exagerada e imediatista. Não quero saber. Nem lembrar. E esquecer também não. Vou deixar “a vida me levar”. Mas só por um instante porque prefiro pensar que planejo alguma coisa. Ah, quer saber? Vou escrever.
Às vezes dá uma inquietação. Uma vontade de alguma coisa que não sei o que é. Sair correndo, talvez. Correndo e gritando. Ou ficar parada. Parada e observando. Ficar vendo a vida passar embaixo de uma sombra. Não! Viver. Correr embaixo de sol de 40ºC.
Dá uma tristeza de saber que quando eu morrer, não terei lido um monte de livros que gostaria. Dá uma alegria em ver o céu azul, o sol brilhando e eu ter mandado arrumar minha bicicleta. Dá uma preguiça pedalar na subida da lomba.
Vou comer algodão doce e me irrito ao perceber que o vendedor está tão bêbado que não consegue pegar o algodão cor de rosa (que está bem em cima) e, sou obrigada a conhecer o sabor do algodão verde. Não é ruim, mas eu queria o rosa!
Rir e chorar. Tudo ao mesmo tempo e agora, porque eu sou exagerada e imediatista. Não quero saber. Nem lembrar. E esquecer também não. Vou deixar “a vida me levar”. Mas só por um instante porque prefiro pensar que planejo alguma coisa. Ah, quer saber? Vou escrever.
Wednesday, November 05, 2008
God bless you
Ainda bem que estou viva e presenciei essas eleições americanas. Ainda bem que o Obama venceu! Como a grande maioria do mundo, eu torci por ele. Pois é um visionário, qualidade que acho fundamental em qualquer pessoa que se propõe a ser um líder e que, infelizmente, falta em muitos políticos.
Gosto do sorriso largo e da austeridade para tratar de assuntos sérios. Principalmente da mente aberta para tratar de assuntos que são tabus numa sociedade moralista. De preferir negociações à guerra, de se preocupar com políticas de preservação ambiental, de achar que impostos não podem ser iguais para todos...
E sim, gosto de sua história. Um homem que não teve uma família convencional, mas soube manter uma referência familiar, que foi alfabetizado na Indonésia, cresceu no Hawaí, viajou para o Quênia para conhecer suas raízes, optou por advogar pelas famílias pobres, foi professor universitário, construiu uma família e aos 47 anos chegou a presidência dos Estados Unidos da América, só pode ser um idealista.
Idealistas acreditam. Acho que essas eleições mostraram que o mundo ainda está repleto de idealistas. Ou no mínimo, de pessoas esperançosas. Penso que o Barack Obama é a cara do novo mundo, desse futuro tão falado, dessa nova era, a era de Aquarius...
É estranho o presidente dos Estados Unidos ter Hussein no nome. Mas é um novo mundo batendo na nossa porta, saindo das telas de TV e mostrando que podemos ser mais tolerantes. Ao menino que cresceu na paz do Hawaí, ao homem idealista e ao primeiro presidente negro dos EUA, eu desejo apenas uma coisa:
God bless you!
Gosto do sorriso largo e da austeridade para tratar de assuntos sérios. Principalmente da mente aberta para tratar de assuntos que são tabus numa sociedade moralista. De preferir negociações à guerra, de se preocupar com políticas de preservação ambiental, de achar que impostos não podem ser iguais para todos...
E sim, gosto de sua história. Um homem que não teve uma família convencional, mas soube manter uma referência familiar, que foi alfabetizado na Indonésia, cresceu no Hawaí, viajou para o Quênia para conhecer suas raízes, optou por advogar pelas famílias pobres, foi professor universitário, construiu uma família e aos 47 anos chegou a presidência dos Estados Unidos da América, só pode ser um idealista.
Idealistas acreditam. Acho que essas eleições mostraram que o mundo ainda está repleto de idealistas. Ou no mínimo, de pessoas esperançosas. Penso que o Barack Obama é a cara do novo mundo, desse futuro tão falado, dessa nova era, a era de Aquarius...
É estranho o presidente dos Estados Unidos ter Hussein no nome. Mas é um novo mundo batendo na nossa porta, saindo das telas de TV e mostrando que podemos ser mais tolerantes. Ao menino que cresceu na paz do Hawaí, ao homem idealista e ao primeiro presidente negro dos EUA, eu desejo apenas uma coisa:
God bless you!
Tuesday, November 04, 2008
Quatro anos
Foi há quatro anos que tudo começou. Estava no show do The Calling, em Novo Hamburgo, era a terceira ou quarta música, quando senti uma dor no estômago, a vista nublou e eu senti um medo inexplicável. Pânico. Pavor. Paralisei. Não lembro como cheguei no banheiro, mas lembro da mão de uma moça tocando água no meu rosto... Liguei para o meu pai ir me buscar, eu não podia ficar ali porque estava com muito medo!
Naquela noite não dormi, nem nas que se seguiram. Foi a primeira crise de pânico. Tempo depois, estava saindo da Unisinos, era final de semestre, só tinha ido pegar a nota e esperava o ônibus. O ônibus não vinha e não vinha e eu comecei a ficar com um medo danado. De novo não... O medo, o tremor no corpo todo, o pânico, a certeza que algo muito ruim vai acontecer. Não lembro como cheguei em casa, mas lembro da cara do meus pais.
Nesse meio tempo eu levei um pé na bunda de quem acreditava ser o primeiro homem que gostava de mim. Uma prima da minha idade morreu e eu percebi como a vida pode ser cruel. Sai do meu primeiro estágio, de dois anos e, me deparei com dias ociosos. Não sei o motivo, se foi um desses fatos isolados ou a soma de tudo... Mas passei a não sair da cama, não havia nenhum motivo para sair da cama, além do medo que eu sentia.
Matava aula direto, meus pais não me deixavam sozinha, perdi 15 quilos e muito tempo. Não sei o que fiz nos meses que fiquei assim... Depressão? Tratamento psicológico? Remédio? Bem capaz, afinal eu não era louca. Depois de muita conversa, aceitei que tinha algo de errado acontecendo e comecei a tomar remédio, fazer análise... Me esforçar pra voltar a ser o que era. Ou ao menos, sentir algo parecido com felicidade, que certamente, eu já havia sentido.
Com o tempo, as crises de pânico pararam, voltei a comer, arrumei um emprego, comecei a me ocupar, a não ter medo, larguei o remédio, ganhei alguns quilos, voltei a dar gargalhadas, chorei muito, fiz inúmeras perguntas, diminui o número da terapia, percebi várias coisas e a tristeza foi indo embora... Mas eu ainda tinha um receio. E se voltar acontecer? E se sentir medo de novo? E se... E se...
Mas agora, depois de quatro anos, acho que voltei a sentir algo bom, que eu tô achando que é felicidade. Nesse tempo todo, eu quase não sai, só ia a shows, morrendo de medo, mas ia. Baladas, se já não gostava antes, aboli por completo... Festinhas de amigos, reuniões familiares, raríssimas. Não sei quando comecei a sair de novo, foi esse ano... Acho que a formatura influenciou e ajudou.
O fato é que hoje sinto vontades. De sair, de ir no cinema, de ir pra praia, de gastar horrores de feira do livro, de visitar minha tia, de beijar na boca, de caminhar, de conhecer gente, de viajar, de conversar... Hoje fui na psicóloga, por um único motivo, lhe dar um abraço de aniversário!
Naquela noite não dormi, nem nas que se seguiram. Foi a primeira crise de pânico. Tempo depois, estava saindo da Unisinos, era final de semestre, só tinha ido pegar a nota e esperava o ônibus. O ônibus não vinha e não vinha e eu comecei a ficar com um medo danado. De novo não... O medo, o tremor no corpo todo, o pânico, a certeza que algo muito ruim vai acontecer. Não lembro como cheguei em casa, mas lembro da cara do meus pais.
Nesse meio tempo eu levei um pé na bunda de quem acreditava ser o primeiro homem que gostava de mim. Uma prima da minha idade morreu e eu percebi como a vida pode ser cruel. Sai do meu primeiro estágio, de dois anos e, me deparei com dias ociosos. Não sei o motivo, se foi um desses fatos isolados ou a soma de tudo... Mas passei a não sair da cama, não havia nenhum motivo para sair da cama, além do medo que eu sentia.
Matava aula direto, meus pais não me deixavam sozinha, perdi 15 quilos e muito tempo. Não sei o que fiz nos meses que fiquei assim... Depressão? Tratamento psicológico? Remédio? Bem capaz, afinal eu não era louca. Depois de muita conversa, aceitei que tinha algo de errado acontecendo e comecei a tomar remédio, fazer análise... Me esforçar pra voltar a ser o que era. Ou ao menos, sentir algo parecido com felicidade, que certamente, eu já havia sentido.
Com o tempo, as crises de pânico pararam, voltei a comer, arrumei um emprego, comecei a me ocupar, a não ter medo, larguei o remédio, ganhei alguns quilos, voltei a dar gargalhadas, chorei muito, fiz inúmeras perguntas, diminui o número da terapia, percebi várias coisas e a tristeza foi indo embora... Mas eu ainda tinha um receio. E se voltar acontecer? E se sentir medo de novo? E se... E se...
Mas agora, depois de quatro anos, acho que voltei a sentir algo bom, que eu tô achando que é felicidade. Nesse tempo todo, eu quase não sai, só ia a shows, morrendo de medo, mas ia. Baladas, se já não gostava antes, aboli por completo... Festinhas de amigos, reuniões familiares, raríssimas. Não sei quando comecei a sair de novo, foi esse ano... Acho que a formatura influenciou e ajudou.
O fato é que hoje sinto vontades. De sair, de ir no cinema, de ir pra praia, de gastar horrores de feira do livro, de visitar minha tia, de beijar na boca, de caminhar, de conhecer gente, de viajar, de conversar... Hoje fui na psicóloga, por um único motivo, lhe dar um abraço de aniversário!
Saturday, October 25, 2008
Seqüelas
Li a carta que a atriz Fernanda Torres escreveu para o seu pai, o ator Fernando Torres que morreu recentemente, e está postada no blog da Martha Medeiros. Fernanda conta que seu pai passou os últimos 20 anos com a saúde abalada por causa de um derrame cerebral que o atingiu em 1986, só que não foi diagnosticado. Ele esqueceu o texto no meio de uma peça, acharam que era apenas a memória. Mas era um AVC e Fernanda conta como isso prejudicou a vida de um homem muito ativo.
Minha mãe teve um derrame, nem um pouco leve, em 1985. Como disse Fernanda, numa época que a neurologia engatinhava. Foi numa quarta-feira de cinzas, depois de ter pulado o melhor carnaval da sua vida, como ela mesmo define. Eu estava lá, embora não lembre... Minha mãe estava grávida de mim, de três meses.
Por isso passou praticamente toda a gravidez no hospital, entrou em coma, o caso era de risco para ela e para mim. Uma das primeiras cirurgias computadorizadas do Brasil (numa época que começavam a falar em computadores), foi realizada na cabeça dela. Foram feitas várias transfusões de sangue quando a AIDS assustava mais que a inflação.
Meu pai vendeu o carro, a casa e o pequeno comércio que tinha para conseguir pagar todo o tratamento que durou anos. Dessa época, vieram os cabelos brancos dele, eu escuto as lembranças de toda a família, vejo as fotos de mulher me segurando no colo com os cabelos raspados, uma enorme cicatriz na cabeça e um grande sorriso.
A mãe que conheço, sim, ficou seqüelas, mas é muito ativa. Reclama da vida e gostaria de poder usar salto alto. Tem senso de humor e volta e meia fala: “meu Deus, ninguém espera que eu fosse tá viva depois de tanto tempo. Então eu tô no lucro.” Aliás, um senso de humor que eu herdei e que segundo ela, ficou mais manso e leve depois de tudo o que aconteceu.
Eu não sei o que causou um derrame cerebral numa moça de 26 anos, grávida do seu primeiro filho. Nem num ator consagrado, em cima de um palco. Só sei que minha mãe teve sorte e eu, mais ainda.
Minha mãe teve um derrame, nem um pouco leve, em 1985. Como disse Fernanda, numa época que a neurologia engatinhava. Foi numa quarta-feira de cinzas, depois de ter pulado o melhor carnaval da sua vida, como ela mesmo define. Eu estava lá, embora não lembre... Minha mãe estava grávida de mim, de três meses.
Por isso passou praticamente toda a gravidez no hospital, entrou em coma, o caso era de risco para ela e para mim. Uma das primeiras cirurgias computadorizadas do Brasil (numa época que começavam a falar em computadores), foi realizada na cabeça dela. Foram feitas várias transfusões de sangue quando a AIDS assustava mais que a inflação.
Meu pai vendeu o carro, a casa e o pequeno comércio que tinha para conseguir pagar todo o tratamento que durou anos. Dessa época, vieram os cabelos brancos dele, eu escuto as lembranças de toda a família, vejo as fotos de mulher me segurando no colo com os cabelos raspados, uma enorme cicatriz na cabeça e um grande sorriso.
A mãe que conheço, sim, ficou seqüelas, mas é muito ativa. Reclama da vida e gostaria de poder usar salto alto. Tem senso de humor e volta e meia fala: “meu Deus, ninguém espera que eu fosse tá viva depois de tanto tempo. Então eu tô no lucro.” Aliás, um senso de humor que eu herdei e que segundo ela, ficou mais manso e leve depois de tudo o que aconteceu.
Eu não sei o que causou um derrame cerebral numa moça de 26 anos, grávida do seu primeiro filho. Nem num ator consagrado, em cima de um palco. Só sei que minha mãe teve sorte e eu, mais ainda.
Friday, October 17, 2008
As imagens falam por si




Essas são algumas imagens que eu registrei ontem, durante o ato de encerramento da 13ª Marcha dos Sem, na praça da Matriz, centro de Porto Alegre.
Durante a violência, sem explicação, da Brigada Militar, três bombas de efeito moral foram explodidas e tiros com balas de borracha feriram 17 trabalhadores.
Tuesday, October 14, 2008
Diário
Hoje, debaixo de chuva, me abalei até o distante bairro Intercap, em Porto Alegre, para pegar as fotos da minha formatura. Um baita programa de índio, mas eu tava com a Ana, minha amiga e ex-colega da faculdade, foi divertido. Muito divertido, nos duas, meia hora esperando o ônibus com guarda-chuvas que não continham a água e preocupadas para não molhar as fotos.
Chegamos no centro de Porto Alegre, enxargadas. Depois de uma passada básica nas Americanas fomos para o Rua da Praia Shopping encontrar duas amigas, que também chegaram brigando com seus guarda-chuvas. Almoçamos por ali mesmo. Tava com saudade das gurias, no último semestre, eu, a Ana Paula, a Aline, a Rê Tissot e a Cris (que não conseguiu folga no serviço hoje), fizemos todos os trabalhos juntas.
Nos quarentas minutos deu para colocar um pouco da conversa em dia. O caixa do restaurante não tinha troco pra me dá, então comprei quatro Batons (o chocolate) e dei um pra cada uma. Dai a Aline me olhou e perguntou: "tu vai escrever no teu blog que tu deu chocolate pra tuas amigas?"
Fiquei sem ação. É estranho saber que as pessoas vão ler o que eu escrevo. Acho que fiquei vermelha, mas elas não falaram nada ou não perceberam. E ela falou, assim, tão naturalmente... Mas é claro que eu tinha que escrever que hoje eu dei uma Batom pra minhas amigas. Aliás, é só por isso que estou escrevendo esse texto.
Depois tive que deixar o almoço e o sorvete no Mc Donalds para ir trabalhar. Tô gostando do serviço, tômara que fique mais do que o mês de férias da Daiani! Dia agitado, preparativos pra a Marcha dos Sem. Amanhã, trabalho o dia inteiro. Tranqüilo, tô adorando.
Cheguei em casa e fui para a esteira. Me lembrei que meu avô está de aniversário hoje, nem falei com ele. Me deu saudade da minha avó, que era casada com ele. Ela morreu quando eu tinha 6 anos. Praticamente, toda a minha vida foi, é e será sem a presença dela. Às vezes acho incrível eu lembrar tanto dela. Dá saudade. Da vó, do que as pessoas eram, de como as coisas eram...
Depois olhei a novela e fui para a internet, olhar os e-mail, conversar no msn, perder tempo no orkut, ler os blogs que curto, ouvir música... Acabei escrevendo esse texto...
Agora eu vou dormir, tô com um nó estranho na garganta, de saudade, de pensar como as coisas poderiam ter sido... Não sei se estou alegre ou triste, passei grande parte do dia alegre, até que a tristeza veio dá as caras... Mas o que importa mesmo é que hoje eu dei chocolate para as minhas amigas.
Wednesday, October 08, 2008
As grandes coisas
O que você fez hoje? Eu estou lendo “Quase memória”, do Carlos Heitor Cony. Nesse livro, ele conta as lembranças que tem do seu pai. Lá pelas tantas, o escritor afirma: “era o sujeito que todo dia, ao dormir, pensava consigo mesmo: ‘Amanhã farei grandes coisas!’”
Hoje, ao ler essas linhas, dentro de um trem lotado, dobrei o canto da página. Quantas pessoas naquele vagão tinham feito grandes coisas nesse dia. Dividindo o transporte comigo, estavam duas irmãs gêmeas vestidas com o uniforme do Inter, uma senhora que lia a Bíblia, uma moça que chorava silenciosamente, três guris com skates e fones no ouvido, um senhor que não parava de mexer na gravata... Qual a grande coisa realizada por eles hoje?
E o que será uma grande coisa? Essa crise na economia mundial é uma grande coisa para quem? Para alguns, grande coisa é não perder a esperança de ir para o exterior com a alta do dólar. É ler um bom livro e marcar algumas passagens, assistir boas peças de teatro, achar um filme bem lado B em cartaz no centro da cidade, não usar cartão de crédito e pagar à vista, encontrar um amigo, se surpreender com um conhecido, cozinhar, levar os filhos para a escola, viajar, namorar, trabalhar, colocar uma roupa nova, brincar com o cachorro...
Tanta coisa! As grandes coisas não estão longe. São próximas de pessoas comuns. É aquela pedra no caminho que nos faz tropeçar e nos impulsiona, nos acorda. É o barulho chato do mosquito no ouvido, nos lembrando de prestar mais atenção... Pairam no ar e na primeira oportunidade, caem no nosso colo.
Uma grande coisa que fiz hoje foi um cartaz no trabalho. Tive que fazer um cartaz para um evento, assim, rapidinho. No computador não tinha Pagemaker, só Corel e eu não sei mexer no Corel. Mas tinha que fazer o cartaz. E fiz. No Corel mesmo... Abri o programa, respirei fundo e fiz!
Provavelmente, daqui um tempo nem vou me lembrar mais desse cartaz e do sufoco momentâneo. Vou esquecer e reclamar, sem me dar conta que as grandes coisas cabem direitinho nas nossas limitações.
Hoje, ao ler essas linhas, dentro de um trem lotado, dobrei o canto da página. Quantas pessoas naquele vagão tinham feito grandes coisas nesse dia. Dividindo o transporte comigo, estavam duas irmãs gêmeas vestidas com o uniforme do Inter, uma senhora que lia a Bíblia, uma moça que chorava silenciosamente, três guris com skates e fones no ouvido, um senhor que não parava de mexer na gravata... Qual a grande coisa realizada por eles hoje?
E o que será uma grande coisa? Essa crise na economia mundial é uma grande coisa para quem? Para alguns, grande coisa é não perder a esperança de ir para o exterior com a alta do dólar. É ler um bom livro e marcar algumas passagens, assistir boas peças de teatro, achar um filme bem lado B em cartaz no centro da cidade, não usar cartão de crédito e pagar à vista, encontrar um amigo, se surpreender com um conhecido, cozinhar, levar os filhos para a escola, viajar, namorar, trabalhar, colocar uma roupa nova, brincar com o cachorro...
Tanta coisa! As grandes coisas não estão longe. São próximas de pessoas comuns. É aquela pedra no caminho que nos faz tropeçar e nos impulsiona, nos acorda. É o barulho chato do mosquito no ouvido, nos lembrando de prestar mais atenção... Pairam no ar e na primeira oportunidade, caem no nosso colo.
Uma grande coisa que fiz hoje foi um cartaz no trabalho. Tive que fazer um cartaz para um evento, assim, rapidinho. No computador não tinha Pagemaker, só Corel e eu não sei mexer no Corel. Mas tinha que fazer o cartaz. E fiz. No Corel mesmo... Abri o programa, respirei fundo e fiz!
Provavelmente, daqui um tempo nem vou me lembrar mais desse cartaz e do sufoco momentâneo. Vou esquecer e reclamar, sem me dar conta que as grandes coisas cabem direitinho nas nossas limitações.
Friday, October 03, 2008
Recadinho do Bertold
O Analfabeto Político
"O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
Bertold Brecht
"O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
Bertold Brecht
Friday, September 26, 2008
Os dois cavalheiros de Verona

Hoje assisti a peça “Os dois cavalheiros de Verona”, adaptação do clássico do Shakespeare e encenado pelo grupo carioca Nós do Morro, que já está completando 22 anos. Ver teatro sempre é bom, histórias de Shakespeare, melhor ainda.
E essa releitura ficou tri bacana, bem brasileira, com música de todos os ritmos. A peça é ágil, há uma intensa movimentação dos atores, que em nenhum momento saem do palco, se arrumando ali mesmo e quando não estão participando da cena, ficam sentados ou segurando o cenário, formado só por tecidos soltos. Apesar dos diálogos modernos, é fácil perceber o texto do Shakespeare.
Agora, o melhor é que foi aqui, na minha cidade, que a peça estava em cartaz. No Teatro Municipal de São Leopoldo. O município ficou quase dez anos sem esse espaço, que fica ao lado da biblioteca. Foi em abril desse ano que o teatro voltou a receber o público. E a reforma ficou ótima, o ambiente é claro, bem iluminado e tem um hall bem grande onde, seguidamente, ocorrem exposições. Confesso que achei a distância das poltronas muito pequena, é apertado. Mas nada que empeça a gente de ir assistir alguma atração.
O teatro estava lotado. Muitas vezes falei que o povo daqui não gosta de cultura. Tive que calar minha boca, rapidinho. Acho que só faltava um lugar. E sempre tem alguma coisa bacana rolando lá e com um preço acessível.
Em novembro terá apresentação do espetáculo da Escola de Dança Arte e Equilíbrio, do qual eu faço parte do elenco e já estou há um bom tempo ensaiando. Então em novembro, eu conto como é estar no palco do Teatro Municipal de São Leopoldo.
Thursday, September 25, 2008
Sobre lógicas e aparências
Não sou simpática com todo mundo. E daí? Tenho personalidade, ora. Daí, que eu bem queria bancar a simpática com todo mundo. Seria mais fácil do que explicar o motivo da cara fechada, quando o mais provável é que não fui com a cara tua cara. Antipatia genuína. Antipática assumida.
Estou dando um tempo da academia, afinal sou uma mulher desencanada. Depois de anos me exercitando disciplinadamente e religiosamente, meus músculos merecem férias. Eu perdi o tesão que tinha por puxar ferros. Enquanto meu tesão não volta, penso que seria bem bom ser uma mulher desencanada.
Escrevi “bem bom” e parei para pensar. Eu gosto da combinação de bem bom. Fala: bem bom. É legal, sonoro e isso basta. Bem bom seria se eu entendesse mais de gramática. Só porque escrevo, tem gente que acha que eu sei quando se usa corretamente mim e eu, crases, vírgulas... Sei pouco. Bem pouco. Passava as aulas de português escrevendo redações para vender, me achavam inteligente. Era, no máximo, esperta.
Hoje, nem esperta eu sou. Restou pouca coisa da época do colégio, apenas textos incompletos e poesias onde deveria haver fórmulas matemáticas. Outro dia vi esse símbolo: √, não sabia o que era. Só no outro dia que me lembrei da tal raiz quadrada. Eu passava as aulas de matemáticas lendo. Um dia perguntei para o professor se ele não se importava, ele falou que se eu conseguia entender Galeano, que não tinha lógica, entenderia a matéria. Que era lógica pura.
“O caminho estava muito cheio de gente. Todos iam para o país dos sonhos, e faziam muita confusão e muito ruído ensaiando os sonhos que iam sonhar, e por isso Pepa (a cachorrinha) ia resmungando, porque não a deixavam concentrar-se como se deve.”
Teve uma época que lia direto Eduardo Galeano, isso aí de cima é dele. Não parece, mas Galeano é um conceituado escritor e jornalista uruguaio. Não parece, mas não me imagino mais numa academia suando e disputando um lugar no espelho. Não parece, mas não gosto de gramática. Só me sobrou a antipatia e o gosto por coisas que não tem lógica.
Estou dando um tempo da academia, afinal sou uma mulher desencanada. Depois de anos me exercitando disciplinadamente e religiosamente, meus músculos merecem férias. Eu perdi o tesão que tinha por puxar ferros. Enquanto meu tesão não volta, penso que seria bem bom ser uma mulher desencanada.
Escrevi “bem bom” e parei para pensar. Eu gosto da combinação de bem bom. Fala: bem bom. É legal, sonoro e isso basta. Bem bom seria se eu entendesse mais de gramática. Só porque escrevo, tem gente que acha que eu sei quando se usa corretamente mim e eu, crases, vírgulas... Sei pouco. Bem pouco. Passava as aulas de português escrevendo redações para vender, me achavam inteligente. Era, no máximo, esperta.
Hoje, nem esperta eu sou. Restou pouca coisa da época do colégio, apenas textos incompletos e poesias onde deveria haver fórmulas matemáticas. Outro dia vi esse símbolo: √, não sabia o que era. Só no outro dia que me lembrei da tal raiz quadrada. Eu passava as aulas de matemáticas lendo. Um dia perguntei para o professor se ele não se importava, ele falou que se eu conseguia entender Galeano, que não tinha lógica, entenderia a matéria. Que era lógica pura.
“O caminho estava muito cheio de gente. Todos iam para o país dos sonhos, e faziam muita confusão e muito ruído ensaiando os sonhos que iam sonhar, e por isso Pepa (a cachorrinha) ia resmungando, porque não a deixavam concentrar-se como se deve.”
Teve uma época que lia direto Eduardo Galeano, isso aí de cima é dele. Não parece, mas Galeano é um conceituado escritor e jornalista uruguaio. Não parece, mas não me imagino mais numa academia suando e disputando um lugar no espelho. Não parece, mas não gosto de gramática. Só me sobrou a antipatia e o gosto por coisas que não tem lógica.
Saturday, September 20, 2008
20 de setembro
Wednesday, September 17, 2008
Em volta da churrasqueira
Eu não como carne. Há cinco anos sou vegetariana. Mas gosto de churrascos. Para nós, gaúchos, churrascos são eventos, rituais. Mesmo sem entender qual a graça de comer cadáver assado, eu gosto de participar dessa cerimônia gauchesca e infelizmente, carnívora.
Sábado passado, quando cheguei em casa, minha mãe avisou: “amanhã é pra vocês irem almoçar no teu tio Doni. Ele vai assar uma carne porque tá de aniversário.” Perceberam? Primeiro o churrasco, depois o motivo pra me fazer sair de casa e compactuar com esse ritual. Claro que eu não vou, sem antes reclamar, explicar que nosso estômago poderia viver muito bem sem carne, que voltaria fedendo a churrasco...
Mas fui. Afinal, havia de fato, algo a comemorar. E bastou chegar lá para vê cenas típicas de uma família bem tradicionalista. Música gauchesca no rádio, homens de bombachas, chimarrão passando de mão em mão, criançada correndo, mulheres preparando as saladas, muitas, pois há uma vegetariana na família e no churrasco. Dizem que família não se escolhe...
Tudo tranqüilo, até porque eles nem perdem tempo insistindo para eu comer carne. Já se acostumaram. Às vezes oferecem frango, daí eu lembro que é carne igual e com exceção do meu avô, ninguém acha ruim a minha escolha. Talvez não entendam, mas respeitam.
Quando era criança, todo domingo era dia de churrasco. Muito já corri em volta da churrasqueira do meu avô com meus primos, brincava de esgrima com os espetos, gostava de comer sal grosso... Domingo, ao ver meu primo correndo atrás da filha dela, me dei conta que boa parte das minhas lembranças são em volta de uma churrasqueira. É por isso que eu gosto de churrascos, apesar de não entender qual a graça de comer carne assada e voltar pra casa fedendo...
Sábado passado, quando cheguei em casa, minha mãe avisou: “amanhã é pra vocês irem almoçar no teu tio Doni. Ele vai assar uma carne porque tá de aniversário.” Perceberam? Primeiro o churrasco, depois o motivo pra me fazer sair de casa e compactuar com esse ritual. Claro que eu não vou, sem antes reclamar, explicar que nosso estômago poderia viver muito bem sem carne, que voltaria fedendo a churrasco...
Mas fui. Afinal, havia de fato, algo a comemorar. E bastou chegar lá para vê cenas típicas de uma família bem tradicionalista. Música gauchesca no rádio, homens de bombachas, chimarrão passando de mão em mão, criançada correndo, mulheres preparando as saladas, muitas, pois há uma vegetariana na família e no churrasco. Dizem que família não se escolhe...
Tudo tranqüilo, até porque eles nem perdem tempo insistindo para eu comer carne. Já se acostumaram. Às vezes oferecem frango, daí eu lembro que é carne igual e com exceção do meu avô, ninguém acha ruim a minha escolha. Talvez não entendam, mas respeitam.
Quando era criança, todo domingo era dia de churrasco. Muito já corri em volta da churrasqueira do meu avô com meus primos, brincava de esgrima com os espetos, gostava de comer sal grosso... Domingo, ao ver meu primo correndo atrás da filha dela, me dei conta que boa parte das minhas lembranças são em volta de uma churrasqueira. É por isso que eu gosto de churrascos, apesar de não entender qual a graça de comer carne assada e voltar pra casa fedendo...
Saturday, September 13, 2008
Rodolfo
Acabei de chegar do show que o argentino Fito Paez fez no Pepsi On Stage, em Porto Alegre. Sensacional, como ele mesmo definiu. O Fito, apelido de Rodolfo, foi um dos achados da minha adolescência e sei que vai durar para sempre.
Foi no Fórum Social Mundial em 2002 que parei num show dele, sem saber direito de quem era aquele show. E me encantei com o cara de cabelos cacheados que tocava piano e pulava ao mesmo tempo. Que gesticulava muito e se mostrava politizado. Foi nesse show que descobri que ele era o cantor de Mariposa Tecknicolor, aquela música que às vezes ouvia no rádio e gostava.
Ano passado, passei horas na fila para comprar o ingresso para o encerramento do Festival de Inverno de Porto Alegre, que teve o show dele com a Liliana Herrero, mas quando chegou a minha vez, estavam esgotados. Em abril fui no show do Paralamas com o Titãs, que teve entre outros convidados, Fito Paez. E se já gostava de Mariposa Tecknicolor, depois que essa música foi o tema de entrada da minha formatura, gosto mais!
No show de hoje, como naquele de 6 anos atrás, Fito tocou piano e pulou ao mesmo tempo. E mais, tocou guitarra, conversou com a platéia, brincou, tocou Mariposa, Amor depues del amor, Rodar mi vida, Naturezala Sangue, Fue Amor... Até a sonorização do Pepsi on Stage colaborou.
Dizem que ele é mais conhecido aqui no sul, do que no resto do país... O fato é que ele é um baita instrumentista e diretor de cinema, tem o disco mais vendido na história Argentina, o primeiro artista não-cubano a tocar na famosa Plaza de la Revolución, em Cuba, foi ele. Já trabalhou com os brasileiros Caetano Veloso, Herbert Vianna, Djavan entre outros... Currículo é o que não falta.
Agora o que eu mais gosto nele, além da simplicidade, é a maneira como ele toca piano e pula ao mesmo tempo. Parece uma criança, apesar dos quarentas e poucos anos. Passa a impressão de que aquilo é uma grande brincadeira, algo que recém foi descoberto e causa encantamento, prazer, surpresa... Gosto de pessoas assim, que transformam a diversão em ofício, mas sem perder a capacidade de se divertir de fato. E no final de algumas músicas, ele olhava para a platéia e falava: SENSASIONAL!
Foi no Fórum Social Mundial em 2002 que parei num show dele, sem saber direito de quem era aquele show. E me encantei com o cara de cabelos cacheados que tocava piano e pulava ao mesmo tempo. Que gesticulava muito e se mostrava politizado. Foi nesse show que descobri que ele era o cantor de Mariposa Tecknicolor, aquela música que às vezes ouvia no rádio e gostava.
Ano passado, passei horas na fila para comprar o ingresso para o encerramento do Festival de Inverno de Porto Alegre, que teve o show dele com a Liliana Herrero, mas quando chegou a minha vez, estavam esgotados. Em abril fui no show do Paralamas com o Titãs, que teve entre outros convidados, Fito Paez. E se já gostava de Mariposa Tecknicolor, depois que essa música foi o tema de entrada da minha formatura, gosto mais!
No show de hoje, como naquele de 6 anos atrás, Fito tocou piano e pulou ao mesmo tempo. E mais, tocou guitarra, conversou com a platéia, brincou, tocou Mariposa, Amor depues del amor, Rodar mi vida, Naturezala Sangue, Fue Amor... Até a sonorização do Pepsi on Stage colaborou.
Dizem que ele é mais conhecido aqui no sul, do que no resto do país... O fato é que ele é um baita instrumentista e diretor de cinema, tem o disco mais vendido na história Argentina, o primeiro artista não-cubano a tocar na famosa Plaza de la Revolución, em Cuba, foi ele. Já trabalhou com os brasileiros Caetano Veloso, Herbert Vianna, Djavan entre outros... Currículo é o que não falta.
Agora o que eu mais gosto nele, além da simplicidade, é a maneira como ele toca piano e pula ao mesmo tempo. Parece uma criança, apesar dos quarentas e poucos anos. Passa a impressão de que aquilo é uma grande brincadeira, algo que recém foi descoberto e causa encantamento, prazer, surpresa... Gosto de pessoas assim, que transformam a diversão em ofício, mas sem perder a capacidade de se divertir de fato. E no final de algumas músicas, ele olhava para a platéia e falava: SENSASIONAL!
Wednesday, September 10, 2008
Poema datado
Chovia aos cântaros hoje à tarde, quando eu resolvi abrir uma caixa onde guardo algumas coisas que escrevi há muito tempo atrás. Tempo que eu não tinha computador. Tempo dos meus 11, 12 anos e escrevia ou fingia estar escrevendo para não ficarem me enchendo. Tempo da adolescência, quando eu achava o colégio e o mundo cruel demais e escrever era uma fuga.
O que mais me chamou atenção é a quantidade de poemas. Hoje em dia, não escrevo poemas, acho difícil e a chance de eu não gostar é imensa. Acho que era coisa de adolescente... Alguns são bons, outros uns lixos. Que vergonha! Mas nenhum foi pro lixo, voltaram todos para a caixa! E lá ficarão por muito tempo.
É legal ler o que escrevi há dez, oito anos atrás. E eu tinha a mania de colocar a data, a hora, o local e às vezes, até a música que estava escutando em tudo que escrevia. Bizarro... Transcrevo aqui um poema que fala justamente sobre isso.
Que estranho hábito esse meu!
Colocar data e hora nas poesias que escrevo...
Como se fosse possível aprisionar palavras.
Alguns até locais têm!
Que ilusão...
Se qu os escrevo, justamente, porque eles precisam se libertar.
Noite, 22 de dezembro de 2000 – em casa – ouvindo Nirvana
Quando tiver coragem, mostro outros...
O que mais me chamou atenção é a quantidade de poemas. Hoje em dia, não escrevo poemas, acho difícil e a chance de eu não gostar é imensa. Acho que era coisa de adolescente... Alguns são bons, outros uns lixos. Que vergonha! Mas nenhum foi pro lixo, voltaram todos para a caixa! E lá ficarão por muito tempo.
É legal ler o que escrevi há dez, oito anos atrás. E eu tinha a mania de colocar a data, a hora, o local e às vezes, até a música que estava escutando em tudo que escrevia. Bizarro... Transcrevo aqui um poema que fala justamente sobre isso.
Que estranho hábito esse meu!
Colocar data e hora nas poesias que escrevo...
Como se fosse possível aprisionar palavras.
Alguns até locais têm!
Que ilusão...
Se qu os escrevo, justamente, porque eles precisam se libertar.
Noite, 22 de dezembro de 2000 – em casa – ouvindo Nirvana
Quando tiver coragem, mostro outros...
Friday, September 05, 2008
Entrando na dança...
Já tinha ouvido falar, mas nunca tinha participado. A Jac Oliveria respondeu essas mesmas perguntas no blog dela e me passou a bola. Respondo e escolho cinco blogs que tem que fazer o mesmo. O nome disso é Meme.
Escrever 5 coisas que rolaram na minha vida há 10 anos atrás:
- peguei catapora;
- fui no casamento de uma prima;
- pintei o cabelo de verde por causa da Copa;
- passei as férias de verão na casa dos meus tios, em Florianópolis;
- minha madrinha engravidou e me deu um afilhado de presente de Natal.
Escrever 5 coisas que rolaram na minha vida há 5 anos atrás:
- comecei a cursar Jornalismo na Unisinos;
- tatuei minha primeira borboleta;
- parei de comer carne;
- trabalhei na São Leopoldo Fest;
- fui no Planeta Atlântida.
Escrever 5 coisas que rolaram na minha vida há 2 anos atrás:
- comecei a trabalhar num site de esportes;
- parei de tomar anti-depressivo;
- vi meu time ser Campeão do Mundo;
- conheci um monte de gente especial;
- comecei a freqüentar uma casa espírita.
Escrever 5 coisas que rolaram na minha vida há 1 ano atrás:
- coloquei silicone;
- joguei Paint ball;
- comecei a estudar italiano;
- decupei 40 horas de gravação dos programas que analisei no TCC;
- passei um feriado chuvoso em Florianópolis.
Escrever 5 coisas que rolaram ontem:
(Quinta - 04/09/08)
- ouvi todo o CD Nevermeind, do Nirvana;
- comi negrinho;
- fui caminhar;
- fui na casa espírita;
- soube que as fotos da formatura já estão disponíveis no site da produtora.
Escrever 5 coisas que rolaram hoje:
(Sexta - 05/09/08)
- acordei mais cedo;
- cozinhei;
- desejei que não estivesse chovendo;
- falei com meu ex-chefe;
- comi pipoca.
Escrever 5 coisas que rolarão amanhã:
- tentar não acordar muito tarde;
- me puxar na aula de dança;
- decidir como vai ser minha roupa na apresentação de dança;
- escolher as fotos da formatura;
- dar uma organizada no meu quarto.
Quem entra na dança agora:
Vicissitude de ser
Clandestinojr
Después te explico
Carismática da Insolência
Baphometro
Escrever 5 coisas que rolaram na minha vida há 10 anos atrás:
- peguei catapora;
- fui no casamento de uma prima;
- pintei o cabelo de verde por causa da Copa;
- passei as férias de verão na casa dos meus tios, em Florianópolis;
- minha madrinha engravidou e me deu um afilhado de presente de Natal.
Escrever 5 coisas que rolaram na minha vida há 5 anos atrás:
- comecei a cursar Jornalismo na Unisinos;
- tatuei minha primeira borboleta;
- parei de comer carne;
- trabalhei na São Leopoldo Fest;
- fui no Planeta Atlântida.
Escrever 5 coisas que rolaram na minha vida há 2 anos atrás:
- comecei a trabalhar num site de esportes;
- parei de tomar anti-depressivo;
- vi meu time ser Campeão do Mundo;
- conheci um monte de gente especial;
- comecei a freqüentar uma casa espírita.
Escrever 5 coisas que rolaram na minha vida há 1 ano atrás:
- coloquei silicone;
- joguei Paint ball;
- comecei a estudar italiano;
- decupei 40 horas de gravação dos programas que analisei no TCC;
- passei um feriado chuvoso em Florianópolis.
Escrever 5 coisas que rolaram ontem:
(Quinta - 04/09/08)
- ouvi todo o CD Nevermeind, do Nirvana;
- comi negrinho;
- fui caminhar;
- fui na casa espírita;
- soube que as fotos da formatura já estão disponíveis no site da produtora.
Escrever 5 coisas que rolaram hoje:
(Sexta - 05/09/08)
- acordei mais cedo;
- cozinhei;
- desejei que não estivesse chovendo;
- falei com meu ex-chefe;
- comi pipoca.
Escrever 5 coisas que rolarão amanhã:
- tentar não acordar muito tarde;
- me puxar na aula de dança;
- decidir como vai ser minha roupa na apresentação de dança;
- escolher as fotos da formatura;
- dar uma organizada no meu quarto.
Quem entra na dança agora:
Vicissitude de ser
Clandestinojr
Después te explico
Carismática da Insolência
Baphometro
Wednesday, September 03, 2008
Confissões
Eu quebrei a Barbie novinha da minha prima. E eu menti, falei que não tinha sido eu. Até hoje ela não sabe quem quebrou a boneca. Eu falava para o meu irmão que as duas notas de R$ 1,00 que eu tinha, valia mais que a nota de R$ 5,00, ele acreditava e a gente trocava.
Qualquer coisa que fazia de errado eu corria para minha vó, ela sempre me defendia. Na primeira série, fugi do colégio, quando minha mãe aloprou, minha vó colocou a culpa nas propostas pedagógicas da escola. Fazia as psicólogas de boba. Elas me mostravam figuras redondas e eu falava que eram dados rolando dentro de uma caixa.
Eu que risquei todo o muro do colégio na quinta-série, de despida, foi minha contribuição artística. O que mais gostava no Grêmio Estudantil é que podia matar aula à vontade e com o consentimento dos professores. Em quase toda a prova de matemática eu colava. Nas de inglês, dava cola.
Já fiquei com guri que tem namorada. Tratei muito mal quem não deveria. Entreguei trabalhos de colegas na faculdade. Não li livros que precisava. Às vezes vou na psicóloga só pra contar piada. Não devolvi CDs que me emprestaram. Já menti para médico e comprei atestado. Não acredito nas pessoas, principalmente nas boazinhas.
Experimentei maconha num retiro espiritual. Tomei chá de cogumelo num café da manhã. Não gosto de religiões e dessas convenções que só atrasam o mundo. Tenho inveja e sinto raiva. Sou orgulhosa. Até um astrólogo falou que minha combinação astral resultava numa pecadora nata. Como não acredito em pecado nunca me confessei.
Qualquer coisa que fazia de errado eu corria para minha vó, ela sempre me defendia. Na primeira série, fugi do colégio, quando minha mãe aloprou, minha vó colocou a culpa nas propostas pedagógicas da escola. Fazia as psicólogas de boba. Elas me mostravam figuras redondas e eu falava que eram dados rolando dentro de uma caixa.
Eu que risquei todo o muro do colégio na quinta-série, de despida, foi minha contribuição artística. O que mais gostava no Grêmio Estudantil é que podia matar aula à vontade e com o consentimento dos professores. Em quase toda a prova de matemática eu colava. Nas de inglês, dava cola.
Já fiquei com guri que tem namorada. Tratei muito mal quem não deveria. Entreguei trabalhos de colegas na faculdade. Não li livros que precisava. Às vezes vou na psicóloga só pra contar piada. Não devolvi CDs que me emprestaram. Já menti para médico e comprei atestado. Não acredito nas pessoas, principalmente nas boazinhas.
Experimentei maconha num retiro espiritual. Tomei chá de cogumelo num café da manhã. Não gosto de religiões e dessas convenções que só atrasam o mundo. Tenho inveja e sinto raiva. Sou orgulhosa. Até um astrólogo falou que minha combinação astral resultava numa pecadora nata. Como não acredito em pecado nunca me confessei.
Saturday, August 30, 2008
Nome Próprio
Assisti ao filme vencedor do Festival de Cinema de Gramado desde ano, o falado Nome Próprio. Um baita filme do Murilo Salles, baseado nos textos da gaúcha Clarah Averbuck e com a atriz Leandra Leal, aliás, mais que merecido o Kikito de melhor atriz, ela está excelente, virei fã, até a novela das seis assisto de vez em quando só pra vê a Elzinha.
Bem por cima, o filme conta a história da Camila, uma jovem que se muda pra São Paulo com o namorado e quer ser escritora. Bem por cima, porque o filme é muito mais que isso, é surpreendente, tem um monte de histórias e muda o tempo todo. A cada cena uma surpresa. Só o que não muda é os escritos da Camila no seu blog. Que saem da tela do computador e invadem a tela do cinema.
Ainda hoje li uma matéria que dizia que o filme está sendo tema para grandes discussões. Sobre a “geração internet”, a estética da obra, o comportamento da personagem, os textos da Clarah... Acho bacana estarem discutindo sobre o filme, que é inteligente, atual e tem uma personagem rica e intensa. O mais bacana que achei na Camila foi a falta de hipocrisia, uma verdade em ser, uma coragem de não se esconder que assusta e por isso incomoda.
A personagem passa boa parte do filme nua, principalmente quando está escrevendo. E foi isso o que mais me chamou a atenção. O blog dela era sua catarse e nessa catarse valia tudo, pedir uma moradia, explicar que não gostava de comentários sobre seus textos, curar seus porres e até falar para o namorado que ela não traiu, foi ele que chegou em casa na hora errada.
Mário Quintana já dizia que “até uma vírgula é uma confissão” e partindo do princípio que quem escreve se expõe, nada anormal a personagem aparecer nua. Para mim, a cena mais bonita do filme é quando a Camila está nua, sentada no chão e liga o computador, a única luz em cena é a do monitor que reflete não só o corpo dela, mas a pessoa. A cena muda e ela nem chega a escrever. E ali, naquele momento, nem precisava. A escritora já era o suficiente e não cabia em nenhuma história.
Bem por cima, o filme conta a história da Camila, uma jovem que se muda pra São Paulo com o namorado e quer ser escritora. Bem por cima, porque o filme é muito mais que isso, é surpreendente, tem um monte de histórias e muda o tempo todo. A cada cena uma surpresa. Só o que não muda é os escritos da Camila no seu blog. Que saem da tela do computador e invadem a tela do cinema.
Ainda hoje li uma matéria que dizia que o filme está sendo tema para grandes discussões. Sobre a “geração internet”, a estética da obra, o comportamento da personagem, os textos da Clarah... Acho bacana estarem discutindo sobre o filme, que é inteligente, atual e tem uma personagem rica e intensa. O mais bacana que achei na Camila foi a falta de hipocrisia, uma verdade em ser, uma coragem de não se esconder que assusta e por isso incomoda.
A personagem passa boa parte do filme nua, principalmente quando está escrevendo. E foi isso o que mais me chamou a atenção. O blog dela era sua catarse e nessa catarse valia tudo, pedir uma moradia, explicar que não gostava de comentários sobre seus textos, curar seus porres e até falar para o namorado que ela não traiu, foi ele que chegou em casa na hora errada.
Mário Quintana já dizia que “até uma vírgula é uma confissão” e partindo do princípio que quem escreve se expõe, nada anormal a personagem aparecer nua. Para mim, a cena mais bonita do filme é quando a Camila está nua, sentada no chão e liga o computador, a única luz em cena é a do monitor que reflete não só o corpo dela, mas a pessoa. A cena muda e ela nem chega a escrever. E ali, naquele momento, nem precisava. A escritora já era o suficiente e não cabia em nenhuma história.
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