Foram três semanas tri mal, entre espirros, tosses, gripe e febre. Os devaneios?! Ah, nunca precisei ficar doente para ficar viajando... Nesse tempo tive tempo para pensar em um monte de coisas, pois não dava para fazer nada, além de passar as tardes no msn, quando conseguia ficar com meu olho aberto e a cabeça não doía muito.
Perdi algumas coisas, o puta show do No Use for a Name, algumas manhãs de sol excelente para correr, algumas aulas, alguns dias no serviço e principalmente, perdi o ar!
E foi nessa perda de ar que eu pensava o tempo todo. Estranho essa sensação horrível de não conseguir respirar! Tá tudo ótimo até que o ar fica pesado, o nariz não dá conta e parece que por mais que tentamos engolir, literalmente, todo o ar do mundo, não dá. Falta espaço no pulmão, falta força, falta nariz e o ar some! Que loucura! Dormir então, era pior ainda, não tinha como, pois não tinha como respirar...
Apesar do ar rarefeito, mesmo sem ter mudado de altitude, latitude e longitude, deu para fazer algumas coisas... Meu TCC ganhou mais algumas folhas, escrevi um montão de coisas, olhei sessão da tarde numa quarta-feira, dormi muito (por pura falta de opção) e aprendi a nunca mais toma remédio para tosse sem ir num médico antes!
O remédio parou a tosse, mas para isso trancou todo o ar que havia nos meus pulmões. Resultado: ar não entrava porque tava tudo cheio de ar e eu não conseguia respirar, mais tosse, mais gripe e mais febre.
Teve papai me dando remédio de madrugada, mamãe fazendo bolinho para mim comer de tarde, maninho todo preocupado, chefe ligando para saber como eu estava e falando: “só volta quando ficar bem boa”, vizinha receitando chazinho, amiga deixando a balada para me fazer companhia...
E teve um textinho bobo que eu fiz numa dessas tardes de ar rarefeito, mesmo com o maior sol lá fora (eu não podia nem pensar em pegar vento)...
Percebi que as idéias não param por causa do ar, parecem que vem com mais força e essa voz que me acompanha desde sempre, que não cala a boca um minuto, que me faz escrever, que às vezes não me deixa dormir, que me faz rir sozinha no meio da rua, ficava gritando dentro de mim: “Olha que louco, tu não tá conseguindo respirar, tu pode morrer a qualquer momento e eu não falei nem um terço das coisas que tu tem que escrever! Vamos, escreve! Me põe para fora, se mostra, se mistura com o ar que falta e se confunde. Confunde os outros também, tranca o pulmão dos outros, porque eu preciso de ar”
Meu Deus, essa voz nunca perde o ar?
Friday, August 31, 2007
Tuesday, August 28, 2007
Meu amor se mudou prá lua
Linda essa música da Paula Toller!
Tudo bem, tem refrão que gruda fácil... Mas ainda assim é poética!
"Eu quis te ter como sou
Mas nem por isso ser sua..."
É isso, simples e demais!!!!!!!!
Meu amor se mudou prá lua
"Cai a tarde sobre os ombros
Da montanha onde me largo
O dia não foi!
A noite o que será?
Meus cabelos pela grama
E eu sem nem querer saber
Por onde começo
E onde vou parar?...
Na imensidão da manhã
Meu amor se mudou prá lua
Eu quis te ter como sou
Mas nem por isso ser sua...
Vou adiante como posso
Liberdade é do que gosto
O dia nasceu
Azul a sua forma
Já não quero mais ser posse
Fosse simples como fôsse
Um dia partir
Sem ganchos nem correntes...
Façamos um brinde
Façamos um brinde
À noite que já vai chegar
Façamos um brinde
Façamos um brinde
Ao vento que veio dançar..."
Tudo bem, tem refrão que gruda fácil... Mas ainda assim é poética!
"Eu quis te ter como sou
Mas nem por isso ser sua..."
É isso, simples e demais!!!!!!!!
Meu amor se mudou prá lua
"Cai a tarde sobre os ombros
Da montanha onde me largo
O dia não foi!
A noite o que será?
Meus cabelos pela grama
E eu sem nem querer saber
Por onde começo
E onde vou parar?...
Na imensidão da manhã
Meu amor se mudou prá lua
Eu quis te ter como sou
Mas nem por isso ser sua...
Vou adiante como posso
Liberdade é do que gosto
O dia nasceu
Azul a sua forma
Já não quero mais ser posse
Fosse simples como fôsse
Um dia partir
Sem ganchos nem correntes...
Façamos um brinde
Façamos um brinde
À noite que já vai chegar
Façamos um brinde
Façamos um brinde
Ao vento que veio dançar..."
Saturday, August 25, 2007
Privacidade X público
Muito se falou, na última semana, do furo de reportagem do jornal O Globo, que flagrou a troca de mensagens entre os ministros Ricardo Lewandowski e Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, numa sessão que discutia a punição para os envolvidos no mensalão.
Se discutiu a atitude do fotógrafo, se O Globo agiu certo em dar esse furo, o conteúdo das mensagens e, como sempre acontece na imprensa brasileira, esqueceu-se do mensalão. Porém, entre os jornalistas e nas salas de aulas dos cursos de comunicação, nada foi mais discutido, que a suposta invasão de privacidade.
Me pergunto que privacidade?! O STF é um órgão público, embora seja o mais fechado dos três poderes, os ministros são pessoas públicas, a sessão que estava sendo realizada era aberta ao público, o assunto, de interesse público e os computadores pertenciam ao STF, logo, de uso do poder público.
E ainda falam em privacidade?! Não há privacidade nesse caso. Aliás, onde há privacidade hoje em dia?
Se o conteúdo das mensagens fossem pessoais, talvez essa discussão fosse pertinente. Talvez se a Carmen Lúcia e Ricardo Lewandowski estivessem discutindo sobre o tempo, ou falando mal de algum outro ministro, ou combinando um jantar, ou o motel que iriam depois da sessão, ou até mesmo sobre a chatice da sessão, ou, ou, ou... Mas não!
Não era nada pessoal, embora o voto seja secreto, o conteúdo das mensagens era de interesse público. Se eles estavam combinando os votos, paciência, quem nunca combinou votos?
Isso pode ser furo de reportagem, oportunismo do fotógrafo, armação da globo, sorte de O Globo, azar da Folha de São Paulo, artimanha para tirar a atenção do fato principal... Qualquer coisa, menos invasão de privacidade!
Tuesday, August 14, 2007
E agora?
...aconteceu!
Não podia me envolver, não queria me apegar, não era para criar expectativas. E sempre deu para perceber que você também não queria se envolver e se apegar. Tudo tranqüilo, só curtição... Confesso que não queria. Ah, sei lá, nunca fui de ficar, mas porquê não, se é só curtição? E também porque sempre pensava que seria só mais uma vez.
Você não se envolveu e não se apegou como tinha que ser, mas eu me apeguei e me envolvi e agora eu tenho que fazer de conta que estou ótima e que era só curtição. E era. Até perceber que o motivo para eu deixar o meu celular sempre ligado era você. E uma possível ligação, uma possível mensagem que sempre fica perdida na possibilidade de poder acontecer, até ter o peso da certeza de que não aconteceu.
Dói? Não muito. De uma certa maneira é uma dor conhecida, então e só tratar e esperar o tempo passar e a dor passar com ele. Embora nunca acredite nessa história que o tempo cura tudo, pois não cura nada, apenas deixa de ser o foco. Arrumo outra coisa para fazer, trabalho bastante, penso no meu tcc, ensaio e pesquiso a dança do ventre por horas a fio, leio muito, escrevo mais ainda... Até me dar conta que o tempo passou, o que dura uma fração de segundos, até cair na real e perceber que, na verdade, se passaram poucos minutos. E que não consigo fazer nada porque não consigo me concentrar.
Penso que controlo o meu pensamento e, consigo por instantes, fico feliz, até o pensamento me lembrar você e ficar rindo da minha ingenuidade de achar que posso com o tal inconsciente. Pior é agüentar o diabinho que fica sobre o meu ombro rindo da minha cara, como se falasse: “Viu boba, de novo! Não vai chorar, né? Tu sabe que a culpa é só tua, quem mandou deixar?” Como num desenho animado, que no fundo nunca anima nada.
Outro dia me falaram que gripe é a doença dos carentes. A gripe seria uma maneira do inconsciente (sempre, ele!) pedir atenção. Estranho, estou gripada há três semanas. E acho que não há remédio e chazinho que vá me curar. Tô quase perdendo o nariz, trocando de pulmão e implorando para o papai do céu um coração novo, imune a paixonites agudas.
Você é tão diferente, que eu não consigo acreditar que às vezes fico triste porque gosto disso. Como não acredito no que estou escrevendo. A possibilidade de você chegar a ler me assusta. Ficaria com vergonha, mesmo sabendo que vergonha dá e passa. Mas a culpa é minha e eu sabia que não devia. Não há espaço e nem possibilidade. Eu, que sempre perco tudo, me perdi.
Não era para acontecer, mas...
Não podia me envolver, não queria me apegar, não era para criar expectativas. E sempre deu para perceber que você também não queria se envolver e se apegar. Tudo tranqüilo, só curtição... Confesso que não queria. Ah, sei lá, nunca fui de ficar, mas porquê não, se é só curtição? E também porque sempre pensava que seria só mais uma vez.
Você não se envolveu e não se apegou como tinha que ser, mas eu me apeguei e me envolvi e agora eu tenho que fazer de conta que estou ótima e que era só curtição. E era. Até perceber que o motivo para eu deixar o meu celular sempre ligado era você. E uma possível ligação, uma possível mensagem que sempre fica perdida na possibilidade de poder acontecer, até ter o peso da certeza de que não aconteceu.
Dói? Não muito. De uma certa maneira é uma dor conhecida, então e só tratar e esperar o tempo passar e a dor passar com ele. Embora nunca acredite nessa história que o tempo cura tudo, pois não cura nada, apenas deixa de ser o foco. Arrumo outra coisa para fazer, trabalho bastante, penso no meu tcc, ensaio e pesquiso a dança do ventre por horas a fio, leio muito, escrevo mais ainda... Até me dar conta que o tempo passou, o que dura uma fração de segundos, até cair na real e perceber que, na verdade, se passaram poucos minutos. E que não consigo fazer nada porque não consigo me concentrar.
Penso que controlo o meu pensamento e, consigo por instantes, fico feliz, até o pensamento me lembrar você e ficar rindo da minha ingenuidade de achar que posso com o tal inconsciente. Pior é agüentar o diabinho que fica sobre o meu ombro rindo da minha cara, como se falasse: “Viu boba, de novo! Não vai chorar, né? Tu sabe que a culpa é só tua, quem mandou deixar?” Como num desenho animado, que no fundo nunca anima nada.
Outro dia me falaram que gripe é a doença dos carentes. A gripe seria uma maneira do inconsciente (sempre, ele!) pedir atenção. Estranho, estou gripada há três semanas. E acho que não há remédio e chazinho que vá me curar. Tô quase perdendo o nariz, trocando de pulmão e implorando para o papai do céu um coração novo, imune a paixonites agudas.
Você é tão diferente, que eu não consigo acreditar que às vezes fico triste porque gosto disso. Como não acredito no que estou escrevendo. A possibilidade de você chegar a ler me assusta. Ficaria com vergonha, mesmo sabendo que vergonha dá e passa. Mas a culpa é minha e eu sabia que não devia. Não há espaço e nem possibilidade. Eu, que sempre perco tudo, me perdi.
Não era para acontecer, mas...
Saturday, August 04, 2007
Entre liberdade e responsabilidade...
“Essa é a Rê, que tem a família que a gente pediu a Deus. Ela já nasceu podendo levar namorado pra casa e fumar maconha...” Foi assim, exatamente assim, que uma amiga me apresentou para uma pessoa. Na hora não liguei, mas depois fiquei pensando nisso...
Minha amiga, que fuma maconha e dorme escondido na casa do namorado, não exagerou em nada. Realmente, eu, meu irmão e a grande maioria dos meus primos sempre tivemos liberdade para tudo, até para fazer o que deve.
O mais engraçado é que eu sempre usei pouco essa liberdade toda. Nunca namorei, e mais, conto nos dedos quantas bocas eu beijei (e não chego a completar meus dez dedos)! Maconha? Só uma vez, pra vê qual era. Cigarro? Nunquinha! Algum outro tipo de droga? Raramente e por pura curiosidade! Nunca fiz um terço do que minhas amigas fazem e sim, sempre tive mais liberdade que a maioria.
Eu tava com 12 anos quando cheguei em casa com uma baita preocupação. Depois de encontrar uma colega de aula chorando porque seu pai não a deixava namorar, me caiu a ficha: e eu? Perguntei para o meu pai que me olhou e disse: “Com a idade que quiser. É só ter juízo”. No outro dia, minhas colegas não acreditaram e passaram a adorar meu pai. Até hoje é assim. Quando alguém precisa mentir para dormir com o namorado (tenho amigas de 24 anos que fazem isso!!!!!!!!), falam que estão aqui em casa.
Sempre sai e nunca tive hora para voltar. Quando quis fazer tatuagem, com 14 anos, ouvi meu pai, que nunca gostou de tatuagens, dizer: “Tu sabe que é para sempre, não sabe?” O primeiro piercing foi presente de Natal, com 12. Meu irmão, que tem 10 tatuagens, oito piercings e um moicano de 40 centímetros nunca vai deixar de ser o neném da família. Se quiser largar o emprego para passar o verão na praia ou em alguma comunidade maluca que existe pelo litoral de Santa Catarina, ninguém vai pirar.
Shows do Kiss, Deep Purple, NOFX, Roger Water, Bad Religion e Eric Clapton sempre foram programas de família. Minha mãe sabe toda a programação da Ipanema e a diferença entre um punk rock e um hardcore e meu pai sempre soube, e disse, que proibir era pior. Tenho tio que parece que nunca saiu da década de 60. Primas que hoje são excelentes mães de família e já tem 30 anos, eram punks e entraram no camarim dos Ramones (que inveja!)
Se a teoria do meu pai é certa, não sei. Sei que resultou em dois filhos tri responsáveis. Meu irmão é o punk mais família que eu conheço! E o melhor, com cabeças abertas, amigos de todos os tipos e com um excelente gosto musical. Por que eu sempre aprendi que junto com a liberdade vem responsabilidade. Meus pais nunca foram menos pais porque raramente me disseram não. Fizeram melhor, me ensinaram que eu sou responsável por qualquer escolha.
Sim, eu posso trazer namorado para dormir em casa, fumar maconha e tudo o que quiser, desde que eu tenha juízo! E isso me deram junto com a liberdade.
Minha amiga, que fuma maconha e dorme escondido na casa do namorado, não exagerou em nada. Realmente, eu, meu irmão e a grande maioria dos meus primos sempre tivemos liberdade para tudo, até para fazer o que deve.
O mais engraçado é que eu sempre usei pouco essa liberdade toda. Nunca namorei, e mais, conto nos dedos quantas bocas eu beijei (e não chego a completar meus dez dedos)! Maconha? Só uma vez, pra vê qual era. Cigarro? Nunquinha! Algum outro tipo de droga? Raramente e por pura curiosidade! Nunca fiz um terço do que minhas amigas fazem e sim, sempre tive mais liberdade que a maioria.
Eu tava com 12 anos quando cheguei em casa com uma baita preocupação. Depois de encontrar uma colega de aula chorando porque seu pai não a deixava namorar, me caiu a ficha: e eu? Perguntei para o meu pai que me olhou e disse: “Com a idade que quiser. É só ter juízo”. No outro dia, minhas colegas não acreditaram e passaram a adorar meu pai. Até hoje é assim. Quando alguém precisa mentir para dormir com o namorado (tenho amigas de 24 anos que fazem isso!!!!!!!!), falam que estão aqui em casa.
Sempre sai e nunca tive hora para voltar. Quando quis fazer tatuagem, com 14 anos, ouvi meu pai, que nunca gostou de tatuagens, dizer: “Tu sabe que é para sempre, não sabe?” O primeiro piercing foi presente de Natal, com 12. Meu irmão, que tem 10 tatuagens, oito piercings e um moicano de 40 centímetros nunca vai deixar de ser o neném da família. Se quiser largar o emprego para passar o verão na praia ou em alguma comunidade maluca que existe pelo litoral de Santa Catarina, ninguém vai pirar.
Shows do Kiss, Deep Purple, NOFX, Roger Water, Bad Religion e Eric Clapton sempre foram programas de família. Minha mãe sabe toda a programação da Ipanema e a diferença entre um punk rock e um hardcore e meu pai sempre soube, e disse, que proibir era pior. Tenho tio que parece que nunca saiu da década de 60. Primas que hoje são excelentes mães de família e já tem 30 anos, eram punks e entraram no camarim dos Ramones (que inveja!)
Se a teoria do meu pai é certa, não sei. Sei que resultou em dois filhos tri responsáveis. Meu irmão é o punk mais família que eu conheço! E o melhor, com cabeças abertas, amigos de todos os tipos e com um excelente gosto musical. Por que eu sempre aprendi que junto com a liberdade vem responsabilidade. Meus pais nunca foram menos pais porque raramente me disseram não. Fizeram melhor, me ensinaram que eu sou responsável por qualquer escolha.
Sim, eu posso trazer namorado para dormir em casa, fumar maconha e tudo o que quiser, desde que eu tenha juízo! E isso me deram junto com a liberdade.
Tuesday, July 31, 2007
Meus nomes
Nunca gostei dessa história de ter nome composto!
Pô, Renata Valquíria!!!!!!!!! É muito ruim...
Mas sente os significados:
Renata: renascida (até que tem haver...)
E num momento-nada-para-fazer-vadiando-na-internet eis que descubro:
Valquíria: guerreira de extrema beleza!
Hahahahaha, sério!
Pô, Renata Valquíria!!!!!!!!! É muito ruim...
Mas sente os significados:
Renata: renascida (até que tem haver...)
E num momento-nada-para-fazer-vadiando-na-internet eis que descubro:
Valquíria: guerreira de extrema beleza!
Hahahahaha, sério!
Saturday, July 28, 2007
Por agora, fugi do divã!
O telefone tocou às 7h40 de uma quinta-feira que eu não iria trabalhar, portanto ficaria na cama a manhã toda! Até o celular, que estava carregando a bateria na tomada mais distante da minha cama, me tirar do glorioso e fantástico mundo dos sonhos. Eu levanto com frio, morrendo de frio na verdade, e me odiando por ter deixado esse supérfluo indispensável ligado!
Eis que ouço a voz fofa da minha EX-psicóloga (por que será que toda pessoa gorda tem a voz fofa?) me perguntando se eu me dei alta?
Às 7h40 de uma manhã gelada, eu, que sou louca o suficiente pra dormir só de calcinha até com temperaturas abaixo de zero, procuro algo para tocar na parede e numa fração de segundos lembro o destino das webcams que já tive e de muitos porta-retratos. Então, respiro fundo e respondo calmamente que sim, me dei alta! Me fazer de louca pra uma psicóloga, seria burrice!
Eu estou mais calma, não lembro qual foi a última vez que chorei sem motivo, não quebro mais as coisas cada vez que fico irritada, estou tentando ser uma pessoa mais doce e simpática com todos. Você falou tanto que eu sou anti-social que estou quase acreditando.
Sei que é feio reclamar da vida e é quase um pecado não ser feliz. Eu sei que quando cheguei até você, pensava que me matar era uma excelente saída. Mas eu mudei! Hoje eu acho que a melhor, e única, saída para tudo é cair um meteoro e matar todos de uma vez, inclusive as baratas! Veja só, deixei até de ser individualista! Pensando bem... Deixa as baratas, ter que fugir delas no além também, não dá, como eu descansaria em paz?
Confesso que continuo odiando certas convenções, ainda não superei a preguiça que tenho pra pegar um carro e encarar essa selva de quatro rodas que é o trânsito, o medo imenso que eu tenho de me apaixonar, seja por um príncipe encantado, um sapo ou rapaz de carne e osso só aumentou, escrevo, escrevo e escrevo vorazmente e acho que só produzo lixo, minhas dúvidas em relação às religiões também são as mesmas e minha impressão que fazer análise é super legal, principalmente para quem é metido a intelectualóide e acha que tem um certo charme na tristeza, ainda é esta.
Por que me dei alta? Ah, abandonar a terapia é ainda mais legal que fazer, mais cult! Tira férias de mim e das minhas neuras. Um dia eu volto, carregando toda a tristeza, toda a solidão e a angústia que uma moça que não tem nenhum motivo pra reclamar da vida, pode ter.
Claro que depois de dois anos cuidando da mente, já sei falar o que uma psicóloga quer ouvi. Portanto não falei nada disso, apenas expliquei gentilmente e calmamente que resolvi andar por conta própria. Minha EX-psicóloga me deu parabéns e me desejou sorte e eu, até fingi uma certa emoção.
Depois que a Doutora desligou voltei para a cama tendo a certeza que o mundo me odeia, por me fazer ter calma, pensar e ainda interpretar às 7h40, numa temperatura de 4º C, com sono e só de calcinha... Não, não sou neurótica, mas querem prova maior que o mundo me odeia? Que esse meteoro caia de uma vez!
Eis que ouço a voz fofa da minha EX-psicóloga (por que será que toda pessoa gorda tem a voz fofa?) me perguntando se eu me dei alta?
Às 7h40 de uma manhã gelada, eu, que sou louca o suficiente pra dormir só de calcinha até com temperaturas abaixo de zero, procuro algo para tocar na parede e numa fração de segundos lembro o destino das webcams que já tive e de muitos porta-retratos. Então, respiro fundo e respondo calmamente que sim, me dei alta! Me fazer de louca pra uma psicóloga, seria burrice!
Eu estou mais calma, não lembro qual foi a última vez que chorei sem motivo, não quebro mais as coisas cada vez que fico irritada, estou tentando ser uma pessoa mais doce e simpática com todos. Você falou tanto que eu sou anti-social que estou quase acreditando.
Sei que é feio reclamar da vida e é quase um pecado não ser feliz. Eu sei que quando cheguei até você, pensava que me matar era uma excelente saída. Mas eu mudei! Hoje eu acho que a melhor, e única, saída para tudo é cair um meteoro e matar todos de uma vez, inclusive as baratas! Veja só, deixei até de ser individualista! Pensando bem... Deixa as baratas, ter que fugir delas no além também, não dá, como eu descansaria em paz?
Confesso que continuo odiando certas convenções, ainda não superei a preguiça que tenho pra pegar um carro e encarar essa selva de quatro rodas que é o trânsito, o medo imenso que eu tenho de me apaixonar, seja por um príncipe encantado, um sapo ou rapaz de carne e osso só aumentou, escrevo, escrevo e escrevo vorazmente e acho que só produzo lixo, minhas dúvidas em relação às religiões também são as mesmas e minha impressão que fazer análise é super legal, principalmente para quem é metido a intelectualóide e acha que tem um certo charme na tristeza, ainda é esta.
Por que me dei alta? Ah, abandonar a terapia é ainda mais legal que fazer, mais cult! Tira férias de mim e das minhas neuras. Um dia eu volto, carregando toda a tristeza, toda a solidão e a angústia que uma moça que não tem nenhum motivo pra reclamar da vida, pode ter.
Claro que depois de dois anos cuidando da mente, já sei falar o que uma psicóloga quer ouvi. Portanto não falei nada disso, apenas expliquei gentilmente e calmamente que resolvi andar por conta própria. Minha EX-psicóloga me deu parabéns e me desejou sorte e eu, até fingi uma certa emoção.
Depois que a Doutora desligou voltei para a cama tendo a certeza que o mundo me odeia, por me fazer ter calma, pensar e ainda interpretar às 7h40, numa temperatura de 4º C, com sono e só de calcinha... Não, não sou neurótica, mas querem prova maior que o mundo me odeia? Que esse meteoro caia de uma vez!
Sunday, July 22, 2007
Você não gosta das minhas tatuagens...
Mas fez questão de frisar: “É a ÚNICA coisa que eu não gosto em você. É que você é tão delicada que não combina, sabe?” Eu fiquei quieta, na verdade, não importa se você gosta ou não das minhas tatuagens. Meu pai também não gosta e isso nunca me importou. E eu gosto muito mais do meu pai do que de você.
A graça toda é você afirmar que algumas cores no meu corpo é a ÚNICA coisa que não gosta. Tenho certeza que essa é apenas uma das coisas que você não gosta em mim, mas talvez a ÚNICA que tenha coragem de falar.
Vamos lá: o meu silêncio te irrita, minha sinceridade e meu senso de humor então... Quando pergunto com a maior calma, e ironia, do mundo: “Tua namorada sabe que você está comigo? Por que você não fala? Não rola sinceridade entre vocês?” Sei que deixo você p... da cara, mas é pura preocupação, juro!
A maneira como me exponho quando escrevo, não te agrada. Você não entende como posso ser vegetariana, espírita e às vezes duvidar de Deus. E verbalizar todas essas minhas dúvidas que chocam teu moralismo católico. Ah, tu sabe que eu fui expulsa até da catequese. Ainda bem, porque sempre pensei que religião tem que nos libertar e não aprisionar. As propostas pedagógicas das escolas, eu nunca me adaptei, trabalhar 8h por dia, bater cartão, como se produtividade tivesse hora, tô fora.
Você me acha criança e irresponsável. Eu quero viver, só isso. Não vejo problema em pedir demissão pra ir curtir o verão, eu faço isso porque sei que emprego a gente arruma outro, e muito melhor. Não tenho medo de arriscar. E isso te assusta.
Tudo em mim te incomoda! As músicas barulhentas que eu escuto, os livros sem-vergonha que gosto de ler, minha mania de dormir tarde e de trocar qualquer refeição por um monte de chocolate. Você gosta que eu dance, né? Mas não para os outros, afinal dança do ventre é muito sensual pra dançar em cima de um palco, agora, dentro de quatro paredes, tudo bem. Só que eu adoro um palco e mais, amo os aplausos e a reação que a dança provoca nas pessoas!
Como uma drogada em fase de recuperação, ainda tenho algumas recaídas. Fico com você, mesmo sabendo da tua namorada, do teu moralismo que nunca vai permitir que você goste de uma maluca que entra em roda em punk e que você não gosta das minhas tatuagens. Só delas.
Eu respiro fundo, faço cara de boa moça e finjo que acredito. Depois eu encaro o vazio que fica e dou risada. Mesmo você achando que a minha gargalhada é espalhafatosa demais.
A graça toda é você afirmar que algumas cores no meu corpo é a ÚNICA coisa que não gosta. Tenho certeza que essa é apenas uma das coisas que você não gosta em mim, mas talvez a ÚNICA que tenha coragem de falar.
Vamos lá: o meu silêncio te irrita, minha sinceridade e meu senso de humor então... Quando pergunto com a maior calma, e ironia, do mundo: “Tua namorada sabe que você está comigo? Por que você não fala? Não rola sinceridade entre vocês?” Sei que deixo você p... da cara, mas é pura preocupação, juro!
A maneira como me exponho quando escrevo, não te agrada. Você não entende como posso ser vegetariana, espírita e às vezes duvidar de Deus. E verbalizar todas essas minhas dúvidas que chocam teu moralismo católico. Ah, tu sabe que eu fui expulsa até da catequese. Ainda bem, porque sempre pensei que religião tem que nos libertar e não aprisionar. As propostas pedagógicas das escolas, eu nunca me adaptei, trabalhar 8h por dia, bater cartão, como se produtividade tivesse hora, tô fora.
Você me acha criança e irresponsável. Eu quero viver, só isso. Não vejo problema em pedir demissão pra ir curtir o verão, eu faço isso porque sei que emprego a gente arruma outro, e muito melhor. Não tenho medo de arriscar. E isso te assusta.
Tudo em mim te incomoda! As músicas barulhentas que eu escuto, os livros sem-vergonha que gosto de ler, minha mania de dormir tarde e de trocar qualquer refeição por um monte de chocolate. Você gosta que eu dance, né? Mas não para os outros, afinal dança do ventre é muito sensual pra dançar em cima de um palco, agora, dentro de quatro paredes, tudo bem. Só que eu adoro um palco e mais, amo os aplausos e a reação que a dança provoca nas pessoas!
Como uma drogada em fase de recuperação, ainda tenho algumas recaídas. Fico com você, mesmo sabendo da tua namorada, do teu moralismo que nunca vai permitir que você goste de uma maluca que entra em roda em punk e que você não gosta das minhas tatuagens. Só delas.
Eu respiro fundo, faço cara de boa moça e finjo que acredito. Depois eu encaro o vazio que fica e dou risada. Mesmo você achando que a minha gargalhada é espalhafatosa demais.
Sunday, July 08, 2007
À espera do carteiro

"A cada abertura da caixa de Correios, um sorriso. Como era bom sempre ter alguém que tirou um tempo para lhe escrever. Cartas se tornaram raras, sentimentos bons em alguns corações, não. Apesar das cobranças representarem a maior parte das entregas, carteiros continuam, diariamente, levando correspondências pessoais para algumas residências. Há, ainda, quem sinta prazer em escrever a próprio punho, remeter um cartão postal da cidade, enfim, levar suas energias através de um papel. Os motivos são variados, mas, em quase 100% dos casos, positivos. O remetente, o destinatário, o carteiro. Todos têm histórias para contar..."
Show o lançamento do documentário "Á espera do carteiro", dia 06 de junho no mini-auditório Érico Veríssimo, na Unisinos.
Nossas fontes, Elô, Daniel e o carteiro Oriovaldo estiveram presente.
Foi muito bom ver o resultado de meses de trabalho e planejamento. Produzir um documentário é mágico, nos sentimos "fadas madrinhas", pois transformamos em imagens coisas que imaginamos. É incrível ver nossas idéias tomando formas!
Até que enfim nosso carteiro chegou e trouxe um belo documentário!
A foto foi tirada no dia 19 de maio em Santo Antônio da Patrulha, depois das gravações na casa do Daniel Vila Verde. Estávamos saindo da Casa da Colônia, onde passamos para fazer as devidas compras: rapaduras, sonhos, cachaças, pães, mel...
A incrível equipe
Roteiro: Aline Ebert
Imagens: Pedro Farias
Assistente: Lucas Barroso
Montagem: Edi Silva
Finalização: Edi Silva e Thiago Silva
Produção: Ana Paula Santos, Guilherme Ferreira, Renata Machado e Rogério Tons
Decupagem: Tobias Jung
Direção e Edição de imagens: Aline Ebert e Ernani Luis Kunst
Trilha Sonora: Camila Mazzini e Fábio Sidrack
Supervisão técnica: Edison Steffanello
Supervisão geral: Profª Luiza Carravetta
Motoristas: Fábio Oliveira da Silva e Sérgio Luiz Luz
Trilha pesquisada:
Maracanã - Luisa Mandou um Beijo
E.C.T - Nando Reis
Mande nem que seja um telegrama - Odair José
Post-modern democracy - Juicemen
Escreva logo - Renato e seus Blue Caps
Um abraço e um agradecimento especial para a professora Luiza Carravetta, que sabe ser humana, no sentido mais literal que essa palavra possa ter!
Thursday, July 05, 2007
O convite
Sunday, July 01, 2007
Seres, mas não humanos!
Mesmo sendo jornalista e escrevendo sobre fatos desprezíveis todos os dias, nunca fiz dos meus blogs um muro de lamentação. Se na minha profissão tenho que ser exata, imparcial e concisa; aqui, tenho apenas que ser e sou livre, subjetiva, escrevo coisas sem nenhuma relevância para os outros. Os fatos, as notícias diárias eu deixo nas redações. Aqui eu deixo meus devaneios. Crio um outro mundo porque não gosto desse que vejo por aí!
Mas devido aos últimos acontecimentos, não dá. Vou misturar a realidade podre que vivemos e o meu mosaico de reflexos. Não como jornalista, mas como cidadã que se indigna com o que lê nos jornais (embora tenha aprendido que notícia ruim vende mais!)Até nós, os urubus da imprensa, nos decepcionamos com o que somos obrigados a informar.
Na madrugada de sábado, dia 23 de junho, a empregada doméstica Sirlei Dias de Carvalho Pinto, 32 anos, foi brutalmente agredida por cinco jovens, de classe média alta, num ponto de ônibus do Rio de Janeiro!!!!!!!!!!!!!!!
Na segunda-feira, dia 25, o muro de um bar na Avenida João Pessoa, em frente à Faculdade de Direito da universidade, em Porto Alegre, foi pichado com a frase “Negro só se for na Cozinha do R.U., cotas não!". No mesmo local, foi pintada uma cruz suástica, símbolo do nazismo. Já na Rua Sarmento Leite, uma calçada foi pintada com a frase "Voltem para a Senzala". Tudo porque a entidade estava discutindo a implantação de cotas sociais no processo seletivo!!!!!!!!!!
Após a final da Libertadores da América, entre Grêmio e Boca Juniors, o colorado Emersom Luis Marques Goulart, de 31 anos, foi espancado por um grupo de pessoas que assistiam à partida num bar no centro de Dom Pedrito, no RS!!!!!!!!!!!!!!!!!
Há duas semanas, uma audiência judicial foi suspensa no Paraná por um motivo inusitado. O juiz Bento Luiz de Azambuja Moreira, da 3.a Vara do Trabalho de Cascavel, suspendeu a audiência porque o trabalhador rural Joanir Pereira calçava chinelos, único calçado que possuía!!!!!!!!!!!!!!
Como todo mundo, fiquei indignada com essas notícias. O que leva cinco jovens a espancarem alguém? Por que o preconceito ainda existe em lugares que deveriam ser moradas para a liberdade e igualdade? Matar um torcedor do time rival, pra quê? O que determina que um sapato é melhor que um chinelo?
Infelizmente, não sei as respostas, talvez ninguém saiba. Sei que isso me revolta e me indigna. Que mundo é esse que nos mesmos criamos, que banalizamos tudo? Não questionamos nada porque tudo acaba em pizza mesmo. Aceitamos e aceitamos, nem pensamos porque temos coisas mais importantes para pensar... Afinal, por que o namoro do Alemão e da Siri acabou?
Herbert Marcuse estava certo quando afirmava que somos apenas homens unidimensionais e justamente por isso não ampliamos nossas dimensões! Quando nos deparamos com comportamentos tão medíocres como esses sentimos vergonha, é difícil encarar o lixo que nos tornamos. Sim, todos nós, farinha do mesmo saco, seres humanos que há muito desconhecem o significado da palavra humano!
Mas devido aos últimos acontecimentos, não dá. Vou misturar a realidade podre que vivemos e o meu mosaico de reflexos. Não como jornalista, mas como cidadã que se indigna com o que lê nos jornais (embora tenha aprendido que notícia ruim vende mais!)Até nós, os urubus da imprensa, nos decepcionamos com o que somos obrigados a informar.
Na madrugada de sábado, dia 23 de junho, a empregada doméstica Sirlei Dias de Carvalho Pinto, 32 anos, foi brutalmente agredida por cinco jovens, de classe média alta, num ponto de ônibus do Rio de Janeiro!!!!!!!!!!!!!!!
Na segunda-feira, dia 25, o muro de um bar na Avenida João Pessoa, em frente à Faculdade de Direito da universidade, em Porto Alegre, foi pichado com a frase “Negro só se for na Cozinha do R.U., cotas não!". No mesmo local, foi pintada uma cruz suástica, símbolo do nazismo. Já na Rua Sarmento Leite, uma calçada foi pintada com a frase "Voltem para a Senzala". Tudo porque a entidade estava discutindo a implantação de cotas sociais no processo seletivo!!!!!!!!!!
Após a final da Libertadores da América, entre Grêmio e Boca Juniors, o colorado Emersom Luis Marques Goulart, de 31 anos, foi espancado por um grupo de pessoas que assistiam à partida num bar no centro de Dom Pedrito, no RS!!!!!!!!!!!!!!!!!
Há duas semanas, uma audiência judicial foi suspensa no Paraná por um motivo inusitado. O juiz Bento Luiz de Azambuja Moreira, da 3.a Vara do Trabalho de Cascavel, suspendeu a audiência porque o trabalhador rural Joanir Pereira calçava chinelos, único calçado que possuía!!!!!!!!!!!!!!
Como todo mundo, fiquei indignada com essas notícias. O que leva cinco jovens a espancarem alguém? Por que o preconceito ainda existe em lugares que deveriam ser moradas para a liberdade e igualdade? Matar um torcedor do time rival, pra quê? O que determina que um sapato é melhor que um chinelo?
Infelizmente, não sei as respostas, talvez ninguém saiba. Sei que isso me revolta e me indigna. Que mundo é esse que nos mesmos criamos, que banalizamos tudo? Não questionamos nada porque tudo acaba em pizza mesmo. Aceitamos e aceitamos, nem pensamos porque temos coisas mais importantes para pensar... Afinal, por que o namoro do Alemão e da Siri acabou?
Herbert Marcuse estava certo quando afirmava que somos apenas homens unidimensionais e justamente por isso não ampliamos nossas dimensões! Quando nos deparamos com comportamentos tão medíocres como esses sentimos vergonha, é difícil encarar o lixo que nos tornamos. Sim, todos nós, farinha do mesmo saco, seres humanos que há muito desconhecem o significado da palavra humano!
Saturday, June 30, 2007
Cores diferentes, beleza igual
Reportagem feita por mim e pela querida amiga Ana Carolina Rodrigues para a revista Primeira Impressão, da Unisinos, lançada no dia 29 de junho de 2007. O tema da revista é "Contrastes". A nossa pauta, sobre Loiras X morenas.
Sansão era um homem de força descomunal, que derrotou exércitos inteiros, cujo segredo estava em seus longos cabelos. Apaixonado, ele sucumbe aos carinhos de Dalila, que o trai. Dalila corta as madeixas do guerreiro enquanto ele dorme e o faz perder todo seu poder. Ao contrário dessa lenda, os cabelos não são geradores de força, pois são formados por um tecido morto, de uma proteína chamada queratina, a única função é aquecer e proteger a cabeça do sol. Mas é incontestável o poder que concedemos aos fios que cobrem nossas cabeças.
Os cabelos contribuem para uma imagem clássica ou radical, podendo ser repletos de significados, como, conceitos de ousadia, juventude, liberdade, sedução e poder. Pintar os cabelos de acordo com os próprios desejos é uma maneira de deixar transparecer a identidade, revelando o que a pessoa almeja transmitir com a coloração escolhida. Ao longo da história, algumas mulheres se tornaram referência pela cor de suas madeixas. Na década de 40, o mundo viu surgir o furacão loiro chamado Marilyn Monroe, que, após trabalhar como modelo, estrelou vários filmes, inclusive o sugestivo “Os homens preferem as loiras”, de 1953. A estrela platinada morreu no dia 8 de agosto de 1962 e ainda hoje seu nome representa um sinônimo de beleza, sensualidade e glamour. Já na década de 50, do outro lado do atlântico, o mundo conhecia a bela morena italiana Sophia Loren, uma das maiores atrizes que o cinema já teve. Com mais de 70 anos, a estrela sempre é referência quando se fala em morenas bem sucedidas. A mídia continua dividindo suas beldades entre loiras e morenas. O Brasil, em 1969, conheceu a brejeirice da morena Sônia Braga, mesmo ano que a platinada Vera Fischer conquistava o título de Miss Brasil. Ambas as atrizes são, ainda hoje, ícones da beleza brasileira.
Num país onde a grande maioria das mulheres nasce morena, as gaúchas são consideradas as mais belas do país, tanto que na maior parte dos eventos de beleza, como concursos de misses, as gaúchas acabam, no mínimo entre as finalistas. Vale ressaltar que no Rio Grande do Sul, devido à colonização germânica, é fácil encontrar loiras naturais. A modelo e estudante de jornalismo Carolina Tremarin, 19 anos, de São Leopoldo, se orgulha de seus longos cabelos loiros naturais e costuma fazer luzes para clarear ainda mais os fios. “No inverno, escureço dois tons, mas não deixo de ser loira”, explica. Carolina acredita que o fato de ser loira colaborou para iniciar sua carreira de modelo, há dois anos e meio, mas não foi o mais importante: “Foi todo o conjunto”. A modelo não esconde sua opinião sobre as brincadeiras que agridem as mulheres por causa da cor do cabelo: “É um absurdo!” Esse preconceito ou brincadeira, certamente se intensificou quando Gabriel, O Pensador lançou a música Loraburra, em 1993. Para ela, grande parte dessas piadas é provocada pelas próprias loiras famosas. “As celebridades loiras de hoje não são referência para ninguém!”
O gosto pela cor natural
Para a estudante do 3º semestre do curso de Moda da Feevale, Valentina Mussillo Baich, morena, 18 anos, a cor natural de seus cabelos “é tudo”. Ela diz que no mercado da moda há muita variedade de tonalidades nos cabelos, mas sua opinião é que quanto mais natural for à cor do cabelo melhor, pois quando o assunto é a diferença entre as mulheres loiras e morenas, tudo deve ser pensado. “Os especialistas pensam em tudo antes de mudar a tonalidade do cabelo de uma modelo ou cortá-lo. Acredito que é muito difícil uma mulher que é oriental ou negra ficar bem ao pintar o cabelo com uma tonalidade de loiro forte.” afirma. A morena que defende a cor de seu cabelo salienta que gosta muito das mulheres loiras e admite que elas fazem muito sucesso no país. Conforme Valentina quando o quesito é a atenção dos homens, a loira chama muito mais atenção do que a morena. Para ela, o estereotipo de mulher loira é raro e essa raridade é que atrai os homens. “O Brasil é um país dominado pelas morenas. A mulher loira, olhos azuis chama atenção dos homens por ela ser rara aqui. Se colocarmos uma mulher morena ou negra em países típicos de loiras, as morenas serão a sensação”.
Valentina não acredita muito que exista rivalidade entre loiras e morenas, para ela, são apenas brincadeiras e que o importante é a mulher se sentir bem. Sobre as exigências nas passarelas da moda, Valentina afirma que a grande característica da modelo está relacionada com a diferença e modelagem que os profissionais fazem com elas. “É muito melhor trabalhar com uma modelo crua, ou seja, que não tenha muitas pinturas no cabelo. O principal é que ela priorize a cor natural.”
A beleza de cada cor
Para o fotógrafo Marcos Pereira, 33 anos, que trabalha na área desde o ano de 2002, a ocasião determina quem faz mais sucesso. “Trabalho no carnaval de Porto Alegre e Canoas. As morenas e, principalmente as mulatas, fazem a alegria dos foliões”, explica. O profissional acredita que as morenas têm o corpo mais desenvolvido e escultural, por isso brilham mais na avenida do samba. Já nas passarelas, as modelos mais procuradas, segundo Oliveira, são as loiras, por terem mais o biotipo e magreza que esse mercado exige. “Toda mulher é bela, seja ela negra, loira ou morena. O que eu priorizo quando estou tirando fotos é o carisma de cada uma”, finaliza.
Michele Rodrigues, 28 anos de São Leopoldo, é proprietária do salão de beleza Cor e Corte, localizado no campus da Unisinos. Michele nasceu com o cabelo castanho. Aos 15 decidiu ser loira e começou a clarear os cabelos. “Já fui loira, branca! Tinha que pintar meu cabelo uma semana sim, outra não”, lembra. Após 13 anos, loiríssima, como se definiu, em abril de 2007, ela resolveu escurecer suas madeixas. “Estava enjoada!” Michele pintou o cabelo de castanho e garante que muitas pessoas acharam. Para ela, os outros estranham porque é mais comum uma mulher querer ser loira: “Aqui no salão, de cada dez meninas, 7 querem clarear os fios.” A empresária lembra que as loiras precisam ter um cuidado constante com seus cabelos, principalmente, retocar a raiz, já as morenas, muitas vezes são naturais e não precisam se preocupar tanto.
Nos anos que foi loira, Michele afirma que ouviu inúmeras piadinhas e brincadeiras, mas nunca levou a sério nenhuma. No mesmo dia que escureceu os cabelos, ela viu duas loiras no estacionamento da Unisinos, procurando o cartão para liberar a cancela do portão. “Na hora que passei pelo guarda falei: ‘Só podiam ser loiras.’ Já tava me sentindo morena”, conta aos risos. Michele, que já viveu os dois lados da moeda, não sabe afirmar qual faz mais sucesso. “Acho que depende muito do homem”. Ela afirma que vai permanecer mais um tempo morena e depois voltará a clarear os cabelos: “Meu namorado quer que eu faça luzes, mas vou esperar mais um pouco, quero passar o verão morena”, planeja.
Piadas e cores de cabelos à parte, os cabelos estão diretamente ligados com a auto-estima, pois fazem parte da identidade pessoal. De acordo com a psicóloga Daniela Soletti Musachio, 28 anos, de Canoas, a auto-estima é fundamental, pois se caracteriza pela imagem que o sujeito tem de si mesmo. A psicóloga salienta que a mulher, desde muito jovem, é estimulada pelo meio em que vive a se preocupar com a beleza estética, e a mídia acaba influenciando, não só pelos comerciais com mulheres bonitas e atraentes, mas também de novelas, filmes e seriados. “Se uma mulher famosa tiver, por exemplo, cabelos muito escuros e estiver em destaque naquele momento na mídia, algumas pessoas podem associar este sucesso à cor dos cabelos, optando, às vezes, pela mudança de coloração, identificando-se com esta pessoa e a idealizando como modelo a ser seguido”. Em alguns casos, esta estimulação acaba influenciando uma extrema valorização, isto é, numa busca incansável por um ideal de beleza. “Uma pessoa que dá muita importância para aspectos externos, imagina que todo seu potencial será notado através de sua aparência, caracterizando um perfil muito superficial. Ela tem uma percepção de que somente será aceita pelos outros se seus cabelos estiverem lhe agradando, de acordo com seus ideais de beleza. Muitas vezes fazem vários sacrifícios para chegar a este objetivo”, completa.
As pessoas, por diversas influências, julgam atributos como inteligência, sensualidade e até mesmo a fidelidade de uma mulher pela cor dos seus cabelos. “A visão de sensualidade freqüentemente é acompanhada pelo estigma da falta de inteligência. É comum que mulheres loiras, por terem a imagem mais associada à sensualidade, sofram com piadas e comentários pejorativos relacionados com a cor do cabelo”, declara. Daniela, adepta das luzes para clarear seus cabelos castanhos, finaliza dizendo que o importante é se sentir bem e feliz consigo mesmo.
Sansão era um homem de força descomunal, que derrotou exércitos inteiros, cujo segredo estava em seus longos cabelos. Apaixonado, ele sucumbe aos carinhos de Dalila, que o trai. Dalila corta as madeixas do guerreiro enquanto ele dorme e o faz perder todo seu poder. Ao contrário dessa lenda, os cabelos não são geradores de força, pois são formados por um tecido morto, de uma proteína chamada queratina, a única função é aquecer e proteger a cabeça do sol. Mas é incontestável o poder que concedemos aos fios que cobrem nossas cabeças.
Os cabelos contribuem para uma imagem clássica ou radical, podendo ser repletos de significados, como, conceitos de ousadia, juventude, liberdade, sedução e poder. Pintar os cabelos de acordo com os próprios desejos é uma maneira de deixar transparecer a identidade, revelando o que a pessoa almeja transmitir com a coloração escolhida. Ao longo da história, algumas mulheres se tornaram referência pela cor de suas madeixas. Na década de 40, o mundo viu surgir o furacão loiro chamado Marilyn Monroe, que, após trabalhar como modelo, estrelou vários filmes, inclusive o sugestivo “Os homens preferem as loiras”, de 1953. A estrela platinada morreu no dia 8 de agosto de 1962 e ainda hoje seu nome representa um sinônimo de beleza, sensualidade e glamour. Já na década de 50, do outro lado do atlântico, o mundo conhecia a bela morena italiana Sophia Loren, uma das maiores atrizes que o cinema já teve. Com mais de 70 anos, a estrela sempre é referência quando se fala em morenas bem sucedidas. A mídia continua dividindo suas beldades entre loiras e morenas. O Brasil, em 1969, conheceu a brejeirice da morena Sônia Braga, mesmo ano que a platinada Vera Fischer conquistava o título de Miss Brasil. Ambas as atrizes são, ainda hoje, ícones da beleza brasileira.
Num país onde a grande maioria das mulheres nasce morena, as gaúchas são consideradas as mais belas do país, tanto que na maior parte dos eventos de beleza, como concursos de misses, as gaúchas acabam, no mínimo entre as finalistas. Vale ressaltar que no Rio Grande do Sul, devido à colonização germânica, é fácil encontrar loiras naturais. A modelo e estudante de jornalismo Carolina Tremarin, 19 anos, de São Leopoldo, se orgulha de seus longos cabelos loiros naturais e costuma fazer luzes para clarear ainda mais os fios. “No inverno, escureço dois tons, mas não deixo de ser loira”, explica. Carolina acredita que o fato de ser loira colaborou para iniciar sua carreira de modelo, há dois anos e meio, mas não foi o mais importante: “Foi todo o conjunto”. A modelo não esconde sua opinião sobre as brincadeiras que agridem as mulheres por causa da cor do cabelo: “É um absurdo!” Esse preconceito ou brincadeira, certamente se intensificou quando Gabriel, O Pensador lançou a música Loraburra, em 1993. Para ela, grande parte dessas piadas é provocada pelas próprias loiras famosas. “As celebridades loiras de hoje não são referência para ninguém!”
O gosto pela cor natural
Para a estudante do 3º semestre do curso de Moda da Feevale, Valentina Mussillo Baich, morena, 18 anos, a cor natural de seus cabelos “é tudo”. Ela diz que no mercado da moda há muita variedade de tonalidades nos cabelos, mas sua opinião é que quanto mais natural for à cor do cabelo melhor, pois quando o assunto é a diferença entre as mulheres loiras e morenas, tudo deve ser pensado. “Os especialistas pensam em tudo antes de mudar a tonalidade do cabelo de uma modelo ou cortá-lo. Acredito que é muito difícil uma mulher que é oriental ou negra ficar bem ao pintar o cabelo com uma tonalidade de loiro forte.” afirma. A morena que defende a cor de seu cabelo salienta que gosta muito das mulheres loiras e admite que elas fazem muito sucesso no país. Conforme Valentina quando o quesito é a atenção dos homens, a loira chama muito mais atenção do que a morena. Para ela, o estereotipo de mulher loira é raro e essa raridade é que atrai os homens. “O Brasil é um país dominado pelas morenas. A mulher loira, olhos azuis chama atenção dos homens por ela ser rara aqui. Se colocarmos uma mulher morena ou negra em países típicos de loiras, as morenas serão a sensação”.
Valentina não acredita muito que exista rivalidade entre loiras e morenas, para ela, são apenas brincadeiras e que o importante é a mulher se sentir bem. Sobre as exigências nas passarelas da moda, Valentina afirma que a grande característica da modelo está relacionada com a diferença e modelagem que os profissionais fazem com elas. “É muito melhor trabalhar com uma modelo crua, ou seja, que não tenha muitas pinturas no cabelo. O principal é que ela priorize a cor natural.”
A beleza de cada cor
Para o fotógrafo Marcos Pereira, 33 anos, que trabalha na área desde o ano de 2002, a ocasião determina quem faz mais sucesso. “Trabalho no carnaval de Porto Alegre e Canoas. As morenas e, principalmente as mulatas, fazem a alegria dos foliões”, explica. O profissional acredita que as morenas têm o corpo mais desenvolvido e escultural, por isso brilham mais na avenida do samba. Já nas passarelas, as modelos mais procuradas, segundo Oliveira, são as loiras, por terem mais o biotipo e magreza que esse mercado exige. “Toda mulher é bela, seja ela negra, loira ou morena. O que eu priorizo quando estou tirando fotos é o carisma de cada uma”, finaliza.
Michele Rodrigues, 28 anos de São Leopoldo, é proprietária do salão de beleza Cor e Corte, localizado no campus da Unisinos. Michele nasceu com o cabelo castanho. Aos 15 decidiu ser loira e começou a clarear os cabelos. “Já fui loira, branca! Tinha que pintar meu cabelo uma semana sim, outra não”, lembra. Após 13 anos, loiríssima, como se definiu, em abril de 2007, ela resolveu escurecer suas madeixas. “Estava enjoada!” Michele pintou o cabelo de castanho e garante que muitas pessoas acharam. Para ela, os outros estranham porque é mais comum uma mulher querer ser loira: “Aqui no salão, de cada dez meninas, 7 querem clarear os fios.” A empresária lembra que as loiras precisam ter um cuidado constante com seus cabelos, principalmente, retocar a raiz, já as morenas, muitas vezes são naturais e não precisam se preocupar tanto.
Nos anos que foi loira, Michele afirma que ouviu inúmeras piadinhas e brincadeiras, mas nunca levou a sério nenhuma. No mesmo dia que escureceu os cabelos, ela viu duas loiras no estacionamento da Unisinos, procurando o cartão para liberar a cancela do portão. “Na hora que passei pelo guarda falei: ‘Só podiam ser loiras.’ Já tava me sentindo morena”, conta aos risos. Michele, que já viveu os dois lados da moeda, não sabe afirmar qual faz mais sucesso. “Acho que depende muito do homem”. Ela afirma que vai permanecer mais um tempo morena e depois voltará a clarear os cabelos: “Meu namorado quer que eu faça luzes, mas vou esperar mais um pouco, quero passar o verão morena”, planeja.
Piadas e cores de cabelos à parte, os cabelos estão diretamente ligados com a auto-estima, pois fazem parte da identidade pessoal. De acordo com a psicóloga Daniela Soletti Musachio, 28 anos, de Canoas, a auto-estima é fundamental, pois se caracteriza pela imagem que o sujeito tem de si mesmo. A psicóloga salienta que a mulher, desde muito jovem, é estimulada pelo meio em que vive a se preocupar com a beleza estética, e a mídia acaba influenciando, não só pelos comerciais com mulheres bonitas e atraentes, mas também de novelas, filmes e seriados. “Se uma mulher famosa tiver, por exemplo, cabelos muito escuros e estiver em destaque naquele momento na mídia, algumas pessoas podem associar este sucesso à cor dos cabelos, optando, às vezes, pela mudança de coloração, identificando-se com esta pessoa e a idealizando como modelo a ser seguido”. Em alguns casos, esta estimulação acaba influenciando uma extrema valorização, isto é, numa busca incansável por um ideal de beleza. “Uma pessoa que dá muita importância para aspectos externos, imagina que todo seu potencial será notado através de sua aparência, caracterizando um perfil muito superficial. Ela tem uma percepção de que somente será aceita pelos outros se seus cabelos estiverem lhe agradando, de acordo com seus ideais de beleza. Muitas vezes fazem vários sacrifícios para chegar a este objetivo”, completa.
As pessoas, por diversas influências, julgam atributos como inteligência, sensualidade e até mesmo a fidelidade de uma mulher pela cor dos seus cabelos. “A visão de sensualidade freqüentemente é acompanhada pelo estigma da falta de inteligência. É comum que mulheres loiras, por terem a imagem mais associada à sensualidade, sofram com piadas e comentários pejorativos relacionados com a cor do cabelo”, declara. Daniela, adepta das luzes para clarear seus cabelos castanhos, finaliza dizendo que o importante é se sentir bem e feliz consigo mesmo.
Sunday, May 13, 2007
Pra quê justificar??
Estava olhando meu blog... E lembrei da pergunta de um amigo: "Rê, por que tu não justifica os textos do teu blog?" Na hora respondi que não sabia, nunca tinha reparado nisso...
Mas agora, me dei conta que realmente não justifico nenhum deles. E fiquei procurando uma expliação...
Caraca Lucas! Não sei o motivo, gosto mais assim... E ponto.
A matáfora pode ser exagerada, mas alguém já não disse que a vida nasce do caos?
Na desordem, no não alinhado existe uma possibilidade muito maior de erros e logo, de acertos...
A gente já passa a vida inteira tendo que se justificar. Nossos gostos, nossos sonhos, nossos atos, nossos pensamentos, nosso comportamento...
Meus textos nunca foram justificáveis, talvez por isso, não sejam justificados!
Mas agora, me dei conta que realmente não justifico nenhum deles. E fiquei procurando uma expliação...
Caraca Lucas! Não sei o motivo, gosto mais assim... E ponto.
A matáfora pode ser exagerada, mas alguém já não disse que a vida nasce do caos?
Na desordem, no não alinhado existe uma possibilidade muito maior de erros e logo, de acertos...
A gente já passa a vida inteira tendo que se justificar. Nossos gostos, nossos sonhos, nossos atos, nossos pensamentos, nosso comportamento...
Meus textos nunca foram justificáveis, talvez por isso, não sejam justificados!
I believe in miracles

Porque eu gosto de Ramones. Porque eu também acredito em milagres. Porque eu acho que escutar uma música que duas vezes no rádio, em menos de uma hora, não deixa de ser um milagre!
I believe in miracles
I used to be on an endless run.
Believe in miracles cause Im one.
A have been blessed with the power to survive.
After all these years Im still alive.
Im out here cookin with the band.
Im no longer a solitary man.
Every day my time runs out.
Lived like a fool, thats what I was about, oh.
I believe in miracles.
I believe in a better world for me and you.
Oh, I believe in miracles.
I believe in a better world for me and you.
Tattoo your name on my arm.
I always said my girls my good luck charm.
If she could find a reason to forgive,
Then I could find a reason to live.
I used to be on an endless run.
Believe in miracles cause Im one.
A have been blessed with the power to survive.
After all these years Im still alive.
I believe in miracles.
I believe in a better world for me and you.
Oh, I believe in miracles.
I believe in a better world for me and you.
I close my eyes and think how it might be.
The futures here today.
Its not too late.
Its not too late, yeah!
I believe in miracles.
I believe in a better world for me and you.
Oh, I believe in miracles.
I believe in a better world for me and you.
No orkut alheio
"Este texto foi publicado no profile do orkut do querido Xande (a pedido do mesmo). Agora ele está aqui!"
Um amigo me pediu para escrever um texto para o profile do seu Orkut, sobre amizade!
Achei estranho... Para o profile dele! Mas vamos lá! Pode ser fácil falar de amizade e Orkut, ou não. Pensando no assunto já oscilei bastante minha opinião.
Ostentar centenas de “amigos” numa página virtual pode ser legal e fazer bem para o ego! Mas desses, quantos sabem que tenho depressão? O que gosto de comer? Ou por que você me pediu para escrever? Por que você faz publicidade e não arquitetura? Por que a mulher que se exibe em fotos sensuais é sozinha demais? Por que o amigo do amigo, que é um feioso, pega todas? Por que temos cicratizes no joelho?
Poucos sabem. Mas isso não tem importância quando a gente passa uns dias na praia, conhece um monte gente legal e o Orkut parece a luz no fim do túnel. Sim, não perderemos o contato com os amigos da praia, da serra, da festa, da temporada, da última estação. Teremos um elo comum, mesmo com nada em comum! Alguns são clonados... Hoje vivemos orkutamente com medo de sermos clonados.
Melhor ainda é encontrar o colega da 1º série. A professora velha e chata que você sempre teve certeza que te odiava e agora quer ser sua amiga no Orkut! Pior, ela está no Orkut! E a feinha do segundo grau que tá um mulherão, o nerd que virou galã e pratica escalada... Os amigos que estão no exterior, e ao mandar notícias nos deixam cheios de orgulho e com um a pontinha de inveja. Os colegas da faculdade com quem mal conversamos, mas fizemos algum trabalho em grupo. Os vizinhos que esquecemos de cumprimentar. Muito mais do que colecionar amigos, conhecemos histórias de vida, que nos surpreendem ou decepcionam, mas estavam ali do nosso lado e não víamos. Sim, Orkut pode ter nos tornado mais próximos!
Com quantos amigos do Orkut você já ficou ou já deu fora e, também já levou fora. Mas estão lá! Afinal contato é tudo num mundo globalizado! Falando nisso, percebemos que o mundo virtual também é pequeno! Todo mundo se conhece, todo mundo tem amigo incomum. Quem for amigo do Brad Pitt e da Madonna me adiciona urgente!!!
Mas, sim, temos os amigos! Que podem ser minorias, mas além desse espaço cibernético, dividem mesas de bar, baladas, tristezas, alegrias, risadas, fofocam sobre a vida alheia que investigam no Orkut! Amizade é mais importante que contato. Não precisam deixar scraps todo dia, mas te tiram de uma roubada, te fazem um favorzão e tem os que surpreendem, pedindo para escrever um texto para o seu profile!
Um amigo me pediu para escrever um texto para o profile do seu Orkut, sobre amizade!
Achei estranho... Para o profile dele! Mas vamos lá! Pode ser fácil falar de amizade e Orkut, ou não. Pensando no assunto já oscilei bastante minha opinião.
Ostentar centenas de “amigos” numa página virtual pode ser legal e fazer bem para o ego! Mas desses, quantos sabem que tenho depressão? O que gosto de comer? Ou por que você me pediu para escrever? Por que você faz publicidade e não arquitetura? Por que a mulher que se exibe em fotos sensuais é sozinha demais? Por que o amigo do amigo, que é um feioso, pega todas? Por que temos cicratizes no joelho?
Poucos sabem. Mas isso não tem importância quando a gente passa uns dias na praia, conhece um monte gente legal e o Orkut parece a luz no fim do túnel. Sim, não perderemos o contato com os amigos da praia, da serra, da festa, da temporada, da última estação. Teremos um elo comum, mesmo com nada em comum! Alguns são clonados... Hoje vivemos orkutamente com medo de sermos clonados.
Melhor ainda é encontrar o colega da 1º série. A professora velha e chata que você sempre teve certeza que te odiava e agora quer ser sua amiga no Orkut! Pior, ela está no Orkut! E a feinha do segundo grau que tá um mulherão, o nerd que virou galã e pratica escalada... Os amigos que estão no exterior, e ao mandar notícias nos deixam cheios de orgulho e com um a pontinha de inveja. Os colegas da faculdade com quem mal conversamos, mas fizemos algum trabalho em grupo. Os vizinhos que esquecemos de cumprimentar. Muito mais do que colecionar amigos, conhecemos histórias de vida, que nos surpreendem ou decepcionam, mas estavam ali do nosso lado e não víamos. Sim, Orkut pode ter nos tornado mais próximos!
Com quantos amigos do Orkut você já ficou ou já deu fora e, também já levou fora. Mas estão lá! Afinal contato é tudo num mundo globalizado! Falando nisso, percebemos que o mundo virtual também é pequeno! Todo mundo se conhece, todo mundo tem amigo incomum. Quem for amigo do Brad Pitt e da Madonna me adiciona urgente!!!
Mas, sim, temos os amigos! Que podem ser minorias, mas além desse espaço cibernético, dividem mesas de bar, baladas, tristezas, alegrias, risadas, fofocam sobre a vida alheia que investigam no Orkut! Amizade é mais importante que contato. Não precisam deixar scraps todo dia, mas te tiram de uma roubada, te fazem um favorzão e tem os que surpreendem, pedindo para escrever um texto para o seu profile!
Vida em fragmentos
Ela aparece no portão de casa, com o rabo abanando, quando eu entro, pula nos meus pés e lambe minha mão. Ela é azul, como eram os olhos do meu bisavô, que falava que eu era a guria mais bonita do mundo, mesmo o mundo dele sendo pequeno.
Ela é amarelada e surge no meio da tarde, afastando as nuvens e aquecendo o dia. Ela é a voz que a gente não ouvia há tempos, e de repente está ali, no outro lado da linha. É o ônibus que eu perdi, a rifa que eu comprei, o pão de queijo guardado no fundo do armário e que encontrei dois depois exatamente como eu gosto, durinho. É minha prima me chamando de batata, é meu pai me chamando de princesa.
É o banho quente, uma panela de brigadeiro para comer de colher, é aquelas moscas azuis que ficam pairando no ar e que por alguns instantes parecem te encarar, é tropeção que dou no meio da rua e me tira da letargia. Às vezes ela aparece em forma de medo, dos arrepios que a gente tem de repente, no frio na barriga e principalmente nas milhares de possibilidades que aparecem todos os dias.
Não precisamos de histórias dignas de filmes, nem de pessoas perfeitas para viver. A vida está nas dúvidas, que vão sempre me acompanhar e que, com o tempo se transformarão em meia dúzia de certezas. A vida é o banal, o lugar comum, o clichê, o filme com o enredo conhecido e que todo mundo adora, é o que a gente mais evita.
É o que me espera no próximo minuto ou daqui vinte e dois anos, que vai cruzar uma esquina comigo ou me atropelar. Ela é o que eu quero criar quando acho a minha muito chata. Ela se permite reinventar. Ela está me aguardando em tudo que eu ainda não fiz: no meu ofício diário, no problema que vou ter que resolver, nas pessoas que vou conhecer, no homem que vai me tocar, num salto de pára-quedas, numa casinha pequena numa praia qualquer, no santo daime, nas tatuagens, no que eu vou viver e vou guardar.
Ela já esteve no primeiro dia de aula, na festa de cinco anos, na vitória para as eleições da UNE, no que queria Ter falado mas me calei, na primeira ida ao estádio, na mão da mãe que te passa toda a segurança do mundo, no cheiro da comida que minha avó fazia, na aula de natação, no medo do escuro, em tudo o que guardei.
Nunca tive grandes problemas, nunca me decepcionei com alguém, nunca tive nenhuma doença grave, nunca perdi alguém, minha alegria não tem a profundidade da dor, porque não a conhece, e por isso mesmo é pura e leve. Como a leveza que tem na vida, e a gente deixa de perceber, curvar os ombros é carregar um peso que a gente inventa é mais fácil do que, simplesmente abrir os olhos para perceber.
E ela está aqui, saindo de mim, tomando a forma de cada palavra que escrevo, e como a vida é mágica, ela está entrando pela sua retina, para pedir socorro, que não a deixem esquecida num canto qualquer de uma história qualquer.
Ela é amarelada e surge no meio da tarde, afastando as nuvens e aquecendo o dia. Ela é a voz que a gente não ouvia há tempos, e de repente está ali, no outro lado da linha. É o ônibus que eu perdi, a rifa que eu comprei, o pão de queijo guardado no fundo do armário e que encontrei dois depois exatamente como eu gosto, durinho. É minha prima me chamando de batata, é meu pai me chamando de princesa.
É o banho quente, uma panela de brigadeiro para comer de colher, é aquelas moscas azuis que ficam pairando no ar e que por alguns instantes parecem te encarar, é tropeção que dou no meio da rua e me tira da letargia. Às vezes ela aparece em forma de medo, dos arrepios que a gente tem de repente, no frio na barriga e principalmente nas milhares de possibilidades que aparecem todos os dias.
Não precisamos de histórias dignas de filmes, nem de pessoas perfeitas para viver. A vida está nas dúvidas, que vão sempre me acompanhar e que, com o tempo se transformarão em meia dúzia de certezas. A vida é o banal, o lugar comum, o clichê, o filme com o enredo conhecido e que todo mundo adora, é o que a gente mais evita.
É o que me espera no próximo minuto ou daqui vinte e dois anos, que vai cruzar uma esquina comigo ou me atropelar. Ela é o que eu quero criar quando acho a minha muito chata. Ela se permite reinventar. Ela está me aguardando em tudo que eu ainda não fiz: no meu ofício diário, no problema que vou ter que resolver, nas pessoas que vou conhecer, no homem que vai me tocar, num salto de pára-quedas, numa casinha pequena numa praia qualquer, no santo daime, nas tatuagens, no que eu vou viver e vou guardar.
Ela já esteve no primeiro dia de aula, na festa de cinco anos, na vitória para as eleições da UNE, no que queria Ter falado mas me calei, na primeira ida ao estádio, na mão da mãe que te passa toda a segurança do mundo, no cheiro da comida que minha avó fazia, na aula de natação, no medo do escuro, em tudo o que guardei.
Nunca tive grandes problemas, nunca me decepcionei com alguém, nunca tive nenhuma doença grave, nunca perdi alguém, minha alegria não tem a profundidade da dor, porque não a conhece, e por isso mesmo é pura e leve. Como a leveza que tem na vida, e a gente deixa de perceber, curvar os ombros é carregar um peso que a gente inventa é mais fácil do que, simplesmente abrir os olhos para perceber.
E ela está aqui, saindo de mim, tomando a forma de cada palavra que escrevo, e como a vida é mágica, ela está entrando pela sua retina, para pedir socorro, que não a deixem esquecida num canto qualquer de uma história qualquer.
Wednesday, April 11, 2007
Dei uma espiadinha
Nunca gostei de reality shows! Big Brother então... Nem morta! É um atentado contra a inteligência das pessoas.
O motivo para todo meu desgosto: não perdi um capítulo da primeira edição do Big Brother que foi ao ar em 2002, torcia pela Leka, achava ela inteligente e corajosa por assumir que tinha bulimia quando isso ainda não era moda. Mas quando vi aquele tal de Kleber Bambam chorando por causa de uma boneca de ferro, percebi que ele seria o vencedor. O que realmente aconteceu. Até hoje acho que a Rede Globo armou tudo aquilo!
Eu, além de perder meu tempo, perdi a paciência e jurei para mim mesma que nunca mais olharia esse programa ridículo, para quem não tem o que fazer e que é um atentado contra a inteligência das pessoas.
E realmente não olhei! Até esse ano! Como nesse verão fui obrigada a virar gente grande e não pude me dar ao luxo de ficar três meses de pernas para o ar na praia, foi inevitável começar a espiar os moradores da casa mais vigiada do Brasil. No começo eu pensava: “Vou olhar só hoje, ninguém está em casa mesmo...” E como diz um professor que tive: Jornalista tem que assistir tudo! Comecei a achar interessante, afinal, depois de tantos anos, por que não dar uma espiadinha?
Me rendi total! Sair sábado de noite? Só depois de assistir a festa global. O grande dia da semana se tornou quinta-feira, dia de prova do líder! Até o Bial eu já estava achando simpático! Acompanhava as notícias sobre os brother em todos os sites de fofoca... Me tornei uma dessas pessoas que sempre critiquei. Não foram só eles que ficaram confinados, minha gloriosa inteligência também!
Ah, mas eu torci e como torci! Para o grande Alberto, desde o primeiro dia! Além da Bruna, ele conquistou a mim também! Grande jogador, inteligente, corajoso, autêntico... Que (infelizmente) acabou como vilão! Quando ele saiu, pensei: “Agora chega, não tem mais graça, não olho mais isso!” Mas droga é droga e vicia e, afinal, precisava saber como aquela palhaçada iria acabar. O final, todos sabem, o Alemão (a versão loira do Bambam) ganhou!
Que decepção! Tanta dedicação e horas perdidas na frente da tv para ver outra pessoa construída estrategicamente pela Rede Globo ganhar uma novelinha que eles existem em chamar de reality show!
Bem feito para mim! Agora é sério, nunca mais vou perder meu tempo assistindo um programa que é um atentado a massa cinzenta das pessoas. Nunca mais, a não ser que a minha inteligência tire férias.
O motivo para todo meu desgosto: não perdi um capítulo da primeira edição do Big Brother que foi ao ar em 2002, torcia pela Leka, achava ela inteligente e corajosa por assumir que tinha bulimia quando isso ainda não era moda. Mas quando vi aquele tal de Kleber Bambam chorando por causa de uma boneca de ferro, percebi que ele seria o vencedor. O que realmente aconteceu. Até hoje acho que a Rede Globo armou tudo aquilo!
Eu, além de perder meu tempo, perdi a paciência e jurei para mim mesma que nunca mais olharia esse programa ridículo, para quem não tem o que fazer e que é um atentado contra a inteligência das pessoas.
E realmente não olhei! Até esse ano! Como nesse verão fui obrigada a virar gente grande e não pude me dar ao luxo de ficar três meses de pernas para o ar na praia, foi inevitável começar a espiar os moradores da casa mais vigiada do Brasil. No começo eu pensava: “Vou olhar só hoje, ninguém está em casa mesmo...” E como diz um professor que tive: Jornalista tem que assistir tudo! Comecei a achar interessante, afinal, depois de tantos anos, por que não dar uma espiadinha?
Me rendi total! Sair sábado de noite? Só depois de assistir a festa global. O grande dia da semana se tornou quinta-feira, dia de prova do líder! Até o Bial eu já estava achando simpático! Acompanhava as notícias sobre os brother em todos os sites de fofoca... Me tornei uma dessas pessoas que sempre critiquei. Não foram só eles que ficaram confinados, minha gloriosa inteligência também!
Ah, mas eu torci e como torci! Para o grande Alberto, desde o primeiro dia! Além da Bruna, ele conquistou a mim também! Grande jogador, inteligente, corajoso, autêntico... Que (infelizmente) acabou como vilão! Quando ele saiu, pensei: “Agora chega, não tem mais graça, não olho mais isso!” Mas droga é droga e vicia e, afinal, precisava saber como aquela palhaçada iria acabar. O final, todos sabem, o Alemão (a versão loira do Bambam) ganhou!
Que decepção! Tanta dedicação e horas perdidas na frente da tv para ver outra pessoa construída estrategicamente pela Rede Globo ganhar uma novelinha que eles existem em chamar de reality show!
Bem feito para mim! Agora é sério, nunca mais vou perder meu tempo assistindo um programa que é um atentado a massa cinzenta das pessoas. Nunca mais, a não ser que a minha inteligência tire férias.
Saturday, March 24, 2007
Uma janela amarela
Como a maioria dos dias de janeiro, estava quente e abafado, mas chovia uma garoa fina, que não me deixava brincar na rua, estava perdida em algum quarto da grande casa da minha avó. Havia apenas o barulho das panelas no fogão...
De repente minha avó quebrou o silêncio: “Renata, vem ver! Teu irmãozinho chegou!” Atravessei o enorme corredor correndo, minha avó me pegou no colo e sem me espichar muito, consegui ver tudo através da janela com os vidros amarelos. Meu pai saindo do carro, abrindo a porta para a minha mãe... O sorriso e toda a expressão do rosto dela... Um guarda-chuva aberto às presas para não molhar o novo membro da família.
Ao longe, a voz da minha avó me falava coisas que eu não ouvia... A minha avó e meu pai não tinham importância, eram apenas coadjuvantes. O que importava era o ser que minha mãe acabava de levantar para eu ver.
Meu pai e minha mãe, obviamente, eu já conhecia, o carro, sabia que era azul... Com três anos já conhecia as cores das árvores e das flores do pátio, tinha aprendido que o muro era branco, o portão marrom e a Cuica, a cachorrinha da minha avó que latia no portão, branca com preto... A única novidade era a pessoa que iria dividir meus pais, a casa e uma vida comigo. E quando vi meu irmão, sai do colo da minha avó e corri. Meu irmão era simplesmente amarelo!
Depois desse dia, não lembro do próximo encontro com meu irmão (que deve ter acontecido minutos depois), nem dos meus pais entrando em casa ou que almoço a comida que estava no fogão, virou. Recordo apenas que, novamente, atravessei o corredor correndo e da calma típica da minha avó, perguntando o que eu tinha e a minha decepção: “Por que meu irmão é amarelo?”
A janela com vidros amarelos ainda está no mesmo lugar, embora aquela continue sendo a casa da minha avó, ela já não está mais lá para me explicar que meu irmão só estava amarelo porque eu o tinha visto através do vidro. Depois disso, nos churrascos e festas na casa da minha avó, adorava ficar sentada na sala só para observar as pessoas e as coisas mudando de cor.
Muitas piadas eu já ouvi por causa desse episódio e da minha inexplicável afeição por vidros coloridos. Mas às vezes, quando olho para o meu irmão, ainda o acho um pouco amarelo.
De repente minha avó quebrou o silêncio: “Renata, vem ver! Teu irmãozinho chegou!” Atravessei o enorme corredor correndo, minha avó me pegou no colo e sem me espichar muito, consegui ver tudo através da janela com os vidros amarelos. Meu pai saindo do carro, abrindo a porta para a minha mãe... O sorriso e toda a expressão do rosto dela... Um guarda-chuva aberto às presas para não molhar o novo membro da família.
Ao longe, a voz da minha avó me falava coisas que eu não ouvia... A minha avó e meu pai não tinham importância, eram apenas coadjuvantes. O que importava era o ser que minha mãe acabava de levantar para eu ver.
Meu pai e minha mãe, obviamente, eu já conhecia, o carro, sabia que era azul... Com três anos já conhecia as cores das árvores e das flores do pátio, tinha aprendido que o muro era branco, o portão marrom e a Cuica, a cachorrinha da minha avó que latia no portão, branca com preto... A única novidade era a pessoa que iria dividir meus pais, a casa e uma vida comigo. E quando vi meu irmão, sai do colo da minha avó e corri. Meu irmão era simplesmente amarelo!
Depois desse dia, não lembro do próximo encontro com meu irmão (que deve ter acontecido minutos depois), nem dos meus pais entrando em casa ou que almoço a comida que estava no fogão, virou. Recordo apenas que, novamente, atravessei o corredor correndo e da calma típica da minha avó, perguntando o que eu tinha e a minha decepção: “Por que meu irmão é amarelo?”
A janela com vidros amarelos ainda está no mesmo lugar, embora aquela continue sendo a casa da minha avó, ela já não está mais lá para me explicar que meu irmão só estava amarelo porque eu o tinha visto através do vidro. Depois disso, nos churrascos e festas na casa da minha avó, adorava ficar sentada na sala só para observar as pessoas e as coisas mudando de cor.
Muitas piadas eu já ouvi por causa desse episódio e da minha inexplicável afeição por vidros coloridos. Mas às vezes, quando olho para o meu irmão, ainda o acho um pouco amarelo.
Wednesday, January 31, 2007
Felicidade X versos
“Quem é feliz não escreve”, foi essa afirmação que eu ouvi do escritor e médico Moacir Scliar no programa de TV, Café TVCOM, no qual ele participava como convidado. Na hora me perguntei: “Será?” Pois além, de gostar de escrever, não foi a primeira vez que ouvi afirmações desse tipo.
Enquanto eu pensava com meus botões, a discussão no programa continuava, David Coimbra afirmou que todo escritor deve ser um grande insatisfeito, pois se tudo fosse bom, não teriam motivos para escrever, que é um ato solitário e muitas vezes sofrido.
Em uma entrevista, a Lya Luft declarou que todo escritor tem um grande buraco na alma e só escreve, porque esse buraco existe. Fernanda Young já disse que é escreitora porque acha sua vida uma merda e assim, se distrai. Tati Bernardi, volta e meia, diz em suas crônicas que só escreve porque não presta para fazer outra coisa.
Concordo que escrever é um hábito dos mais introspectivos e confesso, quando estou triste, escrever é um ótimo remédio! É, literalmente, uma oportunidade de por para fora tudo que me incomoda ou que não consigo falar, por covardia, falta de oportunidade ou por me achar melhor escrevendo do que falando.
Eu e meus botões não chegamos a muitas conclusões, mas acredito que o fato de eu fazer análise e tomar antidepressivo é apenas um mero detalhe... Pois, justamente, por gostar de escrever que não espero a tristeza vim me fazer companhia para me exercitar, até porque momentos engraçados geram histórias cômicas e cenas bizarras.
Independente de estado de espírito, escrever é um exercício e como qualquer outro, exige disciplina! Se para eternizar ou criar pessoas e histórias é necessário ter alguns parafusos a menos ou milhares de interrogações na cabeça, podem me internar. Mas por favor, me dêem papel e caneta!
Enquanto eu pensava com meus botões, a discussão no programa continuava, David Coimbra afirmou que todo escritor deve ser um grande insatisfeito, pois se tudo fosse bom, não teriam motivos para escrever, que é um ato solitário e muitas vezes sofrido.
Em uma entrevista, a Lya Luft declarou que todo escritor tem um grande buraco na alma e só escreve, porque esse buraco existe. Fernanda Young já disse que é escreitora porque acha sua vida uma merda e assim, se distrai. Tati Bernardi, volta e meia, diz em suas crônicas que só escreve porque não presta para fazer outra coisa.
Concordo que escrever é um hábito dos mais introspectivos e confesso, quando estou triste, escrever é um ótimo remédio! É, literalmente, uma oportunidade de por para fora tudo que me incomoda ou que não consigo falar, por covardia, falta de oportunidade ou por me achar melhor escrevendo do que falando.
Eu e meus botões não chegamos a muitas conclusões, mas acredito que o fato de eu fazer análise e tomar antidepressivo é apenas um mero detalhe... Pois, justamente, por gostar de escrever que não espero a tristeza vim me fazer companhia para me exercitar, até porque momentos engraçados geram histórias cômicas e cenas bizarras.
Independente de estado de espírito, escrever é um exercício e como qualquer outro, exige disciplina! Se para eternizar ou criar pessoas e histórias é necessário ter alguns parafusos a menos ou milhares de interrogações na cabeça, podem me internar. Mas por favor, me dêem papel e caneta!
Thursday, December 28, 2006
Os melhores de 2006
É lugar comum! Todo final de ano surgirem listas. De tudo. Então vou fazer a minha! Embora os chame de “os melhores”, as pessoas aqui citadas foram as que entraram na minha vida nesse ano que está acabando. Não são melhores, nem piores, mas importantes!
Lá, no início de 2006 e na Guarda estavam a Tatá, que vai ficar sempre no coração por tudo que me ensinou. O Lucas, grande parceiro e surfista! A Carol, espanhola que veio ficar alguns dias, quebrou o pé no segundo passo que deu em terras brasileiras, ficou todo o verão e agora deve estar mochilando em algum lugar do mundo. O Érico, doce e lindo, como todo poeta. A Suzane, uma sueca que adora o Brasil e uma boa balada. A Paulinha, a Dé, o Negão, o Paulista, a Marina... Gente, que verão o nosso!? Quanta praia, sol, pizza, luaus, baladas, risadas...
Depois veio a dança, que aos poucos se transformou em uma grande paixão, graças a Cris, será que um dia danço como você? A Eliane, que sabe transformar as coisas num espetáculo, como a vida deveria ser. Com as batidas laterais e oitos, veio também a Lê (você dispensa comentários), a Jô, a Consuelo, a Leila, a Carla, a Carina. Adorei! Que venham mais apresentações e principalmente espetáculos, com lenços, espadas, frio na barriga, ansiedade, luzes e aplausos!
O Inema, mais que colegas, trouxe amigos. A docinho da Élen, a Michele, a louca da Raquel, a Fernanda e depois a Gaby, que transformou todas nós em perkanhas e de quebra trouxe o Kurtz, o Mingo, o Paulinho, o Pedrinho e a Cris que manda bolo para mim. (Será que nossas fotos nos condenam?) A Vanessa já fazia parte da vida e da profissão, mas a Gaby só fez aumentar o carinho que sinto por ela. Depois veio a Fabi e o Bem da Fabi. Fora o Ulisses, o Marcelo, parceiros de baladas e de time! Somos campeões. O gremistinha do Fabiano (ainda bem que teu filho te salva!). Tem também o Nego Mário, a Elisa, a Elis, a Sol, a tia Meg e na finaleira do ano, aparece a Lú, que logo se adaptou ao clube! Tri perkanha!
Em um único final de semana na praia, trabalhei, treinei o inglês, fiz festa e conheci tanta gente! Jana, te adoro, agora ouço Ultramen e lembro de ti! Aninha, sempre tão séria no telefone, mas tri festeira! A Paty e o Ludov, que vivem um lindo amor francês. Mônica, querida! O João, o Led, o Tchello, o Zé, o Fragoso, o Xan, o Gil, o Pierre, o Jimmy. Aaron, you’re so cute! Kevin you’re crazy man!!! But I loved meet you guys! It’s true, I don’t smoke marijuana! Hehehe...
E a Carol, até então era só uma colega de aula! Se transformou numa baita amiga! Valeu, por tudo, mesmo! A Andiara que deu sorte em namorar o Júnior e ter eu como prima! O Ramon que nasceu e ganhou um texto! Claro que perdi também, pessoas e oportunidades. Poderia ter dado valor e não dei, poderiam ter me dado valor! Agora é tarde... Mas fazendo esse texto percebei que ganhei muito mais que perdi! As pessoas que se escondem atrás desses nomes fizeram muita diferença nesse ano! Algumas, espero que permaneçam por uma vida, outras sei que foram de passagem, mas valeu por termos nos cruzado!
Feliz 2007 e que cada pessoa se torne uma novidade, uma lembrança e a certeza de que no fim, o ano foi ótimo e o próximo será melhor ainda, pois companhia não irá faltar!
Lá, no início de 2006 e na Guarda estavam a Tatá, que vai ficar sempre no coração por tudo que me ensinou. O Lucas, grande parceiro e surfista! A Carol, espanhola que veio ficar alguns dias, quebrou o pé no segundo passo que deu em terras brasileiras, ficou todo o verão e agora deve estar mochilando em algum lugar do mundo. O Érico, doce e lindo, como todo poeta. A Suzane, uma sueca que adora o Brasil e uma boa balada. A Paulinha, a Dé, o Negão, o Paulista, a Marina... Gente, que verão o nosso!? Quanta praia, sol, pizza, luaus, baladas, risadas...
Depois veio a dança, que aos poucos se transformou em uma grande paixão, graças a Cris, será que um dia danço como você? A Eliane, que sabe transformar as coisas num espetáculo, como a vida deveria ser. Com as batidas laterais e oitos, veio também a Lê (você dispensa comentários), a Jô, a Consuelo, a Leila, a Carla, a Carina. Adorei! Que venham mais apresentações e principalmente espetáculos, com lenços, espadas, frio na barriga, ansiedade, luzes e aplausos!
O Inema, mais que colegas, trouxe amigos. A docinho da Élen, a Michele, a louca da Raquel, a Fernanda e depois a Gaby, que transformou todas nós em perkanhas e de quebra trouxe o Kurtz, o Mingo, o Paulinho, o Pedrinho e a Cris que manda bolo para mim. (Será que nossas fotos nos condenam?) A Vanessa já fazia parte da vida e da profissão, mas a Gaby só fez aumentar o carinho que sinto por ela. Depois veio a Fabi e o Bem da Fabi. Fora o Ulisses, o Marcelo, parceiros de baladas e de time! Somos campeões. O gremistinha do Fabiano (ainda bem que teu filho te salva!). Tem também o Nego Mário, a Elisa, a Elis, a Sol, a tia Meg e na finaleira do ano, aparece a Lú, que logo se adaptou ao clube! Tri perkanha!
Em um único final de semana na praia, trabalhei, treinei o inglês, fiz festa e conheci tanta gente! Jana, te adoro, agora ouço Ultramen e lembro de ti! Aninha, sempre tão séria no telefone, mas tri festeira! A Paty e o Ludov, que vivem um lindo amor francês. Mônica, querida! O João, o Led, o Tchello, o Zé, o Fragoso, o Xan, o Gil, o Pierre, o Jimmy. Aaron, you’re so cute! Kevin you’re crazy man!!! But I loved meet you guys! It’s true, I don’t smoke marijuana! Hehehe...
E a Carol, até então era só uma colega de aula! Se transformou numa baita amiga! Valeu, por tudo, mesmo! A Andiara que deu sorte em namorar o Júnior e ter eu como prima! O Ramon que nasceu e ganhou um texto! Claro que perdi também, pessoas e oportunidades. Poderia ter dado valor e não dei, poderiam ter me dado valor! Agora é tarde... Mas fazendo esse texto percebei que ganhei muito mais que perdi! As pessoas que se escondem atrás desses nomes fizeram muita diferença nesse ano! Algumas, espero que permaneçam por uma vida, outras sei que foram de passagem, mas valeu por termos nos cruzado!
Feliz 2007 e que cada pessoa se torne uma novidade, uma lembrança e a certeza de que no fim, o ano foi ótimo e o próximo será melhor ainda, pois companhia não irá faltar!
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