Wednesday, February 16, 2011

Espero. Esperança. Esperando

Há momentos ou até mesmo dias, que sou tomada da mais genuína esperança. Mais do que isso, de uma certeza absurda e absoluta que um dia, assim do nada, você vai me mandar um email. Vai ligar. Vai falar que também sente saudade.

E eu vou poder olhar novamente dentro dos teus olhos e preencher tuas tatuagens com meus dedos. Espero você voltar pra gente discutir a arquitetura de Barcelona, pra falar sobre uma possível viagem à Turquia. Pra te dar colo. E te ninar. E te amar.

Isso não é viver de lembranças, é projetar um futuro. Isso não é falta de amor próprio, é excesso de amor. Porque eu te amo tanto, mas tanto, que não cabe em mim, não cabe num texto. Posso escrever o resto da vida pra você e, ainda assim não seria nem uma frase inteira.

Posso ficar te esperando para sempre porque sei que você vem. Isso não é ilusão, se fosse eu não teria certeza de que essa espera é necessária. Não sentiria o arrepio que sinto no meu corpo quando penso que vou te abraçar, de novo. E eu vou te abraçar!

"A glória é tanto mais tardia quanto mais duradoura há de ser, porque todo fruto delicioso amadurece lentamente.” Arthur Schopenhauer

Sunday, February 13, 2011

Praia

Como a maioria dos gaúchos, ir para a praia no verão é um programa de bando, seja esse bando, de família ou amigos. Esse ano estou revivendo aquela função de alugar casa, ir com a família, esperar os trabalhadores da mesma no final de semana, dormir no chão, casa lotada, bagunça, o nosso nordestão e o mar chocolate.

Quando criança, as casas eram lotadas de tios e primos, o que parecia muito divertido. Porém, a gente cresce, prefere passar as férias com os amigos viajando para alguma praia de Santa Catarina. Mas este verão, está me fazendo refletir ao me deparar de novo com minha família numa casa alugada no reto litoral norte gaúcho.

Algumas coisas mudaram, os tios deram lugares a cunhadas e sobrinhos, primos continuam lá, mas agora com filhos. Percebo que por maior que seja uma casa, sempre tem alguém que vai dormir no chão. Meu irmão não vomita mais quando sente o cheiro do camarão e quem vai dormir na cama de cima do beliche, ainda é motivo de briga entre as crianças.

Ah e agora, estou dando o devido valor ao nosso litoral, pois como uma trabalhadora, encaro a Freeway na sexta de noite e no domingo de tardezinha, lamentando muito os finais de semana com chuva. A maconha e as cervejas continuam como itens principais nas férias da minha família, mas nesse verão, especialmente, a bêbada oficial sou eu!

Meu pai continua reclamando porque tem que sair da praia mais cedo pra ir buscar um frango assado para o almoço. A frase que minha mãe mais repete é: “não vim pra praia para cozinhar”, meu irmão continua passando o tempo todo dentro do mar, pegando jacaré, furando onda e ainda parece ser o único que se diverte, mesmo nos dias de chuva.

Foi, justamente, observando meu irmão que me dei conta disso. Fazia anos que não íamos para uma praia juntos e ele continua furando onda do mesmo jeito que fazia com 5, 6 ou 7 anos. Vendo essa cena no final de semana passado, fui transportada para o passado e também para o futuro.

Como as coisas mudam, daqui uns anos eu vou ser aquela tia, dos filhos do meu irmão, que chega nos finais de semana, bebi e tumultua a casa da praia. Mas como nem tudo muda, meu irmão vai continuar furando onda do mesmo jeito e se divertindo até nos dias de chuva.

Tuesday, February 08, 2011

Cara ótima

Parece que ando com a cara boa, ao menos é que andam dizendo por aí, meus amigos e até a psicóloga. Outro dia ela me disse que eu estava “mais leve, sem o peso do mundo nos ombros”.

Talvez seja verdade, ou pode ser culpa do álcool e da cevada que ando ingerindo diariamente, sábio quem falou: “decepção não mata, ensina a beber”. Estou saindo mais também, procurando os amigos, falando, dando risadas...

E daqui a pouco chega a viagem né? Então também estou ocupada pensando nessa grande realização. E tenho bastante trabalho no serviço, hoje o dia foi puxado e apesar de tudo, minha cara está ótima!

...

Mentira. Tudo mentira. Eu tive que me segurar para não chorar de saudade no terraço do Palácio Piratini, no pátio da Assembleia Legislativa, dentro do carro do meu chefe, quando liguei o rádio e tocava Pink Floyd e quando deu o teu nome para o personagem do texto que fiz na aula de espanhol.

Eu queria tanto te abraçar! Ainda amo tanto você. Ainda paro no meio de um texto pra chorar. Ainda dói tanto. Ainda fico arrepiada quando me lembro de ti. Ainda passo as noites acordada, pensando se você pensa em mim. Ainda não sei que fim dar no meu corpo.

Mas apesar de tudo isso, eu estou com uma cara ótima.

“De algum secreto lugar me vem a força para erguer a xícara, acender o cigarro, até sorrir quando alguém me diz: ‘Você hoje está com a cara ótima’, quando penso se não doeria menos jogar-me de um décimo primeiro andar” Lya Luft

Wednesday, February 02, 2011

Não lembrar

Estava ouvindo a música Doesn’t remind me do Audioslave, escutava e prestava atenção na letra, que enumera várias coisas que não o faz lembrar de nada. As situações citadas são bem simples como observar as pessoas, ver o colorido das roupas no sol, andar por um lugar desconhecido, ouvir rádio...

Fiquei pensando como às vezes é necessário não lembrar e isso não é de forma alguma, esquecer. É apenas, por alguns instantes, não lembrar, é desviar um pouco o foco do nosso cérebro, da nossa vida, do alvo principal, é quando o mundo exterior invade o nosso interior e nos leva para fora.

Acredito que essas “invasões externas” são bastante comuns na vida de todo mundo, mas penso que é muito difícil nos darmos conta disso. Como quando estamos caminhando apressados e de repente, num vôo rasante, uma mosca azulada quase bate no nosso nariz. Neste instante, a gente não lembra de nada, nem para onde estávamos indo. Mas também não nos damos conta disso, pois para isso é necessário pensar e estamos ocupados demais lembrando de coisas, que muitas vezes, gostaríamos de esquecer.

Eu desejava listar algumas coisas que quando me invadem me fazem não lembrar de nada, mas não me veio nada na cabeça, a não ser, a tal mosca azul. É muito ruim quando tudo nos faz lembrar algo ou alguém que ainda nos dói, a gente pensa em como seria bom inverter esse processo de invasão. Ao invés de não lembrar, trazer a lembrança para a realidade.

Monday, January 24, 2011

O gato por dentro




Quando eu voltei de Santa Maria, na manhã seguinte da minha morte, tinha um homem, um Policial Militar sentado do meu lado. Ele percebeu o meu choro contínuo e por vezes, alto.

Logo que ele se sentou, tirou um livro da mochila, O gato por dentro. Um livro pequeno no tamanho, no número de páginas, nos capítulos. Uma obra fácil de ler nas quatro horas que duraria a viagem, mas ele não conseguiu, não deve nem ter passado da metade. Ele ficava vários minutos olhando para a mesma página e ouvindo o meu choro.

Várias vezes, ele me ofereceu o livro. Noutras, lia para mim, uma ou outra parte e me olhava e desistia e voltava a olhar para as páginas, sem ver. Apenas no viaduto que dá acesso a rodoviária de Porto Alegre, que o homem falou comigo. Disse que o autor do livro, William Burroughs, tinha sofrido muito, mas que conseguiu reverter isso e escreveu obras primas. Eu respondi que não conhecia esse escritor e que não gostava de gatos, muito menos, de livros sobre gatos.

O fato é que eu tinha certeza que nunca ia me esquecer desse livro, nem da capa, nem dos trechos que aquele homem lia para mim, embora não lembre do rosto dele e nem ter movido uma palha para achar esse livro.

Na madrugada do último sábado, estava pegando uns livros da Fabi, no quarto dela. Já tinha selecionados uns dois, quando ela puxa um da pilha e fala “esse é ótimo, tu vai adorar!” Era O gato por dentro e na hora meu porre passou. Fiquei de cara. O gato de olhos verdes, desenhado na capa, me encarava enquanto eu sentia o nó na garganta apertar. Expliquei para a minha amiga que já nos conhecíamos e contei a história.

Agora, esse livro está aqui na minha frente, ao lado do monitor do computador. Faltam poucas páginas para eu terminá-lo, mas às vezes demoro muito, fico olhando perdida para uma mesma página, ouvindo um choro de dois meses atrás. Pensando sobre esse pequeno livro, lembro que ele me velou, o gato foi minha única testemunha e agora, voltou, trazendo flores para o meu túmulo.

“Uma esperança. Uma chance. A oportunidade perdida. A esperança morrendo. Um grito que persegue o único que pode ouvi-lo quando já está longe demais para ser escutado, uma tristeza dolorosa e arrebatadora. Este é um sofrimento sem testemunhas. ... Esse sofrimento pode matar.” (O gato por dentro, William Burroughs)

Wednesday, January 19, 2011

Tatuagens

Eu tenho mais tatuagens do que anos de vida. São 13 estrelas, quatro frases, seis borboletas, uma fada, uma lua, um sol, o símbolo do infinito e a palavra liberdade. Não me imagino sem elas, muito pelo contrário, penso em fazer mais. Provavelmente, as próximas serão o Pequeno Príncipe, no braço, e o Yin Yang, na nuca.

A primeira, a fada, eu fiz alguns dias antes de completar 15 anos, foi presente de aniversário e minha mãe me acompanhou até o estúdio. Meus pais não têm tatuagens e meu pai, nem gosta muito, mas eles nunca me proibiram de fazer. E eu nunca tive problema nenhum por causa delas.

Desde criança me imaginava com tatuagens, sempre achei lindo, seja em homem ou em mulher. Claro que tem alguns desenhos que eu não faria, mas isso vai da pessoa... Por isso, acho absurdo que no mundo que vivemos ainda haja esse tipo de preconceito. Fico pensando se há alguma atividade que uma pessoa tatuada não possa executar, por influência da tatuagem, e não identifico nenhuma.

Tem gente que diz que é agressivo. Novamente, vai de cada um, mas penso que há coisas como a violência gratuita, os casos de pedofilias, a impotência do serviço público diante da imposição da natureza, que agridem muito mais do que desenhos e cores na pele alheia.

Se existem ainda alguns redutos profissionais que não aceitam, de modo algum, a tatuagem, aí cabe à pessoa decidir se irá se tatuar ou não e, arcar com as conseqüências.

Agora, no caso dos salva vidas que desencadeou toda essa discussão, acho absurdo, beirando o ridículo. Tem lugar melhor para exibir as tatuagens do que a areia da praia? E há melhor lugar para um dragão tatuado do que o braço de um salva vida sarado?

Thursday, January 06, 2011

Histórias de novela

Nunca fui das mais noveleiras, mas como no Brasil basta ler as capas de revistas para a gente saber o que acontece nas novelas, sempre sei o que se passa. Algum tempo atrás eu costumava caminhar de tardezinha, aí até chegar em casa, tomar banho, comer... Eu só dava uma olhada na novela das 20h, que começa às 21h.

Agora como não tenho feito nada de útil na minha vida e cansei até de caminhar, tenho olhado mais assiduamente as obras primas da Rede Globo e é incrível como em todas tem várias histórias de amor ditas como impossíveis. Na Araguaia, a que menos acompanho, sei que tem um triângulo amoroso entre o mocinho, a mocinha rica e uma índia que sofre pra caramba.

Na outra, a Tititi, tem a adolescente que perdeu a virgindade e se apaixonou pelo galinhão. Tem a modelo que largou o namorado para seguir a carreira, mas ainda morre de amores por ele. Tem uma loirinha apaixonada por um rapaz comprometido com uma moça que trata ele mal. E o cara que brigou com a namorada, passou meses em Londres e acabou voltando porque não conseguia esquecer a guria.

E a Passione então? O que é o velhinho que passou mais de trintas anos amando a mulher que abandonou ele no altar? E eles se encontraram anos depois em outro país. E tem a italianinha, garota de programa, que atravessou o oceano para encontrar o cara que ela ama. A Felícia que passou anos fechada para a vida, amando seu primeiro e único namorado, eles também se encontraram anos depois e estão tentando continuar... E Melina que a vida toda amou o Mauro, viajou, voltou, casou com outro, separou, aprontou horrores só para ter uma chance com ele.

Essas são apenas as histórias que eu lembro. Na Malhação deve ter mais um monte de exemplos desse enredo, versão teen. Nas novelas do SBT, Record, Band, nas mexicanas, nas que acabaram e nas que virão, também. E é claro que todos vão acabar bem e felizes para sempre, nas novelas todo mundo acaba junto de quem se ama.

Por mais idiota que seja, me dá um aperto no peito quando assisto essas cenas. Minha história daria um bom enredo de novela, mas infelizmente é vida real e na vida real nem sempre o final é feliz.

Monday, January 03, 2011

Foi só um sonho

Na primeira noite de 2011, quer dizer, primeiro dia, porque fui dormir depois que o sol já tinha nascido, tive um sonho lindo. Sonhei que estávamos eu, a Daiani (a outra jornalista da CUT) e alguns dirigentes da Central em algum lugar que eu não sei qual é, para cobrir um ato, uma manifestação, uma reunião ou sei lá o que...

Os dirigentes entraram em uma sala e quando eu olhei para dentro dessa sala, ele estava lá, lindo, com o uniforme do Instituto Geral de Perícias. E no sonho eu pensei em como ele é perfeito. Aí ele veio na minha direção, já sem o uniforme, mas com uma camiseta azul que realçava a pela morena dele.

Ele sorria. Aquele sorriso que eu tanto amo, porque o deixa com ares de menino. Enquanto ele vinha, eu sentia meu coração saltar pela boca. Então ele me abraçou e ficamos abraçados o sonho todo, às vezes, mudávamos de posição, mas não nos desgrudávamos. E fazíamos carinho um no outro. Às vezes, a Daiani vinha, falava alguma coisa com a gente e nós ríamos muito. Estávamos felizes.

Mas o sonho não tinha som. Ao menos não enquanto ele estava comigo, ali o sentido principal era o tato. Porque eu sentia o calor da pele dele, a espessura da camiseta, o suor no pescoço quando eu mexia minha cabeça... Não sei quanto tempo durou o sonho, mas o abraço durou mais da metade do sonho. Até na hora que ele explicava alguma coisa sobre a máquina fotográfica do serviço, eu estava colada nele...

Nisso apareceu um dos secretários da CUT, chamando a imprensa. A gente se despediu, ele me beijou e desejou bom trabalho. Eu e a Daiani entramos para cobrir o ato, a manifestação, a reunião ou sei lá o que... O sonho acabou e eu ainda dormi mais um pouco.

Quando acordei, assustada, não lembrava onde estava (na casa de praia de uma amiga). Mas ainda podia sentir ele e logo comecei a chorar de saudade quando me dei conta que fora só um sonho. Sonhar com quem se ama assim é tão bom e tão cruel.

Se é verdade que nos sonhos os espíritos se encontram, eu tive o melhor sonho que eu poderia ter, porque nem que seja em outro plano, a gente esteve junto e ele estava feliz. E eu passei o dia com o peito apertado de saudade. Lembrando desse abraço tão real, mas que nem aconteceu.

Será que ele também sonhou comigo? Será que a Daiani sonhou com nós? Será que o abraço foi de despedida ou reencontro? Não sei... Só sei que ganhei o melhor abraço de ano novo que poderia ganhar e desde então, quando deito na cama e fecho os olhos, lembro dele vindo, lindo e sorrindo, na minha direção. Vai que eu tenha sorte e um dia desses, ele venha de novo, me abraçar.

“Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.” Clarice Lispector

Thursday, December 30, 2010

Sem planos para o ano novo

Parece que essa virada de ano, pela primeira vez, eu não vou entrar meia noite afora louca para me lembrar de todas as simpatias possíveis para atrair amor, saúde, dinheiro, prosperidade... Não comprei calcinha nem roupas novas para a noite do dia 31, coisas que sempre fiz, teve um ano que usei sete calcinhas, uma por cima da outra.

2010 foi cheio, muita coisa aconteceu e muita coisa boa. Eu vivi uma das melhores fases da minha vida, já sai de 2009 feliz. Mas foi esse ano que me dei conta que certos fantasmas tinham, de fato, ficado para trás e me permitir viver sem assombrações.

Sinceramente, entre janeiro e maio, várias vezes, eu me senti a pessoa mais feliz do mundo. Eu amei também, muito, como eu nunca pensei que fosse possível amar alguém. Na verdade, ainda amo e pela maneira como me arrepio cada vez que penso nisso, ainda vou amar por muito tempo.

Eu mudei muito, muito mesmo (sim, foi tudo muito mesmo). Diversos valores e opiniões que eu defendia, caíram por terra, o que foi positivo. Agora o melhor, foi ter me dado conta que para amar como eu amo, eu tive que passar por um longo processo, que provavelmente tenha começado quando eu nasci.

Foi depois de 25 anos de vida que eu me senti feliz e plena. Minha vida não estava do jeito que tinha sonhado, mas as coisas estavam melhores do que eu imaginava. Sabia que o restante viria na hora certa. Hoje, eu penso que para amar é necessário estar feliz, porque só a felicidade nos fornece o desprendimento necessário para se doar para o outro. E amor, para mim, é doação.

O que vem depois disso, se o amor vinga ou não, se tem tristeza, lágrimas, se as coisas não saem como a gente quer... É outra história. É por isso que eu não espero nada de 2011. Tenho alguns compromissos, claro, mas planos e listas de pretensões, não tenho. Isso é bom, tira um pouco o peso desse ano que entra e a gente acaba vendo isso tudo como uma troca de calendário.

Durante boa parte do ano eu desejei ser merecedora de viver o amor que eu sinto. Se eu fosse pedir algo à meia noite de hoje, seria isso. Só que, apesar de tudo, eu apenas vou agradecer ter sido tão feliz e amar da maneira que amo. Isso valeu muito mais que o ano, valeu a vida!

Presentes

Até que essa finaleira de ano, tão cheio para mim, me reservou algumas boas surpresas. Tenho mais dois livros, clássicos, na minha biblioteca. O Pequeno Príncipe, que foi o último que comprei em 2010 e Fragmentos, do Caio Fernando Abreu, que ganhei da Fabi, ontem.

E depois de tanta busca para passar a virada de ano em qualquer lugar e com o menor número de pessoas possíveis, vou para a praia com duas amigas queridas. Depois de tentar pousadas no litoral, acampamentos no meio do mato, retiros em centro de meditação e convento, Rainha do Mar é o meu destino. Na verdade, corro um grande risco de passar a virada dentro de um ônibus na freeway, mas até isso vou achar ótimo.

Hoje meus tios amados de Brusque passaram o dia aqui em casa. O Daniel sempre foi aquele tio arriado, que ensina palavrões para os sobrinhos. Quando eu era criança, ele era o meu fornecedor oficial de Barbies e ainda é o colorado mais fanático que eu conheço.

A Tati tem a risada mais gostosa que eu já ouvi e uns braços que faz toda mulher morrer de inveja, nada balança ali. O Wesley é o filho deles, o guri tá virando homem, tanto que da próxima vez que ver ele, só restará o homem.

Dia bom, de lembrar, de rir, de conversar, de casa cheia, de bagunça em volta da mesa, de matar as saudades... E é tão bom lembrar que ainda é possível matar alguma saudade, quando uma saudade absurda me consome todos os dias.

Tuesday, December 28, 2010

Dez minutos

Eu sempre tive insônia. Pelo menos desde criança era mais fácil ficar até tarde acordada e dormir pela manhã. Até hoje, acho que esse é o melhor horário para o sono. Quando tinha meus 13, 14, eu só dormia depois que o Pijama Show acabava, lá pelas 3h, claro que sempre cochilava nas aulas, mas nunca me importei com esses cochilos estudantis...

Só que minha falta de sono era sempre no início da madrugada, eu ia para cama tarde. Geralmente saia da internet em torno da 1h da manhã e lia alguma coisa até as 2h30, 3h e quando caia na cama, dormia.

Agora não, minha insônia mudou, piorou, está ainda mais torturante. Ando me deitando mais cedo, logo depois da meia noite e durmo logo. Mas 10 minutos depois, eu acordo. Fico uns minutos acordada e pego no sono. Logo depois acordo e quando vou olhar no relógio, se passaram 10 minutos.

É sempre assim, os exatos 10 minutos. Eu durmo, acordo, entro em pânico com a insônia, pego no sono e... acordo de novo. Sigo desse jeito até de manhã. Assim tem sido as minhas noites. E que horror, que angustia. A noite demora muito mais para passar.

Já decorei os horários de toda a noite. Sei quando os cachorros começam a latir, os pássaros a contar. Escuto meu irmão levantar, ele sair, meu pai levantar, meu vizinho espirrar (ele espirra sempre às 6h50!) Ouço o pai abrir a garagem, o barulho do carro dos vizinhos... Sei os programas das rádios na madrugada. Em 10 minutos dá pra se ouvir muita coisa.

O pior de tudo é que eu nunca desejei tanto dormir. Dormir e dormir, de preferência para sempre. E isso é o que eu mais ouço, a voz impiedosa dentro de mim, me mandando dormir pra não viver, pra não lembrar, pra não chora... Aí o sono vem e me leva com ele, mas me devolve logo, 10 minutos depois. Às vezes acho que é só pra não sonhar.

Friday, December 24, 2010

Então é Natal...

E daí? Eu detesto Natal e essa orgia capitalista, ouviu Papai Noel? Isso inclui você. Lamento, mas não gosto de você. Não sei por que, num país tropical como o nosso, a gente insiste nessa cultura fajuta de Papai Noel? Em cada esquina do centro de Porto Alegre a gente topa com um velho gordo, fantasiado de vermelho, coberto de suor em todos os poros. Coitadas das criancinhas que tem que sentar no seu colo...

Bom, vamos ao que interessa. Eu não vou pedir nada, não se preocupe, cinismo tem limite. Essa cartinha é só um desabafo de uma menina que há muito já se desiludiu com a vida. Por que escrevo para o senhor? Porque saber que tu foi uma invenção do marketing da Coca-cola é a primeira desilusão da vida de muita gente.

Ah sim, como você já deve imaginar, eu não fui uma boa menina. Fiz menos sexo do que gostaria. Tomei menos porres do que imaginei. Comprei menos livros do que desejava e mais do que minha conta bancária permitia. Dormi bastante, sim, mas dormir é como sexo, nunca é demais. Esse ano eu também capotei de carro, mas não morri. Viu como sou arteira?

Mas pensando bem velho barbudo, tem uma coisa que quero te pedir e acho que você vai até gostar. Vai se fuder, faz favor! Ah, o que? Tem alguém falando na TV que Natal é o aniversário de Jesus?

Nunca me convenceram que ele nasceu neste dia. Isso é só mais uma convenção da “santíssima” igreja católica e de algum papa lunático. Por que alguém acha mesmo que o todo poderoso iria nascer com o sol em capricórnio? Seria muito azar e ele não teria sido amor e bondade como dizem.

É velho Noel, não adianta apelar, eu não gosto de Natal.

Monday, December 20, 2010

Tanto faz

Tem coisa mais chata e parada que tanto faz? Tanto faz se tem sol ou chuva. Tanto faz se será cedo ou tarde. Tanto faz se dará certo ou não. Tanto faz doce ou salgado. Tanto faz insistir ou desistir. Há essas alturas... Tanto faz.

Estou numa fase tanto faz na minha vida. Sobre a minha viagem? Tanto faz se vou no inverno, se vou conhecer a Europa, se vai ser legal ou bom pra mim... Sobre o resto das coisas, é a mesma coisa...

Cansei da vida, por isso essa fase. Tanto faz é deixa rolar, não quero participar de nada mesmo. Hoje faz um mês que morri e me pergunto o que será que vem depois do tanto faz?

Tô cansada. Queria conseguir explicar para as pessoas por que viver me dói tanto. Mas as pessoas também têm seus problemas e suas dores. Quando a gente menos espera os transtornos vem à tona.

Tanto faz viver ou não, depois que a gente morre, as coisas deixam de ser singulares. É tudo uma coisa só, morosa, torturante e enlouquecedora.

Sunday, December 19, 2010

Tentando

"Depois de tão complexos exames voltávamosa novas reuniões a fim de aprendermos como de preferência devíamos ter agido para evitar o suicídio, quais deveriam ter sido os atos diários, os empreedimentos, senão nos afastáramos do raciocínio inspirado no dever, na fé em nós mesmo e no paternal amor de Deus! Em vários casos, a solução para os problemas, que abriram as portas para o abismo, ancontrava-se a dois passos de distância do sofredor; surgiria o socorro enviado pela providência ao seu filho bem amado, dentro de alguns dias, de poucos meses, bastando vontade, paciência e coragem moral, necessário ao seu progresso espiritual! Então concluímos com decepcionante surpresa que fácil teria sido a vitória a te´a felicidade, se buscáramos no amor divino a inspiração para os ditames da existência que desgraçadamente destruíramos".

Esse é um trecho do livro "Memórias de um Suicida", de Yvonne Pereira. Conta a triste histótia de um espírito que se matou... O livro tem quase 300 páginas e eu não estou nem na metade. Mas vou ler tudo, além do livro ser bom, eu preciso me salvar!!!

Wednesday, December 15, 2010

SOS

Eu preciso me salvar. Preciso fazer algo para que eu continue. Eu tô quase desistindo. Eu preciso que me enterrem antes que eu me mate.

Ando nas ruas olhando para o alto, para os prédios, pensando qual a altura para ser fatal? Embora não reze mais para eu morrer, nem isso eu consigo.

Já não tenho mais metade das minhas coisas. Metade da metade eu dei a outra, eu coloquei no lixo. Minha mãe fica feliz que eu estou me desapegando, ela diz que a gente tem que tirar o lixo velho para entrar o lixo novo. Mãe, não vai mais ter lixo, eu prometo. Nem eu, também.

Ontem eu peguei a pinça e puxei um corinho em cima da unha do dedo indicador direito, o que eu mais uso, o que mais bate. Ficou um daqueles cortezinhos chatos, que doem a cada batida. Mas essa dorzinha não é suficiente. Então coloquei o dedo no álcool, doeu um pouco, depois amorteceu.

Eu dei minha cama hoje, para um senhor que estava passando na rua, parecia ser um pai de família e bem simples. Olhei pra ele e perguntei: “o senhor quer uma cama?”, ele pensou um pouco e disse que sim. Então pedi pra ele entrar e pegar. Ele pediu pra usar o telefone, pra pedir ajuda para levar a cama, eu falei que “tudo bem, não ajudo porque tenho que terminar a faxina.” Minutos depois, o sogro dele chegou com uma Brasília, levaram minha cama e uns ursinhos de pelúcia que sobraram da infância.

Meu pai tá preocupado, trouxe um colchão velho que tem na garagem pra mim dormir. Por mim, tanto faz, não vou mais dormir. Semana passada, eu roubei R$ 500,00 da conta bancária da minha mãe. Peguei um ônibus para o interior, depois um táxi e voltei, noutro ônibus. Estava me procurando. Não me achei. Eu não sou mais eu.

Quero ir embora para um convento, para um mosteiro, para o Rio, para São Paulo, para Macapá, para Tóquio, para a Islândia, para um SPA, para um circo, para um presídio, para uma comunidade que tome Santo Daime. Eu preciso me salvar.

Tuesday, December 14, 2010

Sempre ele

Abaixo tem umas frases do Caio Fernando Abreu. Sempre que eu estou mal, que eu não me entendo, que me perco em mim, recorro ao Caio. Ele sempre sabe o que se passa comigo, melhor que eu. Então eu me encontro, me entendo...

E me faz bem, parece uma luzinha minúscula no final do túnel. Parece que eu vou sobreviver, que eu vou sair ilesa, que realmente isso tudo vai passar. E eu penso, também, que talvez um dia eu escreva coisas que fazem as pessoas pensarem: “sim, tem saída. Apesar dessa canoa furada, sobreviveremos.”

“Vontade só de dormir, dormir muito, para nunca mais acordar. (...) Só tenho passado, o presente é esta viscosidade o futuro não existe. Ah, eu queria ter um objetivo na vida, uma coisa que sugasse todas as minhas forças, conduzisse todos os meus gestos e todas as minhas palavras. Não tenho nada, só este vazio.” Caio F.

“Cada vez mais frias, e os dias estão cada vez mais duros, e eu tento, tento tanto disfarçar essa dor no me peito e esse nó na garganta, mais chegou o ponto em que eu já não sou mais forte o suficiente, já estou consumida pelo desejo quase incontrolável de desaparecer, pra sempre.” Caio F.

“Um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim.” Caio F.

“E repito: andei pensando coisas sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro- mas a morte é inevitável, portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor - essa pessoa - continua viva, há então uma morte anormal. O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS quem morreu. E dói mais fundo- porque se poderia ter, já que está vivo. Mas não se tem, nem se terá.” Caio F.

Sunday, December 12, 2010

A fé não dá respostas, ela impede as perguntas

Li essa frase sábado e desde então estou pensando... No meio de tantas dúvidas que está minha cabeça, ela me deu uma luz. Eu não tinha respostas porque eu nem sequer perguntava. Eureka!!! Agora a certeza de que não há respostas para minhas perguntas, me mata.

Eu já tive depressão e nem naquela fase, que sem dúvida foi a pior da minha vida, eu estava assim, sem fé. Sábado mesmo, eu me diverti um monte, ri pra caramba, mas
às vezes, no meio da risada eu me pergunto pra quê tudo isso?

Enquanto eu via o espetáculo Exotiquè, do Tholl, pensava como é triste quando nada nos abala, nada muda. O show é lindo, super bem montado e interpretado. Mas aquelas pessoas tão lindas, tão maquiadas, devem ser também tão sofridas, provavelmente tiveram que abrir mão de muita coisa... Será que valeu a pena? Em que momento eles morreram e se obrigaram a renascer?

Eu já perdi a vontade de viver antes. Simplesmente não me imaginava com 25, 30, 32, 47 anos... Não fazia planos porque não queria viver. Agora, mesmo morta, eu consigo me imaginar num mestrado, viajando, morando no Rio ou quem sabe em BH. Posso passar um tempo num SPA, num convento, num hospício... Posso chegar aos 98 anos.

Sei que posso continuar sem fé. Sem querer. Sem vontade e até mesmo sem entender. Só que será uma vida vazia ou uma vida cheia de nada.

Friday, December 10, 2010

Passagens na bolsa

Eu sempre pensei em viajar. Geralmente quando alguém me pergunta(va) qual meu sonho, era isso que eu respondia. Ainda é. Só que eu sempre quis também estudar fora, morar mesmo em outro lugar, e não apenas fazer turismo.

Meus pais nunca tiveram grana para me bancar num intercâmbio, quando era mais nova. Depois veio a faculdade e a mensalidade da mesma. A formatura e alguns meses sem emprego, depois veio um trabalho e o salário, mas veio também uma pós-graduação e novamente, a mensalidade.

Desde que eu comecei a trabalhar, eu sempre guardei boa parte do que ganhava. Paguei meu silicone, paguei minha pós e as minhas pequenas viagens nesse período. Claro que às vezes, tinha que ser socorrida pelo meu pai, mas garanto foram poucas vezes e ele sempre se orgulhou disso.

Agora é a hora de ir para mais longe. Eu sempre imaginei que o dia que tudo isso se concretizasse, que eu comprasse as passagens, que eu tivesse certeza que em pouco tempo eu iria pegar um avião e desembarcar em algum lugar do mundo, seria um dos dias mais felizes da minha vida.

Esse dia foi hoje, mas nem de longe foi o dia mais feliz da minha vida. Eu já paguei um curso e a hospedagem na Espanha, já fiz meu roteiro e comprei um programa para conhecer algumas cidades européias, meu passaporte está pronto há anos, as férias excepcionais que tirarei no serviço estão aceitas e acertadas. E hoje, eu comprei as passagens.

Dia 5 de março, embarco para Barcelona. Agora tá tudo certo, é oficial. Agora, já dá pra falar pra todo mundo. Agora é só esperar e vai passar logo, porque o tempo passa voando e logo já será o dia 5 de março.

Enquanto caminhava pela Av. Independência, indo trabalhar, com as minhas passagens na bolsa, eu me perguntava onde estava aquela felicidade toda que sempre tinha imaginado e esperado naquele momento. Não teve pulos, gritos, telefonemas eufóricos para contar a novidade, nada disso...

Eu era só uma mulher apressada, entre a triste e a estressada, que se dava conta dessas ironias da vida. Eu pensava nas coisas, bem poucas, que eu desejo muito mais que essa viagem. Eu trocaria isso tudo por tão pouco...

Monday, December 06, 2010

Qualquer lugar

Que mania estranha essa que alguns seres da espécie humana tem, de querer fugir para qualquer lugar. Lugar que não se sabe. O que importa é mudar, é fugir, é não reconhecer o contexto. Quem sabe, assim a novidade se torne maior que a atual realidade.

Como aquela música do Tim Maia que diz "pensei até em me mudar. Lugar qualquer que não exista o pensamento em você." Como a gente faz pra fugir da gente mesmo? Será possível mudar de lugar e tudo mudar? Será só uma ilusão? Às vezes eu penso que tudo é ilusão, inclusive viver.

Eu queria sair de mim, isso sim. Ir para um lugar, qualquer lugar, onde eu não estivesse, onde eu não me encontrasse. Ou até mesmo, onde me tornasse uma estranha.

Embora eu já tenha me tornado uma estranha. Esse ser descrente, não sou eu. Essa mulher que quer casar e ter filhos, não sou eu. Mas por outro lado, a pessoa que acreditava em Deus e cartomantes, também não era eu. A mulher que sempre se imaginou sozinha, também não era eu.

Eu não me reconheço mais. O que nos une, a de ontem e a de hoje, é o que sentimos. Só isso. Por isso, sim, eu penso em me mudar. Pra um lugar qualquer onde não exista o pensamento em você e muito menos a consciência do eu.

Quase um Haikai

Tômara que na próxima vida eu volte pedra. Às vezes, ser humano é demasiadamente desumano.