"Depois de tão complexos exames voltávamosa novas reuniões a fim de aprendermos como de preferência devíamos ter agido para evitar o suicídio, quais deveriam ter sido os atos diários, os empreedimentos, senão nos afastáramos do raciocínio inspirado no dever, na fé em nós mesmo e no paternal amor de Deus! Em vários casos, a solução para os problemas, que abriram as portas para o abismo, ancontrava-se a dois passos de distância do sofredor; surgiria o socorro enviado pela providência ao seu filho bem amado, dentro de alguns dias, de poucos meses, bastando vontade, paciência e coragem moral, necessário ao seu progresso espiritual! Então concluímos com decepcionante surpresa que fácil teria sido a vitória a te´a felicidade, se buscáramos no amor divino a inspiração para os ditames da existência que desgraçadamente destruíramos".
Esse é um trecho do livro "Memórias de um Suicida", de Yvonne Pereira. Conta a triste histótia de um espírito que se matou... O livro tem quase 300 páginas e eu não estou nem na metade. Mas vou ler tudo, além do livro ser bom, eu preciso me salvar!!!
Sunday, December 19, 2010
Wednesday, December 15, 2010
SOS
Eu preciso me salvar. Preciso fazer algo para que eu continue. Eu tô quase desistindo. Eu preciso que me enterrem antes que eu me mate.
Ando nas ruas olhando para o alto, para os prédios, pensando qual a altura para ser fatal? Embora não reze mais para eu morrer, nem isso eu consigo.
Já não tenho mais metade das minhas coisas. Metade da metade eu dei a outra, eu coloquei no lixo. Minha mãe fica feliz que eu estou me desapegando, ela diz que a gente tem que tirar o lixo velho para entrar o lixo novo. Mãe, não vai mais ter lixo, eu prometo. Nem eu, também.
Ontem eu peguei a pinça e puxei um corinho em cima da unha do dedo indicador direito, o que eu mais uso, o que mais bate. Ficou um daqueles cortezinhos chatos, que doem a cada batida. Mas essa dorzinha não é suficiente. Então coloquei o dedo no álcool, doeu um pouco, depois amorteceu.
Eu dei minha cama hoje, para um senhor que estava passando na rua, parecia ser um pai de família e bem simples. Olhei pra ele e perguntei: “o senhor quer uma cama?”, ele pensou um pouco e disse que sim. Então pedi pra ele entrar e pegar. Ele pediu pra usar o telefone, pra pedir ajuda para levar a cama, eu falei que “tudo bem, não ajudo porque tenho que terminar a faxina.” Minutos depois, o sogro dele chegou com uma Brasília, levaram minha cama e uns ursinhos de pelúcia que sobraram da infância.
Meu pai tá preocupado, trouxe um colchão velho que tem na garagem pra mim dormir. Por mim, tanto faz, não vou mais dormir. Semana passada, eu roubei R$ 500,00 da conta bancária da minha mãe. Peguei um ônibus para o interior, depois um táxi e voltei, noutro ônibus. Estava me procurando. Não me achei. Eu não sou mais eu.
Quero ir embora para um convento, para um mosteiro, para o Rio, para São Paulo, para Macapá, para Tóquio, para a Islândia, para um SPA, para um circo, para um presídio, para uma comunidade que tome Santo Daime. Eu preciso me salvar.
Ando nas ruas olhando para o alto, para os prédios, pensando qual a altura para ser fatal? Embora não reze mais para eu morrer, nem isso eu consigo.
Já não tenho mais metade das minhas coisas. Metade da metade eu dei a outra, eu coloquei no lixo. Minha mãe fica feliz que eu estou me desapegando, ela diz que a gente tem que tirar o lixo velho para entrar o lixo novo. Mãe, não vai mais ter lixo, eu prometo. Nem eu, também.
Ontem eu peguei a pinça e puxei um corinho em cima da unha do dedo indicador direito, o que eu mais uso, o que mais bate. Ficou um daqueles cortezinhos chatos, que doem a cada batida. Mas essa dorzinha não é suficiente. Então coloquei o dedo no álcool, doeu um pouco, depois amorteceu.
Eu dei minha cama hoje, para um senhor que estava passando na rua, parecia ser um pai de família e bem simples. Olhei pra ele e perguntei: “o senhor quer uma cama?”, ele pensou um pouco e disse que sim. Então pedi pra ele entrar e pegar. Ele pediu pra usar o telefone, pra pedir ajuda para levar a cama, eu falei que “tudo bem, não ajudo porque tenho que terminar a faxina.” Minutos depois, o sogro dele chegou com uma Brasília, levaram minha cama e uns ursinhos de pelúcia que sobraram da infância.
Meu pai tá preocupado, trouxe um colchão velho que tem na garagem pra mim dormir. Por mim, tanto faz, não vou mais dormir. Semana passada, eu roubei R$ 500,00 da conta bancária da minha mãe. Peguei um ônibus para o interior, depois um táxi e voltei, noutro ônibus. Estava me procurando. Não me achei. Eu não sou mais eu.
Quero ir embora para um convento, para um mosteiro, para o Rio, para São Paulo, para Macapá, para Tóquio, para a Islândia, para um SPA, para um circo, para um presídio, para uma comunidade que tome Santo Daime. Eu preciso me salvar.
Tuesday, December 14, 2010
Sempre ele
Abaixo tem umas frases do Caio Fernando Abreu. Sempre que eu estou mal, que eu não me entendo, que me perco em mim, recorro ao Caio. Ele sempre sabe o que se passa comigo, melhor que eu. Então eu me encontro, me entendo...
E me faz bem, parece uma luzinha minúscula no final do túnel. Parece que eu vou sobreviver, que eu vou sair ilesa, que realmente isso tudo vai passar. E eu penso, também, que talvez um dia eu escreva coisas que fazem as pessoas pensarem: “sim, tem saída. Apesar dessa canoa furada, sobreviveremos.”
“Vontade só de dormir, dormir muito, para nunca mais acordar. (...) Só tenho passado, o presente é esta viscosidade o futuro não existe. Ah, eu queria ter um objetivo na vida, uma coisa que sugasse todas as minhas forças, conduzisse todos os meus gestos e todas as minhas palavras. Não tenho nada, só este vazio.” Caio F.
“Cada vez mais frias, e os dias estão cada vez mais duros, e eu tento, tento tanto disfarçar essa dor no me peito e esse nó na garganta, mais chegou o ponto em que eu já não sou mais forte o suficiente, já estou consumida pelo desejo quase incontrolável de desaparecer, pra sempre.” Caio F.
“Um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim.” Caio F.
“E repito: andei pensando coisas sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro- mas a morte é inevitável, portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor - essa pessoa - continua viva, há então uma morte anormal. O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS quem morreu. E dói mais fundo- porque se poderia ter, já que está vivo. Mas não se tem, nem se terá.” Caio F.
E me faz bem, parece uma luzinha minúscula no final do túnel. Parece que eu vou sobreviver, que eu vou sair ilesa, que realmente isso tudo vai passar. E eu penso, também, que talvez um dia eu escreva coisas que fazem as pessoas pensarem: “sim, tem saída. Apesar dessa canoa furada, sobreviveremos.”
“Vontade só de dormir, dormir muito, para nunca mais acordar. (...) Só tenho passado, o presente é esta viscosidade o futuro não existe. Ah, eu queria ter um objetivo na vida, uma coisa que sugasse todas as minhas forças, conduzisse todos os meus gestos e todas as minhas palavras. Não tenho nada, só este vazio.” Caio F.
“Cada vez mais frias, e os dias estão cada vez mais duros, e eu tento, tento tanto disfarçar essa dor no me peito e esse nó na garganta, mais chegou o ponto em que eu já não sou mais forte o suficiente, já estou consumida pelo desejo quase incontrolável de desaparecer, pra sempre.” Caio F.
“Um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim.” Caio F.
“E repito: andei pensando coisas sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro- mas a morte é inevitável, portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor - essa pessoa - continua viva, há então uma morte anormal. O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS quem morreu. E dói mais fundo- porque se poderia ter, já que está vivo. Mas não se tem, nem se terá.” Caio F.
Sunday, December 12, 2010
A fé não dá respostas, ela impede as perguntas
Li essa frase sábado e desde então estou pensando... No meio de tantas dúvidas que está minha cabeça, ela me deu uma luz. Eu não tinha respostas porque eu nem sequer perguntava. Eureka!!! Agora a certeza de que não há respostas para minhas perguntas, me mata.
Eu já tive depressão e nem naquela fase, que sem dúvida foi a pior da minha vida, eu estava assim, sem fé. Sábado mesmo, eu me diverti um monte, ri pra caramba, mas
às vezes, no meio da risada eu me pergunto pra quê tudo isso?
Enquanto eu via o espetáculo Exotiquè, do Tholl, pensava como é triste quando nada nos abala, nada muda. O show é lindo, super bem montado e interpretado. Mas aquelas pessoas tão lindas, tão maquiadas, devem ser também tão sofridas, provavelmente tiveram que abrir mão de muita coisa... Será que valeu a pena? Em que momento eles morreram e se obrigaram a renascer?
Eu já perdi a vontade de viver antes. Simplesmente não me imaginava com 25, 30, 32, 47 anos... Não fazia planos porque não queria viver. Agora, mesmo morta, eu consigo me imaginar num mestrado, viajando, morando no Rio ou quem sabe em BH. Posso passar um tempo num SPA, num convento, num hospício... Posso chegar aos 98 anos.
Sei que posso continuar sem fé. Sem querer. Sem vontade e até mesmo sem entender. Só que será uma vida vazia ou uma vida cheia de nada.
Eu já tive depressão e nem naquela fase, que sem dúvida foi a pior da minha vida, eu estava assim, sem fé. Sábado mesmo, eu me diverti um monte, ri pra caramba, mas
às vezes, no meio da risada eu me pergunto pra quê tudo isso?
Enquanto eu via o espetáculo Exotiquè, do Tholl, pensava como é triste quando nada nos abala, nada muda. O show é lindo, super bem montado e interpretado. Mas aquelas pessoas tão lindas, tão maquiadas, devem ser também tão sofridas, provavelmente tiveram que abrir mão de muita coisa... Será que valeu a pena? Em que momento eles morreram e se obrigaram a renascer?
Eu já perdi a vontade de viver antes. Simplesmente não me imaginava com 25, 30, 32, 47 anos... Não fazia planos porque não queria viver. Agora, mesmo morta, eu consigo me imaginar num mestrado, viajando, morando no Rio ou quem sabe em BH. Posso passar um tempo num SPA, num convento, num hospício... Posso chegar aos 98 anos.
Sei que posso continuar sem fé. Sem querer. Sem vontade e até mesmo sem entender. Só que será uma vida vazia ou uma vida cheia de nada.
Friday, December 10, 2010
Passagens na bolsa
Eu sempre pensei em viajar. Geralmente quando alguém me pergunta(va) qual meu sonho, era isso que eu respondia. Ainda é. Só que eu sempre quis também estudar fora, morar mesmo em outro lugar, e não apenas fazer turismo.
Meus pais nunca tiveram grana para me bancar num intercâmbio, quando era mais nova. Depois veio a faculdade e a mensalidade da mesma. A formatura e alguns meses sem emprego, depois veio um trabalho e o salário, mas veio também uma pós-graduação e novamente, a mensalidade.
Desde que eu comecei a trabalhar, eu sempre guardei boa parte do que ganhava. Paguei meu silicone, paguei minha pós e as minhas pequenas viagens nesse período. Claro que às vezes, tinha que ser socorrida pelo meu pai, mas garanto foram poucas vezes e ele sempre se orgulhou disso.
Agora é a hora de ir para mais longe. Eu sempre imaginei que o dia que tudo isso se concretizasse, que eu comprasse as passagens, que eu tivesse certeza que em pouco tempo eu iria pegar um avião e desembarcar em algum lugar do mundo, seria um dos dias mais felizes da minha vida.
Esse dia foi hoje, mas nem de longe foi o dia mais feliz da minha vida. Eu já paguei um curso e a hospedagem na Espanha, já fiz meu roteiro e comprei um programa para conhecer algumas cidades européias, meu passaporte está pronto há anos, as férias excepcionais que tirarei no serviço estão aceitas e acertadas. E hoje, eu comprei as passagens.
Dia 5 de março, embarco para Barcelona. Agora tá tudo certo, é oficial. Agora, já dá pra falar pra todo mundo. Agora é só esperar e vai passar logo, porque o tempo passa voando e logo já será o dia 5 de março.
Enquanto caminhava pela Av. Independência, indo trabalhar, com as minhas passagens na bolsa, eu me perguntava onde estava aquela felicidade toda que sempre tinha imaginado e esperado naquele momento. Não teve pulos, gritos, telefonemas eufóricos para contar a novidade, nada disso...
Eu era só uma mulher apressada, entre a triste e a estressada, que se dava conta dessas ironias da vida. Eu pensava nas coisas, bem poucas, que eu desejo muito mais que essa viagem. Eu trocaria isso tudo por tão pouco...
Meus pais nunca tiveram grana para me bancar num intercâmbio, quando era mais nova. Depois veio a faculdade e a mensalidade da mesma. A formatura e alguns meses sem emprego, depois veio um trabalho e o salário, mas veio também uma pós-graduação e novamente, a mensalidade.
Desde que eu comecei a trabalhar, eu sempre guardei boa parte do que ganhava. Paguei meu silicone, paguei minha pós e as minhas pequenas viagens nesse período. Claro que às vezes, tinha que ser socorrida pelo meu pai, mas garanto foram poucas vezes e ele sempre se orgulhou disso.
Agora é a hora de ir para mais longe. Eu sempre imaginei que o dia que tudo isso se concretizasse, que eu comprasse as passagens, que eu tivesse certeza que em pouco tempo eu iria pegar um avião e desembarcar em algum lugar do mundo, seria um dos dias mais felizes da minha vida.
Esse dia foi hoje, mas nem de longe foi o dia mais feliz da minha vida. Eu já paguei um curso e a hospedagem na Espanha, já fiz meu roteiro e comprei um programa para conhecer algumas cidades européias, meu passaporte está pronto há anos, as férias excepcionais que tirarei no serviço estão aceitas e acertadas. E hoje, eu comprei as passagens.
Dia 5 de março, embarco para Barcelona. Agora tá tudo certo, é oficial. Agora, já dá pra falar pra todo mundo. Agora é só esperar e vai passar logo, porque o tempo passa voando e logo já será o dia 5 de março.
Enquanto caminhava pela Av. Independência, indo trabalhar, com as minhas passagens na bolsa, eu me perguntava onde estava aquela felicidade toda que sempre tinha imaginado e esperado naquele momento. Não teve pulos, gritos, telefonemas eufóricos para contar a novidade, nada disso...
Eu era só uma mulher apressada, entre a triste e a estressada, que se dava conta dessas ironias da vida. Eu pensava nas coisas, bem poucas, que eu desejo muito mais que essa viagem. Eu trocaria isso tudo por tão pouco...
Monday, December 06, 2010
Qualquer lugar
Que mania estranha essa que alguns seres da espécie humana tem, de querer fugir para qualquer lugar. Lugar que não se sabe. O que importa é mudar, é fugir, é não reconhecer o contexto. Quem sabe, assim a novidade se torne maior que a atual realidade.
Como aquela música do Tim Maia que diz "pensei até em me mudar. Lugar qualquer que não exista o pensamento em você." Como a gente faz pra fugir da gente mesmo? Será possível mudar de lugar e tudo mudar? Será só uma ilusão? Às vezes eu penso que tudo é ilusão, inclusive viver.
Eu queria sair de mim, isso sim. Ir para um lugar, qualquer lugar, onde eu não estivesse, onde eu não me encontrasse. Ou até mesmo, onde me tornasse uma estranha.
Embora eu já tenha me tornado uma estranha. Esse ser descrente, não sou eu. Essa mulher que quer casar e ter filhos, não sou eu. Mas por outro lado, a pessoa que acreditava em Deus e cartomantes, também não era eu. A mulher que sempre se imaginou sozinha, também não era eu.
Eu não me reconheço mais. O que nos une, a de ontem e a de hoje, é o que sentimos. Só isso. Por isso, sim, eu penso em me mudar. Pra um lugar qualquer onde não exista o pensamento em você e muito menos a consciência do eu.
Como aquela música do Tim Maia que diz "pensei até em me mudar. Lugar qualquer que não exista o pensamento em você." Como a gente faz pra fugir da gente mesmo? Será possível mudar de lugar e tudo mudar? Será só uma ilusão? Às vezes eu penso que tudo é ilusão, inclusive viver.
Eu queria sair de mim, isso sim. Ir para um lugar, qualquer lugar, onde eu não estivesse, onde eu não me encontrasse. Ou até mesmo, onde me tornasse uma estranha.
Embora eu já tenha me tornado uma estranha. Esse ser descrente, não sou eu. Essa mulher que quer casar e ter filhos, não sou eu. Mas por outro lado, a pessoa que acreditava em Deus e cartomantes, também não era eu. A mulher que sempre se imaginou sozinha, também não era eu.
Eu não me reconheço mais. O que nos une, a de ontem e a de hoje, é o que sentimos. Só isso. Por isso, sim, eu penso em me mudar. Pra um lugar qualquer onde não exista o pensamento em você e muito menos a consciência do eu.
Quase um Haikai
Tômara que na próxima vida eu volte pedra. Às vezes, ser humano é demasiadamente desumano.
Monday, November 29, 2010
Mais sobre a fé ou a falta de...
Pior do que perder a fé nas coisas, sejam elas abstratas e espirituais, é perder a fé em si, nas coisas práticas e diárias. Não ver sentido em levantar da cama todas as manhãs. Não acreditar nem que exista um amanhã e que as coisas podem melhorar.
Eu não consigo mais planejar nada. Outro dia comentei sobre fazer mestrado com um colega do serviço, eu sempre pensei em continuar estudando, mas me pareceu tão estranho. Fazer mestrado pra quê? Para contribuir com as pesquisas acadêmicas? Ninguém liga pra isso. Pra satisfazer uma vontade minha? É só pra manter minha cabeça doentia ocupada.
Eu não entendo porque uma pessoa que de repente, se tornou tão vazia como eu, ainda respira. Inspirar, encher os pulmões de ar, expirar... Pra quê? Por quê? Qual é o sentido dessa porra toda?
Ainda hoje uma amiga me disse que é a esperança, a fé (seja lá no que), que nos faz levantar da cama e ir em frente, de cabeça erguida. A única coisa que me impulsiona é que todas as manhãs eu penso que é um dia menos desta tortura toda. Um dia isso tudo vai acabar.
Eu não consigo mais planejar nada. Outro dia comentei sobre fazer mestrado com um colega do serviço, eu sempre pensei em continuar estudando, mas me pareceu tão estranho. Fazer mestrado pra quê? Para contribuir com as pesquisas acadêmicas? Ninguém liga pra isso. Pra satisfazer uma vontade minha? É só pra manter minha cabeça doentia ocupada.
Eu não entendo porque uma pessoa que de repente, se tornou tão vazia como eu, ainda respira. Inspirar, encher os pulmões de ar, expirar... Pra quê? Por quê? Qual é o sentido dessa porra toda?
Ainda hoje uma amiga me disse que é a esperança, a fé (seja lá no que), que nos faz levantar da cama e ir em frente, de cabeça erguida. A única coisa que me impulsiona é que todas as manhãs eu penso que é um dia menos desta tortura toda. Um dia isso tudo vai acabar.
Sunday, November 28, 2010
Sem fé
“...não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais destrutiva que insistir sem fé nenhuma?”Caio Fernando Abreu.
Eu sempre fui uma pessoa crente e sempre achei importante crer em algo. Mas alguma coisa mudou e me faz questionar tudo, de Deus ao vegetarianismo. Eu me sinto vazia de fé. As coisas perderam o sentido.
Astrologia, Feng Shui, I – Ching, trânsitos planetários, cartomantes, Pais de Santos... Não acredito mais nisso. E podem ser coisas superficiais, mas que me faziam bem. Meu quarto foi planejado com o Feng Shui, sabia de cor em qual signo a lua se encontrava e como os planetas estavam no dia. Eram coisas que me davam um sentido.
Conspiração do universo, energia positiva, pensamento premonitório... Faziam eu pensar em coisas boas. Só. Agora não me pegam mais. Nada mais me pega. Eu que sempre andei com a cabeça na lua, cai na terra de cabeça.
Anjos, mentores espirituais, Kardecismo, Deus... Sinceramente? Não sei. Tudo não passa de um grande ponto de interrogação dentro de mim. Tem uma semana que eu não oro mais, eu tentei, mas não consegui, foi quando percebi algo estranho. Desde o dia que morri não consigo mais orar, não creio mais no poder da oração.
Eu não queria que isso tivesse acontecido, é triste não encontrar um sentido nas coisas. Talvez eu vire uma adepta do racionalismo. Não iria estranhar, quando a gente perde a fé, a gente perde também, a capacidade de se surpreender com a vida. Não vou estranhar nem se me der vontade de comer uma boa e sangrenta carne assada.
Eu sempre fui uma pessoa crente e sempre achei importante crer em algo. Mas alguma coisa mudou e me faz questionar tudo, de Deus ao vegetarianismo. Eu me sinto vazia de fé. As coisas perderam o sentido.
Astrologia, Feng Shui, I – Ching, trânsitos planetários, cartomantes, Pais de Santos... Não acredito mais nisso. E podem ser coisas superficiais, mas que me faziam bem. Meu quarto foi planejado com o Feng Shui, sabia de cor em qual signo a lua se encontrava e como os planetas estavam no dia. Eram coisas que me davam um sentido.
Conspiração do universo, energia positiva, pensamento premonitório... Faziam eu pensar em coisas boas. Só. Agora não me pegam mais. Nada mais me pega. Eu que sempre andei com a cabeça na lua, cai na terra de cabeça.
Anjos, mentores espirituais, Kardecismo, Deus... Sinceramente? Não sei. Tudo não passa de um grande ponto de interrogação dentro de mim. Tem uma semana que eu não oro mais, eu tentei, mas não consegui, foi quando percebi algo estranho. Desde o dia que morri não consigo mais orar, não creio mais no poder da oração.
Eu não queria que isso tivesse acontecido, é triste não encontrar um sentido nas coisas. Talvez eu vire uma adepta do racionalismo. Não iria estranhar, quando a gente perde a fé, a gente perde também, a capacidade de se surpreender com a vida. Não vou estranhar nem se me der vontade de comer uma boa e sangrenta carne assada.
Twittando
Agora eu tenho um twitter (@re_remachado). E daí né? Mais uma inutilidade pessoal numa era de inutilidades coletivas. Não basta ter amigos, temos que ter seguidores!
Foi a Fabi e o Cris que me convenceram a fazer um, isso há duas semanas. No dia, perguntei: “mas o que eu vou twittar?” Mesmo com essa dúvida, eles me convenceram e eu prometi. Demorei, mas cumpri.
Não sei mexer direito naquilo e continuo sem saber o que escrever lá, ainda mais com tão poucos caracteres... Ando tão de saco cheio da vida. Não preciso twittar isso e, nem as pessoas merecem, ficarem lendo minhas chatices, já basta aqui.
Sei lá, tô no twitter agora, até quando não sei...
Foi a Fabi e o Cris que me convenceram a fazer um, isso há duas semanas. No dia, perguntei: “mas o que eu vou twittar?” Mesmo com essa dúvida, eles me convenceram e eu prometi. Demorei, mas cumpri.
Não sei mexer direito naquilo e continuo sem saber o que escrever lá, ainda mais com tão poucos caracteres... Ando tão de saco cheio da vida. Não preciso twittar isso e, nem as pessoas merecem, ficarem lendo minhas chatices, já basta aqui.
Sei lá, tô no twitter agora, até quando não sei...
Saturday, November 27, 2010
Missa de 7º dia
Eu morri há sete dias. Isso aqui é uma celebração, como uma missa de 7º dia. Nunca entendi o motivo do 7º dia após a morte, nem agora... Bom, eu que acreditava que o corpo morria e o espírito continuava vivinho da silva, estou perdida e sem entender.
Como assim, a alma morreu e o corpo continua? Meu corpo está tentando manter as aparências, tanto que ainda fico em pé! Ainda trabalho, como, converso, leio, escrevo... Deve ser como aquela sensação que pessoas mutiladas têm quando sentem dor nas partes do corpo que não existem mais...
Há exatos sete dias eu estava morrendo. Porque na verdade eu não morri assim, de uma hora para outra. Eu fui morrendo, lentamente, lá em Santa Maria. Dizem que as pessoas pressentem quando vão morrer e de fato, é verdade, quando eu embarquei no ônibus sabia que seria uma viagem sem volta.
Eu estava feliz, não uma felicidade eufórica (que sentia no sábado de manhã, último dia da minha vida). Mas uma felicidade branda, que se contenta com pouco, de quem sabe que tentou até o último minuto.
Morri durante a madrugada, confortável, deitada numa cama, de banho tomado, coberta com edredons, com ar condicionado ligado e abraçada no homem que eu amo. Eu chorei, peguei no sono e não acordei mais.
Meu corpo levantou, foi colocado num taxi, entrou num ônibus para Porto Alegre e chorou os quase 300 quilômetros. Chorei a minha própria morte, o amor que me deu sentido, a saudade que quase me enlouqueceu e a minha alma que estava morta e tinha ficado para trás.
Eu morri há sete dias, num apartamento em Santa Maria. Foi numa noite agradável, estrelada e de lua linda e cheia no céu. Eu morri feliz.
Como assim, a alma morreu e o corpo continua? Meu corpo está tentando manter as aparências, tanto que ainda fico em pé! Ainda trabalho, como, converso, leio, escrevo... Deve ser como aquela sensação que pessoas mutiladas têm quando sentem dor nas partes do corpo que não existem mais...
Há exatos sete dias eu estava morrendo. Porque na verdade eu não morri assim, de uma hora para outra. Eu fui morrendo, lentamente, lá em Santa Maria. Dizem que as pessoas pressentem quando vão morrer e de fato, é verdade, quando eu embarquei no ônibus sabia que seria uma viagem sem volta.
Eu estava feliz, não uma felicidade eufórica (que sentia no sábado de manhã, último dia da minha vida). Mas uma felicidade branda, que se contenta com pouco, de quem sabe que tentou até o último minuto.
Morri durante a madrugada, confortável, deitada numa cama, de banho tomado, coberta com edredons, com ar condicionado ligado e abraçada no homem que eu amo. Eu chorei, peguei no sono e não acordei mais.
Meu corpo levantou, foi colocado num taxi, entrou num ônibus para Porto Alegre e chorou os quase 300 quilômetros. Chorei a minha própria morte, o amor que me deu sentido, a saudade que quase me enlouqueceu e a minha alma que estava morta e tinha ficado para trás.
Eu morri há sete dias, num apartamento em Santa Maria. Foi numa noite agradável, estrelada e de lua linda e cheia no céu. Eu morri feliz.
Tuesday, November 23, 2010
Trilha do meu momento
Vale de Lágrimas
Lulu Santos
Deixa eu lhe dizer
O que eu passei
Desde que você
Se desapegou de mim
Eu zanzei pelas ruas,
um molambo
Sonâmbulo,
insone e insano
Queria me atirar no mar
Só para me afogar
Que ainda é melhor
Que ser um devedor
Nas contas do amor
Preferia um deserto atravessar
Sob o sol e as noites sem luar
Do que dar meu braço a torcer
Que você não está
Que você não vem
Faça-me um favor
Volta para mim
É o que sei dizer,
nada mais
Senão me repetir
Que zanzei pelas ruas,
um molambo
Sonâmbulo,
insone e insano
Queria me atirar no mar
Só pra me afogar
Que ainda é melhor
Que ser um desertor
Dos campos do amor
Preferia um deserto atravessar
Sob o sol e as noites sem luar
Do que dar meu braço a torcer
Que você não está
Que você não vem
Faça-me um favor
Volta para mim
É o que sei dizer,
nada mais
Senão me repetir
Outra vez
Preferia um deserto atravessar
Sob o sol e as noites sem luar
Do que dar meu braço a torcer
Que você não está
Que você não vem
Faça-me um favor
Volta para mim
Lulu Santos
Deixa eu lhe dizer
O que eu passei
Desde que você
Se desapegou de mim
Eu zanzei pelas ruas,
um molambo
Sonâmbulo,
insone e insano
Queria me atirar no mar
Só para me afogar
Que ainda é melhor
Que ser um devedor
Nas contas do amor
Preferia um deserto atravessar
Sob o sol e as noites sem luar
Do que dar meu braço a torcer
Que você não está
Que você não vem
Faça-me um favor
Volta para mim
É o que sei dizer,
nada mais
Senão me repetir
Que zanzei pelas ruas,
um molambo
Sonâmbulo,
insone e insano
Queria me atirar no mar
Só pra me afogar
Que ainda é melhor
Que ser um desertor
Dos campos do amor
Preferia um deserto atravessar
Sob o sol e as noites sem luar
Do que dar meu braço a torcer
Que você não está
Que você não vem
Faça-me um favor
Volta para mim
É o que sei dizer,
nada mais
Senão me repetir
Outra vez
Preferia um deserto atravessar
Sob o sol e as noites sem luar
Do que dar meu braço a torcer
Que você não está
Que você não vem
Faça-me um favor
Volta para mim
Thursday, November 18, 2010
Pedaços
Eu ando em pedaços. Às vezes eu tenho que correr atrás de algum pedaço que avança pelo caminho. Em outras, que tenho que parar e esperar os pedaços que ficaram para trás.
Estar em pedaços cansa. Pois tenho que fazer um esforço sobre humano para parecer inteira. É quase uma mentira e, uma mentira que deforma a alma. Dói muito, dói tudo. Até sorrir machuca.
Por hora, estou conseguindo manter alguns pedacinhos juntos e em pé, eles desmoronam sim e várias vezes ao dia. Em inúmeros momentos eu penso: “deu, agora eu vou desmoronar!”
Mas sempre tem uma ou outra parte que resiste. É uma tortura, um esforço físico e mental. Eu tenho que manter a ordem do caos. Eu tenho que viver, morta por dentro.
Estar em pedaços cansa. Pois tenho que fazer um esforço sobre humano para parecer inteira. É quase uma mentira e, uma mentira que deforma a alma. Dói muito, dói tudo. Até sorrir machuca.
Por hora, estou conseguindo manter alguns pedacinhos juntos e em pé, eles desmoronam sim e várias vezes ao dia. Em inúmeros momentos eu penso: “deu, agora eu vou desmoronar!”
Mas sempre tem uma ou outra parte que resiste. É uma tortura, um esforço físico e mental. Eu tenho que manter a ordem do caos. Eu tenho que viver, morta por dentro.
Monday, November 15, 2010
A Feira


Acho que todos os anos eu escrevo alguma coisa sobre a Feira do Livro. Esse ano, para não perder o hábito, não será diferente, embora tenha sido bastante diferente. Eu tinha pensando em passar longe da praça da Alfândega, contenção de gastos total por causa da viagem. Só que comprei três livros e meio, mais um guia de viagem de Barcelona, ou seja, gastei mais do que queira...
Os livros: Marilyn últimas sessões, de Michel Schneider, que foi o maior achado da feira, a biografia da Marilyn Monroe por R$ 13,00! Olhares Cruzados, que tem vários artigos de intelectuais europeus e latino-americanos sobre a questão da identidade nesses dois continentes. O extraordinário Poder da Intenção, livro de auto-ajuda que trouxe pra mãe, mas não nego, talvez dê uma olhada, estou apelando para tudo...
O meio livro: Clarice na cabeceira, vários contos da Clarice Lispector apresentados por diversas pessoas (Adriana Falcão, Lya Luft, Malu Mader, Mônica Waldvogel, entre outros). É meio livro, porque rachei com Fabi, vimos na banca, nos olhamos e levamos. Eu vou ler primeiro, mas realmente, comprar meio livro é engraçado, hehehe. Com quem ele vai ficar depois?
Falando na Fabi, foi com ela e com o Cristian (que eu conheci hoje), que fui na feira. Bom, a Fabi: só ela pra me aturar, pra me tirar de casa e me fazer rir. O Cris: gente fina, elegante e sincera. Libriano com ascendente em gêmeos.
O melhor de tudo é que tomamos umas cervejas e fizemos planos. Eu até consegui rir, embora não tenha esquecido. Uma hora vi um livro lindo (e caríssimo) sobre fotografia, bah, que vontade meu deu de comprar pra dar pra ele...
Vamos aos planos de ordem prática e real. Vou sair da Era Paleolítica que vivo e vou fazer um twitter, essa semana, escrevo sobre isso aqui no blog quando der esse passo gigantesco para mim, mas mínimo para a nossa modernidade atual, hahahaha.
Agora o melhor de tudo, lá por junho, julho de 2011, eu, Fabi, Cris e quem mais for parceiro, vamos passar uns dias em Buenos Aires. Coisa boa né? Melhor ainda é alguém com a mente suicida que eu tenho, fazer planos, às vezes isso é tão difícil...
No final das contas, foi um bom dia. Não me fez esquecer de nada, não amenizou a saudade, mas consegui respirar ares diferentes... Adorei a tarde, as minhas aquisições e a companhia.
Wednesday, November 10, 2010
Que seja doce

Essa frase “que seja doce” virou quase um mantra pra mim, porque é singela e densa ao mesmo tempo. Está num verso do Caio Fernando Abreu, ele que sempre foi tão bom em descrever sentimentos e coisas abstratas, merecia estar na minha pele.
Dizem que por trás de cada tatuagem, de cada desenho no corpo, tem uma marca na alma. E na minha tem o desejo de que as coisas sejam doces. Que a vida seja doce. E também, é para não esquecer que muita coisa na minha vida já foi doce, por isso essa tatuagem está num lugar que eu possa enxergar sempre.
Essa é a quarta frase que tenho tatuada. Eu gosto de frases, porque gosto de livros e histórias. Assim como gosto de mantras e letras de música. Como gosto, principalmente, de tudo que contêm esses sinais gráficos que chamamos de letras, é através delas que me comunico melhor, que tento me salvar.
Espero que cada pessoa que ler meu braço fique com essa frase na cabeça, que seja doce, que seja doce, como um pedido lançado ao universo ou uma pequena prece em meio há tantos devaneios que passam pela nossa cabeça. Não importa o que, importa sim, é nos darmos conta da doçura das coisas. Mais do que nunca, eu preciso que seja doce!
“Que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”
Caio Fernando Abreu
Monday, November 08, 2010
Futuro bom
Queria beijar você para o resto da minha vida e eu não iria enjoar. Queria também, ver teus cabelos ficarem brancos e notar que você está engordando e, mesmo se eu reclamasse, pode ter certeza que ainda te acharia o homem mais lindo do mundo. E toda vez que te visse de óculos e gola alta, falaria que você está muito sexy.
Eu te daria colo, ombro, ouvidos e todo o resto, do corpo e da alma. Cuidaria de você com gripe, dor de cabeça, tosse e até mau humor crônico, e seria a mulher mais feliz do mundo por isso. Agradeceria todo dia, ter o privilégio de viver com o homem que amo.
Não, não há nem um pouco de exagero nisso, há sim, muita lucidez. Tem a consciência branda de quem percebeu o porquê se nasceu, os caminhos que percorreu, de quem, de uma hora para outra ou lentamente, se deu conta do sentido de tudo. Você chegou e me explicou muita coisa, me deu um sentido.
Por mais que eu pense em me atirar na frente de um caminhão para acabar com a saudade infinita que sinto de você, é justamente, a necessidade de matar essa saudade que me faz continuar, que me levanta da cama, todos os dias.
Porque eu amo tanto você, que um dia a gente vai se encontrar, a tal força que move o universo e faz as coisas darem certo me levarão até você. Às vezes, dá medo de nunca mais te ver, mas eu penso que nem o diabo seria tão desumano assim.
Até porque ele já deve se divertir bastante com essa situação, um dia ela vai cansar e me largar de mão. Nesse dia algo vai acontecer. Nesse dia eu vou ter a certeza que valeu a pena acreditar em todo o amor que eu sinto.
Preciso tanto aproveitar você
Beijar teus olhos, olhar tua boca
Ouvir palavras de um futuro bom
(Palavras de um futuro bom - Jota Quest)
Eu te daria colo, ombro, ouvidos e todo o resto, do corpo e da alma. Cuidaria de você com gripe, dor de cabeça, tosse e até mau humor crônico, e seria a mulher mais feliz do mundo por isso. Agradeceria todo dia, ter o privilégio de viver com o homem que amo.
Não, não há nem um pouco de exagero nisso, há sim, muita lucidez. Tem a consciência branda de quem percebeu o porquê se nasceu, os caminhos que percorreu, de quem, de uma hora para outra ou lentamente, se deu conta do sentido de tudo. Você chegou e me explicou muita coisa, me deu um sentido.
Por mais que eu pense em me atirar na frente de um caminhão para acabar com a saudade infinita que sinto de você, é justamente, a necessidade de matar essa saudade que me faz continuar, que me levanta da cama, todos os dias.
Porque eu amo tanto você, que um dia a gente vai se encontrar, a tal força que move o universo e faz as coisas darem certo me levarão até você. Às vezes, dá medo de nunca mais te ver, mas eu penso que nem o diabo seria tão desumano assim.
Até porque ele já deve se divertir bastante com essa situação, um dia ela vai cansar e me largar de mão. Nesse dia algo vai acontecer. Nesse dia eu vou ter a certeza que valeu a pena acreditar em todo o amor que eu sinto.
Preciso tanto aproveitar você
Beijar teus olhos, olhar tua boca
Ouvir palavras de um futuro bom
(Palavras de um futuro bom - Jota Quest)
Saturday, November 06, 2010
Comer, Rezar, Amar
Já tem tempinho que fui assistir ao filme Comer, Rezar, Amar, inspirado no livro da americana Elizabeth Gilbert. E prefiro o livro que li enquanto estava em Florianópolis, em fevereiro de 2009. O filme é maçante e monótono.
Se no livro sobra emoção, no filme, falta. E faltou também o amigo que tocava violão que ela conheceu em um dos países que visitou, não lembro qual (esse personagem não mudaria a história, mas simpatizei com ele...). E não precisava aquela cena que o brasileiro Felipe dá um selinho no filho, que justifica isso como um comportamento natural do caloroso povo brasileiro.
Claro que alguma coisa no filme iria faltar, já é extenso, com quase duas horas de duração e nunca consegue colocar todo um livro no cinema. O filme não conseguiu mostrar que a grande viagem aconteceu, de fato, no interior da personagem. Já o livro trás passagens interessantes sobre o que Liz pensa sobre o amor, a depressão, a felicidade...
É um trecho que fala sobre a felicidade que reproduzo aqui. Um belo trecho, pois se ser feliz fosse tarefa fácil, só nascer já bastaria e viver seria secundário. Mas não, é necessário viver e sempre alerta e atento, prestando atenção em tudo pra perceber onde está, de fato, a nossa felicidade. Ou o que nos move em direção a ela.
“...as pessoas tendem a pensar universalmente que a felicidade é um golpe de sorte, algo que talvez lhe aconteça se você tiver sorte suficiente, como o tempo bom. Mas não é assim que a felicidade funciona. A felicidade é conseqüência de um esforço pessoal. Você luta por ela, fez força para obtê-la, insiste nela, e algumas vezes viaja o mundo à sua procura. Você precisa participar o tempo todo das manifestações de suas próprias bênçãos. E, uma vez alcançado um estado de felicidade, nunca deve relaxar em sua manutenção, deve fazer um esforço sobre-humano para continuar para sempre nadando contra a corrente rumo a essa felicidade, para permanecer flutuando em cima dela. Se não fizer isso, seu contentamento interno irá se esvair. É muito fácil rezar quando se está passando por um momento difícil, mas continuar a rezar mesmo quando a sua crise já passou é como um processo de selamento, que ajuda sua alma a se aferrar às coisas boas que conquistou.” Elizabeth Gilbert - Do Livro Comer, Rezar, Amar.
Se no livro sobra emoção, no filme, falta. E faltou também o amigo que tocava violão que ela conheceu em um dos países que visitou, não lembro qual (esse personagem não mudaria a história, mas simpatizei com ele...). E não precisava aquela cena que o brasileiro Felipe dá um selinho no filho, que justifica isso como um comportamento natural do caloroso povo brasileiro.
Claro que alguma coisa no filme iria faltar, já é extenso, com quase duas horas de duração e nunca consegue colocar todo um livro no cinema. O filme não conseguiu mostrar que a grande viagem aconteceu, de fato, no interior da personagem. Já o livro trás passagens interessantes sobre o que Liz pensa sobre o amor, a depressão, a felicidade...
É um trecho que fala sobre a felicidade que reproduzo aqui. Um belo trecho, pois se ser feliz fosse tarefa fácil, só nascer já bastaria e viver seria secundário. Mas não, é necessário viver e sempre alerta e atento, prestando atenção em tudo pra perceber onde está, de fato, a nossa felicidade. Ou o que nos move em direção a ela.
“...as pessoas tendem a pensar universalmente que a felicidade é um golpe de sorte, algo que talvez lhe aconteça se você tiver sorte suficiente, como o tempo bom. Mas não é assim que a felicidade funciona. A felicidade é conseqüência de um esforço pessoal. Você luta por ela, fez força para obtê-la, insiste nela, e algumas vezes viaja o mundo à sua procura. Você precisa participar o tempo todo das manifestações de suas próprias bênçãos. E, uma vez alcançado um estado de felicidade, nunca deve relaxar em sua manutenção, deve fazer um esforço sobre-humano para continuar para sempre nadando contra a corrente rumo a essa felicidade, para permanecer flutuando em cima dela. Se não fizer isso, seu contentamento interno irá se esvair. É muito fácil rezar quando se está passando por um momento difícil, mas continuar a rezar mesmo quando a sua crise já passou é como um processo de selamento, que ajuda sua alma a se aferrar às coisas boas que conquistou.” Elizabeth Gilbert - Do Livro Comer, Rezar, Amar.
Wednesday, November 03, 2010
Saudade mata
Eu sinto tanta saudade, mas tanta saudade que falta o ar, dói a cabeça, o peito, o estômago e dá nó na garganta. Às vezes dá calafrios, noutras tonturas e quase sempre, fica a certeza que eu vou morrer de tanta saudade.
Se eu enfartar, ter uma parada cardiorrespiratória, cair de tontura e arrebentar minha cabeça, morrer de gastrite, de câncer, de pancreatite, com um AVC, se eu acabar esquizofrênica, bipolar ou me atirar pela janela, a causa será só uma: saudade.
Saudade mata a gente, sim, de uma maneira cruel e lenta. Porque as horas se arrastam e o tempo não passa, mas quando percebemos passou muito tempo e a gente se pergunta como conseguimos viver assim? E percebemos que não foi vida, foi meia vida, porque boa parte de nos já morreu.
Ela vai matando aos poucos, sem muito alarde. Mata o sono, com isso a vontade de levantar da cama de manhã também vai embora. Saudade acaba com a atenção, o rendimento no trabalho cai, vozes de pessoas ao nosso lado parecem ruídos que vem de longe, as pessoas se tornam cada vez mais distantes, paisagens ficam desfocadas e as cores ficam com tons de cinza.
As risadas ficam escassas e os sorrisos, tristes. Os olhos se perdem fácil e a visão não absorve o que realmente enxerga. A firmeza das pernas escapam entre os músculos firmes e bambeiam, porque saudade mata a gente e com muita dor.
Por fim, as vontades somem. Nenhuma fica, vão todas embora, uma a uma, algumas resistem mais tempo que as outras, mas a saudade leva todas elas pela mão... A gente assiste tudo e morre mais um pouquinho cada vez que uma vontade se vai.
Quando só fica o vazio, a saudade mata porque começa a roer e a corroer a falta, o nada... Saudade mata a gente, sim, porque quanto mais pensamos numa maneira de acabar com ela, mais forte ela se torna, mais presente fica. O alimento da saudade é a dor que ela mesma causa.
A saudade nos mata, mas deixa o nosso corpo zanzando por aí, aos pedaços, murcho e oco, a gente só não voa, porque a saudade é pesada. Tem o peso do amor que nos falta.
Se eu enfartar, ter uma parada cardiorrespiratória, cair de tontura e arrebentar minha cabeça, morrer de gastrite, de câncer, de pancreatite, com um AVC, se eu acabar esquizofrênica, bipolar ou me atirar pela janela, a causa será só uma: saudade.
Saudade mata a gente, sim, de uma maneira cruel e lenta. Porque as horas se arrastam e o tempo não passa, mas quando percebemos passou muito tempo e a gente se pergunta como conseguimos viver assim? E percebemos que não foi vida, foi meia vida, porque boa parte de nos já morreu.
Ela vai matando aos poucos, sem muito alarde. Mata o sono, com isso a vontade de levantar da cama de manhã também vai embora. Saudade acaba com a atenção, o rendimento no trabalho cai, vozes de pessoas ao nosso lado parecem ruídos que vem de longe, as pessoas se tornam cada vez mais distantes, paisagens ficam desfocadas e as cores ficam com tons de cinza.
As risadas ficam escassas e os sorrisos, tristes. Os olhos se perdem fácil e a visão não absorve o que realmente enxerga. A firmeza das pernas escapam entre os músculos firmes e bambeiam, porque saudade mata a gente e com muita dor.
Por fim, as vontades somem. Nenhuma fica, vão todas embora, uma a uma, algumas resistem mais tempo que as outras, mas a saudade leva todas elas pela mão... A gente assiste tudo e morre mais um pouquinho cada vez que uma vontade se vai.
Quando só fica o vazio, a saudade mata porque começa a roer e a corroer a falta, o nada... Saudade mata a gente, sim, porque quanto mais pensamos numa maneira de acabar com ela, mais forte ela se torna, mais presente fica. O alimento da saudade é a dor que ela mesma causa.
A saudade nos mata, mas deixa o nosso corpo zanzando por aí, aos pedaços, murcho e oco, a gente só não voa, porque a saudade é pesada. Tem o peso do amor que nos falta.
Saturday, October 30, 2010
Dando explicações
“As pessoas falam coisas, e por trás do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem, há o que são e nem sempre se mostra…” Caio Fernando Abreu
Estranho a impressão que passamos para as pessoas. O último texto deu a maior confusão. Um monte de gente me ligando e mandando email pra saber se era verdade ou não. Até um tio desnaturado ligou falando que tinha me criado como filha (!) e estava muito triste de ler aquilo...
Foi engraçado ouvir opiniões tão divergentes, que iam do tipo "pode ser só um texto, mas vindo de ti sei que são devaneios bens reais", até "como tu escreve bem, porque lia e pensava, a Rê que eu conheço nunca faria isso". Então, se eu faria isso realmente, tenho minhas dúvidas. Se eu tenho vontade, disso, não tenho nenhuma.
O fato é que eu não escreveria sobre isso se as coisas não estivessem, por hora, superadas. Acho que só brincamos com o que lidamos bem. Acredito que o único problema seja que as pessoas que leem o Mosaico, me conhecem. Algumas conhecem bem demais e sabem separar o que é real o que não é... Outros não. Mas todas não sabem, de fato, o que se passa na minha cabeça.
Às vezes penso que felicidade é vocação e eu não tenho essa vocação. Sim, sou saudável, tenho uma família incrível, amigos sensacionais, uma profissão que amo, um emprego fixo, colegas bacanas, faço coisas que gosto, não sou uma pessoa ociosa, tenho tudo pra ser feliz. E o pior, eu tenho consciência disso tudo. O Caio Fernando Abreu (sempre ele!) tem uma frase que diz que "loucura é um estado extremo de lucidez.”
Eu concordo. Essa consciência, essa lucidez das coisas só podem nos enlouquecer. A dureza da realidade enlouquece, tortura, machuca... Ouço muito, de diversas pessoas, que sou corajosa. Pra mim, a coragem ou a covardia, são só falta de opção. Um primo deixou um recado no meu orkut, no meu aniversário, falando que eu era uma inspiração pra ele, fiquei feliz. Mas penso nessas pessoas que me acham bem resolvida, independente, corajosa, batalhadora, etc e etc e me pergunto como elas não percebem que viver me dói tanto?
Estranho a impressão que passamos para as pessoas. O último texto deu a maior confusão. Um monte de gente me ligando e mandando email pra saber se era verdade ou não. Até um tio desnaturado ligou falando que tinha me criado como filha (!) e estava muito triste de ler aquilo...
Foi engraçado ouvir opiniões tão divergentes, que iam do tipo "pode ser só um texto, mas vindo de ti sei que são devaneios bens reais", até "como tu escreve bem, porque lia e pensava, a Rê que eu conheço nunca faria isso". Então, se eu faria isso realmente, tenho minhas dúvidas. Se eu tenho vontade, disso, não tenho nenhuma.
O fato é que eu não escreveria sobre isso se as coisas não estivessem, por hora, superadas. Acho que só brincamos com o que lidamos bem. Acredito que o único problema seja que as pessoas que leem o Mosaico, me conhecem. Algumas conhecem bem demais e sabem separar o que é real o que não é... Outros não. Mas todas não sabem, de fato, o que se passa na minha cabeça.
Às vezes penso que felicidade é vocação e eu não tenho essa vocação. Sim, sou saudável, tenho uma família incrível, amigos sensacionais, uma profissão que amo, um emprego fixo, colegas bacanas, faço coisas que gosto, não sou uma pessoa ociosa, tenho tudo pra ser feliz. E o pior, eu tenho consciência disso tudo. O Caio Fernando Abreu (sempre ele!) tem uma frase que diz que "loucura é um estado extremo de lucidez.”
Eu concordo. Essa consciência, essa lucidez das coisas só podem nos enlouquecer. A dureza da realidade enlouquece, tortura, machuca... Ouço muito, de diversas pessoas, que sou corajosa. Pra mim, a coragem ou a covardia, são só falta de opção. Um primo deixou um recado no meu orkut, no meu aniversário, falando que eu era uma inspiração pra ele, fiquei feliz. Mas penso nessas pessoas que me acham bem resolvida, independente, corajosa, batalhadora, etc e etc e me pergunto como elas não percebem que viver me dói tanto?
Monday, October 25, 2010
Dos últimos dias...

Preciso escrever mais. Não fiquei sumida por não ter o que dizer, nossa, o que eu mais tenho é o que dizer, mas está tudo trancado.
Eu fiz tanta coisa nesse tempo de silêncio. Voei de asa-delta no Rio, foi lindo e incrível, uma das melhores sensações do último mês, cheio de altos e baixos. Apesar dos meus chiliques diários, os dias no Rio de Janeiro renderam boas risadas, acho que até pra Laudi...
Teve também o I Encontro de Danças Ruschel, semana passada em Esteio, um sucesso. Coisa boa dançar num palco, fazia tempo que não vivia o corre-corre da coxia e a bagunça de um camarim. E claro que antes disso, teve horas intermináveis de ensaios e dores pelo corpo.
Falando em dor, fiz mais uma tatuagem: uma lua cheia azul, linda. Está nas minhas costas, fazendo companhia para o meu sol. Teve também os livros que li e os filmes que vi e, na hora pensei que renderiam algum texto, mas deixava para depois e depois e o depois nunca era agora. Agora é.
No desfile do 20 de setembro, meu avô enfartou em cima do cavalo, que susto, que pânico, quase que eu enfartei junto. Meu pai, com sua incrível paciência, manteve a calma o tempo todo, quando perguntei como ele conseguiu, me respondeu: “se um dia tu ver o teu pai tendo um enfarto enquanto a tua filha surta com os policias que não fazem nada, tu vai tentar controlar a situação.” Tá bom pai, faz de conta que acredito.
Também teve o que não vivi, o casamento da Roberta, que eu não fui. O show do Fito, que eu aloprei e troquei o ingresso pelo dinheiro de volta. E o Abbey Road com a Fabi, que eu também não fui. E todas as jantinhas e festinhas e barzinhos que eu deixei de ir. Estava ocupada demais querendo não viver.
Voltei a tomar antidepressivo e a ir no psiquiatra. Calma, gente, tá tudo sobre controle. Mas a cada dia que passa, sei que de todas as infinitas possibilidades que tenho de acabar minha vida, duas são gritantes: ou acabo louca num hospício ou me mato. Sem sustos e dramas, isso é fato.
Aliás, no dia 11 de setembro eu acordei e tomei a decisão: iria me matar. Seria no final de novembro, depois do curso de dança em São Paulo. Iria dar um tiro na minha cabeça no banheiro do shopping. Ou iria tomar cianureto e ficar na rua até morrer. Não queria que meus pais achassem meu corpo. Comecei até a escrever uma carta que explicaria o motivo desse ato extremo, nem corajoso, nem covarde, apenas um ato extremo de quem não enxerga mais saída.
Mas os dias foram passando, eu não achei o cianureto e o cara que iria me vender a arma, queria a grana toda (e era muita grana) à vista. Fiquei com medo, vai que a arma não funcionasse? Acabou que pensei bem e vi que só iria transferir algumas dores que sinto para pessoas que amo muito e elas não merecem isso. Então, faço o sacrifício e fico aqui! Rindo e chorando, entre cervejas e antidepressivos, ora me achando uma covarde por não ter me matado e ora muito orgulhosa de escolher viver.
Durante esses dias mais quietos do que costume, várias vezes peguei os poucos mil que tinha guardado e calculei qual seria o lugar mais longe que poderia ir com aquele dinheiro? Cogitei em ir embora pra qualquer lugar, pra longe, pra sempre, pra fugir de tudo e de mim. Não fui, ainda, mas já paguei um curso na Espanha. Em março, me vou. Mas volto logo. Serão dois meses só. Mas serão dois meses numa cidade que tem as obras do Gaudí e Paris bem pertinho.
Viram? Ao menos essa loucura toda serviu pra alguma coisa. A vida segue né? E eu estou indo, nesse momento não importa como vou, apenas que vou. Isso já é o bastante quando tudo o que se quer é ficar.
Mas gente eu tô bem, não sinto raiva, ódio, inveja, nada desses sentimentos que ninguém se orgulha. Só sinto amor e saudade. E uma certa tristeza de não poder matar a saudade e viver o amor. Talvez eu ainda viva assim por muito tempo, mas penso, neste momento, isso já basta.
“Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.”
Caio Fernando Abreu
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