Monday, March 23, 2009

A evolução da espécie

Cerca de um mês atrás:
- Tem cinco anos que eu não dirijo, então tenha paciência e não grita!
- Tá, nunca vi, tirou a carteira e tem medo de dirigir. Liga o carro e pode ir.
- Meu Deus!
- Vira, vira a direção! O que tu tá fazendo! Vai devagar!
- Ai, eu não lembro direito! Não grita! Ai meu Deus.
- Meu Deus digo eu! Olha o que tu fez?!
- Ah, deixei o carro apagar...
- Claro pisou no freio com o pé esquerdo! Nunca vi disso!
- Eu disse que não lembrava, porra!
- Ah, tu vai voltar pra auto-escola!

Duas semanas atrás:
- Pisa devagar e larga a embreagem.
- Tá. Ai meu Deus!
- Isso. Agora freia. Arranca. Põe uma segunda. Freia. Arranca. Freia...
- Que saco isso!
- Tu tem que aprender... Então anda mais um pouco e põe uma terceira... Freia. Arranca. Não deixa o carro apag...
- Ih apagou!
- Tá vamos de novo. Tu vai subir a lomba.
- Que lomba? Não vou não!
- Sobe!!!!!!!!!!
- Ai meu Deus!!!!!!!!!!!!
- Agora tu tem que parar na esquina!
- Qual esquina?
- A que tu acabou de passar!
- Ih nem vi!
- Tem que andar mais devagar! Nunca vi, não sabe dirigir, mas sabe correr! Agora vira a aqui... Devagar, olha a árvore! Vira, vira!
- Ufa!
- Olha o cara de bicicleta!
- Ele que vá pra calçada!

Semana passada:
- Vamos no mercado. Pela avenida e na volta passamos pelos bombeiros.
- Pô são 19h! Não dá pra ir por onde não tem movimento? Tem muito carro nas ruas.
- Não. Tu não tem que ter medo dos outros carros. Tu já tá dirigindo bem, até...
- Sim, mas só ando onde não tem movimento e eu quase bati na árvore e atropelei os guris que estavam na rua ontem e tu sempre fala que corro demais...
- Mas tu já colocou o carro na garagem direitinho!
- E tu queria que eu voltasse pra auto-escola! E só tu não gritar...
- Eu não grito, é tu que fica histérica. Vamos lá...
- Fecha o vidro que eu não quero ouvir ninguém me xingando.
- Quem vai te xingar?
- Todo mundo que vê que eu estou em pânico.
- Procura um lugar pra estacionar. Veio bem, estacionou direitinho!
- Nossa, tô suando!

Ontem:
- Já tá dirigindo bem melhor!
- Será que até o final do ano, tô andando sozinha?
- Claro! É só tu não correr.
- Mas eu não corro...
- Amanhã a gente vai para algum lugar distante, deserto.
- Pra quê?
- Pra ti dar uns cavalinhos de pau!
- Ah é pai...
- Vai sim, não quis voltar pra auto-escola...

Wednesday, March 18, 2009

Elaboração

No dicionário, elaborar é “preparar gradualmente e com trabalho. Formar, organizar. Tornar assimilável”. De uns tempos pra cá tenho pensado muito que pra ser feliz ou ao menos tentar, é fundamental aprender a elaborar as coisas que acontecem na nossa vida.

Ano passado produzi um documentário sobre a ditadura militar. Entrevistei três gaúchos, ex-exilados políticos: Flávia Schilling, Flávio Tavares e o Flavio Koutzii. Eles passaram anos sem poder entrar no Brasil e sofreram os mais diversos tipos de torturas. As sequelas existem, mas ao serem perguntados como conseguiram depois de tudo, tocar a vida? Os três falaram em elaborar.

Os planos podem ter mudado, a vida seguiu e sabe-se lá como acontecia a tal elaboração (o que imagino ser um processo lento e de longo prazo). Os três são pessoas bem resolvidas, inteligentes e felizes. Um deles falou que é necessário elaborar até um não recebido do pai quando se é criança.

Acabei de ler um texto sobre dor de amor e lá pelas tantas estava escrito: “é necessário tempo para poder elaborar o que aconteceu e aí estar pronto para viver novamente.” Hum... Então elaborar está extremamente ligado com virar a página... Aquela história de que temos que se lembrar do nosso passado, sem ficar preso a ele.

Tento, mas não sei se tenho conseguido elaborar minha vida. Às vezes acho que sim, noutras, não. Isso que nunca fui torturada, nunca enfrentei grandes tragédias, não tenho traumas... Tenho um vazio, a falta de alguma coisa que não sei o que é... E não sei até que ponto uma coisa interfere na outra.

Friday, March 13, 2009

Quinta-feira

Trecho do livro "Comer, rezar, amar", de Elizabeth Gilbert:

... o patrono das crianças nascidas em quintas-feiras é Shiva, o Destruidor, e o dia tem dois espíritos-guias animais: o leão e o tigre. A árvore oficial das crianças nascidas em quintas-feiras é a figueira-de-bengala. Seu pássaro oficial é o pavão. Quem nasceu em uma quinta-feira é sempre o primeiro a falar, sempre interrompe todos os outros, pode ser um pouco agressivo, tende a ser bonito ("um homem-objeto ou uma mulher-objeto"), mas, de forma geral, tem um caráter decente, com uma memória excelente e um desejo de ajudar os outros.

Hum... Será verdade? Eu nasci numa quinta-feira.

Friday, March 06, 2009

Primeiro dia de aula

Ontem foi meu primeiro dia de aula de balé, na turma de balé para adultos iniciantes. Sim, eu resolvi aprender balé clássico com 23 anos. Ou seja, com uns 15, 18 anos de atraso. O que segundo a professora, se eu não quiser ser a 1ª bailarina do Bolschoi, não é problema.

Eu e meus colegas (uma moça e um rapaz) estávamos tensos e nervosos, como em qualquer primeiro dia de alguma coisa nova. A professora falou inúmeras vezes: relaxem, relaxem, relaxem... Depois de exercícios básicos de balé, ficamos um bom tempo fazendo alongamento para relaxarmos.

No final, tinha adorado a aula. Engraçado é que essa dança nunca me atraiu, nem quando criança, não achava bonito e tinha certeza de que não era pra mim. Só que de uns anos pra cá, por causa da dança do ventre, comecei a me interessar.

Com o balé, me tornaria uma dançarina do ventre melhor. A postura, os giros e a ponta de pé (dança do ventre também é feita na ponta do pé, só que descalço) melhorariam. Ontem, apesar do objetivo bem específico na minha cabeça, estava tensa. Balé assusta pela disciplina, rigidez e dedicação que exige em seu aprendizado.

Não pretendo ser a 1ª bailarina do Bolschoi, aliás, acho que nunca vou me apresentar dançando balé, mas e se eu não me adaptar com essa postura tão rígida, diferente da dança que já estudo quatro anos? Bom se eu não me adaptar eu paro e a postura, os giros e a ponta de pé na dança do ventre ficam como estão.

Hoje eu acordei com dor no corpo todo (a professora disse que isso aconteceria). Dói os ombros, os braços, a barriga, as pernas, a bunda, até meu dedão do pé direito está doendo! Parece que fiz uma aula de musculação e excedi no peso. E pensar que foi o balé, essa dança (aparentemente) tão leve e delicada, que me deixou assim. Mas pior é pensar que foi só a primeira aula!

Agora preciso comprar uma sapatilha mais resistente, ensaiar umas posições de ponta de pé (tivemos tema de casa), dar uma pesquisada na história dessa dança, tomar relaxantes musculares,torcer para (um dia) ficar com um corpo de bailarina e aceitar que com 23 anos na cara me rendi ao balé.

Wednesday, March 04, 2009

Guri

Deus do céu, me senti uma corruptora de menores. Apesar dele não ser, exatamente, menor de idade. Mas a recém entrou na faculdade “estou no primeiro período”. E curte música sertaneja! Esse sertanejo novo, tal de universitário. Na balada começou a tocar Deep Purple, eu estava cantarolando e ele me pergunta “que música é essa?”!

Ele é novinho, com o tempo vai ficar no ponto, pensava o tempo todo. Logo eu, que gosto de homens mais velhos... Antes de entrar no carro dele, quer dizer, da mãe dele, me certifico se o moço sabe dirigir. “A carteira é provisória, mas claro que sei”. Um guri com carteira provisória, carro da mãe, CDs de sertanejo e lindo de morrer me levando sei-lá-pra-onde numa madrugada de sábado em uma cidade que eu não conheço. Que perdição!

Ah! Vamos num baile de carnaval no clube da cidade... Ele quer me exibir para os amigos tão piás quanto ele. Que situação. Ele é novinho, ele é novinho, ele é novinho (virou mantra). Pena que não vou ver ele “virar homem”, ter o orgulho dos 20, a certeza dos 30 e o charme dos 40...

Uma vez ouvi minha tia falar que uma mulher tem que ficar com homens mais velhos, mas em alguns momentos, abrir exceções e se entregar aos mais novos, porque só eles nos olham com encantamento, nos acham mulherões e não tem medo de demonstrar uma certa insegurança... Me senti uma corruptora de menores, mas antes de qualquer coisa, eu era a turista querendo diversão com um nativo.

Thursday, February 19, 2009

Curitiba e Floripa

Passei o final de semana passado em Curitiba. Fui visitar uma amiga que está morando lá e sábado (14) estava fazendo aniversário. Então uni o útil ao agradável e lá fui eu passar frio naquela cidade até então desconhecida. E que frio passei! Eu e a Ana nos divertimos e rimos muito. Ela disse que foi o melhor aniversário da sua vida. Que bom! Quanto a cidade, Curitiba é limpíssima, organizada e bem sinalizada, agora, achei o trânsito um caos total, medo até de atravessar a rua. Para fechar com chave de ouro (ou com mais uma história que vai render muitas gargalhadas), minha amiga errou feio o caminho do aeroporto no domingo à noite. E eu nunca tinha visto ela tão nervosa. Estava louca pra rir (um pouco porque também fiquei nervosa com medo de perder o vôo), mas não ri, ela iria ficar puta comigo. Não é por mal, mas é inevitável. E também sei que ela sempre vai dar risada quando se lembrar que eram 3h da manhã (lá a balada começa e termina cedo), quando me encontrou sentada no corredor do prédio que mora, sem sandália, com frio e com medo de entrar em casa e acordar os pais dela... A sorte foi que cheguei antes dela, porque eu estava com a chave. Mas isso é outra história.

Comprei o falado livro “Comer, rezar, amar”, de Elizabeth Gilbert. Estava louca para ler já tem um tempo, mas ando com medo de best sellers, desde que comprei o último e detestei, no caso, “O Código da Vinci”. Queria algo para ler em Florianópolis, onde irei passar a semana do carnaval. Claro que não resisti e já comecei a ler. As primeiras 40 páginas já me conquistaram, inclusive marquei passagens que sei que vou reler várias vezes. E como é bom o cheiro de livro novo.

Estou indo passar a semana em Florianópolis com meus pais. Faz muito tempo que não viajo com eles. Acho que vai ser divertido. Meu irmão vai ficar por causa do trabalho, coisa inédita. Quero só ver, ainda hoje ele perguntou o que faz com as roupas sujas!? E lá tem meus primos e meus tios. As férias em Floripa sempre renderam boas lembranças. E quando eu voltar, tenho que dar um jeito na vida, porque viver só de frila tá me deixando louca, é muita insegurança. Quero um emprego de verdade, com tudo que tenho direito, férias e décimo terceiro, por exemplo. E sim, com muito trabalho também.

Tuesday, February 17, 2009

Fresca

Dificilmente alguém irá me ver sem as unhas pintadas. E sem rímel. Sem meus anéis também. É mais fácil esquecer de colocar roupa do que dos anéis. Talvez eu seja um pouco fresca.

Não me considero feminista. Espero direitos iguais. Mas quero que os homens não deixem a gentileza de lado. Que troquem a lâmpada, que abrem a porta do carro e que puxem a cadeira para a gente sentar. Acho que ser tratada como sexo frágil, de vez em quando, tem lá seu romantismo e dá menos trabalho para as mulheres. Talvez eu seja fresca.

Fazer o quê se eu tenho medo de baratas? Tá, é pavor mesmo. Esses insetos não são nojentos. São assustadores, apavorantemente assustadores. Eu encaro leão, cobra, assaltante, trânsito caótico, moralismo de gente chata, pagode e balada com música eletrônica... Mas da barata eu saio correndo, sempre. Sei que sou fresca.

Faço drama por pouca coisa. Tempestade em copo da água. Não gosto de sair de casa quando aparece alguma espinha no meu rosto. Morria de vergonha por não ter peito. Acho saia a roupa mais feminina do mundo. Sonho com contos de fadas... Sou fresca, sim, mas sem muita frescura.

Tuesday, February 10, 2009

Ironic



Acabei de chegar do show da Alanis Morissette, realizado no Pepsi on Stage (infelizmente!). Adorei o show, achei ela uma simpatia e detestei o calor que me fez consumir litros e litros de água e Pepsi, pois chegou uma hora que minha pressão estava no pé! Fazia tempo que não via tanta gente passando mal num show. Ali no Pepsi, foi a primeira vez.

E desta vez levei a máquina! Tô cansada de ir em show bacana e voltar sem nenhuma foto. A ironia? As fotos ficaram ruins... Essa que está aqui é a melhorzinha. Ah, mas é um saco ir num show sozinha, ter que cuidar da bolsa, do dinheiro, do celular, não poder ir no banheiro porque não tem ninguém pra guardar o teu lugar, nem ninguém pra comentar o que está vendo... E ainda ter tirar foto.

Me concentrava em tirar fotos mais ou menos (sim, meus talentos fotográficos são bem limitados) ou me concentrava em curtir o show! Não preciso nem dizer o que eu prefiro... Abaixo, a letra da minha música preferida da canadense.

Ironic

An old man turned ninety-eight
He won the lottery and died the next day
It's a black fly in your Chardonnay
It's a death row pardon two minutes too late
Isn't it ironic... don't you think

It's like rain on your wedding day
It's a free ride when you've already paid
It's the good advice that you just didn't take
Who would've thought... it figures


Mr. Play it Safe was afraid to fly
He packed his suitcase and kissed his kids good-bye
He waited his whole damn life to take that flight
And as the plane crashed down he thought
"Well, isn't this nice."
And isn't it ironic ... don't you think

It's like rain on your wedding day
It's a free ride when you've already paid
It's the good advice that you just didn't take
Who would've thought... it figures


Well life has a funny way
of sneaking up on you when you think everything's okay and everything's going right
And life has a funny way
of helping you out when you think everything's gone wrong and everthing blows up in your face

A traffic jam when you're already late
A no-smoking sign on your cigarette break
It's like 10,000 spoons when all you need is a knife
It's meeting the man of my dreams
And then meeting his beautiful wife
And isn't it ironic... don't you think
A little too ironic.. and yeah I really do think...

It's like rain on your wedding day
It's a free ride when you've already paid
It's the good advice that you just didn't take
Who would've thought... it figures


Well life has a funny way of sneaking up on you
And life has a funny, funny way of helping you out
Helping you out

Sunday, February 08, 2009

Seis coisas sobre mim



A Nina me chamou para participar do Meme "Seis Coisas Sobre Mim". Esse é o segundo que participo. Colo o selinho (não sei se é obrigatório, mas é bonitinho), depois escrevo seis coisas sobre mim e por fim, indico os links de seis blogs de amigos que farão o mesmo.

1. Sou quieta, na minha, gosto de observar e de ouvir e, depois escrever...

2. Cada vez escuto menos rádios FMs (com exceção da Gaúcha), não gosto de quase nenhuma música que toca (salve as da Ipanema). Confio mais nos meus CDs;

3. Não gosto de dirigir, é muito estressante e me acho muito distraída pra isso;

4. Adoro cachorros. Uma das minhas alegrias é uma vira-lata, puríssima, que atende por @.cao;

5. Sempre tenho que ter um livro que ainda não li em casa, pra saber que terei o que ler quando acabar o que estou lendo no momento. Por isso, às vezes compro um livro e só leio meses, anos depois;

6. Odeio limpar a casa, varrer, tirar pó... Só gosto de lavar louça.

Aí estão os seis amigos blogueiros que vão continuar o Meme:

Fabiana - Vicissitude do Ser
Júnior - Clandestino
Jac - Velhos vícios
Lú - Después te explico
Vanessa - Carismática da insolência
Tati - Tatiele shape

Friday, January 30, 2009

Ele

Pela pose de homem sério, ele deixa escapar uma criança. Uma criança curiosa e observadora, que faz pergunta do tipo: “Será que existe algum Francisco que não seja chamado de Chico?”

Ele rouba Todynho do sobrinho e ainda compra brinquedos. E não tem o menor receio de afirmar que sim, os brinquedos são para ele. Não vê a hora de chegar em casa para montar o tal brinquedo novo.

Por trás dos óculos, há um distraído. Aquele tipo de distraído que está sempre concentrado nas coisas subjetivas e não nas práticas, por isso nunca lembra onde largou o celular, a carteira, a chave do carro... Aliás, será que o carro foi fechado?

É do jeitinho que eu gosto (loiro de olhos azuis!) Ele gosta de praia, detesta maconha e não come lentilha. É colorado e adora aviões. Toma chá numa caneca vermelha, tem uma letra quase indecifrável e uma mesa bagunçada...

Eu não sei o motivo, mas ele é o tipo de pessoa que eu gostaria de ter na minha vida.

Sunday, January 18, 2009

Escuta

Estava lendo uma reportagem sobre o silêncio na edição 83 da revista TPM. Na abertura da matéria, há um frase do Guimarães Rosa (autor do Grande Sertão: Veredas) assim: “A gente quer se afastar de si próprio... Por isso é que muito se fala. (...) O silêncio é a gente mesmo, demais.” Grande sacada!

Isso mesmo. O silêncio nos obriga a conversar com nós. A excelente reportagem, que ouviu psicólogos, sociólogos e pessoas que estão em constante comunicação, afirma que nos dias atuais é cada vez mais raro vivermos off. Falamos pessoalmente, nos telefones, nas mensagens de celular, na internet e em todas as outras coisas que o meu analfabetismo tecnológico desconhece (graças a Deus!).

Acredito que o momento de polifonia que vivemos é o reflexo da nossa realidade. Andy Warhol já previa os 15 minutos de fama e o mundo levou a sério. Todo mundo tem que fazer barulho. Afinal existe melhor maneira de chamar atenção? Temos que falar, gritar, berrar, sermos vistos, apelar, imitar o que vimos e tentar de alguma maneira lançar moda, tendências, durar mais do que os efêmeros 15 minutos.

Só tentativa. Nessa ânsia toda, quem nos escuta? Não era assim a tal torre de Babel, todos falam, cada um uma coisa, muito se ouve, pouco se escuta, nada se entende... E matamos o que não entendemos, prematuramente até, pois falta tempo de tentar e querer entender.

E o pior de tudo, é que com essa confusão toda, desaprendemos a ouvir, perdemos esse hábito primário e acabamos por não escutar nem a gente mesmo. No final fica o silêncio, mas o silêncio vazio. O silêncio que não nos oferece nem uma conversa com nós mesmo e só mostra o como somos insignificantes.

Thursday, January 15, 2009

Dias felizes

Quinta-feira era dia de almoçar na casa da minha vó. Ela sempre fazia massa pra mim, às vezes a Rafa aparecia, mas o dia oficial dela era na quarta. O cheiro e o gosto da comida da Dona Helga são algumas das lembranças mais fortes que levo comigo. E nunca, nenhuma massa vai ter aquele gosto.

Era dia de educação física na escola, a professora selecionava três alunos que poderiam escolher os colegas que jogariam no seu time. A Vanessa sempre me escolhia, mais por piedade do que por qualquer talento meu com o vôlei. E quando ela me escolhia, me livrava de sobrar e ver o colega que ficava com as sobras, de cara feia. E eu sentia uma satisfação incrível, pois sabia da minha inabilidade.

Verão. Imbé. Minha dinda comprava camarão. Ela e minha mãe faziam o camarão. Meu irmão passava mal, por que o bicho vinha na casca e ele, até hoje, fica mal por causa do cheiro. Meu pai chegava do mercado com as cervejas e os refris. Eu observava tudo, pra lembrar. Pra não esquecer.

Verão de novo, só que anos depois, em Mariluz. Éramos todos adolescentes. Eu, o primo Júnior (que trocava as praias de Floripa pelo nosso litoral, sempre igual), a Jaque, meu irmão, os outros primos (Tiago, Marcelo, Márcio). Os vizinhos. Showzinhos na noite, muitas risadas...

Uma madrugada, depois de passear no centrinho, estávamos sentados na varanda e para um fusca azul lotado de jovens, uma moça pergunta “onde é que eu tô?” O Jú, sem pestanejar, responde “dentro de um fusca azul!” Gargalhadas geral. O fusca azul segue seu caminho, sem saber onde está. A mãe abre a porta e nos manda ir pra cama. Vamos, dando risada.

Não consigo pegar no sono. Tô cansada, mas um cansaço gostoso. Estou em Buenos Aires. Primeira vez que saio do Brasil. Estranho. Bom. Gostoso. Me sinto livre, apesar de ter atravessado só uma fronteira. Lá fora é outra lingua, outra cultura, outros ares e tudo, novidade.

Hoje. Escrevo. Como ontem e, provavelmente, amanhã. É uma maneira de eternizar lembranças, de melhorá-las. De diminuir a solidão, de encarar a rotina e diminuir a monotonia. Imaginar como será, lembrar de como foi e viver de novo. No resto do dia, ou em todos eles, eu observo.

Friday, January 09, 2009

Lágrimas

Havia dias que pensava em escrever sobre como faz tempo que não choro. Teve épocas que eu passava o dia esperando a noite para poder chorar em paz. Ou chorar para ter paz. Eu sinto raiva, eu choro. Eu sinto alegria, eu choro. Eu sinto tristeza, eu choro. Eu sinto saudade, eu choro. Eu sinto medo, eu choro...

E às vezes eu choro só pra ver se o constante nó na garganta passa. Ele passa, mas acaba voltando. Sempre volta. E eu gosto de chorar, alivia a alma. Se dá rugas, não sei, prefiro rugas à uma alma pesada. Ando, de fato, sem grandes nós no peito, embora tenho me preocupado muito com o meu futuro profissional. E fazia tempo que eu não chorava.

E faz tempo que não durmo direito, sem sono, pensando na morte da bezerra e me perdendo na conta dos carneirinhos (eu nunca fui boa com números). E desde criança tenho uma tendência notívaga. Gosto dos ruídos que só ouvimos no silêncio da noite.

Meu quarto é o mais da frente na minha casa, então escuto tudo que se passa na rua. Um sussurro vira um grito, o miado de um gato vira um uivo, um carro que passou a 40km/h se torna um carro que passou voando. Estranho o tamanho que as coisas tem nessa hora.

Durante a noite a gente sente o peso das coisas e, choramos. Ontem o nó na garganta foi pra cama comigo, às 2h 40 da manhã, sem o menor sinal de sono. Deitei e chorei. Chorei como a tempos não chorava, até as 4h da manhã, quando o nó na garganta começou a dar lugar ao sono.

Hoje acordei mais leve e com o motivo do choro na cabeça. Ele tem medo de estragar a amizade. E eu? Eu não vou mais escrever sobre o tempo que eu não choro. Escrevo sobre o nó na garganta que aperta o peito e molha os olhos, enquanto a escuridão da noite faz suas revelações.

Saturday, January 03, 2009

A reforma

Em geral, não gosto de reformas. E essa reforma ortográfica, por favor, ninguém merece! Acho um absurdo ter que reaprender a escrever. Considero a língua um patrimônio da humanidade, que deveria ser intocável.

Sei-lá-quem resolveu mudar tudo para padronizar o idioma português, por causa da globalização. Ótimo, só que dentro do global tem que haver espaço para o local, porque sem isso, perde-se a identidade de uma região. Não acredito que as diferenças na escrita nos países de língua portuguesa sejam tantas para precisar de uma padronização. E essas diferenças se devem ao contexto e a localização geográfica de cada país.

Eu andei pelas livrarias atrás de guia de português já com a reforma. Não achei. Tampouco existem dicionários com o tal padrão. E os livros? Ninguém soube me dizer se as editoras já estão imprimindo com as novas regras. Já pensaram na confusão. Bem por cima, sei que caíram os hífens, os tremas e alguns acentos. Mas não sei quais hífens, nem quais acentos direito. E para piorar, tem as exceções, como sempre.

E como será para quem está sendo alfabetizado agora? Aprende que tal palavra não vai acento, mas ao pegar na biblioteca da própria escola um Monteiro Lobato, tá lá tal palavra acentuada. Se nem os adultos estão gostando e entendo essa tal reforma, imaginem as crianças. E os coitados dos vestibulandos, depois de anos na escola, tem que esquecer das aulas de gramáticas. Não será fácil (não sei se em fácil o acento permanece ou não...).

E para quem lida com a palavra escrita todos os dias? E para os professores que corrigem redações? Quanto tempo eles não iram perder, porque agora não é só corrigir, é corrigir com as novas normas, que eles não aprenderam, diferente de tudo que eles corrigiram até agora.

E falam que isso não vai mudar a maneira de falar. Eu acredito que com o tempo, muda sim. Bóia não tem mais acento. Sabemos como se fala boia, mesmo sem acento, porque aprendemos assim. E as crianças que aprenderão tudo nas novas regras? Falarão boia como se fala sem o acento, até porque elas não vão saber que já houve acento em bóia. Ou os professoras vão explicar que já houve acento e tem que ter uma entonação tal no o de boia? Imaginem quanto trabalho e quanta confusão!

Não sei se isso pega. Sinceramente, gostaria que não pegasse. Por mim, todo mundo que fala português, aqui ou no Timor Leste, se faria de louco e escreveria como sempre escrevemos. Por enquanto, peço desculpas antecipadas pelos erros de português que vou cometer. Afinal, depois de anos na escola e de uma faculdade, ainda não aprendi minha língua mãe.

Tuesday, December 30, 2008

Considerações de final de ano

2008 foi inesquecível. Será sempre lembrado como o ano da minha formatura. Ainda tá fresquinho, dia 23 de agosto. Espero nunca me esquecer dessa data, nem do que senti nesse dia. Em outros aspectos, também tenho bons motivos para me lembrar com carinho do ano que está indo embora.

Sai do país, pela primeira vez. Fui pra Buenos Aires ver o show da Madonna, fiquei lá quatro dias e conheci pessoas e lugares incríveis. Além de ter visto um puta show, foi algo do tipo como-uma-virgem-celebrando-a-música-como-uma-oração.

Fui a vários shows legais! Mas Fito Paez tá na liderança dos melhores, como sempre. Li excelentes livros. As apresentações da dança foram bem bacanas. Minha roupa azul (que passei meio ano planejando) ficou linda. Tatuei um sol nas minhas costas.

Fui pra Guarda e até que enfim conheci o tal do Vale, que em minha opinião, não valeu o esforço. Meu primo mais distante e, ao mesmo tempo, mais próximo, passou um tempão aqui e curtimos um monte! De acampamento Farroupilha a uma cobertura investigativa no Fórum de Porto Alegre.

Apesar de ter me formado e saído do meu estágio tive experiências bem bacanas com os frelas que peguei. A cobertura da 13ª Marcha dos Sem foi memorável, nunca vou esquecer o que vi naquele 16 de outubro. Nem das pessoas que conheci na CUT.

Fiquei mais próxima da minha família. Acordei mais cedo em boa parte do ano. Ganhei um cavalo e aprendi a montar. Fui pra Ilha do Mel com os amigos. Tirei dois sisos e perdi boa parte do juízo. As poucas festas que fui, valeram a pena. Engordei, emagreci e larguei de mão a academia...

Não foram só boas lembranças não. Mas as ruins decidi não escrever. Um presente pra mim. Depois de anos fazendo terapia e tomando antidepressivos, me libertei. Sim, estou mais leve. As lembranças ruins estão aqui sim, mas não vou supervalorizá-las. Que venha 2009!

Sunday, December 28, 2008

Wish list/2009

- Arrumar um emprego de carteira assinada;

- Desfrutar de todos os direitos de um emprego (que eu como estagiária, nunca tive, e agora como free lancer, não tenho);

- Voltar a estudar italiano;

- Começar um curso de espanhol;

- Fazer balé (pra melhorar minha postura na dança do ventre);

- Participar de mais apresentações de dança;

- Começar o pilates;

- Andar mais de bicicleta;

- Desfilar com meu avô (e a Cléopatra) no dia 20 de setembro;

- Deixar o medo e a preguiça de lado e começar, de fato, a dirigir;

- Aprender a fazer tricô;

- Viajar;

- Ir a lugares que nunca estive antes;

- Ir a vários shows legais;

- Deixar minha franja crescer;

- Juntar grana pra fazer um curso no exterior;

- Manter meu quarto mais organizado;

- Dormir menos...

Monday, December 22, 2008

Então é Natal

Não gosto de Natal. Acho que nunca gostei, embora lembre com carinho dos natais da minha infância, nas casas das minhas avós. Só que o tempo passa, algumas pessoas vão embora, a gente cresce e as coisas mudam. Não vejo mais graça no Natal. Acho triste.

Passo a noite de Natal com um baita nó na garganta. E meus pais nem ligam mais se, do nada, começo a chorar. Fico mal mesmo. Não queria, queria entrar na onda, nem que fosse na do consumismo desenfreado, mas também não consigo. Claro que compro presentes. São as regras do jogo e também não tenho o direito de acabar com o Natal dos outros.

Vou falar o quê para o meu afilhado? “Olha Rockson, a dinda não gosta de Natal e não concorda com esse consumismo, então tu não vai ganhar presente nenhum, até porque Papai Noel não existe é só uma baita invenção desse mundo capitalista...” Não dá né?

E para os meus pais? “Pai, mãe vocês sempre me dão tudo que eu quero, assumem minhas dívidas quando minha grana acaba. Mas como vocês sabem, detesto Natal. Ah tá, eu sei que vocês aturam o meu mau-humor natalino e todos os meus chiliques nos outros 364 dias do ano, mas fazer o quê? Vocês são meus pais e Natal, dizem que é uma data familiar, então vocês tem que me aturar, sem nenhuma lembrancinha.” Também não dá...

Então é Natal. Desejo a todos que me aturam virtualmente um feliz Natal! Sinceramente gente, podem acreditar! Até porque escrever, às vezes, é mais fácil que viver, mas nem por isso deixa de ser verdade. Ah, mas ano novo eu gosto! Só que isso é assunto pra outro post!

Thursday, December 18, 2008

O bom das biografias

Este ano, apesar do TCC que me obrigou a ler livros específicos sobre rádio, li bastantes biografias. Teve uma época que não gostava de biografias, achava enfadonho, tive sorte com as que li esse ano e em todas eu aprendi coisas que adorei saber. E acho que isso é o melhor das biografias, sempre nos ensinam algo, seja da pessoa biografada ou de uma época.

A vida e principalmente o relacionamento aberto de Sartre e Simone de Beauvoir estão em Tête-à-tête, de Hazel Rowley. Pasmem, a libertária Simone era uma ciumenta de plantão e o Sartre tinha um complexo de feiúra que as 12 anos o fez prometer a si mesmo que teria todas as mulheres que quisesse. E teve.

A biografia de Nelson Rodrigues, O Anjo Pornográfico, escrita pelo Ruy Castro foi, sem dúvida, a que mais me surpreendeu. Nunca li nenhum livro de Nelson Rodrigues, mas virei sua fã, o cara passou por inúmeras tragédias familiares (o assassinato do irmão, a morte do pai logo em seguida), teve várias tuberculoses, passou fome... Toda a sua família era ligada ao jornalismo, seu irmão Mário Filho foi um dos maiores cronistas esportivos do país, sendo o grande responsável pela construção do Maracanã e criando o que hoje é o Campeonato Brasileiro de Futebol. Bom, o Nelson nunca escreveu um palavrão em nenhuma de suas obras e foi um homem cheio de pudores.

Logo depois do Nelson, engatei a leitura de Chatô: o rei do Brasil, de Fernando Moraes, biografia do Assis Chateaubriand. O homem que criou e dirigiu a maior cadeia de imprensa do Brasil aprendeu a ler apenas aos 12 anos, se formou em direito e era um baita visionário, entre os seus negócios estavam dois laboratórios de medicamentos. Um deles é a Bayer, que existe até hoje. Ah, era dele a revista O Cruzeiro que revolucionou a imprensa brasileira.

Um dos livros que ganhei de formatura foi O Mago, a biografia do Paulo Coelho, de Fernando Moraes. Ali narra sua trajetória em busca do seu grande sonho: ser um escritor conhecido no mundo todo (exatamente o que é hoje). Paulo também atuou como ator e diretor de teatro e empresário de uma gravadora de discos. O melhor de tudo foi saber como ele conheceu o Raul Seixas. O maluco beleza era advogado e largou tudo para virar cantor “seguindo seu verdadeiro dom”, o que deixou Paulo muito impressionado. Em seu diário, Paulo escreveu que Raul foi a primeira pessoa que ele conheceu que não teve medo de viver seu sonho.

Recentemente li, por um acaso, Os sonhos não envelhecem: Histórias do Clube da Esquina, de Márcio Borges e foi um achado. Sabia pouquíssima coisa do Clube da Esquina, e que turma mais talentosa, são amigos até hoje! Logo quando o Milton Nascimento saiu de Minas Gerais para morar no Rio Janeiro, jurava que durante a noite o Cristo Redentor fazia caretas para ele. Muito tempo depois, seus amigos descobriram que era durante a noite que ele usava drogas...

E depois de muito tempo querendo ler o começo da auto-biografia Simone de Beauvoir, em Memórias de uma moça bem-comportada, consegui. Ali a grande pensadora conta sua vida até os vinte e poucos anos. Opiniões sobre seus pais opressores, sobre sua irmã mais nova, a amiga Sasa, o primo Jacques e Sartre. Aliás, a primeira vez que Sartre convidou Simone para sair, ela não foi, mandou sua irmã no lugar.

Por fim, a biografia que mais aprendi foi a da última rainha do Egito. Li As memórias de Cleópatra, de Margaret George, composto por três volumes: As filhas de Isís, Sob o signo de Afrodite e O beijo da serpente. Nossa, a história dela e do Egito é fascinante. Descobri que o mês de julho assim se chama por causa do imperador Julio César e agosto, devido ao imperador Augusto. Cleópatra entre outras coisas, perdeu sua mãe ainda criança, mandou matar sua irmã por ciúmes, casou-se com seu irmão, teve filhos com Julio César e Marco Antônio, tomava banho de leite, amava cavalos, tinha um jardim só com plantas venenosas, construiu seu próprio mausoléu, tinha pavor de cobras e escolheu morrer picada, justamente, por uma por considerar uma morte rápida e que não mudaria sua beleza. A parte mais bonita da história, mas que nunca foi de fato comprovada, é que ela entrou escondida, enrolada num tapete, no quarto de Julio César.

... não é a toa que essas pessoas viveram histórias dignas de serem biografadas.

Sunday, December 14, 2008

O encosto

Já se passaram bons anos, mas é incrível como tem épocas que lembro direto de você. Deve ser os espíritos de dezembro ou porque você entrou na minha vida em janeiro, “como um presente de natal atrasado”, se definiu, certa vez.

É. Eu era bem bobinha. Bem fácil de enrolar. Achava que um homem (!) de 21 anos nunca olharia para uma menina de 18. Ainda mais um homem (!) como você. Mas olhou e encarou, e eu nunca mais esqueci do azul do teu olho. Denso, profundo, escuro...

Você me tornou uma pessoa mais dura, mais desconfiada e um pouco triste, até. Aquele ódio que tinha por reprimir tudo o que sentia, passou. Só ficou uma magoazinha de quem nunca conversou para resolver a situação. Aquela magoazinha que tá lá no canto dela e só quando a gente cutuca a ferida, vem à tona, dando até nó na garganta.

Por que ainda lembro tanto de ti? Não te culpo. Se alguém errou, foi eu, que criei expectativas demais. Hoje eu compreendo e aceito que as pessoas não mandam nos seus sentimentos e, nem sempre o que elas dizem sentir são verdade.

Estou tão bem, que os 15 quilos que tu levou de mim, já voltaram. O tamanho da minha circunferência abdominal voltou a me preocupar. E ainda assim você continua na minha cabeça, depois de tanto tempo. Às vezes na rua, parece que te enxergo em todos os lugares. Até com outros homens eu penso em você. No que você está fazendo agora...?

Será que você se lembra de mim. Acho que não... Mas gostaria que você lembrasse. Só por ego. Sabe que eu não sinto saudade. Isso não é saudade. É um incomodo. Apesar da dureza, estou melhor agora. Queria até que você visse... Será que você me reconheceria?

Às vezes eu sonho contigo (ainda), acordo de noite e me pergunto se o teu telefone ainda tem o mesmo número...

Wednesday, December 10, 2008

Stick and Sweet

Assiti ao último show da turnê da Madonna - Stick and Sweet – em Buenos Aires, que irá virar um DVD. Não sou fã incondicional dela, mas sempre falei que antes de morrer, teria que ir num show da Madonna. Depois que o show acabou, entendi o motivo. Certas coisas, a gente só vê uma vez na vida!

O show dessa turnê é um espetáculo! Falar que é um show, é pouco. É um grande show! Antes do espetáculo começar, há apenas uma caixa no palco. Depois que começa, tudo muda! A tal caixa, se transforma em imensos telões que mudam de lugar toda hora.

As coisas aparecem e somem do palco num piscar de olhos. Os dançarinos (que dão um show extra), um ringue de boxe, um carro, uma esteira, um piano, uma cabine de DJ e a própria Madonna, que não pára um só minuto. Não dava pra entende aquele show, como as coisas aconteciam naquele palco, com tamanha velocidade...

Depois de cada performance de deixar o público de queixo caído, ela tem fôlego para mais. Pula corda, dança o tempo todo, toca guitarra, troca de roupa, rebola e surpreende, sempre surpreende. A mulher é um arraso!

A música, ali, é secundária. Não é um show de música, é um show da Madonna. Sim, ela faz playback em algumas músicas e não é ela que toca a guitarra daquele jeito. Mas depois do profissionalismo, da exatidão de cada passo de dança, da respiração ofegante (mas não pesada), das surpresas a todo instante, ela está perdoada.

Um show grandioso, um espetáculo inesquecível, uma turnê arrasa quarteirão de um ícone do pop... Durante duas horas eu fui transportada para um mundo mágico, onde tudo é possível, e quando acordei desse sonho, entendi porque tinha que ir ao show da Madonna.