Tuesday, March 15, 2011

Primeira série

Se tem uma coisa que eu recomendo para qualquer pessoa, de qualquee idade, é aprender um novo idioma. Pode ser apenas por alguns meses, mas estude pra valer, a gramática, os verbos, os pronomes, essas coisas chatas que tem em todas as línguas. Sim, é chato e cansativo.

Mas serve, justamente, para isso, para que percebemos o quanto temos que aprender. A sensação ao final de uma frase com sujeito, verbo e objeto é de objetivo alcançado. Hoje na aula, escrevi meu primeiro texto em espanhol, obviamente está digno de uma primeira série.

Publico ele abaixo. É bobinho, claro. Era para usar os verbos no pretérito indefinido. Está com todos os errinhos que cometi, não me importo, fiquei orgulhosa do meu primeiro texto. Até ganhei um "muy bien" da professora. Sim, começar a estudar um idioma é entrar de novo, na primeira série.

El fin del mundo

Año pasado, yo y tres amigos fuimos hasta Ushuaia, uma pequeña ciudad em sur del Argentina, conocida como “el fin del mundo”. Salimos del aeroporto de São Paulo hasta Buenos Aires. Después, cogemos al tren hasta Ushuaia. El viaje fue em um día porque nevó muchíssimo y el tren tuve que parar muchas veces.

Cuando llegamos a Ushuaia nos alojamos em um albergo juvenil, pero no tenía calefación y tuvimos mucho frío. Además, quedamos dos días dentro del albergue porque hubo una nevada, una gran parte de la ciudad quedo cerrada.

Solamente, em el tercer día salimos y jugamos em la nieve. Tambien anduvimos em el teleferico y practicamos esqui. iNos divertimos mucho!

Al outro día, tuvimos que volver a Brasil. Pasamos um día más dentro del tren hasta Buenos Aires. Allí paramos para comer churros y perdemos el avión. Por fin, después de “el fin del mundo”, pasamos uma noche em las calles da capital Argentina. Volvimos a Brasil em autobus, llegamos dos días después.

Monday, March 14, 2011

"Passantes"

No curso de espanhol tenho colegas da Itália, da Alemanha, da França e da República Tcheca. Apesar de inúmeras diferenças, somos parecidas, já que por algum tempo estamos vivendo longe de nosso país e de nossas casas. Sei pouca coisa delas e elas tão pouco sabem de mim.

Não penso que são pessoas as quais possa ter um grande amizade, embora vá me lembrar para sempre delas. Talvez daqui alguns anos vá forçar a memória para me certificar se a Jana era a loira eslovena ou a alemã morena.

E já percebi que essas pessoas, que sem fundamento nenhum denomino como passantes, pois estão como eu, passando por uma baita e diferente experiência de vida e estão passando pela minha vida, logo são passantes. Então os passantes são muito comuns numa situação como essa.

Outro dia sai sozinha para ver um show de Flamenco e terminei a noite na mesa de um bar com mais oito pessoas, todas estrangeiras, todas passantes. Erámos homens e mulheres que nos comportamos durante algumas horas como velhos amigos.

Bebemos, brindamos, conversamos e brincamos. E nunca tínhamos nos vistos antes. Nos despedimos com beijos e abraços e cada um vai embora sem saber nada do outro, sem compromissos de novos emcontros nem nada, no melhor estilo viver o momento.

No domingo estava olhando o mapa, procurando o Parque da Ciutadela, dentro do ônibus, quando chegou uma passante da Grécia, me perguntando onde descia para o mesmo parque. Acabamos indo juntas para o local, antes ainda paramos para almoçar. Chegando na Ciutadela, cada uma foi para um lado. Devo ter passado por ela no parque, mas não a vi.

Nesses encontros e despedidas não há lamentações ou coisas do tipo, sabemos e aceitamos a nossa condição de viajantes e de passantes. No começo, pensei que isso era orgulho ou até mesmo, arrogância, mas agora já sei que não é, é apenas resignação.

Tem uma professora que todo dia faz uma brincadeira com a gente. Todos os dias temos que nos apresentar, acrescentando uma nova informação. Ela diz que é para a gente praticar o vocabulário, se conhecer mais e não esquecermos uma da outra. Eu já penso que é para nos mesmas, não nos esquecermos de quem somos. Do que há de permanente enquanto passamos.

Sunday, March 13, 2011

Primeiras impressões: de Barcilo até Barcelona

Depois de uma semana em Barcelona já deu para sentir um pouco da cidade. Barcelona é capital da Catalunha e a segunda maior cidade da Espanha, perdendo apenas para Madrid. Com uma população de cerca de 1.621.537, a cidade é banhada pelo Mar Mediterrâneo.

Considerada capital européia do movimento modernista, a cidade abriga obras incríveis de Gaudí e Miró, além do museu Picasso, que conta com o maior acervo do artista. E também, em menos de uma hora de trem, se chega a Figueres, terra do Salvador Dalí, que abriga um museu em sua homenagem.

A cidade é antiga, mas soube dosar a medida certa de modernidade, avanço e preservação da sua história. Sua origem é do período da dominação romana e a grande Barcelona era apenas uma pequena colônia chamada Barcino.

O belo museu de História da Cidade de Barcelona (MHCB) ainda conseva numerosos vestígios da antiga colônia romana, como alguns fragmentos da muralha que circundava a cidade, o templo de Augusto, a necrópolis e restos de estruturas que se podem observar no subsolo do museu. No elevador do museu, escolhemos em qual século queremos desembarcar...

No século 13, com aconstrução da catedral da cidade, o vilarejo viveu um grande apogeu e se estendeu para além das grandes muralhas que o cercavam. Foi nesse época que Barcelona encontrou o mar e se tornou uma cidade de mercadores, navegantes e comerciantes.

O mais incrível disso tudo, é que as muralhas, as ruelas estremamente esrteitas, as fortalezas e os palácios medievais estão muito bem preservadas, ainda hoje. O bairro Gotic e o La Ribera formam o eixo da chamada “cidade velha”. Nessas ruazinhas a gente mal enxerga a luz do sol e a umidade prevaleçe, carro também não entra.

O bom mesmo foi andar a pé por esses bairros e me perder a vontade. Não tem como não se sentir um personagem épico nessa parte da cidade.

As igrejas de Barcelona

É impossível passar por Barcelona e não visitar ao menos três igrejas: a catedral, a igreja de Santa Maria del Mar e a Sagrada Família, todas são verdadeiras obras de arte.

A catedral abriga em torno do altar, inúmeras capelas, uma para cada santo que é popular na Espanha. Parece ser várias igrejas diferentes dentro de uma só. Além disso, a catedral tem um pátio e um jardim que são deslumbrante, com direito a patos andando soltos e fonte de São Jorge.

A igreja de Santa Maria del Mar fica dentro do labirinto que é o bairro de La Ribera, em frente tem uma pequena praça, onde os turistas fazem malabarismos para conseguir enquadrar na foto, a torre da igreja, que é imensa. Eu só consegui fotografar, há três quadras de distância. A torre é alta, pois também servia de farol para os pescadores.

Já a Sagrada Família se encontra no bairro de mesmo nome, já na parte “moderna” da cidade. Gaudí passou os últimos anos de sua vida se dedicando a essa construção, a obra está até hoje inacabada. E ainda assim é de uma grandeza assustadora. Toda a riqueza de detalhes e esculturas que temos na fachada não é um terço da beleza que se encontra dentro da obra.

Num primeiro momento, a Sagrada Família é clara e até um pouco fria por dentro. Pintada com cores suaves transmite uma sensação de sepúlcro, de um lugar de fato, sagrado, parece como toda igreja. Mas a Sagrada Família tem vitrais, muitos vitrais e eles estão dispostos de tal maneira, frente a frente, que quando a luz do sol bate numa das janelas, reflete em outra e assim por diante.

A igreja fica repleta de cores e sombras coloridas, deixando de ser sagrada para se tornar divina. O silêncio, que antes era pesado, fica leve, tamanha a leveza daquelas cores e genialidade daquela obra. Eu fui visitar uma igreja e me senti dentro de um arco-íris.

Para mim, essas igrejas são a cara de Barcelona. A representação perfeita dessa cidade de arquitetura fantástica. Medieval, intacta, moderna, prática, colorida e surpreendente.

Saturday, March 12, 2011

Estopim

Tenho tanta coisa para escrever sobre Barcelona, sobre os lugares que fui, a impressão dessa cidade, as pessoas únicas que já conheci... E cadê que eu escrevo? Sempre que começo, dou voltas e voltas e acabo sempre no mesmo lugar, com a tela em branco.

Amanhã faz exatamente uma semana que cheguei e desde então, não tinha derramada uma lágrima. Além disso, tenho dormido incrivelmente bem. A insônia que sempre me pega pela mãe e me leva noite a dentro tirou férias.

Porém, mais cedo ou mais tarde, eu ia desabar. E estou desabada agora, justo hoje, quando há um ano atrás te conhecia. Estou há horas olhando para esse note e tentado escrever alguma coisa, nem que seja pra você, quem sabe assim, eu consigo escrever o resto?

Quem sabe seja necessário um estopim? Você é meu estopim, porque você é meu tudo. E daí que estou na Europa? Que graça tem? Tudo o que eu faço, penso que é tão triste não poder te contar. Logo para você, que iria entender tão bem.

Ontem eu fui no porto, passei a tarde lá, sentada olhando o mar Mediterrâneo e os barcos passarem. Tenho consciência que sou uma pessoa de sorte por estar realizando esse viagem e mais, por ter sonhado com isso desde sempre.

Mas ontem, no porto, me peguei dando gargalhadas sozinha. Que ironia, eu que sempre quis viajar, trocaria tudo isso por um abraço. Um abraço! E poderia passar o resto dos meus dias em qualquer província, que seria a mulher mais feliz do mundo e você, o homem mais amado.

Ao menos chorando, a saudade sai para fora um pouco e quem sabe assim, eu consiga escrever.

Monday, March 07, 2011

Primeira noite

Seis de março de 2011

Tinha sete anos quando dormi fora de casa pela primeira vez, passei uma semana na casa dos meus padrinhos, na rua de trás da minha. E na época, foi uma aventura e tanto! Depois, tinha 22 quando dormi fora do meu país, pela primeira vez. Foi em Buenos Aires e foram apenas três noites, estava de excursão para o show da Madonna.

Essa é minha primeira noite em Barcelona e a situação é outra. Vou passar dois meses fora de casa. Sempre imaginei como seria a primeira noite que estaria em um país distante, não apenas por passeio, mas para morar por um tempo. Pois, em março, o meu endereço será Calle Calábria, 86, 3-2. Ah, estou morando num apartamento.

Minha família, um casal, são professores universitários. Tem um rapaz americano e um coreano, também de intercâmbio. Meu quarto tem as paredes rosas, um espelho imenso, um roupeiro branco e uma janela minúscula, que dá para a parede do apartamento da frente. Ainda bem que tenho uma luminária, porque a luz é bem fraquinha.

Ainda assim, acho que vou passar muito tempo dentro desde quarto, espero que minhas vistas não cansem. Hoje, Já me perguntei várias vezes, porque trouxe apenas três livros? Espero deitar e dormir, hoje. Estou cansada e com dor de cabeça, faz bastante frio aqui e acho que logo estarei gripada.

Estou resistinto bravamente para me deitar. Quer coisa mais íntima que a cama da gente? Eu estou num país que não é o meu, numa família que não conheço e o pior, num colchão que não tem a forma do meu corpo e com travesseiro que não ter as marcas das minhas lágrimas.

Na casa dos meus padrinhos, aos sete anos, eu chorei e acabei passando as outras noites no quarto com as minhas primas. Em Beunos Aires, eu estava eufórica e já um pouco bêbada. E agora? Na primeira noite na Espanha e eu estou como estava antes da viagem... Apenas estou. Não tenho vontade chorar, não tenho vontade de rir. Estou aqui, só.

Sete de março de 2011

Acordei a pouco e para minha surpresa, dormi a noite inteira. Sem choros, sem perguntas do tipo “o que estou fazendo aqui?”, sem medos e inseguranças. Devo ter deixado a menininha covarde que mora em mim no Brasil.

Cheguei até a sonhar, com a minha vó e a minha prima. Achei estranho sonhar com as duas únicas pessoas, mais próximas de mim, que já morreram da minha família. Se bem que, por serem espíritos, elas são as únicas que podem me acompanhar aqui na Europa. Pensando nisso agora, me sinto muito bem acompanhada e pretegida, entendi porque não chorei.

Em trânsito

Estou escrevendo dia 05 de março de 2011, no aeroporto internacional de Garulhos, em São Paulo, indo para dois meses na Europa. Minha mãe já encheu os olhos d’água quando me deu tchau. Meu pai com o otimismo de sempre, só falava pra eu aproveitar cada segundo. Meu irmão saiu e nem me deu tchau, típico dele.

Amanhã, um primo e a namorada dele estão de partida para a Irlanda, onde ficarão por um ano, trabalhando e estudando. Na segunda, outro primo (irmão desse que vai para Irlanda), vai para uma missão religiosa, onde ficará por dois anos num país, que ele ainda não sabe qual é. Seu único contato com o mundo que será permitido é escrever uma carta por semana.

Quando lhe perguntei se ele não achava isso ruim, disse que não, que apenas se distanciando do meio e vivendo novas experiências, saberá o que de fato quer da vida. Durante um bom tempo, não vai ter tanta graça ir para Florianópolis, sem meus primos lá. E espero que quando retornarmos para o Brasil, estejamos mais certos do que queremos, mais verdadeiros, mais corajosos e principalmente, com o coração mais aberto.

Às vezes, é necessário ir para longe, em busca de nós mesmos. Não importa que essa busca se esconda atrás de um belo motivo: um tour na Europa, a busca de melhores condições de vida, a missão de divulgar o que se acredita. Chega um momento, que é necessário nos conhecer e quanto mais longe e distante de todos, melhor. Só com nós mesmos vamos nos enxergar.

Provalvelmente, quando conseguir postar esse texto, já terão se passados alguns dias e, quando menos esperarmos, chegará a hora de voltar e espero essa experiências tenha nos ternado melhores. Pessoas com olhares diferentes e, se permetir essa viver longe de tudo, já é um grande passo para se enxergar.

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

Friday, March 04, 2011

Considerações antes de partir

Não mudou em nada o que eu sinto por você. Te amo do mesmo jeito ou até mais, se você não sentisse algo por mim, teria ido me ver, pois seria muito fácil ir, me comer e continuar tudo igual. Mas não né? Você não foi. Sabe que não me senti tão mal como pensei que ficaria?

Só de saber que eu estava na mesma cidade que você, que você anda pelas ruas que eu estava andando, nossa, já agradeço ao mundo por essa oportunidade. Não tem problema nenhum eu ter ficado quase 20 horas trancada num quarto de um hotel muquifo, esperando um homem que eu sabia que não iria. Tem vezes que me odeio, mas já aprendi a me suportar, então encarei isso como uma boa oportunidade de pensar.

E como eu pensei. E não, não vou desistir de você. Desistir de você, seria desistir de mim.



Eu sempre imaginei que o dia que eu fosse viajar, estaria eufórica, que seria a pessoa mais feliz do mundo. Mas não. Daqui poucas horas estou embarcando para a Europa e não sei o que sinto em relação a isso.

Desde criança, sonho em viajar, mas nos últimos meses não pensava nisso como o sonho que iria realizar. Essa viagem era só uma desculpa para ver se eu continuava tocando o barco. Foi uma muleta. Algo que “inventei” para ter o que pensar.

Agora essa muleta é real e ainda não assimilei o que vai acontecer. Não estou indo para fugir de ninguém, nem de nenhuma situação, talvez eu esteja indo pra ver se consigo o distanciamento necessário e entender tantas coisas que acontecerem na minha vida no último ano.

Mudei muito. E só consegui realizar esse sonho de viajar agora, quando percebo que o que move minha vida não são os lugares para onde irei. O que move minha vida é o amor que eu sinto.



Estou indo para a Espanha amanhã. Fico lá até dia 02 de abril, depois faço um tour pela Europa e volto no final de abril. Sempre que possível, estarei escrevendo, gostaria muito de escrever coisas sobre os lugares para onde irei, mas não sei se vou conseguir, geralmente eu escrevo para sobreviver.

Monday, February 21, 2011

Percepções

Eu tô mole. Tontinha, com aquela sensação que temos depois de uns copos de caipirinha, cerveja... Mas não, ainda não tô bêbada, tenho uma noção distorcida das coisas, mas tenho consciência ainda. Algo está mais lento, mais devagar, não sei se sou eu ou o mundo.

Mas como sou metida a intelectualóide, quando bebo ou faço qualquer outra coisa que me tire da realidade, me sinto íntima do Aldous Huxley e quase entrando nas tais portas da percepção. Uma vez, tomei chá de cogumelo e vi o mundo verde e brilhante e isso era tão mais interessante do que vejo normalmente...

Ai, eu acho que deveria estar na praia com todo mundo e não gastando meu dinheiro numa lan house. Prefiro beber o meu dinheiro. Ai, eu tenho que viajar e não sei nem onde enfiei minha mala e nem meu passaporte. Ai, eu já fui mais organizada. Ai, será que vendem cerveja na lan house?

Tá, vou escrever sério agora. Acho que só inventei de viajar para pensar em algo, sei lá, pra ter uma porra de um objetivo qualquer. Mas depois de você, tudo é tão pequeno, que trocaria a Europa inteira por um abraço teu. O mundo todo por você. Merda, vou começar a chorar. Azar, bêbado chora mesmo. Pedi pro menino que atende comprar Smirnoff pra mim.

Estão achando que estou bebendo muito? Odeio gente moralista! Pensem que sou uma grande escritora, que nesse momento está digitando esse texto dentro de um quarto repleto de ursinhos de pelúcia, vestindo um pijama rosa. Até porque eu não bebo né? Ah, e sou virgem também. Estou me guardando como guardo as cervejas no fundo da geladeira.

Tá? Agora vou escrever sério de verdade. Eu bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo, bebo e não esqueço!

“Se for falar mal de mim, me chame! Sei coisas terríveis a meu respeito”. Clarice Lispector

Wednesday, February 16, 2011

Espero. Esperança. Esperando

Há momentos ou até mesmo dias, que sou tomada da mais genuína esperança. Mais do que isso, de uma certeza absurda e absoluta que um dia, assim do nada, você vai me mandar um email. Vai ligar. Vai falar que também sente saudade.

E eu vou poder olhar novamente dentro dos teus olhos e preencher tuas tatuagens com meus dedos. Espero você voltar pra gente discutir a arquitetura de Barcelona, pra falar sobre uma possível viagem à Turquia. Pra te dar colo. E te ninar. E te amar.

Isso não é viver de lembranças, é projetar um futuro. Isso não é falta de amor próprio, é excesso de amor. Porque eu te amo tanto, mas tanto, que não cabe em mim, não cabe num texto. Posso escrever o resto da vida pra você e, ainda assim não seria nem uma frase inteira.

Posso ficar te esperando para sempre porque sei que você vem. Isso não é ilusão, se fosse eu não teria certeza de que essa espera é necessária. Não sentiria o arrepio que sinto no meu corpo quando penso que vou te abraçar, de novo. E eu vou te abraçar!

"A glória é tanto mais tardia quanto mais duradoura há de ser, porque todo fruto delicioso amadurece lentamente.” Arthur Schopenhauer

Sunday, February 13, 2011

Praia

Como a maioria dos gaúchos, ir para a praia no verão é um programa de bando, seja esse bando, de família ou amigos. Esse ano estou revivendo aquela função de alugar casa, ir com a família, esperar os trabalhadores da mesma no final de semana, dormir no chão, casa lotada, bagunça, o nosso nordestão e o mar chocolate.

Quando criança, as casas eram lotadas de tios e primos, o que parecia muito divertido. Porém, a gente cresce, prefere passar as férias com os amigos viajando para alguma praia de Santa Catarina. Mas este verão, está me fazendo refletir ao me deparar de novo com minha família numa casa alugada no reto litoral norte gaúcho.

Algumas coisas mudaram, os tios deram lugares a cunhadas e sobrinhos, primos continuam lá, mas agora com filhos. Percebo que por maior que seja uma casa, sempre tem alguém que vai dormir no chão. Meu irmão não vomita mais quando sente o cheiro do camarão e quem vai dormir na cama de cima do beliche, ainda é motivo de briga entre as crianças.

Ah e agora, estou dando o devido valor ao nosso litoral, pois como uma trabalhadora, encaro a Freeway na sexta de noite e no domingo de tardezinha, lamentando muito os finais de semana com chuva. A maconha e as cervejas continuam como itens principais nas férias da minha família, mas nesse verão, especialmente, a bêbada oficial sou eu!

Meu pai continua reclamando porque tem que sair da praia mais cedo pra ir buscar um frango assado para o almoço. A frase que minha mãe mais repete é: “não vim pra praia para cozinhar”, meu irmão continua passando o tempo todo dentro do mar, pegando jacaré, furando onda e ainda parece ser o único que se diverte, mesmo nos dias de chuva.

Foi, justamente, observando meu irmão que me dei conta disso. Fazia anos que não íamos para uma praia juntos e ele continua furando onda do mesmo jeito que fazia com 5, 6 ou 7 anos. Vendo essa cena no final de semana passado, fui transportada para o passado e também para o futuro.

Como as coisas mudam, daqui uns anos eu vou ser aquela tia, dos filhos do meu irmão, que chega nos finais de semana, bebi e tumultua a casa da praia. Mas como nem tudo muda, meu irmão vai continuar furando onda do mesmo jeito e se divertindo até nos dias de chuva.

Tuesday, February 08, 2011

Cara ótima

Parece que ando com a cara boa, ao menos é que andam dizendo por aí, meus amigos e até a psicóloga. Outro dia ela me disse que eu estava “mais leve, sem o peso do mundo nos ombros”.

Talvez seja verdade, ou pode ser culpa do álcool e da cevada que ando ingerindo diariamente, sábio quem falou: “decepção não mata, ensina a beber”. Estou saindo mais também, procurando os amigos, falando, dando risadas...

E daqui a pouco chega a viagem né? Então também estou ocupada pensando nessa grande realização. E tenho bastante trabalho no serviço, hoje o dia foi puxado e apesar de tudo, minha cara está ótima!

...

Mentira. Tudo mentira. Eu tive que me segurar para não chorar de saudade no terraço do Palácio Piratini, no pátio da Assembleia Legislativa, dentro do carro do meu chefe, quando liguei o rádio e tocava Pink Floyd e quando deu o teu nome para o personagem do texto que fiz na aula de espanhol.

Eu queria tanto te abraçar! Ainda amo tanto você. Ainda paro no meio de um texto pra chorar. Ainda dói tanto. Ainda fico arrepiada quando me lembro de ti. Ainda passo as noites acordada, pensando se você pensa em mim. Ainda não sei que fim dar no meu corpo.

Mas apesar de tudo isso, eu estou com uma cara ótima.

“De algum secreto lugar me vem a força para erguer a xícara, acender o cigarro, até sorrir quando alguém me diz: ‘Você hoje está com a cara ótima’, quando penso se não doeria menos jogar-me de um décimo primeiro andar” Lya Luft

Wednesday, February 02, 2011

Não lembrar

Estava ouvindo a música Doesn’t remind me do Audioslave, escutava e prestava atenção na letra, que enumera várias coisas que não o faz lembrar de nada. As situações citadas são bem simples como observar as pessoas, ver o colorido das roupas no sol, andar por um lugar desconhecido, ouvir rádio...

Fiquei pensando como às vezes é necessário não lembrar e isso não é de forma alguma, esquecer. É apenas, por alguns instantes, não lembrar, é desviar um pouco o foco do nosso cérebro, da nossa vida, do alvo principal, é quando o mundo exterior invade o nosso interior e nos leva para fora.

Acredito que essas “invasões externas” são bastante comuns na vida de todo mundo, mas penso que é muito difícil nos darmos conta disso. Como quando estamos caminhando apressados e de repente, num vôo rasante, uma mosca azulada quase bate no nosso nariz. Neste instante, a gente não lembra de nada, nem para onde estávamos indo. Mas também não nos damos conta disso, pois para isso é necessário pensar e estamos ocupados demais lembrando de coisas, que muitas vezes, gostaríamos de esquecer.

Eu desejava listar algumas coisas que quando me invadem me fazem não lembrar de nada, mas não me veio nada na cabeça, a não ser, a tal mosca azul. É muito ruim quando tudo nos faz lembrar algo ou alguém que ainda nos dói, a gente pensa em como seria bom inverter esse processo de invasão. Ao invés de não lembrar, trazer a lembrança para a realidade.

Monday, January 24, 2011

O gato por dentro




Quando eu voltei de Santa Maria, na manhã seguinte da minha morte, tinha um homem, um Policial Militar sentado do meu lado. Ele percebeu o meu choro contínuo e por vezes, alto.

Logo que ele se sentou, tirou um livro da mochila, O gato por dentro. Um livro pequeno no tamanho, no número de páginas, nos capítulos. Uma obra fácil de ler nas quatro horas que duraria a viagem, mas ele não conseguiu, não deve nem ter passado da metade. Ele ficava vários minutos olhando para a mesma página e ouvindo o meu choro.

Várias vezes, ele me ofereceu o livro. Noutras, lia para mim, uma ou outra parte e me olhava e desistia e voltava a olhar para as páginas, sem ver. Apenas no viaduto que dá acesso a rodoviária de Porto Alegre, que o homem falou comigo. Disse que o autor do livro, William Burroughs, tinha sofrido muito, mas que conseguiu reverter isso e escreveu obras primas. Eu respondi que não conhecia esse escritor e que não gostava de gatos, muito menos, de livros sobre gatos.

O fato é que eu tinha certeza que nunca ia me esquecer desse livro, nem da capa, nem dos trechos que aquele homem lia para mim, embora não lembre do rosto dele e nem ter movido uma palha para achar esse livro.

Na madrugada do último sábado, estava pegando uns livros da Fabi, no quarto dela. Já tinha selecionados uns dois, quando ela puxa um da pilha e fala “esse é ótimo, tu vai adorar!” Era O gato por dentro e na hora meu porre passou. Fiquei de cara. O gato de olhos verdes, desenhado na capa, me encarava enquanto eu sentia o nó na garganta apertar. Expliquei para a minha amiga que já nos conhecíamos e contei a história.

Agora, esse livro está aqui na minha frente, ao lado do monitor do computador. Faltam poucas páginas para eu terminá-lo, mas às vezes demoro muito, fico olhando perdida para uma mesma página, ouvindo um choro de dois meses atrás. Pensando sobre esse pequeno livro, lembro que ele me velou, o gato foi minha única testemunha e agora, voltou, trazendo flores para o meu túmulo.

“Uma esperança. Uma chance. A oportunidade perdida. A esperança morrendo. Um grito que persegue o único que pode ouvi-lo quando já está longe demais para ser escutado, uma tristeza dolorosa e arrebatadora. Este é um sofrimento sem testemunhas. ... Esse sofrimento pode matar.” (O gato por dentro, William Burroughs)

Wednesday, January 19, 2011

Tatuagens

Eu tenho mais tatuagens do que anos de vida. São 13 estrelas, quatro frases, seis borboletas, uma fada, uma lua, um sol, o símbolo do infinito e a palavra liberdade. Não me imagino sem elas, muito pelo contrário, penso em fazer mais. Provavelmente, as próximas serão o Pequeno Príncipe, no braço, e o Yin Yang, na nuca.

A primeira, a fada, eu fiz alguns dias antes de completar 15 anos, foi presente de aniversário e minha mãe me acompanhou até o estúdio. Meus pais não têm tatuagens e meu pai, nem gosta muito, mas eles nunca me proibiram de fazer. E eu nunca tive problema nenhum por causa delas.

Desde criança me imaginava com tatuagens, sempre achei lindo, seja em homem ou em mulher. Claro que tem alguns desenhos que eu não faria, mas isso vai da pessoa... Por isso, acho absurdo que no mundo que vivemos ainda haja esse tipo de preconceito. Fico pensando se há alguma atividade que uma pessoa tatuada não possa executar, por influência da tatuagem, e não identifico nenhuma.

Tem gente que diz que é agressivo. Novamente, vai de cada um, mas penso que há coisas como a violência gratuita, os casos de pedofilias, a impotência do serviço público diante da imposição da natureza, que agridem muito mais do que desenhos e cores na pele alheia.

Se existem ainda alguns redutos profissionais que não aceitam, de modo algum, a tatuagem, aí cabe à pessoa decidir se irá se tatuar ou não e, arcar com as conseqüências.

Agora, no caso dos salva vidas que desencadeou toda essa discussão, acho absurdo, beirando o ridículo. Tem lugar melhor para exibir as tatuagens do que a areia da praia? E há melhor lugar para um dragão tatuado do que o braço de um salva vida sarado?

Thursday, January 06, 2011

Histórias de novela

Nunca fui das mais noveleiras, mas como no Brasil basta ler as capas de revistas para a gente saber o que acontece nas novelas, sempre sei o que se passa. Algum tempo atrás eu costumava caminhar de tardezinha, aí até chegar em casa, tomar banho, comer... Eu só dava uma olhada na novela das 20h, que começa às 21h.

Agora como não tenho feito nada de útil na minha vida e cansei até de caminhar, tenho olhado mais assiduamente as obras primas da Rede Globo e é incrível como em todas tem várias histórias de amor ditas como impossíveis. Na Araguaia, a que menos acompanho, sei que tem um triângulo amoroso entre o mocinho, a mocinha rica e uma índia que sofre pra caramba.

Na outra, a Tititi, tem a adolescente que perdeu a virgindade e se apaixonou pelo galinhão. Tem a modelo que largou o namorado para seguir a carreira, mas ainda morre de amores por ele. Tem uma loirinha apaixonada por um rapaz comprometido com uma moça que trata ele mal. E o cara que brigou com a namorada, passou meses em Londres e acabou voltando porque não conseguia esquecer a guria.

E a Passione então? O que é o velhinho que passou mais de trintas anos amando a mulher que abandonou ele no altar? E eles se encontraram anos depois em outro país. E tem a italianinha, garota de programa, que atravessou o oceano para encontrar o cara que ela ama. A Felícia que passou anos fechada para a vida, amando seu primeiro e único namorado, eles também se encontraram anos depois e estão tentando continuar... E Melina que a vida toda amou o Mauro, viajou, voltou, casou com outro, separou, aprontou horrores só para ter uma chance com ele.

Essas são apenas as histórias que eu lembro. Na Malhação deve ter mais um monte de exemplos desse enredo, versão teen. Nas novelas do SBT, Record, Band, nas mexicanas, nas que acabaram e nas que virão, também. E é claro que todos vão acabar bem e felizes para sempre, nas novelas todo mundo acaba junto de quem se ama.

Por mais idiota que seja, me dá um aperto no peito quando assisto essas cenas. Minha história daria um bom enredo de novela, mas infelizmente é vida real e na vida real nem sempre o final é feliz.

Monday, January 03, 2011

Foi só um sonho

Na primeira noite de 2011, quer dizer, primeiro dia, porque fui dormir depois que o sol já tinha nascido, tive um sonho lindo. Sonhei que estávamos eu, a Daiani (a outra jornalista da CUT) e alguns dirigentes da Central em algum lugar que eu não sei qual é, para cobrir um ato, uma manifestação, uma reunião ou sei lá o que...

Os dirigentes entraram em uma sala e quando eu olhei para dentro dessa sala, ele estava lá, lindo, com o uniforme do Instituto Geral de Perícias. E no sonho eu pensei em como ele é perfeito. Aí ele veio na minha direção, já sem o uniforme, mas com uma camiseta azul que realçava a pela morena dele.

Ele sorria. Aquele sorriso que eu tanto amo, porque o deixa com ares de menino. Enquanto ele vinha, eu sentia meu coração saltar pela boca. Então ele me abraçou e ficamos abraçados o sonho todo, às vezes, mudávamos de posição, mas não nos desgrudávamos. E fazíamos carinho um no outro. Às vezes, a Daiani vinha, falava alguma coisa com a gente e nós ríamos muito. Estávamos felizes.

Mas o sonho não tinha som. Ao menos não enquanto ele estava comigo, ali o sentido principal era o tato. Porque eu sentia o calor da pele dele, a espessura da camiseta, o suor no pescoço quando eu mexia minha cabeça... Não sei quanto tempo durou o sonho, mas o abraço durou mais da metade do sonho. Até na hora que ele explicava alguma coisa sobre a máquina fotográfica do serviço, eu estava colada nele...

Nisso apareceu um dos secretários da CUT, chamando a imprensa. A gente se despediu, ele me beijou e desejou bom trabalho. Eu e a Daiani entramos para cobrir o ato, a manifestação, a reunião ou sei lá o que... O sonho acabou e eu ainda dormi mais um pouco.

Quando acordei, assustada, não lembrava onde estava (na casa de praia de uma amiga). Mas ainda podia sentir ele e logo comecei a chorar de saudade quando me dei conta que fora só um sonho. Sonhar com quem se ama assim é tão bom e tão cruel.

Se é verdade que nos sonhos os espíritos se encontram, eu tive o melhor sonho que eu poderia ter, porque nem que seja em outro plano, a gente esteve junto e ele estava feliz. E eu passei o dia com o peito apertado de saudade. Lembrando desse abraço tão real, mas que nem aconteceu.

Será que ele também sonhou comigo? Será que a Daiani sonhou com nós? Será que o abraço foi de despedida ou reencontro? Não sei... Só sei que ganhei o melhor abraço de ano novo que poderia ganhar e desde então, quando deito na cama e fecho os olhos, lembro dele vindo, lindo e sorrindo, na minha direção. Vai que eu tenha sorte e um dia desses, ele venha de novo, me abraçar.

“Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.” Clarice Lispector

Thursday, December 30, 2010

Sem planos para o ano novo

Parece que essa virada de ano, pela primeira vez, eu não vou entrar meia noite afora louca para me lembrar de todas as simpatias possíveis para atrair amor, saúde, dinheiro, prosperidade... Não comprei calcinha nem roupas novas para a noite do dia 31, coisas que sempre fiz, teve um ano que usei sete calcinhas, uma por cima da outra.

2010 foi cheio, muita coisa aconteceu e muita coisa boa. Eu vivi uma das melhores fases da minha vida, já sai de 2009 feliz. Mas foi esse ano que me dei conta que certos fantasmas tinham, de fato, ficado para trás e me permitir viver sem assombrações.

Sinceramente, entre janeiro e maio, várias vezes, eu me senti a pessoa mais feliz do mundo. Eu amei também, muito, como eu nunca pensei que fosse possível amar alguém. Na verdade, ainda amo e pela maneira como me arrepio cada vez que penso nisso, ainda vou amar por muito tempo.

Eu mudei muito, muito mesmo (sim, foi tudo muito mesmo). Diversos valores e opiniões que eu defendia, caíram por terra, o que foi positivo. Agora o melhor, foi ter me dado conta que para amar como eu amo, eu tive que passar por um longo processo, que provavelmente tenha começado quando eu nasci.

Foi depois de 25 anos de vida que eu me senti feliz e plena. Minha vida não estava do jeito que tinha sonhado, mas as coisas estavam melhores do que eu imaginava. Sabia que o restante viria na hora certa. Hoje, eu penso que para amar é necessário estar feliz, porque só a felicidade nos fornece o desprendimento necessário para se doar para o outro. E amor, para mim, é doação.

O que vem depois disso, se o amor vinga ou não, se tem tristeza, lágrimas, se as coisas não saem como a gente quer... É outra história. É por isso que eu não espero nada de 2011. Tenho alguns compromissos, claro, mas planos e listas de pretensões, não tenho. Isso é bom, tira um pouco o peso desse ano que entra e a gente acaba vendo isso tudo como uma troca de calendário.

Durante boa parte do ano eu desejei ser merecedora de viver o amor que eu sinto. Se eu fosse pedir algo à meia noite de hoje, seria isso. Só que, apesar de tudo, eu apenas vou agradecer ter sido tão feliz e amar da maneira que amo. Isso valeu muito mais que o ano, valeu a vida!

Presentes

Até que essa finaleira de ano, tão cheio para mim, me reservou algumas boas surpresas. Tenho mais dois livros, clássicos, na minha biblioteca. O Pequeno Príncipe, que foi o último que comprei em 2010 e Fragmentos, do Caio Fernando Abreu, que ganhei da Fabi, ontem.

E depois de tanta busca para passar a virada de ano em qualquer lugar e com o menor número de pessoas possíveis, vou para a praia com duas amigas queridas. Depois de tentar pousadas no litoral, acampamentos no meio do mato, retiros em centro de meditação e convento, Rainha do Mar é o meu destino. Na verdade, corro um grande risco de passar a virada dentro de um ônibus na freeway, mas até isso vou achar ótimo.

Hoje meus tios amados de Brusque passaram o dia aqui em casa. O Daniel sempre foi aquele tio arriado, que ensina palavrões para os sobrinhos. Quando eu era criança, ele era o meu fornecedor oficial de Barbies e ainda é o colorado mais fanático que eu conheço.

A Tati tem a risada mais gostosa que eu já ouvi e uns braços que faz toda mulher morrer de inveja, nada balança ali. O Wesley é o filho deles, o guri tá virando homem, tanto que da próxima vez que ver ele, só restará o homem.

Dia bom, de lembrar, de rir, de conversar, de casa cheia, de bagunça em volta da mesa, de matar as saudades... E é tão bom lembrar que ainda é possível matar alguma saudade, quando uma saudade absurda me consome todos os dias.

Tuesday, December 28, 2010

Dez minutos

Eu sempre tive insônia. Pelo menos desde criança era mais fácil ficar até tarde acordada e dormir pela manhã. Até hoje, acho que esse é o melhor horário para o sono. Quando tinha meus 13, 14, eu só dormia depois que o Pijama Show acabava, lá pelas 3h, claro que sempre cochilava nas aulas, mas nunca me importei com esses cochilos estudantis...

Só que minha falta de sono era sempre no início da madrugada, eu ia para cama tarde. Geralmente saia da internet em torno da 1h da manhã e lia alguma coisa até as 2h30, 3h e quando caia na cama, dormia.

Agora não, minha insônia mudou, piorou, está ainda mais torturante. Ando me deitando mais cedo, logo depois da meia noite e durmo logo. Mas 10 minutos depois, eu acordo. Fico uns minutos acordada e pego no sono. Logo depois acordo e quando vou olhar no relógio, se passaram 10 minutos.

É sempre assim, os exatos 10 minutos. Eu durmo, acordo, entro em pânico com a insônia, pego no sono e... acordo de novo. Sigo desse jeito até de manhã. Assim tem sido as minhas noites. E que horror, que angustia. A noite demora muito mais para passar.

Já decorei os horários de toda a noite. Sei quando os cachorros começam a latir, os pássaros a contar. Escuto meu irmão levantar, ele sair, meu pai levantar, meu vizinho espirrar (ele espirra sempre às 6h50!) Ouço o pai abrir a garagem, o barulho do carro dos vizinhos... Sei os programas das rádios na madrugada. Em 10 minutos dá pra se ouvir muita coisa.

O pior de tudo é que eu nunca desejei tanto dormir. Dormir e dormir, de preferência para sempre. E isso é o que eu mais ouço, a voz impiedosa dentro de mim, me mandando dormir pra não viver, pra não lembrar, pra não chora... Aí o sono vem e me leva com ele, mas me devolve logo, 10 minutos depois. Às vezes acho que é só pra não sonhar.

Friday, December 24, 2010

Então é Natal...

E daí? Eu detesto Natal e essa orgia capitalista, ouviu Papai Noel? Isso inclui você. Lamento, mas não gosto de você. Não sei por que, num país tropical como o nosso, a gente insiste nessa cultura fajuta de Papai Noel? Em cada esquina do centro de Porto Alegre a gente topa com um velho gordo, fantasiado de vermelho, coberto de suor em todos os poros. Coitadas das criancinhas que tem que sentar no seu colo...

Bom, vamos ao que interessa. Eu não vou pedir nada, não se preocupe, cinismo tem limite. Essa cartinha é só um desabafo de uma menina que há muito já se desiludiu com a vida. Por que escrevo para o senhor? Porque saber que tu foi uma invenção do marketing da Coca-cola é a primeira desilusão da vida de muita gente.

Ah sim, como você já deve imaginar, eu não fui uma boa menina. Fiz menos sexo do que gostaria. Tomei menos porres do que imaginei. Comprei menos livros do que desejava e mais do que minha conta bancária permitia. Dormi bastante, sim, mas dormir é como sexo, nunca é demais. Esse ano eu também capotei de carro, mas não morri. Viu como sou arteira?

Mas pensando bem velho barbudo, tem uma coisa que quero te pedir e acho que você vai até gostar. Vai se fuder, faz favor! Ah, o que? Tem alguém falando na TV que Natal é o aniversário de Jesus?

Nunca me convenceram que ele nasceu neste dia. Isso é só mais uma convenção da “santíssima” igreja católica e de algum papa lunático. Por que alguém acha mesmo que o todo poderoso iria nascer com o sol em capricórnio? Seria muito azar e ele não teria sido amor e bondade como dizem.

É velho Noel, não adianta apelar, eu não gosto de Natal.

Monday, December 20, 2010

Tanto faz

Tem coisa mais chata e parada que tanto faz? Tanto faz se tem sol ou chuva. Tanto faz se será cedo ou tarde. Tanto faz se dará certo ou não. Tanto faz doce ou salgado. Tanto faz insistir ou desistir. Há essas alturas... Tanto faz.

Estou numa fase tanto faz na minha vida. Sobre a minha viagem? Tanto faz se vou no inverno, se vou conhecer a Europa, se vai ser legal ou bom pra mim... Sobre o resto das coisas, é a mesma coisa...

Cansei da vida, por isso essa fase. Tanto faz é deixa rolar, não quero participar de nada mesmo. Hoje faz um mês que morri e me pergunto o que será que vem depois do tanto faz?

Tô cansada. Queria conseguir explicar para as pessoas por que viver me dói tanto. Mas as pessoas também têm seus problemas e suas dores. Quando a gente menos espera os transtornos vem à tona.

Tanto faz viver ou não, depois que a gente morre, as coisas deixam de ser singulares. É tudo uma coisa só, morosa, torturante e enlouquecedora.

Sunday, December 19, 2010

Tentando

"Depois de tão complexos exames voltávamosa novas reuniões a fim de aprendermos como de preferência devíamos ter agido para evitar o suicídio, quais deveriam ter sido os atos diários, os empreedimentos, senão nos afastáramos do raciocínio inspirado no dever, na fé em nós mesmo e no paternal amor de Deus! Em vários casos, a solução para os problemas, que abriram as portas para o abismo, ancontrava-se a dois passos de distância do sofredor; surgiria o socorro enviado pela providência ao seu filho bem amado, dentro de alguns dias, de poucos meses, bastando vontade, paciência e coragem moral, necessário ao seu progresso espiritual! Então concluímos com decepcionante surpresa que fácil teria sido a vitória a te´a felicidade, se buscáramos no amor divino a inspiração para os ditames da existência que desgraçadamente destruíramos".

Esse é um trecho do livro "Memórias de um Suicida", de Yvonne Pereira. Conta a triste histótia de um espírito que se matou... O livro tem quase 300 páginas e eu não estou nem na metade. Mas vou ler tudo, além do livro ser bom, eu preciso me salvar!!!

Wednesday, December 15, 2010

SOS

Eu preciso me salvar. Preciso fazer algo para que eu continue. Eu tô quase desistindo. Eu preciso que me enterrem antes que eu me mate.

Ando nas ruas olhando para o alto, para os prédios, pensando qual a altura para ser fatal? Embora não reze mais para eu morrer, nem isso eu consigo.

Já não tenho mais metade das minhas coisas. Metade da metade eu dei a outra, eu coloquei no lixo. Minha mãe fica feliz que eu estou me desapegando, ela diz que a gente tem que tirar o lixo velho para entrar o lixo novo. Mãe, não vai mais ter lixo, eu prometo. Nem eu, também.

Ontem eu peguei a pinça e puxei um corinho em cima da unha do dedo indicador direito, o que eu mais uso, o que mais bate. Ficou um daqueles cortezinhos chatos, que doem a cada batida. Mas essa dorzinha não é suficiente. Então coloquei o dedo no álcool, doeu um pouco, depois amorteceu.

Eu dei minha cama hoje, para um senhor que estava passando na rua, parecia ser um pai de família e bem simples. Olhei pra ele e perguntei: “o senhor quer uma cama?”, ele pensou um pouco e disse que sim. Então pedi pra ele entrar e pegar. Ele pediu pra usar o telefone, pra pedir ajuda para levar a cama, eu falei que “tudo bem, não ajudo porque tenho que terminar a faxina.” Minutos depois, o sogro dele chegou com uma Brasília, levaram minha cama e uns ursinhos de pelúcia que sobraram da infância.

Meu pai tá preocupado, trouxe um colchão velho que tem na garagem pra mim dormir. Por mim, tanto faz, não vou mais dormir. Semana passada, eu roubei R$ 500,00 da conta bancária da minha mãe. Peguei um ônibus para o interior, depois um táxi e voltei, noutro ônibus. Estava me procurando. Não me achei. Eu não sou mais eu.

Quero ir embora para um convento, para um mosteiro, para o Rio, para São Paulo, para Macapá, para Tóquio, para a Islândia, para um SPA, para um circo, para um presídio, para uma comunidade que tome Santo Daime. Eu preciso me salvar.

Tuesday, December 14, 2010

Sempre ele

Abaixo tem umas frases do Caio Fernando Abreu. Sempre que eu estou mal, que eu não me entendo, que me perco em mim, recorro ao Caio. Ele sempre sabe o que se passa comigo, melhor que eu. Então eu me encontro, me entendo...

E me faz bem, parece uma luzinha minúscula no final do túnel. Parece que eu vou sobreviver, que eu vou sair ilesa, que realmente isso tudo vai passar. E eu penso, também, que talvez um dia eu escreva coisas que fazem as pessoas pensarem: “sim, tem saída. Apesar dessa canoa furada, sobreviveremos.”

“Vontade só de dormir, dormir muito, para nunca mais acordar. (...) Só tenho passado, o presente é esta viscosidade o futuro não existe. Ah, eu queria ter um objetivo na vida, uma coisa que sugasse todas as minhas forças, conduzisse todos os meus gestos e todas as minhas palavras. Não tenho nada, só este vazio.” Caio F.

“Cada vez mais frias, e os dias estão cada vez mais duros, e eu tento, tento tanto disfarçar essa dor no me peito e esse nó na garganta, mais chegou o ponto em que eu já não sou mais forte o suficiente, já estou consumida pelo desejo quase incontrolável de desaparecer, pra sempre.” Caio F.

“Um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim.” Caio F.

“E repito: andei pensando coisas sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro- mas a morte é inevitável, portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor - essa pessoa - continua viva, há então uma morte anormal. O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS quem morreu. E dói mais fundo- porque se poderia ter, já que está vivo. Mas não se tem, nem se terá.” Caio F.

Sunday, December 12, 2010

A fé não dá respostas, ela impede as perguntas

Li essa frase sábado e desde então estou pensando... No meio de tantas dúvidas que está minha cabeça, ela me deu uma luz. Eu não tinha respostas porque eu nem sequer perguntava. Eureka!!! Agora a certeza de que não há respostas para minhas perguntas, me mata.

Eu já tive depressão e nem naquela fase, que sem dúvida foi a pior da minha vida, eu estava assim, sem fé. Sábado mesmo, eu me diverti um monte, ri pra caramba, mas
às vezes, no meio da risada eu me pergunto pra quê tudo isso?

Enquanto eu via o espetáculo Exotiquè, do Tholl, pensava como é triste quando nada nos abala, nada muda. O show é lindo, super bem montado e interpretado. Mas aquelas pessoas tão lindas, tão maquiadas, devem ser também tão sofridas, provavelmente tiveram que abrir mão de muita coisa... Será que valeu a pena? Em que momento eles morreram e se obrigaram a renascer?

Eu já perdi a vontade de viver antes. Simplesmente não me imaginava com 25, 30, 32, 47 anos... Não fazia planos porque não queria viver. Agora, mesmo morta, eu consigo me imaginar num mestrado, viajando, morando no Rio ou quem sabe em BH. Posso passar um tempo num SPA, num convento, num hospício... Posso chegar aos 98 anos.

Sei que posso continuar sem fé. Sem querer. Sem vontade e até mesmo sem entender. Só que será uma vida vazia ou uma vida cheia de nada.

Friday, December 10, 2010

Passagens na bolsa

Eu sempre pensei em viajar. Geralmente quando alguém me pergunta(va) qual meu sonho, era isso que eu respondia. Ainda é. Só que eu sempre quis também estudar fora, morar mesmo em outro lugar, e não apenas fazer turismo.

Meus pais nunca tiveram grana para me bancar num intercâmbio, quando era mais nova. Depois veio a faculdade e a mensalidade da mesma. A formatura e alguns meses sem emprego, depois veio um trabalho e o salário, mas veio também uma pós-graduação e novamente, a mensalidade.

Desde que eu comecei a trabalhar, eu sempre guardei boa parte do que ganhava. Paguei meu silicone, paguei minha pós e as minhas pequenas viagens nesse período. Claro que às vezes, tinha que ser socorrida pelo meu pai, mas garanto foram poucas vezes e ele sempre se orgulhou disso.

Agora é a hora de ir para mais longe. Eu sempre imaginei que o dia que tudo isso se concretizasse, que eu comprasse as passagens, que eu tivesse certeza que em pouco tempo eu iria pegar um avião e desembarcar em algum lugar do mundo, seria um dos dias mais felizes da minha vida.

Esse dia foi hoje, mas nem de longe foi o dia mais feliz da minha vida. Eu já paguei um curso e a hospedagem na Espanha, já fiz meu roteiro e comprei um programa para conhecer algumas cidades européias, meu passaporte está pronto há anos, as férias excepcionais que tirarei no serviço estão aceitas e acertadas. E hoje, eu comprei as passagens.

Dia 5 de março, embarco para Barcelona. Agora tá tudo certo, é oficial. Agora, já dá pra falar pra todo mundo. Agora é só esperar e vai passar logo, porque o tempo passa voando e logo já será o dia 5 de março.

Enquanto caminhava pela Av. Independência, indo trabalhar, com as minhas passagens na bolsa, eu me perguntava onde estava aquela felicidade toda que sempre tinha imaginado e esperado naquele momento. Não teve pulos, gritos, telefonemas eufóricos para contar a novidade, nada disso...

Eu era só uma mulher apressada, entre a triste e a estressada, que se dava conta dessas ironias da vida. Eu pensava nas coisas, bem poucas, que eu desejo muito mais que essa viagem. Eu trocaria isso tudo por tão pouco...

Monday, December 06, 2010

Qualquer lugar

Que mania estranha essa que alguns seres da espécie humana tem, de querer fugir para qualquer lugar. Lugar que não se sabe. O que importa é mudar, é fugir, é não reconhecer o contexto. Quem sabe, assim a novidade se torne maior que a atual realidade.

Como aquela música do Tim Maia que diz "pensei até em me mudar. Lugar qualquer que não exista o pensamento em você." Como a gente faz pra fugir da gente mesmo? Será possível mudar de lugar e tudo mudar? Será só uma ilusão? Às vezes eu penso que tudo é ilusão, inclusive viver.

Eu queria sair de mim, isso sim. Ir para um lugar, qualquer lugar, onde eu não estivesse, onde eu não me encontrasse. Ou até mesmo, onde me tornasse uma estranha.

Embora eu já tenha me tornado uma estranha. Esse ser descrente, não sou eu. Essa mulher que quer casar e ter filhos, não sou eu. Mas por outro lado, a pessoa que acreditava em Deus e cartomantes, também não era eu. A mulher que sempre se imaginou sozinha, também não era eu.

Eu não me reconheço mais. O que nos une, a de ontem e a de hoje, é o que sentimos. Só isso. Por isso, sim, eu penso em me mudar. Pra um lugar qualquer onde não exista o pensamento em você e muito menos a consciência do eu.

Quase um Haikai

Tômara que na próxima vida eu volte pedra. Às vezes, ser humano é demasiadamente desumano.

Monday, November 29, 2010

Mais sobre a fé ou a falta de...

Pior do que perder a fé nas coisas, sejam elas abstratas e espirituais, é perder a fé em si, nas coisas práticas e diárias. Não ver sentido em levantar da cama todas as manhãs. Não acreditar nem que exista um amanhã e que as coisas podem melhorar.

Eu não consigo mais planejar nada. Outro dia comentei sobre fazer mestrado com um colega do serviço, eu sempre pensei em continuar estudando, mas me pareceu tão estranho. Fazer mestrado pra quê? Para contribuir com as pesquisas acadêmicas? Ninguém liga pra isso. Pra satisfazer uma vontade minha? É só pra manter minha cabeça doentia ocupada.

Eu não entendo porque uma pessoa que de repente, se tornou tão vazia como eu, ainda respira. Inspirar, encher os pulmões de ar, expirar... Pra quê? Por quê? Qual é o sentido dessa porra toda?

Ainda hoje uma amiga me disse que é a esperança, a fé (seja lá no que), que nos faz levantar da cama e ir em frente, de cabeça erguida. A única coisa que me impulsiona é que todas as manhãs eu penso que é um dia menos desta tortura toda. Um dia isso tudo vai acabar.

Sunday, November 28, 2010

Sem fé

“...não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais destrutiva que insistir sem fé nenhuma?”Caio Fernando Abreu.

Eu sempre fui uma pessoa crente e sempre achei importante crer em algo. Mas alguma coisa mudou e me faz questionar tudo, de Deus ao vegetarianismo. Eu me sinto vazia de fé. As coisas perderam o sentido.

Astrologia, Feng Shui, I – Ching, trânsitos planetários, cartomantes, Pais de Santos... Não acredito mais nisso. E podem ser coisas superficiais, mas que me faziam bem. Meu quarto foi planejado com o Feng Shui, sabia de cor em qual signo a lua se encontrava e como os planetas estavam no dia. Eram coisas que me davam um sentido.

Conspiração do universo, energia positiva, pensamento premonitório... Faziam eu pensar em coisas boas. Só. Agora não me pegam mais. Nada mais me pega. Eu que sempre andei com a cabeça na lua, cai na terra de cabeça.

Anjos, mentores espirituais, Kardecismo, Deus... Sinceramente? Não sei. Tudo não passa de um grande ponto de interrogação dentro de mim. Tem uma semana que eu não oro mais, eu tentei, mas não consegui, foi quando percebi algo estranho. Desde o dia que morri não consigo mais orar, não creio mais no poder da oração.

Eu não queria que isso tivesse acontecido, é triste não encontrar um sentido nas coisas. Talvez eu vire uma adepta do racionalismo. Não iria estranhar, quando a gente perde a fé, a gente perde também, a capacidade de se surpreender com a vida. Não vou estranhar nem se me der vontade de comer uma boa e sangrenta carne assada.

Twittando

Agora eu tenho um twitter (@re_remachado). E daí né? Mais uma inutilidade pessoal numa era de inutilidades coletivas. Não basta ter amigos, temos que ter seguidores!

Foi a Fabi e o Cris que me convenceram a fazer um, isso há duas semanas. No dia, perguntei: “mas o que eu vou twittar?” Mesmo com essa dúvida, eles me convenceram e eu prometi. Demorei, mas cumpri.

Não sei mexer direito naquilo e continuo sem saber o que escrever lá, ainda mais com tão poucos caracteres... Ando tão de saco cheio da vida. Não preciso twittar isso e, nem as pessoas merecem, ficarem lendo minhas chatices, já basta aqui.

Sei lá, tô no twitter agora, até quando não sei...

Saturday, November 27, 2010

Missa de 7º dia

Eu morri há sete dias. Isso aqui é uma celebração, como uma missa de 7º dia. Nunca entendi o motivo do 7º dia após a morte, nem agora... Bom, eu que acreditava que o corpo morria e o espírito continuava vivinho da silva, estou perdida e sem entender.

Como assim, a alma morreu e o corpo continua? Meu corpo está tentando manter as aparências, tanto que ainda fico em pé! Ainda trabalho, como, converso, leio, escrevo... Deve ser como aquela sensação que pessoas mutiladas têm quando sentem dor nas partes do corpo que não existem mais...

Há exatos sete dias eu estava morrendo. Porque na verdade eu não morri assim, de uma hora para outra. Eu fui morrendo, lentamente, lá em Santa Maria. Dizem que as pessoas pressentem quando vão morrer e de fato, é verdade, quando eu embarquei no ônibus sabia que seria uma viagem sem volta.

Eu estava feliz, não uma felicidade eufórica (que sentia no sábado de manhã, último dia da minha vida). Mas uma felicidade branda, que se contenta com pouco, de quem sabe que tentou até o último minuto.

Morri durante a madrugada, confortável, deitada numa cama, de banho tomado, coberta com edredons, com ar condicionado ligado e abraçada no homem que eu amo. Eu chorei, peguei no sono e não acordei mais.

Meu corpo levantou, foi colocado num taxi, entrou num ônibus para Porto Alegre e chorou os quase 300 quilômetros. Chorei a minha própria morte, o amor que me deu sentido, a saudade que quase me enlouqueceu e a minha alma que estava morta e tinha ficado para trás.

Eu morri há sete dias, num apartamento em Santa Maria. Foi numa noite agradável, estrelada e de lua linda e cheia no céu. Eu morri feliz.

Tuesday, November 23, 2010

Trilha do meu momento

Vale de Lágrimas
Lulu Santos


Deixa eu lhe dizer
O que eu passei
Desde que você
Se desapegou de mim

Eu zanzei pelas ruas,
um molambo
Sonâmbulo,
insone e insano
Queria me atirar no mar
Só para me afogar
Que ainda é melhor
Que ser um devedor
Nas contas do amor
Preferia um deserto atravessar
Sob o sol e as noites sem luar
Do que dar meu braço a torcer
Que você não está
Que você não vem
Faça-me um favor
Volta para mim

É o que sei dizer,
nada mais
Senão me repetir

Que zanzei pelas ruas,
um molambo
Sonâmbulo,
insone e insano
Queria me atirar no mar
Só pra me afogar
Que ainda é melhor
Que ser um desertor
Dos campos do amor
Preferia um deserto atravessar
Sob o sol e as noites sem luar
Do que dar meu braço a torcer
Que você não está
Que você não vem
Faça-me um favor
Volta para mim

É o que sei dizer,
nada mais
Senão me repetir
Outra vez

Preferia um deserto atravessar
Sob o sol e as noites sem luar
Do que dar meu braço a torcer
Que você não está
Que você não vem
Faça-me um favor
Volta para mim

Thursday, November 18, 2010

Pedaços

Eu ando em pedaços. Às vezes eu tenho que correr atrás de algum pedaço que avança pelo caminho. Em outras, que tenho que parar e esperar os pedaços que ficaram para trás.

Estar em pedaços cansa. Pois tenho que fazer um esforço sobre humano para parecer inteira. É quase uma mentira e, uma mentira que deforma a alma. Dói muito, dói tudo. Até sorrir machuca.

Por hora, estou conseguindo manter alguns pedacinhos juntos e em pé, eles desmoronam sim e várias vezes ao dia. Em inúmeros momentos eu penso: “deu, agora eu vou desmoronar!”

Mas sempre tem uma ou outra parte que resiste. É uma tortura, um esforço físico e mental. Eu tenho que manter a ordem do caos. Eu tenho que viver, morta por dentro.

Monday, November 15, 2010

A Feira





Acho que todos os anos eu escrevo alguma coisa sobre a Feira do Livro. Esse ano, para não perder o hábito, não será diferente, embora tenha sido bastante diferente. Eu tinha pensando em passar longe da praça da Alfândega, contenção de gastos total por causa da viagem. Só que comprei três livros e meio, mais um guia de viagem de Barcelona, ou seja, gastei mais do que queira...

Os livros: Marilyn últimas sessões, de Michel Schneider, que foi o maior achado da feira, a biografia da Marilyn Monroe por R$ 13,00! Olhares Cruzados, que tem vários artigos de intelectuais europeus e latino-americanos sobre a questão da identidade nesses dois continentes. O extraordinário Poder da Intenção, livro de auto-ajuda que trouxe pra mãe, mas não nego, talvez dê uma olhada, estou apelando para tudo...

O meio livro: Clarice na cabeceira, vários contos da Clarice Lispector apresentados por diversas pessoas (Adriana Falcão, Lya Luft, Malu Mader, Mônica Waldvogel, entre outros). É meio livro, porque rachei com Fabi, vimos na banca, nos olhamos e levamos. Eu vou ler primeiro, mas realmente, comprar meio livro é engraçado, hehehe. Com quem ele vai ficar depois?

Falando na Fabi, foi com ela e com o Cristian (que eu conheci hoje), que fui na feira. Bom, a Fabi: só ela pra me aturar, pra me tirar de casa e me fazer rir. O Cris: gente fina, elegante e sincera. Libriano com ascendente em gêmeos.

O melhor de tudo é que tomamos umas cervejas e fizemos planos. Eu até consegui rir, embora não tenha esquecido. Uma hora vi um livro lindo (e caríssimo) sobre fotografia, bah, que vontade meu deu de comprar pra dar pra ele...

Vamos aos planos de ordem prática e real. Vou sair da Era Paleolítica que vivo e vou fazer um twitter, essa semana, escrevo sobre isso aqui no blog quando der esse passo gigantesco para mim, mas mínimo para a nossa modernidade atual, hahahaha.

Agora o melhor de tudo, lá por junho, julho de 2011, eu, Fabi, Cris e quem mais for parceiro, vamos passar uns dias em Buenos Aires. Coisa boa né? Melhor ainda é alguém com a mente suicida que eu tenho, fazer planos, às vezes isso é tão difícil...

No final das contas, foi um bom dia. Não me fez esquecer de nada, não amenizou a saudade, mas consegui respirar ares diferentes... Adorei a tarde, as minhas aquisições e a companhia.

Wednesday, November 10, 2010

Que seja doce




Essa frase “que seja doce” virou quase um mantra pra mim, porque é singela e densa ao mesmo tempo. Está num verso do Caio Fernando Abreu, ele que sempre foi tão bom em descrever sentimentos e coisas abstratas, merecia estar na minha pele.

Dizem que por trás de cada tatuagem, de cada desenho no corpo, tem uma marca na alma. E na minha tem o desejo de que as coisas sejam doces. Que a vida seja doce. E também, é para não esquecer que muita coisa na minha vida já foi doce, por isso essa tatuagem está num lugar que eu possa enxergar sempre.

Essa é a quarta frase que tenho tatuada. Eu gosto de frases, porque gosto de livros e histórias. Assim como gosto de mantras e letras de música. Como gosto, principalmente, de tudo que contêm esses sinais gráficos que chamamos de letras, é através delas que me comunico melhor, que tento me salvar.

Espero que cada pessoa que ler meu braço fique com essa frase na cabeça, que seja doce, que seja doce, como um pedido lançado ao universo ou uma pequena prece em meio há tantos devaneios que passam pela nossa cabeça. Não importa o que, importa sim, é nos darmos conta da doçura das coisas. Mais do que nunca, eu preciso que seja doce!


“Que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”
Caio Fernando Abreu

Monday, November 08, 2010

Futuro bom

Queria beijar você para o resto da minha vida e eu não iria enjoar. Queria também, ver teus cabelos ficarem brancos e notar que você está engordando e, mesmo se eu reclamasse, pode ter certeza que ainda te acharia o homem mais lindo do mundo. E toda vez que te visse de óculos e gola alta, falaria que você está muito sexy.

Eu te daria colo, ombro, ouvidos e todo o resto, do corpo e da alma. Cuidaria de você com gripe, dor de cabeça, tosse e até mau humor crônico, e seria a mulher mais feliz do mundo por isso. Agradeceria todo dia, ter o privilégio de viver com o homem que amo.

Não, não há nem um pouco de exagero nisso, há sim, muita lucidez. Tem a consciência branda de quem percebeu o porquê se nasceu, os caminhos que percorreu, de quem, de uma hora para outra ou lentamente, se deu conta do sentido de tudo. Você chegou e me explicou muita coisa, me deu um sentido.

Por mais que eu pense em me atirar na frente de um caminhão para acabar com a saudade infinita que sinto de você, é justamente, a necessidade de matar essa saudade que me faz continuar, que me levanta da cama, todos os dias.

Porque eu amo tanto você, que um dia a gente vai se encontrar, a tal força que move o universo e faz as coisas darem certo me levarão até você. Às vezes, dá medo de nunca mais te ver, mas eu penso que nem o diabo seria tão desumano assim.

Até porque ele já deve se divertir bastante com essa situação, um dia ela vai cansar e me largar de mão. Nesse dia algo vai acontecer. Nesse dia eu vou ter a certeza que valeu a pena acreditar em todo o amor que eu sinto.

Preciso tanto aproveitar você
Beijar teus olhos, olhar tua boca
Ouvir palavras de um futuro bom

(Palavras de um futuro bom - Jota Quest)

Saturday, November 06, 2010

Comer, Rezar, Amar

Já tem tempinho que fui assistir ao filme Comer, Rezar, Amar, inspirado no livro da americana Elizabeth Gilbert. E prefiro o livro que li enquanto estava em Florianópolis, em fevereiro de 2009. O filme é maçante e monótono.

Se no livro sobra emoção, no filme, falta. E faltou também o amigo que tocava violão que ela conheceu em um dos países que visitou, não lembro qual (esse personagem não mudaria a história, mas simpatizei com ele...). E não precisava aquela cena que o brasileiro Felipe dá um selinho no filho, que justifica isso como um comportamento natural do caloroso povo brasileiro.

Claro que alguma coisa no filme iria faltar, já é extenso, com quase duas horas de duração e nunca consegue colocar todo um livro no cinema. O filme não conseguiu mostrar que a grande viagem aconteceu, de fato, no interior da personagem. Já o livro trás passagens interessantes sobre o que Liz pensa sobre o amor, a depressão, a felicidade...

É um trecho que fala sobre a felicidade que reproduzo aqui. Um belo trecho, pois se ser feliz fosse tarefa fácil, só nascer já bastaria e viver seria secundário. Mas não, é necessário viver e sempre alerta e atento, prestando atenção em tudo pra perceber onde está, de fato, a nossa felicidade. Ou o que nos move em direção a ela.


“...as pessoas tendem a pensar universalmente que a felicidade é um golpe de sorte, algo que talvez lhe aconteça se você tiver sorte suficiente, como o tempo bom. Mas não é assim que a felicidade funciona. A felicidade é conseqüência de um esforço pessoal. Você luta por ela, fez força para obtê-la, insiste nela, e algumas vezes viaja o mundo à sua procura. Você precisa participar o tempo todo das manifestações de suas próprias bênçãos. E, uma vez alcançado um estado de felicidade, nunca deve relaxar em sua manutenção, deve fazer um esforço sobre-humano para continuar para sempre nadando contra a corrente rumo a essa felicidade, para permanecer flutuando em cima dela. Se não fizer isso, seu contentamento interno irá se esvair. É muito fácil rezar quando se está passando por um momento difícil, mas continuar a rezar mesmo quando a sua crise já passou é como um processo de selamento, que ajuda sua alma a se aferrar às coisas boas que conquistou.” Elizabeth Gilbert - Do Livro Comer, Rezar, Amar.

Wednesday, November 03, 2010

Saudade mata

Eu sinto tanta saudade, mas tanta saudade que falta o ar, dói a cabeça, o peito, o estômago e dá nó na garganta. Às vezes dá calafrios, noutras tonturas e quase sempre, fica a certeza que eu vou morrer de tanta saudade.

Se eu enfartar, ter uma parada cardiorrespiratória, cair de tontura e arrebentar minha cabeça, morrer de gastrite, de câncer, de pancreatite, com um AVC, se eu acabar esquizofrênica, bipolar ou me atirar pela janela, a causa será só uma: saudade.

Saudade mata a gente, sim, de uma maneira cruel e lenta. Porque as horas se arrastam e o tempo não passa, mas quando percebemos passou muito tempo e a gente se pergunta como conseguimos viver assim? E percebemos que não foi vida, foi meia vida, porque boa parte de nos já morreu.

Ela vai matando aos poucos, sem muito alarde. Mata o sono, com isso a vontade de levantar da cama de manhã também vai embora. Saudade acaba com a atenção, o rendimento no trabalho cai, vozes de pessoas ao nosso lado parecem ruídos que vem de longe, as pessoas se tornam cada vez mais distantes, paisagens ficam desfocadas e as cores ficam com tons de cinza.

As risadas ficam escassas e os sorrisos, tristes. Os olhos se perdem fácil e a visão não absorve o que realmente enxerga. A firmeza das pernas escapam entre os músculos firmes e bambeiam, porque saudade mata a gente e com muita dor.

Por fim, as vontades somem. Nenhuma fica, vão todas embora, uma a uma, algumas resistem mais tempo que as outras, mas a saudade leva todas elas pela mão... A gente assiste tudo e morre mais um pouquinho cada vez que uma vontade se vai.

Quando só fica o vazio, a saudade mata porque começa a roer e a corroer a falta, o nada... Saudade mata a gente, sim, porque quanto mais pensamos numa maneira de acabar com ela, mais forte ela se torna, mais presente fica. O alimento da saudade é a dor que ela mesma causa.

A saudade nos mata, mas deixa o nosso corpo zanzando por aí, aos pedaços, murcho e oco, a gente só não voa, porque a saudade é pesada. Tem o peso do amor que nos falta.

Saturday, October 30, 2010

Dando explicações

“As pessoas falam coisas, e por trás do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem, há o que são e nem sempre se mostra…” Caio Fernando Abreu

Estranho a impressão que passamos para as pessoas. O último texto deu a maior confusão. Um monte de gente me ligando e mandando email pra saber se era verdade ou não. Até um tio desnaturado ligou falando que tinha me criado como filha (!) e estava muito triste de ler aquilo...

Foi engraçado ouvir opiniões tão divergentes, que iam do tipo "pode ser só um texto, mas vindo de ti sei que são devaneios bens reais", até "como tu escreve bem, porque lia e pensava, a Rê que eu conheço nunca faria isso". Então, se eu faria isso realmente, tenho minhas dúvidas. Se eu tenho vontade, disso, não tenho nenhuma.

O fato é que eu não escreveria sobre isso se as coisas não estivessem, por hora, superadas. Acho que só brincamos com o que lidamos bem. Acredito que o único problema seja que as pessoas que leem o Mosaico, me conhecem. Algumas conhecem bem demais e sabem separar o que é real o que não é... Outros não. Mas todas não sabem, de fato, o que se passa na minha cabeça.

Às vezes penso que felicidade é vocação e eu não tenho essa vocação. Sim, sou saudável, tenho uma família incrível, amigos sensacionais, uma profissão que amo, um emprego fixo, colegas bacanas, faço coisas que gosto, não sou uma pessoa ociosa, tenho tudo pra ser feliz. E o pior, eu tenho consciência disso tudo. O Caio Fernando Abreu (sempre ele!) tem uma frase que diz que "loucura é um estado extremo de lucidez.”

Eu concordo. Essa consciência, essa lucidez das coisas só podem nos enlouquecer. A dureza da realidade enlouquece, tortura, machuca... Ouço muito, de diversas pessoas, que sou corajosa. Pra mim, a coragem ou a covardia, são só falta de opção. Um primo deixou um recado no meu orkut, no meu aniversário, falando que eu era uma inspiração pra ele, fiquei feliz. Mas penso nessas pessoas que me acham bem resolvida, independente, corajosa, batalhadora, etc e etc e me pergunto como elas não percebem que viver me dói tanto?

Monday, October 25, 2010

Dos últimos dias...



Preciso escrever mais. Não fiquei sumida por não ter o que dizer, nossa, o que eu mais tenho é o que dizer, mas está tudo trancado.

Eu fiz tanta coisa nesse tempo de silêncio. Voei de asa-delta no Rio, foi lindo e incrível, uma das melhores sensações do último mês, cheio de altos e baixos. Apesar dos meus chiliques diários, os dias no Rio de Janeiro renderam boas risadas, acho que até pra Laudi...

Teve também o I Encontro de Danças Ruschel, semana passada em Esteio, um sucesso. Coisa boa dançar num palco, fazia tempo que não vivia o corre-corre da coxia e a bagunça de um camarim. E claro que antes disso, teve horas intermináveis de ensaios e dores pelo corpo.

Falando em dor, fiz mais uma tatuagem: uma lua cheia azul, linda. Está nas minhas costas, fazendo companhia para o meu sol. Teve também os livros que li e os filmes que vi e, na hora pensei que renderiam algum texto, mas deixava para depois e depois e o depois nunca era agora. Agora é.

No desfile do 20 de setembro, meu avô enfartou em cima do cavalo, que susto, que pânico, quase que eu enfartei junto. Meu pai, com sua incrível paciência, manteve a calma o tempo todo, quando perguntei como ele conseguiu, me respondeu: “se um dia tu ver o teu pai tendo um enfarto enquanto a tua filha surta com os policias que não fazem nada, tu vai tentar controlar a situação.” Tá bom pai, faz de conta que acredito.

Também teve o que não vivi, o casamento da Roberta, que eu não fui. O show do Fito, que eu aloprei e troquei o ingresso pelo dinheiro de volta. E o Abbey Road com a Fabi, que eu também não fui. E todas as jantinhas e festinhas e barzinhos que eu deixei de ir. Estava ocupada demais querendo não viver.

Voltei a tomar antidepressivo e a ir no psiquiatra. Calma, gente, tá tudo sobre controle. Mas a cada dia que passa, sei que de todas as infinitas possibilidades que tenho de acabar minha vida, duas são gritantes: ou acabo louca num hospício ou me mato. Sem sustos e dramas, isso é fato.

Aliás, no dia 11 de setembro eu acordei e tomei a decisão: iria me matar. Seria no final de novembro, depois do curso de dança em São Paulo. Iria dar um tiro na minha cabeça no banheiro do shopping. Ou iria tomar cianureto e ficar na rua até morrer. Não queria que meus pais achassem meu corpo. Comecei até a escrever uma carta que explicaria o motivo desse ato extremo, nem corajoso, nem covarde, apenas um ato extremo de quem não enxerga mais saída.

Mas os dias foram passando, eu não achei o cianureto e o cara que iria me vender a arma, queria a grana toda (e era muita grana) à vista. Fiquei com medo, vai que a arma não funcionasse? Acabou que pensei bem e vi que só iria transferir algumas dores que sinto para pessoas que amo muito e elas não merecem isso. Então, faço o sacrifício e fico aqui! Rindo e chorando, entre cervejas e antidepressivos, ora me achando uma covarde por não ter me matado e ora muito orgulhosa de escolher viver.

Durante esses dias mais quietos do que costume, várias vezes peguei os poucos mil que tinha guardado e calculei qual seria o lugar mais longe que poderia ir com aquele dinheiro? Cogitei em ir embora pra qualquer lugar, pra longe, pra sempre, pra fugir de tudo e de mim. Não fui, ainda, mas já paguei um curso na Espanha. Em março, me vou. Mas volto logo. Serão dois meses só. Mas serão dois meses numa cidade que tem as obras do Gaudí e Paris bem pertinho.

Viram? Ao menos essa loucura toda serviu pra alguma coisa. A vida segue né? E eu estou indo, nesse momento não importa como vou, apenas que vou. Isso já é o bastante quando tudo o que se quer é ficar.

Mas gente eu tô bem, não sinto raiva, ódio, inveja, nada desses sentimentos que ninguém se orgulha. Só sinto amor e saudade. E uma certa tristeza de não poder matar a saudade e viver o amor. Talvez eu ainda viva assim por muito tempo, mas penso, neste momento, isso já basta.

“Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.”
Caio Fernando Abreu

Thursday, September 23, 2010

Mantra

Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!
Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar bem! Eu vou ficar! Eu vou ficar bem!

Friday, September 03, 2010

Próxima parada

Eu estou indo pra o Rio de Janeiro daqui algumas horas. Espero me divertir lá. Nas últimas duas horas eu chorei metros cúblicos, até os homens que estão pintando as paredes de onde eu trabalho vieram me consolar...

Coisas da vida, problemas, empecilhos de última hora. Ele iria vir me ver esse mês, mas não vai mais. Ele é carioca, mas não mora mais no Rio. A cidade maravilhosa se tornou ainda mais maravilhosa pra mim quando soube que o ele é um menino do Rio.

Eu sinto uma saudade imensa, que não cabe em mim. Espero que lá no Rio, isso se amenize. Quem sabe andando nas mesmas ruas que ele andava? Quem sabe só de estar lá e no meio de uma caminhada olhar para o Cristo, como ele deveria fazer e como qualquer carioca faz, eu me sinta mais próxima e isso não doa tanto.

Quem sabe lá, na terra dele, se eu fizer um acordo com Deus, ele não vem?

Wednesday, September 01, 2010

Pseudo bem resolvida

“Es contigo mi vida com quien puedo sentir que merece la pena vivir”
(El presente – Julieta Venegas)


Eu lidava bem com a minha solidão. Lidava. Algo mudou dentro de mim. Ando me sentindo desconfortável sozinha. Eu estava sentada hoje na praça de alimentação de um shopping, sozinha, e me sentia um ET por isso. Eu não era assim.

Estou amando e acredito seja por isso que minha solidão, sempre tão companheira, não esteja me bastando. Depois de um pé na bunda homérico, há seis anos, decretei: viva a liberdade! Desde então, adotei o discurso, vesti a camiseta, carreguei a bandeira e encenei a personagem.

Só que pela segunda vez na minha vida, eu penso que seria o máximo ter um namorado. E pela primeira vez, eu penso que passar a minha vida inteira do lado de alguém não irá me aprisionar, nem me fazer infeliz. Muito pelo contrário, ver os cabelos de quem se ama branquearem com o passar do tempo deve ser uma dádiva.

Nunca fui uma mulher de muitos amores e casos. Talvez, justamente por isso, eu tenha uma consciência torturante do que eu sinto. E eu nem sei se um dia vou poder viver tudo isso. No momento não é possível, por inúmeras complicações e ironias da vida.

Talvez ele tenha entrado na minha vida para não deixar pedra sobre pedra, para fazer eu revisar meus conceitos, para esconder o texto da personagem, para levar embora aquele ar, insuportável, de moça-bem-resolvida-com-a-solidão que eu tinha. Nunca me doeu tanto ser sozinha.

Thursday, August 26, 2010

Vênus em câncer

- Olá, prazer.
- Oi, tudo bom?
- Tudo bem. Me falaram que você fez o seu mapa astral hoje.
- Aham é bem legal. Entendi algumas coisas.
- Que coisas?
- Porque eu sou uma babaca para as coisas do coração, por exemplo.
- Ah é. E por quê?
- Porque eu tenho Vênus em câncer.
- Ah, eu sou canceriano...
- Hum. A maneira que eu lido com os sentimentos é totalmente canceriana.
- Ah, e isso é ruim?
- Dizem que se uma pessoa levar um pé na bunda pode sofrer por semanas, mas se essa pessoa for de câncer, sofre por meses...
- Bem isso mesmo e eu também não sei lidar com o fim das coisas.
- Nem eu.

Dias depois
- Viu como a gente combina.
- Eu nunca disse que não combinávamos.
- Falou sim. Que você, leonina, não teria paciência comigo.
- Pois é, mas eu tenho Vênus em câncer.
- Adoro esse Vênus em câncer.
- E eu adoro você.

Meses depois
- Eu não quero te machucar.
- Você não vai me machucar. Eu sempre soube que você iria voltar pra sua cidade.
- Mas vou ficar mal se você ficar mal.
- Eu não vou ficar. Prometo.

Dias depois dos meses depois
- Você tem que ficar bem. Você tem que voltar feliz e forte pra tocar a tua vida.
- E você?
- Eu vou tocar a minha.
- Se a vida não fosse tão complicada a gente ficaria junto.
- Eu sei.

Mais de um mês depois
- Que bom que você veio. Que saudade eu sinto de você.
- Eu também sinto falta de você. Desse teu olho que parece o mar de Angra.
...
- Nossa nem acredito que tu tá aqui comigo!
- Mas eu tô! E amando cada segundo.
...
- Acho que não vou agüentar sem dormir. Preciso descansar...
- Também tô cansada. Mas não queria dormir, quando acordar você vai embora.

Meses depois
- Em 84 dias, essa é a segunda vez que você vem.
- Oitenta e quatro?
- Sim, eu conto quantos dias eu tenho sobrevivido com toda a saudade que eu sinto.
- Eu sei. Também tenho saudades. Mas estou pegando muitos plantões...
- Eu sei.

Um ano depois
- Se a vida não fosse tão complicada a gente ficaria junto.
- E eu tenho Vênus em câncer.

Wednesday, August 25, 2010

Da arte de falar

De todos os defeitos que eu tenho, o pior de todos (pra mim) é não falar. Eu não falo. Eu não sei falar. Nunca soube. E isso, às vezes, me mata.

Apresentação de trabalho na escola, na faculdade, sempre foi um caos! Na aula de inglês, de espanhol, de italiano... Sempre é ruim, sempre me sinto desconfortável. Cansei de chegar na psicóloga, sentar na frente dela e falar “eu não gosto de falar”, e passar a sessão toda olhando pra ela, gastando meu dinheiro, meu tempo e com a cabeça e o coração explodindo.

É horrível. Muitas vezes penso que o nó na garganta que sinto é das coisas que deveriam sair e não saem. Talvez até o peso nos ombros sejam o peso das palavras...

E falar sobre o que eu sinto então? Hahahahahaha, não consigo, não sai. O problema é que eu fico me torturando, me travando, numa ansiedade louca. Não dizem que não verbalizar os sentimentos acaba em câncer? Então, eu já sei até o que vai estar escrito no meu atestado de óbito.

A psicóloga sempre diz que eu tenho que falar, que se eu falasse metade dos meus problemas desapareceriam, que as coisas que eu sinto não são apenas “problemas meus”, que as pessoas tem que saber. Mas aí eu respondo que eu gosto de escrever. Ajuda, mas não compensa, eu sei.

É hoje, com tudo o que eu tô sentindo, com todas as coisas que estão acontecendo, eu queria tanto conseguir falar!

Thursday, August 19, 2010

Gaarder, pós... Realidade



Coisas acontecem. Coisas inimagináveis e felizes, apesar da saudade imensa que sinto de alguém e de uma certa tristeza que anda me fazendo companhia... Entrevistei o Jostein Gaarder terça-feira e hoje acabei minha pós graduação.

Há uns 10 anos, eu li o famoso O Mundo de Sofia, que está na sua 35ª edição (!), escrito pelo norueguês Jostein Gaarder. Eu li boa parte desse livro no recreio do colégio, enquanto minhas amigas se preocupavam em ficar com algum guri, eu lia filosofia. Naquela época, essa era a única opção que eu tinha pra não passar o recreio sozinha, meninas que gostam de ler não chamavam muito a atenção.

Há 10 anos, eu ainda via minha timidez como um empecilho para ser jornalista. Nesse tempo todo, sabe-se lá como, meus pais conseguiram pagar uma faculdade pra mim e eu me tornei jornalista, apesar de quieta e tímida. E depois do Mundo de Sofia, eu li tudo do Gaarder que me caia nas mãos. O Dia do Coringa é o meu livro preferido, ele é o meu escritor preferido.

Sempre que pensava nas pessoas que gostaria de entrevistar um dia, sempre pensava no Gaarder. Mas claro que isso era distante demais, assim como me formar e fazer uma pós graduação.

Por isso essa semana foi muito feliz. Depois de um ano e meio, terminei minha especialização em Sociologia, com o orgulho de ter pago toda a pós. E terça participei de uma coletiva com ele, o Jostein Gaarder, que estava em Porto Alegre, participando do Fronteiras da Educação, um evento que discute educação (óbvio) com professores. Um dia antes, liguei para UFRGS e me credenciei para cobrir o evento, se ele topasse, falaria com a imprensa antes da palestra. Foi assim, fácil.

E ele topou e é tri gente fina, fala rápido e se empolga facilmente. Eu fiquei tão atarantada que esqueci dos meus livros pra ele autografar dentro da bolsa... Também não levei o gravador, mas consegui dar parabéns pra ele (ele também nasceu no cabalístico 8/8). Fotos não podiam ser tiradas durante e entrevista, só tirei uma, dele sentadinho esperando ser chamado pra subir no palco. Nessa hora, pensei em pedir os autográfos, mas isso era tão pequeno perto do sonho que estava realizando, que nem fiz questão... Sei que ainda o encontrarei.

Não assisti toda a palestra, tinha que trabalhar e também não precisava, já tinha visto que o Gaarder parece um ser humano normal. Parece, mas não é. Nem um senhor com tamanha inteligência e entusiasmo pode ser normal num mundo tão apático. Ele é daquelas pulgas que ficam nas pontas dos pelos dos cachorros para verem o mundo.

E hoje, sai do trabalho e fui apresentar minha monografia, sobre a manipulação da mídia. Em nada lembrou a minha banca do TCC da faculdade, nem mesmo estava nervosa. E adivinhem? Tirei 10!

Neste momento, estou cansada e feliz, com o passar do tempo o impossível vai se tornando fácil, parte da vida, por mais incrível que isso pareça. A jornalista, especializada em sociologia, que entrevistou o Jostein Gaarder é a mesma menina que lia no recreio por falta de companhia. Hoje sei, que eu estava muito bem acompanhada, pois eu sonhava.

Friday, August 06, 2010

Um quarto de século

Não tem jeito, todo ano a gente faz aniversário. O meu é neste domingo, dia oito. Acho bonito: 8/8, se fosse três anos mais nova, minha data de nascimento seria: 8/8/88. Vou fazer 25 anos, um quarto de século!

Todo ano eu penso em fazer algo, curtir. Esse ano não foi diferente, queria comemorar. Uhuuuuuuuuu é meu niver. Vamos comer e beber. Meu, tipo assim, vamos festejar!!!! Tô de aniversário!! Uhu! Queria, só queria, mas não dá. Essa vontade sempre passa, pelo simples fato de eu detestar fazer aniversário. DETESTO. É pior que Natal.

Quando era criança, tinhas festinhas homéricas. Em salão de festas ou na garagem da casa da minha vó com muito balão, brigadeiro, pizza, refri, chapeuzinhos e línguas de sogra... Meus tios do Rio de Janeiro vinham, o Roni saia mais cedo do Brique, minha madrinha me dava presentes caros. Os bolos eram sempre temáticos, teve o bolo com cara de sol, o de palhaço, o castelo da princesa, o coelho com dentes de Plets (fez tanto sucesso que foi reeditado nos meus 8 anos). Na hora do Parabéns era a prima Léli de um lado e o primo Júnior de outro. Música da Xuxa. Muitos presentes. Comida farta e bebida a vontade, sempre tinha um tio que terminava bêbado e atrapalhando a brincadeira das crianças... Meus pais felizes. Todo mundo feliz, inclusive eu!

Fotos memoráveis renderam esses meus aniversários, quando olho e me vejo feliz da vida, me pergunto em que momento eu passei a não gostar? Juro que não sei! Nos meus 19 anos, que também caíram no Dia dos Pais, um dos meus presentes foi ser comida por um cretino que eu achava que namorava. Sim, meu presente foi dar, pela primeira vez. Fiz isso no sábado de tarde, num apartamento da Cristóvão Colombo e eu não senti nada além de dor. Foi um presente inesquecível, apesar de não ter sido bom.

No domingo, eu passei o dia todo com o celular na mão, esperando ele ligar. Muitas pessoas ligaram e mandaram mensagens, menos ele. Naquele ano, se só ele lembrasse, teria sido o melhor aniversário da minha vida. Mas ele não lembrou. De noite, me mandou uma mensagem dizendo que não iria mais me ver, que a nossa história acabava ali. E acabou. Ele nunca atendeu meus telefonemas, nem me explicou o motivo de tudo isso. E se eu não tivesse sofrido tanto, iria pensar que ele nunca existiu.

Quando me perguntam por que não gosto de fazer aniversário, conto essa história. Já não curtia antes, mas depois disso, piorou. E afinal, é uma desculpa, embora penso que isso não é motivo, não justifica a tristeza e o mau humor que me assola nos dias 8 de agosto.

Outro dia, ouvi num programa de rádio que não gostar e ficar pra baixo no nosso aniversário era uma falta de respeito com as pessoas que gostavam da gente e que nos parabenizavam. E de uma certa forma, é mesmo. Portanto, desculpem a falta de educação, mas eu não consigo disfarçar. Não gosto mesmo e peço todo ano que eu mude e melhore a cara para o próximo ano.

Mas gente, não se preocupem, podem me desejar felicidades e afins, que boas energias são sempre bem vindas. E graças a Deus, aniversário é uma vez só no ano, ainda me sobram 364 dias pra ser feliz.

Sunday, August 01, 2010

É isso

“A gente cai, levanta, uns seguem de perna quebrada, outros de miolo mole, e muitos vão sem coração. Mas cada um vai como pode."

Maitê Proença

Friday, July 30, 2010

Oco

Perdi quatro quilos em dois meses. Não estou de dieta, nem precisava emagrecer quatro quilos. Eu simplesmente perdi a vontade de comer. E o pisca alerta já ligou. Eu, sem vontade de comer é preocupante. Só aconteceu uma vez e não gostaria que acontecesse de novo.

Na verdade, ando sem muitas vontades... Vontade de escrever eu tenho, mas chega na hora, desanimo. Ando lendo bastante, mas não por gostar, é mais pra fugir. Passo horas com um livro aberto, pensando, pensando e pensando. Maldito pensamento.

Tô com medo. Já perdi a vontade de comer e ando lendo pra fugir, o que mais pode acontecer? Qual é o próximo passo? É eu morrer sufocada pelo vazio da saudade que eu sinto? A Maysa que só queria morrer de muito amor, acabou num acidente de carro. Eu que nunca pensei em amar, devo acabar pior, de forma mais lenta e cruel: morrendo de saudade.

Sunday, July 25, 2010

...

Tem alguma coisa mais inexplicável que a nossa relação com o tempo? Acredito que não. E a consciência assustadora da transitoriedade das coisas só aprofunda ainda mais isso. E o que podemos fazer? Tem como reter algo, como segurar com as mãos o que não queremos que passe rápido demais?

Tem quase dois meses que ele foi embora. Mas ele já veio me ver, há quase duas semanas atrás. Duas semanas! E parece que foi ontem que eu chorava porque achava que nunca mais o veria. E ele veio! E os dois dias, entre eu saber e ele chegar, foram os mais longos da minha vida. Mas não foi sofrido, foi uma espera alegre, mas com medo de acordar a qualquer momento.

Eu pensei que fosse dar pra matar a saudade. Não deu. Só aumentou a certeza do que eu sinto. E essa saudade não morre nunca, cada vez se alimenta mais das coisas que eu lembro para sentir ele perto de mim. É como se fosse uma fome, mas a fome de um esfomeado, de um faminto e não de uma pessoa que se sacia sempre que sente vontade.

E eu não sei se quero que o tempo se arraste ou voe. Não sei o que é pior. Tenho medo de morrer de abstinência. De fome. De saudade. De amor.

Thursday, July 08, 2010

Rotina

Eu queria fazer tanta coisa contigo. Acordar do teu lado. Ficar bêbada. Transar muito bêbada. Olhar futebol na TV. Dormir no meio do filme. Ir no cinema. Juntar grana pra fazer alguma coisa importante. Viajar pra praia. Viajar no feriadão. Viajar pra longe. Viajar pra perto. Não sair de casa. Ficar perto. Ficar dentro. Te ver chegar. Te desejar bom trabalho. Lavar roupa. Achar uma meia perdida em algum lugar. Olhar fotografias. Ler. Te mostrar uma roupa nova. Tirar a roupa nova. Contar todas as pintinhas do corpo. Comer pizza. Fazer pizza. Esquecer a pizza no forno. Comer sorvete. Escolher as cores das coisas. Dar risada. Procurar alguma coisa perdida. Achar alguma coisa importante. Discutir. Fazer as pazes. Comemorar as pazes. Sonhar. Contar o sonho. Trocar lâmpada. Fugir de uma barata. Matar uma barata. Procurar o horóscopo no jornal. Duvidar da previsão do tempo. Arrumar a casa pra esperar teu filho. Ouvir tuas histórias. Contar histórias. Se lembrar. Sentir a água salgada batendo nas pernas. Reclamar da areia. Ver onde dói. Comprar remédio. Fazer careta. Achar graça. Reclamar do lençol desarrumado. Levantar só pra arrumar o lençol. Fazer planos. Ter surpresas. Dançar pra você. Dançar em cima de você. Arrumar gaveta. Ver você brincar com teu filho. Guardar algo com valor sentimental. Andar na rua sentindo o sol. Deitar na grama. Pegar sol até ficar ardido. Massagem. Beijo na nuca. Sexo. Contornar com as pontas dos dedos todas as tatuagens. Se divertir. Cochilar no sofá. Ouvir Bob Marley bem alto. Conferir se as portas e janelas estão fechadas. Ouvir os barulhos da noite. Ler emails. Contar uma piada de um email. Conversar até de madrugada. Contar uma novidade. Cuidar das plantas. Mudar móveis de lugar pra descobrir uma casa nova. Ler bula. Decifrar manual. Traduzir música. Ler em inglês. Sussurrar. Acordar atrasado. Tomar banho demorado até a mão murchar. Rir quando não pode. Abraçar. Beijar. Cheirar. Morder. Lamber. Chupar. Chorar. Chorar sem motivo. Chorar com causa. Mas nunca mais chorar de saudade. Viver. Viver e morrer o pouco que se morre todo dia sem se preocupar, sem se tornar uma pessoa frustrada, sem lamentar o quanto a vida poderia ter sido diferente.