Monday, June 14, 2010

Catarse

Às vezes eu estou tri bem. Às vezes eu estou tri mal. Ando bipolar elevado ao cubo. Bom, o fato é que volta e meia, entre um compromisso e outro, preciso correr pra me esconder pra poder chorar em paz.

Passa logo e minutos depois já estou leve e dando risada, mas na hora parece bastante desesperador. Hoje isso aconteceu duas vezes. No restaurante, antes de almoçar, fiquei uns 10 minutos chorando compulsivamente no banheiro.

E depois foi na rua, em Esteio, indo para o pilates no meio da tarde. Esteio é a segunda menor cidade do Rio Grande do Sul em território. Três vezes por semana eu praticamente atravesso Esteio para fazer pilates. Nesse caminho, de poucas quadras, tem uma igreja (que eu não sei qual), com uma placa escrito “Deus é Amor”.

Em alguns dias, tem um pastor falando alto num microfone, por várias quadras é possível ouvir. Nunca vi muitas pessoas lá dentro, apesar do rapaz que fica na porta, convidando todo mundo que passa na rua para entrar.

Hoje, ele não me convidou. Eu própria entrei em disparada, tava na rua e deu uma vontade louca de chorar, só que Esteio não tem shopping ou praças que dá pra gente se esconder... Só tinha aquela porta aberta que me dizia que Deus é amor.

Entrei e chorei, chorei, chorei. O tal pastor parou de pregar a palavra do Senhor e ficou me olhando de boca aberta. Não tinha mais ninguém na igreja. Depois de alguns minutos chorando loucamente, sequei minhas lágrimas, pedi desculpas e fui, seguir o meu caminho.

O pastor perguntou se eu estava bem. Eu disse que sim. Ele me falou que o diabo tinha acabado de sair do meu corpo. Que poderia voltar sempre ali e que nunca mais choraria porque Deus é amor.

Mal sabe ele, que o diabo está aqui, apertando a minha garganta e me fazendo chorar de novo. Deus é amor sim, mas é a saudade o que é? O caminho do meio, o purgatório?

Sunday, June 13, 2010

Em pé

Dói. Parece que arrancaram um pedaço de mim. Choro metros cúbicos quase que diariamente. Em qualquer lugar e fazendo qualquer coisa. Durante o serviço, na rua, no ônibus, no banho, pagando uma conta, lendo, num bar com os amigos...

Dá aquele nó na garganta e os olhos se enchem de lágrimas. Dá uma saudade, uma vontade de estar junto. E um medo danado de nunca mais estar. Então eu choro, ou disfarço, mas sempre me surpreendo: como, apesar de tudo isso, ainda continuo em pé?

Eu sigo, me arrastando, aos trancos e barracos, mas tô firme e em pé. Não sei se as pessoas percebem apenas “mais uma pessoa em pé”, ou se elas notam que falta algo, “uma pessoa pela metade, que apesar do buraco permanece em pé”.

Eu vou, me arrastando, mas vou. Tem coisas pra fazer, textos para escrever, livros para ler e uma agenda lotada para não ter tempo de lembrar, apesar de que eu nunca consigo esquecer, nem por segundos. Nem no meio de risada, quando eu me acho quase feliz de novo. Quase.

Quase. Mas tem o vazio, a saudade, o nó, o choro, o medo e o nunca mais rindo o tempo todo da minha cara. E tem eu, em pé, pensando que nunca mais não existe. Nem o sempre. Mas não me importo, porque queria mesmo é agora.

Acho que vou no médico pedir um remédio pra dor. Vai que um dia eu caia de vez... Ou num psiquiatra para ele me distrair do vazio... Eu sei que viver, às vezes, dói. Mas não precisava ser sempre tão sofrido.

“Te quero muito. Ficar junto e respirar...”
Nando Reis

Tuesday, June 08, 2010

Nó

Tem tanta coisa acontecendo na minha vida que minha cabeça está dando um nó. E isso causa uma angústia chata e um nó na garganta desgraçado. Com tanto nó assim, o estômago só podia ficar embrulhado.

Brincadeiras a parte, tá tudo complicado. Eu queria escrever sobre o passeio no templo Budista, em Três Coroas e a praia no final de semana, com o Xande e o Flávio, que estava muito divertida. Mas os nós não permitiram.

Às vezes a gente se mete em cada situação... Ando numa fase de muitos questionamentos e ansiedades. Tudo pode mudar em um minuto. Estou na eminência de uma baita mudança, é só isso, já causa medo.

Muita coisa aconteceu que me deixaram tonta e tanta coisa ainda pode acontecer que a tontura pode virar queda livre. Ainda não posso falar e isso é uma coisa que me sufoca.

E o tempo que não passa? E o meu pensamento que não sustenta um raciocínio lógico para que eu entenda como é possível? E o medo que tá me assombrando? E as enes dúvidas que pairam sobre mim? E a saudade que só aumenta? E os nós que damos na vida, como desatamos?

Ao universo – A/C Deus

Sim. Eu sei que não é a primeira vez que te escrevo. Isso já aconteceu antes, alguns anos atrás. Começou no dia que fiz 19 anos e levei um fora do cara por quem era apaixonada e tinha tirado minha virgindade no dia anterior. Depois desse episódio, passei muito tempo escrevendo para o Senhor. E guardei por muito tempo essas cartas. Afinal qual é o endereço de Deus? Sempre acreditei na força das palavras e que Deus é tudo, então escrevia e acreditava que as palavras iam para o universo e mais cedo ou mais tarde, o Senhor ouviria. Anos depois disso, já recupera da depressão, coloquei as cartas fora, li algumas e entendi porque você nunca me respondeu. E como eu sofri. Havia tanta mágoa, tanto ódio, tanta frustração, tanto rancor, tanto apego que ao reler me dei conta que eu não era apaixonada por ele e sim, por uma situação. Foi preciso anos para eu me dar conta que o Senhor tinha planejado coisa muito melhor pra mim. Muito obrigada. Obrigada, principalmente, por eu ter me tornado uma pessoa mais leve.

Agora, estou aqui, um pouquinho mais madura e ainda escrevendo pra Deus. Só que agora deixo postado aqui no blog, se alguém rir já tô no lucro. E quanto mais gente lê, mais as palavras vão para o universo e se cada um fizer pensamento positivo, fica melhor ainda. Eu quero que o Senhor, o universo, os anjos da guarda e toda a tua turma poderosa conspire a favor e me traga de volta ele. O homem perfeito, que para o resto do mundo é mais um cara comum. Mas para mim é PERFEITO. Por favor meu Deus, me permita isso. Eu não gostaria de passar o resto da minha vida procurando ele em outros homens, até porque não vou achar. Acredito que para cada pessoa, existe apenas uma perfeita, uma que nos traz uma paz de espírito tão grande que a gente não consegue explicar, uma que nos faz pensar que o abraço é o melhor lugar do mundo, uma que nos faz se sentir perfeita. Tá, eu sei, eu sou muito sortuda por ter encontrado essa pessoa e ter vivido esses meses com ele. E pode acreditar, que já sou muito grata por isso. Mas é que a saudade tá doendo, sufocando. Estranho é que não tô apaixonada, tô desconfiada que é amor. Será Deus? Caso seja muito difícil fazer a minha vida cruzar na dele agora, me dê serenidade e calma para esperar o momento certo, quando a vida não tiver tão complicada, quando nos dois estivermos prontos. Essa história não acabou, não pode ter acabado. E dessa vez, esse pedido é tão puro, tão de coração que sei que o universo conspira a favor. Dessa vez, não tem raiva, não tem ódio, não tem rancor, não tem mágoa. Só tem amor.

Monday, May 31, 2010

Rainbow

Eu vi um arco-íris hoje, estava vindo do serviço pra casa. A pé depois de 40 minutos no trem. Havia muitas nuvens escuras no céu e no meio delas, apareceram aquelas cores fraquinhas.

Fiz um pedido. De todas as coisas do mundo, arco-íris é o que eu considero mais inexplicável. Nunca ouvi uma explicação convincente do que seria um arco-íris. Talvez por falta de uma explicação mesmo ou por ignorância...

As cores ficaram mais fortes. Refiz meu pedido. Quase fui atropelada de tão concentrada que eu tava. Quantas pessoas viram o arco-íris? Quantas fizeram um pedido?

As cores foram sumindo. As nuvens ficaram mais escuras e começou a cair uma garoa fria e grossa. Eu corri. No rádio começou o tocar “Somewhere over the rainbow”. Acho que foi um sinal. Um bom sinal.


Somewhere over the rainbow
Israel Kamakawiwo'ole


Somewhere over the rainbow
Way up high
And the dreams that you dream of
Once in a lullaby

Somewhere over the rainbow
Blue birds fly
And the dreams that you dream of
Dreams really do come true

Someday I'll wish upon a star
Wake up where the clouds are far behind me
Where trouble melts like lemon drops
High above the chimney top thats where you'll find me
Oh somewhere over the rainbow blue birds fly
And the dreams that you dare to, oh why, oh why can't I?

Well I see trees of green and
Red roses too,
I'll watch them bloom for me and you
And I think to myself
What a wonderful world

Well I see skies of blue and I see clouds of white
And the brightness of day
I like the dark and I think to myself
What a wonderful world

The colors of the rainbow so pretty in the sky
Are also on the faces of people passing by
I see friends shaking hands
Saying, "How do you do?"
They're really saying, I... I love you

I hear babies cry and I watch them grow,
They'll learn much more than
We'll know
And I think to myself
What a wonderful world

Someday I'll wish upon a star,
Wake up where the clouds are far behind me
Where trouble melts like lemon drops
High above the chimney top thats where you'll find me.
Somewhere over the rainbow way up high
and the dreams that you dare to, why, oh why can't I?

Saturday, May 29, 2010

Saudade

Saudade: lembrança, suave e triste ao mesmo tempo, de um bem do qual se está privado; pesar; mágoa que nos causa a ausência de uma pessoa querida; nostalgia.

Essa é a definição de saudade no dicionário. Eu acho que depois de tanta festa e farra, está iniciando um período nostálgico na minha vida. De análise do que fiz, do que falta fazer... De ocupar a cabeça pra tentar não sentir tanta saudade e de chorar de noite, antes de dormir.

Ele foi embora. Ele que apareceu na minha vida de uma maneira tão calma e serena. Ele que eu tinha certeza que seria uma válvula de escape e aos poucos foi se desvendando tão igual a mim. Tão perfeito pra mim. Sim, ele existe. E ele me fez até acreditar no que sempre considerei inacreditável: o homem perfeito também me acha perfeita.

Mas a vida é complicada e ele teve que ir. Tá, ele não foi para muito longe, está no mesmo estado, apenas quatro horas de ônibus. Mas chega a doer a saudade que eu já sinto e existem outros fatores, complicados demais, que dificultam muito a possibilidade da gente se ver e ficar junto, pelo menos por enquanto.

Eu não sei se esse é o pior tipo de saudade. Ou se é a de quem morre. A circunstância toda que consegui me meter, me faz lembrar muito da minha avó. Como eu precisava dela aqui, comigo, agora. Às vezes penso tanto nela, mas não sei se é saudade, estranho pensar que uma pessoa que conviveu só seis anos comigo, faz tanta falta. Fico imaginando como seria a vida se ela não tivesse morrido tão cedo, as coisas seriam tão diferentes.

Neste momento, a saudade dele dói mais. Mas não tem mágoa, nem tristeza. Tem uma ausência e um respeito pela história que ele tem que viver. Tem esperança também, que a situação vai melhorar, que a gente não vai sentir o tempo passar e logo vamos estar juntos.

E tem também aquele último consolo pra saudade, que Deus sabe o que faz.

Monday, May 24, 2010

Toque de caixa

A vida tá a mil. Muitos planos. Curtos e longos prazos. Um ou outro nó na garganta. Uma e outra paranóia, porque nem eu acredito que nem lembro mais o que é dor no estômago, aftas, choros contínuos...

Estou curtindo a vida adoidado e isso é bem melhor que ficar em casa olhando a sessão da tarde. É tanta coisa que não dá tempo, mas não quero perder nada. Vou vivendo e absorvo o que dá.

Amanhã: show do Nei Van Soria. Quinta: happy hour com a Gi e a Jú. Sexta: jantinha com a Aline e a Jaque. Sábado: Ocidente. Feriadão: praia com os amigos. Dia dos namorados: II Encontraço dos Solteiros. E tem a festa junina da Janja e a festa do Cachorro Louco em agosto.

E tem Montevidéu em julho. E apresentações de dança do ventre em junho, julho e outubro. E a Feira do Haren. E a entrega da monografia da pós. E a formatura da Fabi. E o casamento da Rô. O chá de panela da Jú. O mestrado da UFRGS. E o final de semana em Gramado. E mais o que vier, o inesperado. O combinado de última hora.

Tá tudo assim a toque de caixa. Diz um amigo meu que “a vida é dinâmica”, e eu concordo com ele. A Ana diz que não me conhece mais, de tão festeira que eu tô. A vida é feita de fases, como tudo que é dinâmico, e eu queria muito que a minha amiga querida estivesse mais perto de mim (geograficamente) nesta fase atual.

É tanta coisa me tirando o fôlego que nem vou ter tempo de sentir falta. Eu não quero sentir. E vou vivendo, o tempo vai passando e quando eu perceber ele vai ser uma gostosa lembrança, daquelas que fazem a gente sorrir. Sempre que eu ouvir aquela música linda do Teatro Mágico que diz “só enquanto eu respirar, vou lembrar de você”, vou pensar nele.

E lembrar que as coisas são como tem que ser. Talvez a minha vida esteja tão a toque de caixa, e tão boa, justamente para eu não sofrer. Sempre soube que seria assim, que ele iria embora um dia. Confesso que esse dia chegou cedo demais... Mas eu vou tá sempre tão cansada que vou deitar e não vou chorar, só vou sonhar.

Friday, May 21, 2010

Caiu como uma luva

Achei o texto abaixo na internet (salve internet), não sei de quem é. Mas curti muito, tanto que coloquei até no perfil do Orkut. “A felicidade como meta” não é um texto cheio de clichês ou receitas fúteis para a gente ser feliz.

Em vez de pregar o “abra seu coração”, o autor sugere que pratiquemos o desapego. E eu estou numa fase tão boa na minha vida, tão feliz, tão leve, tão desapega, que esse texto caiu como uma luva. Perfeito para eu perceber que sou feliz.

Daqui uma semana, provavelmente estarei triste, pois uma pessoa muito especial está indo embora e as ironias da vida não permitem que a gente permaneça juntos. Eu tenho a consciência de que vou ficar um pouco para baixo, mas já sabia que seria assim... Então, só me resta praticar o desapego, não em relação à pessoa, mas a situação.

Por agora, garanto que estou feliz! Que vocês curtam o texto, tanto quanto eu.

A felicidade como meta

Felicidade não é o gozo ou o prazer, nem a sua ausência. É o estado permanente de quem encontrou a si mesmo, isto é, a sua essência verdadeira.

Felicidade é o sentimento de desapego perante qualquer coisa de concreto ou abstrato que se lhe apresente. Esta é a felicidade verdadeira, incondicional, desligada de todo e qualquer fator material; é o viver em harmonia com a Realidade espiritual, ou, se preferir, com aquele nível que transcende o que se vê de imediato. É a Harmonia Universal. A Consciência Cósmica.

A sensação de prazer subordinada a um fator material e dele dependente, mesmo em se tratando de relacionamentos, não é felicidade, é alegria, porquanto passageira, isto é, dura até que referido fator também perdure, até que a função circense chegue ao fim.

Sendo assim, esqueça raça, cultura ou credo. Não importa seja o seu consulente rico ou pobre, velho ou novo, doente ou sadio, bonito ou feio, gordo ou magro, famoso ou desconhecido.

O caminho do desapego é o exercício regular de um sentimento de indiferença para com os acontecimentos de qualquer natureza. Não se trata de repulsa, pois se você despreza o próximo não o está amando como a si mesmo. Igualmente é impossível viver sem atender às demandas da vida no físico.

Indiferença, aqui, significa que você, por ter plena fé no ordenamento cósmico, não sofre, não se lamenta, não exulta, nem se ufana, apenas constata o fato e, se for o caso, faz o que precisa ser feito, sem se ligar emocionalmente; e, mesmo quando há emoção você não se liga nela. Em sendo caminho, a felicidade já se encontra no próprio caminhar.

Ordenamento cósmico pode ser entendido como o "quid" que faz com que o Universo, com seus elementos astronômicos, venha funcionando corretamente há tanto "tempo". Pode chamá-lo também de Deus, Infinito, Eternidade ou como queira.

Este sentimento de indiferença é alcançado ao negar-se sistematicamente a reconhecer realidade ao fenômeno e assim você deixará de fazer juízos de valor, isto é, avaliações, portanto, recusando-se a dar conhecimento ao fato e perdendo o hábito de julgar coisas, atos e pessoas, os episódios se mostrarão o que realmente são: apenas aparências e deixam de ter importância.

Este modo sistemático de agir demonstra fé prática e não apenas teórica.

Autor desconhecido

Wednesday, May 12, 2010

Quase morri

Quase passo desta pra uma melhor (ou pior) no final de semana. Sexta de madrugada, estava voltando de Porto Alegre, com mais duas amigas, quando batemos o carro e ele capotou. Não, não estávamos bêbadas. Eu estava atrás e sem o cinto de segurança.

Só pensei em duas coisas: “Vou me quebrar toda porque estou sem o cinto”, quando o carro começou a virar e “vou passar o resto da minha vida fazendo plástica pra arrumar o estrago no meu rosto”, quando ele parou de capotar, eu abri os olhos e vi a quantidade de vidro que tinha caído em mim.

Mas por milagre, não me quebrei e nem a casquinha do único arranhão que tive no nariz existe mais. Sim, só tive um arranhão no rosto. E claro, alguns hematomas pelo corpo. Nem a minha cabeça dói mais. No sábado doía até para piscar.

As gurias que estavam comigo também não se machucaram, nadinha. Todos que viram o acidente falaram que era um milagre estarmos vivas. Meu tio disse que não conhecia uma pessoa que tivesse sobrevivido à capotagem de carro. Agora ele conhece três.

Óbvio que tenho consciência de tudo de ruim que poderia ter acontecido e do milagre que aconteceu... Mas a minha vida não vai se dividir em antes e depois do acidente. Eu já ando reclamando dessa chuva que não para, da minha permanente falta de grana, da falta de tempo, das viagens que ainda não fiz... Tudo como sempre foi.

Mas não sou uma ingrata, muito pelo contrário. Posso continuar reclamando de tudo, porque sou humana e com toda a mediocridade que essa condição contém. O que ficou foi a certeza de que a gente tem que viver o melhor possível, fazer tudo o que tiver vontade e não ter medo de ser feliz. É clichê? É. Mas uma das melhores coisas da vida são clichês.

Ter um blog, escrever que devemos fazer tudo que temos vontade é um baita clichê. Eu não vou fazer tudo o que tenho vontade. Algumas coisas requerem a grana que eu não tenho, outras são malucas demais e as piores, dependem unicamente da minha coragem. Eu quase morri, mas infelizmente, continuo covarde. Esse acidente não me matou, mas me trouxe uma torturante consciência que às vezes eu deixo de viver.

Monday, April 26, 2010

Das coisas que vão morrer com a gente...

Li uma frase hoje, num livro que não lembro o nome, passei num sebo no centro de Porto Alegre, peguei um livro, abri e li uma frase mais ou menos assim: “certos tipos de traições vão morrer com a gente, como tantas outras coisas...” Fiquei com isso na cabeça. Passei o resto do dia pensando nas coisas que fiz e vão morrer comigo. E são muitas coisas.

E acredito que seja assim com todo mundo. Inúmeros segredos vão morrer comigo, um deles: foi eu que quebrei a cabeça da Barbie, novinha, da minha prima Amanda, quando era criança. E jurei que não tinha sido eu. Menti.

E mentiras também vão morrer comigo e com todo mundo. Mentiras nos fazem morrer um pouco, porque tira de nós mesmos a verdade. Todas elas, até um automático “tudo bom”, quando não tá nada bom. Ou um “não vi teu namorado lá”, quando na verdade é “claro que vi e estava no maior amasso com a fulana”. Também "a aula estava boa", e a verdade seria "estava no motel, numa orgia com três colegas."

Traições também. Ainda não trai nenhum homem com quem me relacionei. Mas já fiquei com homens comprometidos e, confesso, sempre quis ser amante. Certos desejos e opiniões também vão morrer comigo. Que me desculpem as comprometidas, mas acredito muito mais em lealdade, do que fidelidade. Fidelidade é quase uma obrigação, lealdade é liberdade de escolha, é consciência. Boa parte das nossas fantasias também vão morrer com a gente, das mais banais até as totalmente esdrúxulas.

O chicle colado no banco da igreja, a inveja da coleguinha da escola, o ciúme da amiga, a raiva do pai ou da mãe, o nojo do irmão, o tesão pelo vizinho, os orgasmo fingidos, a má-fé de furar a fila, os porres homéricos, o suicídio que esteve por um triz, as drogas usadas, as palavras que saíram sem pensar e as que nunca saíram... Tantas coisas vão morrer com a gente.

Penso que quem morre são dois. O eu que morre para os outros e o eu que vai morrer comigo.

Friday, April 23, 2010

Let it be

Estou numa fase let it be total. Queria estar na I’m so happy, mas não... Não que eu não esteja feliz, porque estou sim, mas mais do que nunca, estou let it be. É quase uma questão de sobrevivência.

Ando pensando em voltar a fazer terapia. Ando tão bipolar. Não sei o que fazer depois que a pós acabar. Não sei o que fazer quando ele for embora. Não sei o que fazer, por isso let it be.

Ontem tive uma ideia ótima para escrever e desenvolver uma história, mas ainda não coloquei nada no papel. Tenho uma pilha de livros pra ler, uma monografia pra terminar, o edital do mestrado pra analisar e uma vontade louca de estudar astrologia.

Às vezes acho que vou acabar numa camisa de força... Tenho vontade de tocar fora vários planos e começar tantos outros. Precisava telefonar pra minha madrinha, conversar coisas de mulher, contar do drama (ou comédia) que é minha vida sentimental.

E o meu telefone que não toca? E o MSN que não pisca? Não combinamos só curtir, sem se apaixonar? Eu não me apaixono, você não se apaixona e a gente finge ter controle sobre isso. Você iria para o Canadá comigo?

Tem dias que não almoço e não durmo direito, mas está tudo sob controle. Só acho que estou apaixonada. Preciso ensaiar minha coreografia, voltar a fazer pilates três vezes na semana e comprar um espartilho branco e usar para ele, só para ele tirar, antes que tudo acabe.

Mas não sei. Não sei se iria para o Canadá com você, Turquia, sim, Canadá não sei. Acho que astrólogas ganham mais que jornalistas. Se eu não passar no mestrado vou ficar chateada. Prefiro espartilho preto. Minha terapeuta foi embora pra Roraima e agora tô com preguiça de contar tudo de novo. Vou sentir saudades até do cheiro do cigarro...

Let it be... Não está nada sob controle!

Tuesday, April 20, 2010

Jogo da velha

Entrei no trem hoje, quase quatro horas da tarde, comendo meu almoço que se resumia a uma barrinha de cereal com Toddynho, na minha frente três senhoras. Uma bem feliz, gordinha, de blusa floriada, chapéu de crochê e de mãos dados com o marido, também gordo e feliz.

A outra bem distinta, de calça social, camisa branca de seda, unhas bem vermelhas e com muitas bijuterias douradas, sentada do lado da gorda e lendo a Veja. A terceira senhora era bem humilde, de chinelos Havaianas, com um casaco e calças de moletom, com uma regata cinza por baixo, que denunciavam a ausência do sutiã, carregava duas sacolas plásticas com latinhas amassadas.

Essa última ficou de pé por um momento, na minha frente, me fulminando porque não dei meu lugar pra ela, até que o moço do lado da senhora distinta levantou e ela se sentou. Ficaram as três me olhando. E eu, olhando para as três.

Elas pareciam ter a mesma idade, mas nada mais em comum. Uma parecia viver numa eterna lua de mel, falava com o marido o tempo todo, sorrindo muito. A outra parecia atrasa e ocupada demais para prestar atenção no que se passava, mas era visível que sentia e se incomodava com a presença da velha com as latinhas do seu lado, que pouco se mexia e tinha um olhar vazio, parado no ar.

Fiquei pensando em qual tipo de velha irei me tornar. Se eu desencalhar muito tarde, posso me deslumbrar, casar e acabar como a primeira. Se continuar só pensando no meu umbigo, provavelmente fico como a do meio. E se eu não voltar para terapia corro sério risco de ficar como a terceira.

Porque a gente não sabe o que nos espera ali na frente, na curva da estrada, na esquina, no final da escada rolante... Assim como não sei que tipo de jovens aquelas senhoras foram. Parece que casar sempre foi o sonho da primeira, que ser bem sucedida era tudo o que a segunda queria, embora ela não parecesse muito feliz e catar latinhas, com certeza, não estava nos planos da terceira.

Mas o que será que aconteceriam com elas? O tal marido podia ser na verdade um amante, por isso aquela alegria exagera. A sisudez da segunda poderia ser fruto de um câncer recém descoberto, de uma viuvez precoce, da perda de um filho e não de um conhecimento exagerado que torna as pessoas difíceis. E a terceira pode ter ganhado na mega-sena no sorteio desta noite.

Os sobreviventes

Adoro o conto que reproduzo abaixo, é Os sobreviventes, que está no livro Morangos Mofados, do Caio Fernando Abreu. Adoro a história e o tom rápido e veloz, tudo junto e sem vírgula porque a vida não tem vírgula. Li num polígrafo da faculdade, no primeiro semestre de jornalismo e foi meu primeiro contado com o Caio, escritor que hoje me ajuda a sobreviver. E coloco aqui no Mosaico porque acredito que todo mundo já tentou de tudo e volta e meia se pergunta o que fazer, além de sobreviver?


Sri Lanka, quem sabe? Ela me pergunta, morena e ferina, e eu respondo por que não? Mas inabalável ela continua: você pode pelo menos mandar cartões-postais de lá, para que as pessoas pensem nossa, como é que em foi parar em Sri Lanka, que cara louco esse, hein, e morram de saudade, não é isso que te importa? Uma certa saudade e você em Sri Lanka, bancando o Rimbaud, que nem foi tão longe, para que todos lamentem ai como ele era bonzinho e nós não lhe demos a dose suficiente de atenção para que ficasse aqui entre nós, palmeiras e abacaxis. Sem parar, abana-se com a capa do disco da Ângela enquanto fuma sem parar e bebe sem parar sua vodca nacional sem gelo nem limão. Quanto a mim, a voz tão rouca, fico por aqui mesmo comparecendo a atos públicos, pichando muros contra usinas nucleares, em plena ressaca, um dia de monja, um dia de puta, um dia de Joplin, um dia de Teresa de Calcutá, um dia de merda enquanto seguro aquele maldito emprego de oito horas diárias para poder pagar essa poltrona de couro autêntico onde neste exato momento vossa reverendíssima assenta sua preciosa bunda e essa exótica mesinha de centro em junco indiano que apóia nossos fatigados pés descalços ao fim de mais outra semana de batalhas inúteis, fantasias escapistas, maus orgasmos e crediários atrasados.

Eu peço um cigarro e ela me atira o maço na cara como quem joga um tijolo, ando angustiada demais, meu amigo, palavrinha antiga essa, a velha angst, saco, mas ando, ando, mais de duas décadas de convívio cotidiano, tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, ah não me venha com essas histórias de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, eu nunca tive porra de ideal nenhum, eu só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista elitista capitalista, eu só queria era ser feliz, cara, gorda, burra, alienada e completamente feliz.

Ai que gracinha nossos livrinhos de Marx, depois Marcuse, depois Reich, depois Castañeda, depois Laing embaixo do braço, aqueles sonhos tolos colonizados nas cabecinhas idiotas, bolsas na Sorbonne, chás com Simone e Jean Paul nos 50 em Paris, 60 em Londres ouvindo here comes the Sun here comes the Sun little Darling, 70 em Nova York dançando disco-music no Studio 54, 80 a gente aqui mastigando esta coisa porca sem conseguir engolir nem cuspir fora nem esquecer esse azedo na boca. Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação Cooper astrologia patins marxismo candomblé boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora faço o quê?

Caio Fernando Abreu

Monday, April 12, 2010

Last news

Meu Deus, eu ando relapsa com meu blog e o tempo tá voando ainda mais. Tanta coisa pra escrever, tanta coisa pra contar, tanta coisa acontecendo na cabeça, no serviço, no coração, na vida, no mundo. Eu tenho que respirar fundo!

Precisava escrever sobre o feriadão de páscoa, mas isso já parece tão distante. Já se passou uma semana desde que voltei! Mas tava muito perfeito, nada melhor do que passar uns dias com pessoas queridas, do bem!

Ficamos em Ponta das Canas, a minha segunda praia preferida em Floripa (a primeira é Daniela), eu, Xande, Flávio e Vanessa. O Xande levou a Narguilé, fumamos loucamente e, preciso de uma Narguilé. Fomos parados pela polícia na ida para os Ingleses devido ao megafone. E tivemos que descer todos do carro! Quase meia hora dando explicação para a polícia.

No sábado pela manhã madrugamos e fomos para o Costão do Santinho fazer a trilha até a praia de Moçambique. Foram quase duas horas de caminhada num sobe e desce morro danado. Depois do merecido banho de mar, mais 40 minutos para voltar, pelas dunas. Foi, sem dúvida, a trilha mais doida que fiz, eu preocupada com a minha bacia, o Xan vendo uma cobra a cada 5 metros, o Flávio com problema no escapamento e a Vanessa perdendo os chinelos.

À noite, passamos no Doca, pegamos o Marcello e giramos muito na Concorde, a única balada que faço questão de ir, sempre. Arrasamos até às 4h da manhã, hora de levantar acampamento, até Ponta são cerca de 30 quilômetros. No domingo, não sei como, levantamos cedão e começamos a volta. Foram quase 12 horas de viagem, chuvaradas, engarrafamentos e restaurantes caros...

Foram quatro dias incríveis, que rederam ótimas fotos e recordações! Quero tudo de novo! Agora tô aqui escrevendo bem resumidamente uma história que merecia ser contada com uma imensa riqueza de detalhes, mas o turbilhão que tá minha vida não me deixa... Preciso respirar...

Sunday, March 21, 2010

Bons caminhos no meu mapa

Na última quarta-feira, fiz meu mapa astral com o conhecidíssima Amanda Costa, astróloga da Zero Hora, do Terra, professora, formada em Letras e amiga do Caio Fernando Abreu. Paguei uma nota, sim, mas valeu a pena, como mostrou meu mapa, o autoconhecimento é importante pra mim.

O mapa astral é o retrato do universo no instante que a gente nasceu (no meu caso, às 10h05 do dia 08 de agosto de 1985, em São Leopoldo). Eu sou leonina, com ascendente em Libra, Lua em Touro, Vênus em Câncer, Mercúrio em Leão, Júpiter e Saturno em Escorpião, Urano em Aquário...

E tudo isso traduz muito bem a pessoa que eu sou. Fechada e reservada por causa dos planetas que tenho em Escorpião. Idealista e sem vontede de ter filhos devido Urano em Aquário. Gosto de artes, de livros, de cultura graças ao Mercúrio em Leão. Essa coisa ruim de guardar as coisas, não expressar o que sente é por causa de Vênus, o planeta do amor, em Câncer.

Meu lado ciumento e possessivo veio da Lua em Touro. Espiritismo, autoconhecimento e a curiosidade por tudo que é esotérico é por causa de toda essa junção de planetas em Escorpião e Leão. E todo o tempo que eu fico pensando, pensando e pensando antes de tomar qualquer decisão, pensando em tudo que pode acontecer se eu escolher A ou B, me faz uma bela libriana. Mais indecisa, impossível.

Agora sabe o que é melhor disso tudo. Toda essa conjunção de planetas e signos mostrou que era impossível eu não trabalhar com comunicação. Que tem muitas viagens no meu mapa, longas e curtas, a trabalho e a passeio.Oba!

Agora o melhor: é que eu só não vou ser escritora se eu não quiser. Que isso é o mais claro no meu mapa e no meu caminho, a importância dos livros e das letras na minha vida. Que tem uma grande chance de eu seguir a vida acadêmica, dar aulas e me realizar muito com isso... Adorei!!!

Mas nem tudo eu gostei. Segundo a Amanda, eu vou passar a vida toda priorizando o lado profissional e vai chegar um momento da minha vida que isso vai me incomodar... Vamos ver, espero que isso demore.

Depois de três horas de conversa, sai de lá com um livro do Caio Fernando Abreu, que não achava em lugar nenhum, “Cartas”, uma amiga nova e a certeza de que a minha estrela é muito forte e ainda vai brilhar muito.

Wednesday, March 17, 2010

Guns n' Roses - o show

Gostar de Guns n’ Roses é praticamente tradição da minha família. Cresci ouvindo essa banda por causa das minhas primas, adolescentes no inicio da década de 90, auge da banda. Eu, uma criança de 6, 7 anos sabia cantarolar versos de Patience e November Rain... Sabia quem era Slash e aquele cantor loiro que corria de um lado para outro do palco, com shorts de lycra e bandana na cabeça.

As paredes da casa da minha avó continham várias inscrições com as letras AXL e eu sabia o motivo. Meus tios sempre foram fã do Guns. Na minha fase MTV, não perdia um especial deles. Lembro do Axl no último Rock in Rio, dele gordo e desengonçado e da minha tia Cristina, berrando na frente da TV, que tinha visto ele, lindo, em 1992. E outro dia meu afilhado de 10 anos foi lá em casa me pedi o cd do Guns. É tradição de família!

Por isso, era óbvio que eu iria no show do Guns n' Roses, que rolou na terça de madrugada, no estacionamento da Fiergs, em Porto Alegre. Enquanto as longas quatro horas de atraso se arrastavam, eu e os milhares que estavam lá, já estávamos crucificando o Axl, o Guns, a organização, a chuva no Rio, que causou todo o atraso aqui, pois tiveram que reconstruir boa parte do palco.

E eu pensava em escrever sobre a falta de respeito com os fãs, a demora, a forma física do Axl, a péssima organização, a fila quilometrica, o preço absurdo da água (R$ 8,00!), a cancelamento do show da Tequila Baby e a apresentação medíocre da Rosa Tatuada.

Eu cheguei lá por volta das 16h, a abertura dos portões que seria às 18h, aconteceu às 20h. E surpresa: havia um batalhão terminando de montar o palco, pois vários equipamentos não inham chegado por causa da chuva no Rio, que derrubou o palco e de um acidente com o caminhão que trazia a estrutura, em São Paulo.

E o tempo passava, 20h, 21h, 22h e nada. O povo reclamando, com dor, cansados... Muita gente veio de longe, falei com pessoal de Santa Maria, Passo Fundo, Pelotas, Florianópolis e Uruguai. Pouco antes da meia noite, a banda gaúcha Rosa Tatuada entrou no palco, informou que o seu guitarrista e a Tequila Baby já tinha ido embora, que cantariam três músicas para honrar o rock gaúcho.

Nos 30 minutos desta quarta-feira, estava subindo no palco o Sebastian Bach, ex-vocalista do Skid Row, que fez um baita show. Aliás, ele continua igual, em ótimo forma física, foi super simpático. Foi engraçado o seu esforço para falar em português (sempre se desculpando pelo atraso) e o tombo que caiu...

Depois de uma hora de Sebastian, às 1h50, o Guns entrou no palco. E naquele momento eu percebi meu texto seria outro, as dores sumiram, o mau humor das pessoas deu lugar a uma empolgação que fez todo mundo pular até às 4h15 da manhã de uma terça-feira.

Quando o Axl subiu no palco eu percebi que a longa espera valeria a pena. Ele não é mais o mesmo, anda só com a camisa fechada, não usa mais shorts de lycra e sim, parece um senhor cinquentão. Mas era o AXL que eu estava vendo e ouvindo. Aquela voz rasgada estave bem próxima, ele ainda faz a sua típica dancinha, embora esteja um pouco duro, ainda corre, embora se canse mais rapidamente.

Esse senhor é a Axl da minha infância, das minhas primas, dos cds, dos discos, das histórias que eu ouvi da família toda. Eu entendi porque eu encarei sozinha uma indiada dessas, com direito a todas as arguras que uma fã passa. Fila enorme e no sol, horas em pé, com fome, com sede, com vontade ir no banheiro, empurra-empurra no show, segurar máquina-bolsa-celular-binoculos-ainda-pular-e-cantar tudo junto e feliz da vida...

Sim, queria que o Slash estive ainda no Guns, e o Duffy também. Mas essa noite de março foi histórica, eu vi uma banda que pensei que nunca veria. Eu vi minha infância. Uma trilha sonora da adolescência. Eu vi um mito.

Eu vi gerações diferentes chorarem quando ele tocou e cantou November Rain. Eu vi 30 mil pessoas explodirem com Welcome to the jungle. Eu vi o cansaço dar lugar a empolgação. Eu vi pessoas arrepiadas com os riffs de Sweet Child O´mine.

Eu vi pessoas com a certeza de que aquilo era um momento único. Era uma vez só na vida. Eu vi o show da minha vida. As horas de atraso não eram nada para quem esperou anos por esse show!

Sunday, March 14, 2010

Momento Caio F.

Ando num momento Caio Fernando Abreu, apaixonadíssima pelo escritor e me identificando com tudo que ele escreveu. Tenho uma amiga, a Fabi, que sempre leu e gostou do Caio. Eu não. Essa história é recente.

Acho que tem menos de um ano, li Morangos Mofados e Os Dragões não conhecem o Paraíso. Na feira do livro comprei, Para Sempre teu, Caio F, da Paula Dipp, que devorei na minha semana em Florianópolis. Agora tô lendo Onde Andará Dulce Veiga e pesquisando muita coisa na internet.

O melhor disso tudo é que os textos de Caio são bem bipolar, como o meu momento. Nunca fiz tanta festa como agora e o Caio sempre gostou de celebrar a vida. Porém, tô com uma dor de cotovelo danada, e ele sempre soube escrever com maestria sobre as coisas indigestas da vida. “A gente enfeita até a amargura”, disse certa vez. E é. Lendo o Caio não me sinto tão sozinha, sei que é possível alegrar minha tristeza.

Deixo algumas frases do Caio e claro, a sugestão de que lêem esse gaúcho lá de Santiago do Boqueirão, astrólogo, jornalista, homossexual, aidético, humano...

“Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada ‘impulso vital’. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo como ‘estou contente outra vez’".

"Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros."

“Não choro mais. Na verdade, nem sequer entendo porque digo mais, se não estou certo se alguma vez chorei. Acho que sim, um dia. Quando havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro, fora.”

“Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.”

“A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.”

“Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo...”

Monday, March 08, 2010

Um Olhar do Paraíso


Há duas semanas fui assistir ao excelente filme, Um Olhar do Paraíso. Depois de chorar, praticamente a sessão toda, pensei que tinha que fazer um texto sobre o filme. Mas cheguei em casa com o nó na garganta e não sabia o que escrever. Ainda não sei, mas vi o post no blog do meu primo e decidi tentar.

Tinha tempo que um filme não mexia comigo assim. O cartaz do filme é lindo, mas foi o slogan que me ganhou: “a história de uma vida e tudo que veio depois”. A gente não sabe o que vem depois da vida... Bom, deste janeiro, eu estava contado os dias para que o filme estreasse.

Um Olhar do Paraíso, de Peter Jackson, com Saoirse Ronan, Mark Wahlberg (sempre lindo), Rachel Weisz e Susan Sarandon, conta em pouco mais de duas horas a história que veio depois que uma menina de 14 anos morreu estrupada pelo vizinho.

Já na primeira cena do filme, percebi que iria adorar. A menina Susie Salmon, já morta, conta uma de suas lembranças de infância, quando ela mal alcançava na mesa. Assim, ela vai nos contando sua vida, sua morte, o depois, a reação dos pais, a sua reação com as coisas que não viveu. Como o beijo que ela nunca deu, os filmes fotográficos que ela nunca revelou, a vida que ela sonhava e não viveu...

Susie demorou muito para chegar ao paraíso, estava na linha que divide a Terra desse Paraíso. Enquanto assistia, pensava para onde tinha ido minha avó e a minha prima. Enquanto o nó na garganta apertava, dentro do cinema, eu deseja viver e não morrer sem coisas que eu gostaria de fazer (se é que isso é possível).

Eu fiquei pensando nas pessoas que morrem cedo ou nas que saem da nossa vida e morrem para nós, nos levando inúmeras possibilidades... Eu desejei que meu paraíso fosse um pouco como o dela, colorido. Mas eu espero que Deus me permita ler lá e comer a massa da minha vó. No final tem aquela certeza de que a vida segue, sempre segue. Que o universo acaba sempre trazendo o que procuramos, de uma maneira ou de outra...

Assistem ao filme, como recomendou meu primo. E tenham uma vida longa e feliz, como desejou Susie Salmon.

Friday, March 05, 2010

Constatação




Nessas férias, em Florianópolis, eu fui pra balada. Eu não sou baladeira, mas eu estava precisando desopilar e dançar a noite toda. E eu fui pra noite com o meu primo Marcello. Ele tem 18 anos, espinhas na cara, uma matrícula para o primeiro semestre da faculdade de Biblioteconomia, muitas dúvidas na cabeça e um divertido mau humor (típico dos capricornianos).

Nunca me imaginei indo pra balada com o Marcello. Até uns dias atrás, era um menino gordinho que quando vinha nas ondas de Mariluz, em cima de uma pranchinha de isopor pintado, a gente falava “lá vem o leitãozinho”. Algumas pessoas conseguem ser ão e inho ao mesmo tempo.

Hoje, ele é só ão, embora a gente ainda o chame de Marcellinho, mas isso é porque o Marcello é o irmão mais novo do Júnior. Eu lembro quando ele nasceu, porque ele é carioca e naquele dia apareceu na TV que tinha dado uma chuvarada no Rio, inundado toda a cidade. E eu fiquei preocupada se meu tio tinha conseguido chegar no hospital. Vai entender o que se passa na cabeça de uma criança...

Nesses dias que fiquei na casa dele, lá pelas tantas, me disse que se lembrava de um verão, a gente na praia e ele me falando que estava com medo de ir para a 7ª série. Eu não lembro disso, não lembro mesmo. Talvez essa conversa não tenha sido tão importante pra mim, como foi pra um menino prestes a encarar a sétima...

Mas eu não vou esquecer do moço que dançou a noite toda, enlouquecidamente, em cima de um queijinho, numa boate gay. Só fomos embora porque foi aí que eu cai e quase me quebrei. E eu desejei que ele morasse mais perto, só pra gente se acabar de dançar, quando desse vontade.

O Marcello cresceu. O tempo passa cada vez mais rápido e eu preciso pensar com que roupa eu vou na formatura dele, daqui quatro anos, um piscar de olhos. Ainda bem que ele se tornou um homem com uma cabeça boa, de personalidade. Melhor ainda é que ele me disse que raramente entra no meu blog.

Ao som de Nando Reis

Saturday, February 27, 2010

Por que hoje valeu a pena?

Um tempo atrás li um texto, onde falava que todo dia a gente tinha que listar as coisas que fizeram o dia valer a pena. Gostei do texto, que não achei na internet, li ele numa revista que estava no chão do trem... Coisas da vida.

Desde então fiquei com o texto na cabeça. Ele terminava propondo que listássemos o que tinha valido a pena nos últimos sete dias. Tenta também. Aí vai:

Domingo – Vi o Dani, a Tati e o Wesley. O dia foi muito divertido. Encontrei a Aline e o Epi no ônibus, na volta de Florianópolis.
Segunda – Cheguei a tempo e não me atrasei para o serviço. Dormi na minha cama.
Terça – O médico me deu a certeza de que não quebrei nada. Marquei minha tatuagem.
Quarta – Terminei minha pesquisa para a monografia da pós, no Museu de Comunicação.
Quinta – Consegui fazer pilates e não me esqueci de tomar os remédios.
Sexta – Fiz minha tatuagem nova. Fui na pizzaria com os amigos (Nessa, Dani, Xan, Flávio e Marcos).
Hoje – Dormi a tarde toda. Fui ao cinema. Já não dói tanto quando eu caminho.

Tuesday, February 23, 2010

Depois da queda, a consulta

Para o médico que me atendeu e matou a barata.

- Renata Valquíria.
O médico já começou ruim, me chamando de Valquíria.
- Licença. Meu Deus! Tem uma barata na janela!
- Ah, às vezes elas aparecem por causa do calor. Senta.
- Vou ficar em pé para sair correndo quando esse bicho voar na minha direção.
- Daqui um pouco ela sai. O que houve?
- Eu cai um tombo e desde então tô com muita dor.
- Quando e como foi?
- Sábado de noite. Escorreguei numa escada e cai sentada.
- Sábado? E tu só veio no médico hoje, na terça...
- E que hoje é o dia que mais tá doendo e na hora não pensei que fosse grave. Mata esse bicho, por favor!!!!
- Onde dói?
- O corpo todo, principalmente o lado direito e na cintura. E dói pra tudo: sentar, caminhar, dormir... Mata a barata, por favor, antes que eu enfarte.
- Deixa o bichinho, quando ela sai pra rua eu fecho a janela. E enjôos, tu tá tendo?
- Ontem eu tive um pouco. Mas no domingo não...
- Ficou algum hematoma?
- Sim.
Levanto o vestido e o médico faz uma cara de espanto.
- Nossa, tá muito feio isso aí! Coloca uma perna em cima da cadeira. Agora a outra.
- Pra quê?
- Aparentemente tu não quebrou o cóccix, mas vamos ter que fazer um raio X. Pode ter saído algum órgão fora do lugar, por isso os enjôos. Deita na maca, de bruços, faz favor.
A maca ficava do lado da janela.
- Nem pensar, com esse bicho aí não dá.
- Ai meu Deus. Espera que vou colocar ela pra rua.
Nisso a barata sumiu.
- Ela foi embora, pode deitar.
- Não. Ela vai voltar. Não tem outra sala?
- Meu Deus. Vamos tirar o raio X primeiro, então.

Na sala do raio X:
- Tira o piercing e abaixa um pouco a calcinha?
- Não consigo tirar o piercing, nunca tirei.
- Tem que tirar. Enquanto isso me conta exatamente como tu caiu pra ficar desse jeito.
- Eu tava numa festa sábado de noite, quando fui no banheiro, escorreguei numa escada que tinha dois degraus.
- Tava na Factory?
- Não, estava em Florianópolis.
- Tu tava sozinha?
- Com meu primo.
- Onde ele tava quando tu caiu? Ele viu?
- Não, ele tava dançando no queijinho.
- E o que tu fez depois?
- Levantei toda torta, fui fazer xixi e depois fui dançar. Doeu só um pouquinho...
- Tu tinha bebido?
- Não.
- E usado drogas?
- Não.
- E o que tu fez no domingo?
- Passei o dia na piscina, esse roxo não tava tão feio. Consegui tirar o piercing.
- Ótimo! Tu veio de lá de ônibus?
- Sim, sentei lá e só levantei aqui em São Leopoldo, não conseguia nem me mexer de tanta dor.
- Imagino. Quantos anos tu tem?
- 24. Demora para o raio X ficar pronto?
- Uns minutos. Tu tá na idade de sair, beber todas, usar saltos altíssimos e pagar mico no banheiro da balada.
- Eu não bebi nada, tava de plataforma baixa e não paguei mico, o chão tava molhado e muita gente caiu.
- Nossa então tem mais coisa por trás desse hematoma? Agora deita na maca.
Ele mede meu roxo, aperta, olha com uma lanterninha...
- E que parece que tinha estourado um cano no banheiro. E outras pessoas caíram comigo.
- Dói na frente também?
- Sim, o corpo todo. Até para rir.
- Impossível acreditar que tu fez isso sóbria... E ontem? Tu foi trabalhar? Fez tudo normal?
- Sim, só que cai de novo.
- De novo???
- Tava lendo na rede e ela arrebentou, cai de bunda, de novo. Acho que é por isso que hoje é o dia que mais tá doendo.
- Com certeza. Vamos lá pra minha sala, conversar.
- Lá tem a barata, não dá pra ficar aqui?
- Ai, tá pode ser. Seguinte, tu lecionou o tecido da bacia. Não quebrou nada, mas tá muito machucado internamente. Vai ficar com essa dor mais uma semana. O roxo vai demorar semanas, até meses para sair, porque tu deveria ter feito alguma coisa logo depois do tombo. Agora não tem o que fazer. Vou te receitar um gel relaxante e um remédio pra dor e enjôo. Ah, os enjôos são normais, porque a queda foi muito forte.
- Eu faço dança e pilates, posso continuar normalmente?
- O pilates sim, mas tem que ser um treino muito, muito leve. E qual dança que tu faz?
- Do ventre.
- Nem pensar! Enquanto estiver com dor, sem dança.
- Ah, sério?
- Sim, pois pode lecionar ainda mais.
- Que saco. Que tombo ridículo e que vai me dar dor de cabeça... Meu Deus, a barata tá vindo. Ai é muito azar, toda quebrada e perseguida por uma barata.
- Hahahahahahaha, vou matar a barata, já que tu não pode correr.
- Mata por favor! Não posso correr mesmo?
- Não. Não pode correr, nem usar salto muito alto, nem carregar muito peso na bolsa e se transar, nada de posições mirabolantes. Mas só por umas duas, três semanas. A barata tá morta.
- Ela tá se mexendo. Mata melhor, até sair a melequinha.
- Isso é um hospital, temos que ter o mínimo de higiene.
- Hahahahahaha, ter baratas vivas num hospital já é totalmente anti-higiênico. Me ajuda a colocar o piercing.
- Olha o que tu me faz fazer...
- Eu que o diga, vou até escrever.
- Escrever? Vê se o piercing tá direito.
- Tá. Vou escrever isso para o meu blog. Quero escrever sobre o tombo.
- Tu tem blog? Que legal. Escreve de mim?
- Vamos ver...
- Qual o endereço?
- mosaico de reflexos ponto blogspot ponto com
Ele anota o endereço do blog.
- Vou entrar depois. Dedica o texto para mim.
- Não sei se tu merece.
- Claro que mereço, até matei uma barata.
- Tá bom... É isso?
- É. Guria te cuida, cuida pra não cair. E não bebe.
- Mais eu não dava bêbada.
- Sei...
- Tchau.
- Tchau.
- Ah, qual teu nome? Pra eu colocar no texto.
- Tem na receita.
- Tá.

Eu esqueci a receita na farmácia e não li o nome do médico.

Monday, February 22, 2010

Para um morto

Bem feito para mim né? Quem mandou perder meu glorioso e escasso tempo com uma criança? Quem mandou eu me deslumbrar com uns cachinhos estrategicamente desarrumados e uma barba planejada para estar sempre por fazer? Agora tô aqui, escrevendo para um morto que está bem vivo e gosta de meninas “bem meninas”, só para se sentir mais homem.

Sabe que não te culpo? Nenhum pouco. Era óbvio que seria trocada por uma criança, tu não capacidade de ter uma mulher do teu lado. Pelo simples motivo que você não sabe cultivar nada além dos seus neurônios. E a prova disso é que nem amigos você tem. Confesso que admiro seus neurônios, só que homens também são feitos de hormônios e testosterona, ah confiança e pau duro também estão no pacote do que toda a mulher deseja.

Sei que no fundo foi melhor assim. Já estava de saco cheio de bancar a adulta madura e compreensiva que tem que entender o pós adolescente mimado, egocêntrico e prepotente que está ficando. Tua barba me arranhava e eu ficava puta cada vem que encostava a mão nos teus cabelos e você resmungava “não bagunça meu cabelo, que eu demorei tanto pra arrumar”, bem gay. Ah, várias pessoas acham que você é gay. Vai saber né...

Desejo que você passe a eternidade toda fazendo o que mais gosta, estudar e estudar, para ser doutor antes dos 30. Sei que você vai conseguir. Sei, também, que dificilmente eu estarei no doutorado antes dos 30, mas tu pode ter certeza que serei feliz. Essa é principal diferença entre eu e você.

Você quer ser doutor, eu me contento em ser feliz. Ser doutor deve ser bem bacana, mas ser feliz é mais, pode acreditar. E do fundo do meu coração que você levante os olhos dos livros, às vezes, e se permita viver. Pois eu ficaria chateada de encontrar você daqui uns anos e me deparar com um doutor digno de pena.


“Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem”
Cazuza

Friday, February 12, 2010

Recado do ego

É necessário que fique bem. Que tente sempre se sentir bem, se divertir. Que perceba que isso vai passar, você sabe que sempre passa. Que virão outros momentos, outros ciclos, outras pessoas, novas oportunidades e certezas.

Nem sempre as pessoas são filhas da puta, embora todo mundo seja um filha da puta em algum momento da vida. Se acha que será bom voltar a fazer análise, volte. Talvez não precise voltar para um psiquiatra, quem sabe basta um psicólogo.

Agora não é hora de recusar convites, seja para trabalho, para tomar cerveja, para praia, para conversar, seja lá o que for, vá. Já perdeu tempo demais vivendo só para dentro. Agora é hora de viver para fora.

Se a história se repetiu, vire a página e escreva algo diferente. Mude a tática. Não deixe a tristeza ser maior do que o necessário, permita que ela venha na dose certa, o suficiente pra gente dar valor ao que tem de bom na vida e quem tem ao seu lado.

Não precisa ficar lembrando do que passou, o passado foi do jeito que deveria ser para te tornar a pessoa que és hoje. Pense no futuro, mas planeje grandes coisas para um futuro (bem) próximo e faça acontecer. Se permita. E brinde sempre o que virá.

Tuesday, February 09, 2010

Assim, assim

Hoje eu tô assim, assim... Assim: meio triste, meio feliz. Assim: um pouco decepcionada e nem um pouco surpresa. Alguns dias atrás eu estava só assim, muito feliz. Agora eu tô assim, assim, sem saber direito como. Num estado intermediário entre coisas que me sufocam.

Tenho uma amiga que fala que as pessoas só se apaixonam por quem permite isso. Logo, acho que a gente só se decepciona, se nós mesmos deixarmos que tal coisa aconteça. Mas será que sabemos? Será que tem como saber?

Eu não sei... Hoje eu tô assim, cheia de reticências... Pois há tantas respostas para as minhas dúvidas que os pontos de interrogação perdem a importância. Fica um monte de reticências pairando no ar, dentro e fora da gente.

Mas não essas que nos oferecem oportunidade para imaginar o mundo. Às vezes, quando eu tô assim, só sopra essas reticências vazias, de quem perdeu oportunidades, o timing, a chance, a hora, o ônibus, o primeiro tempo.

Fica uma tristeza trancada, um nó na garganta, uma melancolia, uma saudade do que não se fez, do que não falou. Do que poderia ter sido. Uma dorzinha (se é que dor, pode ser “inha”) que não vai me impedir de viver, mas que vai me deixa assim. Sem saber, sem entender, com um monte de reticências vazias...

Monday, February 01, 2010

Jamais visto




Sabe quando as coisas acontecem sem nenhuma pretensão e acabam se tornando uma das melhores coisas que a gente já fez? Ou quando a gente quer fazer uma coisa, mas pensa em desistir mesmo não querendo? E quando a gente fica feliz só por estar num parque de diversão com pessoas bacanas e sabemos que teremos lembranças incríveis desse dia?

Então, no final de semana anterior eu fui para o Beto Carrero e tudo que descrevi acima aconteceu nessa trip. Primeiro porque a ideia nasceu do nada, sem pretensão nenhuma, numa janta com amigos. Segundo porque estava atolada de trabalho devido ao Fórum Social Mundial e no dia da viagem pensei mil vezes em não ir. Terceiro porque tudo foi incrível, uma sintonia jamais vista.

Éramos seis: três meninos e três meninas ou um menino, dois gays e três meninas, ou dois morenos e quatro loiros ou ainda uma jornalista, um professor de inglês, dois engenheiros químicos, uma estudante de educação física e um estudante, também pode ser cinco de 20 e poucos anos e um adolescente... Como quiserem, mas todos parceiros (SOPA*!).

Fomos de excursão (era indiana, né?!), sentamos bem no fundão, pois o restante do ônibus era dominado por famílias levando a prole para o maior parque temático da América Latina. Claro que fizemos a maior zoeira, apesar da cerveja e da champanhe ficarem esquentando no bagageiro. Por isso, só nos restou atacar a mochila do Flávio e devorar os amendoins.

No parque, farra total, ninguém se estressou com ninguém, para a surpresa de todos. É difícil seis pessoas, que pouco se conhecem, viajarem e passarem o tempo todo juntos. Fire whip? Sopa. Elevador? Sopa. Big Tower? Sopa. Tchibum? Sopa. Até o fato de passarmos o dia todo encharcados virou piada. E uma hora e meia na fila do trem-fantasma? Ninguém perdeu o senso de humor.

Claro que no final do dia estávamos exaustos. No hotel: decide quem dorme com quem e deixa o quarto no andar mais baixo pra quem tem pânico de elevador. E põe as bebidas pra gelar. E tem gente que tem pique pra balada. E vamos tomar a champanhe quente mesmo. E grita na sacada e brinda e grita na sacada e derruba champanhe e brinda. Os guris se foram. Às 5h da manhã acordei pensando “será que os guris chegaram e eu não ouvi?”. Uma hora depois eles chegam. E contam tudo, a balada, o sushi man, quem pegou quem... Até que um ficou mudo. Capotou.

No outro dia, só dá tempo de passar na farmácia antes de entrar no ônibus e encarar a volta. Escondemos as cervejas no frigobar. Dormimos, comemos, dormimos, comemos... Cadê nossas cervejas? Chama o Kelvin (o guia que parece ser o namorado perfeito e já foi mais de 100 vezes para o Beto Carrero). Depois de muita conversa, mudamos a impressão que o guia tinha da turma do fundão.

Na noite de domingo chegávamos em Porto Alegre com a certeza de que a indiada foi perfeita, que a galera é parceira e Buenos Aires nos espera. Ah sim, os pais que estavam na excursão nunca mais vão achar que ir para o Beto Carrero é um programa família, afinal nunca se sabe quem vai sentar no fundão do ônibus.

Eu cheguei em casa podre, mas certa de que entre uma semana e outra de trabalho intenso, esse final de semana era a melhor coisa que poderia ter acontecido. As cervejas acabaram com o pai da Vanessa. Tirando a tosse do Xan e a gripe da Dani, ninguém teve maiores problemas com as roupas molhadas.

A única dúvida que eu tenho é aonde foram parar os saquinhos de Trink? A última vez que vi foi em cima da cama, no hotel. Ah, outra dúvida que me ocorre agora: será que dona Rosa (a entidade espiritual, mentora da viagem) já voltou de Miami?

*SOPA = Sou parceiro (a)

Thursday, January 14, 2010

Transbordando

Nossa é tanta coisa acontecendo, que eu sinto tudo transbordando e não sei se vou conseguir conter tudo isso. E o tempo cada vez mais escasso e as coisas de fora que não me deixam prestar a atenção nas coisas que estão acontecendo aqui dentro.

É essa coisa às vezes boa, às vezes sufocante, que eu ando sentindo e é principalmente o não saber o que fazer com isso. Eu não costumo saber muito bem até onde ir com as pessoas e agora então, isso piorou. Tenho medo de me decepcionar, e mais medo ainda de não permitir me surpreender.

E nunca me lidei tão bem com esse não saber de tanta coisa que tenho pra fazer. A vida tá cheia e isso é bom. Não sei se ela sempre foi assim e antes era eu que não percebia... Só sei que tenho deitado e caído no sono direto. Acho que domestiquei o monstro que habita meu estômago.

É tanta coisa passando na minha cabeça que eu nem sei onde fixar o pensamento. Planos a longo prazo, atitudes com reações imediatas, providências chatas e burocráticas que tenho que tomar, pesquisas que preciso realizar, sentimentos que quero entender... Tá tudo junto, aqui e agora.

Monday, January 11, 2010

Irmãozinho

Hoje meu irmão está de aniversário, fazendo 22 anos. E isso me assusta porque através do meu irmão percebo, claramente e cruelmente, como o tempo passa. Uma vez li que os irmãos mais novos são os relógios dos irmãos mais velhos. E é verdade.

Quem é o mais velho, cresce com a responsabilidade de cuidar e dar exemplos para o irmãozinho. Só que os irmãozinhos crescem e é um soco no estômago quando percebemos isso. Porque eles não precisam mais da gente, porque escolhem os exemplos que querem seguir, porque vão viver suas vidas sem pedir a nossa opinião e a gente passa de ator coadjuvante a mero espectador.

A lembrança mais antiga que tenho é da minha mãe chegando do hospital com meu irmão no colo, quando ele nasceu. Lembro direitinho, até já escrevi sobre isso numa aula de redação na faculdade e foi um texto tri elogiado.

E a sensação de que o tempo passa, talvez uma das primeiras e mais fortes que tive, também foi por causa do meu irmão. Já faz alguns anos, 5, 6, 7 talvez, não sei... Eu estava em casa e ao passar pela porta do quarto do meu irmão, que estava um pouco aberta, vi um homem deitado, mas eu só via as suas pernas. Peludas, grossas, pernas de homem.

Não conheci. Fiquei com medo, pensei que fosse um ladrão, afinal, o único homem da casa era o meu pai. Mas pé por pé abri a porta, acreditava que era um ladrão, embora ladrão nenhum iria dormir no meio de um assalto. Mas era o meu irmão. E foi assim, numa tarde de um ano qualquer que percebi como o tempo passa e transforma em adultos aqueles que nasceram para serem irmãozinhos.

Monday, January 04, 2010

Ela e ele

Ela nunca pensou em namorar, quer dizer, até pensou, mas se decepcionou. E decretou “ninguém presta!” Apesar da mágoa, foi definindo suas prioridades, que não incluíam nada nem ninguém, além do seu umbigo.

Foi estudando e trabalhando para ganhar dinheiro e viajar, ser independente. Enquanto chorava todas as noites, foi aprendendo a transar só pra suprir uma necessidade física. Aprendeu, também, a sentir prazer só pra não ser comida pelo vazio do depois.

Conheceu gente, perdeu o medo de se divertir, aprendeu a beber. Quando aparecia alguém legal, trabalhador e livre ela tratava de acabar tudo logo, antes que se envolvesse. Se ninguém presta, pra quê perder tempo?

Além do que, era mais seguro ficar com quem tinha namorada, se apaixonar por gays, querer namorar quem estava com uma viagem marcada para fazer o mestrado do outro lado do mundo. Era seguro. Amores impossíveis sempre são mais seguros do que os possíveis.

Um dia ela se surpreendeu pensando que não deveria ser tão ruim assim se apaixonar e nem impossível alguém se apaixonar por ela. Com 6 bilhões de pessoas no mundo, alguém deveria prestar. E a mágoa já não doía tanto, a decepção era só uma lembrança, cada vez mais distante...

Até que ele apareceu e ele presta. Só que ele também nunca pensou em namorar, diz que já se decepcionou muito, que quer estudar e trabalhar para ganhar dinheiro. E que nos seus planos não cabe nada nem ninguém, além do seu umbigo.

Ele é perfeito para ela. Ela é perfeita para ele. Eles sabem disso. Mas ela tá com medo, ele é inseguro. A coisa mais importante da vida dela é o trabalho, a carreira que tá construindo. A coisa mais importante da vida dele é a carreira que tá construindo, o trabalho. Ela ama ler, ele não vive sem seus livros. Ela escreve, ele ensina. Ela adora o senso de humor dele. Ele adora as tatuagens que ela tem. Ela acha incrível o autocontrole dele. Ele se diverte com o descontrole dela.

Ela é de leão, ele é de libra. Os astros conspiram a favor, mas quando ela tem certeza, ele está em dúvida. Quando ele toma uma decisão, ela foge. Eles discutem uma relação inexistente. Ele tá ocupado demais bancando o intelectual precoce. Ele diz que gosta daquela jornalista que adora viajar e está sempre rodeada de gente, mas ele não sabe o que fazer, afinal ele nunca pensou em namorar.

Ela já tá cansada de bancar a intelectualóide bem resolvida. Queria namorar. Queria namorar aquele menino de cabelos cacheados, moreno, baixinho e quase gordo. Bem longe de ser o loiro-alto-magro que ela desejava. Mas ela não sabe namorar, afinal isso não estava nos seus planos.

...

E todo dia, em algum lugar, dois anjos da guarda se encontram e se divertem, principalmente quando ela e ele oram, pedindo ajuda para aprender a lidar com as coisas que não estavam nos seus planos. Os anjos riem e batem suas asas e aqui na terra, ela e ele sentem pequenas asas dentro do estômago e não sabem o que fazer...

Friday, January 01, 2010

0 1º do ano

Passei uns dias na praia e com a pane que deu no blogger, fui obrigada ficar, também, uns dias sem postar nada no Mosaico. Isso que tava com o texto da Confecom pronto e queria colocar alguma coisa sobre o ano novo...

Só que hoje, 1º de janeiro, estou de ressaca. Venho bebendo desde o dia 19, quando houve a confraternização lá no serviço, depois era happy hour e barzinho com os amigos, natal, aniversário do vô, praia e réveillon. Ou seja, chutei o balde legal. Aliás, em 2009 eu chutei o balde várias vezes e foi um dos melhores anos da minha vida.

Que venha 2010! Que eu só tenho que agradecer, porque sei que vai ser muito bom! Eu aprendi que ser feliz é possível quando a gente se permite. Espero chutar o balde mais vezes. Que você também chute o balde, enfie o pé na jaca, saia do armário, se solte, se liberte, livre-se das amarras, se permita viver!!!

Fica um texto que recebi por email da minha amada amiga Roberta, que sei também terá um 2010 inesquecível. Se a autoria é realmente desta Luciana von Borries, não sei, mas o texto vale. Feliz 2010!

GRATIDÃO BRANCA
Luciana von Borries

Dois mil e nove se foi. Passou mais rápido do que uma estrela cadente, daquelas que nem nos dão tempo de pensar num pedido. Porque será que chega uma hora na vida em que a gente se sente engolido pelo tempo? Será que vou passar o resto dos meus dias achando que só os verões da minha adolescência foram longos o suficiente pra se viver intensamente? Pois é, os cientistas dizem que é assim mesmo. Em fases de descobertas, como a infância e a juventude, a vida passa mais devagar mesmo. Absorvemos cada novo aprendizado tão profundamente que o tempo dura mais. Quando nos tornamos adultos, a rotina dá essa cara monótona para as páginas da nossa história. E a vida passa na nossa frente como uma paisagem de estrada que já conhecemos há anos. E aí, quando nos damos conta, chegamos ao destino cada vez mais rápido.

Este ano foi um pouco assim. Quando pisquei, já era setembro. E quando setembro chega, você começa a correr para terminar os projetos que ainda estão inacabados. E quando percebe, o shopping da sua cidade já inaugurou a decoração de Natal. O ano chegou ao final, e você à conclusão de que não fez tudo que estava na sua lista de promessas de Ano Novo: você emagreceu 4 quilos, mas engordou 6 porque o inverno foi um horror. Leu um livro inteiro pra ver se conseguia largar o cigarro, mas ele não te largou. Jurou nunca mais brigar com seu namorado, mas as TPMs estão mais fortes que você.

É por essas e outras que há alguns anos parei de fazer promessas de Ano Novo. Chega! A vida já tem frustrações demais. Então resolvi que todo dezembro, no lugar de uma lista irreal de metas e objetivos, faço uma "lista da gratidão". Ou seja, escrevo numa folha de papel tudo de bom que me aconteceu no ano que passou e que ficou em minha vida. Os itens vão de saúde a trabalho, passando por conquistas materiais ou espirituais, amigos que ganhei, momentos de alegria, enfim, o negócio é puxar pela memória e ir escrevendo. No começo, parece que você não vai chegar a 5 linhas, mas é impressionante como a coisa começa a render mais que feijoada. Quando percebe, encheu uma folha inteira, e a sensação é ótima. No final, é só agradecer tudo isso a Deus, a Alá, a um Poder Superior, à Mãe Natureza, ao Destino, ou seja lá pra quem você acredite também ter responsabilidade nisto tudo.

Uma coisa é certa: depois de fazer uma "lista da gratidão", você vai passar a virada do ano com o coração bem mais leve. Sabe por quê? Porque a gratidão dá uma paz poderosa, muito mais do que todas as roupas e calcinhas brancas do mundo. Pode acreditar: a gratidão é mágica. Segundo Melody Beattie:

"A gratidão desbloqueia a abundância da vida. Torna o que temos suficiente. Ela pode transformar uma refeição em um banquete, uma casa em um lar, um estranho em um amigo. A gratidão dá sentido ao nosso passado, traz paz para o hoje, e cria uma visão para o amanhã.”

Monday, December 21, 2009

Mais uma cartinha. De uma criança que ainda tem esperança

Caro Papai Noel confesso que não gosto de Natal. Na verdade detesto toda essa orgia capitalista que tem em você um símbolo máximo. Sim, né? O capitalismo precisa de figuras simbólicas tanto quanto o cristianismo.

Mas não custa lhe escrever, mesmo sabendo que nenhuma alma caridosa vai adotar a minha cartinha e na semana do Natal o correio não vai entregar meu presente num bonito e amassado embrulho. O que quero não é empacotado. Quero coisas subjetivas, como reticências em final de frase...

Na verdade nem quero nada. Pela primeira vez na minha vida, estou feliz. E a felicidade trás satisfação. Uma satisfação consciente, de que faltam coisas ainda, sim, mas que ainda não chegou a hora. Além disso, felicidade também gera textos.

Talvez eu quisesse não ficar triste no Natal. Sinto saudades. De quem tá longe, de quem tá perto e distante ao mesmo tempo, da minha vó. Quando ela era viva, os Natais eram legais e eu gostava. Da casa cheia, do amigo secreto, do pinheirinho, do presépio e até de você, papai Noel. Mas, as tais coisas da vida fazem a gente mudar né, bom velhinho?

Tá aí uma coisa que eu gostaria, de entender porque você é chamado de bom velhinho? Você poderia me responder né? Aí quem sabe eu volte acreditar no senhor. É isso, eu quero que você me responda. Me prove que você existe, que vive viajando o mundo num trenó puxado por renas mágicas, que você não sente calor aqui nos trópicos, se a roupa é vermelha por causa da Coca-Cola...?

Tudo bem, eu sei que essa época é corrida para o Senhor. Se ficar difícil de me escrever, mandar email, postar um comentário no blog, não tem problema, como toda boa menina, eu vou entender... Faz assim, me manda aquele rapaz lindo, inteligente, engraçado, com cabelos cacheados e barba por fazer, que eu volto acreditar em você, na magia do Natal, em bicho papão, em coelhinho da Páscoa, no ET de Varginha, em fada madrinha...

Saudações cordiais,

aguardo resposta.

Sunday, December 13, 2009

Noite feliz

No sábado à noite, eu ia no show do Nenhum de Nós cantando Beatles, no Teatro São Pedro. Ia, já tava com o ingresso na mão há semanas, mas acabei não indo. A chuvarada que caiu sábado, a loucura da última semana com a entrega do projeto da monografia da pós e a loucura que a semana que chega com a viagem para Brasília (assunto para outro texto), me fizeram ficar em casa.

E ainda bem que eu não fui, porque vivi uma das melhores noites da minha vida. Meu pai resolveu estrear a churrasqueira nova da minha avó e chamou vários primos. A princípio eu não ia no churrasco, apesar de ser do lado da minha casa. Mas acabei indo e que bom que eu fui.

Para variar, no segundo copo já estava bêbada. Meus primos que ficaram até mais tarde ficaram bêbados. Nunca tinha bebido com eles. O André, o Dionata, o Tiago e a namorada dele, a Grazi e o Fi, meu irmão que não gosta de beber porque fica tonto!!! O André foi embora cedo porque é casado e como estávamos fazendo muito barulho, acabamos a noite na garagem de casa, bebendo, bebendo e bebendo. E contando histórias também e o melhor, lembrando de histórias.

Da família, de quando éramos crianças e víamos nossos pais e tios bêbados. E riamos, e riamos. Fiquei feliz de saber que o Dionata lembra que o primeiro show de rock que ele foi na vida, quem levou fui eu! E dos campeonatos de bicicleta que nos íamos, alugávamos uma Topic, levavámos um monte de bolachinha recheada e íamos, bem faceiros. Só que as coisas mudam...

Hoje, o Dio adora rave e skates, o Tiago tá pensando em casar, gosta de funk e hip-hop e o Fi é punk. E eu sou a mais distante de todos, como o Dio disse. Combinamos de marcar outras bebedeiras pra gente rir das lembranças e das diferenças.

Eu já tava com o violão achando que toco alguma coisa, o Fi não parava em pé, o Dio caiu dentro de um buraco e eu não sei como ele conseguiu chegar em casa de moto, o Tiago e a Grazi, só riam, ela queria ir num baile funk!

Uma das histórias que a gente mais se divertiu, foi lembrando que quando meu irmão era criança, em qualquer aniversário que a gente ia, ele comia muito, bebia muito (refri), depois passava mal e vomitava. Sempre! Ontem de noite ele comeu muito, bebeu muito (cerveja) e depois que todos foram embora, ele passou a noite toda vomitando. Porque nem tudo muda.

Friday, December 04, 2009

O vice

No próximo domingo termina o Campeonato Brasileiro de Futebol e meu time será o vice-campeão. O Flamengo será o campeão. Para meu time ganhar, tem que vencer do Santo André, o que irá acontecer. Porém o Flamengo tem que perder, para o Grêmio, o que NÃO irá acontecer.

Não é porque eu seja colorada. São fatos. O time da azenha fez uma péssima campanha nos jogos fora de casa, porque agora no último seria diferente? Para eles não será difícil “entregar o jogo”, como a torcida pediu. E isso não será só para nós não ganharmos mais esse título. O Grêmio não irá ganhar do Flamengo porque não tem competência. Se tivesse, ganharia e isso não seria benevolência.

As manchetes dos jornais durante a semana falavam sobre os “dois corações” dos colorados que estavam torcendo pelo Grêmio. Isso nem me passou pela cabeça. Aliás, eu nunca fui tão flamenguista em toda a minha vida. Salve o Flamengo e salve o vice-campeão do Brasileirão 2009.

Agora se eu fosse gremista, queria que o Internacional fosse o grande vitorioso. Só pra jogar na cara que no ano do centenário o time do gigante do Beira Rio, só venceu com a ajuda deles, digo, nossa. Se eu fosse gremista, torceria fervorosamente para o meu time no domingo e daria o título para o povinho que se diz campeão de tudo.

Thursday, November 26, 2009

De perto

Fui assistir ao documentário Herbert de Perto, que conta um pouco da vida do músico Herbert Vianna, vocalista do Paralamas do Sucesso. Adorei o filme, já que sou fã da banda e principalmente do Herbert. Só lamento que todos os shows que fui deles, foram depois do acidente.

O legal do filme é que mostraram inúmeras imagens do Herbert, da carreira e de momentos pessoais, para ele. O filme começa com o próprio cantor, na sua cadeira de rodas, assistindo um Herbert Vianna com seus vinte e poucos anos, que falava que conseguiria tudo o que quisesse na vida. Um pouco envergonhado, o coroa Herbert ri e diz que aquele moleque não sabia nada da vida. Como se o moleque não fosse ele.

O olhar do Herbert de hoje para aquele do passado é de uma certa saudade sim, mas também de pena. Fiquei me perguntando se nos somos os mesmos ao longo da vida e acho que não. Mudamos e como mudamos! Agora, acho que não nos damos conta dessas mudanças.

Deveríamos nos ver de perto, apenas uma distância temporal. Ver como éramos na infância, nossa índole, nossas manias... Certamente imaginávamos o adulto que seríamos, mas provavelmente não sabíamos em que adulto a vida nos tornaria.

Herbert queria ser piloto de avião, mas tinha miopia, por causa disso usava óculos e gravou o primeiro grande sucesso do Paralamas, “Óculos”, com sua música ganhou dinheiro para comprar um avião e pilotar só por lazer e foi num acidente de avião, que ele pilotava, que sua mulher morreu e ele ficou tetraplégico.

Obviamente amadurecemos com o tempo, mas nem sempre perdemos a petulância de quem acha que tem a vida nas mãos. O Herbert pareceu perder essa petulância e parecia até envergonhado da pessoa que foi um dia e conformado com o que se tornou... Só sei que sai do cinema com a impressão que deveríamos nos ver mais de perto.

Sunday, November 22, 2009

Guarda lembranças

Fiz uma faxina hoje no meu guarda roupa. Coloquei tudo abaixo. E muita coisa separei pra dar. Foi com um pouco de pesar que separei três calças que não me entram mais e entravam no início do ano. Mas tava pensando como tem roupas que marcam e como nossas roupas mudam conforme a gente vai mudando. Tô filosofando com um assunto muito fútil? Mas é sério.

Eu nunca tive tantos vestidos e saias, por exemplo. E minhas blusas estão cada vez mais compridas. Logo eu que já enfrentei inverno de manta, mas com a barriga de fora. E as meias calças também estão aumentando a quantidade. Porque eu comecei achar lindo saia e vestido no inverno.

Falando em inverno, manta era algo que eu não usava quando era adolescente. Achava coisa de velho. Hoje acho lindo, tudo bem que estou envelhecendo... Achei uma blusa dos Ramones que eu nem lembrava que existia, pensava que tinha perdido em algum show da Tequila Baby, que levava só pra sacudir. Ah sim, algumas saias continuam curtas, porque nem tudo muda.

Me desfiz de uma saia que usei duas vezes, num show do Paralamas e quando levei o pé na bunda do cretino. Eu tinha uns 17 anos quando comprei essa saia, ainda estava no meu primeiro estágio, ganhava R$ 250,00 e a saia custou uns R$ 100,00. Depois do show, pensei que a tal saia me daria sorte, mas na segunda vez que usei, levei o chute. Pronto, nunca mais usei a saia. Mas só agora, depois de vários anos é que tive coragem de tocar fora. Acho que eu precisava era me desfazer de algumas lembranças antes...

Monday, November 16, 2009

Borboletas no estômago

“Ando achando tão bonito viver” – Caio Fernando Abreu

Sabe quando a gente tá com aquela ansiedade gostosa? Aquele frio na barriga, aquele arrepio pelo corpo... Aquela sensação de que alguma coisa boa vai acontecer?

Eu tô assim! E o melhor é que não faço a menor ideia do motivo. Mas tem coisa boa vindo por aí! Ah tem! Eu sinto! E não é o Natal, não. Nunca curti muito essa época do ano, mas por enquanto tá passando batido, ainda não me deprimi nem fiquei com o meu péssimo humor natalino. E ando tão zen que se passar ilesa por esse natal, não vou me surpreender.

Levei um pé na bunda outro dia. Mal me recuperei do meu trabalho de conclusão da graduação e já estou começando a monografia da pós. O tempo tá passando cada vez mais veloz e eu tenho medo de não conseguir acompanhar.

E pasmem! Eu não derramei uma lágrima por causa do fora, nem tô em pânico por causa da monografia. Está tudo em paz. Eureka! Aprendi a fazer o jogo do contente, aquele do livro da Poliana, de ver o lado bom das coisas. Isso pode ser clichê e é, eu sei.

Mas eu ainda prefiro o clichê da alegria como a de um ex-depressivo que enfim, aprendeu que felicidade é escolha, a satisfação de um ex-drogado que conseguiu se tornar independente de tudo o que lhe dopava, a alegria cheia de expectativa e incertezas de quem passou no vestibular e tem a vida pela frente, mesmo não sabendo muito o que fazer da vida.

Prefiro tudo isso e todos os outros clichês do mundo, do que a breguice da tristeza. Até porque a felicidade também rende texto!

Thursday, November 12, 2009

Rio de Janeiro, praticamente um diário

Vamos aos meus dias no Rio de Janeiro. Dias inesquecíveis, diga-se de passagem, não só porque estava na cidade maravilhosa, mas porque tudo foi planejado por mim (lembrei da época que queria estudar turismo...). Fomos eu, a Giovanna (minha colega da pós) e a Ane, que conheci em Buenos Aires, no show da Madonna e nos tornamos amigas.

Ficamos no hostel Bonita Ipanema, na casa onde o Tom Jobim morou, há duas quadras da praia e há dois metros da rua Farme do Amoedo, reduto gay de Ipanema. Coisa que só nos daríamos conta dias depois.

Chegamos na quinta-feira de noite, debaixo de chuva e depois de um vôo que levava além da gente e meia dúzia de seres normais, uma excursão de professoras, todas vestidas de rosa, que foram até o Rio fazendo olá. Chegando no hostel, tinha carro de polícia na frente, porque um quarto tinha sido roubado e o hospede estava louco com isso... Bela recepção... Saímos para dar uma volta por perto e encontramos o meu tio, Miguel, que não via fazia anos. Na tal Farme do Amoedo, avistamos um bar cheio de gente do sexo oposto, não pensamos duas vezes e atravessamos a rua direto para aquele lugar que prometia várias pegadas. Só depois de sentadas e já com um copo de cerveja na mão, vimos que eram todos gays. Terminada a cerveja, caminhada até a praia e cama.

Na sexta-feira madrugamos, caminhamos na praia, tomamos café mega reforçado e fomos ao centro do Rio. Teatro Municipal, Museu de Belas Artes (que tinha monitores simpaticíssimos e competentes), Museu da República (que é o Palácio do Catete, onde o Getúlio Vargas morou), Biblioteca Nacional, Igreja da Candelária, Confeitaria Colombo (onde tem o melhor pastel de palmito que já comi) e arcos da Lapa.

Nesse dia andamos de ônibus e de trem, tudo aparentemente seguro. Os cariocas são super atenciosos com os turistas, sabem dar informação e nos ajudaram muitas vezes. De tarde ainda deu para pegar uma praia e ir até o Leblon. De noite fomos na Melt, um lugar no mesmo estilo do Café Segredo. Foi mais ou menos. Mais porque teve show com uma banda de pop rock, da qual faz parte o ator Marcelo Novaes, que foi muito simpático com todo mundo. E foi de menos porque tinha muita gente, mal dava pra respirar. Lá pelas 3h eu a Gi voltamos para o hostel, a Ane (mega baladeira) ficou lá até às 6h da manhã. Durante o dia ficamos impressionadíssimas com a quantidade de casais homossexuais que víamos em Ipanema.

Sábado, caminhada na praia, bondinho do Pão de Açúcar e Corcovado. Fomos cedo pegar o bondinho, na metade da subida me dou conta que as pilhas da minha máquina não estavam carregadas. Que coisa, sem fotos do Pão de Açúcar. Ainda bem que a Ane estava com a máquina dela. Tiramos muitas fotos, a vista lá de cima realmente é linda!!! Na volta o tempo começa a fechar e resolvemos voltar para o hostel e ir ao Cristo só de tarde, se o tempo abrir. Na volta, no ônibus roubaram a máquina da Ane e o dinheiro, de dentro da bolsa dela. Baixo astral geral, ficamos mal e isso nos fez lembrar que estávamos no Rio de Janeiro. Abolimos o ônibus e passamos a andar só de táxi, que não é caro. Pior, ficamos só com três fotos do Pão de Açúcar, que estavam na minha máquina e foram tiradas durante a subida do bondinho.

À tarde fomos à praia, deu pra ficar bem vermelhinha. De noite e já mais animadas, fomos para a Lapa, mais precisamente para o Rio Scenarium, um bar com roda de samba e pista de música eletrônica dentro de um antiquário. Parecia ser incrível, afinal a ideia era bem legal. Fomos cedo, às 22h já estávamos na fila. Fila que estava enorme e acabou com o meu humor. Só conseguimos entrar meia noite e meia e quando eu entrei, vi o lugar mais bizarro que já tive. Era uma parede de cada cor, cheio de cadeiras penduradas no teto, uns corredores estreitos, sofás mofados... Achei tudo de mau gosto. Gostei tanto que dei uma volta, fui no banheiro e meia hora depois estava dentro de um táxi, que não entendia como eu não tinha gostado do Rio Scenarium!? Como eu já tava irritada não expliquei. Foi a pior balada da minha vida, em plena Lapa, no Rio de Janeiro.

No domingo o tempo amanheceu tri nublado e adiamos, mais uma vez, a ida ao Cristo. Demos a tradicional caminhada na praia e passamos na Feira Hippie de Ipanema, foi lá que meu tio nos falou que a rua Farme do Amoedo era um tradicional e conhecido lugar GLS e isso explicou muita coisa. Foi ele também que nos falou que a favela que tinha na esquina da rua que estávamos e ficava totalmente escondida entre os prédios, era o Morro do Cantagalo, que é junto com o Morro do Vidigal, as duas únicas favelas que ficam na zona sul do Rio. Depois fomos à praia, mas antes das 13h já estava chovendo e não parecia que ia parar...

Resolvemos ir almoçar e passar a tarde no shopping do Leblon. E até eu que não sou uma pessoa consumista, adorei fazer comprar no Leblon, me senti... De tardezinha, a chuva persistia firme e forte, o que nos fez ficar no hostel, lendo, dormindo, falando com o povo... De noite, a Ane foi pra balada e eu e a Gi, que só gostamos de programas de velhos, fomos jantar no Leblon e depois passamos no Sindicato do Chopp em Ipanema para tomar umas cervejas. A Ane outra vez, amanheceu na balada. Essa foi sem dúvida a melhor noite no Rio. Nda de muito tumulto, de homem bêbado nos agarrando, de cabelo fedendo a cigarro...

Segunda-feira, nosso último dia. Acordamos cedo, café reforçado e táxi até o ponto para pegar o trem do Corcovado e ir até o Cristo. Foi de longe, o que mais gostei. Aquele trenzinho que sobre até o corcovado é tudo! Quando o grupo de samba entrou e começou a tocar “Cidade Maravilhosa”, me emocionei. De verdade, acho que isso mostra como realmente estou melhor. Até sambar, sambei, morro acima e tudo! Foi tri divertido. Chegando lá no Cristo, vimos muitos, mas muitos turistas num empurra-empurra danado. A tradicional foto de braços abertos com o Cristo no fundo foi impossível de tirar sem uns 10 desconhecidos atrás, fazendo a mesma posse. Turistas... O Cristo é lindoooooooooo e a vista de lá, mais ainda. Chegamos lá em cima com o tempo meio fechado, então chegamos a ver as nuvens se dissipando e a cidade surgindo lá embaixo. Foi muito melhor se o tempo estive o tempo todo aberto...

Na tarde praia e praia. Ipanema lotadíssima. Nem Tramandaí fica tão cheia. Não tinha mais cadeiras para alugar. E se não ficassem na beirada do mar, com as ondas o tempo todo vindo e levando nossas coisas para longe, tínhamos que ficar quase colada no calçadão, onde o povo mija e o fedor de xixi é insuportável. No nosso último dia conhecemos o significado do verso que diz “Rio 40 graus”. Suávamos loucamente na beira da mar. Saímos cedo da praia, fomos nos refrescar tomando banho (de chuveiro) e rumamos para Copacabana, jantar, caminhar na beira mar e ir na feirinha. Na volta, mais uma passada na praia de Ipanema, olhamos aquele mar pela última vez nessa viagem e conversamos com a Iemanjá, pedimos, entre outra coisas, pra voltarmos logo.

O pior do Rio? A sujeira na areia da praia. Horrível e lamentável. A gente tem que disputar espaço com latinhas de refri e cervejas, garrafas de plásticos, cocos, resto de comidas e cadeiras... Isso não precisava. Havia até pombas na areia. No meio do banho de sol, elas davam rasantes sobre as nossas cabeça.

Voltamos para o hostel, deitamos para decidir onde iríamos na nossa última noite, na acabamos pegando no sono com a porta do quarto aberta e tudo, luz acessa, de roupas, até que alguém de madrugada acordou e fechou tudo... Na terça, deveríamos acordar às 5h, pois às 5h50, o táxi nos pegaria para levar até o aeroporto. Mas acordamos, por milagre, às 5h40! Foi uma correria total e a Ane ficou sem a chapinha no cabelo. No aeroporto esperamos mais de uma hora, porque tinha escala em Curitiba e lá tinha muita neblina... Chegamos em Porto Alegre no início da tarde e quando avistamos nossas malas na esteira, tivemos a certeza de que a viagem tinha sido perfeita!!!! E foi!!!!

Thursday, November 05, 2009

A velocidade da vida

Nossa, exatamente uma semana atrás estava chegando no Rio de Janeiro para passar quatro dias. E esses quatro dias já passaram, eu já fui, já voltei. A viagem que planejei tanto já é só lembrança.

Foram quatro dias incríveis! E desde que voltei, na terça, não parei, ainda nem descansei e tem um monte de coisa pra fazer. Tenho que escrever para o blog, um texto sobre o Rio (claro!), sobre a internet, sobre as pessoas... Tenho que escrever tudo isso também no meu diário (sim, eu tenho diário). Quero ir com calma na Bienal e tempo na Feira do Livro.

Quero ir no cinema olhar Te amarei para Sempre, mas não tenho nem idéia de quando vou ter tempo pra isso. Tenho que fazer minhas unhas e pintar meus cabelos (to quase loira). Tenho um monte de trabalho para a pós pra fazer, fora o projeto da monografia. O trabalho na CUT tá num ritmo alucinante: Marcha do Sem, Marcha em Brasília, Conferências de Comunicação, Fórum Social Mundial...

E desde terça já fiz tanta coisa que parece que já voltei há muito mais tempo. Gosto de ter o que fazer, mas às vezes a velocidade alucinante da vida, dá medo. Eu não me importo de fazer mil coisas, mas quero ter consciência disso, quero viver de fato e não levar a vida no piloto automático.

Só hoje que consegui passar os olhos nos blogs que leio, e li um texto lindo da Jac falando sobre as pessoas que entram na nossa vida e temos que valorizar, embora nem sempre elas saibam disso ou mereçam. E eu que oscilei tanto hoje entre a alegria, a expectativa, o cansaço intenso, a depressão pós viagem incrível e a tristeza que me dá ao lembrar que é quase ano que vem... Me vi naquele texto da minha amiga e entendo a frase linda e triste que ela colocou no seu MSN, que fala sobre asas quebradas...

Antes de eu ir para o Rio, na tarde de quinta-feira, eu chutei o balde, liguei, mandei e-mail, me declarei, não deixei dúvida nenhuma. Agora eu tô aqui, com saudade do Rio, não porque a viagem foi incrível e lá é uma cidade realmente maravilhosa, mas porque eu andava com aquela expectativa boa de que tudo vai dar certo e agora eu tenho a certeza triste de que nossa história acabou antes mesmo de começar.

Monday, October 26, 2009

Das coisas que eu não entendo

Não me sinto mais vazia. O monstro que corroia meu estômago e minha paz está domesticado. E pela primeira vez na vida eu estou gostando sem sofrer. Não que eu esteja sendo correspondida, porque tô bem confusa quanto a isso... Malditos librianos!

Mas gostar e não sofrer me deixa bem feliz. E conviver com você e com a vontade louca que eu tenho de te agarrar e te encher de beijo, tudo isso de uma maneira bem civilizada também me deixa bem feliz.

Eu nunca escrevi tanto a palavra feliz com um real motivo (feliz) como agora. Não foi fácil domesticar o bicho, mas conviver com ele durante o tempo que eu perdia a vontade de tudo, foi fundamental pra mim ser o que eu sou hoje. Uma pessoa feliz, com consciência disso, o que é muito melhor. Até porque nunca fui uma retardada que achou que o mundo era a Disneylândia e vida cor-de-rosa.

Simplesmente me dei conta que a gente continua, que depressão passa, que doenças se curam, que o mundo gira e coisas incríveis acontecem mesmo quando a gente tá olhando tudo de canto. Então o melhor a fazer é entrar na dança, participar, se jogar, sair do armário, cair de boca, chutar o balde...

Eu não entendia o vazio que carregava. Não entendo essa sensação de que tá tudo bem. Sei que ainda não rola o mestrado na Europa, mas é só eu trabalhar, juntar grana, estudar que um dia rola. E eu não preciso surtar com isso desde agora. Sim, o tempo dá um jeito nas coisas, pelo menos na gente, nos trazendo pessoas e coisas que preenchem o vazio.

Nunca tive num momento tão “deixo a vida me levar”, mas confesso que todos os dias que rezo para que ela me leve até aquele homem lindo, inteligente, com ares de menino e a responsabilidade de ser mestre. O fato de eu não estar sofrendo por causa disso, não significa que eu esteja entendendo o que se passa aqui dentro.

“Não sei mais o que eu tenho que fazer pra você admitir que você me adora, que me acha foda. Não espere eu ir embora pra perceber que você me adora”
Me adora - Pitty

Thursday, October 22, 2009

O achado do dia

Olhem que tudo essa frase do Caio Fernando Abreu:

“Sabe, para mim a vida é um punhado de lantejoulas e purpurina que o vento sopra. Daqui a pouco tudo vai ser passado mesmo – deixa o vento soprar, let it be, fique pelo menos com o gostinho de ter brilhado um pouco”
Caio Fernando Abreu


Achei no meio do livro “Abismos e Vertigens”, da Carol Teixeira. Um livro de crônicas, bem leve. Essa frase tava lá, no meio de um texto sobre o Cazuza. Adorei, a frase e o texto.

Li poucas coisas sobre o Caio Fernando Abreu e não sei o motivo. Tenho uma amiga que ama e sempre me fala dos livros dele. Bom, essa frase me inspirou e eu já tô pensando que assim que acabar o livro da Carol e o do Mário Prata que também estou lendo, vou para uma fase Caio Fernando Abreu.

Friday, October 16, 2009

Matei uma barata

De verdade, eu matei uma barata. Eu sei que tem gente que leu esse título e achou que era total ficção. Mas não. Matei mesmo!

Foi hoje este fato extraordinário. Cheguei em casa e não tinha ninguém. Quando abri a janela do meu quarto senti o vento do vôo rasante de um animal marrom não identificado.

Mas logo o bicho aterrissou no chão do meu quarto e eu reconheci o barulho inconfundível que as baratas fazem. Meus Deus! E agora? Grito? Pulo a janela? Choro? Chamo os bombeiros? O veneno tava na área, na rua, se fosse pegar daria chance para o inseto desprezível se esconder e vim me aterrorizar durante a noite. Não dava.

Estava presa no meu próprio quarto, com aquele bicho trancando a saída. Foi então que num ato de extrema coragem me vi pegando um sapato do chão (salve as Havaianas), cheguei perto (mas não muito, claro) e deu uma chinelada! E acertei.

Dei várias chineladas no bicho, com todo o meu ódio. Até sair aquela melequinha amarela e nojenta que é a certeza de que a barata não irá ressuscitar. Pronto. Matei uma barata. Apesar de tremendo, fiquei orgulhosa de mim mesma!

Lembrei de uma psicóloga que ia, quando contei do meu pânico de baratas, ela afirmou que isso estava totalmente ligado com a minha depressão. Que o pavor de barata era o mesmo pânico e medo pela vida e suas coisas banais que essa doença gera. Não sei se isso é verdade, sei que pensei mais uma vez, que sim, estou curada.

Sai do quarto, fechei a porta (pra garantir não ser surpreendida) e liguei para o meu pai, pra ele vim logo e tirar o defunto do meu quarto. Enquanto ele não chegava, eu andava pela casa, afinal eu matei uma barata e a ali jazia todas as baratas que tanto me aterrorizaram.

Monday, October 12, 2009

Eu queria te fazer carinho

Depois de alguns minutos olhando para a tela do computador, mais especificamente, para a janela aberta do MSN, me perguntando “escrevo ou não escrevo?”... Maldita indecisão... Digitei lá “eu queria te fazer carinho”.

Agora era só esperar a resposta. O pior eu tinha feito. Tinha falado diretamente! Bem claro. Pelo menos disso, dessa vez, você não poderia me culpar nessa nossa história maluca e cheia de mal-entendidos, de coisas não ditas, de mensagens dúbias. Se não respondesse porque gostou, iria responder porque estava gripado e isso deixa as pessoas carentes.

Mas você não respondeu. Nem me deu tchau. Apenas de uma hora para outra, apareceu off line. Maldita decisão. Antes eu continuasse perdida entre o querer e o fazer. E eu duvido que a conexão tenha caído. Que ódio de você, moço. Tá fazendo isso pra aparecer né? Deve estar se achando a última bolacha recheada do pacote. Pra seu governo, tem anos que não como bolacha recheada. E não é agora que vou comer!

Respirei fundo, você não vai acabar com meu humor. Ninguém mandou eu falar demais, no caso, escrever. E isso é muito bom para que eu aprenda a não falar das minhas vontades e sentimentos com pessoas que simplesmente não tem a capacidade de compreendê-los.

Estou muito mudada e diria até, madura. Se fosse uns anos atrás, na hora eu teria te ligado e te xingado. Agora não, pra quê? Eu queria te fazer carinho, ah, como eu queria. Mas você preferiu aparecer e não me deu a mínima. Então eu pego o meu orgulho de leonina ferido, abro um documento no word e escrevo sobre isso, com a certeza de que um dia vou ganhar dinheiro contado histórias sobre o babaca que você foi.

Sunday, October 11, 2009

Uma união

Ontem à noite fui no casamento de um casal de amigos. Os dois têm 24 anos. Eles namoraram 10 anos antes de casar. E eu lembro da minha amiga com seus 16, 17 anos falando como seria seu casamento. Ontem no casamento, eu chorei.

Não que chore em casamento, aliás, de todos os ritos de passagem, essa cerimônia talvez seja a que menos aprecie. Mas foi impossível não ficar emocionada. Eles são tão jovens e já estão há tanto tempo juntos.

E acompanhei essa história. Eles estudando para provas do colégio, eles prestando vestibular, as conversas na faculdade, as indecisões sobre o que fazer, as aulas na auto-escola, as tardes no shopping... Vi esse casal crescer, porque cresci junto com eles.

E chorei também porque por mais cética e descrente que seja em relação aos sentimentos, sei que ali existe muito amor. Já existia quando eles eram apenas adolescentes e ainda existe no homem e na mulher que se tornaram. E sei que continuará existindo na família que irão construir.

E que cerimônia linda, simples, intimista, feliz. Que pessoas felizes, alegres e abençoadas que estavam lá. E que festa! Como eu dancei, como todos dançaram e se divertiram e celebraram uma união.

Aos noivos que estão curtindo a lua de mel no Rio de Janeiro, eu desejo toda a felicidade do mundo e ainda, mais amor. E que eles continuam fazer pessoas como eu chorarem ao se dar conta que o amor é muito mais simples e presente do que suponho.

Tuesday, October 06, 2009

E daí?

- Ela é tão livre que um dia será presa.
- Presa por quê?
- Por excesso de liberdade.
- Mas essa liberdade é inocente?
- É. Até mesmo ingênua.
- Então por que a prisão?
- Porque a liberdade ofende.

Clarice Lispector


Eu tenho piercing no mamilo. E daí?
Eu tenho mais de 10 tatuagens. E daí?
Eu gosto de beber. E daí?
Eu sou vegetariana. E daí?
Eu já fiquei com alguém que tinha namorada. E daí?
Eu tomo porres homéricos. E daí?
Eu faço dança do ventre. E daí?
Eu já tomei Ecstasy. E daí?
Eu já dei no primeiro encontro. E daí?
Eu pinto meu cabelo. E daí?
Eu tenho silicone. E daí?
Eu invento desculpas esfarrapadas. E daí?
Eu leio Paulo Coelho. E daí?
Eu me masturbo. E daí?
Eu danço funk. E daí?
Eu me faço de vítima. E daí?
Eu mato aula. E daí?
Eu agüento as conseqüências.