Às vezes eu tenho certeza que eles são amigos íntimos e ficam rindo da minha cara o tempo todo. Tá, eles podem até não concordarem um com o outro, mas que tiram uma onda legal da minha cara, ah tiram! E eu sempre escuto as risadinhas no meu ouvido. O pior é que um deles, sempre tem razão.
Quando estava na pré-escola e chorava o tempo todo no portão da escolinha já ouvia eles. O anjinho: “Não chora, teu pai já vem te buscar.” E o diabinho: “Chora, chora muito, que tu chama a atenção e ainda faz a caridade de atrapalhar a aula dos outros.” “Não diz isso. Ela tá chorando porque se sente sozinha”. “Que nada, ela tá chorando porque foi chamada de língua enrolada. Ou melhor de líncua enrolata!” E assim a coisa seguia, eu chorava e eles, os coleguinhas e até os vizinhos da escolhinha, riam.
Mais tarde, em festas de famílias. O anjinho: “Fica mais um pouco, tu tá gostando.” E o diabinho: “Isso aqui é medíocre. Nunca se esqueça: você não gosta de coisas medíocres!” “Fica, se diverte. Teus pais tão gostando. Melhora essa carinha!” “Boa menina, já tá todo mundo perguntado o que você tem!” Assim eles seguiam e assim eu acabei com muitas festinhas de família.
Na adolescência. O anjinho: “Aceita o convite pra festa.” E o diabinho: “Lá vai ter um monte de gente e você não gosta de gente, de tumulto...” “Vamos, vai ser bom. Quem sabe você até beije na boca.” “Ótima piada! Ela beijar na boca, hahahahaha.” Assim eles seguiam, assim o tempo passou e não me lembro de muitas festas na adolescência, nem de muitos beijos.
Hoje em dia. O anjinho: “Pra quê tu vai fazer isso, se amanhã ele não vai nem olha na tua cara.” E o diabinho: “Porque ela gosta, porque sexo é bom”. “Não faz. Tu sabe que depois só fica o vazio”. “Que vazio?! Se tá vazio, dá de uma vez!” Depois, além do vazio, tenho que agüentar a discussão deles e a ânsia por um telefonema que eu sei, nunca vem.
Sempre é assim. Eles ficam fazendo cabo de guerra comigo! Na psicóloga é uma loucura, cada um fala mais que o outro e o que eu precisava dizer, sempre fica para a próxima sessão. De noite, eles falam, falam, falam, eu penso, choro, escuto, choro, penso, escuto, choro e choro, só não durmo. Acordo péssima e quando me olho no espelho, adivinha: mais vozes, mais discussão, mais opiniões contrárias.
Nesse momento eles estão em pé de guerra. O anjinho: “Tua mãe tem razão, tu escreve muito bem.” E o diabinho: “Ai, Teu Deus, escreve nada. Só se acha!” “Fica quieto, escreve sim, tem talento.” “Talento!? Adoro tuas piadas! Isso tá uma porcaria. Tu sabe né, guria? Para de escreve e me escuta!” “Isso, escreve, escreve e não dá bola...”
Assim eu vou escrevendo e escutando esses dois que saíram sei-lá-da-onde e vão me acompanhar até-não-sei-quando. Depois, daqui um tempo, a gente vai se abraçar, como velhos amigos, olhar para isso tudo e dar muita, mas muita risada. Teve um deles, não lembro qual, que falou: “Se não pode com o inimigo. Junte-se a ele.” É o que faço e assim, ora ouvindo um, ora ouvindo o outro, eu dou boas risadas. O máximo que pode acontecer é eu acabar louca, rindo sozinha.
Wednesday, May 28, 2008
Saturday, May 24, 2008
Oração
Nem sempre eu sou generosa e rezo pelos meus irmãos. Eu rezo é pelo meu umbigo e pelo o umbigo de meia dúzia de pessoas que eu gosto muito.
Rezo para entrar na calça justíssima que adoro usar. Rezo para Arroba nunca deixar de abanar o rabo quando me vê. Rezo pelo dinheiro das festas e para meus amigos entenderem quando eu surto e vou embora no melhor da festa.
Rezo para que no almoço de domingo, minha opção vegetariana não vire discussão na família. Rezo para que meu irmão vá pra casa da namorada o final de semana todo, assim a gente evita várias discussões desnecessárias. Rezo por uma carreira bem sucedida e alguns livros publicados.
Rezo para que os negrinhos que eu como nunca se transformem em quilos. Rezo para que meus amigos lembrem-se de mim e que não esqueçam de me convidar para qualquer programa, mesmo sabendo que posso até aceitar, mas antes vou fazer o maior drama. Rezo para que tenha sol no domingo e que a grana da Redenção esteja seca.
Até quando peço pelo outros, estão pensando em mim. Rezo para que as dores no joelho da minha mãe passem e que meu pai nunca perca a bondade que tem. Rezo para que meu chefe esteja de bom humor.
Rezo para ter tempo para terminar de ler o livro que quero. Rezo para acordar em algum país europeu o mais breve possível. Rezo para aquele idiota me enxergar como um ser humano e não apenas um corpo. Rezo por um prêmio da Mega-Sena. Rezo por mais feriadões. Rezo por um bronzeado que dure mais tempo.
Mas no final, antes de dizer “Amém”, eu peço para ele me perdoar pelo egoísmo e durmo tranqüila. Porque sei que estou perdoada.
Rezo para entrar na calça justíssima que adoro usar. Rezo para Arroba nunca deixar de abanar o rabo quando me vê. Rezo pelo dinheiro das festas e para meus amigos entenderem quando eu surto e vou embora no melhor da festa.
Rezo para que no almoço de domingo, minha opção vegetariana não vire discussão na família. Rezo para que meu irmão vá pra casa da namorada o final de semana todo, assim a gente evita várias discussões desnecessárias. Rezo por uma carreira bem sucedida e alguns livros publicados.
Rezo para que os negrinhos que eu como nunca se transformem em quilos. Rezo para que meus amigos lembrem-se de mim e que não esqueçam de me convidar para qualquer programa, mesmo sabendo que posso até aceitar, mas antes vou fazer o maior drama. Rezo para que tenha sol no domingo e que a grana da Redenção esteja seca.
Até quando peço pelo outros, estão pensando em mim. Rezo para que as dores no joelho da minha mãe passem e que meu pai nunca perca a bondade que tem. Rezo para que meu chefe esteja de bom humor.
Rezo para ter tempo para terminar de ler o livro que quero. Rezo para acordar em algum país europeu o mais breve possível. Rezo para aquele idiota me enxergar como um ser humano e não apenas um corpo. Rezo por um prêmio da Mega-Sena. Rezo por mais feriadões. Rezo por um bronzeado que dure mais tempo.
Mas no final, antes de dizer “Amém”, eu peço para ele me perdoar pelo egoísmo e durmo tranqüila. Porque sei que estou perdoada.
Friday, May 16, 2008
Ali
O sol tava tão bom que eu só queria ficar ali. Era frio, mas o sol me esquentava e me dava uma impressão tão boa, acolhedora e ali, sentindo o sol, eu esqueci de tudo o que não gosto de lembrar. Eu não tinha me tornado a pessoa mais feliz do mundo, os problemas continuavam os mesmos, mas tinha o sol.
Aquele cheiro era tão bom. A aparência do macarrão tão apetitosa que eu daria a vida para comer a comida da minha avó mais uma vez. Eu era uma criança tímida e sem amigos, mas sempre tinha a casa da vô para me esconder e ao mesmo tempo, me libertar.
Aqueles shows eram tão bacanas e eu saia de lá tão leve, que às vezes penso que um show de punk rock é melhor que terapia. Qualquer calça rasgada servia! O all star, velho, nunca me incomodava e a roda punk era a libertação total. Sempre tinha um que gritava: “Duda, nos purifica!”. Era fácil se purificar naquela época.
Ele me abraçava sempre que me via. E abraçava apertado, um abraço de urso, para me mostrar que ele era tão forte quanto os heróis que via na TV. E eu me achava o máximo. Mas as crianças crescem, inclusive os afilhados. E eu adoro quando ele me chama de “dinda Rê”, porque eu volto a me sentir o máximo, mesmo sem abraço apertado.
A risada foi tão intensa que eu não sabia mais se chorava ou se ria. O corpo doía tanto, que parecia que tinha feito milhares de abdominais. Por um momento esqueci de toda a solidão e desejei a eternidade, de preferência com aquela dor na bochecha de que quem riu demais. Às vezes é tão fácil ser feliz.
Aquele cheiro era tão bom. A aparência do macarrão tão apetitosa que eu daria a vida para comer a comida da minha avó mais uma vez. Eu era uma criança tímida e sem amigos, mas sempre tinha a casa da vô para me esconder e ao mesmo tempo, me libertar.
Aqueles shows eram tão bacanas e eu saia de lá tão leve, que às vezes penso que um show de punk rock é melhor que terapia. Qualquer calça rasgada servia! O all star, velho, nunca me incomodava e a roda punk era a libertação total. Sempre tinha um que gritava: “Duda, nos purifica!”. Era fácil se purificar naquela época.
Ele me abraçava sempre que me via. E abraçava apertado, um abraço de urso, para me mostrar que ele era tão forte quanto os heróis que via na TV. E eu me achava o máximo. Mas as crianças crescem, inclusive os afilhados. E eu adoro quando ele me chama de “dinda Rê”, porque eu volto a me sentir o máximo, mesmo sem abraço apertado.
A risada foi tão intensa que eu não sabia mais se chorava ou se ria. O corpo doía tanto, que parecia que tinha feito milhares de abdominais. Por um momento esqueci de toda a solidão e desejei a eternidade, de preferência com aquela dor na bochecha de que quem riu demais. Às vezes é tão fácil ser feliz.
Wednesday, May 14, 2008
Salve Anne
Eu tinha uns 9 anos e estava na casa da minha tia. Ela e minha mãe conversavam algo que não me interessava. Sozinha na sala, olhei para o livro na estante: “Contos do Esconderijo”. Hum... Peguei. Gostei da capa, do desenho de uma folha seca na contracapa. Abri. Lembro exatamente a primeira coisa que li: “Sempre gostei de ouvir conversas de adolescentes”. Hum mesmo. Pedi emprestado.
O livro era da Anne Frank. Na época, não sabia direito o que tinha sido o nazismo, o holocausto, a perseguição contra os judeus. E demorou para eu acreditar que essa tal Anne existiu. Que ficou escondida com sua família, durante anos, num porão. Que morreu num campo de concentração. Que escreveu o livro mais importante da minha vida.
Sim, não é o meu preferido, mas é o mais importante. Porque foi lendo “Contos do Esconderijo” da Anne Frank que descobri o que um livro pode ser. Mais, descobri um mundo novo. Percebi que lendo conheceria histórias incríveis de gente mais incrível ainda. Que os livros eram sim, um outro mundo! Porque foi lendo Anne Frank que comecei a questionar o mundo. E nunca mais fui a mesma.
No final de semana passado, olhando a exposição sobre a Anne, que estava na Usina do Gasômetro, pena de quem perdeu! Me lembrei desse dia na casa da minha tia. E de todos os livros que li graças a esse. Obrigada Anne, por tudo que teve que passar para mudar a minha vida, e a de tantas outras pessoas que também se comovem com a tua história.
Pode ser pretensão da minha parte. Mas sem dúvida, esse menina me tornou um ser humano melhor. Pelo exemplo de grandeza e humanidade, quando foi vítima da maior desumanidade da história... O livro? Eu nunca devolvi para a minha tia. E ainda busco as respostas para as perguntas que essa menina colocou na minha cabeça.
O livro era da Anne Frank. Na época, não sabia direito o que tinha sido o nazismo, o holocausto, a perseguição contra os judeus. E demorou para eu acreditar que essa tal Anne existiu. Que ficou escondida com sua família, durante anos, num porão. Que morreu num campo de concentração. Que escreveu o livro mais importante da minha vida.
Sim, não é o meu preferido, mas é o mais importante. Porque foi lendo “Contos do Esconderijo” da Anne Frank que descobri o que um livro pode ser. Mais, descobri um mundo novo. Percebi que lendo conheceria histórias incríveis de gente mais incrível ainda. Que os livros eram sim, um outro mundo! Porque foi lendo Anne Frank que comecei a questionar o mundo. E nunca mais fui a mesma.
No final de semana passado, olhando a exposição sobre a Anne, que estava na Usina do Gasômetro, pena de quem perdeu! Me lembrei desse dia na casa da minha tia. E de todos os livros que li graças a esse. Obrigada Anne, por tudo que teve que passar para mudar a minha vida, e a de tantas outras pessoas que também se comovem com a tua história.
Pode ser pretensão da minha parte. Mas sem dúvida, esse menina me tornou um ser humano melhor. Pelo exemplo de grandeza e humanidade, quando foi vítima da maior desumanidade da história... O livro? Eu nunca devolvi para a minha tia. E ainda busco as respostas para as perguntas que essa menina colocou na minha cabeça.
Saturday, May 10, 2008
Inconstância
Que inveja do Pequeno Príncipe. Sim, o do livro. Tudo que eu queria era um mundinho pra eu ficar olhando o pôr-do-sol, só que o meu mundinho teria alguns livros para quando aparecesse alguma nuvem na frente do sol...
Queria ser como essas mulheres que passam a semana pensando na balada de sábado. Que gastam uma nota comprando um vestido para a festa. Que não se importam com as filas, com o tumulto e o cheiro de cigarro. Dessas que acreditam que não há nada que uma boa balada não cure. Mas eu não sou!
Por mais que existam praias paradisíacas, todo o velho continente e alguma viagem que a sempre pode surgir. Às vezes eu desejo que aqueles verões que passava em Imbé com a família toda, não acabassem nunca.
Gosto de trabalhar, nunca gostei de gente que não faz nada. Mas tenho saudade do tempo que a minha vida se resumia em dormir até tarde, passar 4 horas na academia e ir para a faculdade duas horas antes da aula, só pra passar em todos os bares onde estariam meus amigos.
Pode ser o momento. Uma formatura eminente, o fim de uma etapa. Um monte dúvida e nenhuma certeza. O fato é que não é aqui que quero estar. É em algum lugar do passado ou em um do futuro! E as pessoas? Essas que estavam lá, anos atrás? E as que ainda vão fazer parte da minha vida? Por que não estão aqui, agora?
E esse buraco no estômago e o nó na garganta, que parecem as únicas coisas constantes que tenho na vida? Não sei se me perdi em algum momento ou se ainda nem me achei.
Queria ser como essas mulheres que passam a semana pensando na balada de sábado. Que gastam uma nota comprando um vestido para a festa. Que não se importam com as filas, com o tumulto e o cheiro de cigarro. Dessas que acreditam que não há nada que uma boa balada não cure. Mas eu não sou!
Por mais que existam praias paradisíacas, todo o velho continente e alguma viagem que a sempre pode surgir. Às vezes eu desejo que aqueles verões que passava em Imbé com a família toda, não acabassem nunca.
Gosto de trabalhar, nunca gostei de gente que não faz nada. Mas tenho saudade do tempo que a minha vida se resumia em dormir até tarde, passar 4 horas na academia e ir para a faculdade duas horas antes da aula, só pra passar em todos os bares onde estariam meus amigos.
Pode ser o momento. Uma formatura eminente, o fim de uma etapa. Um monte dúvida e nenhuma certeza. O fato é que não é aqui que quero estar. É em algum lugar do passado ou em um do futuro! E as pessoas? Essas que estavam lá, anos atrás? E as que ainda vão fazer parte da minha vida? Por que não estão aqui, agora?
E esse buraco no estômago e o nó na garganta, que parecem as únicas coisas constantes que tenho na vida? Não sei se me perdi em algum momento ou se ainda nem me achei.
Thursday, May 08, 2008
Esse texto já está velho
Os meios, mais do que nunca, são a extensão do homem. Sim, Marshall McLuhan estava certo, e isso há alguns bons anos atrás. Imagine o que ele falaria hoje... Que estamos quase copulando! Homem e máquina. Máquina e homem. E ao invés de humanizarmos as máquinas, estamos cada vez mais mecânicos.
Estendemos a mão e temos o celular de última geração que nesse exato momento já ficou ultrapassado. Na outra, há o palm top. O notebook. A máquina digital. O MP4, MP5, daqui a pouca teremos o MP69. E haja mão para tudo isso! E haja cabeça para tanta informação, que na grande maioria das vezes, não sabemos nem de que lado veio. Um USB para baixar informação inútil seria bem útil. Será que já não existe e eu ultrapassada, não sei?
E tem que ter papo para tantos amigos no orkut... Todo mundo fala junto, todo mundo deixa um alô, um bom findi... Mas quem escuta? Isso é uma conversa ou um monólogo enfeitado com emotions? Deletamos as pessoas como deletamos as fotos que não gostamos. E tem tempo que eu não pego uma foto (de verdade) nas mãos.
É a lei do mais forte. Estamos sendo dominados pelas nossas próprias invenções. Não sabemos lidar com nossas crias, que só criamos para tentar ocupar a nossa vida e deixar de fato de viver. É uma falsa vida. Superficial, está tudo superficial. Eu, você, teu cachorro, teu vizinho, a sociedade.
Mas tudo passa na velocidade da luz, e cada vez mais rápido. E temos a impressão de que estamos sempre no vácuo. Vazio...
Estendemos a mão e temos o celular de última geração que nesse exato momento já ficou ultrapassado. Na outra, há o palm top. O notebook. A máquina digital. O MP4, MP5, daqui a pouca teremos o MP69. E haja mão para tudo isso! E haja cabeça para tanta informação, que na grande maioria das vezes, não sabemos nem de que lado veio. Um USB para baixar informação inútil seria bem útil. Será que já não existe e eu ultrapassada, não sei?
E tem que ter papo para tantos amigos no orkut... Todo mundo fala junto, todo mundo deixa um alô, um bom findi... Mas quem escuta? Isso é uma conversa ou um monólogo enfeitado com emotions? Deletamos as pessoas como deletamos as fotos que não gostamos. E tem tempo que eu não pego uma foto (de verdade) nas mãos.
É a lei do mais forte. Estamos sendo dominados pelas nossas próprias invenções. Não sabemos lidar com nossas crias, que só criamos para tentar ocupar a nossa vida e deixar de fato de viver. É uma falsa vida. Superficial, está tudo superficial. Eu, você, teu cachorro, teu vizinho, a sociedade.
Mas tudo passa na velocidade da luz, e cada vez mais rápido. E temos a impressão de que estamos sempre no vácuo. Vazio...
Wednesday, May 07, 2008
Mais uma musiquinha ou o refrão dela!
Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Sábio Cazuza!
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Sábio Cazuza!
Monday, April 28, 2008
Um pouco mais de neura
Às vezes eu tenho certeza de que o mundo conspira contra mim. Esperei um dia propício para estrear minha sapatilha nova, linda e prateada. Tudo ótimo até o céu se encher de nuvens pretas e mundo resolver cair sobre nossas cabeças. Quase tive que trocar minha sapatilha nova, linda e prateada por um pé de pato.
Acordo uma hora mais cedo pra chegar na academia o mais rápido possível e ter uma esteira a minha disposição. Mas sempre que chego já tem umas velhas, digo mulheres da melhor idade, contando toda sua biografia e reclamando que os jovens de hoje em dia não tem disposição para se exercitar. Para me exercitar, eu tenho, não tenho para escutar lição de moral às 6h da manhã!
Encomendei dois livros sobre rádio, direto da editora. Eles não chegavam e eu ansiosa pelo cheiro de livro novo. Até que abri, sem querer, o e-mail que tinha solicitado a encomenda e não acreditei no que vi! Dei o endereço da minha casa errado! Passei uma semana procurando meus livrinhos de correio em correio, tendo que explicar que dei o número errado e que o número não existe. Até que achei minha encomenda perdida e sozinha na agência da cidade vizinha. Ninguém soube me explica como eles pararam lá, afinal eu errei só o número, não a cidade!
Odeio baratas. Sempre odiei. Outro dia meu chefe achou um ninho de barata dentro do teclado do computador dele! Horrível! E sobrou pra mim limpar o negócio, tirar teclinha por teclinha e encarar um monte de baratinhas... Eram todas filhotes, acho que os pais não cabiam dentro do teclado. Passei o resto do dia me coçando, vendo barata em todo o lugar e arrependida de não ter me atirado do décimo andar da Assembléia Legislativa. E criei o estranho hábito de ficar uns bons minutos olhando para o teclado do computador antes de colocar minhas mãos nele.
Mas não, eu não sou neurótica! Só às vezes acho que o mundo conspira contra mim e o tal de Murphy resolve pegar no pé.
Acordo uma hora mais cedo pra chegar na academia o mais rápido possível e ter uma esteira a minha disposição. Mas sempre que chego já tem umas velhas, digo mulheres da melhor idade, contando toda sua biografia e reclamando que os jovens de hoje em dia não tem disposição para se exercitar. Para me exercitar, eu tenho, não tenho para escutar lição de moral às 6h da manhã!
Encomendei dois livros sobre rádio, direto da editora. Eles não chegavam e eu ansiosa pelo cheiro de livro novo. Até que abri, sem querer, o e-mail que tinha solicitado a encomenda e não acreditei no que vi! Dei o endereço da minha casa errado! Passei uma semana procurando meus livrinhos de correio em correio, tendo que explicar que dei o número errado e que o número não existe. Até que achei minha encomenda perdida e sozinha na agência da cidade vizinha. Ninguém soube me explica como eles pararam lá, afinal eu errei só o número, não a cidade!
Odeio baratas. Sempre odiei. Outro dia meu chefe achou um ninho de barata dentro do teclado do computador dele! Horrível! E sobrou pra mim limpar o negócio, tirar teclinha por teclinha e encarar um monte de baratinhas... Eram todas filhotes, acho que os pais não cabiam dentro do teclado. Passei o resto do dia me coçando, vendo barata em todo o lugar e arrependida de não ter me atirado do décimo andar da Assembléia Legislativa. E criei o estranho hábito de ficar uns bons minutos olhando para o teclado do computador antes de colocar minhas mãos nele.
Mas não, eu não sou neurótica! Só às vezes acho que o mundo conspira contra mim e o tal de Murphy resolve pegar no pé.
Monday, April 21, 2008
Faz sentido
A gente passa a entender o sentido da palavra solidão, quando começa a ficar angustiado com a sensação de estar só. E isso passa a incomodar. Quando nem o riso ameniza o nó na garganta. Quando o riso é também uma maneira de chorar, a gente ri um monte e acaba chorando de tanto rir. Jura, a gente quer rir só pra poder chorar em paz depois.
Quando chorar passa a ser eminência. Quando a gente sente falta do boteco na frente da nossa casa que tocava pagode até de madrugada, porque afinal te fazia companhia e tu dava graças a Deus que não é como aquelas pessoas que ficam felizes com um pagode. Quando a gente começa a rezar para ser como aquelas pessoas e ficar feliz até com um pagodezinho.
Quando se vai no cinema sozinho e tudo que queria era alguém próximo pra comentar o erro de gravação que você percebeu. Quando ficar sábado a noite, em casa, de bermuda e meia, assistindo os filmes do Tim Burton é a melhor opção porque simplesmente não há outra opção.
Quando o doce tem sabor amargo. Quando os amigos parecem distantes. Quando lê já não te faz perder a noção do mundo. Quando dormir não é descansar, é uma opção de estar viva sem ter que viver de fato. Quando até brincar com o cachorro é triste. Quando a vida perde o sentido, a gente passa a entender o sentido da palavra solidão.
Quando chorar passa a ser eminência. Quando a gente sente falta do boteco na frente da nossa casa que tocava pagode até de madrugada, porque afinal te fazia companhia e tu dava graças a Deus que não é como aquelas pessoas que ficam felizes com um pagode. Quando a gente começa a rezar para ser como aquelas pessoas e ficar feliz até com um pagodezinho.
Quando se vai no cinema sozinho e tudo que queria era alguém próximo pra comentar o erro de gravação que você percebeu. Quando ficar sábado a noite, em casa, de bermuda e meia, assistindo os filmes do Tim Burton é a melhor opção porque simplesmente não há outra opção.
Quando o doce tem sabor amargo. Quando os amigos parecem distantes. Quando lê já não te faz perder a noção do mundo. Quando dormir não é descansar, é uma opção de estar viva sem ter que viver de fato. Quando até brincar com o cachorro é triste. Quando a vida perde o sentido, a gente passa a entender o sentido da palavra solidão.
Tuesday, April 15, 2008
HEY HO LET'S GO
Joey, às vezes eu também gostaria de não crescer. De ficar sedado. De dar adios aos meus amigos. De ir para a Rússia num foguete. Morrer em Berlim. Curtir o sol da Califórnia. De perguntar "você quer dançar?", ou apenas dizer: "Querido, eu te amo". Assumir que apesar dos pesares somos uma família feliz. Será isso uma poção do coração? Ou apenas rock and roll colegial?
No dia 15 de abril de 2001, eu e alguns colegas estavámos tristes numa aula de educação física. Naquela aula, dispensamos os tênis apropriados para correr e usamos os velhos e bons all star. Como você.
Ah Joey, como eu gostaria de ir num show do Ramones e ver toda essa tua altura e teu jeito desengonçado de quem parece não ter saído do colegial. Quantos all star usei em tua homenagem. Quantos "he ho. Let´s go" gritados em shows de rock. Quanta calça jeans rasguei...
Hoje Joey,em cima de um salto fino. Sinto a mesma tristeza que a há 7 anos. É ruim a certeza que um showzinho só dos Ramones, nunca mais. Que tratamos com carinho os CD que ficaram, as lembranças embaladas por sua voz, na rapidez da música... One, two, three, four...
No fundo Joey it´s a wonderful world!!!
Gabba gabba hey.
He ho. Let´s go! Forever
No dia 15 de abril de 2001, eu e alguns colegas estavámos tristes numa aula de educação física. Naquela aula, dispensamos os tênis apropriados para correr e usamos os velhos e bons all star. Como você.
Ah Joey, como eu gostaria de ir num show do Ramones e ver toda essa tua altura e teu jeito desengonçado de quem parece não ter saído do colegial. Quantos all star usei em tua homenagem. Quantos "he ho. Let´s go" gritados em shows de rock. Quanta calça jeans rasguei...
Hoje Joey,em cima de um salto fino. Sinto a mesma tristeza que a há 7 anos. É ruim a certeza que um showzinho só dos Ramones, nunca mais. Que tratamos com carinho os CD que ficaram, as lembranças embaladas por sua voz, na rapidez da música... One, two, three, four...
No fundo Joey it´s a wonderful world!!!
Gabba gabba hey.
He ho. Let´s go! Forever
Sunday, April 13, 2008
Coisas de pele
Adoro marcas, cicatrizes, tatuagens e outras coisas de pele. Acho que diz muito sobre as pessoas.
Eu carrego cicatrizes no meu seio, que não gosto, pois revelam que eles não são naturais. Minha franja é torta do lado direito, culpa de um redemoinho! Carrego cicatrizes que mostram que tive uma infância normal, cheia de tombos, esconderijos fantásticos e brincadeiras incríveis. Minhas unhas do dedão do pé são tortas, e não adianta a pedicure arrumar, elas duram até a próxima aula de dança. Por causa da meia ponta e da postura necessária em alguns passos. Por causa da tal meia ponta (como de bailarinas), tenho calos e bolhas em baixo do pé. Mas deles eu gosto, mostram que eu sou uma mulher que dança. A minha sobrancelha direita é menor que a esquerda, não, não é um problema genético, é por causa da cicatriz de um piercing que tinha ali e foi acidentalmente arrancado. Fora as minhas tatuagens, que indicam que gosto de carregar outros mundos na minha pele, que não me conformo com o tom monocromático dos seres humanos.
Uma vez eu estava num ônibus, do outro lado havia um senhor, bem senhor mesmo, de cabelo branco e pele toda enrugada. Ele estava com uma camisa de manga curta. E seus braços revelavam inúmeras tatuagens. E isso já tem muito tempo e eu nunca me esqueci dos desenhos que saltavam daqueles braços enrugados. Tinha um bonequinho, desses que qualquer um desenha, de palitinho, só que o bonequinho dele usava um boné. Talvez para um neto... Tinha um clássico tubarão e o que mais me chamou atenção: uma bandeira com uma caveira dentro e um X por cima, como se ele tivesse se arrependido da bandeira com a caveira e simplesmente colocou um X em cima. Não era necessário apagar tudo, apenas sinalizar que a bandeira com a caveira já não era tão importante como fora um dia... Ou não... Vai saber...
Talvez nossas marcas sabem mais de nos, do que nós delas.
Eu carrego cicatrizes no meu seio, que não gosto, pois revelam que eles não são naturais. Minha franja é torta do lado direito, culpa de um redemoinho! Carrego cicatrizes que mostram que tive uma infância normal, cheia de tombos, esconderijos fantásticos e brincadeiras incríveis. Minhas unhas do dedão do pé são tortas, e não adianta a pedicure arrumar, elas duram até a próxima aula de dança. Por causa da meia ponta e da postura necessária em alguns passos. Por causa da tal meia ponta (como de bailarinas), tenho calos e bolhas em baixo do pé. Mas deles eu gosto, mostram que eu sou uma mulher que dança. A minha sobrancelha direita é menor que a esquerda, não, não é um problema genético, é por causa da cicatriz de um piercing que tinha ali e foi acidentalmente arrancado. Fora as minhas tatuagens, que indicam que gosto de carregar outros mundos na minha pele, que não me conformo com o tom monocromático dos seres humanos.
Uma vez eu estava num ônibus, do outro lado havia um senhor, bem senhor mesmo, de cabelo branco e pele toda enrugada. Ele estava com uma camisa de manga curta. E seus braços revelavam inúmeras tatuagens. E isso já tem muito tempo e eu nunca me esqueci dos desenhos que saltavam daqueles braços enrugados. Tinha um bonequinho, desses que qualquer um desenha, de palitinho, só que o bonequinho dele usava um boné. Talvez para um neto... Tinha um clássico tubarão e o que mais me chamou atenção: uma bandeira com uma caveira dentro e um X por cima, como se ele tivesse se arrependido da bandeira com a caveira e simplesmente colocou um X em cima. Não era necessário apagar tudo, apenas sinalizar que a bandeira com a caveira já não era tão importante como fora um dia... Ou não... Vai saber...
Talvez nossas marcas sabem mais de nos, do que nós delas.
Sunday, April 06, 2008
Nada que um bom soco na cara não resolva
Como toda pessoa egoísta, acho que a coisa mais linda do mundo é o meu umbigo! Mas o meu umbigo não tem anda haver com o soco na cara que gostaria de dar em algumas pessoas. Ou talvez tenha. Não sei. Assim como sei o que escrever. Só sei que tenho que escrever, afinal é isso que quero fazer pelo resto da minha vida. E se falta a inspiração, apelo para a transpiração. Abre parênteses - adoro essas palavras que terminam com piração – fecha parênteses.
Odeio os sinais de ocupado e ausente do msn, porque nunca sei se é verdade ou não. E tenho vontade de dar um soco na cara dessas pessoas, mesmo sendo amigas. Vai que meu umbigo se sinta sozinho ou simplesmente queira incomodar alguém, e eu incomode justamente um amigo que está ocupado de verdade. Posso me sentir mal. Ou não. Pessoas egoístas não costumam perceber quando incomodam os outros. Se bem que sempre me achei um egoísta bem consciente.
Até Deus, ou seja lá quem criou tudo, merece um soquinho. Tem uma formiga subindo na minha perna, deixo, até gosto de formigas. Mas só até lembrar que elas carregam baratas! Argh! Odeio baratas e passo a odiar formigas e, consequentemente quem as criou.
Tenho vontade de dar o tal soco quando vejo pessoas felizes. Não que não goste da felicidade alheia, mas acho um abuso ela ser alheia e não minha. E fico com raiva e quero dar um soco na cara dessa gente que fica feliz por qualquer coisa. Ao menos eu não me deslumbro fácil. E uma pessoa muito feliz se torna meio alheia e com o tempo fica bem alienada.
Então me deixem com um pouco de tristeza, minha inteligência, meus textos sem nexos, minha felicidade passageira e minha vontade de dar uns socos na cara de algumas pessoas.
Odeio os sinais de ocupado e ausente do msn, porque nunca sei se é verdade ou não. E tenho vontade de dar um soco na cara dessas pessoas, mesmo sendo amigas. Vai que meu umbigo se sinta sozinho ou simplesmente queira incomodar alguém, e eu incomode justamente um amigo que está ocupado de verdade. Posso me sentir mal. Ou não. Pessoas egoístas não costumam perceber quando incomodam os outros. Se bem que sempre me achei um egoísta bem consciente.
Até Deus, ou seja lá quem criou tudo, merece um soquinho. Tem uma formiga subindo na minha perna, deixo, até gosto de formigas. Mas só até lembrar que elas carregam baratas! Argh! Odeio baratas e passo a odiar formigas e, consequentemente quem as criou.
Tenho vontade de dar o tal soco quando vejo pessoas felizes. Não que não goste da felicidade alheia, mas acho um abuso ela ser alheia e não minha. E fico com raiva e quero dar um soco na cara dessa gente que fica feliz por qualquer coisa. Ao menos eu não me deslumbro fácil. E uma pessoa muito feliz se torna meio alheia e com o tempo fica bem alienada.
Então me deixem com um pouco de tristeza, minha inteligência, meus textos sem nexos, minha felicidade passageira e minha vontade de dar uns socos na cara de algumas pessoas.
Sunday, March 30, 2008
A graça do drama
A vida é um drama. Mas um drama bem engraçado, como escreveu a Tati Bernardi. Andar de trem todo dia é um drama. Ler meu livrinho e rir de alguma cena dentro do trem cheio é engraçado. As pessoas me olham com cada cara e eu tenho mais vontade de rir e me dou conta do drama que é não ter privacidade para rir do meu livrinho dentro do tem lotado. Se eu chorasse será que iriam gostar?
Comecei fazer a lista das coisas que eu vou levar quando sair da casa dos meus pais e ir para os arredores da Redenção. Estava tudo ótimo, até meu irmão pegar a lista e me perguntar quando isso ia acontecer, eu falei que ainda não sei, mas, pela primeira vez na vida não quero deixar tudo para última hora, vai que eu esqueça alguma coisa. Fazer uma lista dessas é até engraçado. O drama foi do meu irmão, que achou absurdo as fadas que eu tenho penduras no meu quarto serem o primeiro item da lista.
Viro madrugadas escrevendo meu trabalho de conclusão. Mas sempre páro, porque uma voz misteriosa me manda escrever outras coisas, como esse texto, por exemplo. Aí na mesma madrugada escrevo alguns textos, falo com um e outro no msn, choro, dou risada, tomo um vinhozinho... Pareço uma louca, deve ser engraçado. O drama é eu não escrever nada do meu tcc.
Vou para a cama às 2h da manhã. Às 4h30 meus olhos abrem e eu me dou conta que não vou mais dormir. Repito o mantra: “Dorme criatura, tu tem que levantar às 6h”. Que graça, não durmo de jeito nenhum, fico tentando identificar qual é o cachorro da rua que late agora, conto as estrelas que tenho na parede, olho em baixo da cama (a insônia nos faz lembrar até do bicho-papão). 5h50 meus olhos começam a ficar pesados e sono vem gostoso. 6h o relógio desperta. Ô drama!
Fui fazer meu passaporte. O único dia disponível é em junho! Liguei para a Polícia Federal e falei do absurdo, argumentei que vou viajar loguinho e preciso do meu passaporte para ontem! Eu não vou viajar loguinho, mas tenho que estar preparada. Tive um piti, um chilique, apelei para o meu ego leonino. Falei sério também, que até junho posso ter morrido, mas prometi que se morrer sem meu passaporte, vou enlouquecer essa tal de Raquel que me atendeu! Ela disse que nunca viu tanto drama por causa de um passaporte, eu chamei ela de louca, pois ela não estava vendo nada, apenas escutando. Até que dita cuja desligou o telefone! E eu não achei a graça nenhuma nessa história.
Comecei fazer a lista das coisas que eu vou levar quando sair da casa dos meus pais e ir para os arredores da Redenção. Estava tudo ótimo, até meu irmão pegar a lista e me perguntar quando isso ia acontecer, eu falei que ainda não sei, mas, pela primeira vez na vida não quero deixar tudo para última hora, vai que eu esqueça alguma coisa. Fazer uma lista dessas é até engraçado. O drama foi do meu irmão, que achou absurdo as fadas que eu tenho penduras no meu quarto serem o primeiro item da lista.
Viro madrugadas escrevendo meu trabalho de conclusão. Mas sempre páro, porque uma voz misteriosa me manda escrever outras coisas, como esse texto, por exemplo. Aí na mesma madrugada escrevo alguns textos, falo com um e outro no msn, choro, dou risada, tomo um vinhozinho... Pareço uma louca, deve ser engraçado. O drama é eu não escrever nada do meu tcc.
Vou para a cama às 2h da manhã. Às 4h30 meus olhos abrem e eu me dou conta que não vou mais dormir. Repito o mantra: “Dorme criatura, tu tem que levantar às 6h”. Que graça, não durmo de jeito nenhum, fico tentando identificar qual é o cachorro da rua que late agora, conto as estrelas que tenho na parede, olho em baixo da cama (a insônia nos faz lembrar até do bicho-papão). 5h50 meus olhos começam a ficar pesados e sono vem gostoso. 6h o relógio desperta. Ô drama!
Fui fazer meu passaporte. O único dia disponível é em junho! Liguei para a Polícia Federal e falei do absurdo, argumentei que vou viajar loguinho e preciso do meu passaporte para ontem! Eu não vou viajar loguinho, mas tenho que estar preparada. Tive um piti, um chilique, apelei para o meu ego leonino. Falei sério também, que até junho posso ter morrido, mas prometi que se morrer sem meu passaporte, vou enlouquecer essa tal de Raquel que me atendeu! Ela disse que nunca viu tanto drama por causa de um passaporte, eu chamei ela de louca, pois ela não estava vendo nada, apenas escutando. Até que dita cuja desligou o telefone! E eu não achei a graça nenhuma nessa história.
Tuesday, March 25, 2008
Presente de aniversário
- O que é isso?
- Teu presente! Eu... Ou o melhor de mim... Tá, eu sei que você não gosta muito dessas coisas, mas o que eu faço de melhor é escrever.
- Isso eu sei.
- Na verdade queria te dar um livro, mas estava em dúvida entre o “Pequeno Príncipe” e o “Kama Sutra”. Então achei melhor eu mesmo escrever essa história. Que eu conheço bem, diga-se de passagem.
- Uma vez tu meu deu um texto... Num blog que tu tinha...
- Aham. Foi de 27 anos, se eu não me engano. Quando o escrevi, pensei que quando tu fizesse 40 escrevia um livro para você. Se tu já era charmoso com 27, com certeza seria um quarentão ainda mais. E seu eu desse o mesmo nome daquele texto e lançasse no dia 25 de março, você não teria dúvidas que é para você.
- E sobre o que é? Fala de algo que aconteceu...
- Da gente, se é isso que você quer saber. Da faculdade, da atração toda, do sexo, do sentimento, dos e-mails imensos, dos chiliques, das escadas, de todas as coisas que eu nunca entendi... Mas algumas eu enfeitei, outras encurtei.
- E como termina?
- Como deveria, cada um tocando sua vida, mas tendo suas recaídas. Sabe, sempre que imaginava escrever sobre nós, achava que no fim tu ia se apaixonar por mim. Mas não consegui... Não seria a nossa história se tu tivesse se apaixonado por mim.
- Mas ao menos nos sempre fomos amigos. E tu sabe que eu me preocupo com você. Você nunca foi uma qualquer pra mim.
- Que belo consolo. No fundo, sempre tive a impressão que você gostava do fato de eu gostar de ti...
- Hehehehe, quem sabe. Só o tempo vai dizer... Tenho que ir. A fila tá grande.
- Quem diria né? Fila de autógrafos do meu livro!
- Parabéns! Você conseguiu, é uma escritora conhecida.
- Nem tudo eu consegui... Vai, que com certeza deve ter uma loira-aguada-e-sem-sal te esperando em algum lugar.
- Ai meu Deus...
- Posso só te dá um abraço, aquele que eu queria ter te dado quando estudávamos juntos... De amiga!
- Pode. Mas não me provoca!
- Ah, tá! Até parece que você é um santo e nunca me provocou.
- Eu!? Imagina. E o abraço?
- Então tu quer um abraço. É você que deveria me abraçar, eu que estou lançando um livro...
- Mas é eu que estou de aniversário!
- Feliz aniversário!
“O amor é o amor, mas pode também ser um simples ardor, uma cócega profunda no homem ou na mulher. Se o prazer é superficial, enjoativo como todas as coisas apenas superficiais, só depois é que se vai saber ou comprovar ou entender. Quem é capaz, portanto, de dizer que não houve prazer, que o calor não esteve ali o todo tempo, nele e nela, naquele frio orgástico que eriça as peles?” Flávio Tavares.
- Teu presente! Eu... Ou o melhor de mim... Tá, eu sei que você não gosta muito dessas coisas, mas o que eu faço de melhor é escrever.
- Isso eu sei.
- Na verdade queria te dar um livro, mas estava em dúvida entre o “Pequeno Príncipe” e o “Kama Sutra”. Então achei melhor eu mesmo escrever essa história. Que eu conheço bem, diga-se de passagem.
- Uma vez tu meu deu um texto... Num blog que tu tinha...
- Aham. Foi de 27 anos, se eu não me engano. Quando o escrevi, pensei que quando tu fizesse 40 escrevia um livro para você. Se tu já era charmoso com 27, com certeza seria um quarentão ainda mais. E seu eu desse o mesmo nome daquele texto e lançasse no dia 25 de março, você não teria dúvidas que é para você.
- E sobre o que é? Fala de algo que aconteceu...
- Da gente, se é isso que você quer saber. Da faculdade, da atração toda, do sexo, do sentimento, dos e-mails imensos, dos chiliques, das escadas, de todas as coisas que eu nunca entendi... Mas algumas eu enfeitei, outras encurtei.
- E como termina?
- Como deveria, cada um tocando sua vida, mas tendo suas recaídas. Sabe, sempre que imaginava escrever sobre nós, achava que no fim tu ia se apaixonar por mim. Mas não consegui... Não seria a nossa história se tu tivesse se apaixonado por mim.
- Mas ao menos nos sempre fomos amigos. E tu sabe que eu me preocupo com você. Você nunca foi uma qualquer pra mim.
- Que belo consolo. No fundo, sempre tive a impressão que você gostava do fato de eu gostar de ti...
- Hehehehe, quem sabe. Só o tempo vai dizer... Tenho que ir. A fila tá grande.
- Quem diria né? Fila de autógrafos do meu livro!
- Parabéns! Você conseguiu, é uma escritora conhecida.
- Nem tudo eu consegui... Vai, que com certeza deve ter uma loira-aguada-e-sem-sal te esperando em algum lugar.
- Ai meu Deus...
- Posso só te dá um abraço, aquele que eu queria ter te dado quando estudávamos juntos... De amiga!
- Pode. Mas não me provoca!
- Ah, tá! Até parece que você é um santo e nunca me provocou.
- Eu!? Imagina. E o abraço?
- Então tu quer um abraço. É você que deveria me abraçar, eu que estou lançando um livro...
- Mas é eu que estou de aniversário!
- Feliz aniversário!
“O amor é o amor, mas pode também ser um simples ardor, uma cócega profunda no homem ou na mulher. Se o prazer é superficial, enjoativo como todas as coisas apenas superficiais, só depois é que se vai saber ou comprovar ou entender. Quem é capaz, portanto, de dizer que não houve prazer, que o calor não esteve ali o todo tempo, nele e nela, naquele frio orgástico que eriça as peles?” Flávio Tavares.
Sunday, March 23, 2008
Dá pra tia!
Eu não pretendo ter filhos, me acho egoísta demais para isso e não gosto de crianças. Já meu irmão adooooooooooora e está louco para ser pai! A namorada dele já tem um filho de 7 anos e desde o Natal as atenções aqui em casa são todas dele. Meu pai e minha mãe adoram ter uma criança para se encantar com o pinheiro de Natal, para procurar chocolate...
Concordo com eles que uma criança dá mais vida para uma casa. Até porque elas fazem barulho e não colocam nada no lugar. A gente passa o tempo todo em função das crias que não sentimos o tempo passar. Definitivamente, não terei filhos. Mas sobrinhos devem ser legais. Encheu o saco? Vai com a mamãe e o papai, que a titia aqui tem mais o que fazer... E resolvido o problema.
O filho da namorada do meu irmão sabe muito bem quem é seu pai. E deve intuir que eu não sou muito chegada em criança, ainda mais olhando desenho animado enquanto eu quero assistir o telejornal. O fato é que ele me chama de tia!
Nesta Páscoa, o sobrinho estava aqui em casa, sendo o único e exclusivo foco de atenção. E ganhou um monte de chocolate. Três ovos com brinquedo dentro. Enquanto ele abria os seus chocolates, todo mundo estava envolta para ver qual era a surpresa da vez. O primeiro ovo trazia um peixinho de pelúcia, que eu adorei! O segundo foi um relógio e o terceiro, o mesmo peixinho do primeiro. Foi uma tristeza geral! Que azar, saiu igual...
- Dá pra tia, então! Falei.
Ele oscilou por um momento, mas me deu o peixinho amarelo com azul. Yes! E quer saber, que venham meus sobrinhos, porque quando eu era criança, não tinha ovo de chocolate com brinquedo dentro.
Concordo com eles que uma criança dá mais vida para uma casa. Até porque elas fazem barulho e não colocam nada no lugar. A gente passa o tempo todo em função das crias que não sentimos o tempo passar. Definitivamente, não terei filhos. Mas sobrinhos devem ser legais. Encheu o saco? Vai com a mamãe e o papai, que a titia aqui tem mais o que fazer... E resolvido o problema.
O filho da namorada do meu irmão sabe muito bem quem é seu pai. E deve intuir que eu não sou muito chegada em criança, ainda mais olhando desenho animado enquanto eu quero assistir o telejornal. O fato é que ele me chama de tia!
Nesta Páscoa, o sobrinho estava aqui em casa, sendo o único e exclusivo foco de atenção. E ganhou um monte de chocolate. Três ovos com brinquedo dentro. Enquanto ele abria os seus chocolates, todo mundo estava envolta para ver qual era a surpresa da vez. O primeiro ovo trazia um peixinho de pelúcia, que eu adorei! O segundo foi um relógio e o terceiro, o mesmo peixinho do primeiro. Foi uma tristeza geral! Que azar, saiu igual...
- Dá pra tia, então! Falei.
Ele oscilou por um momento, mas me deu o peixinho amarelo com azul. Yes! E quer saber, que venham meus sobrinhos, porque quando eu era criança, não tinha ovo de chocolate com brinquedo dentro.
Thursday, March 20, 2008
Ele chegou e eu nem percebi
O outono chegou e eu nem me dei conta. Só no serviço, ao folhear a Zero Hora, li a palavra "outono" em alguma manchete e me passou pela cabeça que daqui alguns dias o inverno chegaria. Que a minha estação preferida está acabando. Depois, fui ler toda a matéria e vi que o verão já tinha acabado. Durante a noite, enquanto eu rolava na cama e lutava conta a insônia, o verão me dava tchau.
O texto assinado por Cátia Valente é poético, começa assim: “Hoje acordamos com ares novos, ares de outono. Ele chegou às 2h48min. Nesse exato momento, os hemisférios Norte e Sul receberam a mesma quantidade de energia vinda do Sol. A noite e o dia tinham o mesmo tamanho...” E segue falando das folhas caídas, dos dias bonitos, da inconstância das temperaturas...
Mas o estranho é eu não ter me dado conta. Quando eu era criança sabia as horas e os dias, exatos, que as estações entravam. E fica ansiosa o dia todo, afinal, era uma mudança que estava acontecendo! Mudança de estação, de paisagem, de roupa, de humor. Uma mudança mágica que acontecia assim, do nada, a gente vai para a cama com o Inverno e acordamos nos braços da Primavera. Devo estar com outras coisas na cabeça, emprego, formatura, dinheiro (ou a falta de), trabalhos da faculdade... Coisas que tiraram meu sono, talvez, até de propósito...
No meio da manhã, com o jornal nas mãos, olhei pela janela do 10º andar da Assembléia Legislativa e vi o sol, e nuvens escuras também. Alguém entrou na sala reclamando de calor, outro apareceu de casaco, perguntaram que hora a chuva chegaria... Era o outono instalando suas mudanças.
O texto assinado por Cátia Valente é poético, começa assim: “Hoje acordamos com ares novos, ares de outono. Ele chegou às 2h48min. Nesse exato momento, os hemisférios Norte e Sul receberam a mesma quantidade de energia vinda do Sol. A noite e o dia tinham o mesmo tamanho...” E segue falando das folhas caídas, dos dias bonitos, da inconstância das temperaturas...
Mas o estranho é eu não ter me dado conta. Quando eu era criança sabia as horas e os dias, exatos, que as estações entravam. E fica ansiosa o dia todo, afinal, era uma mudança que estava acontecendo! Mudança de estação, de paisagem, de roupa, de humor. Uma mudança mágica que acontecia assim, do nada, a gente vai para a cama com o Inverno e acordamos nos braços da Primavera. Devo estar com outras coisas na cabeça, emprego, formatura, dinheiro (ou a falta de), trabalhos da faculdade... Coisas que tiraram meu sono, talvez, até de propósito...
No meio da manhã, com o jornal nas mãos, olhei pela janela do 10º andar da Assembléia Legislativa e vi o sol, e nuvens escuras também. Alguém entrou na sala reclamando de calor, outro apareceu de casaco, perguntaram que hora a chuva chegaria... Era o outono instalando suas mudanças.
Sunday, March 16, 2008
Devaneio
Eu nunca paro na frente do computador e me pergunto o que escrever. Eu sempre sei, sempre tenho inspiração e piração, na medida certa. Cazuza já dizia que “entre o certo e o errado há o resto todo”. Acho que é neste resto que se esconde a inspiração. A piração seria o errado. O resultado de tudo, tentar ganhar a vida escrevendo, é certo.
Eu sou um mar de tranqüilidade. Calma, serena... Nada me faz perder minha posse de Esfinge e meu ar blasé. Nem trem lotado, nem chefe mal-humorado, nem professor recalcado, nem criança mal-educada. Eu nem escrevo palavrão nos meus textos. Meu estômago não dói, ele é pleno. Cheio dessa felicidade medíocre que faz as pessoas se conformarem.
Eu quero ter uma carreira bem sucedida como repórter da Caras ou da Quem. Imagina se eu vou preferir passar dias sem tomar banho só para cobrir uma guerra em algum país remoto. É bem mais fácil, escrever sobre o papel higiênico que as pessoas que aparecem na TV usam. Mas se não der certo, minha segunda opção é ser apresentadora de programa, desses do meio da tarde, que exploram a desgraça humana e tentam fazer caridade. Afinal, já que é impossível resolver os problemas do mundo, ao menos eu consolo os cornos, as candidatas a celebridades, as mães de filhos rebeldes, a mulher reprimida, a abandonada na porta da igreja, o endividado...
Eu quero me casar na igreja-de-véu-e-grinalda, com um homem que além de pau duro, terá coração mole e nunca vai questionar como vai o meu cartão de crédito, que obviamente, ele pagará. Irei morar numa casa com jardim, terei três filhos lindos que serão o orgulho da mamãe. E serei feliz para sempre com essa vidinha medíocre que faz as pessoas se conformarem.
Eu não quero grandes viagens para países distantes. Nem mestrado e doutorado. Nem ter tempo para ir na academia todo dia e ler toda a Comédia Humana. Questionar? Nem pensar. Deixar as coisas como estão, já está ótimo. Que eu nunca perca a gloriosa qualidade de ser prática, de não criar problemas e nem aumentá-los.
Eu quero que meus devaneios durem apenas o tempo de digitar um texto, quando eu parar na frente do computador e não saber o que escrever. E que ao constatar que todos os parágrafos começaram na primeira pessoa, eu tenha a grandeza de acreditar em coincidência, até porque eu não tenho o ego-orgulhoso-e-egoísta-dos-leoninos. Até porque, o que não é inspiração e piração, é devaneio.
Eu sou um mar de tranqüilidade. Calma, serena... Nada me faz perder minha posse de Esfinge e meu ar blasé. Nem trem lotado, nem chefe mal-humorado, nem professor recalcado, nem criança mal-educada. Eu nem escrevo palavrão nos meus textos. Meu estômago não dói, ele é pleno. Cheio dessa felicidade medíocre que faz as pessoas se conformarem.
Eu quero ter uma carreira bem sucedida como repórter da Caras ou da Quem. Imagina se eu vou preferir passar dias sem tomar banho só para cobrir uma guerra em algum país remoto. É bem mais fácil, escrever sobre o papel higiênico que as pessoas que aparecem na TV usam. Mas se não der certo, minha segunda opção é ser apresentadora de programa, desses do meio da tarde, que exploram a desgraça humana e tentam fazer caridade. Afinal, já que é impossível resolver os problemas do mundo, ao menos eu consolo os cornos, as candidatas a celebridades, as mães de filhos rebeldes, a mulher reprimida, a abandonada na porta da igreja, o endividado...
Eu quero me casar na igreja-de-véu-e-grinalda, com um homem que além de pau duro, terá coração mole e nunca vai questionar como vai o meu cartão de crédito, que obviamente, ele pagará. Irei morar numa casa com jardim, terei três filhos lindos que serão o orgulho da mamãe. E serei feliz para sempre com essa vidinha medíocre que faz as pessoas se conformarem.
Eu não quero grandes viagens para países distantes. Nem mestrado e doutorado. Nem ter tempo para ir na academia todo dia e ler toda a Comédia Humana. Questionar? Nem pensar. Deixar as coisas como estão, já está ótimo. Que eu nunca perca a gloriosa qualidade de ser prática, de não criar problemas e nem aumentá-los.
Eu quero que meus devaneios durem apenas o tempo de digitar um texto, quando eu parar na frente do computador e não saber o que escrever. E que ao constatar que todos os parágrafos começaram na primeira pessoa, eu tenha a grandeza de acreditar em coincidência, até porque eu não tenho o ego-orgulhoso-e-egoísta-dos-leoninos. Até porque, o que não é inspiração e piração, é devaneio.
Friday, March 07, 2008
Cansaço
Tô cansada de dizer que está tudo bem, acreditar nisso, e ouvir a voz do meu buraco negro perguntando: o que está tudo bem?
Não está nada bem! Nunca esteve, a diferença é que às vezes, a vontade de morrer aumenta. Sim, vontade de morrer! Não é o que vai acontecer com todo mundo, mais cedo ou mais tarde? Eu só quero que comigo seja o mais cedo possível.
Tá. Eu sei que tenho tudo, inclusive um buraco onde cabe toda a insatisfação do mundo. Eu gosto do que eu estudo, do meu trabalho, da minha família e toda essa lenga-lenga, que também me cansa. Gosto até da pessoa que me tornei. Mas imagine, eu poderia não gostar de nada disso, aí sim eu seria insuportável.
Eu vou para a academia, para a faculdade, ando de trem todo dia e sempre com o buraco enorme apertando minha garganta e me obrigando a fazer força para não começar a chorar. Quando olho pela a janela do 10º andar da Assembléia, vejo aquela vista linda, o Guaíba, o céu, as copas das árvores... Por um instante eu gosto de estar viva. Mas a tristeza vem com força me deixando com vergonha da vontade de morrer, apesar da paisagem.
Para a psicóloga, isso é depressão. Para os meus pais, um pecado. Para meu irmão, é manha e para a grande maioria das pessoas, apenas uma moça calada. E por que eu falaria? Outro dia, uma colega me contou que esta grávida, eu perguntei se ela ia tirar. Pela cara que ela me olhou, era melhor ter ficado quieta. E eu prefiro, apesar da fama de chata, metida, arrogante.
Então eu não falo. Falo só com o buraco. É uma briga de vozes interior, incrível. E rezo, todo dia, para isso acabar logo. Se não a vida, ao menos meu cansaço. Cansei de pedir socorro também. Ninguém escuta! E de tanto dizer que está tudo bem, eu já me tornei uma excelente atriz.
Também tô cansada de escrever para tornar tudo mais suportável! Ah, parecia que eu era uma aspirante a escritora-intelectualóide? Bobagem! Sou uma aspirante a porra nenhuma. Afinal, de que adiante, faculdade, formatura, sexo, trabalho, família, compromissos, obrigações... se vamos morrer mesmo?
Não está nada bem! Nunca esteve, a diferença é que às vezes, a vontade de morrer aumenta. Sim, vontade de morrer! Não é o que vai acontecer com todo mundo, mais cedo ou mais tarde? Eu só quero que comigo seja o mais cedo possível.
Tá. Eu sei que tenho tudo, inclusive um buraco onde cabe toda a insatisfação do mundo. Eu gosto do que eu estudo, do meu trabalho, da minha família e toda essa lenga-lenga, que também me cansa. Gosto até da pessoa que me tornei. Mas imagine, eu poderia não gostar de nada disso, aí sim eu seria insuportável.
Eu vou para a academia, para a faculdade, ando de trem todo dia e sempre com o buraco enorme apertando minha garganta e me obrigando a fazer força para não começar a chorar. Quando olho pela a janela do 10º andar da Assembléia, vejo aquela vista linda, o Guaíba, o céu, as copas das árvores... Por um instante eu gosto de estar viva. Mas a tristeza vem com força me deixando com vergonha da vontade de morrer, apesar da paisagem.
Para a psicóloga, isso é depressão. Para os meus pais, um pecado. Para meu irmão, é manha e para a grande maioria das pessoas, apenas uma moça calada. E por que eu falaria? Outro dia, uma colega me contou que esta grávida, eu perguntei se ela ia tirar. Pela cara que ela me olhou, era melhor ter ficado quieta. E eu prefiro, apesar da fama de chata, metida, arrogante.
Então eu não falo. Falo só com o buraco. É uma briga de vozes interior, incrível. E rezo, todo dia, para isso acabar logo. Se não a vida, ao menos meu cansaço. Cansei de pedir socorro também. Ninguém escuta! E de tanto dizer que está tudo bem, eu já me tornei uma excelente atriz.
Também tô cansada de escrever para tornar tudo mais suportável! Ah, parecia que eu era uma aspirante a escritora-intelectualóide? Bobagem! Sou uma aspirante a porra nenhuma. Afinal, de que adiante, faculdade, formatura, sexo, trabalho, família, compromissos, obrigações... se vamos morrer mesmo?
Saturday, March 01, 2008
3Q + COP e a saudade
Começou mais um semestre na faculdade, para mim, o último! E começou corrido, todas as disciplinas práticas, com aulas até o último minuto e a correria do trabalho de conclusão.
E me lembro, como se fosse ontem, do meu primeiro dia na Unisinos. Uma quinta-feira de manhã, calor, nublado, sala 3D 107, introdução ao jornalismo. A Tayza, a primeira colega com quem conversei, hoje faz administração. E nessas quintas feiras que aprendi a receita para fazer notícia, o essencial para um lead. 3Q + COP (Que, Quem, Quando, Como, Onde e Porque), teoricamente, uma boa notícia tem que responder a essas perguntas.
E nesses anos todos tive muitas descobertas, notas baixas, notas altas, já cheguei atrasada, matei aula, fiquei de bobeira no DCE, me perdi, não achei algum livro na biblioteca, tive medo de apresentar um trabalho, tive certeza que daria certo, fiquei na fila do DCE pra comprar quentão, assisti aos shows da calourada, participei de protesto contra o aumento da mensalidade, esqueci de pegar o texto no xérox, passei frio nos estúdios da TV, fui no laguinho, gravei uma rádio novela, almocei no restaurante universitário, perdi o último ônibus porque tava tomando cerveja no Rapach, entrei na sala errada, fugi dos quero-queros, me deparei com o lagarto, comi panqueca do Alemão, gravei um documentário, fui numa festa no matinho, comecei um curso no Unilínguas, paguei multa na biblioteca, fiquei presa no elevador, pensei em mudar de curso, pensei em largar tudo. E me dei conta que nem sempre o 3Q + COP é a única opção, às vezes é melhor se aprofundar no assunto.
Hoje, no último semestre, caminho nos corredores e conheço a maioria das pessoas. Não me perco mais. A Unisinos continua grande, mas seu tamanho não me assusta. Os professores, tão inteligentes, se tornaram colegas, nos lembram o tempo todo que “somos jornalistas”.
Ontem, numa sexta-feira, saindo apressada porque o professor liberou mais tarde, passei por uma sala vazia, onde estava escrito no quadro: 3Q + COP. Olhei para o lado e vi o espaço vazio que sobrou de um DCE incendiado. Me deu um nó na garganta e eu senti saudade. Antecipada. O que vem depois da temida banca e da esperada formatura? Ainda não sei, mas quando souber vou escrever uma matéria de primeira página, com um lead respondendo o 3Q + COP.
E me lembro, como se fosse ontem, do meu primeiro dia na Unisinos. Uma quinta-feira de manhã, calor, nublado, sala 3D 107, introdução ao jornalismo. A Tayza, a primeira colega com quem conversei, hoje faz administração. E nessas quintas feiras que aprendi a receita para fazer notícia, o essencial para um lead. 3Q + COP (Que, Quem, Quando, Como, Onde e Porque), teoricamente, uma boa notícia tem que responder a essas perguntas.
E nesses anos todos tive muitas descobertas, notas baixas, notas altas, já cheguei atrasada, matei aula, fiquei de bobeira no DCE, me perdi, não achei algum livro na biblioteca, tive medo de apresentar um trabalho, tive certeza que daria certo, fiquei na fila do DCE pra comprar quentão, assisti aos shows da calourada, participei de protesto contra o aumento da mensalidade, esqueci de pegar o texto no xérox, passei frio nos estúdios da TV, fui no laguinho, gravei uma rádio novela, almocei no restaurante universitário, perdi o último ônibus porque tava tomando cerveja no Rapach, entrei na sala errada, fugi dos quero-queros, me deparei com o lagarto, comi panqueca do Alemão, gravei um documentário, fui numa festa no matinho, comecei um curso no Unilínguas, paguei multa na biblioteca, fiquei presa no elevador, pensei em mudar de curso, pensei em largar tudo. E me dei conta que nem sempre o 3Q + COP é a única opção, às vezes é melhor se aprofundar no assunto.
Hoje, no último semestre, caminho nos corredores e conheço a maioria das pessoas. Não me perco mais. A Unisinos continua grande, mas seu tamanho não me assusta. Os professores, tão inteligentes, se tornaram colegas, nos lembram o tempo todo que “somos jornalistas”.
Ontem, numa sexta-feira, saindo apressada porque o professor liberou mais tarde, passei por uma sala vazia, onde estava escrito no quadro: 3Q + COP. Olhei para o lado e vi o espaço vazio que sobrou de um DCE incendiado. Me deu um nó na garganta e eu senti saudade. Antecipada. O que vem depois da temida banca e da esperada formatura? Ainda não sei, mas quando souber vou escrever uma matéria de primeira página, com um lead respondendo o 3Q + COP.
Saturday, February 23, 2008
Música linda!!!!!!!!!!!!!!!
De todas as canções que falam de amor, essa é para mim, a melhor de todas. É do Jacques Brel. No Brasil, a cantora Maysa foi uma das primeira a cantar. Em 2001, ficou conhecida na minissérie Presença de Anita, da Rede Globo.
Porque eu acho a melhor? Quem gostaria de cavar a terra para cobrir o corpo de um amor já morto? Quem acharia melhor se tornar a sombra de um cachorro a ser abandonada por um amor? Sem mais delongas, a música é linda porque é da mesma grandeza do amor.
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas- Não me deixe
Il faut oublier- Devemos esquecer
Tout peut s'oublier- Tudo pode ser esquecido
Qui s'enfuit déjà- Que já tenha passado
Oublier le temps- Esquecer os tempos
Des malentendus- Dos mal-entendidos
Et le temps perdu- E os tempos perdidos
A savoir comment- Tentando saber como
Oublier ces heures- Esquecer as horas
Qui tuaient parfois- Que as vezes mataram
A coups de pourquoi- Com sopros de porque
Le coeur du bonheure- O coração de felicidade
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Moi je t'offrirai- Eu vou te oferecer
Des perles et des pluie- Pérolas de chuva
Venues de pays- Que vêm dos países
Où il ne pleut pas- Onde não chove
Je creuserai la terre- Eu vou cavar a terra
Jusqu'après ma mort- Até a minha morte
Pour couvrir ton corps- Para cobrir teu corpo
D'or et de lumière- De ouro e luzes
Je ferai un domaine- Eu farei uma terra
Où l'amour sera roi- Onde o amor será rei
Où l'amour sera loi- Onde o amor será lei
Où tu seras reine- Onde tu serás rainha
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Je t'inventerai- Eu inventarei
Des mots insensés- Palavras sem sentido
Que tu comprendras- Que tu compreenderás
Je te parlerai- Eu te falarei
De ces amants-là- Sobre os amantes
Qui ont vu deux fois- Que viram duplamente
Leurs coeurs s'embraser- Seus corações incendiarem-se
Je te racontrai- Eu te contarei
L'histoire de ce roi- A história deste rei
Mort de n'avoir pas- Morto por não poder
Pu te rencontrer- Te reencontrar
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
On a vu souvent- Nós freqüentemente vemos
Rejaillir le feu- Renascer o fogo
De l'ancien volcan- Do vulcão antigo
Qu'on croyait trop vieux- Que pensamos estar velho demais
Il est paraît-il- Nos é mostrado
Des terres brûlées- Em terras que foram queimadas
Donnant plus de blé- Nascendo mais trigo
Qu'un meilleur avril- Do que no melhor abril
Et quand vient le soir- E quando vem a noite
Pour qu'un ciel flamboie- Com um céu flamejante
Le rouge et le noir- O vermelho e o negro
Ne s'épousent-ils pas- Não se casam
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Je ne vais plus pleurer- Eu não vou mais chorar
Je ne vais plus parler- Eu não vou mais falar
Je me cacherai là- Eu me esconderei lá
A te regarder- Para te contemplar
Danser et sourire- A dançar e sorrir
Et à t'écouter- E para te ouvir
Chanter et puis rire- Cantar e então rir
Laisse-moi devenir- Deixa que eu me torne
L'ombre de ton ombre- A sombra da tua sombra
L'ombre de ta main- A sombra da tua mão
L'ombre de ton chien- A sombra do teu cachorro
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Porque eu acho a melhor? Quem gostaria de cavar a terra para cobrir o corpo de um amor já morto? Quem acharia melhor se tornar a sombra de um cachorro a ser abandonada por um amor? Sem mais delongas, a música é linda porque é da mesma grandeza do amor.
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas- Não me deixe
Il faut oublier- Devemos esquecer
Tout peut s'oublier- Tudo pode ser esquecido
Qui s'enfuit déjà- Que já tenha passado
Oublier le temps- Esquecer os tempos
Des malentendus- Dos mal-entendidos
Et le temps perdu- E os tempos perdidos
A savoir comment- Tentando saber como
Oublier ces heures- Esquecer as horas
Qui tuaient parfois- Que as vezes mataram
A coups de pourquoi- Com sopros de porque
Le coeur du bonheure- O coração de felicidade
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Moi je t'offrirai- Eu vou te oferecer
Des perles et des pluie- Pérolas de chuva
Venues de pays- Que vêm dos países
Où il ne pleut pas- Onde não chove
Je creuserai la terre- Eu vou cavar a terra
Jusqu'après ma mort- Até a minha morte
Pour couvrir ton corps- Para cobrir teu corpo
D'or et de lumière- De ouro e luzes
Je ferai un domaine- Eu farei uma terra
Où l'amour sera roi- Onde o amor será rei
Où l'amour sera loi- Onde o amor será lei
Où tu seras reine- Onde tu serás rainha
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Je t'inventerai- Eu inventarei
Des mots insensés- Palavras sem sentido
Que tu comprendras- Que tu compreenderás
Je te parlerai- Eu te falarei
De ces amants-là- Sobre os amantes
Qui ont vu deux fois- Que viram duplamente
Leurs coeurs s'embraser- Seus corações incendiarem-se
Je te racontrai- Eu te contarei
L'histoire de ce roi- A história deste rei
Mort de n'avoir pas- Morto por não poder
Pu te rencontrer- Te reencontrar
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
On a vu souvent- Nós freqüentemente vemos
Rejaillir le feu- Renascer o fogo
De l'ancien volcan- Do vulcão antigo
Qu'on croyait trop vieux- Que pensamos estar velho demais
Il est paraît-il- Nos é mostrado
Des terres brûlées- Em terras que foram queimadas
Donnant plus de blé- Nascendo mais trigo
Qu'un meilleur avril- Do que no melhor abril
Et quand vient le soir- E quando vem a noite
Pour qu'un ciel flamboie- Com um céu flamejante
Le rouge et le noir- O vermelho e o negro
Ne s'épousent-ils pas- Não se casam
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Je ne vais plus pleurer- Eu não vou mais chorar
Je ne vais plus parler- Eu não vou mais falar
Je me cacherai là- Eu me esconderei lá
A te regarder- Para te contemplar
Danser et sourire- A dançar e sorrir
Et à t'écouter- E para te ouvir
Chanter et puis rire- Cantar e então rir
Laisse-moi devenir- Deixa que eu me torne
L'ombre de ton ombre- A sombra da tua sombra
L'ombre de ta main- A sombra da tua mão
L'ombre de ton chien- A sombra do teu cachorro
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Ne me quitte pas- Não me deixe
Thursday, February 14, 2008
Mais três pedidos
- Alguns livros na lista dos mais vendidos, uma carreira bem sucedida e mais três pedidos;
- Um amor que eu acredite, uma casa numa praia deserta e mais três pedidos;
- Uma noite com o Brad Pitt, um caso com o Wagner Moura e mais três pedidos;
- Um beijo apaixonado, um abraço apertado e mais três pedidos;
- Uma bunda sem celulite, chocolate que não engorda e mais três pedidos;
- Sorvete com negrinho e açaí na tigela para todos, colesterol baixo e mais três pedidos;
- Uma máquina de sorvete na minha casa, tempo de sobra para fazer o que eu quiser e mais três pedidos;
- Saltar de pára-quedas, ir até Ushuaia de moto e mais três pedidos
- Um coração sem mágoas e culpas, uma costa sem dor e mais três pedidos;
- Uma família com jeito de comercial de margarina, uma casa com uma árvore centenária no meio e mais três pedidos;
- Dançar nos Emirados Árabes, fazer boneco na neve e mais três pedidos;
- Seis meses no barco do Greenpeace, correr a São Silvestre e mais três pedidos;
- Uma viagem no espaço, um parque de diversões no jardim e mais três pedidos;
- Algodão doce vermelho, que salto alto não doa os pés e mais três pedidos;
- Um safári na África, um carro para rodar a Europa e mais três pedidos;
- Um retiro na Índia, desfilar numa escola de samba carioca e mais três pedidos;
- Praias sem poluição, rios limpos e mais três pedidos;
- Líderes com coração, políticos honestos e mais três pedidos;
- Crianças sem fome, adultos com emprego e a capacidade de reconhecer a felicidade.
Se um dia eu encontrar algum gênio da lâmpada, é isso que vou pedir!
- Um amor que eu acredite, uma casa numa praia deserta e mais três pedidos;
- Uma noite com o Brad Pitt, um caso com o Wagner Moura e mais três pedidos;
- Um beijo apaixonado, um abraço apertado e mais três pedidos;
- Uma bunda sem celulite, chocolate que não engorda e mais três pedidos;
- Sorvete com negrinho e açaí na tigela para todos, colesterol baixo e mais três pedidos;
- Uma máquina de sorvete na minha casa, tempo de sobra para fazer o que eu quiser e mais três pedidos;
- Saltar de pára-quedas, ir até Ushuaia de moto e mais três pedidos
- Um coração sem mágoas e culpas, uma costa sem dor e mais três pedidos;
- Uma família com jeito de comercial de margarina, uma casa com uma árvore centenária no meio e mais três pedidos;
- Dançar nos Emirados Árabes, fazer boneco na neve e mais três pedidos;
- Seis meses no barco do Greenpeace, correr a São Silvestre e mais três pedidos;
- Uma viagem no espaço, um parque de diversões no jardim e mais três pedidos;
- Algodão doce vermelho, que salto alto não doa os pés e mais três pedidos;
- Um safári na África, um carro para rodar a Europa e mais três pedidos;
- Um retiro na Índia, desfilar numa escola de samba carioca e mais três pedidos;
- Praias sem poluição, rios limpos e mais três pedidos;
- Líderes com coração, políticos honestos e mais três pedidos;
- Crianças sem fome, adultos com emprego e a capacidade de reconhecer a felicidade.
Se um dia eu encontrar algum gênio da lâmpada, é isso que vou pedir!
Saturday, February 09, 2008
O que eu tô fazendo aqui?
Eu não sei. Eu nunca soube responder a essa pergunta. Uma vez li que a gente tem que viver as perguntas e, se um dia conseguir, viver as respostas. Essa resposta, acho que não vou viver, porque simplesmente não entendo o que eu tô fazendo aqui!
O trabalho está fervendo, tudo normal, a correria de sempre (ou o marasmo de sempre), notícia para mandar para os jornais do interior, foto para selecionar, entrevistas para marcar... E de repente me pergunto o que eu tô fazendo ali!? Sim, trabalhando. Mas, o que mais?
Na academia, entre um exercício e outro. Tentando enrolar o professor para malhar mais pernas do que braço. Conversando com e um e com outro. Às vezes na posição mais imprópria e desconfortável do mundo, me pergunto o que eu faço ali!? Estaria ali apenas para ter uma bunda mais dura e uma barriga menor?
Tentando me concentrar na aula, sem ficar escrevendo nas últimas folhas do caderno, sem olhar todo minuto para o relógio, sem conversar demais... Ou simplesmente, concentrada numa aula, me vem a dúvida cruel: o que estou fazendo ali!? Não, eu não queria estar numa aula de fisiologia ou matemática avançada IV ou história do direito no antigo Egito. Estou onde queria estar. Mas o que, exatamente, faço ali?
Em festas é batata. Estou lá, entre uma música e outra, me dividindo entre o bar, a fila do banheiro e a pista de dança, mas já fico a espera desse momento. Porque esse pânico de “o que estou fazendo aqui” sempre surge nas festas. Eu não gosto muito de festas e nunca sei o que estou fazendo quando vou em alguma...
Até escrevendo. É sábado de noite, quase domingo, vou virar a madruga digitando algo que espero valer a leitura de alguém. Estou fazendo uma das coisas que eu mais gosto, ouvindo Nando Reis, um dos cantores que mais gosto, falando com uma amiga que amo no msn, pensando na próxima frase, torcendo para ela sair do jeito que eu gosto. Mas e daí? O que eu estou fazendo aqui? Escrevendo, mas e além disso?
O trabalho está fervendo, tudo normal, a correria de sempre (ou o marasmo de sempre), notícia para mandar para os jornais do interior, foto para selecionar, entrevistas para marcar... E de repente me pergunto o que eu tô fazendo ali!? Sim, trabalhando. Mas, o que mais?
Na academia, entre um exercício e outro. Tentando enrolar o professor para malhar mais pernas do que braço. Conversando com e um e com outro. Às vezes na posição mais imprópria e desconfortável do mundo, me pergunto o que eu faço ali!? Estaria ali apenas para ter uma bunda mais dura e uma barriga menor?
Tentando me concentrar na aula, sem ficar escrevendo nas últimas folhas do caderno, sem olhar todo minuto para o relógio, sem conversar demais... Ou simplesmente, concentrada numa aula, me vem a dúvida cruel: o que estou fazendo ali!? Não, eu não queria estar numa aula de fisiologia ou matemática avançada IV ou história do direito no antigo Egito. Estou onde queria estar. Mas o que, exatamente, faço ali?
Em festas é batata. Estou lá, entre uma música e outra, me dividindo entre o bar, a fila do banheiro e a pista de dança, mas já fico a espera desse momento. Porque esse pânico de “o que estou fazendo aqui” sempre surge nas festas. Eu não gosto muito de festas e nunca sei o que estou fazendo quando vou em alguma...
Até escrevendo. É sábado de noite, quase domingo, vou virar a madruga digitando algo que espero valer a leitura de alguém. Estou fazendo uma das coisas que eu mais gosto, ouvindo Nando Reis, um dos cantores que mais gosto, falando com uma amiga que amo no msn, pensando na próxima frase, torcendo para ela sair do jeito que eu gosto. Mas e daí? O que eu estou fazendo aqui? Escrevendo, mas e além disso?
Thursday, February 07, 2008
Chance
Eu tinha 5 anos, estava na pré-escola, falava errado e chorava todo dia que meu pai parava com o carro na frente da escolinha. Ele se chamava Gustavo, estava no jardim, tinha uma cor dourada, um sorriso lindo, uma roupa do Batman... Foi a primeira vez que prestei atenção no sexo oposto. Mas o Gustavo gostava da Bárbara, minha melhor amiga do pré. Ela fazia balé, pintava os desenhos sem borrar, era filha única e não chorava. Sempre antes de começar a aula, o Gustavo pedia para eu trocar de lugar com ele, assim ficava do lado da Bárbara. E mesmo gostando dele, eu trocava.
Na segunda série eu gostava do Bruno, continuava falando errado e mal abria a boca para responder a chamada. Ele era meu vizinho, jogava futebol tão bem que participava de campeonatos, era filho de militar e carioca. Mas o Bruno gostava da Lidiane, que era a dona do título de “Garota da Escola”, jogava vôlei, queria ser modelo e não era gordinha como eu. Um dia, o pai dele foi transferido e o Bruno foi a minha casa se despedir e pedir para eu entregar uma carta dele para a Lidi. Mesmo gostando dele, eu entreguei.
O Rafael já tinha 11 anos na quarta série, era sobrinho da diretora do colégio e usava calças jeans. O Rafa gostava da Jéssica, da quinta série, que usava calça de cintura baixa e salto alto, só que a Jéssica estava praticamente rodada em português. Enquanto eu tinha 10 em português, apesar de ainda falar errado e ser a minha mãe que ainda escolhia minhas roupas. Um dia teve um concurso de redação para o jornalzinho da escola e para ajudar a Jéssica, ele pediu para eu escrever uma redação para ela. Mesmo gostando dele, eu escrevi. E perdi o meu primeiro prêmio jornalístico.
Eu não falava mais errado, mas me sentia uma aberração por nunca ter beijado na boca com 14 anos. O colégio inteiro sabia que eu gostava do Guilherme, da oitava série. Ele era fera em matemática, não precisava ir nas educações físicas porque já jogava no time do colégio. Mas o Gui gostava da Michele, que tinha seios e sabia rebolar e dançar as músicas do É o Tchan. Um dia, na festinha de São João, ele veio falar comigo. Até hoje lembro da sensação do meu coração quase saindo pela boca. O Gui veio pedi para eu marcar um encontro entre ele e a Michele. E mesmo gostando dele, eu marquei.
Na segunda série eu gostava do Bruno, continuava falando errado e mal abria a boca para responder a chamada. Ele era meu vizinho, jogava futebol tão bem que participava de campeonatos, era filho de militar e carioca. Mas o Bruno gostava da Lidiane, que era a dona do título de “Garota da Escola”, jogava vôlei, queria ser modelo e não era gordinha como eu. Um dia, o pai dele foi transferido e o Bruno foi a minha casa se despedir e pedir para eu entregar uma carta dele para a Lidi. Mesmo gostando dele, eu entreguei.
O Rafael já tinha 11 anos na quarta série, era sobrinho da diretora do colégio e usava calças jeans. O Rafa gostava da Jéssica, da quinta série, que usava calça de cintura baixa e salto alto, só que a Jéssica estava praticamente rodada em português. Enquanto eu tinha 10 em português, apesar de ainda falar errado e ser a minha mãe que ainda escolhia minhas roupas. Um dia teve um concurso de redação para o jornalzinho da escola e para ajudar a Jéssica, ele pediu para eu escrever uma redação para ela. Mesmo gostando dele, eu escrevi. E perdi o meu primeiro prêmio jornalístico.
Eu não falava mais errado, mas me sentia uma aberração por nunca ter beijado na boca com 14 anos. O colégio inteiro sabia que eu gostava do Guilherme, da oitava série. Ele era fera em matemática, não precisava ir nas educações físicas porque já jogava no time do colégio. Mas o Gui gostava da Michele, que tinha seios e sabia rebolar e dançar as músicas do É o Tchan. Um dia, na festinha de São João, ele veio falar comigo. Até hoje lembro da sensação do meu coração quase saindo pela boca. O Gui veio pedi para eu marcar um encontro entre ele e a Michele. E mesmo gostando dele, eu marquei.
Tuesday, February 05, 2008
Gosto
De Ramones e Bob Marley. De Bonde do Rolê e Fito Paez. De Beatles e Cássia Eller. Da Magali e da Fiona. De negrinho com sorvete e banana com bolacha Maria. De pão de queijo e feijão velhos. De sábado e domingo. De Nick Carter e Leonardo DiCaprio. De bolinhas de sabão e malabáris. De algodão doce e churros. De açaí sem granola e cachorro-quente sem salsicha. De ler e escrever. De novelas das 21h e Fantástico. De Sartre e Jostein Gaarder. De Simone de Beauvoir e Claúdia Tajes. De “O Dia do Curinga” e “Feliz Ano Velho”. De balas vermelhas e roupas azuis. De sorvete de chocolate e flocos. De site de fofoca e de literatura. De borboletas e fadas. De estrelas e lua. De café amargo e leite frio. De banho quente e toalha seca. De ler jornal e revista. De tatuagens e piercings. De praia e trilha. De “Uma Linda Mulher” e “Quase Famosos”. De bolsas e sapatos. De artesanato e bijuterias. De poesias e crônicas. De dormir tarde e acordar tarde. De histórias de amor e crimes passionais. De piadas e senso de humor inteligente. De caminhar e de correr. De dançar e de malhar. De dormir só de calcinha no frio e com edredom até no calor. De botas de plataforma e sandálias de salto fino. De mini-saia e batas. De shampoo e condicionador. De trabalho e férias. De feriado e cinema. De chuva e vento. De andar de meia e pé no chão...
Fazer o quê? Gosto não se discute...
Fazer o quê? Gosto não se discute...
Sunday, February 03, 2008
Tudo bem
Porque a gente lembra de certas coisas?
E de certas pessoas?
Saco! Na verdade, verdadeira. Lá bem no fundinho. Eu dispensava uma carreira bem sucedida, uma gorda conta bancária, um amor que valesse a pena, etc...
Eu só queria esquecer!!!!!!!!!!!!
Tudo bem - Lulu Santos e Nelson Motta
Já não tenho dedos pra contar
De quantos barrancos despenquei
E quantas pedras me atiraram
Ou quantas atirei
Tanta farpa tanta mentira
Tanta falta do que dizer
Nem sempre é "so easy" se viver
Hoje eu não consigo mais me lembrar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão
Eu já deixei
Tantos bons quanto maus motivos
Tantas vezes desilusão
E quase
Quase nunca a vida é um balão
Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
É encostar no seu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem
tudo bem
Já não tenho dedos pra contar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão
Eu já deixei
Tantos bons quanto maus motivos
Tantas vezes desilusão
E quase
Quase nunca a vida é um balão
Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
É encostar no seu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem
Tudo bem, tudo bem
E de certas pessoas?
Saco! Na verdade, verdadeira. Lá bem no fundinho. Eu dispensava uma carreira bem sucedida, uma gorda conta bancária, um amor que valesse a pena, etc...
Eu só queria esquecer!!!!!!!!!!!!
Tudo bem - Lulu Santos e Nelson Motta
Já não tenho dedos pra contar
De quantos barrancos despenquei
E quantas pedras me atiraram
Ou quantas atirei
Tanta farpa tanta mentira
Tanta falta do que dizer
Nem sempre é "so easy" se viver
Hoje eu não consigo mais me lembrar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão
Eu já deixei
Tantos bons quanto maus motivos
Tantas vezes desilusão
E quase
Quase nunca a vida é um balão
Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
É encostar no seu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem
tudo bem
Já não tenho dedos pra contar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão
Eu já deixei
Tantos bons quanto maus motivos
Tantas vezes desilusão
E quase
Quase nunca a vida é um balão
Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
É encostar no seu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem
Tudo bem, tudo bem
Wednesday, January 30, 2008
O que eu vou ser quando eu crescer
Desde criança quero ser jornalista. Mas sempre tive outras opções, veterinária, professora, aeromoça, artesã, socióloga, médica, escritora... Agora que sou jornalista (ainda não me formei, mas como trabalho com isso, já me considero), sei que o jornalismo é cruel.
Ainda é meu sonho, mas agora real. E a realidade de fazer reportagens, ouvir fontes, diagramar, fazer realeses, mandar realises, fazer clipagem, editar... Cansa e se torna banal, comum. Perdeu a fantasia do sonho, ganhou a dureza da realidade.
Então eu penso, se um dia tiver que escolher outra profissão? Lembro das opções que tinha quando criança. Veterinária: não. Desisti da idéia quando me dei conta que os bicinhos chegariam até mim com problemas e não sadios, como eu gosto de vê-los.
Professora: só se for na faculdade. É lindo, divino ensinar crianças e adolescentes, mas não é para mim. Aeromoça: não tenho mais tempo para seguir carreira e nem altura para começar. Nem sempre somos do tamanho dos nossos desejos. Artesã: não levo jeito, atividades manuais não são pra mim, embora já tenha tentado muitas vezes. Prefiro fazer artes com as letras.
Socióloga: acho muito bacana. Queria trabalhar na ONU, até me dar conta que a ONU é uma entidade manipulada e com seus ideais falidos. Médica: só se fosse para trabalhar nos Médicos sem Fronteiras. Mas é muito difícil passar no vestibular e se não entendi os tais de logaritmos, parábolas, elementos orgânicos e inorgânicos até agora, não entendo mais...
Não me sobrou muitas opções... Então, quando eu crescer vou ser escritora, assim posso escrever sobre todas as coisas que eu gostaria de ser. Até lá eu vou brincando.
Ainda é meu sonho, mas agora real. E a realidade de fazer reportagens, ouvir fontes, diagramar, fazer realeses, mandar realises, fazer clipagem, editar... Cansa e se torna banal, comum. Perdeu a fantasia do sonho, ganhou a dureza da realidade.
Então eu penso, se um dia tiver que escolher outra profissão? Lembro das opções que tinha quando criança. Veterinária: não. Desisti da idéia quando me dei conta que os bicinhos chegariam até mim com problemas e não sadios, como eu gosto de vê-los.
Professora: só se for na faculdade. É lindo, divino ensinar crianças e adolescentes, mas não é para mim. Aeromoça: não tenho mais tempo para seguir carreira e nem altura para começar. Nem sempre somos do tamanho dos nossos desejos. Artesã: não levo jeito, atividades manuais não são pra mim, embora já tenha tentado muitas vezes. Prefiro fazer artes com as letras.
Socióloga: acho muito bacana. Queria trabalhar na ONU, até me dar conta que a ONU é uma entidade manipulada e com seus ideais falidos. Médica: só se fosse para trabalhar nos Médicos sem Fronteiras. Mas é muito difícil passar no vestibular e se não entendi os tais de logaritmos, parábolas, elementos orgânicos e inorgânicos até agora, não entendo mais...
Não me sobrou muitas opções... Então, quando eu crescer vou ser escritora, assim posso escrever sobre todas as coisas que eu gostaria de ser. Até lá eu vou brincando.
Tuesday, January 29, 2008
Quando não vale a pena
A história é simples. Num final de semana na Guarda do Embaú, eu e meus primos resolvemos conhecer o “famoso” Vale da Utopia. Famoso porque muita gente falava de lá, de como era lindo, tranqüilo, sossegado, astral, que o pessoal acampava, etc...
Fomos. Sobe morro, desce morro... Na maior expectativa pelo Vale, que a essas alturas, já chamávamos de Encantado. Caminhamos e caminhamos... Passamos por uma prainha pequena, com o mar mexido demais para banho, muita pedras. Sem sinal de gente por lá. Nada demais, apenas mais uma prainha. Seguimos.
Nos perdemos. Fomos sair na Praia de Cima, na Pinheira. Erramos o caminho em algum lugar, em algum morro... Nessas alturas, cansados, com sede, depois de horas de caminhada, tínhamos certeza de estávamos em busca de um Vale Perdido.
Como quem tem boca vai a Roma. Perguntamos para um, para outro. Caminhamos mais um pouco, subimos mais um morro e achamos o tal Vale. Que para a nossa surpresa, ou decepção, era aquela prainha pequena, com mar mexido. Nada demais.
Rimos com a certeza de que, na verdade, aquilo era o Vale das Ilusões. Não ficamos quinze minutos ali. Ao menos tinha uma fonte com água. E resignados, voltamos. Sobe morro, desce morro... Estávamos cansados, mas pior que o cansaço era a incomoda impressão de que não tinha valido a pena. Que o esforço foi em vão.
Passado alguns dias, mas ainda com dores nas pernas, fico pensando no nome do Vale, que só fui saber quando voltei de lá. Utopia. Não conheço alguém que não tenha gostado daquele lugar, só nos. Deve ter mais, com certeza. Mas gosto da Utopia. Porque na verdade, o que tornam as coisas utópicas, não é a realidade que vivemos e encontramos nas andanças pelo mundo. A utopia se esconde nas expectativas que criamos.
Fomos. Sobe morro, desce morro... Na maior expectativa pelo Vale, que a essas alturas, já chamávamos de Encantado. Caminhamos e caminhamos... Passamos por uma prainha pequena, com o mar mexido demais para banho, muita pedras. Sem sinal de gente por lá. Nada demais, apenas mais uma prainha. Seguimos.
Nos perdemos. Fomos sair na Praia de Cima, na Pinheira. Erramos o caminho em algum lugar, em algum morro... Nessas alturas, cansados, com sede, depois de horas de caminhada, tínhamos certeza de estávamos em busca de um Vale Perdido.
Como quem tem boca vai a Roma. Perguntamos para um, para outro. Caminhamos mais um pouco, subimos mais um morro e achamos o tal Vale. Que para a nossa surpresa, ou decepção, era aquela prainha pequena, com mar mexido. Nada demais.
Rimos com a certeza de que, na verdade, aquilo era o Vale das Ilusões. Não ficamos quinze minutos ali. Ao menos tinha uma fonte com água. E resignados, voltamos. Sobe morro, desce morro... Estávamos cansados, mas pior que o cansaço era a incomoda impressão de que não tinha valido a pena. Que o esforço foi em vão.
Passado alguns dias, mas ainda com dores nas pernas, fico pensando no nome do Vale, que só fui saber quando voltei de lá. Utopia. Não conheço alguém que não tenha gostado daquele lugar, só nos. Deve ter mais, com certeza. Mas gosto da Utopia. Porque na verdade, o que tornam as coisas utópicas, não é a realidade que vivemos e encontramos nas andanças pelo mundo. A utopia se esconde nas expectativas que criamos.
Sunday, January 20, 2008
LINDO!!!!!!!!!!
Lindo esse e-mail que recebi de uma amiga... Desses amores todos, o que sempre tenho é a esperança. O que, infelizmente, tenho é o orgulho. E a única vez que me apaixonei, acabei odiando e doente... Mas com muito sacrifício, estou tentando renunciar a esse ódio. Então hoje, além de trabalhar muito, eu sigo filosofando uma razão para essa loucura que é a vida.
Vida - É o amor existencial.
Razão - É o amor que pondera.
Estudo - É o amor que analisa.
Ciência - É o amor que investiga.
Filosofia - É o amor que pensa.
Religião - É o amor que busca a Deus.
Verdade - É o amor que eterniza.
Ideal - É o amor que se eleva.
Fé - É o amor que transcende.
Esperança - É o amor que sonha.
Caridade - É o amor que auxilia.
Fraternidade - É o amor que se expande.
Sacrifício - É o amor que se esforça.
Renúncia - É o amor que depura.
Simpatia - É o amor que sorri.
Trabalho - É o amor que constrói.
Indiferença - É o amor que se esconde.
Desespero - É o amor que se desgoverna.
Paixão - É o amor que se desequilibra.
Ciúme - É o amor que se desvaira.
Orgulho - É o amor que enlouquece.
Sensualismo - É o amor que se envenena.
Finalmente, o ódio, que julgas ser a antítese do amor, não é senão o próprio amor que adoeceu gravemente.
Vida - É o amor existencial.
Razão - É o amor que pondera.
Estudo - É o amor que analisa.
Ciência - É o amor que investiga.
Filosofia - É o amor que pensa.
Religião - É o amor que busca a Deus.
Verdade - É o amor que eterniza.
Ideal - É o amor que se eleva.
Fé - É o amor que transcende.
Esperança - É o amor que sonha.
Caridade - É o amor que auxilia.
Fraternidade - É o amor que se expande.
Sacrifício - É o amor que se esforça.
Renúncia - É o amor que depura.
Simpatia - É o amor que sorri.
Trabalho - É o amor que constrói.
Indiferença - É o amor que se esconde.
Desespero - É o amor que se desgoverna.
Paixão - É o amor que se desequilibra.
Ciúme - É o amor que se desvaira.
Orgulho - É o amor que enlouquece.
Sensualismo - É o amor que se envenena.
Finalmente, o ódio, que julgas ser a antítese do amor, não é senão o próprio amor que adoeceu gravemente.
Thursday, January 17, 2008
Mudanças
Eu como carne, às vezes, mas como e ano Frango Xadrez. Eu detesto academia. Não gosto de crianças e não quero me casar. Eu sou dura como uma porta e não sei dançar nada. Espanhol não me interessa. Gosto de dormir até o meio da tarde. Eu não acredito em Deus.
A pessoa do parágrafo a cima, sou eu. Ou era, uma Renata de 10 anos atrás, talvez mais, talvez menos...
Eu sou vegetariana, não me lembro mais o gosto de um Frango Xadrez. Adoro lasanha de berinjela. Vou para a academia todos os dias, quando isso não acontece, me sinto culpada por abandonar meus pesinhos. Acho crianças interessantes e quero me casar e construir uma vida ao lado de alguém. Faço dança do ventre e me dei conta que dançar é só questão de treino. Preciso hablar spañol e a Espanha anda povoando meus sonhos. Prefiro acordar cedo para aproveitar bem o dia. Eu acredito em Deus e o temo, pois sou a prova que ele existe.
A pessoa desse parágrafo também sou eu. Agora. A Renata de hoje. Falta de personalidade, de coerência? Não. Normal, com todas as pessoas desse mundo que se pegam fazendo coisas que nunca imaginaram.
Nem tudo mudou, ainda leio gibi, como negrinho, flocos é o meu sorvete preferido... E talvez isso nem seja mudança. Seja apenas uma adaptação. Adaptação à vida. Sim, dá para viver sem carne, eu consigo dançar e vou aprender espanhol.
Posso descobrir que minha alegria se esconde numa pousada perdida no cantinho mais ao sul da Bahia. Quem sabe vire esquimó. Posso voltar a fazer cursinho e tentar passar em medicina na UFRGS. Morar na Colina do Sol e passar o resto da vida sem roupa. Me case com um sheik árabe e me tornar uma perua que usa calça de pele de boi, bolsa de cobra, sapato de jacaré...
Sim, tudo pode acontecer. O que não pode acontecer é o nada. É pararmos no tempo ou não assimila que o tempo passa e certas mudanças são necessárias. Outras acontecem tão naturalmente que nem nos damos conta. Quando percebemos estamos fazendo o que julgávamos ser impossível. E não é. É real, é natural, é mutável, é humano.
"Sábias são as pessoas que sabem viver. Tolo é aquele que, tendo defendido tese sobre barcos e mapas, não sonha com horizontes, não planeja viagens, não imagina portos. Anda sempre em terra firme por medo de naufrágio."
Rubem Alves
A pessoa do parágrafo a cima, sou eu. Ou era, uma Renata de 10 anos atrás, talvez mais, talvez menos...
Eu sou vegetariana, não me lembro mais o gosto de um Frango Xadrez. Adoro lasanha de berinjela. Vou para a academia todos os dias, quando isso não acontece, me sinto culpada por abandonar meus pesinhos. Acho crianças interessantes e quero me casar e construir uma vida ao lado de alguém. Faço dança do ventre e me dei conta que dançar é só questão de treino. Preciso hablar spañol e a Espanha anda povoando meus sonhos. Prefiro acordar cedo para aproveitar bem o dia. Eu acredito em Deus e o temo, pois sou a prova que ele existe.
A pessoa desse parágrafo também sou eu. Agora. A Renata de hoje. Falta de personalidade, de coerência? Não. Normal, com todas as pessoas desse mundo que se pegam fazendo coisas que nunca imaginaram.
Nem tudo mudou, ainda leio gibi, como negrinho, flocos é o meu sorvete preferido... E talvez isso nem seja mudança. Seja apenas uma adaptação. Adaptação à vida. Sim, dá para viver sem carne, eu consigo dançar e vou aprender espanhol.
Posso descobrir que minha alegria se esconde numa pousada perdida no cantinho mais ao sul da Bahia. Quem sabe vire esquimó. Posso voltar a fazer cursinho e tentar passar em medicina na UFRGS. Morar na Colina do Sol e passar o resto da vida sem roupa. Me case com um sheik árabe e me tornar uma perua que usa calça de pele de boi, bolsa de cobra, sapato de jacaré...
Sim, tudo pode acontecer. O que não pode acontecer é o nada. É pararmos no tempo ou não assimila que o tempo passa e certas mudanças são necessárias. Outras acontecem tão naturalmente que nem nos damos conta. Quando percebemos estamos fazendo o que julgávamos ser impossível. E não é. É real, é natural, é mutável, é humano.
"Sábias são as pessoas que sabem viver. Tolo é aquele que, tendo defendido tese sobre barcos e mapas, não sonha com horizontes, não planeja viagens, não imagina portos. Anda sempre em terra firme por medo de naufrágio."
Rubem Alves
Wednesday, January 16, 2008
A louca do cobertor e outras espécies...
Excursão. Um friozinho suportável dentro do ônibus, por causa do ar. Nada que um casaquinho não resolvesse. Até que acordo com um grito de um ser que, por azar, sentava perto de mim.
- Se não desligar o ar, eu desço agora!
Como ela era uma louca e com loucos é melhor concordar, o ar foi desligado. O resultado: mais de trinta pessoas passam calor por causa da louca do cobertor.
Depois de tudo isso, ainda levaram um cobertor para a louca. Nessas noites frias que vem fazendo...
Trem quase lotado. Lá pelas 15 horas. Um menina, de no máximo 7 anos, brinca no corrimão do trem, bem no meio vagão. Brinca? Não. Literalmente, se esfrega. Roda de um lado para o outro, se mexe de um lado para o outro, rebola, sobe, desce... Dá um show no meio do vagão. Enquanto a mãe dela conversa animadamente e não se dá conta do futuro promissor da filha...
O homem entra no táxi e grita:
- Segue aquele carro!!!
O motorista se sente num filme americano que está passando na tela quente e segue o primeiro carro que vê. Roda a cidade inteira. O tal carro pára, o táxi pára. O passageiro sai, paga a passagem e agradece. O motorista fica sem entender o enredo do filme...
Início de uma madrugada. A mulher está se preparando para ir para a cama, quando se depara com uma barata. Sua primeira reação é gritar. Depois de partir para o ataque se esgoelando, vença a batalha. Claro que a essas alturas, o marido já acordou...
Batem na porta. É o vizinho.
- Seu Zé, lembra aquela extensão que você me pediu emprestado...? Está tudo bem?
- Se não desligar o ar, eu desço agora!
Como ela era uma louca e com loucos é melhor concordar, o ar foi desligado. O resultado: mais de trinta pessoas passam calor por causa da louca do cobertor.
Depois de tudo isso, ainda levaram um cobertor para a louca. Nessas noites frias que vem fazendo...
Trem quase lotado. Lá pelas 15 horas. Um menina, de no máximo 7 anos, brinca no corrimão do trem, bem no meio vagão. Brinca? Não. Literalmente, se esfrega. Roda de um lado para o outro, se mexe de um lado para o outro, rebola, sobe, desce... Dá um show no meio do vagão. Enquanto a mãe dela conversa animadamente e não se dá conta do futuro promissor da filha...
O homem entra no táxi e grita:
- Segue aquele carro!!!
O motorista se sente num filme americano que está passando na tela quente e segue o primeiro carro que vê. Roda a cidade inteira. O tal carro pára, o táxi pára. O passageiro sai, paga a passagem e agradece. O motorista fica sem entender o enredo do filme...
Início de uma madrugada. A mulher está se preparando para ir para a cama, quando se depara com uma barata. Sua primeira reação é gritar. Depois de partir para o ataque se esgoelando, vença a batalha. Claro que a essas alturas, o marido já acordou...
Batem na porta. É o vizinho.
- Seu Zé, lembra aquela extensão que você me pediu emprestado...? Está tudo bem?
Saturday, January 12, 2008
Eu amo uma mulher
O texto abaixo não é meu. E da Tati Bernardi. Uma publicitária e escritora paulista que eu adoro. Como achei esse texto incrível, tomei a liberdade de reproduzir no meu blog.
Foi andando na praia que eu me apaixonei por ela. Saiu esbravejando de dentro de uma casa e no minuto depois estava se derretendo por um desses bebezinhos pelados que ficam pulando quando vêem uma onda.
Eu pensei: “Quem em sã consciência arma a maior encrenca com os amigos e segundos depois é capaz de uma doçura que chega a ser até meio boba?”. Ela deveria ser especial, dessas mulheres difíceis de amar e impossíveis de não amar.
Corri para andar ao seu lado e vi que no mesmo iPod ela tinha Beethoven e Bonde do Rolê. E tinha também Vinicius de Moraes e Gui Borato. E tinha Madeleine Peyroux e Miss Kittin. Não sei, mas pensei: “Nenhum dia ao lado dela deve ser chato. Ainda que ela deva sofrer um pouco com seus pêndulos de humor, gosto e trilha”.
Pelo jeito como ela olhava para as pessoas, eu via a arrogância menos perigosa do mundo. Aquele tipo de olhar que pode te matar, mas, caso você resolva retribuir com um abraço, pode dar a própria vida por um pouco de amor.
Seus passos duros eram de uma mulher decidida, mas também de uma mulher com medo de amolecer a postura e trazer à tona alguns defeitos do corpo. Uma mulher tão comum e ao mesmo tempo tão mais mulher que aquelas outras mulheres com seus banais desejos praianos e acompanhadas de seus banais amigos com desejos praianos. Ela passava pelas pessoas e era como se estremecesse todas as idéias que precisam ser leves por causa do sol forte.
E eu só conseguia ter o ímpeto de gostar cada vez mais dessa mulher. Gostar do seu biquíni do verão passado porque o da moda estava molhado. Gostar que ela falou para os amigos, antes de sair para caminhar na praia, que estava cansada de buscar gente bacana e de verdade. E todo mundo riu dela. E ela se sentiu sozinha feito um urso polar hibernando. E o sol era de 40 graus.
E ela estava arrependida, afinal, eram férias e ela não deveria ter brigado novamente com o mundo. Por que não deixar o mundo ser como era e fim de papo? E aceitar que ela era mesmo meio esquisita e que, fora raros momentos em que os outros ficavam mais loucos ou ela mais normal, ela se sentiria sozinha mesmo. E pronto.
Aí o sol foi baixando, baixando, baixando. E sua guarda seguiu com a vida. E ela foi aceitando todas as pessoas. O sorveteiro mala que buzinava, a babá de cara amarrada, a garota malhada demais, o pai de família olhando pra trás pra ver sua bunda. E foi gostando de cada um de seus amigos, por mais que eles, muitas vezes, falassem alto demais, fossem pães-duros demais, gostassem de vê-la se dando mal, fossem egoístas demais, dormissem demais. Eles não eram perfeitos, mas quem disse que ela era?
E ela foi gostando de tudo, até de mim, que não sou muito fácil de gostar. Quando olhou seu rosto refletido no mar, me deu até um sorriso.
Foi andando na praia que eu me apaixonei por ela. Saiu esbravejando de dentro de uma casa e no minuto depois estava se derretendo por um desses bebezinhos pelados que ficam pulando quando vêem uma onda.
Eu pensei: “Quem em sã consciência arma a maior encrenca com os amigos e segundos depois é capaz de uma doçura que chega a ser até meio boba?”. Ela deveria ser especial, dessas mulheres difíceis de amar e impossíveis de não amar.
Corri para andar ao seu lado e vi que no mesmo iPod ela tinha Beethoven e Bonde do Rolê. E tinha também Vinicius de Moraes e Gui Borato. E tinha Madeleine Peyroux e Miss Kittin. Não sei, mas pensei: “Nenhum dia ao lado dela deve ser chato. Ainda que ela deva sofrer um pouco com seus pêndulos de humor, gosto e trilha”.
Pelo jeito como ela olhava para as pessoas, eu via a arrogância menos perigosa do mundo. Aquele tipo de olhar que pode te matar, mas, caso você resolva retribuir com um abraço, pode dar a própria vida por um pouco de amor.
Seus passos duros eram de uma mulher decidida, mas também de uma mulher com medo de amolecer a postura e trazer à tona alguns defeitos do corpo. Uma mulher tão comum e ao mesmo tempo tão mais mulher que aquelas outras mulheres com seus banais desejos praianos e acompanhadas de seus banais amigos com desejos praianos. Ela passava pelas pessoas e era como se estremecesse todas as idéias que precisam ser leves por causa do sol forte.
E eu só conseguia ter o ímpeto de gostar cada vez mais dessa mulher. Gostar do seu biquíni do verão passado porque o da moda estava molhado. Gostar que ela falou para os amigos, antes de sair para caminhar na praia, que estava cansada de buscar gente bacana e de verdade. E todo mundo riu dela. E ela se sentiu sozinha feito um urso polar hibernando. E o sol era de 40 graus.
E ela estava arrependida, afinal, eram férias e ela não deveria ter brigado novamente com o mundo. Por que não deixar o mundo ser como era e fim de papo? E aceitar que ela era mesmo meio esquisita e que, fora raros momentos em que os outros ficavam mais loucos ou ela mais normal, ela se sentiria sozinha mesmo. E pronto.
Aí o sol foi baixando, baixando, baixando. E sua guarda seguiu com a vida. E ela foi aceitando todas as pessoas. O sorveteiro mala que buzinava, a babá de cara amarrada, a garota malhada demais, o pai de família olhando pra trás pra ver sua bunda. E foi gostando de cada um de seus amigos, por mais que eles, muitas vezes, falassem alto demais, fossem pães-duros demais, gostassem de vê-la se dando mal, fossem egoístas demais, dormissem demais. Eles não eram perfeitos, mas quem disse que ela era?
E ela foi gostando de tudo, até de mim, que não sou muito fácil de gostar. Quando olhou seu rosto refletido no mar, me deu até um sorriso.
Thursday, January 10, 2008
Reserva social
No post abaixo eu esqueci de dizer que sou uma criatura muito estranha. Talvez eu estivesse de bom humor quando escrevi ou não estava sentido a quase constante sensação de que sou um ser de outro planeta, com um enorme buraco dentro.
Eu gosto de ficar sozinha. Sempre gostei. Mas ultimamente, essa solidão me incomoda. Sinto vergonha de ir no cinema sozinha, o que sempre fiz, porque qualquer pirralha de 12 anos vai com um exemplar do sexo oposto. Encarar uma fila quilométrica para ver alguma banda de rock, só se estiver acompanhada. Nada mais de pegar ônibus, descer numa cidade estranha, ficar na fila, entrar numa roda punk e voltar, tão sozinha quanto fui.
Eu sou independente, mas sozinha. Sim, tenho amigos. Mas ninguém chega perto do vazio que me corrói. Nem quando resolvo sair da casca um pouco. Vou para a festa e está tudo bem até o lugar ficar lotado, as pessoas passarem por mim e quase levarem meu piercing e meu silicone junto. Até vim um ser com ar de cerveja tentando me agarrar e eu ter que fugir, porque eu vou para a balada por vários motivo e nenhum deles, é beijar.
Nessas horas eu lembro que o melhor a ser feito num sábado à noite e ficar em casa comigo mesma e ler um livrinho. Mas nessas horas o vazio fica cutucando: “Por que você não sai? Ô estranha?” E eu me sinto mal e estranha e sozinha.
Comecei até a tomar um floral para isso. Um com a essência de Water Violet, uma florzinha rara que dá na água e parece uma violeta. Ele é indicado para pessoas com reservas sócias, o que segundo a terapeuta é meu caso. Não, não acho que algumas gotinhas por dia vá me transformar na pessoa mais extrovertida do mundo, na mais baladeira de todas, me por na lista das top 10. Apenas quero que o meu vazio aceite me fazer companhia sem ficar me lembrando o tempo todo de sua existência.
Eu gosto de ficar sozinha. Sempre gostei. Mas ultimamente, essa solidão me incomoda. Sinto vergonha de ir no cinema sozinha, o que sempre fiz, porque qualquer pirralha de 12 anos vai com um exemplar do sexo oposto. Encarar uma fila quilométrica para ver alguma banda de rock, só se estiver acompanhada. Nada mais de pegar ônibus, descer numa cidade estranha, ficar na fila, entrar numa roda punk e voltar, tão sozinha quanto fui.
Eu sou independente, mas sozinha. Sim, tenho amigos. Mas ninguém chega perto do vazio que me corrói. Nem quando resolvo sair da casca um pouco. Vou para a festa e está tudo bem até o lugar ficar lotado, as pessoas passarem por mim e quase levarem meu piercing e meu silicone junto. Até vim um ser com ar de cerveja tentando me agarrar e eu ter que fugir, porque eu vou para a balada por vários motivo e nenhum deles, é beijar.
Nessas horas eu lembro que o melhor a ser feito num sábado à noite e ficar em casa comigo mesma e ler um livrinho. Mas nessas horas o vazio fica cutucando: “Por que você não sai? Ô estranha?” E eu me sinto mal e estranha e sozinha.
Comecei até a tomar um floral para isso. Um com a essência de Water Violet, uma florzinha rara que dá na água e parece uma violeta. Ele é indicado para pessoas com reservas sócias, o que segundo a terapeuta é meu caso. Não, não acho que algumas gotinhas por dia vá me transformar na pessoa mais extrovertida do mundo, na mais baladeira de todas, me por na lista das top 10. Apenas quero que o meu vazio aceite me fazer companhia sem ficar me lembrando o tempo todo de sua existência.
Friday, January 04, 2008
Muito prazer,
sei que estou atrasada. Estava na praia e confesso, estava com preguiça também. Já que vamos ter que conviver por um ano, inclusive com um dia a mais, é bom você me conhecer.
Terá dias que eu irei te amar, outros te odiar, como foi na sua primeira madrugada... Aquela viagem de 10 horas que se transformou em 20 por causa do trânsito, foi infernal e me deixou com uma péssima impressão.
Mas acredito que isso seja passageiro. Você tem bastante tempo para me provar o contrário. Em agosto, você terá todas as chances de se redimir. Meu aniversário e minha formatura. Quero uma distinção no TCC, uma baita festa, chorar sem borrar a maquiagem, um dia com temperatura amena para eu poder usar um vestido aberto nas costas... E principalmente, um emprego após pegar o canudo.
Algumas vezes vou acordar me odiando. Vou me olhar no espelho e me achar bonitinha, noutros terei a certeza de que sou a mais feia das criaturas que habitam o sistema solar. E na grande maioria dos dias, vou me sentir sozinha. E muitas vezes vou desejar ter alguém para enche o buraco que carrego...
Vou comer negrinho todos os dias, ou em quase todos, mas irei compensar nas festinhas. Vou me estressar, vou querer dormir, vou querer me apaixonar sem sofrer, vou ficar ansiosa, vou brigar, espernear e depois pedir desculpas. Vou no cinema algumas vezes e comerei muitas tortas de sorvete. Irei recusar ofertas de carnes e churrascos e tentar explicar que prefiro ficar lendo em casa do que sair para a balada.
Vou conhecer pessoas novas, sentir falta de outras. Querer tá perto. Chorar antes de dormir. Fazer contas para economizar. Pensar para que país irei quando você acabar. Me apaixonar por uma música bem bobinha que depois não vou poder nem escutar. Espero ler bons livros. Dançar mais, correr mais, estudar mais e me esbaldar depois que terminar a facul.
E depois de algumas coisas previsíveis e outras surpreendentes, vou me pagar pensando em tudo que fiz e quando chegar a hora de trocar o calendário, terei a certeza de que você passou voando.
Terá dias que eu irei te amar, outros te odiar, como foi na sua primeira madrugada... Aquela viagem de 10 horas que se transformou em 20 por causa do trânsito, foi infernal e me deixou com uma péssima impressão.
Mas acredito que isso seja passageiro. Você tem bastante tempo para me provar o contrário. Em agosto, você terá todas as chances de se redimir. Meu aniversário e minha formatura. Quero uma distinção no TCC, uma baita festa, chorar sem borrar a maquiagem, um dia com temperatura amena para eu poder usar um vestido aberto nas costas... E principalmente, um emprego após pegar o canudo.
Algumas vezes vou acordar me odiando. Vou me olhar no espelho e me achar bonitinha, noutros terei a certeza de que sou a mais feia das criaturas que habitam o sistema solar. E na grande maioria dos dias, vou me sentir sozinha. E muitas vezes vou desejar ter alguém para enche o buraco que carrego...
Vou comer negrinho todos os dias, ou em quase todos, mas irei compensar nas festinhas. Vou me estressar, vou querer dormir, vou querer me apaixonar sem sofrer, vou ficar ansiosa, vou brigar, espernear e depois pedir desculpas. Vou no cinema algumas vezes e comerei muitas tortas de sorvete. Irei recusar ofertas de carnes e churrascos e tentar explicar que prefiro ficar lendo em casa do que sair para a balada.
Vou conhecer pessoas novas, sentir falta de outras. Querer tá perto. Chorar antes de dormir. Fazer contas para economizar. Pensar para que país irei quando você acabar. Me apaixonar por uma música bem bobinha que depois não vou poder nem escutar. Espero ler bons livros. Dançar mais, correr mais, estudar mais e me esbaldar depois que terminar a facul.
E depois de algumas coisas previsíveis e outras surpreendentes, vou me pagar pensando em tudo que fiz e quando chegar a hora de trocar o calendário, terei a certeza de que você passou voando.
Friday, December 28, 2007
Saidera
Esse é o último post do ano. E esse, com certeza, não foi o ano que mais escrevi, mas foi o que mais mostrei o que escrevi!
Então, para 2008 que eu escreva mais, mostre mais e você, me leie mais. 2007 foi ótimo, podia ser melhor. Mas a lista de coisas boas supera as de coisas ruins e no final é isso que importa. Não só no fim do ano, mas durante toda a vida.
2007 começou com festa para o Dani e a Tati e terminou com a festão de 80 anos do meu avô. Comecei o ano ganhando um peito e termino ganhando um sobrinho torto. Comecei com um emprego e acabo com outro. Há 12 meses não tava na praia e agoa estou indo para uma ilha. Em dezembro de 2006, tinha uma cunhada, hoje, tenho outra. Em janeiro fará, exatamente, um ano que a Boa Nova apareceu e agora, sei que foi a melhor boa nova!
Em 2007 oscilei muito entre o pânico e a euforia. Larguei a terapia e os antidepressivos. Cai em tentação algumas vezes e, sinceramente, quero cair mais em 2008. Comi mais besteiras, o que me rendeu alguns quilos a mais. Gostaria de comer mais besteiras não engordativas (será que existem?) Dancei muito, quero dançar mais...
E já que estamos todos no mesmo barco. Que o ano que vem seja iluminado, que valha a pena todos os segundos que serão vividos.
E que venha a Ilha do Mel. Que venha a formatura. Que venha um emprego depois do canudo. Que venha muita praia com a água azul. Que venha muita risada. E que 2008 venha fervendo!
Então, para 2008 que eu escreva mais, mostre mais e você, me leie mais. 2007 foi ótimo, podia ser melhor. Mas a lista de coisas boas supera as de coisas ruins e no final é isso que importa. Não só no fim do ano, mas durante toda a vida.
2007 começou com festa para o Dani e a Tati e terminou com a festão de 80 anos do meu avô. Comecei o ano ganhando um peito e termino ganhando um sobrinho torto. Comecei com um emprego e acabo com outro. Há 12 meses não tava na praia e agoa estou indo para uma ilha. Em dezembro de 2006, tinha uma cunhada, hoje, tenho outra. Em janeiro fará, exatamente, um ano que a Boa Nova apareceu e agora, sei que foi a melhor boa nova!
Em 2007 oscilei muito entre o pânico e a euforia. Larguei a terapia e os antidepressivos. Cai em tentação algumas vezes e, sinceramente, quero cair mais em 2008. Comi mais besteiras, o que me rendeu alguns quilos a mais. Gostaria de comer mais besteiras não engordativas (será que existem?) Dancei muito, quero dançar mais...
E já que estamos todos no mesmo barco. Que o ano que vem seja iluminado, que valha a pena todos os segundos que serão vividos.
E que venha a Ilha do Mel. Que venha a formatura. Que venha um emprego depois do canudo. Que venha muita praia com a água azul. Que venha muita risada. E que 2008 venha fervendo!
Monday, December 24, 2007
Natal
Então é Natal, para a minha tristeza... Ô data que acho depressiva... Então não vou escrever nada. A mensagem abaixo é de um autor desconhecido. Linda. E um feliz Natal para quem curte ou não. Mas que todos se lembrem do aniversariante.
MEU ANIVERSÁRIO
Como você sabe, está chegando novamente a data de meu aniversário. Todos os anos fazem festa em minha honra e creio que este ano acontecerá a mesma coisa.
Nesses dias as pessoas fazem muitas compras. O rádio e a TV fazem centenas de anúncios. Por todo canto não se fala de outra coisa a não ser dos preparativos para o grande dia. É bom saber que ao menos um dia por ano algumas pessoas pensam um pouco em mim.
Como você sabe, há muitos anos começaram a festejar meu aniversário. No começo, pareciam compreender e agradecer o que fiz por eles, mas hoje em dia, ninguém sabe por que razão o celebram. As pessoas se reúnem e se divertem muito, mas não sabem do que se trata...
Estou me lembrando do ano passado: ao chegar o dia do meu aniversário, fizeram uma grande festa em minha honra. Havia coisas deliciosas na mesa, tudo estava decorado e havia muitos presentes... Mas sabe de uma coisa? Não me convidaram! Eu era o convidado de honra e ninguém se lembrou de me convidar! A festa era para mim e quando chegou o grande dia, fecharam a porta na minha cara. Bem que eu queria partilhar a mesa com eles...
A verdade não me surpreendeu porque, nos últimos anos, muitos me fecham a porta. Como não me convidaram, ocorreu-me entrar sem fazer ruído. Entrei e fiquei num cantinho. Estavam todos brindando, alguns já estavam embriagados, contando piadas, rindo, divertindo-se. Foi quando chegou um velho gordo, vestido de vermelho, com barba branca e gritando: Ho! Ho! Ho!. Parecia ter bebido demais... Deixou-se cair pesadamente numa cadeira e todos correram para ele dizendo: Papai Noel! Papai Noel! Como se a festa fosse dele!
Quando chegou meia-noite, todos começaram a abraçar-se. Eu estendi meus braços esperando que alguém me abraçasse... Quer saber? Ninguém me abraçou. De repente, todos começaram a entregar presentes. Um a um, os pacotes foram sendo abertos. Cheguei perto para ver se, por acaso, havia algum para mim? Nada!
O que você sentiria se no dia de seu aniversário todos se presenteassem e não dessem nenhum presente para você?? Compreendi, então, que estava sobrando na festa... Saí sem fazer barulho, fechei a porta, fui embora... Cada ano que passa é pior: as pessoas só se lembram da ceia, dos presentes, das festas... De mim ninguém lembra.
Gostaria que, neste Natal, você me permitisse entrar em sua vida, reconhecendo que há mais de dois mil anos vim ao mundo para lhe dar minha vida na cruz e, assim, poder salvá-lo. Hoje só quero que acredites nisso com todo seu coração...
Vou lhe dizer uma coisa:- Já que muitos não me convidam para a festa que fazem, vou fazer minha própria festa. Uma festa grandiosa como ninguém jamais fez, uma festa espetacular. Estou nos últimos preparativos e expedindo os convites. Este é especial para você. Só quero que você me diga se virá. Reservarei um lugar para você e incluirei seu nome na lista dos que confirmaram... Os que não aceitarem, ficarão de fora. Prepare-se porque quando tudo estiver pronto, quando menos se esperar, darei minha grande festa.
Não se esqueça de enviar este convite também aos seus amigos... Assim como você é especial para mim, com certeza existem vários amigos que são especiais pra você. Desta maneira vamos fazer uma festa com os “especiais”, afinal, muitos serão convidados mas poucos serão "escolhidos”, sabe por que? Porque, infelizmente, poucos aceitarão o convite.
Jesus
MEU ANIVERSÁRIO
Como você sabe, está chegando novamente a data de meu aniversário. Todos os anos fazem festa em minha honra e creio que este ano acontecerá a mesma coisa.
Nesses dias as pessoas fazem muitas compras. O rádio e a TV fazem centenas de anúncios. Por todo canto não se fala de outra coisa a não ser dos preparativos para o grande dia. É bom saber que ao menos um dia por ano algumas pessoas pensam um pouco em mim.
Como você sabe, há muitos anos começaram a festejar meu aniversário. No começo, pareciam compreender e agradecer o que fiz por eles, mas hoje em dia, ninguém sabe por que razão o celebram. As pessoas se reúnem e se divertem muito, mas não sabem do que se trata...
Estou me lembrando do ano passado: ao chegar o dia do meu aniversário, fizeram uma grande festa em minha honra. Havia coisas deliciosas na mesa, tudo estava decorado e havia muitos presentes... Mas sabe de uma coisa? Não me convidaram! Eu era o convidado de honra e ninguém se lembrou de me convidar! A festa era para mim e quando chegou o grande dia, fecharam a porta na minha cara. Bem que eu queria partilhar a mesa com eles...
A verdade não me surpreendeu porque, nos últimos anos, muitos me fecham a porta. Como não me convidaram, ocorreu-me entrar sem fazer ruído. Entrei e fiquei num cantinho. Estavam todos brindando, alguns já estavam embriagados, contando piadas, rindo, divertindo-se. Foi quando chegou um velho gordo, vestido de vermelho, com barba branca e gritando: Ho! Ho! Ho!. Parecia ter bebido demais... Deixou-se cair pesadamente numa cadeira e todos correram para ele dizendo: Papai Noel! Papai Noel! Como se a festa fosse dele!
Quando chegou meia-noite, todos começaram a abraçar-se. Eu estendi meus braços esperando que alguém me abraçasse... Quer saber? Ninguém me abraçou. De repente, todos começaram a entregar presentes. Um a um, os pacotes foram sendo abertos. Cheguei perto para ver se, por acaso, havia algum para mim? Nada!
O que você sentiria se no dia de seu aniversário todos se presenteassem e não dessem nenhum presente para você?? Compreendi, então, que estava sobrando na festa... Saí sem fazer barulho, fechei a porta, fui embora... Cada ano que passa é pior: as pessoas só se lembram da ceia, dos presentes, das festas... De mim ninguém lembra.
Gostaria que, neste Natal, você me permitisse entrar em sua vida, reconhecendo que há mais de dois mil anos vim ao mundo para lhe dar minha vida na cruz e, assim, poder salvá-lo. Hoje só quero que acredites nisso com todo seu coração...
Vou lhe dizer uma coisa:- Já que muitos não me convidam para a festa que fazem, vou fazer minha própria festa. Uma festa grandiosa como ninguém jamais fez, uma festa espetacular. Estou nos últimos preparativos e expedindo os convites. Este é especial para você. Só quero que você me diga se virá. Reservarei um lugar para você e incluirei seu nome na lista dos que confirmaram... Os que não aceitarem, ficarão de fora. Prepare-se porque quando tudo estiver pronto, quando menos se esperar, darei minha grande festa.
Não se esqueça de enviar este convite também aos seus amigos... Assim como você é especial para mim, com certeza existem vários amigos que são especiais pra você. Desta maneira vamos fazer uma festa com os “especiais”, afinal, muitos serão convidados mas poucos serão "escolhidos”, sabe por que? Porque, infelizmente, poucos aceitarão o convite.
Jesus
Saturday, December 15, 2007
Cem anos
Hoje, o arquiteto Oscar Niemeyer completa cem anos. Sei pouco sobre ele. Sei que construiu Brasília, a Pampulha, que é comunista, que fez obras importantes no mundo todo, que é idolatrado na França, que foi exilado durante a ditadura...
Não sou sua fã e estou longe de ser uma conhecedora de arquitetura. O que me leva a escrever esse texto é o homem Oscar Niemeyer. Um visionário. Um ousado. Porque fazer cem anos hoje é uma ousadia. Talvez não seja para a minha geração, que vive ouvindo falar da longevidade e que cada vez será mais fácil chegar aos cem. Mas nascer em 1907 e chegar em 2007 é ousadia.
Hoje, o arquiteto recebeu inúmeras homenagens. As curvas, características de suas obras revolucionárias, foram lembradas e ovacionadas. A história de um artista que já viveu muita história foi contada e recontada. Mas fico me perguntando, o que será que se passa na cabeça de Oscar Niemeyer hoje? Sei que ele declarou que “cem anos é uma bobagem.”
Grande homem, talvez seja por isso que simpatizo com ele. Porque há lucidez, clareza, sinceridade e ironia nesses cem anos. Como todo bom visionário, aos cem, ele segue fazendo planos. Porque o tempo parece não atingir aqueles que ousam viver sempre à frente do seu tempo.
“O ideal é cada um procurar o seu caminho e fazer o que gosta.” Oscar Niemeyer
Não sou sua fã e estou longe de ser uma conhecedora de arquitetura. O que me leva a escrever esse texto é o homem Oscar Niemeyer. Um visionário. Um ousado. Porque fazer cem anos hoje é uma ousadia. Talvez não seja para a minha geração, que vive ouvindo falar da longevidade e que cada vez será mais fácil chegar aos cem. Mas nascer em 1907 e chegar em 2007 é ousadia.
Hoje, o arquiteto recebeu inúmeras homenagens. As curvas, características de suas obras revolucionárias, foram lembradas e ovacionadas. A história de um artista que já viveu muita história foi contada e recontada. Mas fico me perguntando, o que será que se passa na cabeça de Oscar Niemeyer hoje? Sei que ele declarou que “cem anos é uma bobagem.”
Grande homem, talvez seja por isso que simpatizo com ele. Porque há lucidez, clareza, sinceridade e ironia nesses cem anos. Como todo bom visionário, aos cem, ele segue fazendo planos. Porque o tempo parece não atingir aqueles que ousam viver sempre à frente do seu tempo.
“O ideal é cada um procurar o seu caminho e fazer o que gosta.” Oscar Niemeyer
Thursday, December 13, 2007
Aventuras de uma foca*
Um lindo dia de sol, céu azul, a temperatura promete elevar-se... Um excelente dia para uma foca estar na praia. Mas a foca tem que acompanhar uma manifestação de professores. E ela acompanha de fato. Caminha os 12 quilômetros da passeata debaixo do sol escaldante. Caminha e colhe informações. Caminha mais rápido para bater uma foto. Caminha e conversa com um. Caminha e ouve outro. Caminha e atende o celular. Caminha e escreve alguma coisa. Caminha e deseja ter mais uma mão para carregar uma garrafinha d’água...
Chuva torrencial. Ventos. E a previsão do tempo promete granizo. A foca tem que cobrir um ato público em defesa de uma estatal. A foca espera os manifestantes se organizarem. Já desistiu de não se molhar, tenta apenas não molhar a máquina fotográfica. Falta mão para segurar sombrinha, caneta, bloco, gravador e máquina. Depois de horas de espera, os manifestantes desistem do ato devido ao mau tempo...
A foca tem que entrar ao vivo na rádio. O ministro está chegando. Atrasado, como todo o político, mas está chegando. Mais alguns minutinhos. Ela só precisa fazer uma pergunta. Tômara que ele chegue no exato momento que ela possa entrar na rádio. Se conseguir trocar mais de meia dúzia de palavras com ele, pode pedir para esperar alguns minutos, até ter a deixa inicial. Chega a informação de que o ministro entrou pela porta lateral...
A foca foi processada porque deu informações erradas. Matou quem ainda não morreu. Divulgou que o político da oposição é a favor do governo. Escreveu Webber com V. Trocou duas letras. Ressuscitou quem já estava descansando em paz. Trocou o nome do entrevistado. Anotou a placa do carro errado. Confundiu suspeito e culpado. Chamou padre de pastor, e pastor de estelionatário. Mandou a entrevista para o e-mail errado. Perdeu o telefone da fonte. Esqueceu a pauta...
A foca tem apenas uma hora para achar um engenheiro florestal especialista em cactos texanos para uma matéria sobre vegetais raros em extinção. A foca tem apenas dois dias para convencer punks e skin heads a posarem juntos para um editorial de moda. A foca tem menos de meia hora para agendar uma entrevista com a última celebridade da hora, sem nem ter o nome do seu assessor. A foca tem dez minutos para entrar no rádio ao vivo, entrevistando em inglês, um economista árabe especialista em neoliberalismo. E consegue. Porque as focas sempre conseguem tudo e, depois, ainda batem palmas.
* “Foca” é o termo usado para designar jornalistas em início de carreira.
Chuva torrencial. Ventos. E a previsão do tempo promete granizo. A foca tem que cobrir um ato público em defesa de uma estatal. A foca espera os manifestantes se organizarem. Já desistiu de não se molhar, tenta apenas não molhar a máquina fotográfica. Falta mão para segurar sombrinha, caneta, bloco, gravador e máquina. Depois de horas de espera, os manifestantes desistem do ato devido ao mau tempo...
A foca tem que entrar ao vivo na rádio. O ministro está chegando. Atrasado, como todo o político, mas está chegando. Mais alguns minutinhos. Ela só precisa fazer uma pergunta. Tômara que ele chegue no exato momento que ela possa entrar na rádio. Se conseguir trocar mais de meia dúzia de palavras com ele, pode pedir para esperar alguns minutos, até ter a deixa inicial. Chega a informação de que o ministro entrou pela porta lateral...
A foca foi processada porque deu informações erradas. Matou quem ainda não morreu. Divulgou que o político da oposição é a favor do governo. Escreveu Webber com V. Trocou duas letras. Ressuscitou quem já estava descansando em paz. Trocou o nome do entrevistado. Anotou a placa do carro errado. Confundiu suspeito e culpado. Chamou padre de pastor, e pastor de estelionatário. Mandou a entrevista para o e-mail errado. Perdeu o telefone da fonte. Esqueceu a pauta...
A foca tem apenas uma hora para achar um engenheiro florestal especialista em cactos texanos para uma matéria sobre vegetais raros em extinção. A foca tem apenas dois dias para convencer punks e skin heads a posarem juntos para um editorial de moda. A foca tem menos de meia hora para agendar uma entrevista com a última celebridade da hora, sem nem ter o nome do seu assessor. A foca tem dez minutos para entrar no rádio ao vivo, entrevistando em inglês, um economista árabe especialista em neoliberalismo. E consegue. Porque as focas sempre conseguem tudo e, depois, ainda batem palmas.
* “Foca” é o termo usado para designar jornalistas em início de carreira.
Friday, December 07, 2007
Dois sisos e uma raridade
- Isso é uma raridade! Só uma entre umas 500 mil pessoas têm!
A raridade é dois dentes sisos no mesmo lugar, que mal cabe um. A dona da raridade sou eu! Ouvi isso do meu dentista hoje, tenho dois sisos. O de cima tá tranqüilo, mas o de baixo quer sair e não consegue. Logo, dói. Para resolver o caso raríssimo só com cirurgia, mas hospitalar, pois o caso é sério, advertiu o homem que olhava abismado para a chapa do raio X. Na saída ele disse: “ao menos você é uma raridade”.
Mal sabe ele, que eu sempre ouvi isso. Mais, eu mesma sou uma raridade. Ninguém acreditava que eu iria sobreviver ao derrame que minha mãe teve quando era um amontoado de células, de três meses, dentro dela. Sobrevivi e já nasci sendo um milagre, uma raridade. Até hoje tenho tias que se emocionam com essa história.
Tinha uma professora que falava que eu era um caso raro, pois ela achava absurdo sua aluna mais tímida e quieta ter convicção que seria jornalista. Um vizinho maconheiro já falou para a minha mãe que eu era uma pessoa rara, porque não fumava maconha, mesmo sendo criada no meio de fumantes das mais variadas ervas.
Até a psicóloga deu um diagnóstico de que era raro uma pessoa ter sido criada com tanta liberdade e não ter se perdido por aí. Quando eu estava com um monte de hippie tomando chá de cogumelo na Pedra do Urubu, ouvi de um deles (ou do além) que era raro uma patricinha gaúcha curtir chá de cogumelo...
Ser uma raridade nunca foi novidade para mim. E eu até gosto disso, faz bem ao meu ego leonino. Mas hoje saindo daquele consultório desejei não ter essa gloriosa condição de raridade e ter um siso só!
A raridade é dois dentes sisos no mesmo lugar, que mal cabe um. A dona da raridade sou eu! Ouvi isso do meu dentista hoje, tenho dois sisos. O de cima tá tranqüilo, mas o de baixo quer sair e não consegue. Logo, dói. Para resolver o caso raríssimo só com cirurgia, mas hospitalar, pois o caso é sério, advertiu o homem que olhava abismado para a chapa do raio X. Na saída ele disse: “ao menos você é uma raridade”.
Mal sabe ele, que eu sempre ouvi isso. Mais, eu mesma sou uma raridade. Ninguém acreditava que eu iria sobreviver ao derrame que minha mãe teve quando era um amontoado de células, de três meses, dentro dela. Sobrevivi e já nasci sendo um milagre, uma raridade. Até hoje tenho tias que se emocionam com essa história.
Tinha uma professora que falava que eu era um caso raro, pois ela achava absurdo sua aluna mais tímida e quieta ter convicção que seria jornalista. Um vizinho maconheiro já falou para a minha mãe que eu era uma pessoa rara, porque não fumava maconha, mesmo sendo criada no meio de fumantes das mais variadas ervas.
Até a psicóloga deu um diagnóstico de que era raro uma pessoa ter sido criada com tanta liberdade e não ter se perdido por aí. Quando eu estava com um monte de hippie tomando chá de cogumelo na Pedra do Urubu, ouvi de um deles (ou do além) que era raro uma patricinha gaúcha curtir chá de cogumelo...
Ser uma raridade nunca foi novidade para mim. E eu até gosto disso, faz bem ao meu ego leonino. Mas hoje saindo daquele consultório desejei não ter essa gloriosa condição de raridade e ter um siso só!
Wednesday, December 05, 2007
Personal personality
Outro dia li uma reportagem que falava sobre o personal paquera. O personal paquera é o profissional que ensina alguém a conquistar uma pessoa. Na matéria tinha até uma das lições: olhe nos olhos da pessoa desejada, desvie o olhar por três segundos (apenas três, pois você corre o risco de não conquistar quem deseja por ter desviado o olhar por tempo demais ou de menos!), depois volte a olhar para outra parte do corpo da pessoa...
E a lição seguia. Como se fosse um manual de instruções. Mas além desse personal, temos muito outros. Tem o personal trainner, um professor de ginástica particular. O personal stylist, que ensina as pessoas a se vestirem. O personal dieter, que acompanha o cliente no supermercado, para ensiná-lo a comprar alimentos saudáveis. O personal chef, que cozinha para pequenos que grupos que não querem ir a restaurantes. O personal Ipod, que baixa as músicas da Internet para o dono do Ipod.
Esses são apenas alguns exemplos. Deve ter inúmeros profissionais, que parecem ter saído dos livros de auto-ajuda, por aí e cada um com uma função mais bizarra que a outra. Não sei quando a onda por personais começou. Sei que foi nos Estados Unidos, alegando falta de tempo, os americanos pagam para alguém dar um jeito na sua vida. E importamos essa mania para cá.
Mas será necessário? Precisamos pagar para alguém nos dizer o que comer, o que vestir? E quem paga por esses serviços, será que é por necessidade ou para aparecer com um personal-sei-lá-o-quê? Nada contra com esses profissionais, até porque todos precisam ganhar a vida e eles são espertos, não dá para negar.
Pelo visto, logo teremos o peronal personality, alguém que irá nos dizer como ter personalidade, como agir, como falar, como pensar, como se portar... Como se necessitássemos de um manual de instruções. Agora, se o serviço não der certo, iremos reclamar para Procon?
E a lição seguia. Como se fosse um manual de instruções. Mas além desse personal, temos muito outros. Tem o personal trainner, um professor de ginástica particular. O personal stylist, que ensina as pessoas a se vestirem. O personal dieter, que acompanha o cliente no supermercado, para ensiná-lo a comprar alimentos saudáveis. O personal chef, que cozinha para pequenos que grupos que não querem ir a restaurantes. O personal Ipod, que baixa as músicas da Internet para o dono do Ipod.
Esses são apenas alguns exemplos. Deve ter inúmeros profissionais, que parecem ter saído dos livros de auto-ajuda, por aí e cada um com uma função mais bizarra que a outra. Não sei quando a onda por personais começou. Sei que foi nos Estados Unidos, alegando falta de tempo, os americanos pagam para alguém dar um jeito na sua vida. E importamos essa mania para cá.
Mas será necessário? Precisamos pagar para alguém nos dizer o que comer, o que vestir? E quem paga por esses serviços, será que é por necessidade ou para aparecer com um personal-sei-lá-o-quê? Nada contra com esses profissionais, até porque todos precisam ganhar a vida e eles são espertos, não dá para negar.
Pelo visto, logo teremos o peronal personality, alguém que irá nos dizer como ter personalidade, como agir, como falar, como pensar, como se portar... Como se necessitássemos de um manual de instruções. Agora, se o serviço não der certo, iremos reclamar para Procon?
Thursday, November 29, 2007
A celebração da memória
Essa reportagem foi feita por mim e pelas queridas colegas e jornalistas Ana Carolina Rodrigues e Roberta Emanuela Lampert. O texto está na edição nº 28 da revista Primeira Impressão, que teve como tema "Comemorações". Aqui o texto está na íntegra.
O primeiro sorriso, o primeiro passo, a primeira palavra, o primeiro aninho; o primeiro dia na escola, o primeiro dez... Esses são alguns dos momentos felizes e empolgantes que acontecem nos primeiros anos de vida de alguém. Depois vem os melhores amigos, o namoro, o primeiro emprego, a entrada na faculdade, o casamento, os filhos e a vida vai se encaminhando, cheia de sonhos, objetivos, metas a cumprir e você se sente meio interrogativo com certas coisas que lhe acontecem, apesar de saber que todas elas, invariavelmente, fazem parte de sua jornada. Existem momentos em que experimentamos sensações tão maravilhosas que parece que estamos flutuando de emoção. Ficamos alegres, risonhos, não cabemos no nosso corpo de tanto contentamento. Sem dúvida, a alegria de viver momentos que nos tiram o fôlego, de sentir o coração pulsando forte ou o corpo tomado de arrepios e sensações gostosas são alguns dos ingredientes que mexem com nossas emoções.
Saboreamos esses efeitos agradáveis constantemente e por esse e outros motivos, tendemos a comemorar. Mas, por que comemoramos?
A professora do curso de Comunicação da Unisinos e psicóloga Susana Gib Azevedo acredita que isso ocorre porque envolve prazer, satisfação, sendo que, em geral, pode se referir a uma meta ou objetivo alcançado. Em verdade, a necessidade de comemorar é aprendida no social e são feitas associações com esses momentos significativos do indivíduo.
Embora seja excitante, extasiante comemorar, existem pessoas que reagem a diversas situações da mesma maneira: ficando inertes. Segundo a psicóloga, isso pode ocorrer quando as pessoas não foram estimuladas a comemorar ou quando interpretam as situações e acontecimentos como obrigações e não como conquistas. Ela afirma que o aspecto sócio-cultural influencia comportamentos, porém, não se pode esquecer que as pessoas têm diferenças individuais em diversas dimensões, conforme processam as informações recebidas.
Não é difícil encontrar pessoas que aparentam ser apáticas com as situações que se passam em suas vidas, que parecem não sentir, não se importar. Contudo, conforme explica Susana, cada pessoa comemora do seu jeito. No entanto, emoções são inerentes ao ser humano e qualquer situação ou fato pode promover emoções que motivam o indivíduo. É preciso ressaltar também que há várias formas de extravasar, não somente através de comemorações.
Um pouco de história
Esses ritos, além de marcarem uma conquista ou um momento na vida de um indivíduo, são muito mais importantes do que imaginamos, pois retratam a identidade cultural de uma sociedade e revelam muito de seu povo. Acredita-se que as comemorações iniciaram com os povos antigos que cultivavam o hábito de louvar a chegada da colheita, comemorando. Também comemoravam a troca das estações, pois as consideram mudanças de ciclos, importante para uma colheita farta. Desde então, para muitos, comemoração é sinônimo de objetivo alcançado. As bruxas também comemoravam os ciclos da lua e festejam com a natureza, o simples fato de viverem.
O Brasil sempre foi apontado como um povo festeiro. Apesar de suas mazelas, os brasileiros não abrem mão de comemorar e festejar, prova disto é o carnaval, que mobiliza o país inteiro e transforma todos em foliões. E ao longo da história, o Brasil, assim como o mundo, sofreu grandes transformações. Passamos pela monarquia, república, encaramos uma ditadura, até chegarmos na atual democracia, porém, nunca deixamos de comemorar.
Fora as tradicionais datas festivas, comemoradas no mundo inteiro, buscamos comemorações próprias, que resgatem a nossa história e nos devolvam sentimentos muitas vezes enfraquecidos, como o patriotismo, sempre exaltado na Semana da Pátria e em época de Copa do Mundo. O historiador de Canoas Marcelo Demetrio cita a comemoração dos 500 anos do Brasil como um grande fato que teve muitas influências, tanto na área política quanto na cultural, pois foram realizados eventos alusivos à data em todo o Brasil. Segundo ele, o pai das comemorações e dos festejos do país foi Getúlio Vargas. “Provavelmente se não fosse pela influência do governo Vargas não faríamos comemorações em nosso país”, declara.
Além disso, Demétrio destaca que as comemorações estão diretamente ligadas a dois marcos políticos da história do país no período de 1930 a 1964. “Entre a década de 30 e 50 o presidente da República, o gaúcho Getúlio Vargas com sua política nacionalista e ditatorial, inclui as políticas culturais e educativas. Existia a disciplina de Moral Cívica nas escolas, que tinha como objetivo instruir os alunos a dar um significado para as grandes façanhas da história do país. Seu governo foi um dos mais longos do Brasil. Ele conseguiu fazer com que os alunos dessa década fossem educados de uma forma bem diferente dos dias de atuais, dando mais valor para a história”, conclui.
Mitologia
As comemorações além de marcarem a história de um país, também servem como marco na vida pessoal dos seres humanos, que sempre procuram dar um sentido especial
à vida e eternizar momentos e conquistas. Para o professor de História de uma escola de Porto Alegre Gilson Gruginskie, a existência humana necessita de justificativas que respondam a imprevisibilidade da vida. Gruginskie faz uma comparação com o mito de Ariadne.
Conforme a mitologia, Teseu, um jovem herói ateniense, sabendo que a sua cidade deveria pagar a Creta um tributo anual, com sete rapazes e sete moças, para serem entregues ao insaciável Minotauro, que se alimentava de carne humana, solicitou ser incluído entre eles. Em Creta, encontrando-se com Ariadne, a filha do rei Minos recebeu dela um novelo que deveria desenrolar ao entrar no labirinto, onde o Minotauro vivia encerrado, para encontrar a saída. Teseu adentrou o labirinto, matou o Minotauro e, com a ajuda do fio que desenrolara, encontrou o caminho de volta.
“O novelo de Ariadne é repleto de expectativas, assim como a vida. Como os fios que serviram para desvendar os caminhos do labirinto, a humanidade desenvolve linhas de questionamentos que denunciam uma trilha de um percurso temporal. Realiza perguntas do presente sobre o passado, virando-se para trás com olhares que já determinam uma leitura de um mundo que nunca houve. Assim, constituímos mitos fundadores de sociedades, etnias e culturas”, acredita. Para ele, festejar é um rito que fornece significação, constrói uma memória e sustenta as utopias de cada um. “Mais que uma história oficial, as comemorações de datas ou acontecimentos estabelece os nexos necessários para o fortalecimento de identidade”, completa.
O primeiro sorriso, o primeiro aninho, o primeiro dia na escola, o primeiro dez, uma viagem com os amigos, o namoro, o primeiro emprego, a entrada na faculdade, a formatura, o casamento, o aniversário dos filhos... São momentos especiais na vida de qualquer pessoa, que se tornam ainda mais especiais quando festejados com uma comemoração histórica. Comemorações que dão sentido para a história pessoal de qualquer indivíduo e, coletivamente, dão sentido para a história do mundo.
O primeiro sorriso, o primeiro passo, a primeira palavra, o primeiro aninho; o primeiro dia na escola, o primeiro dez... Esses são alguns dos momentos felizes e empolgantes que acontecem nos primeiros anos de vida de alguém. Depois vem os melhores amigos, o namoro, o primeiro emprego, a entrada na faculdade, o casamento, os filhos e a vida vai se encaminhando, cheia de sonhos, objetivos, metas a cumprir e você se sente meio interrogativo com certas coisas que lhe acontecem, apesar de saber que todas elas, invariavelmente, fazem parte de sua jornada. Existem momentos em que experimentamos sensações tão maravilhosas que parece que estamos flutuando de emoção. Ficamos alegres, risonhos, não cabemos no nosso corpo de tanto contentamento. Sem dúvida, a alegria de viver momentos que nos tiram o fôlego, de sentir o coração pulsando forte ou o corpo tomado de arrepios e sensações gostosas são alguns dos ingredientes que mexem com nossas emoções.
Saboreamos esses efeitos agradáveis constantemente e por esse e outros motivos, tendemos a comemorar. Mas, por que comemoramos?
A professora do curso de Comunicação da Unisinos e psicóloga Susana Gib Azevedo acredita que isso ocorre porque envolve prazer, satisfação, sendo que, em geral, pode se referir a uma meta ou objetivo alcançado. Em verdade, a necessidade de comemorar é aprendida no social e são feitas associações com esses momentos significativos do indivíduo.
Embora seja excitante, extasiante comemorar, existem pessoas que reagem a diversas situações da mesma maneira: ficando inertes. Segundo a psicóloga, isso pode ocorrer quando as pessoas não foram estimuladas a comemorar ou quando interpretam as situações e acontecimentos como obrigações e não como conquistas. Ela afirma que o aspecto sócio-cultural influencia comportamentos, porém, não se pode esquecer que as pessoas têm diferenças individuais em diversas dimensões, conforme processam as informações recebidas.
Não é difícil encontrar pessoas que aparentam ser apáticas com as situações que se passam em suas vidas, que parecem não sentir, não se importar. Contudo, conforme explica Susana, cada pessoa comemora do seu jeito. No entanto, emoções são inerentes ao ser humano e qualquer situação ou fato pode promover emoções que motivam o indivíduo. É preciso ressaltar também que há várias formas de extravasar, não somente através de comemorações.
Um pouco de história
Esses ritos, além de marcarem uma conquista ou um momento na vida de um indivíduo, são muito mais importantes do que imaginamos, pois retratam a identidade cultural de uma sociedade e revelam muito de seu povo. Acredita-se que as comemorações iniciaram com os povos antigos que cultivavam o hábito de louvar a chegada da colheita, comemorando. Também comemoravam a troca das estações, pois as consideram mudanças de ciclos, importante para uma colheita farta. Desde então, para muitos, comemoração é sinônimo de objetivo alcançado. As bruxas também comemoravam os ciclos da lua e festejam com a natureza, o simples fato de viverem.
O Brasil sempre foi apontado como um povo festeiro. Apesar de suas mazelas, os brasileiros não abrem mão de comemorar e festejar, prova disto é o carnaval, que mobiliza o país inteiro e transforma todos em foliões. E ao longo da história, o Brasil, assim como o mundo, sofreu grandes transformações. Passamos pela monarquia, república, encaramos uma ditadura, até chegarmos na atual democracia, porém, nunca deixamos de comemorar.
Fora as tradicionais datas festivas, comemoradas no mundo inteiro, buscamos comemorações próprias, que resgatem a nossa história e nos devolvam sentimentos muitas vezes enfraquecidos, como o patriotismo, sempre exaltado na Semana da Pátria e em época de Copa do Mundo. O historiador de Canoas Marcelo Demetrio cita a comemoração dos 500 anos do Brasil como um grande fato que teve muitas influências, tanto na área política quanto na cultural, pois foram realizados eventos alusivos à data em todo o Brasil. Segundo ele, o pai das comemorações e dos festejos do país foi Getúlio Vargas. “Provavelmente se não fosse pela influência do governo Vargas não faríamos comemorações em nosso país”, declara.
Além disso, Demétrio destaca que as comemorações estão diretamente ligadas a dois marcos políticos da história do país no período de 1930 a 1964. “Entre a década de 30 e 50 o presidente da República, o gaúcho Getúlio Vargas com sua política nacionalista e ditatorial, inclui as políticas culturais e educativas. Existia a disciplina de Moral Cívica nas escolas, que tinha como objetivo instruir os alunos a dar um significado para as grandes façanhas da história do país. Seu governo foi um dos mais longos do Brasil. Ele conseguiu fazer com que os alunos dessa década fossem educados de uma forma bem diferente dos dias de atuais, dando mais valor para a história”, conclui.
Mitologia
As comemorações além de marcarem a história de um país, também servem como marco na vida pessoal dos seres humanos, que sempre procuram dar um sentido especial
à vida e eternizar momentos e conquistas. Para o professor de História de uma escola de Porto Alegre Gilson Gruginskie, a existência humana necessita de justificativas que respondam a imprevisibilidade da vida. Gruginskie faz uma comparação com o mito de Ariadne.
Conforme a mitologia, Teseu, um jovem herói ateniense, sabendo que a sua cidade deveria pagar a Creta um tributo anual, com sete rapazes e sete moças, para serem entregues ao insaciável Minotauro, que se alimentava de carne humana, solicitou ser incluído entre eles. Em Creta, encontrando-se com Ariadne, a filha do rei Minos recebeu dela um novelo que deveria desenrolar ao entrar no labirinto, onde o Minotauro vivia encerrado, para encontrar a saída. Teseu adentrou o labirinto, matou o Minotauro e, com a ajuda do fio que desenrolara, encontrou o caminho de volta.
“O novelo de Ariadne é repleto de expectativas, assim como a vida. Como os fios que serviram para desvendar os caminhos do labirinto, a humanidade desenvolve linhas de questionamentos que denunciam uma trilha de um percurso temporal. Realiza perguntas do presente sobre o passado, virando-se para trás com olhares que já determinam uma leitura de um mundo que nunca houve. Assim, constituímos mitos fundadores de sociedades, etnias e culturas”, acredita. Para ele, festejar é um rito que fornece significação, constrói uma memória e sustenta as utopias de cada um. “Mais que uma história oficial, as comemorações de datas ou acontecimentos estabelece os nexos necessários para o fortalecimento de identidade”, completa.
O primeiro sorriso, o primeiro aninho, o primeiro dia na escola, o primeiro dez, uma viagem com os amigos, o namoro, o primeiro emprego, a entrada na faculdade, a formatura, o casamento, o aniversário dos filhos... São momentos especiais na vida de qualquer pessoa, que se tornam ainda mais especiais quando festejados com uma comemoração histórica. Comemorações que dão sentido para a história pessoal de qualquer indivíduo e, coletivamente, dão sentido para a história do mundo.
Friday, November 23, 2007
Prezado jornalista
Caro Miguel, aqui, quem escreve é uma jornalista, além de ser tua prima. Outro dia li uma reportagem onde falava que há dois caminhos para escolher uma profissão e ser bem sucedido nessa escolha. Uma, é ir atrás dela. Outra, é deixar ela chegue até você.
Lembrei de mim. E de você. Eu fui atrás do jornalismo, nunca me imaginei fazendo outra coisa, era minha única opção. Você deixou que o jornalismo chegasse até você, por pura falta de opção. Não deu outra. Nos tornamos bem sucedidos.
Tivemos sorte sim, mas talento também e, mais que tudo perseverança. Lembra de quantos colegas da faculdade desistiram? De quantas colegas fúteis que só queira aparecer na TV, aparecem e sumiram na mesma velocidade? Do stress de fazer monografia, trabalhar, dos estágios que nos escravizavam? De estudar para as outras matérias, namorar, badalar, visitar a família e tudo que uma pessoa normal faz. Lembra da formatura, que foi no mesmo mês? E dos lugares que entrávamos sem pagar, porque somos da imprensa?
Mas teve também muitos feriados dentro das redações, muitos Natais fazendo cobertura em hospitais. E furos de reportagens. E entrevistas com um monte de gente bacana. E um monte de gente chata. E pauteiros sem noção. E editores chatos. E noites sem dormir...
E a nossa agência? Quanta cabeçada até engrenar. Quanta discussão. Quanta falta de grana. Quanto estagiário preguiçoso. Quantas dúvidas. E quanta coragem! Mas não é que deu certo? Afinal, que outra opção teríamos? O que é o planejamento estratégico, hein? Ah, muito bom esse último repórter que tu contratou, li as matérias dele, gostei!
Voltando, quase perdi teu casamento porque estava fazendo uma reportagem especial com as vítimas da guerra na Somália. E você chegou com dois dias de atraso no meu, porque foi cobrir a final do campeonato mundial de arrancada na Finlândia. Se tivesse se atrasado mais, tu seria a testemunha do divórcio.
Foi tanta coisa. Mas chegamos lá! Eu, por ser a minha única opção e você, por falta de opção.
PS: Tenta aparecer no próximo feriado. Nem que tu venha de moto e a Andi de carro com as crianças. Os funcionários da sucursal de Florianópolis vão cuidar direitinho da agência nesse feriado. No próximo, se tudo der certo, nós vamos. Pois acho que já vai dar praia!
Atenciosamente,
Lembrei de mim. E de você. Eu fui atrás do jornalismo, nunca me imaginei fazendo outra coisa, era minha única opção. Você deixou que o jornalismo chegasse até você, por pura falta de opção. Não deu outra. Nos tornamos bem sucedidos.
Tivemos sorte sim, mas talento também e, mais que tudo perseverança. Lembra de quantos colegas da faculdade desistiram? De quantas colegas fúteis que só queira aparecer na TV, aparecem e sumiram na mesma velocidade? Do stress de fazer monografia, trabalhar, dos estágios que nos escravizavam? De estudar para as outras matérias, namorar, badalar, visitar a família e tudo que uma pessoa normal faz. Lembra da formatura, que foi no mesmo mês? E dos lugares que entrávamos sem pagar, porque somos da imprensa?
Mas teve também muitos feriados dentro das redações, muitos Natais fazendo cobertura em hospitais. E furos de reportagens. E entrevistas com um monte de gente bacana. E um monte de gente chata. E pauteiros sem noção. E editores chatos. E noites sem dormir...
E a nossa agência? Quanta cabeçada até engrenar. Quanta discussão. Quanta falta de grana. Quanto estagiário preguiçoso. Quantas dúvidas. E quanta coragem! Mas não é que deu certo? Afinal, que outra opção teríamos? O que é o planejamento estratégico, hein? Ah, muito bom esse último repórter que tu contratou, li as matérias dele, gostei!
Voltando, quase perdi teu casamento porque estava fazendo uma reportagem especial com as vítimas da guerra na Somália. E você chegou com dois dias de atraso no meu, porque foi cobrir a final do campeonato mundial de arrancada na Finlândia. Se tivesse se atrasado mais, tu seria a testemunha do divórcio.
Foi tanta coisa. Mas chegamos lá! Eu, por ser a minha única opção e você, por falta de opção.
PS: Tenta aparecer no próximo feriado. Nem que tu venha de moto e a Andi de carro com as crianças. Os funcionários da sucursal de Florianópolis vão cuidar direitinho da agência nesse feriado. No próximo, se tudo der certo, nós vamos. Pois acho que já vai dar praia!
Atenciosamente,
Sunday, November 18, 2007
Bastidores
Ato I
“Estão todos aí?”
“Quando eu entro?”
“Cadê a maquiagem?”
“Não se atrasem. Quando terminar uma coreografia, os da próxima já tem que estar na posição para entrar!”
“Alguém me ajuda a me vestir...”
“Perdi minha saia!!!!!!”
“Meninas vou tirar a roupa, fechem os olhos.”
“Uso a sapatilha bege ou branca?”
“As crianças já estão prontas?”
“Adora as odaliscas!”
“Me perdi na passagem de palco”
“Gente vou começar!”
“Odeio meia calça!”
“Não quero ninguém na coxia atrapalhando os dançarinos!”
“Tô nervosa!”
“Não toma muita água.”
“Vamos tirar fotos?”
“Minha maquiagem não tá legal.”
“Relaxa, vai dar tudo certo”
“A platéia já tá cheia!”
“Tem um celular tocando...”
“Quando as fotos vão estar no site?”
“Chama a mãe dela. As crianças não querem entrar!”
“Em qual coreografia tá? A minha já é a próxima?!”
“Agora são vocês!”
“Onde eu entro?”
“Ai... Merda para todo mundo!”
Ato II
Luz. Música. Cabeça erguida, olhando em frente. Passos lentos, jeitinhos, oitos para trás. Sorriso para a platéia, quantas batidas para baixo são? Música rápida, batidas, sorrisos, cambrês, passês, giros, solo. Na marcação, séria, encara a platéia. Espanholas, postura, oitos para trás, lento, rápido, lento, rápido! Espanholas, postura! Sorrisos, jogo de cintura. Olha para a platéia. Tem que provocar. Batidas para baixo, giro, passo, olha o público. Treme. Maya. Egípcio. Meia ponta! Camelos. Posição final. Black out. Agradecimento. Palmas!!!
Ato III
“Foi um sucesso!”
“Tu viu? O público adorou!”
“Gente pisei na minha saia!”
“Não precisava ficar assim!”
“Tu viu o cara da terceira fila?! Tava babando!”
“Me perdi na parte do pescoço!”
“Ninguém errou o tempo.”
“Minha perna a pareceu?”
“Deu para ver que eu me enganei?”
“Gurias! Foi muito bom, vocês estavam perfeitas!”
“Vou me trocar! Ai adorei!”
“Quantas palmas!”
“Gente vi uma amiga na platéia que não via há anos!”
“Tu viu? Nem errei!”
“Uhu, que adrenalina boa!
“É um nervoso gostoso!”
“Foi um espetáculo!”
As fotos do espetáculo "Cine Espetacular", da escola de dança Arte e Equilíbrio, estão no site www.claudioetges.com.br
“Estão todos aí?”
“Quando eu entro?”
“Cadê a maquiagem?”
“Não se atrasem. Quando terminar uma coreografia, os da próxima já tem que estar na posição para entrar!”
“Alguém me ajuda a me vestir...”
“Perdi minha saia!!!!!!”
“Meninas vou tirar a roupa, fechem os olhos.”
“Uso a sapatilha bege ou branca?”
“As crianças já estão prontas?”
“Adora as odaliscas!”
“Me perdi na passagem de palco”
“Gente vou começar!”
“Odeio meia calça!”
“Não quero ninguém na coxia atrapalhando os dançarinos!”
“Tô nervosa!”
“Não toma muita água.”
“Vamos tirar fotos?”
“Minha maquiagem não tá legal.”
“Relaxa, vai dar tudo certo”
“A platéia já tá cheia!”
“Tem um celular tocando...”
“Quando as fotos vão estar no site?”
“Chama a mãe dela. As crianças não querem entrar!”
“Em qual coreografia tá? A minha já é a próxima?!”
“Agora são vocês!”
“Onde eu entro?”
“Ai... Merda para todo mundo!”
Ato II
Luz. Música. Cabeça erguida, olhando em frente. Passos lentos, jeitinhos, oitos para trás. Sorriso para a platéia, quantas batidas para baixo são? Música rápida, batidas, sorrisos, cambrês, passês, giros, solo. Na marcação, séria, encara a platéia. Espanholas, postura, oitos para trás, lento, rápido, lento, rápido! Espanholas, postura! Sorrisos, jogo de cintura. Olha para a platéia. Tem que provocar. Batidas para baixo, giro, passo, olha o público. Treme. Maya. Egípcio. Meia ponta! Camelos. Posição final. Black out. Agradecimento. Palmas!!!
Ato III
“Foi um sucesso!”
“Tu viu? O público adorou!”
“Gente pisei na minha saia!”
“Não precisava ficar assim!”
“Tu viu o cara da terceira fila?! Tava babando!”
“Me perdi na parte do pescoço!”
“Ninguém errou o tempo.”
“Minha perna a pareceu?”
“Deu para ver que eu me enganei?”
“Gurias! Foi muito bom, vocês estavam perfeitas!”
“Vou me trocar! Ai adorei!”
“Quantas palmas!”
“Gente vi uma amiga na platéia que não via há anos!”
“Tu viu? Nem errei!”
“Uhu, que adrenalina boa!
“É um nervoso gostoso!”
“Foi um espetáculo!”
As fotos do espetáculo "Cine Espetacular", da escola de dança Arte e Equilíbrio, estão no site www.claudioetges.com.br
Friday, November 16, 2007
Seqüelas
Você foi o melhor e o pior da minha vida. Ou de uma fase dela, da qual ainda convivo com as seqüelas. O estrago foi feio e depois de passar um tempo lambendo minhas feridas, não estou mais arrancando as casquinhas e nem lembro o tempo todo a causa do ferimento.
Me curei na marra. Tomei vários remédios, mas em nenhuma das bulas que li havia a indicação sobre você. Ai me drogava sabendo que não ia adiantar nada. Que o delírio iria continuar. Eu veria você em todos os lugares. E andaria de cabeça baixa com medo de te encontrar realmente. E sairia correndo para a frente da TV sempre que escutasse uma notícia sobre a cidadezinha do norte do Estado, de onde tu saiu, só para me sentir mais perto...
Não sei bem em que momento eu voltei a olhar para frente. Fui arrumando outras distrações, deixando de cutucar o machucado. Percebendo outras pessoas e me dando conta que você foi o melhor e o pior da minha vida. Não corro mais para ver notícias da sua cidade. Nem caminho pelo teu bairro. Nem procuro saber um pouquinho de engenharia.
Hoje tenho a mesma noção de mundo que tinha antes de você entrar nele e provocar catástrofes. Porém, se antes, as portas ficavam encostadas, hoje elas ficam fechadas e trancadas. Perdi um pouco da inocência, talvez. Se antes achava que as pessoas não prestam, hoje, tenho certeza. Ao menos aprendi alguma coisa. Minha desconfiança natural das coisas e, principalmente, das pessoas tem que ser multiplicada por todo o seu potencial ao cubo. E talvez ainda seja pouca.
Estou lidando bem com as seqüelas, não há nada que alguns anos de terapia não cure. Acho até que não vou enfartar se um dia te encontrar por aí. Nem te matar. Às vezes queria que isso acontecesse, só para ver minha reação. Às vezes eu tenho medo de expor muito a ferida, por mais que esteja cicatrizada, a pele (ou o coração) sempre fica mais sensível.
Não sei em qual noite eu deixei de chorar de saudade de você e passei a chorar de saudade de mim e do mundinho perfeito que eu tinha. Você foi o melhor porque me deu um chute que me fez cair no mundo real. Você foi o pior porque me deu um chute que me fez cair no mundo real. Você foi o melhor porque era medíocre e não percebia. Você foi o pior porque era medíocre e hoje eu percebo.
Eu deixo meu orgulho leonino com vergonha cada vez que lembro das seqüelas de uma doença medíocre. Se ainda fosse uma grande tragédia, que tivesse válido a pena... Mas foi só uma doença boba que, por um bom tempo, não me deixou olhar em frente. E olhando em frente o máximo que pode acontecer é eu tropeçar em algo medíocre e nem me dar conta.
Me curei na marra. Tomei vários remédios, mas em nenhuma das bulas que li havia a indicação sobre você. Ai me drogava sabendo que não ia adiantar nada. Que o delírio iria continuar. Eu veria você em todos os lugares. E andaria de cabeça baixa com medo de te encontrar realmente. E sairia correndo para a frente da TV sempre que escutasse uma notícia sobre a cidadezinha do norte do Estado, de onde tu saiu, só para me sentir mais perto...
Não sei bem em que momento eu voltei a olhar para frente. Fui arrumando outras distrações, deixando de cutucar o machucado. Percebendo outras pessoas e me dando conta que você foi o melhor e o pior da minha vida. Não corro mais para ver notícias da sua cidade. Nem caminho pelo teu bairro. Nem procuro saber um pouquinho de engenharia.
Hoje tenho a mesma noção de mundo que tinha antes de você entrar nele e provocar catástrofes. Porém, se antes, as portas ficavam encostadas, hoje elas ficam fechadas e trancadas. Perdi um pouco da inocência, talvez. Se antes achava que as pessoas não prestam, hoje, tenho certeza. Ao menos aprendi alguma coisa. Minha desconfiança natural das coisas e, principalmente, das pessoas tem que ser multiplicada por todo o seu potencial ao cubo. E talvez ainda seja pouca.
Estou lidando bem com as seqüelas, não há nada que alguns anos de terapia não cure. Acho até que não vou enfartar se um dia te encontrar por aí. Nem te matar. Às vezes queria que isso acontecesse, só para ver minha reação. Às vezes eu tenho medo de expor muito a ferida, por mais que esteja cicatrizada, a pele (ou o coração) sempre fica mais sensível.
Não sei em qual noite eu deixei de chorar de saudade de você e passei a chorar de saudade de mim e do mundinho perfeito que eu tinha. Você foi o melhor porque me deu um chute que me fez cair no mundo real. Você foi o pior porque me deu um chute que me fez cair no mundo real. Você foi o melhor porque era medíocre e não percebia. Você foi o pior porque era medíocre e hoje eu percebo.
Eu deixo meu orgulho leonino com vergonha cada vez que lembro das seqüelas de uma doença medíocre. Se ainda fosse uma grande tragédia, que tivesse válido a pena... Mas foi só uma doença boba que, por um bom tempo, não me deixou olhar em frente. E olhando em frente o máximo que pode acontecer é eu tropeçar em algo medíocre e nem me dar conta.
Thursday, November 15, 2007
Sobre o meu umbigo
Outro dia li, numa entrevista de uma psicóloga, que os esportes que uma pessoa exerce fala muito de sua personalidade. Se gosta de esportes coletivo é uma pessoa agregadora, que gosta de trabalhar em grupo, etc... Se gosta de esportes individuais é individualista, egoísta e por aí vai.
E gosto de musculação e corrida. Só. Curto futebol também, mas não jogo, obviamente, porque acho que é muita gente para eu ter que mandar e a maioria não vai me levar a sério, daí eu vou pirar e acabar com o jogo antes da hora. Então, malho sozinha todo dia e feliz da vida. Só preciso dos aparelhinhos disponíveis. Detesto academia cheia.
Antes de começar a correr, caminhava com uma amiga e adorava. Mas ela deixou de ir, no começo foi ruim ir sozinha, até me dar conta que era muito melhor não ter ninguém para me encher a paciência. Além do que, posso correr, no meu ritmo, quando quero.
Mas tem mais. Eu sempre fui na minha. Vou no cinema sozinha, olho o filme-alternativo-poora-louca que eu quiser no cinema-ladob-perdido-num-bairro-cult na hora que quiser. E não preciso discutir o enredo com ninguém depois.
E eu não quero ter filhos porque sou egoísta demais para isso. Se eu tiver um filho para cuidar, como vou me cuidar? Claro, às vezes tenho medo que Deus resolva em castigar, pois nunca fui uma pessoa muito temente à ele e resolva me fazer mãe. Mas aí lembro que sempre existe uma clínica de aborto clandestina por aí.
No colégio, na faculdade, em algum trabalho em grupo eu sou do tipo que faz tudo. Enquanto todos me acham a “coitadinha que tá fazendo o trabalho sozinha”, eu faço do meu jeito, que é o melhor, claro. Às vezes levanto a cabeça, dou um sorriso e peço alguma sugestão, mas só para eles ficarem a sensação de que colaboraram. Sou uma individualista generosa.
Se as coisas saem erradas? Ao menos eu não vou culpar ninguém. Sim, porque como toda pessoa individualista, egoísta e orgulhosa disfarçada de generosa, carrego minhas culpas e sei que são só minhas. O que fazer para não pensar, não pirar, não enjoar de mim, já que eu não gosto de conversar? Escrever!
E gosto de musculação e corrida. Só. Curto futebol também, mas não jogo, obviamente, porque acho que é muita gente para eu ter que mandar e a maioria não vai me levar a sério, daí eu vou pirar e acabar com o jogo antes da hora. Então, malho sozinha todo dia e feliz da vida. Só preciso dos aparelhinhos disponíveis. Detesto academia cheia.
Antes de começar a correr, caminhava com uma amiga e adorava. Mas ela deixou de ir, no começo foi ruim ir sozinha, até me dar conta que era muito melhor não ter ninguém para me encher a paciência. Além do que, posso correr, no meu ritmo, quando quero.
Mas tem mais. Eu sempre fui na minha. Vou no cinema sozinha, olho o filme-alternativo-poora-louca que eu quiser no cinema-ladob-perdido-num-bairro-cult na hora que quiser. E não preciso discutir o enredo com ninguém depois.
E eu não quero ter filhos porque sou egoísta demais para isso. Se eu tiver um filho para cuidar, como vou me cuidar? Claro, às vezes tenho medo que Deus resolva em castigar, pois nunca fui uma pessoa muito temente à ele e resolva me fazer mãe. Mas aí lembro que sempre existe uma clínica de aborto clandestina por aí.
No colégio, na faculdade, em algum trabalho em grupo eu sou do tipo que faz tudo. Enquanto todos me acham a “coitadinha que tá fazendo o trabalho sozinha”, eu faço do meu jeito, que é o melhor, claro. Às vezes levanto a cabeça, dou um sorriso e peço alguma sugestão, mas só para eles ficarem a sensação de que colaboraram. Sou uma individualista generosa.
Se as coisas saem erradas? Ao menos eu não vou culpar ninguém. Sim, porque como toda pessoa individualista, egoísta e orgulhosa disfarçada de generosa, carrego minhas culpas e sei que são só minhas. O que fazer para não pensar, não pirar, não enjoar de mim, já que eu não gosto de conversar? Escrever!
Sunday, November 11, 2007
Histórias da Feira do Livro
Mais uma feira do livro chega ao fim e, como sempre, gastei mais do que devia e menos do que gostaria. A feira é meu natal. Alguns anos a feira é libriana, noutros é escorpiana, mas sempre será bem-vinda, cheia de surpresas e histórias, óbvio. Mas não essas histórias que a mídia no conta todos os anos, sobre a importância e o tamanho da feira, enfeitada pelos Jacarandás.
Outras histórias, as que eu vivi, ou vi. Foi numa feira do livro que vi Mário Quintana, na minha primeira feira e a última dele. Fui levada pela mão do meu vô e esperava encontrar muitos gibis da Magali e livros para colorir. Encontrei bem mais que isso. Havia um poeta sorridente no meio do caminho. Eu que achava que poetas não existiam...
Anos depois, num curso de jornalismo na feira, ouvi estórias de quem trazia marcas da história mundial no corpo. Éramos um grupo de estudantes diante de um senhor simpático, calmo, pacífico, que pisou em cima de uma mina quando cobria a guerra do Vietnã. Foi na sombra de um dos Jacarandás que entrevistei o mestre José Hamilton Ribeiro.
Foi caminhando na feira que vi o Vitor Ramil comprar sorvete para seus filhos. Peguei o mesmo elevador que a Cláudia Tajes, no Santander Cultural. Ouvi o Jorge Furtado lê Dom Quixote. O Gabriel, Pensador, declamar poesia para as crianças. Peguei um baita temporal para ouvir o Caco Barcellos. Descobri que o coronel, quando não é o coronel da Feira, é o dono de uma banca de revista da Praça da Alfândega.
Da minha primeira feira do livro, sai com o almanaque da Turma da Mônica. Mas, mais do que isso, sai impressionada com o mundo que descobri. Há um lugar, durante alguns dias do ano, onde se é possível ver, ouvir e viver histórias. Onde os poetas existem e escritores pegam elevadores e tomam cerveja no pub do Margs.
O Almanaque da turma da Mônica e os livros que colori, não existem mais, muitos dos livros que comprei na feira, eu dei. Mas as estórias (com es, mesmo, porque são fantásticas), essas, são minhas!
Me empolguei e listei 20 livros que li e recomendo. Essa pequena lista não seguiu nenhum critério, a não ser, meu gosto. Se é que isso tem algum valor.
1) O Dia do Coringa – Jostein Gaarder
2) A Viagem de Théo - Catherine Clément
3) Feliz Ano Velho – Marcelo Rubens Paiva
4) Mate-me por Favor – Legs McNeil e Gillian McCain
5) As Veias Abertas da América Latina – Eduardo Galeano
6) Quase Tudo – Danuza Leão
7) Tête-à-Tête – Hazel Rowley
8) Clube dos Corações Solitários – André Takeda
9) As Pernas de Úrsula e Outras Possibilidades – Claúdia Tajes
10) Confissões de uma Groupie - Pamela Des Barres
11) A Sangue Frio - Truman Capote
12) Por que Estudar a Mídia – Roger Silverstone
13) Através do Espelho – Jostein Gaarder
14) A Náusea - Sartre
15) Dom Casmurro – Machado de Assis
16) A Mulher que não Prestava - Tati Bernardi
17) Clarissa – Érico Veríssimo
18) A Casa dos Budas Ditosos – João Ubaldo Ribeiro
19) Verônica Decide Morrer – Paulo Coelho
20) Divã - Martha Medeiros
Outras histórias, as que eu vivi, ou vi. Foi numa feira do livro que vi Mário Quintana, na minha primeira feira e a última dele. Fui levada pela mão do meu vô e esperava encontrar muitos gibis da Magali e livros para colorir. Encontrei bem mais que isso. Havia um poeta sorridente no meio do caminho. Eu que achava que poetas não existiam...
Anos depois, num curso de jornalismo na feira, ouvi estórias de quem trazia marcas da história mundial no corpo. Éramos um grupo de estudantes diante de um senhor simpático, calmo, pacífico, que pisou em cima de uma mina quando cobria a guerra do Vietnã. Foi na sombra de um dos Jacarandás que entrevistei o mestre José Hamilton Ribeiro.
Foi caminhando na feira que vi o Vitor Ramil comprar sorvete para seus filhos. Peguei o mesmo elevador que a Cláudia Tajes, no Santander Cultural. Ouvi o Jorge Furtado lê Dom Quixote. O Gabriel, Pensador, declamar poesia para as crianças. Peguei um baita temporal para ouvir o Caco Barcellos. Descobri que o coronel, quando não é o coronel da Feira, é o dono de uma banca de revista da Praça da Alfândega.
Da minha primeira feira do livro, sai com o almanaque da Turma da Mônica. Mas, mais do que isso, sai impressionada com o mundo que descobri. Há um lugar, durante alguns dias do ano, onde se é possível ver, ouvir e viver histórias. Onde os poetas existem e escritores pegam elevadores e tomam cerveja no pub do Margs.
O Almanaque da turma da Mônica e os livros que colori, não existem mais, muitos dos livros que comprei na feira, eu dei. Mas as estórias (com es, mesmo, porque são fantásticas), essas, são minhas!
Me empolguei e listei 20 livros que li e recomendo. Essa pequena lista não seguiu nenhum critério, a não ser, meu gosto. Se é que isso tem algum valor.
1) O Dia do Coringa – Jostein Gaarder
2) A Viagem de Théo - Catherine Clément
3) Feliz Ano Velho – Marcelo Rubens Paiva
4) Mate-me por Favor – Legs McNeil e Gillian McCain
5) As Veias Abertas da América Latina – Eduardo Galeano
6) Quase Tudo – Danuza Leão
7) Tête-à-Tête – Hazel Rowley
8) Clube dos Corações Solitários – André Takeda
9) As Pernas de Úrsula e Outras Possibilidades – Claúdia Tajes
10) Confissões de uma Groupie - Pamela Des Barres
11) A Sangue Frio - Truman Capote
12) Por que Estudar a Mídia – Roger Silverstone
13) Através do Espelho – Jostein Gaarder
14) A Náusea - Sartre
15) Dom Casmurro – Machado de Assis
16) A Mulher que não Prestava - Tati Bernardi
17) Clarissa – Érico Veríssimo
18) A Casa dos Budas Ditosos – João Ubaldo Ribeiro
19) Verônica Decide Morrer – Paulo Coelho
20) Divã - Martha Medeiros
Thursday, November 01, 2007
Consciência
Era uma madrugada de sábado e eu estava chegando em casa de uma festa, passei pela porta do quarto do meu irmão, entreaberta, e vi as pernas de um homem adulto. Não as pernas de uma criança. Corri para o telefone e chamei a polícia, dizendo que havia um homem deitado na cama do meu irmão. Meus pais acordaram e meu irmão saiu do quarto dele, perguntando quem era o ladrão. Eu podia estar bêbada, mas naquele momento percebi que meu irmão era um homem e pior, o tempo passava. Ali eu senti o tempo passar.
Outro dia eu estava passeando na Redenção com meu primo e sua namorada, até que ele disse que a gente devia combinar para ter nossos filhos próximos, para eles crescerem juntos. E mais uma vez, senti o tempo passando. Aliás, cada vez que eu vou na Redenção, sinto o tempo passando, seja no açaí da lancheria, que hoje eu acho pequena. Seja na lancheria do Parque, onde eu não podia ir sozinha quando era criança, porque tinha que atravessar a Osvaldo Aranha e era perigoso.
No meio de um show do Wander Wildner, que a Ana Paola, produtora dele me apresentou como “a jornalista”. Ela foi uma das primeiras professoras que tive na Unisinos e quando entrei no camarim do Wander como “a jornalista”, percebi que o tempo passava. Eu não era apenas uma fã ou uma guria que gosta e rock e curte Wander.
Sempre que abro os jornais e encontro alguma foto que fiz, alguma matéria que envie, sinto o gosto, doce e amargo, do tempo passando. Não sou mais a irmão mais velha, a prima que a única preocupação que tem é com o próximo verão, a estudante que curte Wander. Sou a irmã de um homem feito, a mulher que pensa se um dia terá filhos e se preocupa com isso, a pessoa que sabe como chegar na lancheria do Parque sem se perder pela Osvaldo Aranha, a jornalista política que sabe o que vai estar na capa dos jornais amanhã...
Alguém que quando menos se espera tem a consciência assustadora de que o tempo está passando.
Outro dia eu estava passeando na Redenção com meu primo e sua namorada, até que ele disse que a gente devia combinar para ter nossos filhos próximos, para eles crescerem juntos. E mais uma vez, senti o tempo passando. Aliás, cada vez que eu vou na Redenção, sinto o tempo passando, seja no açaí da lancheria, que hoje eu acho pequena. Seja na lancheria do Parque, onde eu não podia ir sozinha quando era criança, porque tinha que atravessar a Osvaldo Aranha e era perigoso.
No meio de um show do Wander Wildner, que a Ana Paola, produtora dele me apresentou como “a jornalista”. Ela foi uma das primeiras professoras que tive na Unisinos e quando entrei no camarim do Wander como “a jornalista”, percebi que o tempo passava. Eu não era apenas uma fã ou uma guria que gosta e rock e curte Wander.
Sempre que abro os jornais e encontro alguma foto que fiz, alguma matéria que envie, sinto o gosto, doce e amargo, do tempo passando. Não sou mais a irmão mais velha, a prima que a única preocupação que tem é com o próximo verão, a estudante que curte Wander. Sou a irmã de um homem feito, a mulher que pensa se um dia terá filhos e se preocupa com isso, a pessoa que sabe como chegar na lancheria do Parque sem se perder pela Osvaldo Aranha, a jornalista política que sabe o que vai estar na capa dos jornais amanhã...
Alguém que quando menos se espera tem a consciência assustadora de que o tempo está passando.
Subscribe to:
Posts (Atom)