Saturday, September 29, 2007

Ela é aquela...

Como todo mundo, ela não está satisfeita com o que é. Queria ser mais aberta com as pessoas, mais simpática, menos emburrada. Mas ela é aquela que não tem noção de como é especial, das qualidades raras que tem.

Como muitas, ela poderia ser mais uma estudante de direito. Mas ela é aquela que será uma excelente promotora de justiça. Como muitos, poderia pensar nisso almejando dinheiro, status e outras coisas medíocres, comuns hoje em dia. Mas ela é aquela que tem um amor incondicional por essa profissão e isso, combinado com a personalidade forte e decidida que tens e a dedicação necessária, é certeza de sucesso. E de pessoas mais felizes.

Nesse mundo caótico e injusto, ela, como todo mundo poderia aceitar as coisas. Mas ela é aquela que é sincera, que gosta das coisas certas e talvez por isso, pague um preço, se sinta só. Apesar da mãe, que tanto ama e do pai que aprendeu a levar sempre dentro do peito, apesar de pouco ter convivido. Como muita gente que perde alguém que ama cedo demais, ela poderia se fazer de vítima. Mas ela é aquela que tem a grandeza de amar o que não está mais presente fisicamente, porque tem a rara consciência de que levamos quem amamos sempre conosco.

Como todo mundo que não gosta de fumar, de beber e nem de baladas, ela poderia ser moralista. Mas ela é aquela que se permite chutar o balde nos shows da Ivete Sangalo e no Planeta Atlântida, e sim, também tem seus vícios: dormir e comer.

Como todo mundo, ela poderia reclamar da chuva. Mas ela é aquela que aproveita para refletir e pensar na vida. Como todo mundo, ela poderia planejar sua vida e não viver as surpresas que surgem no caminho. Mas ela é aquela que planeja e, sabe que uma dose de esforço é necessária para tudo e vive tudinho, que o mundo lhe oferece. Como todo mundo, ela poderia, apenas namorar. Mas ela é aquela que faz do namorado, o melhor amigo, que é apaixonada, que ama, que respeita, que admira.

Como todo mundo, ela poderia querer dividir. Mas ela é aquela que além de dividir, sabe somar e multiplicar. Ela não é como todo mundo que luta contra o que é. Ela é aquela que prefere o caminho difícil. Prefere aprender a se respeitar e se aceitar. Não luta contra sua própria essência.

Talvez seja essa a diferença entre ela e todo mundo. Ela poderia ser apenas uma “garota certinha”, mas ela é aquela pessoa verdadeira. E todo mundo, estranha e ao mesmo tempo se encanta, pois não é sempre que encontramos pessoas verdadeiras, que antes de serem (qualquer coisa), são humanas!


Andiara tem 18 anos e é a personagem desse texto. Ela é namorada do meu primo, Jú, tem um sorriso lindo e não é nada emburrada, como se acha. A gente sempre se fala no msn e morremos de saudades de tudo que já fizemos juntas e principalmente, do que ainda vamos fazer!

Tuesday, September 25, 2007

Solidão no dia do coração

O título acima é bonitinho e até rima, mas o assunto é triste, ou solitário, no mínimo. Estava lendo na última TPM, uma entrevista com a atriz Alessandra Negrini e lá pelas tantas ela fala que sente uma solidão incrível, que nem mesmo seu marido tem conhecimento e justifica sua fama de difícil por se sentir sozinha.

Eu gostei de saber que até ela sente solidão, porque eu sinto e como todo solitário acho que não tenho ninguém (olha como solidão nos torna mais inteligente!) E sim, a fama de difícil e chata também me acompanham. Nem sempre a solidão vem sozinha, mas raramente ela vem acompanhada de coisas boas. Às vezes acho que minha mania de ter que falar tudo o que sinto e penso é um prato cheio para solidão, porque isso me faz lembrar do vazio que sinto, falar ou escrever, que seja, é uma maneira de se esvaziar.

E hoje me senti tri sozinha, sei lá o porquê, mas a tal solidão foi a única parceria. Tinha um Renato Russo na minha cabeça cantando “Hoje a tristeza não é passageira...” Que se revezava com o Wander Wildner e “Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro”. Até a Laura Paussini apareceu com sua La Solitude. E eu pensei que quis aprender italiano porque acho uma língua romântica e triste, logo me lembra solidão. Nem digo que falo italiano porque é solitário.

Mas no meio da tarde abri meus e-mails e vi lá Dia Mundial do Coração, da Roberta, só podia ser dela! Ela é uma das pessoas mais doces que eu conheço e é uma baita escritora! Eu me senti menos sozinha com esse e-mail. E aí eu me lembrei do que tava escrito no meu signo ontem: coisas boas virão daqui para a frente. E por um instante até quis acreditar. Mas aí minha companheira inseparável me lembrava que era daqui para frente, não agora, porque hoje eu seria só dela.

Neste dia solitário aprendi que existe um dia mundial do coração, e achei ironia, fiquei feliz porque a Rô é minha amiga. E por mais que eu vá dormir me sentindo sozinha, eu vou pedir para o papai do céu, alguém que encha meu coração de cores, em troca prometo ser uma boa menina! Uma que não usa a solidão para se punir...

Sunday, September 23, 2007

Calmaria

Eu estou mudando, não há como negar, estou mais calma, para a minha própria surpresa. Fazer o trabalho de conclusão, para muitos, é um stress. Eu que sempre fui impaciente, nervosa, ansiosa, do tipo que morre afogada num copo d’água estou encarando esse tal de TCC. Pelas minhas características, seria do tipo que iria pirar!

Até que não, dá trabalho? Dá. Precisa de dedicação? Precisa. Eu gosto do assunto? Adoro. Então vamos embora. Meu trabalho é sobre notícia em rádios FM, para isso analiso dois programas, de 3 horas de duração, de rádios diferentes. Fiquei uma semana madrugando para gravá-los e desde então estou decupando. Decupar é transcrever tudo, mas tudo o que é gravado, seja em áudio ou vídeo. Até filme de Hollywood tem que ser decupado.

Vinte e cinco horas de gravação me esperavam. E vamos lá, sem reclamar. Coloquei meu rádio do lado do computador e, dá play na fita, rebobina a fita, escuta de novo, confere, descobre o nome da música chata que começou a tocar... Assim anda a minha rotina, às vezes duas folhas digitadas, são pouco mais de 2 minutos de fala no rádio...

Hoje, estava fazendo isso, na fita 2, da gravação 4, do programa 1. Já tinha decupado 8 horas, o que dá 53 laudas digitadas. Escuto um barulho estranho e adivinha: a fita arrebentou! O que eu fiz? Chorei um pouco, mas depois me arrumei e sai. Fui olhar Sonho de uma Noite de Verão no teatro São Pedro. Voltei e agora estou escrevendo isso que você está lendo.

Se fosse há alguns meses atrás, eu teria pirado, quebrado todas as outras 30 fitas que eu tenho com as gravações dos programas. Teria atirado o rádio pela janela. Quebrado o teclado do computador. Brigado com meu pai, com minha mãe, com meu irmão, com o cachorro, com o vizinho, com o cachorro do vizinho...

Claro que fiquei louca com esse acidente, mas vou mandar um e-mail para minha orientadora contando o que aconteceu. Vou tentar conseguir a gravação na rádio, se não der, gravo tudo de novo e começo a decupar tudo de novo. Paciência! Eu preciso disso!

Agora?! Posso até chorar, afinal, a raiva precisa ser extravasada. Mas tenho coisas mais importantes para fazer, pintar as unhas, ligar para a Lê, combinar a panqueca de amanhã, ler o último gibi da Magali que comprei, estudar para a prova do Ziegler...

Estou mudando, não há como negar...

Thursday, September 20, 2007

O 20 de setembro é daquele irmãozinho...

Não, eu vou não escrever sobre a Revolução Farroupilha, nem sobre o feriado histórico. Pois hoje, aquele meu irmãozinho estaria de aniversário.

Antes de eu nascer, minha mãe teve outra gravidez, só que a criança nasceu morta. E há 22 anos, eu ouço, todo dia 20 de setembro: “Hoje, aquele teu irmãozinho faria aniversário”.

Hoje, ele faria 24 anos. Sei que poucas pessoas viram ele, meu pai, minha vó e mais alguém que eu não lembro. Minha mãe sempre falou que preferiu não ver. Sabe-se lá o que esperar 9 meses um filho e ele já nascer morto. Espera-se a vida e se recebe o oposto. Sei também que todo o enxoval dele foi dado, não ficou nadinha... Meu único contato: uma vez foi no cemitério levar flores para ele, com meu pai. Só.

E como seria se ele fosse vivo? Será que o Fi (meu irmão mais novo também existiria), ou depois que eu nascesse meus pais teriam se contentado? Será que a gente ia se dar bem? Será que ele seria meu amigo? E o Fi, ciumento como é, será que ia se dar bem com ele? Meu vô sempre falou que ele seria bem gaudério. Seria até engraçado, um irmão, com nome bíblico, de bombacha e outro, com nome de velho, de moicano.

Mas só seria, porque hoje seria o aniversário do meu irmãozinho. E o “IA” nos finais dos verbos indica o futuro do pretérito, o que seria futuro, mas como nunca foi presente, já o colocamos no passado, mesmo não negando a possibilidade de um futuro, apesar de saber que nesse caso não há nem passado, presente e futuro.

Ele sempre vai ser “aquele irmãozinho”, irmãozinho porque nunca deixou de ser um recém nascido e aquele porque é a maneira de se definir algo distante, mas ainda assim presente. Ele não é um irmãozinho que ocupa um lugar na mesa, ou no sofá, que tem voz, rosto, gostos, ele não sai pra balada, nem chega tarde, não dá preocupação, nem alegrias. Então ele é aquele.

Como aquela pessoa que não quer ficar com a gente. Aquela vizinha chata. Aquele colega que faz pergunta no final da aula... Aquele, que por algum motivo se tornou distante ou nos o colocamos distante e ao mesmo tempo, de alguma forma, está presente.

Hoje, aquele meu irmãozinho estaria de aniversário. Mas o verbo é conjugado no futuro do pretérito e ele é aquele. Aquele que nasceu e morreu num 20 de setembro de 1983, mas nunca vai deixar de ser meu irmãozinho.

Tuesday, September 18, 2007

Carência

Eu quero o sol surgindo no meio da tarde de um dia cinza. Uma chuva (forte) de verão no fim de uma tarde quente. E gostar por não ter um guarda-chuva na bolsa. E curtir a chuva. E depois fazer um pedido quando aparecer o arco-íris. E ter a certeza medíocre que banhos de chuva não dão gripe e a certeza bendita que, assim como existe um pote de ouro no fim do aro-íris, os desejos mais inocentes sempre se realizam.

Eu quero a palavra certa para escrever. E a certeza de que vale a pena. A ilusão de que tenho inspiração para criar histórias. E a consciência que transpiração é tão necessário quanto a tal inspiração. E a impressão que a melhor história é a que vai surgir, um dia, do nada, quando eu não tiver buscando inspiração. Quero um alfabeto inteiro de possibilidades.

Eu quero o abraço apertado do meu afilhado quando eu me dou conta de que o tempo passa rápido demais. O cheiro da minha mãe quando eu fico com medo do que vai vir pela frente. O sorriso calmo do meu pai quando eu perco a calma. Os passos pesados do meu irmão quando me sentir longe demais. Quero ter a consciência de aproveitar tudo isso porque um dia não terei mais. E não me lamentar depois.

Quero algodão doce (rosa) quando sentir saudade da minha infância. Quero sair por aí de mochila quando precisar de um tempo. E voltar com uma mochila cheia quando perceber que chegou a hora. Quero dançar música egípcia, de vermelho, para provocar. E dançar música turca, de azul, para encantar. E saber que a mistura música diferente + dança sensual sempre causa uma reação. E saber lidar com essa reação.

Quero abraço, braços, beijo, boca, língua sempre que sentir saudade de ti. E corpo para percorrer. E tatuagens para descobrir. E entender que nem sempre eu terei sua mão e sua atenção. Quero dias de céu azul e noites estreladas. Quero praia vazia e pista cheia. Quero vinho para curtir e cerveja para divertir.

Quero juntar os pedacinhos de carência, para, quem sabe um dia, me tornar inteira.

Thursday, September 13, 2007

Divulgando o Tele Senado!


Não precisamos entrar no mérito do conteúdo. Mas a capa do jornal Diário Gaúcho de hoje, 13 de setembro, estava demais, muito boa mesmo!

Um dia depois que o Senado absolveu o Renan Calheiros e fez o Brasil inteiro engolir uma pizza amarga, exibindo um enorme nariz de palhaço, todos os jornais se manifestaram, mas pouco com a ironia e audácia do jornal Diário Gaúcho. Esse mesmo, aquele jornal de pobre, que custa centavinhos, sensacionalista, que escorre sangue pelas páginas e exibe mulher semi-nua na capa...

Grande Diário Gaúcho, eis a manchete do dia “Quer pizza? Ligue para o Tele Senado: 61 3311 4141”.

Eu que trabalho com política e sei o telefone do Senado não acreditei quando vi o número na capa. Tômara que muita gente tenha ligado para confirmar! Se de cada dez leitores, um sucumbiu a curiosidade e pegou o telefone para confirmar, já estamos no lucro. Há, se mais jornais tivessem a coragem de divulgar o telefone do Senado Federal, muitas publicações ditas elitizadas, não publicam nem o telefone do posto de saúde da esquina!

Adorei, como estudante de comunicação e principalmente, como cidadã. Mandei e-mail para o editor parabenizando pela audácia, foi merecido! Enquanto todos os outros jornais divulgavam a vergonha brasileira e o sabor amargo dessa pizza, o Diário Gaúcho dizia nas entrelinhas: “Reclama, tá difícil de entender essa piada, tá se sentindo um palhaço no meio do picadeiro verde-amarelo, a pizza que enfiaram goela abaixo tá amarga? Reclama! Aqui está o número dos pizzaiolos!”

Eu liguei! E você?

Sunday, September 09, 2007

Um pouco de saudade

Tem dias que eu acordo pensando muito em ti, como se tivesse a certeza que a qualquer momento você vai chegar aqui em casa, me chamando de batata. E a gente vai conversar, vamos rir, eu vou achar graça da sua risada que faz você perder o ar... Mas você não vem. Nunca mais vai vim.

Não fomos o que podemos chamar de grandes amigas, mas éramos primas. Não estávamos sempre juntas, mas ficávamos sempre juntas. Sempre fomos tão diferentes, em tudo. Você gostava da Mara Maravilha e eu da Xuxa, era morena e eu loira, gostava de brincar de casinha e eu de escritório, jogava vôlei e eu futebol, preferia biologia e eu literatura, fazia enfermagem e sonhava com uma família e eu queria escrever e correr o mundo. Era gremista e falante, nossa como tu falava! Independente disso, eu queria muito que você ainda fosse!

Lembra da festa de formatura da Sandra? Foi nossa última festa, você dançou a noite toda. Eu lembro. E de todo o resto: Dos aniversários, das apostas de quem comeria mais negrinhos, dos verões, quando eu ia para Imbé e você, Tramandaí, o que na ótica de duas crianças era uma distância imensa. E os sustos que dávamos na vó!? Nossa, quantos castigos por causa disso. Virada de ano era (pra mim) apenas ensaio para o teu aniversário. Teve um ano que você me pediu um cd do Daniel (outra diferença, tu sempre gostou de música ruim), eu dei, e junto, um da Tequila Baby (nunca desisti de fazer teu gosto evoluir), ai no meu aniversário, tu apareceu com um cd da Sandy e Júnior que eu nunca ouvi, mas confesso, nunca vou colocar fora.

Tu sempre fez tudo primeiro que eu, apesar de ser mais nova, talvez porque tivesse pouco tempo. Acho que na minha vida inteira eu não vou ter metade dos namorados que você teve em 18 anos. O que eu mais gostava em ti era, que apesar da vida nunca ter sido fácil contigo, tu sempre estava bem, feliz, alegre. (Outra diferença!) Agora é péssima essa certeza que não vou mais te encontrar na Unisinos, que não vai ter você na minha formatura, que não vamos no próximo Grenal, que não vamos nos encontrar na casa de algum tio ou no centro...

Lembro das coisas ruins também, que estão longe de ser as nossas briguinhas infantis... Aquele caminhão, naquela tarde chuvosa e o silêncio depois... O dia seguinte teve um sol lindo e céu azul (como o Grêmio, tu falaria com certeza), lembro do Juliano chorando, do meu pai dirigindo quieto e sério (lembra, ele nunca é sério e sempre dirigi cantando), do por quê estampado nos rostos de todos os teus amigos... Depois disso, tanta coisa aconteceu, e sempre que vou para praia lembro de ti, talvez porque suas cinzas estão lá, tornando você parte de tudo...

Agora eu estou morena, o Juliano e o Dé já são pais, o Dionatah não é mais filho único, o Fi tem uma risada igual a tua. A Sabrina decidiu fazer pedagogia, a Sandra tá fazendo mestrado. Meu time foi campeão do mundo e eu, definitivamente, não gosto de caminhões...

Me espera com um bandeja de negrinhos, que um dia vamos ter muita coisa para conversar. Ah, prometo que vou levar teus cds de música ruim e os papéis de carta que você pediu para eu guardar.

Escrito depois de um feriadão show, com céu azul e um monte de coisa bacana, mas com um pouco de saudade de quem faz uma falta danada...

Wednesday, September 05, 2007

Ponto de vista

Sempre escrevo de noite. Mas agora são 6h30 da manhã, acordei há uma hora, pois tenho que gravar dois programas de rádio para um trabalho da faculdade, não posso dormir e como não tem nada para fazer (por enquanto, depois vou ter 25 horas de gravação para decupar)... Resolvi escrever.

Não sei se muda alguma coisa. Mas de noite é melhor, não há nada para fazer, então só me resta escrever. O dia já acabou, já trabalhei, já estudei, já fui para academia, já me irritei, já me acalmei, me atrasei...

E agora, há tudo para fazer! E isso me deixa angustiada... Se eu tiver que parar no melhor do texto porque tá na hora de ir correr? Eu posso não ir, claro, mas depois vou ficar irritada. O texto vai ficar pior do que já é. Se eu for mais tarde posso me atrasar toda, durante todo o dia.

Mas claro que agora a cabeça tá mais limpa (tipo colégio: estudar de manhã é melhor, estamos mais descansados e bláblá...) E será que para escrever isso é bom? A noite e, principalmente, a madrugada inspira, talvez pelo silêncio, pelo ar, pelas pessoas já entregues e cansadas, portanto sem máscaras, mais verdadeiras. Será que isso se reflete no que escrevo?

Talvez seja só um ponto de vista, até porque escrevo outras horas do dia, mas de noite, quando já fiz tudo o que tinha que fazer e só eu e as inspirações (ou pirações) que à noite as pessoas deixam escapar.

Sunday, September 02, 2007

Utopia

Eu acordo, misteriosamente com 10 centímetros a mais e de bom humor, olho para aquele homem deitado na cama, lindo, inteligente, bom de cama e sei que ele me ama. Sei também que nossos filhos: Théo, Maria Eduarda e Ernesto, todos adotados, foram as melhores escolhas de nossas vidas.

Meu último livro está algumas semanas na lista dos mais vendidos, estou trabalhando num novo roteiro para o cinema, a adaptação de um livro do Jostein Gaarder. Minha paixão, o jornalismo, foi dando lugares a outros amores, mais brandos e com menos possibilidade de me decepcionar, mas tudo cria da comunicação. Quem diria, a assessoria que montei com o Júnior é hoje uma das maiores produtoras do país.

Depois de algumas temporadas no Belly Dance Ballet, dou aula para as presidiárias da penitenciária feminina da minha cidade, que eu ainda não decidi qual será, mas tenho certeza que deverá ter um mar lindo e azul por perto.

Até que fim consigo falar fluentemente alemão, para orgulho da minha avó que não pôde me ensinar tudo porque foi embora cedo demais. E não confundo mais vacanze com vacation, nada que umas férias no sul da Itália não resolvesse.

As pessoas estão mais humanas, os aviões mais seguros, os ladrões em extinção, os homens mais fiéis, meu irmão menos vagabundo, chocolate não engorda, negrinho é universal e silicone agora não é perecível.

O próximo projeto: Talvez um documentário sobre o interior da Nova Zelândia, ou a vida decadente de uma estrela pop ou ainda lançar a biografia de algum ex-presidente do Brasil. Um dia meu restaurante vegetariano sai do papel!

A vida segue, como tem de ser, com algumas risadas e outras cabeçadas, cada um atrás de seus sonhos ou vivendo vidinhas medíocres e eu, escrevendo minhas utopias.

Friday, August 31, 2007

Espirros, tosses e devaneios...

Foram três semanas tri mal, entre espirros, tosses, gripe e febre. Os devaneios?! Ah, nunca precisei ficar doente para ficar viajando... Nesse tempo tive tempo para pensar em um monte de coisas, pois não dava para fazer nada, além de passar as tardes no msn, quando conseguia ficar com meu olho aberto e a cabeça não doía muito.
Perdi algumas coisas, o puta show do No Use for a Name, algumas manhãs de sol excelente para correr, algumas aulas, alguns dias no serviço e principalmente, perdi o ar!

E foi nessa perda de ar que eu pensava o tempo todo. Estranho essa sensação horrível de não conseguir respirar! Tá tudo ótimo até que o ar fica pesado, o nariz não dá conta e parece que por mais que tentamos engolir, literalmente, todo o ar do mundo, não dá. Falta espaço no pulmão, falta força, falta nariz e o ar some! Que loucura! Dormir então, era pior ainda, não tinha como, pois não tinha como respirar...

Apesar do ar rarefeito, mesmo sem ter mudado de altitude, latitude e longitude, deu para fazer algumas coisas... Meu TCC ganhou mais algumas folhas, escrevi um montão de coisas, olhei sessão da tarde numa quarta-feira, dormi muito (por pura falta de opção) e aprendi a nunca mais toma remédio para tosse sem ir num médico antes!
O remédio parou a tosse, mas para isso trancou todo o ar que havia nos meus pulmões. Resultado: ar não entrava porque tava tudo cheio de ar e eu não conseguia respirar, mais tosse, mais gripe e mais febre.

Teve papai me dando remédio de madrugada, mamãe fazendo bolinho para mim comer de tarde, maninho todo preocupado, chefe ligando para saber como eu estava e falando: “só volta quando ficar bem boa”, vizinha receitando chazinho, amiga deixando a balada para me fazer companhia...

E teve um textinho bobo que eu fiz numa dessas tardes de ar rarefeito, mesmo com o maior sol lá fora (eu não podia nem pensar em pegar vento)...

Percebi que as idéias não param por causa do ar, parecem que vem com mais força e essa voz que me acompanha desde sempre, que não cala a boca um minuto, que me faz escrever, que às vezes não me deixa dormir, que me faz rir sozinha no meio da rua, ficava gritando dentro de mim: “Olha que louco, tu não tá conseguindo respirar, tu pode morrer a qualquer momento e eu não falei nem um terço das coisas que tu tem que escrever! Vamos, escreve! Me põe para fora, se mostra, se mistura com o ar que falta e se confunde. Confunde os outros também, tranca o pulmão dos outros, porque eu preciso de ar”

Meu Deus, essa voz nunca perde o ar?

Tuesday, August 28, 2007

Meu amor se mudou prá lua

Linda essa música da Paula Toller!
Tudo bem, tem refrão que gruda fácil... Mas ainda assim é poética!
"Eu quis te ter como sou
Mas nem por isso ser sua..."
É isso, simples e demais!!!!!!!!

Meu amor se mudou prá lua

"Cai a tarde sobre os ombros
Da montanha onde me largo
O dia não foi!
A noite o que será?
Meus cabelos pela grama
E eu sem nem querer saber
Por onde começo
E onde vou parar?...

Na imensidão da manhã
Meu amor se mudou prá lua
Eu quis te ter como sou
Mas nem por isso ser sua...

Vou adiante como posso
Liberdade é do que gosto
O dia nasceu
Azul a sua forma
Já não quero mais ser posse
Fosse simples como fôsse
Um dia partir
Sem ganchos nem correntes...

Façamos um brinde
Façamos um brinde
À noite que já vai chegar
Façamos um brinde
Façamos um brinde
Ao vento que veio dançar..."

Saturday, August 25, 2007

Privacidade X público

Foto: Roberto Stuckert Filho

Muito se falou, na última semana, do furo de reportagem do jornal O Globo, que flagrou a troca de mensagens entre os ministros Ricardo Lewandowski e Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, numa sessão que discutia a punição para os envolvidos no mensalão.

Se discutiu a atitude do fotógrafo, se O Globo agiu certo em dar esse furo, o conteúdo das mensagens e, como sempre acontece na imprensa brasileira, esqueceu-se do mensalão. Porém, entre os jornalistas e nas salas de aulas dos cursos de comunicação, nada foi mais discutido, que a suposta invasão de privacidade.

Me pergunto que privacidade?! O STF é um órgão público, embora seja o mais fechado dos três poderes, os ministros são pessoas públicas, a sessão que estava sendo realizada era aberta ao público, o assunto, de interesse público e os computadores pertenciam ao STF, logo, de uso do poder público.

E ainda falam em privacidade?! Não há privacidade nesse caso. Aliás, onde há privacidade hoje em dia?

Se o conteúdo das mensagens fossem pessoais, talvez essa discussão fosse pertinente. Talvez se a Carmen Lúcia e Ricardo Lewandowski estivessem discutindo sobre o tempo, ou falando mal de algum outro ministro, ou combinando um jantar, ou o motel que iriam depois da sessão, ou até mesmo sobre a chatice da sessão, ou, ou, ou... Mas não!

Não era nada pessoal, embora o voto seja secreto, o conteúdo das mensagens era de interesse público. Se eles estavam combinando os votos, paciência, quem nunca combinou votos?

Isso pode ser furo de reportagem, oportunismo do fotógrafo, armação da globo, sorte de O Globo, azar da Folha de São Paulo, artimanha para tirar a atenção do fato principal... Qualquer coisa, menos invasão de privacidade!

Tuesday, August 14, 2007

E agora?

...aconteceu!
Não podia me envolver, não queria me apegar, não era para criar expectativas. E sempre deu para perceber que você também não queria se envolver e se apegar. Tudo tranqüilo, só curtição... Confesso que não queria. Ah, sei lá, nunca fui de ficar, mas porquê não, se é só curtição? E também porque sempre pensava que seria só mais uma vez.

Você não se envolveu e não se apegou como tinha que ser, mas eu me apeguei e me envolvi e agora eu tenho que fazer de conta que estou ótima e que era só curtição. E era. Até perceber que o motivo para eu deixar o meu celular sempre ligado era você. E uma possível ligação, uma possível mensagem que sempre fica perdida na possibilidade de poder acontecer, até ter o peso da certeza de que não aconteceu.

Dói? Não muito. De uma certa maneira é uma dor conhecida, então e só tratar e esperar o tempo passar e a dor passar com ele. Embora nunca acredite nessa história que o tempo cura tudo, pois não cura nada, apenas deixa de ser o foco. Arrumo outra coisa para fazer, trabalho bastante, penso no meu tcc, ensaio e pesquiso a dança do ventre por horas a fio, leio muito, escrevo mais ainda... Até me dar conta que o tempo passou, o que dura uma fração de segundos, até cair na real e perceber que, na verdade, se passaram poucos minutos. E que não consigo fazer nada porque não consigo me concentrar.

Penso que controlo o meu pensamento e, consigo por instantes, fico feliz, até o pensamento me lembrar você e ficar rindo da minha ingenuidade de achar que posso com o tal inconsciente. Pior é agüentar o diabinho que fica sobre o meu ombro rindo da minha cara, como se falasse: “Viu boba, de novo! Não vai chorar, né? Tu sabe que a culpa é só tua, quem mandou deixar?” Como num desenho animado, que no fundo nunca anima nada.

Outro dia me falaram que gripe é a doença dos carentes. A gripe seria uma maneira do inconsciente (sempre, ele!) pedir atenção. Estranho, estou gripada há três semanas. E acho que não há remédio e chazinho que vá me curar. Tô quase perdendo o nariz, trocando de pulmão e implorando para o papai do céu um coração novo, imune a paixonites agudas.

Você é tão diferente, que eu não consigo acreditar que às vezes fico triste porque gosto disso. Como não acredito no que estou escrevendo. A possibilidade de você chegar a ler me assusta. Ficaria com vergonha, mesmo sabendo que vergonha dá e passa. Mas a culpa é minha e eu sabia que não devia. Não há espaço e nem possibilidade. Eu, que sempre perco tudo, me perdi.

Não era para acontecer, mas...

Saturday, August 04, 2007

Entre liberdade e responsabilidade...

“Essa é a Rê, que tem a família que a gente pediu a Deus. Ela já nasceu podendo levar namorado pra casa e fumar maconha...” Foi assim, exatamente assim, que uma amiga me apresentou para uma pessoa. Na hora não liguei, mas depois fiquei pensando nisso...

Minha amiga, que fuma maconha e dorme escondido na casa do namorado, não exagerou em nada. Realmente, eu, meu irmão e a grande maioria dos meus primos sempre tivemos liberdade para tudo, até para fazer o que deve.

O mais engraçado é que eu sempre usei pouco essa liberdade toda. Nunca namorei, e mais, conto nos dedos quantas bocas eu beijei (e não chego a completar meus dez dedos)! Maconha? Só uma vez, pra vê qual era. Cigarro? Nunquinha! Algum outro tipo de droga? Raramente e por pura curiosidade! Nunca fiz um terço do que minhas amigas fazem e sim, sempre tive mais liberdade que a maioria.

Eu tava com 12 anos quando cheguei em casa com uma baita preocupação. Depois de encontrar uma colega de aula chorando porque seu pai não a deixava namorar, me caiu a ficha: e eu? Perguntei para o meu pai que me olhou e disse: “Com a idade que quiser. É só ter juízo”. No outro dia, minhas colegas não acreditaram e passaram a adorar meu pai. Até hoje é assim. Quando alguém precisa mentir para dormir com o namorado (tenho amigas de 24 anos que fazem isso!!!!!!!!), falam que estão aqui em casa.

Sempre sai e nunca tive hora para voltar. Quando quis fazer tatuagem, com 14 anos, ouvi meu pai, que nunca gostou de tatuagens, dizer: “Tu sabe que é para sempre, não sabe?” O primeiro piercing foi presente de Natal, com 12. Meu irmão, que tem 10 tatuagens, oito piercings e um moicano de 40 centímetros nunca vai deixar de ser o neném da família. Se quiser largar o emprego para passar o verão na praia ou em alguma comunidade maluca que existe pelo litoral de Santa Catarina, ninguém vai pirar.

Shows do Kiss, Deep Purple, NOFX, Roger Water, Bad Religion e Eric Clapton sempre foram programas de família. Minha mãe sabe toda a programação da Ipanema e a diferença entre um punk rock e um hardcore e meu pai sempre soube, e disse, que proibir era pior. Tenho tio que parece que nunca saiu da década de 60. Primas que hoje são excelentes mães de família e já tem 30 anos, eram punks e entraram no camarim dos Ramones (que inveja!)

Se a teoria do meu pai é certa, não sei. Sei que resultou em dois filhos tri responsáveis. Meu irmão é o punk mais família que eu conheço! E o melhor, com cabeças abertas, amigos de todos os tipos e com um excelente gosto musical. Por que eu sempre aprendi que junto com a liberdade vem responsabilidade. Meus pais nunca foram menos pais porque raramente me disseram não. Fizeram melhor, me ensinaram que eu sou responsável por qualquer escolha.

Sim, eu posso trazer namorado para dormir em casa, fumar maconha e tudo o que quiser, desde que eu tenha juízo! E isso me deram junto com a liberdade.

Tuesday, July 31, 2007

Meus nomes

Nunca gostei dessa história de ter nome composto!

Pô, Renata Valquíria!!!!!!!!! É muito ruim...

Mas sente os significados:

Renata: renascida (até que tem haver...)

E num momento-nada-para-fazer-vadiando-na-internet eis que descubro:

Valquíria: guerreira de extrema beleza!

Hahahahaha, sério!

Saturday, July 28, 2007

Por agora, fugi do divã!

O telefone tocou às 7h40 de uma quinta-feira que eu não iria trabalhar, portanto ficaria na cama a manhã toda! Até o celular, que estava carregando a bateria na tomada mais distante da minha cama, me tirar do glorioso e fantástico mundo dos sonhos. Eu levanto com frio, morrendo de frio na verdade, e me odiando por ter deixado esse supérfluo indispensável ligado!

Eis que ouço a voz fofa da minha EX-psicóloga (por que será que toda pessoa gorda tem a voz fofa?) me perguntando se eu me dei alta?

Às 7h40 de uma manhã gelada, eu, que sou louca o suficiente pra dormir só de calcinha até com temperaturas abaixo de zero, procuro algo para tocar na parede e numa fração de segundos lembro o destino das webcams que já tive e de muitos porta-retratos. Então, respiro fundo e respondo calmamente que sim, me dei alta! Me fazer de louca pra uma psicóloga, seria burrice!

Eu estou mais calma, não lembro qual foi a última vez que chorei sem motivo, não quebro mais as coisas cada vez que fico irritada, estou tentando ser uma pessoa mais doce e simpática com todos. Você falou tanto que eu sou anti-social que estou quase acreditando.

Sei que é feio reclamar da vida e é quase um pecado não ser feliz. Eu sei que quando cheguei até você, pensava que me matar era uma excelente saída. Mas eu mudei! Hoje eu acho que a melhor, e única, saída para tudo é cair um meteoro e matar todos de uma vez, inclusive as baratas! Veja só, deixei até de ser individualista! Pensando bem... Deixa as baratas, ter que fugir delas no além também, não dá, como eu descansaria em paz?

Confesso que continuo odiando certas convenções, ainda não superei a preguiça que tenho pra pegar um carro e encarar essa selva de quatro rodas que é o trânsito, o medo imenso que eu tenho de me apaixonar, seja por um príncipe encantado, um sapo ou rapaz de carne e osso só aumentou, escrevo, escrevo e escrevo vorazmente e acho que só produzo lixo, minhas dúvidas em relação às religiões também são as mesmas e minha impressão que fazer análise é super legal, principalmente para quem é metido a intelectualóide e acha que tem um certo charme na tristeza, ainda é esta.

Por que me dei alta? Ah, abandonar a terapia é ainda mais legal que fazer, mais cult! Tira férias de mim e das minhas neuras. Um dia eu volto, carregando toda a tristeza, toda a solidão e a angústia que uma moça que não tem nenhum motivo pra reclamar da vida, pode ter.

Claro que depois de dois anos cuidando da mente, já sei falar o que uma psicóloga quer ouvi. Portanto não falei nada disso, apenas expliquei gentilmente e calmamente que resolvi andar por conta própria. Minha EX-psicóloga me deu parabéns e me desejou sorte e eu, até fingi uma certa emoção.

Depois que a Doutora desligou voltei para a cama tendo a certeza que o mundo me odeia, por me fazer ter calma, pensar e ainda interpretar às 7h40, numa temperatura de 4º C, com sono e só de calcinha... Não, não sou neurótica, mas querem prova maior que o mundo me odeia? Que esse meteoro caia de uma vez!

Sunday, July 22, 2007

Você não gosta das minhas tatuagens...

Mas fez questão de frisar: “É a ÚNICA coisa que eu não gosto em você. É que você é tão delicada que não combina, sabe?” Eu fiquei quieta, na verdade, não importa se você gosta ou não das minhas tatuagens. Meu pai também não gosta e isso nunca me importou. E eu gosto muito mais do meu pai do que de você.

A graça toda é você afirmar que algumas cores no meu corpo é a ÚNICA coisa que não gosta. Tenho certeza que essa é apenas uma das coisas que você não gosta em mim, mas talvez a ÚNICA que tenha coragem de falar.

Vamos lá: o meu silêncio te irrita, minha sinceridade e meu senso de humor então... Quando pergunto com a maior calma, e ironia, do mundo: “Tua namorada sabe que você está comigo? Por que você não fala? Não rola sinceridade entre vocês?” Sei que deixo você p... da cara, mas é pura preocupação, juro!

A maneira como me exponho quando escrevo, não te agrada. Você não entende como posso ser vegetariana, espírita e às vezes duvidar de Deus. E verbalizar todas essas minhas dúvidas que chocam teu moralismo católico. Ah, tu sabe que eu fui expulsa até da catequese. Ainda bem, porque sempre pensei que religião tem que nos libertar e não aprisionar. As propostas pedagógicas das escolas, eu nunca me adaptei, trabalhar 8h por dia, bater cartão, como se produtividade tivesse hora, tô fora.

Você me acha criança e irresponsável. Eu quero viver, só isso. Não vejo problema em pedir demissão pra ir curtir o verão, eu faço isso porque sei que emprego a gente arruma outro, e muito melhor. Não tenho medo de arriscar. E isso te assusta.

Tudo em mim te incomoda! As músicas barulhentas que eu escuto, os livros sem-vergonha que gosto de ler, minha mania de dormir tarde e de trocar qualquer refeição por um monte de chocolate. Você gosta que eu dance, né? Mas não para os outros, afinal dança do ventre é muito sensual pra dançar em cima de um palco, agora, dentro de quatro paredes, tudo bem. Só que eu adoro um palco e mais, amo os aplausos e a reação que a dança provoca nas pessoas!

Como uma drogada em fase de recuperação, ainda tenho algumas recaídas. Fico com você, mesmo sabendo da tua namorada, do teu moralismo que nunca vai permitir que você goste de uma maluca que entra em roda em punk e que você não gosta das minhas tatuagens. Só delas.

Eu respiro fundo, faço cara de boa moça e finjo que acredito. Depois eu encaro o vazio que fica e dou risada. Mesmo você achando que a minha gargalhada é espalhafatosa demais.

Sunday, July 08, 2007

À espera do carteiro



"A cada abertura da caixa de Correios, um sorriso. Como era bom sempre ter alguém que tirou um tempo para lhe escrever. Cartas se tornaram raras, sentimentos bons em alguns corações, não. Apesar das cobranças representarem a maior parte das entregas, carteiros continuam, diariamente, levando correspondências pessoais para algumas residências. Há, ainda, quem sinta prazer em escrever a próprio punho, remeter um cartão postal da cidade, enfim, levar suas energias através de um papel. Os motivos são variados, mas, em quase 100% dos casos, positivos. O remetente, o destinatário, o carteiro. Todos têm histórias para contar..."

Show o lançamento do documentário "Á espera do carteiro", dia 06 de junho no mini-auditório Érico Veríssimo, na Unisinos.

Nossas fontes, Elô, Daniel e o carteiro Oriovaldo estiveram presente.
Foi muito bom ver o resultado de meses de trabalho e planejamento. Produzir um documentário é mágico, nos sentimos "fadas madrinhas", pois transformamos em imagens coisas que imaginamos. É incrível ver nossas idéias tomando formas!

Até que enfim nosso carteiro chegou e trouxe um belo documentário!

A foto foi tirada no dia 19 de maio em Santo Antônio da Patrulha, depois das gravações na casa do Daniel Vila Verde. Estávamos saindo da Casa da Colônia, onde passamos para fazer as devidas compras: rapaduras, sonhos, cachaças, pães, mel...

A incrível equipe
Roteiro: Aline Ebert
Imagens: Pedro Farias
Assistente: Lucas Barroso
Montagem: Edi Silva
Finalização: Edi Silva e Thiago Silva
Produção: Ana Paula Santos, Guilherme Ferreira, Renata Machado e Rogério Tons
Decupagem: Tobias Jung
Direção e Edição de imagens: Aline Ebert e Ernani Luis Kunst
Trilha Sonora: Camila Mazzini e Fábio Sidrack
Supervisão técnica: Edison Steffanello
Supervisão geral: Profª Luiza Carravetta
Motoristas: Fábio Oliveira da Silva e Sérgio Luiz Luz


Trilha pesquisada:

Maracanã - Luisa Mandou um Beijo
E.C.T - Nando Reis
Mande nem que seja um telegrama - Odair José
Post-modern democracy - Juicemen
Escreva logo - Renato e seus Blue Caps

Um abraço e um agradecimento especial para a professora Luiza Carravetta, que sabe ser humana, no sentido mais literal que essa palavra possa ter!

Thursday, July 05, 2007

O convite



Dia 06 de junho de 2007 (amanhã) é o lançamento do documentário "À espera do carteiro"!!!!!!!!!!!

Todos muitos ansiosos, mas imensamente felizes, depois de meses temos o resultado de tanta dedicação!

Depois eu conto como foi a chegade desse carteiro!

Sunday, July 01, 2007

Seres, mas não humanos!

Mesmo sendo jornalista e escrevendo sobre fatos desprezíveis todos os dias, nunca fiz dos meus blogs um muro de lamentação. Se na minha profissão tenho que ser exata, imparcial e concisa; aqui, tenho apenas que ser e sou livre, subjetiva, escrevo coisas sem nenhuma relevância para os outros. Os fatos, as notícias diárias eu deixo nas redações. Aqui eu deixo meus devaneios. Crio um outro mundo porque não gosto desse que vejo por aí!

Mas devido aos últimos acontecimentos, não dá. Vou misturar a realidade podre que vivemos e o meu mosaico de reflexos. Não como jornalista, mas como cidadã que se indigna com o que lê nos jornais (embora tenha aprendido que notícia ruim vende mais!)Até nós, os urubus da imprensa, nos decepcionamos com o que somos obrigados a informar.

Na madrugada de sábado, dia 23 de junho, a empregada doméstica Sirlei Dias de Carvalho Pinto, 32 anos, foi brutalmente agredida por cinco jovens, de classe média alta, num ponto de ônibus do Rio de Janeiro!!!!!!!!!!!!!!!

Na segunda-feira, dia 25, o muro de um bar na Avenida João Pessoa, em frente à Faculdade de Direito da universidade, em Porto Alegre, foi pichado com a frase “Negro só se for na Cozinha do R.U., cotas não!". No mesmo local, foi pintada uma cruz suástica, símbolo do nazismo. Já na Rua Sarmento Leite, uma calçada foi pintada com a frase "Voltem para a Senzala". Tudo porque a entidade estava discutindo a implantação de cotas sociais no processo seletivo!!!!!!!!!!

Após a final da Libertadores da América, entre Grêmio e Boca Juniors, o colorado Emersom Luis Marques Goulart, de 31 anos, foi espancado por um grupo de pessoas que assistiam à partida num bar no centro de Dom Pedrito, no RS!!!!!!!!!!!!!!!!!

Há duas semanas, uma audiência judicial foi suspensa no Paraná por um motivo inusitado. O juiz Bento Luiz de Azambuja Moreira, da 3.a Vara do Trabalho de Cascavel, suspendeu a audiência porque o trabalhador rural Joanir Pereira calçava chinelos, único calçado que possuía!!!!!!!!!!!!!!


Como todo mundo, fiquei indignada com essas notícias. O que leva cinco jovens a espancarem alguém? Por que o preconceito ainda existe em lugares que deveriam ser moradas para a liberdade e igualdade? Matar um torcedor do time rival, pra quê? O que determina que um sapato é melhor que um chinelo?

Infelizmente, não sei as respostas, talvez ninguém saiba. Sei que isso me revolta e me indigna. Que mundo é esse que nos mesmos criamos, que banalizamos tudo? Não questionamos nada porque tudo acaba em pizza mesmo. Aceitamos e aceitamos, nem pensamos porque temos coisas mais importantes para pensar... Afinal, por que o namoro do Alemão e da Siri acabou?

Herbert Marcuse estava certo quando afirmava que somos apenas homens unidimensionais e justamente por isso não ampliamos nossas dimensões! Quando nos deparamos com comportamentos tão medíocres como esses sentimos vergonha, é difícil encarar o lixo que nos tornamos. Sim, todos nós, farinha do mesmo saco, seres humanos que há muito desconhecem o significado da palavra humano!

Saturday, June 30, 2007

Cores diferentes, beleza igual

Reportagem feita por mim e pela querida amiga Ana Carolina Rodrigues para a revista Primeira Impressão, da Unisinos, lançada no dia 29 de junho de 2007. O tema da revista é "Contrastes". A nossa pauta, sobre Loiras X morenas.

Sansão era um homem de força descomunal, que derrotou exércitos inteiros, cujo segredo estava em seus longos cabelos. Apaixonado, ele sucumbe aos carinhos de Dalila, que o trai. Dalila corta as madeixas do guerreiro enquanto ele dorme e o faz perder todo seu poder. Ao contrário dessa lenda, os cabelos não são geradores de força, pois são formados por um tecido morto, de uma proteína chamada queratina, a única função é aquecer e proteger a cabeça do sol. Mas é incontestável o poder que concedemos aos fios que cobrem nossas cabeças.

Os cabelos contribuem para uma imagem clássica ou radical, podendo ser repletos de significados, como, conceitos de ousadia, juventude, liberdade, sedução e poder. Pintar os cabelos de acordo com os próprios desejos é uma maneira de deixar transparecer a identidade, revelando o que a pessoa almeja transmitir com a coloração escolhida. Ao longo da história, algumas mulheres se tornaram referência pela cor de suas madeixas. Na década de 40, o mundo viu surgir o furacão loiro chamado Marilyn Monroe, que, após trabalhar como modelo, estrelou vários filmes, inclusive o sugestivo “Os homens preferem as loiras”, de 1953. A estrela platinada morreu no dia 8 de agosto de 1962 e ainda hoje seu nome representa um sinônimo de beleza, sensualidade e glamour. Já na década de 50, do outro lado do atlântico, o mundo conhecia a bela morena italiana Sophia Loren, uma das maiores atrizes que o cinema já teve. Com mais de 70 anos, a estrela sempre é referência quando se fala em morenas bem sucedidas. A mídia continua dividindo suas beldades entre loiras e morenas. O Brasil, em 1969, conheceu a brejeirice da morena Sônia Braga, mesmo ano que a platinada Vera Fischer conquistava o título de Miss Brasil. Ambas as atrizes são, ainda hoje, ícones da beleza brasileira.

Num país onde a grande maioria das mulheres nasce morena, as gaúchas são consideradas as mais belas do país, tanto que na maior parte dos eventos de beleza, como concursos de misses, as gaúchas acabam, no mínimo entre as finalistas. Vale ressaltar que no Rio Grande do Sul, devido à colonização germânica, é fácil encontrar loiras naturais. A modelo e estudante de jornalismo Carolina Tremarin, 19 anos, de São Leopoldo, se orgulha de seus longos cabelos loiros naturais e costuma fazer luzes para clarear ainda mais os fios. “No inverno, escureço dois tons, mas não deixo de ser loira”, explica. Carolina acredita que o fato de ser loira colaborou para iniciar sua carreira de modelo, há dois anos e meio, mas não foi o mais importante: “Foi todo o conjunto”. A modelo não esconde sua opinião sobre as brincadeiras que agridem as mulheres por causa da cor do cabelo: “É um absurdo!” Esse preconceito ou brincadeira, certamente se intensificou quando Gabriel, O Pensador lançou a música Loraburra, em 1993. Para ela, grande parte dessas piadas é provocada pelas próprias loiras famosas. “As celebridades loiras de hoje não são referência para ninguém!”

O gosto pela cor natural

Para a estudante do 3º semestre do curso de Moda da Feevale, Valentina Mussillo Baich, morena, 18 anos, a cor natural de seus cabelos “é tudo”. Ela diz que no mercado da moda há muita variedade de tonalidades nos cabelos, mas sua opinião é que quanto mais natural for à cor do cabelo melhor, pois quando o assunto é a diferença entre as mulheres loiras e morenas, tudo deve ser pensado. “Os especialistas pensam em tudo antes de mudar a tonalidade do cabelo de uma modelo ou cortá-lo. Acredito que é muito difícil uma mulher que é oriental ou negra ficar bem ao pintar o cabelo com uma tonalidade de loiro forte.” afirma. A morena que defende a cor de seu cabelo salienta que gosta muito das mulheres loiras e admite que elas fazem muito sucesso no país. Conforme Valentina quando o quesito é a atenção dos homens, a loira chama muito mais atenção do que a morena. Para ela, o estereotipo de mulher loira é raro e essa raridade é que atrai os homens. “O Brasil é um país dominado pelas morenas. A mulher loira, olhos azuis chama atenção dos homens por ela ser rara aqui. Se colocarmos uma mulher morena ou negra em países típicos de loiras, as morenas serão a sensação”.

Valentina não acredita muito que exista rivalidade entre loiras e morenas, para ela, são apenas brincadeiras e que o importante é a mulher se sentir bem. Sobre as exigências nas passarelas da moda, Valentina afirma que a grande característica da modelo está relacionada com a diferença e modelagem que os profissionais fazem com elas. “É muito melhor trabalhar com uma modelo crua, ou seja, que não tenha muitas pinturas no cabelo. O principal é que ela priorize a cor natural.”

A beleza de cada cor

Para o fotógrafo Marcos Pereira, 33 anos, que trabalha na área desde o ano de 2002, a ocasião determina quem faz mais sucesso. “Trabalho no carnaval de Porto Alegre e Canoas. As morenas e, principalmente as mulatas, fazem a alegria dos foliões”, explica. O profissional acredita que as morenas têm o corpo mais desenvolvido e escultural, por isso brilham mais na avenida do samba. Já nas passarelas, as modelos mais procuradas, segundo Oliveira, são as loiras, por terem mais o biotipo e magreza que esse mercado exige. “Toda mulher é bela, seja ela negra, loira ou morena. O que eu priorizo quando estou tirando fotos é o carisma de cada uma”, finaliza.

Michele Rodrigues, 28 anos de São Leopoldo, é proprietária do salão de beleza Cor e Corte, localizado no campus da Unisinos. Michele nasceu com o cabelo castanho. Aos 15 decidiu ser loira e começou a clarear os cabelos. “Já fui loira, branca! Tinha que pintar meu cabelo uma semana sim, outra não”, lembra. Após 13 anos, loiríssima, como se definiu, em abril de 2007, ela resolveu escurecer suas madeixas. “Estava enjoada!” Michele pintou o cabelo de castanho e garante que muitas pessoas acharam. Para ela, os outros estranham porque é mais comum uma mulher querer ser loira: “Aqui no salão, de cada dez meninas, 7 querem clarear os fios.” A empresária lembra que as loiras precisam ter um cuidado constante com seus cabelos, principalmente, retocar a raiz, já as morenas, muitas vezes são naturais e não precisam se preocupar tanto.

Nos anos que foi loira, Michele afirma que ouviu inúmeras piadinhas e brincadeiras, mas nunca levou a sério nenhuma. No mesmo dia que escureceu os cabelos, ela viu duas loiras no estacionamento da Unisinos, procurando o cartão para liberar a cancela do portão. “Na hora que passei pelo guarda falei: ‘Só podiam ser loiras.’ Já tava me sentindo morena”, conta aos risos. Michele, que já viveu os dois lados da moeda, não sabe afirmar qual faz mais sucesso. “Acho que depende muito do homem”. Ela afirma que vai permanecer mais um tempo morena e depois voltará a clarear os cabelos: “Meu namorado quer que eu faça luzes, mas vou esperar mais um pouco, quero passar o verão morena”, planeja.

Piadas e cores de cabelos à parte, os cabelos estão diretamente ligados com a auto-estima, pois fazem parte da identidade pessoal. De acordo com a psicóloga Daniela Soletti Musachio, 28 anos, de Canoas, a auto-estima é fundamental, pois se caracteriza pela imagem que o sujeito tem de si mesmo. A psicóloga salienta que a mulher, desde muito jovem, é estimulada pelo meio em que vive a se preocupar com a beleza estética, e a mídia acaba influenciando, não só pelos comerciais com mulheres bonitas e atraentes, mas também de novelas, filmes e seriados. “Se uma mulher famosa tiver, por exemplo, cabelos muito escuros e estiver em destaque naquele momento na mídia, algumas pessoas podem associar este sucesso à cor dos cabelos, optando, às vezes, pela mudança de coloração, identificando-se com esta pessoa e a idealizando como modelo a ser seguido”. Em alguns casos, esta estimulação acaba influenciando uma extrema valorização, isto é, numa busca incansável por um ideal de beleza. “Uma pessoa que dá muita importância para aspectos externos, imagina que todo seu potencial será notado através de sua aparência, caracterizando um perfil muito superficial. Ela tem uma percepção de que somente será aceita pelos outros se seus cabelos estiverem lhe agradando, de acordo com seus ideais de beleza. Muitas vezes fazem vários sacrifícios para chegar a este objetivo”, completa.

As pessoas, por diversas influências, julgam atributos como inteligência, sensualidade e até mesmo a fidelidade de uma mulher pela cor dos seus cabelos. “A visão de sensualidade freqüentemente é acompanhada pelo estigma da falta de inteligência. É comum que mulheres loiras, por terem a imagem mais associada à sensualidade, sofram com piadas e comentários pejorativos relacionados com a cor do cabelo”, declara. Daniela, adepta das luzes para clarear seus cabelos castanhos, finaliza dizendo que o importante é se sentir bem e feliz consigo mesmo.

Sunday, May 13, 2007

Pra quê justificar??

Estava olhando meu blog... E lembrei da pergunta de um amigo: "Rê, por que tu não justifica os textos do teu blog?" Na hora respondi que não sabia, nunca tinha reparado nisso...

Mas agora, me dei conta que realmente não justifico nenhum deles. E fiquei procurando uma expliação...

Caraca Lucas! Não sei o motivo, gosto mais assim... E ponto.

A matáfora pode ser exagerada, mas alguém já não disse que a vida nasce do caos?
Na desordem, no não alinhado existe uma possibilidade muito maior de erros e logo, de acertos...

A gente já passa a vida inteira tendo que se justificar. Nossos gostos, nossos sonhos, nossos atos, nossos pensamentos, nosso comportamento...

Meus textos nunca foram justificáveis, talvez por isso, não sejam justificados!

I believe in miracles



Porque eu gosto de Ramones. Porque eu também acredito em milagres. Porque eu acho que escutar uma música que duas vezes no rádio, em menos de uma hora, não deixa de ser um milagre!

I believe in miracles

I used to be on an endless run.
Believe in miracles cause Im one.
A have been blessed with the power to survive.
After all these years Im still alive.

Im out here cookin with the band.
Im no longer a solitary man.
Every day my time runs out.
Lived like a fool, thats what I was about, oh.

I believe in miracles.
I believe in a better world for me and you.
Oh, I believe in miracles.
I believe in a better world for me and you.

Tattoo your name on my arm.
I always said my girls my good luck charm.
If she could find a reason to forgive,
Then I could find a reason to live.

I used to be on an endless run.
Believe in miracles cause Im one.
A have been blessed with the power to survive.
After all these years Im still alive.

I believe in miracles.
I believe in a better world for me and you.
Oh, I believe in miracles.
I believe in a better world for me and you.

I close my eyes and think how it might be.
The futures here today.
Its not too late.
Its not too late, yeah!

I believe in miracles.
I believe in a better world for me and you.
Oh, I believe in miracles.
I believe in a better world for me and you.

No orkut alheio

"Este texto foi publicado no profile do orkut do querido Xande (a pedido do mesmo). Agora ele está aqui!"

Um amigo me pediu para escrever um texto para o profile do seu Orkut, sobre amizade!
Achei estranho... Para o profile dele! Mas vamos lá! Pode ser fácil falar de amizade e Orkut, ou não. Pensando no assunto já oscilei bastante minha opinião.

Ostentar centenas de “amigos” numa página virtual pode ser legal e fazer bem para o ego! Mas desses, quantos sabem que tenho depressão? O que gosto de comer? Ou por que você me pediu para escrever? Por que você faz publicidade e não arquitetura? Por que a mulher que se exibe em fotos sensuais é sozinha demais? Por que o amigo do amigo, que é um feioso, pega todas? Por que temos cicratizes no joelho?

Poucos sabem. Mas isso não tem importância quando a gente passa uns dias na praia, conhece um monte gente legal e o Orkut parece a luz no fim do túnel. Sim, não perderemos o contato com os amigos da praia, da serra, da festa, da temporada, da última estação. Teremos um elo comum, mesmo com nada em comum! Alguns são clonados... Hoje vivemos orkutamente com medo de sermos clonados.


Melhor ainda é encontrar o colega da 1º série. A professora velha e chata que você sempre teve certeza que te odiava e agora quer ser sua amiga no Orkut! Pior, ela está no Orkut! E a feinha do segundo grau que tá um mulherão, o nerd que virou galã e pratica escalada... Os amigos que estão no exterior, e ao mandar notícias nos deixam cheios de orgulho e com um a pontinha de inveja. Os colegas da faculdade com quem mal conversamos, mas fizemos algum trabalho em grupo. Os vizinhos que esquecemos de cumprimentar. Muito mais do que colecionar amigos, conhecemos histórias de vida, que nos surpreendem ou decepcionam, mas estavam ali do nosso lado e não víamos. Sim, Orkut pode ter nos tornado mais próximos!

Com quantos amigos do Orkut você já ficou ou já deu fora e, também já levou fora. Mas estão lá! Afinal contato é tudo num mundo globalizado! Falando nisso, percebemos que o mundo virtual também é pequeno! Todo mundo se conhece, todo mundo tem amigo incomum. Quem for amigo do Brad Pitt e da Madonna me adiciona urgente!!!

Mas, sim, temos os amigos! Que podem ser minorias, mas além desse espaço cibernético, dividem mesas de bar, baladas, tristezas, alegrias, risadas, fofocam sobre a vida alheia que investigam no Orkut! Amizade é mais importante que contato. Não precisam deixar scraps todo dia, mas te tiram de uma roubada, te fazem um favorzão e tem os que surpreendem, pedindo para escrever um texto para o seu profile!

Vida em fragmentos

Ela aparece no portão de casa, com o rabo abanando, quando eu entro, pula nos meus pés e lambe minha mão. Ela é azul, como eram os olhos do meu bisavô, que falava que eu era a guria mais bonita do mundo, mesmo o mundo dele sendo pequeno.

Ela é amarelada e surge no meio da tarde, afastando as nuvens e aquecendo o dia. Ela é a voz que a gente não ouvia há tempos, e de repente está ali, no outro lado da linha. É o ônibus que eu perdi, a rifa que eu comprei, o pão de queijo guardado no fundo do armário e que encontrei dois depois exatamente como eu gosto, durinho. É minha prima me chamando de batata, é meu pai me chamando de princesa.

É o banho quente, uma panela de brigadeiro para comer de colher, é aquelas moscas azuis que ficam pairando no ar e que por alguns instantes parecem te encarar, é tropeção que dou no meio da rua e me tira da letargia. Às vezes ela aparece em forma de medo, dos arrepios que a gente tem de repente, no frio na barriga e principalmente nas milhares de possibilidades que aparecem todos os dias.

Não precisamos de histórias dignas de filmes, nem de pessoas perfeitas para viver. A vida está nas dúvidas, que vão sempre me acompanhar e que, com o tempo se transformarão em meia dúzia de certezas. A vida é o banal, o lugar comum, o clichê, o filme com o enredo conhecido e que todo mundo adora, é o que a gente mais evita.

É o que me espera no próximo minuto ou daqui vinte e dois anos, que vai cruzar uma esquina comigo ou me atropelar. Ela é o que eu quero criar quando acho a minha muito chata. Ela se permite reinventar. Ela está me aguardando em tudo que eu ainda não fiz: no meu ofício diário, no problema que vou ter que resolver, nas pessoas que vou conhecer, no homem que vai me tocar, num salto de pára-quedas, numa casinha pequena numa praia qualquer, no santo daime, nas tatuagens, no que eu vou viver e vou guardar.

Ela já esteve no primeiro dia de aula, na festa de cinco anos, na vitória para as eleições da UNE, no que queria Ter falado mas me calei, na primeira ida ao estádio, na mão da mãe que te passa toda a segurança do mundo, no cheiro da comida que minha avó fazia, na aula de natação, no medo do escuro, em tudo o que guardei.

Nunca tive grandes problemas, nunca me decepcionei com alguém, nunca tive nenhuma doença grave, nunca perdi alguém, minha alegria não tem a profundidade da dor, porque não a conhece, e por isso mesmo é pura e leve. Como a leveza que tem na vida, e a gente deixa de perceber, curvar os ombros é carregar um peso que a gente inventa é mais fácil do que, simplesmente abrir os olhos para perceber.

E ela está aqui, saindo de mim, tomando a forma de cada palavra que escrevo, e como a vida é mágica, ela está entrando pela sua retina, para pedir socorro, que não a deixem esquecida num canto qualquer de uma história qualquer.

Wednesday, April 11, 2007

Dei uma espiadinha

Nunca gostei de reality shows! Big Brother então... Nem morta! É um atentado contra a inteligência das pessoas.

O motivo para todo meu desgosto: não perdi um capítulo da primeira edição do Big Brother que foi ao ar em 2002, torcia pela Leka, achava ela inteligente e corajosa por assumir que tinha bulimia quando isso ainda não era moda. Mas quando vi aquele tal de Kleber Bambam chorando por causa de uma boneca de ferro, percebi que ele seria o vencedor. O que realmente aconteceu. Até hoje acho que a Rede Globo armou tudo aquilo!

Eu, além de perder meu tempo, perdi a paciência e jurei para mim mesma que nunca mais olharia esse programa ridículo, para quem não tem o que fazer e que é um atentado contra a inteligência das pessoas.

E realmente não olhei! Até esse ano! Como nesse verão fui obrigada a virar gente grande e não pude me dar ao luxo de ficar três meses de pernas para o ar na praia, foi inevitável começar a espiar os moradores da casa mais vigiada do Brasil. No começo eu pensava: “Vou olhar só hoje, ninguém está em casa mesmo...” E como diz um professor que tive: Jornalista tem que assistir tudo! Comecei a achar interessante, afinal, depois de tantos anos, por que não dar uma espiadinha?

Me rendi total! Sair sábado de noite? Só depois de assistir a festa global. O grande dia da semana se tornou quinta-feira, dia de prova do líder! Até o Bial eu já estava achando simpático! Acompanhava as notícias sobre os brother em todos os sites de fofoca... Me tornei uma dessas pessoas que sempre critiquei. Não foram só eles que ficaram confinados, minha gloriosa inteligência também!

Ah, mas eu torci e como torci! Para o grande Alberto, desde o primeiro dia! Além da Bruna, ele conquistou a mim também! Grande jogador, inteligente, corajoso, autêntico... Que (infelizmente) acabou como vilão! Quando ele saiu, pensei: “Agora chega, não tem mais graça, não olho mais isso!” Mas droga é droga e vicia e, afinal, precisava saber como aquela palhaçada iria acabar. O final, todos sabem, o Alemão (a versão loira do Bambam) ganhou!

Que decepção! Tanta dedicação e horas perdidas na frente da tv para ver outra pessoa construída estrategicamente pela Rede Globo ganhar uma novelinha que eles existem em chamar de reality show!

Bem feito para mim! Agora é sério, nunca mais vou perder meu tempo assistindo um programa que é um atentado a massa cinzenta das pessoas. Nunca mais, a não ser que a minha inteligência tire férias.

Saturday, March 24, 2007

Uma janela amarela

Como a maioria dos dias de janeiro, estava quente e abafado, mas chovia uma garoa fina, que não me deixava brincar na rua, estava perdida em algum quarto da grande casa da minha avó. Havia apenas o barulho das panelas no fogão...

De repente minha avó quebrou o silêncio: “Renata, vem ver! Teu irmãozinho chegou!” Atravessei o enorme corredor correndo, minha avó me pegou no colo e sem me espichar muito, consegui ver tudo através da janela com os vidros amarelos. Meu pai saindo do carro, abrindo a porta para a minha mãe... O sorriso e toda a expressão do rosto dela... Um guarda-chuva aberto às presas para não molhar o novo membro da família.
Ao longe, a voz da minha avó me falava coisas que eu não ouvia... A minha avó e meu pai não tinham importância, eram apenas coadjuvantes. O que importava era o ser que minha mãe acabava de levantar para eu ver.

Meu pai e minha mãe, obviamente, eu já conhecia, o carro, sabia que era azul... Com três anos já conhecia as cores das árvores e das flores do pátio, tinha aprendido que o muro era branco, o portão marrom e a Cuica, a cachorrinha da minha avó que latia no portão, branca com preto... A única novidade era a pessoa que iria dividir meus pais, a casa e uma vida comigo. E quando vi meu irmão, sai do colo da minha avó e corri. Meu irmão era simplesmente amarelo!

Depois desse dia, não lembro do próximo encontro com meu irmão (que deve ter acontecido minutos depois), nem dos meus pais entrando em casa ou que almoço a comida que estava no fogão, virou. Recordo apenas que, novamente, atravessei o corredor correndo e da calma típica da minha avó, perguntando o que eu tinha e a minha decepção: “Por que meu irmão é amarelo?”

A janela com vidros amarelos ainda está no mesmo lugar, embora aquela continue sendo a casa da minha avó, ela já não está mais lá para me explicar que meu irmão só estava amarelo porque eu o tinha visto através do vidro. Depois disso, nos churrascos e festas na casa da minha avó, adorava ficar sentada na sala só para observar as pessoas e as coisas mudando de cor.

Muitas piadas eu já ouvi por causa desse episódio e da minha inexplicável afeição por vidros coloridos. Mas às vezes, quando olho para o meu irmão, ainda o acho um pouco amarelo.

Wednesday, January 31, 2007

Felicidade X versos

“Quem é feliz não escreve”, foi essa afirmação que eu ouvi do escritor e médico Moacir Scliar no programa de TV, Café TVCOM, no qual ele participava como convidado. Na hora me perguntei: “Será?” Pois além, de gostar de escrever, não foi a primeira vez que ouvi afirmações desse tipo.

Enquanto eu pensava com meus botões, a discussão no programa continuava, David Coimbra afirmou que todo escritor deve ser um grande insatisfeito, pois se tudo fosse bom, não teriam motivos para escrever, que é um ato solitário e muitas vezes sofrido.

Em uma entrevista, a Lya Luft declarou que todo escritor tem um grande buraco na alma e só escreve, porque esse buraco existe. Fernanda Young já disse que é escreitora porque acha sua vida uma merda e assim, se distrai. Tati Bernardi, volta e meia, diz em suas crônicas que só escreve porque não presta para fazer outra coisa.

Concordo que escrever é um hábito dos mais introspectivos e confesso, quando estou triste, escrever é um ótimo remédio! É, literalmente, uma oportunidade de por para fora tudo que me incomoda ou que não consigo falar, por covardia, falta de oportunidade ou por me achar melhor escrevendo do que falando.

Eu e meus botões não chegamos a muitas conclusões, mas acredito que o fato de eu fazer análise e tomar antidepressivo é apenas um mero detalhe... Pois, justamente, por gostar de escrever que não espero a tristeza vim me fazer companhia para me exercitar, até porque momentos engraçados geram histórias cômicas e cenas bizarras.

Independente de estado de espírito, escrever é um exercício e como qualquer outro, exige disciplina! Se para eternizar ou criar pessoas e histórias é necessário ter alguns parafusos a menos ou milhares de interrogações na cabeça, podem me internar. Mas por favor, me dêem papel e caneta!

Thursday, December 28, 2006

Os melhores de 2006

É lugar comum! Todo final de ano surgirem listas. De tudo. Então vou fazer a minha! Embora os chame de “os melhores”, as pessoas aqui citadas foram as que entraram na minha vida nesse ano que está acabando. Não são melhores, nem piores, mas importantes!

Lá, no início de 2006 e na Guarda estavam a Tatá, que vai ficar sempre no coração por tudo que me ensinou. O Lucas, grande parceiro e surfista! A Carol, espanhola que veio ficar alguns dias, quebrou o pé no segundo passo que deu em terras brasileiras, ficou todo o verão e agora deve estar mochilando em algum lugar do mundo. O Érico, doce e lindo, como todo poeta. A Suzane, uma sueca que adora o Brasil e uma boa balada. A Paulinha, a Dé, o Negão, o Paulista, a Marina... Gente, que verão o nosso!? Quanta praia, sol, pizza, luaus, baladas, risadas...

Depois veio a dança, que aos poucos se transformou em uma grande paixão, graças a Cris, será que um dia danço como você? A Eliane, que sabe transformar as coisas num espetáculo, como a vida deveria ser. Com as batidas laterais e oitos, veio também a Lê (você dispensa comentários), a Jô, a Consuelo, a Leila, a Carla, a Carina. Adorei! Que venham mais apresentações e principalmente espetáculos, com lenços, espadas, frio na barriga, ansiedade, luzes e aplausos!

O Inema, mais que colegas, trouxe amigos. A docinho da Élen, a Michele, a louca da Raquel, a Fernanda e depois a Gaby, que transformou todas nós em perkanhas e de quebra trouxe o Kurtz, o Mingo, o Paulinho, o Pedrinho e a Cris que manda bolo para mim. (Será que nossas fotos nos condenam?) A Vanessa já fazia parte da vida e da profissão, mas a Gaby só fez aumentar o carinho que sinto por ela. Depois veio a Fabi e o Bem da Fabi. Fora o Ulisses, o Marcelo, parceiros de baladas e de time! Somos campeões. O gremistinha do Fabiano (ainda bem que teu filho te salva!). Tem também o Nego Mário, a Elisa, a Elis, a Sol, a tia Meg e na finaleira do ano, aparece a Lú, que logo se adaptou ao clube! Tri perkanha!

Em um único final de semana na praia, trabalhei, treinei o inglês, fiz festa e conheci tanta gente! Jana, te adoro, agora ouço Ultramen e lembro de ti! Aninha, sempre tão séria no telefone, mas tri festeira! A Paty e o Ludov, que vivem um lindo amor francês. Mônica, querida! O João, o Led, o Tchello, o Zé, o Fragoso, o Xan, o Gil, o Pierre, o Jimmy. Aaron, you’re so cute! Kevin you’re crazy man!!! But I loved meet you guys! It’s true, I don’t smoke marijuana! Hehehe...

E a Carol, até então era só uma colega de aula! Se transformou numa baita amiga! Valeu, por tudo, mesmo! A Andiara que deu sorte em namorar o Júnior e ter eu como prima! O Ramon que nasceu e ganhou um texto! Claro que perdi também, pessoas e oportunidades. Poderia ter dado valor e não dei, poderiam ter me dado valor! Agora é tarde... Mas fazendo esse texto percebei que ganhei muito mais que perdi! As pessoas que se escondem atrás desses nomes fizeram muita diferença nesse ano! Algumas, espero que permaneçam por uma vida, outras sei que foram de passagem, mas valeu por termos nos cruzado!

Feliz 2007 e que cada pessoa se torne uma novidade, uma lembrança e a certeza de que no fim, o ano foi ótimo e o próximo será melhor ainda, pois companhia não irá faltar!

Friday, December 01, 2006

Ainda não...

Enquanto estava contigo e você me achava distraída demais, eu estava sempre prestando, muita, atenção em cada detalhezinho, para guardar em algum lugar dentro de mim. O problema é que agora, por mais que procure novos caminhos, na minha saída sempre há você. Não só na saída, em cada esquina, em cada rua, em cada praça...

Por mais que acorde bem, saia apressada e atrasada como sempre, tô com mil coisas na cabeça e desejo um dia com 48 horas para eu dar conta de tudo... Passa algum ônibus que peguei com você, vejo uma placa na rua, acho que enxerguei alguém parecido com você, ou passa uma pessoa por mim usando o seu perfume para eu esquecer de todas as coisas e me lembrar de como arrumaria tempo para você e desejo apenas a noite para eu poder dormir logo e poder chorar.

Sim, chorar não é mais uma crise, é um hábito. O hábito que arrumei para aliviar a falta que você me faz. Às vezes deito na cama e lembro de algo muito legal, mas me lembro também que seria mais legal ainda se pudesse te contar. Aí choro. Por isso, por tudo que me fez lembrar de ti e da tua indiferença.

Tem dias que eu dou muita risada, até pareço ridiculamente feliz. Mas é só um disfarce, uma cena básica, ao menos posso tentar ser atriz se minha carreira jornalística não der certo. Você se tornou minha única inspiração, mas uma inspiração distante demais. Será que se você lesse esse texto, se identificaria? Você com todos os defeitos que eu sempre gostei, com esse ar de quem sabe tudo que você gosta de exibir? Com tudo que te fez tão especial e ao mesmo tempo só mais um idiota que eu preciso esquecer? Com suas pintinhas nas costas que eu sempre adorei e, aposto você não imaginava...

Meu dia tinha que ter 48 horas para eu dar conta de tudo. Ou ser apenas uma noite seguida de outra. O tempo está passando! E não cura nada, só te torna ainda mais distante de mim! Me acostumei com a dor, é aguda e continua, me permite viver, rir e até ser feliz, mas é como um soco no estômago quando tudo está muito bem e de repente o nó na garganta me aperta. É a saudade que eu sinto de ti que se tornando física e me lembrando que nem tudo tá tão bem assim.

Não agüento mais disfarçar que está tudo bem, quando não está. Odeio ser uma amiguinha no orkut, odeio vê você feliz nas fotos e saber que não faço parte de nada disso. Não agüento mais manter a posse de moça decidida que sabe o que quer. Sim, eu sei o que eu quero, mas isso adianta o quê? Não acho a saída desse labirinto que tem teu nome, teu rosto, tua pele, teu gosto e quanto mais eu procuro, mais eu me perco.

Não tenha dúvida: Ainda não deixei de gostar de ti! Mas tô quase!

Wednesday, November 29, 2006

A arte de habitar

Mais um texto elogiado na aula de redação!

O homem ao querer comprar uma casa, se deparou com o financiamento imobiliário. Homem simples, com pouco estudo, sentiu a complicação de uma linguagem difícil. Antes de entrar na casa, entrou em filas, muitas. Fila no banco, fila no cartório, fila para conseguir o seu lote, fila na Secretaria de Habitação, e fila, e fila, e fila e ele fica.

No banco, adquiriu uma dívida que pagaria nos próximos vinte anos, Teve que ir e voltar, muitas vezes, pois sempre pediam algum documento que ele nem sabia que existia. Depois de quitar os cinco primeiros anos, o homem poderia escolher seu lote. Ou, o seu pedaço de chão.

No cartório, mais documentos lhe foram apresentados. Mais espera. Ao menos, agora tinha um pré contrato, que lhe davam alguns direitos, pelo menos fora o que a atendente do cartório falara. Mas ele esqueceu de perguntar quais direitos eram esses e a moça não se lembrou de explicar.

No loteamento “Morada Nova”, nova espera. Escolher seu pedaço de chão? Impossível. O jeito é rezar para lhe darem um lote de frente para uma rua calçada. Muitos na sua frente. Lote um para fulano, lote dois para siclano...
Sua ficha era a cento e vinte e um, os lotes iam apenas até o cento e vinte. Espera a abertura de mais um loteamento.

Falaram que na Secretaria de Habitação ele pode reclamar, parece que é na prefeitura. Achou, chegou, pegou uma ficha e esperou na fila. A atendente pública disse que aquele documento não lhe garantia nada. Mas a moça do cartório falou. O quê? Nem o homem lembra. Tem que fazer um documento novo, com o seu nome e, claro, pagar uma taxinha, trazer documentos, ficar em filas, pagar mais uma taxinha para retirar a documentação necessária.

Com toda a papelada na mão, resolveu falar com o Prefeito, saber quando iriam abrir mais um loteamento. Só no ano eleitoral. Só mais alguns anos, durante isso já vai fazendo campanha e entregando santinho. E espera mais um pouco.

Quinze anos depois da primeira fila no banco e meses antes de uma eleição, ele conseguiu o seu pedaço de chão, cedido numa rua calçada, mas sem serviço de esgoto. Agora é construir. Quando o homem foi levantar a sua casa, bateu a fiscalização, a obra era irregular.

Thursday, November 09, 2006

Para alguém bem perto

“...eu te procurei pra me confessar. Eu chorava de amor e não porque eu sofria”
Uns Dias – Paralamas do Sucesso


Aconteceu. Me apaixonei por você e sei que não devia. Você é um galinha, fica com todo mundo e não dá valor para ninguém, claro que o que importa, no caso, é dar valor para mim! E eu não sei o que fazer. Não é o fato de você não gosta de mim que me faz sofrer. É justamente, o contrário que me machuca, é eu gostar de você e saber que isso não serve de nada. Puro egoísmo da minha parte, pois queria você porque me sentia bem ao seu lado.

Gosto tanto que preferia não sentir isso, não por mim, mas por você, que se incomoda com o que eu sinto. Claro que sofro! Não sei o que fazer com o sentimento que está transbordando. Amor reprimido vira ódio e eu não quero te odiar. A saudade que sinto sufoca, me faz perder o ar e às vezes, até o chão. Mas a saudade que mais dói é a do que poderia ter acontecido.

Não vamos no cinema, nem na praia e nem no gazômetro. Não vou mais te fazer massagem. Não sei o que você achou do meu cabelo, nem como vai o seu serviço. Não posso te beijar quando tenho vontade (e tenho essa vontade sempre), nem te abraçar e muito menos te ligar. Não vou mais sentir a sensação de paz que você me trazia e nem você vai rir da minha mania de comer picolé. Não vai poder falar das minhas unhas vermelhas, não vai me ver dançar, não vai ouvir eu falar do livro que eu tô lendo. Não vou poder te mostrar a minha roupa da dança do ventre, nem falar como foi a apresentação, nem que voltei a fazer análise. Você não vai chorar por mim, muito menos, sorrir para mim!

Odeio o “oi burocrático” que você me dá quando me encontra. Como odiava, mais ainda, a mania que você tinha de apagar os scraps que eu te mandava, será que tu não percebia que isso dava mais bandeira? Adiantaria te chamar de burro e cego porque eu sou inteligente, tenho senso de humor, não sou feia e principalmente, sou louca por você. E só você não vê? Ou devo prometer para o papai do céu que eu vou me comportar e ser uma boa menina se ele te trazer de volta?

Carrego uma carta que fiz para você todo dia, não vou entregar porque não quer receber e não tenho coragem de jogar fora. O que eu faço com o que sinto por você? Ponho no lixo? Junto com as muitas possibilidades que estavam na nossa frente e você descartou? Amor acaba, estraga e até apodrece. Possibilidades não vividas viram arrependimentos e lamentações. Eu choro por causa de um sentimento desperdiçado e você? Pior do que acabar e não ter tido coragem de começar!

Monday, October 30, 2006

Promessas eternas

Tenho uma dívida com a loirinha bochechuda que eu fui um dia. Prometi várias coisas para a vida dela e, à medida que ela foi crescendo e se dando conta do compromisso, começou a me cobrar!

Quando ela era a mais tímida da turma e tinha até vergonha de responder a chamada, prometi que ela teria uma profissão onde fosse obrigada a falar e se mostrar. Hoje, faço jornalismo. Teve uma época que ela se achava normalzinha demais, apagada até, prometi algumas cores para a vida toda. Fiz a primeira tatuagem com 14 anos e me orgulho das corres que carrego pelo corpo. Durante muito tempo meu cabelo foi roxo ou verde.

Quando ela achava que vegetarianos eram malucos demais, prometi que um dia ela seria como eles e que sobreviveria muito bem sem ingerir defunto. Há quatro anos não sei mais o gosto que tem um pedaço de carne e mostrei para ela que vegetarianos não morrem de fome, muito pelo contrário, comem muito bem.

Ela passou cinco anos indo a fonoaudiólogas para aprender a falar corretamente e eu prometendo: calma, um dia você não vai falar só português. Já dei aulas de inglês. Ela lia livros de detetives e queria ser como eles, então prometi que um dia investigar não seria ficção e adivinha: Me tornei uma detetive. Não trabalho diretamente com isso, mas entendo muito ofício investigativo e sei que ela se orgulha do registro na Abin.

Já trabalhei meses numa rádio só por prazer, ela precisava perder o medo que tinha do microfone. Fui integrante de grêmio estudantil e da UNE, era essa a maneira de cumprir a promessa de contribuir com um mundo melhor. Faço dança do ventre porque ela sempre se achou dura demais e assim ela se solta.

Prometi o mundo: amigos interessantes, muitas histórias para contar, uma carreira bem sucedida, alguns livros com o seu nome na capa, um namorado inteligente, gostoso e apaixonado, um show da Madonna, outro do U2, uma copa do mundo, o Caminho de Santiago, uma temporada em Londres, outra na Índia, muitos gibis...

É um mundo de interesses e realizações pessoais que estou buscando. Às vezes desanimo, tenho vontade de subir num lugar bem alto, abrir os braços e ir ver o que tem do outro lado. Mas aí ela aparece, com as bochechas gordas e vermelhas, supera a timidez e me fala com a petulância característica de quem sabe o que quer: “Você me prometeu!” Prometi e confesso: o meu maior medo é decepcionar a criança que eu fui um dia.

Monday, October 16, 2006

Um recado para Ramon


Foto:Without you/flickr


Nunca fui muito de crianças, muito menos de recém nascidos, como você! Mas acredite, por mais que não saiba demonstrar, já gosto de ti! Não sei lidar nem com meu afilhado, seu tio. Aliás, podemos fazer um trato: se um dia o Rockson reclamar, você me conta. O que acha?

Graças a Deus, nascestes numa família de colorados, onde a mais fanática por futebol sou eu! Claro, você terá alguns primos e tios que, inexplicavelmente, são gremistas. Prepare-se, pois você ouvirá muitas brincadeiras por causa disso.

Falando em tios e primos, essa sua família é uma loucura! Tem os carecas precoces como o tio Cristiano e os eternos cabeludos como o Miguel, o Doca e o teu avô. Ah, teu avô adora contar histórias e tua avó faz bolos deliciosos, mas odeia sujeira. Teu tio Rockson tem seis anos e é uma figura! Acho que ele vai ter um pouco de ciúme de ti...

A tua tia Amanda não tem nada haver com a sua mãe! A Agnes vai falar muito nos teus ouvidos, ela é uma tagarela. Mas acho que você vai gostar de todos. Ah, só para constar, a minha mãe será a tia que você mais verá, porque é a mais metida da família. E ela adora a Simone e a Moni adora tia Laine... Logo, vai te adorar também! Foi ela que passou todas as suas roupinhas e olha que minha mãe nunca foi muita dada a tarefas domésticas.

É muita gente! É muita gente diferente! Tem os que tão perto, mas parecem distante. Tem os que moram longe, mas estão sempre perto. Às vezes, alguém aparece e fica, como o teu pai! Aliás é só por isso que ele é teu pai. Ele apareceu e foi ficando até que a Moni foi ficando com ele... Um dia eles te explicam!

O bom de gente diferente na família é que a gente cresce com uma cabeça mais aberta do que a maioria das pessoas. E o mundo também é surpreendente! Você vai descobrir tanta coisa: banho de chuva, festa de aniversário, Papai Noel, castigo, flores, praias, vozes, abraços, promessas, música, escola, chão, tombo, machucados, amigos, folhas, bola, meninas, corpo, negrinhos na panela, choro, grito, rua, carro, barulho, cheiro, cabelo, caras e bocas entre um mundão de coisas que vem por aí que eu nem sei!

Odeio aniversários, então já vou desejar agora. Todo de bom para você, uma vida repleta de felicidades, saúde, amor, paz, harmonia... Seja bem vindo à vida!


Ramon nasceu dia 15 de outubro, com 53cm e mais de 3 quilos. Espero sinceramente que ele não passe a vida ganhando um presente só, pelo aniversário e dia das crianças.

Saturday, October 14, 2006

3 x 4

Sou passional. E orgulhosa. E determinada. E disciplinada. E geniosa. E difícil. E leonina. E desconfiada. E companheira. E colorada. E emotiva. E preguiçosa. E vegetariana. E quieta. E ansiosa. E impaciente. E tímida, e como todo tímido pareço medita. Pior que eu gostar de alguém, é eu não gostar.

Gosto de escrever porque tenho uma necessidade de aparecer, sem me mostrar. E também porque sou maior que os meus 1.58 de altura. Quase uma necessidade física. Meu cabelo é castanho, de um castanho claro demais para o meu gosto, e quando eu pinto ele fica legal só no primeiro dia, depois desbota. E quando me olho no espelho parece que eu também desbotei. Meus olhos são azuis, mas ficam verdes quando eu choro.

Gosto de cores. De comer negrinho. De dormir ouvindo música. De cachorro. De banho de chuva. De malhar. De praia. De ler, muito, o tempo todo. Leio de Sartre a Maurício de Souza. Queria ser uma personagem dos livros da Claúdia Tajes ou do Jostein Gaarder. Faço jornalismo. Amo rádio e jornalismo literário. Falo inglês, quero fazer italiano e aprender esperanto. Faço dança do ventre e alguns anos tento tocar violão e fazer malabaris.

Já amei camarão e frango xadrez. Usar só roupa preta. Back Streeet Boys. Aqueles tamancos de plásticos da Melissa. Matar aula e ficar sentada na frente da escola... Ainda bem que a gente muda. Não gosto de gatos. De acordar cedo. De dormir cedo. De silêncio. De ser interrompida quando estou lendo. De carne. Tenho medo de barata, de ser sozinha, de ser abduzida, de ficar triste, muito triste. Já tive depressão e tenho medo de ter de novo. Faço musculação, tentando me tornar uma pessoa mais dura, por dentro e por fora.

Às vezes eu choro antes de dormir, porque sinto saudades, porque gosto de alguém que não gosta de mim, porque queria que ele gostasse de mim, porque lembro de coisas que queria esquecer, porque tenho medo das tais “voltas que o mundo dá...” Porque tenho medo de não ser uma pessoa feliz... Por mil motivos, por tudo. Daí eu rezo e peço pra tudo dar certo, mesmo eu sendo a pessoa egoísta que eu sou. O sono vem e no outro dia eu nem lembro. Mas também não me esqueço.

Tenho uma memória de elefante. E estrelas no meu quarto. E tatuagens. E piercing. E gastrite nervosa. E livros que eu comprei e não vou ler. E cds que me arrependi de ter comprado. E amigos que amo, longe ou perto, os de sempre e os mais recentes. E uma família hilária e enooooooooorme, com todo mundo diferente e igual. A maioria das pessoas não sabe como são importantes para mim.

Odeio minhas orelhas, adoro meus pés. Será que 200 ml de silicone em cada seio me fariam mais feliz? Às vezes tenho certeza que sim, as vezes que não. Cinco centímetros não têm jeito de eu conseguir... Odeio ficar vermelha. E eu sempre fico vermelha, eu nem sinto mais. Agora, quando eu sinto, e porque já estou rosa-xoque. Eu estou sempre gelada. Dizem por aí que “mãos frias, coração quente”, mas eu não sei...

Tem coisas que não cabem numa 3 x 4.

Friday, October 06, 2006

Algumas perguntas

Outro dia fiz esse texto para a aula de redação III, o professor gostou e elogiou bastante... Se realmente tá bom, não sei. Mas é verdadeiro, por isso está aqui.

Adoro escrever! Sempre gostei. Acho que esse é um dos principais motivos para eu estar nesse curso. Português e literatura sempre foram minhas matérias preferidas no colégio. Trocava redações por colas nas provas de matemática. Preferia a biblioteca às aulas de educação física. E sempre tive certeza: seja lá o que eu fosse quando crescesse, eu ia escrever.

Notícias? Não gosto muito. Mas está incluído no pacote! Reportagem? Adoro. Perfis, reportagem em aprofundamento, jornalismo literário... Qualquer coisa onde possa brincar um pouco. Mostrar mais e consequentemente descobrir mais. Gosto de dormir tarde porque é a hora que gosto de ler e principalmente escrever.

Depois de alguns 10 em português, zeros em física e química, uma prova de vestibular para jornalismo, o conhecimento do lide e da pirâmide invertida, aqui estou. Escrevendo. Porém me pergunto será que tenho talento para a coisa? Encabeçar a lista da Veja dos mais vendidos não está nos meus planos, mas lançar um ou dois livros está. E agora? Será hobby, profissão, talento ou ilusão?

Até o final do ano eu faço meu blog, não fiz ainda porque tenho um pouco de receio, às vezes a internet me parece “terra de ninguém”. Estipulei até o final do ano, porque algo me diz que está na hora de mostrar o que escrevo, nem que seja para minha mãe e meia dúzia de amigos.

Será a tal crise dos 21 anos? Não sei! O fato é que a possibilidade de passar o resto da vida fazendo algo que eu sempre sonhei assusta. Hoje é só um blog, amanhã é a coragem de bater numa editora. Ontem eu era só a guria que trocava redações por números. Agora é um texto para a aula de redação, depois um texto para o site que trabalho, e depois?

Às vezes a folha em branco se torna algo bem legal, noutras é um lixo. E quem sou eu para julgar? O que o meu estado de espírito entende para achar alguma coisa? Sim, porque é esse o único critério que eu uso: se estou bem, escrevo bem. Se estou mal, escrevo mal! E hoje? Hoje eu estou questionadora! Não sei nem dizer o que é isso que estou escrevendo. Crônica, balela, poesia, conto de fadas, clichês... Para terminar, só mais uma perguntinha: Alguém tem as respostas?

Monday, October 02, 2006

Crias da tecnologia

Foto:Aloha Mamma/flickr



A infância de hoje em dia é indiscutivelmente muito diferente do que a de menos de uma década atrás. Mudanças são comuns de geração em geração, mas o avanço da tecnologia parece ter acelerado as coisas. Além dos computadores, videogames, DVDs e outros aparelhos da casa ou da escola, eles estão muito acostumados com os portáteis pessoais, como celulares e mp3 de música digital.

É indiscutível as mudanças que a tecnologia trouxe para a nossa vida, para o nosso cotidiano. Enquanto muitos adultos ainda estão em fase de adaptação, a maioria das crianças já está totalmente inserida nesse novo contexto tecnológico. A cultura digital, fruto direto da tecnologia.

O repórter Marcelo Miranda do portal Acessa.com, fez uma reportagem onde abordou as crianças e a tecnologia. Ele cita o caso do menino de 10 anos Caio César Silva Lima faz jus a essa cultura. O garoto é usuário praticamente avançado da web, entre outras coisas sabe navegar, usar MSN, tem perfil no Orkut, estuda e pesquisa no computador.

O site Pra Saber mais de Fernando Barrichelo, tem um link chamado Ciência e Tecnologia para as crianças. Onde, entre outras coisas, ensina o funcionamento de inúmeros aparelhos tecnológicos com uma linguagem própria para esses precoces usuários. Para muitos adultos essa facilidade se deve ao fato de "a criança já nascer inserida no mundo da tecnologia".

Especialistas ressaltam que de nada adianta escolas adaptadas com grandes recursos tecnológicos e a convivência precoce com computadores se não saberem qual a função que esta tecnologia pode ter para esta criança.

O preço da modernidade

Foto:Darniw Bell/flickr


Que a tecnologia trouxe inúmeras mudanças para a nossa vida, percebemos no cotidiano. Muitos pagam caro para se adaptar e aderir a tanta novidade tecnológica, inclusive com a saúde.

A principal característica dessa cultura é a permanente busca pelo novo. Um exemplo claro é quando compramos um celular recém lançado e já tem outro no mercado, que coloca nossa recente aquisição na fila de entrada do museu. Para muitos é um verdadeiro stress a adaptação à esses aparelhos, causando em algumas pessoas um distúrbio chamado tecnoestresse.

Esse distúrbio se caracteriza pela da convivência cada vez maior das pessoas com a tecnologia. “É a irritação que sentimos por não conseguir operar o videocassete novo ou quando ligamos para alguém insistentemente e ouvimos que o telefone celular está fora de área”, explica o psicólogo americano Larry Rosen em entrevista a um site de psicologia. “Veja o caso da internet, a pessoa de perde diante de tanta informação. A conseqüência imediata disso é o stress”, completa.

A edição 419 de 27 de maio de 2006, da Revista Época trouxe uma reportagem sobre a cultura da tecnologia, tão inserida e comentada nos nossos dias. A publicação fornece um mapa desse mundo vasto e fascinante, com o intuito de ajudar os leitores a participar mais intensamente da cultura do nosso tempo. No mesmo exemplar há um teste para ver se a tecnologia estressa o leitor.

Útil e fútil. Necessária e supérflua. Cabe a nós não nos tornamos vítimas dessa realidade que a cada instante bate a nossa porta.

Friday, September 15, 2006

Farenheit 9/11, dois anos depois



Esse ano se lembrou o 5º aniversário do atentado as Torres Gêmeas de Nova York, o World Trade Center e o segundo ano do lançamento do polêmico documentário, Farenheit 9/11, do diretor Michel Moore.
Há dois anos, o lançamento da obra foi cercado de debates, e o diretor, assim como o filme, foi alvo de inúmeras críticas em seu país. O irônico Moore é hoje, o mais famoso inimigo público declarado de George W. Bush, Presidente dos Estados Unidos.
O filme fez bastante sucesso nesses dois anos e seu diretor tornou-se mais conhecido, inclusive lançando dois livros com teor político: Cara, Cadê meu país e Stupit White Man-Uma Nação de Idiotas.
Em 2004, o filme levou a Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes, na França. “A platéia aplaudiu entusiasmada, em estado de euforia. Eles realmente gostaram da fita (que em sua estréia ganhou aplausos por 20 minutos). Por onde andou no Festival, Moore foi ovacionado, a ponto de ficar comovido e surpreso”, conta Rubens Ewald Filho para o site da uol.
Apesar das muitas discussões sobre o gênero da obra, documentários para alguns, ficção para outros, o fato é que o filme foi bem aceito pela mídia e principalmente pelas pessoas, com exceção do George W. Bush.
Farenheit foi o primeiro filme a abordar os atentados, agora, cinco anos depois da tragédia e dois do lançamento da obra de Moore, começam a surgir obras extremamente ficcionais sobre o assunto. O fato pode servir como pano de fundo ou como ação central de inúmeros filmes que veremos por aí, encabeçados pelo Farenheit, que amenizou as críticas para as obras sucessoras.

A Comemoração da tragédia


Já fazem cinco anos do fatídico atentado ao World Trade Center, as Torres Gêmeas de Nova York. Deste então, é comum esse fato voltar e explorar a mídia. E numa dada redonda como essa, a tragédia é ainda mais esmiuçada.

Os portais da internet, especializado em notícias ou não, abordaram o assunto de alguma forma, seja disponibilizando vídeos apresentados como inéditos, áudios exclusivos ou apenas discutindo as conseqüências da tragédia no mundo todo. Se digitarmos o termo “cinco anos 11 de setembro”, num site de busca, facilmente encontramos cerca de 10 milhões de citações.

Como o mundo comemorou esse triste aniversário e as inúmeras homenagens às vítimas que se realizariam nos Estado Unidos e ao redor do mundo sempre são pauta nos noticiosos. Na primeira quinzena de setembro é normal os lançamentos de filmes, livros e clipes que fazem alguma relação com os atentados. Depois do polêmico “Farenheit 9/11” Michael Moore de 2004, foi lançado dia 8 no Brasil “As Torres Gêmeas” do diretor Oliver Stone.

Na internet, o You Tube, um popular site que hospeda vídeos para o mundo inteiro, disponibilizou mais de mil vídeos sobre a tragédia, entre imagens reais, produzidas, sátiras e desenhos também são possíveis de serem encontradas no portal.
Por mais que a arte se esforce para amenizar um pouco do choque e da lembrança dessa tragédia, nenhuma ficção ou documentário foi mais destacado nos meios de comunicação, nessa semana, do que o vídeo que mostra as imagens do líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, reunido com alguns dos seqüestradores dos aviões utilizados nos atentados.

Mesmo que o mundo precise entende o que aconteceu naquela manhã e procure outros meios de rever aquelas cenas para tentar compreender. O vídeo foi divulgado somente cinco anos depois para um mundo que ainda conserva as dúvidas de uma criança diante das cenas reais da tragédia.